quinta-feira, setembro 08, 2005

Entrevista a Carlos Carvalhal - Noticias Magazine

L.Vieira

Entrevista conduzida por Rui Pedro Tendinha e publicado na revista "NOTICIAS MAGAZINE" em 4 de Setembro de 2005.

"Das Públicas Virtudes
»Na vanguarda dos treinadores da nova geração está este homem.
O seu objectivo prático é pôr o Belenenses nas competições europeias.


Já disse que não depende do futebol porque também é empresário. Essa situação dá-lhe um desprendimento que lhe é útil?
Dá-me uma autonomia e uma paz de espírito a todos os níveis. Tenho necessidade de ter alguma autonomia para o meu próprio funcionamento. Para mim é muito importante ter uma vida familiar e financeira perfeitamente estabilizada que me permita agir sendo sempre eu. Não quero estar dependente de absolutamente ninguém.

Mas sabe que isso é um privilégio, não sabe?
Sim, sei. É um privilégio tanto no futebol como na vida. Permite-me ter uma grande estabilidade para estar a trabalhar no futebol.

A vida como empresário corre-lhe bem?
Muitíssimo bem… Em tempos de crise temos empresas que continuam a ser muito bem sucedidas. E temos alguns projectos engraçados, embora não gostasse de entrar muito por aí por ser profissional de futebol

continua...

Ás vezes sente-se que aos treinadores acaba por faltar a visão prática do adepto. Você tem um pouco de treinador de bancada?
Tenho, tenho… Vejo um desafio de futebol com duas perspectivas: ou em trabalho, sem qualquer tipo de emoção, ou como adepto comum. Nesses últimos casos tenho reacções como qualquer outro tipo de adepto. Lembro-me de ver o Manchester-Leeds e estar a torcer pela equipa da casa. As minhas manifestações eram completamente diferentes das dos adeptos ingleses, eram muito mais críticas!

Há alguma mística que este Belenenses transmite ou é mais um reflexo de simpatia?
Na cabeça dos adeptos estão sempre aqueles grandes momentos do passado. O nosso objectivo é conseguir devolver não uma lembrança mas sim uma vivência. Estamos a tentar reencontrar o passado, sempre perspectivando o futuro, isto com um orçamento que não está ao nível da concorrência. Claro que isso não pode ser limitativo. Temos ambição porque sentimos que trabalhámos bem no defeso e que temos um bom lote de jogadores. Queremos fazer uma equipa possa lutar pelas competições europeias.

Mas a concorrência está forte.
Está forte, está. Há várias equipas com o mesmo objectivo e ainda também os chamados outsiders. Por exemplo, o Nacional da Madeira, o Braga, o Boavista, o Marítimo e o Guimarães penso que podem lutar com força por esse objectivo.

O ano passado, quando o FC Porto despediu Fernandez, o seu nome chegou a ser falado para o substituir. Teria aceita nessa altura o convite?
Na altura teria de equacionar… Também não estou a ver o Belenenses a deixar-me sair… Aqui estou muito bem! Obviamente que amanhã terei outro projecto, mas agora estou acima de tudo concentrado no Belenenses. Quero deixar a minha marca neste clube. Quero deixar a minha marco em todos os clubes por onde passar.

O que lhe dá mais prazer enquanto treinador: a componente táctica ou a liderança de homens?
O que me dá mais prazer é treinar. Quando estou a treinar estou a activar competências, individuais e colectivas. Gosto de sentir que os jogadores estão a aprender.

Diz-se que Mourinho está cada vez mais a influenciar os jovens treinadores. Sente isso cá em Portugal?
Tenho uma admiração e uma amizade muito grandes pelo Mourinho. Por outro lado, queria dizer que comecei o trabalho de treinador principal antes dele. Segui sempre uma determinada filosofia que é muito minha e, portanto, nunca posso estar sujeito a colagens. Os meus atletas são testemunhas de que a minha forma de trabalho é muita minha. Mas evidentemente que o efeito Mourinho teve alguns reflexos no futebol português – abriu portas a alguns treinadores e, incompreensivelmente, fechou outras a alguns treinadores com mais idade.«

»Desafio
O que aceitaria primeiro: treinar a Selecção Nacional ou um dos chamados “três grandes”?
A Selecção Nacional! É que já estou a treinar um “grande”… Creio que treinar a selecção é um desejo comum de todos os treinadores portugueses, mas também só me reveria a treinar a selecção daqui a uns dez anos, sobretudo porque é um trabalho de observação.«


»O meu herói
Lance Armstrong
“Para além da minha avó Glória, se calhar escolheria como herói o Lance Armstrong por ser uma pessoa que passou dificuldades devido a uma doença grave e que, depois da recuperação, se tornou ainda mais forte. Normalmente, tenho admiração por todos os que agarram as oportunidades. Eu também vim do nada e neste momento, graças a Deus, tenho muita coisa! Lance Armstrong é um exemplo de vida.”«

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