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sexta-feira, abril 11, 2008

A FABULOSA EQUIPA DE 1972/73



EPISÓDIO #13: A FABULOSA EQUIPA DE 1972/73

Na época de 1972/73, veio para o Belenenses o treinador argentino, Alejandro Scopelli, antiga glória do clube, como jogador.

Scopelli, que para mim foi o melhor treinador do clube, nos últimos quarenta anos, conseguiu estruturar a equipa de tal modo, que atingiu um inesperado 2º lugar no campeonato, com 14 vitórias, 12 empates e apenas 4 derrotas, embora nunca tenha ameaçado lutar pelo título, porque o Benfica, nessa altura, tinha uma grande supremacia sobre todos os outros.

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A proeza de 72/73 foi ainda mais surpreendente porque, relativamente à época anterior, quase não houve reforços sonantes, à excepção do paraguaio Gonzalez e do ex-benfiquista Calado, embora este nem sequer tivesse sido titular no Benfica.

O sagaz Scopelli estruturou a equipa colocando o habitual defesa central Quaresma, a «trinco», o que na altura constituiu uma "revolução" inesperada, mas que se viria a revelar de uma extraordinária eficácia, levando até à internacionalização de Quaresma.

A estrutura base da equipa titular, consistia num 4x3x3 com os extremos, Laurindo e Gonzalez, bem agarrados á linha, sempre apoiados na movimentação ofensiva pelos defesas laterais, Murça e João Cardoso ou Pietra.

Mourinho, pai do actual famoso treinador, era o indiscutível guarda-redes.

No centro da defesa, tanto Freitas, como o já referido Calado, eram obstáculos quase intransponíveis, deixando os laterais descansados para poderem atacar à vontade.
Calado a central, foi outra feliz invenção de Scopelli, já que era habitualmente médio.

Quaresma a trinco, foi a grande novidade e que resultou em pleno.

Os médios criativos, eram Quinito, pela direita, e Godinho, pela esquerda. Combinavam sempre muito bem com os laterais e os extremos do respectivo corredor.

O avançado centro, era o brasileiro Luís Carlos, um fantástico jogador de estatura relativamente baixa, mas de uma técnica e astúcia muito acima da média.

A equipa tinha um futebol geométrico, espectacular e de grande eficácia, que deliciava os adeptos, já desabituados há alguns anos à luta pelos lugares cimeiros.
Ficaram célebres os jogos, em casa, com Leixões (4-0), Porto (2-0) e V.Setúbal (3-2), e fora com Barreirense (5-1), U.Tomar (6-0), CUF (2-1), Porto (1-1) e V. Setúbal (0-0). Saliente-se que o VFC era na altura uma das melhores equipas nacionais, tendo terminado em 3º lugar à frente de Porto e Sporting.

Contra o Benfica, que terminou o campeonato sem derrotas e com apenas dois empates, apesar das duas derrotas, realizou uma grande exibição no Restelo, tendo perdido, 0-2, por inexperiência e por manifesta falta de sorte, num jogo a que assisti e que, ao contrário do que a comunicação social gosta de dizer, teve lotação esgotada.

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Enchente no Restelo

Destacamos algumas frases de Scopelli, de uma entrevista ao jornal "A Bola", no início de 1973.

«Considero proveitoso tudo quanto se extrai das camadas jovens. Creio que escusaria de afirmar que nada tenho contra o profissionalismo, bem pelo contrário, mas penso que, das camadas jovens consegue-se tirar jogadores com um pouco da mística e do amor ao clube, que o profissional, em regra, na sua natural frieza não pode possuir».

«Um ou dois jogadores que se aproveitem em cada época, das camadas jovens, já constituem um rendimento extraordinário. Inclusivamente pela tal mística, pelo tal amor ao clube, que até contagia os colegas, tal como acontece com Godinho, por exemplo».

«Mesmo nos tempos do profissionalismo, a mística, o amor ao clube, esse dom de jogar com alegria e de até transmitir essa alegria aos colegas, continua a ser algo que não se paga com dinheiro nenhum».

A propósito da razão que o levou a organizar um curso de treinadores para os jogadores do Belenenses:

«Diz-me a experiência que, no futebol, o jogador é quem menos pensa (excepção feita para os craques, que jogam e pensam ao mesmo tempo e por isso mesmo são craques) e considero necessário que o mais comum dos jogadores comece também a saber pensar, dentro e fora dos jogos e dos treinos, para que não continuemos a ser nós, treinadores, a ter de pensar por eles».

Sobre a colocação de Quaresma a trinco:

«Examinei todos os jogadores e encontrei em Quaresma as características que melhor poderiam servir tais funções. Mas se não existisse Quaresma, outro jogador do clube teria sido adaptado àquele lugar, porque penso que qualquer jogador tem de estar apto a adaptar-se a qualquer lugar».

«Falta ao futebol português uma categoria entre os juniores e os seniores».


A equipa vice-campeã nacional

sexta-feira, abril 04, 2008

ESPLENDOR NO JAMOR



EPISÓDIO #12: ESPLENDOR NO JAMOR

Como ficou patente nos últimos dois «episódios», o Belenenses encontrava-se em grande forma no final da época de 1959/60. Nessa temporada tinha começado por vencer a Taça de Honra da AFL, ao bater o Benfica na final por 5-0. No campeonato terminaria em 3º lugar, infligindo na última jornada, a única derrota ao Benfica.

Na Taça de Portugal, defrontaram-se os «quatro grandes», em duas mãos, nas meias-finais. O Belenenses eliminou o Porto, e o Sporting eliminou o Benfica.

No dia 3 de Junho de 1960, cerca de 50.000 pessoas deslocaram-se ao Jamor para assistir à final da Taça de Portugal , onde depararam com o «esplendor na relva» de um grande jogo e de uma brilhante vitória dos «azuis».

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A equipa vencedora da Taça

BELENENSES
José Pereira; Rosendo e Moreira; Vicente, Pires e Castro;
Yauca, Carvalho, Tonho, Matateu e Estevão.


SPORTING
Octávio de Sá; Lino e Hilário; Mendes, Lúcio e Júlio;
Hugo, Faustino, Vadinho, Diego e Seminário.

O Belenenses "pegou" no jogo logo desde o início, e aos dez minutos já tinha perdido duas flagrantes oportunidades de golo. Numa delas, Tonho rematou à trave.

A estratégia consistia na marcação e antecipação, no corte ao abastecimento ao ataque do Sporting. Vicente marcava Diego, Tonho marcava Mendes, Castro/Faustino e Carvalho não perdia Faustino de vista.

Apesar de tudo, contra a corrente de jogo, o Sporting inaugurou o marcador por intermédio de DIEGO, num remate sem preparação à entrada da área, na sequencia de um cruzamento. No minuto seguinte, Tonho isolado falha o empate.

Os azuis desuniram-se durante algum tempo, acusando o golo, mas logo depois voltaram a reencontrar o ritmo, a readquirir o domínio do jogo, redobrando as iniciativas através do aprofundamento de jogadas de ataque. Sempre com a bola rente ao solo, em belas e sucessivas triangulações.

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O golo da vitória

Aos 32 minutos, Rosendo marca um livre a meio do meio campo do Sporting. Yauca capta a bola e remata, com o guarda redes leonino a defender à queima mas sem segurar a bola, que sobra para a recarga de CARVALHO para a baliza deserta, fazendo o empate.

Matateu, perde o 2-1, ao demorar excessivamente o remate. «Ouvi o Yauca a gritar-me, -Chuta já, Matateu!, mas decidi correr com a bola na direcção da baliza para atirar pela certa, mas descaí para a esquerda. Tentei emendar a posição e, entretanto, apareceu o Lúcio».

O intervalo chegou com o resultado num empate a 1-1. O treinador do Belenenses, Otto Glória, animava Matateu, após o falhanço pouco habitual nele, «Deixe, Lucas, você vai marcar o golo da vitória...».

O Sporting reentra melhor, e tenta alcançar a vantagem, mas, cumprindo a profecia de Otto, o genial Matateu desta vez não falha o 2-1, após uma jogada semelhante à do primeiro golo, em que Estevão passa para Yauca que remata, Octávio de Sá defende, e o moçambicano faz o golo.

«A verdade é que quando me voltei para o campo, depois de ver a bola tocar lá no fundo, nas redes, vi o meu treinador de braços abertos. Pensei assim: aquele abraço é para mim!».

Até ao final do jogo, o Belenenses não parou de atacar e criar situações de golo, mas a bola teimou em não voltar a entrar.

Após o apito final do árbitro, a alegria entre os jogadores e adeptos do Belenenses, era indescritível. O clube ganhava a sua segunda taça de Portugal, após a vitória de 1942 frente ao V.Guimarães, após o título de Campeão Nacional, catorze anos antes, e cinco anos após a inglória perdida do segundo título de campeão frente ao mesmo Sporting.

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Vicente exibe a Taça

José Pereira: «Estava seco do calor e do nervoso. Parecia-me que cada minuto era uma hora. Já não aguentava mais!».

Após o jogo, nesse domingo à tarde, o autocarro do clube com os jogadores e equipa técnica, dirigiu-se a Belém, onde os jogadores foram festejar rodeados de muitos adeptos em euforia. Vicente saiu do autocarro com a taça na mão, e toda a equipa deu voltas à estátua de Afonso de Albuquerque, junto ao preciso local onde o clube foi fundado, num banco de jardim, numa noite de Setembro de 1919.

Logo em seguida todos se dirigiram em romaria, subindo a Rua dos Jerónimos em grande engarrafamento, até ao Estádio do Restelo, onde os festejos continuaram.

Toda a imprensa e comentadores independentes, salientaram a justiça do triunfo. No dia seguinte, o título de "A Bola" na primeira página era, «Não podia ser outro, o vencedor».

Choveram telegramas de felicitações de todo o país, com particular destaque, pela quantidade, para a região de Aveiro.

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Otto Glória com a Taça

Uma semana depois ainda reinava a euforia, e o mítico Matateu, disse numa entrevista: «Hei-de ficar na história como Stanley Matthews (o grande jogador inglês dos anos 50, que terminou a carreira com mais de 50 anos de idade!). Quero jogar mais cinco anos (Matateu tinha 33, na altura), e se, entretanto, o Belenenses não ganhar um campeonato, jogo mais cinco!».

sexta-feira, março 28, 2008

NUNCA TANTOS FICARAM CALADOS!



EPISÓDIO #11: NUNCA TANTOS FICARAM CALADOS!

Na última jornada do campeonato nacional de 1959/60, defrontaram-se Benfica e Belenenses no Estádio da Luz. O Benfica já era campeão e o Belenenses já era terceiro classificado, mas a grande curiosidade da "festa do título" residia na possibilidade de, pela primeira vez, um clube terminar o campeonato sem sofrer qualquer derrota, neste caso o Benfica, o que seria uma das mais sensacionais proezas do futebol mundial.

Uma multidão de 55.000 pessoas, quase todas adeptas do Benfica, acorreu à Luz para a celebração do título e da invencibilidade no final das 26 jornadas.

No dia 29 de Maio de 1960, as equipas alinharam:

BENFICA
Costa Pereira; Mário João e Ângelo; Neto, Artur (Cap.) e Cruz;
José Augusto, Santana, Águas, Coluna e Cavem.

BELENENSES
José Pereira; Rosendo e Moreira; Vicente (Cap.), Pires e Castro;
Tonho, Carvalho, Yaúca, Matateu e Estevão.


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Na primeira parte, o Benfica entrou melhor e teve um ligeiro ascendente culminado com o 1-0, marcado aos 25 minutos por José Augusto. Pouco depois Águas perdeu uma boa oportunidade de fazer o 2º golo, e o jogo parecia encaminhado para mais uma vitória do imbatível Benfica, para grande gáudio da multidão presente. Mas...

A dois minutos do intervalo, Estevão infiltra-se pela direita e centra largo e sesgado. Matateu e Tonho fazem-se à bola, e o segundo toca-a para a baliza. No meio da confusão Artur safa sobre a linha de golo mas a bola bate em Mário João que faz auto golo. As equipas iam empatadas 1-1 para intervalo, mantendo-se a expectativa para a segunda parte.

No recomeço, a defesa belenense começou a acertar as marcações e a iniciar rápidos contra-ataques para os avançados, que causaram o pânico na defesa benfiquista. As ocasiões de golo sucediam-se, até que aos 65 minutos, Matateu marca um canto do lado esquerdo e Tonho de cabeça desvia para o lado esquerdo da baliza de Costa Pereira, fazendo o 1-2!

Quando a bola entrou, os jogadores «azuis» caíram nos braços uns dos outros. Ouviram-se algumas palavras e ouviu-se um silêncio profundo...dos 54.947 adeptos do Benfica, que ficaram calados, mudos e quedos!

Nunca tão poucos aplaudiram (estavam uns 50 adeptos do Belenenses), e tantos ficaram calados!

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Até final do jogo, trocando a bola com intenção, os avançados belenenses fizeram «gato-sapato» da defesa do Benfica, tendo perdido várias ocasiões de «matar o jogo», com o desconcertante Matateu em grande evidência.

No final do jogo, um dos jogadores «azuis» que não jogou, exclamou em tom alegre para Matateu:
- Podias ter tranquilizado a gente. Se tens feito o 3º golo depois daqueles «driblings». Foste bera!

Tendo Matateu respondido:
- Não ganhaste? É o que foi preciso...

Na cabina do Belenenses, reinava a alegria. José Pereira e Otto Glória, o treinador, diziam que o resultado tinha sido escasso. Os benfiquistas reconheciam a justiça da vitória «azul», e quase não festejaram o título porque a invencibilidade tinha sido quebrada na última jornada pela única equipa que não perdeu com o Benfica nessa época (0-0 na 1ª volta, e 5-0 na Taça de Honra).

Aos milhares foram saindo os sorrisos amarelos da "Catedral"...

Yaúca disse que a vitória era um grande estímulo para a final da Taça de Portugal contra o Sporting...

sexta-feira, março 21, 2008

«VENDAVAL» NO RESTELO



EPISÓDIO #10: «VENDAVAL» NO RESTELO

A época de 1959/60 terminou de forma espectacular para o Belenenses. A equipa ficou em 3º lugar no Campeonato e venceu a Taça de Portugal. Na penúltima jornada, recebemos e vencemos o Boavista por 8-0!

Estávamos em 15 de Maio de 1960 e, no Restelo, as equipas alinharam:

BELENENSES
José Pereira; Rosendo e Moreira; Vicente (Cap.), Paz e Castro;
Tonho, Carvalho, Matateu, Chaves e Estevão.


BOAVISTA
Pais; Eugénio e Artur; Mário Campos (Cap.), Manero e Honório;
Germano, Ferreira, Adriano, Guilherme e Azevedo.

Vicente, jogou numa posição pouco habitual, como médio armador, tendo Castro jogado como médio de cobertura. O «ponta de lança» Carvalho, jogou no lugar do habitual Yaúca, emparceirando com Matateu no centro do ataque.

O Belenenses entrou melhor no jogo, com uma velocidade de execução superior, e aos 12minutos MATATEU faz o primeiro golo na sequência de um deficiente pontapé de baliza, em que Carvalho conseguiu roubar a bola a Honório e passá-la de pronto ao moçambicano que rematou com a sua eficiência habitual.

O argentino Chaves, lesionou-se aos 20 minutos, o que levou a um certo abrandamento no ritmo de ataque belenense, tendo o Boavista conseguido chegar ao intervalo a perder por apenas 1-0.

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O argentino Chaves em acção

Após o intervalo o ataque dos «azuis» surgiu velocíssimo no primeiro quarto de hora, com Vicente e Chaves, já recuperado, a laborarem muito jogo para os avançados. Aos 51 minutos, Chaves passou para Carvalho e este para MATATEU que rematou na corrida fazendo o 2-0 e o seu segundo golo.

Um minuto depois, TONHO aproveita um ressalto e ludibria toda a defesa do Boavista, fazendo um golo espectacular.

Sem tirar o pé do acelerador, surge o 4-0 aos 57 minutos, desta vez por CARVALHO de cabeça após canto marcado por Matateu.

Mais seis minutos e CHAVES faz o 5-0 depois de ter recebido a bola de um defesa contrário, que o colocou em jogo.

Aos 79 minutos, de novo o argentino CHAVES a fazer o 6-0 de cabeça, a passe de Matateu.

MATATEU marcou o 7-0 na recarga a uma bola defendida por Pais, a quatro minutos do fim.

Por fim, no último minuto, o fenómeno MATATEU a fazer o seu quarto golo e a fixar o resultado final em 8-0, ao infiltrar-se velozmente na defesa contrária.


Segundo os jornais da época, esta estrondosa goleada deveu-se não só à diferença de ritmo, valores individuais e superioridade estratégica da equipa da casa, mas também ao futebol jogado em toques seguidos em esquemas à flor da relva.

Vicente e Chaves destroçaram o jogo posicional do Boavista. Tonho correu sempre com perigo, solicitando as desmarcações de Matateu e Carvalho.

Matateu, esteve fiel ao seu estilo, de fintas, dribles, sempre na procura do melhor sitio para rematar. Brilhou muito como goleador, ao fazer quatro golos.


No próximo episódio continuaremos a relatar o final desta grande época de 1959/60, com o último jogo desse campeonato, em que o Belenenses, na última jornada, obteve uma das vitórias que mais terá enchido de satisfação os seus adeptos, como o meu pai nunca se cansou de me contar...

sexta-feira, março 14, 2008

A MALDIÇÃO DO MUNDIAL DE 1966



EPISÓDIO #09: A MALDIÇÃO DO MUNDIAL DE 1966

No último episódio realçámos a contribuição dos belenenses Vicente e José Pereira, para o brilhante terceiro lugar alcançado pela selecção nacional portuguesa no campeonato do mundo de 1966, disputado em Inglaterra. Hoje relembramos a triste forma como estes dois grandes jogadores terminaram as suas carreiras de futebolistas no Belenenses, pouco depois de terem alcançado os píncaros da fama no Mundial de 1966. Como se o campeonato do mundo tivesse lançado uma maldição...

A época de 1966/67 tinha começado mal para o Belenenses. Na terceira jornada surgiu finalmente a primeira vitória, num jogo muito difícil em Guimarães. Quando esse jogo se disputou ninguém poderia adivinhar que seria o último da excepcional carreira de Vicente Lucas.

No dia 3 de Outubro de 1966, as equipas alinharam:

VITÓRIA DE GUIMARÃES
Roldão; Gualter, Pinto, Joaquim Jorge e Daniel;
Artur e Peres (cap.); Castro, Naftal, Mendes e Vieira.

BELENENSES
José Pereira; Rodrigues (cap.), Quaresma, Vicente e Sá Pinto;
Cardoso, Adelino e Alfredo; Caetano, Carlos Pedro e Godinho.


O Belenenses chegou ao intervalo a vencer por 0-1, golo de Caetano, o VSC empatou no início da 2ª parte por J. Jorge e, aos 17 minutos, de novo Caetano a fazer o 1-2 final. «No Belenenses, o sector que suportou mais pesada tarefa foi o defensivo. Vicente e Rodrigues estiveram muito bem...».

Sem o saberem, Vicente e José Pereira, não mais voltariam a jogar juntos, no Belenenses e na Selecção Nacional, ao fim de mais de dez anos de companheirismo.

Quatro dias após a vitória em Guimarães, às 17.15h do dia 7 de Outubro de 1966, quando se dirigia ao Restelo para banhos e massagens, dá-se o acidente que terminaria com a carreira de Vicente.

«Encaminhava-me para o Restelo, à minha frente, uma furgoneta virou bruscamente, ao mesmo tempo que fazia o sinal. Eu guinei a direcção tive medo de bater nela. Mas já estava quase em cima do passeio, que galguei, e o embate com um poste não tardou. Senti-me projectado para a frente e bati contra o pára-brisas. Saí do meu carro para increpar o motorista, mas ele viu-me com o sangue a jorrar das feridas e transportou-me ao Restelo. Deixei-me ir. Não sei quem é o homem da furgoneta, mas, lá no Restelo tiraram o número e apontaram tudo. Apontaram tudo».

Com lesões muito graves na vista, terminara em plena maturidade a carreira de Vicente, um futebolista modelo de correcção e outras virtudes, um futebolista a quem o futebol português ficou a dever muitos dos seus êxitos. Não voltou Vicente a pisar os relvados com os seus pés maravilhosamente subtis e sua forma de jogar, elegante, sóbria e eficiente.


A tragédia abate-se sobre Vicente

Falemos agora de José Pereira. Como acima foi dito, a época de 1966/67 tinha começado muito mal para o Belenenses, e o acidente de Vicente ainda veio complicar mais as coisas. À 10ª jornada, o clube encontrava-se em penúltimo lugar com apenas mais dois pontos que o último, a Sanjoanense.

Como seria de esperar, nestas circunstâncias, havia uma grande insatisfação no seio da massa associativa, pouco habituada a esta classificação.

Em 11 de Dezembro de 1966, o Belenenses recebeu e perdeu 1-2 com o FC Porto. Após o 2º golo do Porto, aos 17 minutos da 2ª parte, José Pereira pediu para ser substituído porque um sector dos adeptos o começou a apupar.

Após o jogo, em entrevista a Henrique Monteiro de "A Bola", José Pereira desabafaria (fragmentos da entrevista):

«Entrei para o Belenenses com 14 anos de idade. Descontado um ano em que representei o Costa da Caparica, por motivo de serviço militar, há, pois, 20 anos que sirvo o clube, com todo o meu esforço, a minha vontade e a minha dedicação...»

«Os golos sofridos no último domingo, fossem de minha exclusiva culpa ou não, não mereciam as reacções que provocaram... Aquela parte da massa associativa que se pronunciou, não tinha o direito de reagir da maneira injusta como o fez. A crise do Belenenses não é da minha responsabilidade, não começa nem acaba em mim»

«...A falta de razão dessa parte da massa associativa que reagiu (e costuma reagir) contra jogadores, técnicos e até dirigentes, serviu para me dar uma verdadeira lição que só agora aprendi: um jogador de futebol não deve permanecer tantos anos numa equipa. A massa associativa cansa-se, tanto faz jogar bem como jogar mal...»

«...Enquanto Vicente estava na equipa, as coisas iam-se aguentando (...) mas desde o triste acidente que tanto nos afligiu, a verdade é que a equipa caiu verticalmente...»

«Já pedi ao treinador para não me incluir na "linha" dos próximos jogos (...) atiram tudo para cima de mim. O mais antigo na equipa e o mais velho em idade! (...) No final da época vou-me embora e olhe que quero muito ao Belenenses, muito mais do que aqueles que vão para a bancada desmoralizar os jogadores»

«Fui para o Belenenses um jogador baratíssimo, mas mesmo assim não estou arrependido. Se sofri no Belenenses muitas desilusões, também lá deixo muitos amigos. Eu, que já era "belenense" quando ingressei no clube, continuarei sempre a sê-lo, talvez ainda com mais amor...».

Após esse "fatídico" jogo com o Porto, o titular na baliza passou a ser o guarda-redes Gomes. José Pereira jogaria ainda os dois últimos jogos do campeonato, contra o Benfica, na Luz, e contra o Vitória de Setúbal no Restelo. Este viria a ser o seu último jogo com a camisola do Belenenses, porque no final da época seria transferido para o Beira-Mar, na altura na II Divisão, prescindindo da festa de homenagem em troca da desvinculação, aos 35 anos assinava por três anos com o seu novo clube, mostrando-se ainda convicto de voltar a representar a Selecção Nacional.

Diria ainda na despedida:

«O ambiente à minha volta já não era propício. Não me sentia em casa (...). Entrava em campo com a sensação de que me ia estrear (...). Parece que me exigiam a tarefa de ganhar jogos sozinho».


Penúltimo jogo de José Pereira no Belenenses

Assim ficou concluída a "Maldição do Mundial de 1966", em que terminaram abruptamente a carreira no clube, dois dos melhores jogadores belenenses de todos os tempos! Não foi por acaso que ambos foram recentemente eleitos, em votação dos adeptos, para o melhor onze de sempre da história do clube.

Se Vicente foi sempre acarinhado pelo clube até aos dias de hoje, já o mesmo não aconteceu com o "Pássaro Azul", para com o qual continua a existir uma "dívida moral" por saldar...Até quando?

sexta-feira, março 07, 2008

JOSÉ PEREIRA E VICENTE NO MUNDIAL



EPISÓDIO #08: JOSÉ PEREIRA E VICENTE NO MUNDIAL

Em Julho de 1966, a Selecção Nacional obteve o seu maior êxito de sempre, ao conseguir o 3º lugar na fase final do Campeonato do Mundo de Futebol disputado em Inglaterra. Para este feito muito contribuíram dois dos mais carismáticos jogadores do Belenenses de sempre, o guarda-redes José Pereira, o «pássaro azul», e o defesa central, Vicente.


Vicente e José Pereira, 5º e 6º, em cima e da esquerda para a direita

Portugal jogou com a Hungria (3-1), Bulgária (3-0), Brasil (3-1), Coreia do Norte (5-3), Inglaterra (1-2) e URSS (2-1).

A equipa tipo da Selecção era:
José Pereira (Belenenses); Morais (Sporting, Alexandre Baptista
(Sporting), Vicente (Belenenses) e Hilário (Sporting); Jaime Graça
(V.Setúbal) e Coluna (Benfica);
José Augusto (Benfica), Eusébio (Benfica), Torres (Benfica) e Simões
(Benfica).

Vicente jogou os quatro primeiros jogos, tendo fracturado a mão no jogo contra a Coreia, o que o impediu de jogar com Inglaterra e URSS, embora a mim me tenha confidenciado que a verdadeira razão terá sido a de colocar José Carlos (Sporting) a jogar.

Vicente, esteve brilhante nos quatro jogos, em particular nos dois primeiros. Eis o que "A Bola" da época relatou sobre a actuação de Vicente no jogo frente à Hungria:
"Vicente foi um dos «gigantes» desta equipa de gigantes. O seu primoroso trabalho dos primeiros trinta minutos, em que as circunstâncias lhe pediram o esforço e o talento que só um super dotado para a função estaria em condições de poder dar, atingiu as raias do magnífico, do insuperável. Vicente jogou, sempre, de maneira superior, mas, nesse período, deu uma lição completa e perfeita da arte de jogar futebol defensivo. Era-lhe indiferente que os lances corressem à flor da relva, ou se desenvolvessem pelo ar, que o adversário atacasse em fúria, ou surgisse em tentativas de «souplesse», pois, de um modo ou doutro, tudo o que poderia constituir perigo para as balizas de Portugal morria nessa «barreira de músculo e de cérebro», que era o calmo, o subtil, o talentoso Vicente. A exibição deste magnífico jogador, que atinge agora, porventura, a maturidade plena, muito embora os anos pretendam fazer dele um «veterano», não teve, em boa verdade, um só minuto, um só instante de descontrole nervoso, ou de quebra de rendimento, mas aquele período inicial, em que teve de jogar por si e por outros, não tem paralelo com a actuação de qualquer outro futebolista que tenhamos visto no desempenho das funções que lhes estavam confiadas."


Pelé e Vicente num dos três jogos em que o Rei foi secado pelo belenense

José Pereira, o «Pássaro Azul», um dos mais famosos guarda-redes que representaram o Belenenses e que apenas não jogou o jogo inaugural, contra a Hungria, também foi uma peça importante da Selecção. Esteve muito bem no jogo que afastou, sensacionalmente, os bicampeões mundiais brasileiros, dos quartos de final:
"Se outras razões não houvesse para justificar o nosso triunfo, bastaria essa diferença profunda entre o trabalho de José Pereira e o de Manga, mal batido nos dois primeiros golos. O nosso, ao contrário, cedo deu confiança à equipa com algumas blocagens seguras, não de muito perigo mas de mais perigo do que aquelas que Manga transformou em golos. Não teve culpa no golo sofrido."


Apesar da má qualidade é possível vislumbrar na foto a extraordinária agilidade de José Pereira, que dele fez um guarda-redes lendário


O Pássaro num voo acrobático

Como já foi dito, Portugal, ao vencer a União Soviética no jogo de atribuição do 3º e 4º lugar, terminou inesperadamente no pódio do Campeonato do Mundo de 1966, logo na primeira vez que conseguiu chegar à fase final, e talvez, não fora a "lesão" de Vicente, pudesse ter sido campeão mundial, porque aquela "infantilidade" de José Carlos contra a Inglaterra dificilmente teria sido cometida pelo grande Vicente...

O próximo episódio intitular-se-á "A Maldição do Mundial de 1966", e relatará a fatalidade que caiu sobre estes dois grandes ídolos da História do C.F. "Os Belenenses", pouco depois de terem atingido o cume das suas carreiras no Campeonato do Mundo de Inglaterra.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

VINTE ANOS DEPOIS




EPISÓDIO #07: VINTE ANOS DEPOIS

No dia 26 de Maio de 1946, escrevia-se uma das mais belas páginas da história do C.F. "Os Belenenses" com a conquista do título de Campeão Nacional de Futebol da época de 1945/46.

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Vinte anos depois, o recentemente falecido Homero Serpa jornalista de "A Bola" e grande belenense, recordava o feito numa entrevista com Vasco Oliveira, uma das «Torres de Belém» juntamente com Capela e Feliciano, um dos campeões nacionais de 1946.

PhotobucketEm Maio de 1966, Homero Serpa escrevia:

«Lembro-me perfeitamente, do grande capítulo da história belenense, quando o famoso "Oitavo Exército" ganhou o jogo de Elvas. Era assim que se classificava o Belenenses nessa época de oiro em que a equipa venceu o Campeonato de Lisboa e o "Nacional", imagem sugerida pela arrancada dos vencedores da batalha do Norte de África então bem na memória do mundo.»

«Eu estava em Elvas. Perto de mim encontravam-se Mário Coelho e Elói que não jogaram, e ainda estou a ver as lágrimas nos olhos de ambos quando Rafael fez o segundo golo. Depois foi a apoteose, a saída do campo por entre alas de raparigas vestidas de azul e branco...»

«Tudo isso vi. E vi a chegada a Belém, vestida de grande gala, colchas às janelas, fremente de entusiasmo quase provinciano. Foi em 1946. Faz, agora, vinte anos.»

«Tudo isso vi...e também vi como começou a desenvolver-se toda aquela alegria. Faltavam treze minutos para o jogo terminar e ainda havia 1-0 para o Elvas. O Vasco, sempre inconformado, sempre temperamental, arrancou pela faixa lateral do campo...»

- Tinha fé nesse lance, tinha quase a certeza de que ia fazer o golo. Passei um jogador, outro e mais outro, nessa arrancada. Até que me "tocaram" e me obrigaram a perder a bola.

«Vasco Oliveira estava na minha frente. Está mais gordo, mas é a mesma criança grande, o mesmo rapaz simples cheio de franqueza a falar. O Vasco reviveu o resto do lance de Elvas:

- O José Pedro marcou o "livre" para o Quaresma e foi golo. Ainda sofremos mais uns minutos. Todos até ao fim, porque, mesmo quando ganhávamos por 2-1 não tínhamos a certeza de que o Campeonato estava na mão.

Já lá vão vinte anos , mas recordo-me perfeitamente de ter visto o Armando a roer as unhas e o Amaro com lágrimas aos cantos dos olhos. Nessa altura, ainda perdíamos e muita gente não tinha esperanças. A equipa chegou a tremer toda . E quanto mais queríamos jogar, pior saíam as jogadas. Perdemos um golo ao princípio, falhado pelo Andrade e, depois, poucas oportunidades tivemos de marcar. A não ser aquelas duas aproveitadas...felizmente...

Vasco ficou a sorrir.
- Eu, francamente, nunca desanimei devo confessar. Tinha força e,
quando a gente se sente bem, não desanima. O Feliciano, o Serafim, também tinham esperança, mesmo que todos os belenenses começassem a duvidar do êxito.

- O Vasco tinha poucos anos de clube...

- Tinha dois ou três. Fui para o Belenenses no ano de 1943, quando assentei tropa. Ainda me lembro que, depois de um jantar a que assistiu toda a equipa e para o qual fui convidado, o Simões me levou ao quartel no seu carro.

Nessa altura, ainda não havia grandes lucros no futebol.

- Ganhei muito pouco dinheiro. O ordenado era de mil e duzentos escudos e mal dava para as passagens diárias entre Cascais e Lisboa e para os almoços...

- E o prémio de vitória no Campeonato?

- Ganhei cinco contos. Mas hoje é que o futebol dá muita "massa". Em compensação, dá mais trabalho, pois um jogador profissional é obrigado a longos estágios e a muitas viagens. Não servia para isso, só me sinto bem em casa.

Muita gente se recorda de ter visto Vasco jogar à bola. Era uma "torre", uma das "Torres de Belém" que tanto êxito tiveram.

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- Tinha força, é verdade...Tinha "temperamento" a jogar. Lá isso tinha. Era a minha forma de sentir o jogo, nunca gostei de jogar a brincar; para mim, tudo era a sério. Mas queria vencer todos, queria ganhar, ver o Belenenses na frente dos outros clubes. Era dos que sofria, pode crer. Talvez fosse essa minha forma de interpretar o futebol que tivesse dado a vitória ao Belenenses no Campeonato Nacional, porque mesmo naquela tarde de Elvas, quando as coisas corriam mal, era inconformado e arreliado arranquei por ali fora para fazer o golo.

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sexta-feira, fevereiro 22, 2008

O «REGRESSO» DE MATATEU




EPISÓDIO #6: O «REGRESSO» DE MATATEU

Na temporada de 1966/67 o Belenenses atravessava a sua maior crise de sempre. A equipa de futebol, habituada a lutar pelos lugares cimeiros, tinha-se consideravelmente desvalorizado e lutava agora pela manutenção. A crise económica era alarmante e discutia-se acaloradamente o rumo a seguir. O extraordinário Vicente tinha interrompido a carreira fruto de um dramático acidente de viação e o seu mítico irmão Matateu jogava agora no Atlético. Os adeptos ansiavam por um novo Matateu que devolvesse as tardes de glória.

No início de 1967 teve lugar uma festa de homenagem a Vicente, um dos heróis nacionais após a fabulosa campanha da selecção nacional no campeonato do mundo de 1966, e um dos melhores jogadores de sempre do Belenenses.

A festa no Restelo contou com a realização de um Benfica - Sporting e de um Belenenses - Atlético.

Belenenses,MatateuUma das grandes curiosidades era o «regresso» de Matateu ao Restelo, agora como adversário, após ter saído do clube em 1963 e de muito ter contribuído para a subida do Atlético à 1ª divisão na época anterior.

As equipas alinharam:

BELENENSES
José Pereira; Bernardino, Rodrigues (cap.), Murça e Alberto Luís;
Canário e Da Silva;
Alfredo, Simões, Ivair (Portuguesa de Desportos) e Godinho.


ATLÉTICO
Ramin; Valdemar, João Carlos, Candeias(cap.) e Roxo;
Fagundes, Angeja e Vicente;
Seminário, Cravo e Matateu.

O genial Matateu, apesar dos seus 39 (!) anos, não defraudou o público e apontou dois dos três golos do Atlético, embora o Belenenses tivesse vencido por 4-3 e tivesse contado com a ajuda de um craque brasileiro chamado Ivair que aqui veio propositadamente para participar na festa tendo feito dois golos e dado «show».

Eis como Cruz dos Santos de «A Bola» descreveu os dois golos de Matateu:

" Aos 33 minutos o Atlético fez o 2-2. Em lance onde revelou grande poder físico, Cravo esgueirou-se a Murça pela direita, centrou raso e com força. A saída de José Pereira não bastou para o corte e, surgindo na meia-esquerda, MATATEU empurrou o esférico para as malhas".

" Aos 63 minutos os forasteiros reduziram para 4-3. Já dentro da grande área belenense, MATATEU quis furar, mas, não o conseguindo, acabou por deixar a bola na posse de Seminário, que acorrera e logo o serviu um pouco mais para a esquerda. Rápido o moçambicano furou mesmo e, embora muito apertado, ainda arranjou forma de disparar rasteiro e com força fazendo passar o esférico entre o poste mais próximo e o corpo de José Pereira".

Não deixa de ser curioso que após tantos anos de glória juntos, Matateu ainda tenha vindo ao Restelo marcar dois golos ao «Pássaro Azul»!

Cerca de um mês mais tarde Matateu viria de novo ao Restelo defrontar o seu clube de sempre mas desta vez em partida oficial para o campeonato.

Em 19 de Março de 1967, num dos primeiros jogos que vi no Restelo e na única vez que vi jogar Matateu, as equipas alinharam:

BELENENSES
Gomes; Rodrigues (cap.), Quaresma, Cardoso e Bernardino;
Canário e Adelino;
Quim, Ramos, Simões e Fernando.

ATLÉTICO
Ramin; Américo, João Carlos, Candeias (cap.) e Valdemar;
Seminário e Angeja;
Tito, Matateu, Cravo e Rafael.

O Belenenses tinha sempre dificuldades com o Atlético devido à rivalidade e proximidade, mas nesse dia, com apenas 9 anos de idade, fiquei maravilhado com os 7-1!

Belenenses
Até os defesas atacaram!

Desta vez Matateu já não conseguiu brilhar e o Belenenses com esta vitória afastou-se decisivamente dos lugares de descida tendo ainda assim obtido a sua pior classificação de sempre até aquela altura, 11º. Ramos fez 4 golos, Fernando 2, e Adelino 1.

Ainda assim na sua derradeira despedida oficial do Restelo como jogador, o que para muitos terá sido o melhor jogador português de todos os tempos, à beira dos 40 anos, deixou a sua marca no único golo do Atlético: "Numa deixa inteligente de MATATEU e à qual Cravo correspondeu do melhor modo rodando e acertando bem com o pé esquerdo
na bola no ar".

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

O ROUBO DO SÉCULO




EPISÓDIO #5: O ROUBO DO SÉCULO

No dia 22 de Agosto de 1981 iniciou-se o campeonato nacional de 1981/82 com um Sporting - Belenenses em Alvalade numa quente noite de verão.

O Sporting tinha uma equipa muito reforçada e era apontado como forte candidato ao título. Uma das suas contratações mais sonantes era Oliveira que se notabilizou ao serviço do Porto.

No Belenenses estreava-se como treinador Artur Jorge e o plantel tinha sofrido profundas alterações com a saída de alguns jogadores importantes como Delgado e Nogueira.

Estive lá nessa noite e nunca esquecerei o maior roubo deliberado de arbitragem de que tenho memória em Portugal.

O árbitro foi o já falecido Mário Luís de Santarém que tinha integrado a comitiva do Sporting à China após ter arbitrado a final da Taça da época anterior em que descaradamente beneficiou o Sporting em desfavor do Porto.

Toda a gente se lembrava das fotografias de Mário Luís na viagem à China trajando com o emblema do leão ao peito, mas mesmo assim a FPF teve o descaramento de o nomear para esse jogo inaugural do campeonato!

As equipas alinharam com

SPORTING
Meszaros; Xavier, Zézinho, Eurico e Inácio;
Ademar, Virgílio(Nogueira 64) e Oliveira;
M.Fernandes, Jordão e Freire.

BELENENSES
Padrão; Sambinha, Alhinho, L.Horta e C.Pereira(Eurico 47);
Tózé(Avelar 83) , Carlinhos, Pinto da Rocha e Baltasar;
Moisés e Djão.


Quem ainda se lembra desse jogo deve recordar-se do «banho-de-bola» que o Sporting levou durante todo o jogo. Só Moisés desperdiçou umas cinco oportunidades de baliza aberta! Ainda assim DJÃO inaugurou o marcador aos 25m após excelente jogada individual em que foi driblando em velocidade quase desde o círculo central até se isolar e bater Meszaros com um remate por cima deste.

Como o Sporting não reagia ao festival Djão que esteve completamente indiabrado nessa noite, o árbitro Mário Luís decidiu intervir para pagar a viagem à China e, entre mil e umas pequenas faltas sempre em favor do Sporting, decidiu inventar um penalty contra o Belenenses a 4 minutos do intervalo por pretensa falta de Luís Horta sobre Freire. Jordão converteu e fez o 1-1 sem que o Sporting tivesse feito algo para o merecer. Antes do penalty já tinha anulado mais um golo limpíssimo a Djão por um pretenso fora-de-jogo inacreditável! Eu estava no enfiamento da jogada e posso assegurar que Djão estava uns bons 4 metros aquém do último defesa sportinguista! As imagens na TV também não deixaram margem para dúvidas sobre isto. Ao intervalo por protestos, o árbitro expulsou Cepeda que era suplente.

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Belenenses sempre superior ao Sporting

Na segunda parte o jogo não se alterou e o Belenenses continuou a criar oportunidades atrás de oportunidades mas o brasileiro Moisés falhava incrivelmente, inclusive rematando ao lado com a baliza deserta e a escassos metros da linha de golo!

Até que mais uma vez Djão tem uma arrancada sensacional pela direita, cruza para finalmente MOISÉS acertar na baliza de um ângulo muito difícil. Era o 1-2 aos 76m e o jogo parecia sentenciado tal a supremacia azul e a incapacidade leonina.

Mas qual quê?! A 4 minutos do fim Alhinho protege com o corpo uma bola que vai a sair pela linha de fundo já dentro da área e Manuel Fernandes sem qualquer hipótese de lhe chegar atira-se para cima do defesa e deixa-se cair agarrando a bola. Para surpresa geral o "vendido" Mário Luís assinala o segundo penalty a favor do Sporting! Mais uma vez por protestos o «árbitro» expulsa outro jogador azul, Pinto da Rocha.

Jordão converteu de novo fazendo o 2-2. Na sequência do golo Alhinho agarra a bola para queimar algum tempo devido à inferioridade numérica e M.Fernandes dá-lhe um pontapé por detrás. Mário Luís expulsa M.Fernandes, Alhinho e Padrão! Este último tinha-se envolvido em discussão com o avançado do Sporting pela agressão a Alhinho.

Mário Luís faz o 2-2

O Belenenses terminou o jogo com dois jogadores a menos e com Baltasar na baliza. Apesar disso o resultado final manteve-se nos 2-2.

O escândalo gerou forte controvérsia durante muito tempo e o Belenenses emitiu um comunicado denunciando a arbitragem e a nomeação deste árbitro mas nada se alterou apesar do ex-árbitro Adelino Antunes ter desmascarado totalmente este verdadeiro «roubo do século» comentando as imagens televisivas.

Alfredo Farinha em "A Bola" escreveu sobre o segundo penalty: "Não vimos nada que se parecesse, mesmo remotamente, com um penalty".

Mário Luís após muito interpelado pelos jornalistas uns dias depois do jogo disse "Irei à China com quem me convidar, Sporting, Benfica ou Porto".

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Caricatura no Jornal A Bola

Penso que este famoso e inacreditável roubo explica muito do porquê de nunca termos ganho em Alvalade porque além deste, lembro-me de outros jogos em que só não vencemos porque a arbitragem não deixou, mas esses ficarão para outros episódios...

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

UM HINO AO FUTEBOL




EPISÓDIO #4 - UM HINO AO FUTEBOL

O Belenenses - Benfica de 12 de Outubro de 1975 foi provavelmente o melhor jogo de sempre a que assisti no Restelo.

Estávamos na 6ª jornada do campeonato de 1975/76 e a expectativa era tão grande que "A Bola" dessa época fala numa assistência de 60.000 pessoas! Lembro-me de ver espectadores até nos postes de iluminação! Isto num estádio que se diz que nunca encheu e com capacidade para 40.000 lugares.

Há três anos consecutivos que o Belenenses tinha uma boa equipa que lutava pelos lugares cimeiros da classificação: 2º em 1973, 5º em 1974 e 6º em 1975. Além da melhoria das classificações, após o declínio na segunda metade dos anos 60, a equipa jogava um bom futebol, lutando sempre afincadamente pela vitória. Apesar disso não conseguíamos vencer o Benfica desde 1967.

Nessa época o Benfica dominava completamente o futebol nacional, mas nessa tarde algo pairava no ar...

As equipas alinharam:

BELENENSES
Melo; Sambinha, Quaresma, Freitas e Cardoso;
Pietra, Isidro e Pincho;
Vasques, Artur Jorge e Gonzalez.

BENFICA
Bento; Artur, Barros, Eurico e Nelinho;
Toni, Vítor Martins(Diamantino, 63) e Shéu;
Jordão, Néné e Moinhos.

Vencemos por 4-2 após um jogo electrizante com seis(!) espectaculares golos e com incerteza no resultado até final. Foi de parada e resposta do princípio ao fim.

Aos 15 minutos PIETRA inaugurou o marcador com um remate de cabeça na sequência de livre cruzado por Gonzalez, 1-0.



Aos 32, o Benfica empata por JORDÃO que se isolou fazendo o 1-1.

Em cima do intervalo, VASQUES faz o 2-1 com uma «bicicleta» perfeita na sequência de um canto.

Logo no recomeço, aos 49, NÉNÉ, empata de novo o jogo, com um golo espectacular em remate de primeira, sem deixar cair a bola no chão, após cruzamento de Moinhos a meia-altura.

Aos dez minutos da segunda parte, de novo VASQUES a disparar um tiro do bico da grande área ao canto contrário da baliza e a fazer o 3-2. A perder de novo o Benfica foi à procura do terceiro empate, e o Belenenses do golo decisivo.

Após jogadas de perigo de parte a parte, adivinhava-se o golo da tranquilidade porque o Benfica tinha desguarnecido muito a sua retaguarda. No entanto este apenas chegou no último minuto, quando Pietra irrompe em dribles pelo meio do campo e cede a bola a ARTUR JORGE que rodopiou sobre Eurico, entrou na área e sobre a meia-direita fuzilou Bento com um remate para o canto contrário.

Após o quarto golo, os adeptos do Belenenses invadiram o campo e levantaram Artur Jorge, manifestando assim a grande alegria pela confirmação de uma espectacular vitória num verdadeiro hino ao futebol! E assim «matámos um borrego» com já longos nove anos.

Após este jogo passámos a liderar a classificação e, no dia seguinte, o título de "A Bola" era «Olha lá, Belenenses e se lutasses pelo título?». No final do campeonato ficámos num excelente 3º lugar que poderia ter sido primeiro se tivéssemos um "banco" à altura dos titulares.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

MEMORÁVEL GOLEADA NAS ANTAS




EPISÓDIO #3 - MEMORÁVEL GOLEADA NAS ANTAS

Na época de 1974/75 o Belenenses encontrava-se em 8º lugar com 17 pontos ao cabo de 18 jornadas (nessa altura a vitória valia 2 pontos). Na 18ª jornada havia perdido 1-3 em casa com o Académico, hoje de novo Académica, que ia em último lugar.

O jogo seguinte era nas Antas frente ao F.C.Porto que se encontrava na 2ª posição a apenas 1 ponto do líder Benfica, mas que comandou a prova durante muitas jornadas e onde pontificava o peruano Cubillas, na época a mais cara contratação de sempre do futebol português.

O Porto procurava com afinco conquistar o título que lhe escapava desde 1959, e quase ninguém acreditava noutro resultado que não fosse a sua vitória sobre o Belenenses, que vinha de um resultado desmoralizador e, ainda por cima, atravessava uma onda de lesões.

No dia 26 de Janeiro de 1975, as equipas alinharam:

FC PORTO
Tibi; Murça, Rolando, Alhinho e Simões;
Rodolfo, Ailton(Júlio, 33) e Peres;
Gomes, Lemos e Cubillas.

BELENENSES
Melo, Sambinha, Quaresma, Freitas(Pereira, 79) e Cardoso.
Quinito, Pietra, Isidro(René, 86) e Gonzalez;
Alfredo e Pincho.


Este jogo seria falado durante anos porque o Belenenses deu um verdadeiro show dominando de princípio a fim e criando inúmeras oportunidades de golo além das quatro que concretizou.

0-1, aos 4 minutos, Gonzalez arrancou pela esquerda, suportou duas cargas, prosseguiu, escapou-se, isolou-se, da linha de cabeceira centrou e ALFREDO, muito oportuno, intrometeu-se entre Alhinho, Simões e Tibi e tocou suavemente para as redes.

0-2, aos 24 minutos. Novamente Gonzalez a arrancar do meio-campo, passou para PINCHO que arrancou por seu turno, furou com incrível facilidade pelo meio dos dois defesas-centrais, entrou na grande área sozinho, chamou Tibi, fez golo.

0-3, aos 40 minutos. Intercepção de Freitas no seu estilo vigoroso, arrancando de seguida, entrando no meio-campo contrário, passe para Gonzalez, deste a bola foi devolvida em profundidade para Freitas, que continuou a correr, ultrapassou toda a defesa, foi à linha de cabeceira, centrou rasteiro e PIETRA apareceu excelentemente desmarcado à boca da baliza, na zona central, para desferir o remate fácil.

Uma primeira parte espectacular do Belenenses muito bem articulado em 4x4x2, futebol entorpecente e explosivo com três golos fora os que Tibi salvou e duas mãos cheias de lances que só não deram golo porque não calhou.

Na segunda parte o Porto apenas conseguiu tornar menos flagrante o desequilíbrio.

0-4, aos 66 minutos. Num dos frequentes e perigosíssimos contra-ataques azuis, bola metida em profundidade, Alfredo e Alhinho correram muitos metros lado-a-lado, e, à entrada da grande área, ALHINHO, muito apertado por Alfredo tentou atrasar para Tibi, que entretanto, saía da baliza, acabando o esférico por se anichar nas redes.

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Alfredo vai buscar a bola após o 4ºgolo

O Belenenses passou 2/3 do jogo ao ataque! Todos jogaram bem mas Melo, Freitas, Pietra e Gonzalez foram verdadeiros gigantes. Freitas foi um autêntico muro onde esbarravam as tentativas portistas. Gonzalez, talvez o melhor jogador belenense que vi jogar, teve arrancadas e dribles constantes de trás para a frente pela zona central abrindo buracões na defesa do Porto.

No final do jogo o treinador do Porto, Aimoré Moreira, disse que "Tudo correu pelo melhor a uma equipa que ainda por cima jogou melhor". Peres Bandeira, treinador do Belenenses, "O melhor prémio para os meus jogadores foi a ovação do público. Ninguém negará o mérito que nos assistiu no triunfo, que até poderia ter sido mais avantajado".

Foi a partir desse jogo que os jogadores do Porto se recusaram a alinhar de branco, equipamento alternativo, nos jogos em casa...

Lembro-me de ter ouvido o relato todo pela rádio e, mais tarde assistido ao resumo alargado do jogo na TV. Na altura eram raros os jogos televisionados em directo.

No dia seguinte comprei todos os jornais desportivos e gozei muito com um meu colega do liceu, adepto do Porto.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

A «MEIA VINGANÇA» DE 1968




Episódio #2: A «MEIA VINGANÇA» DE 1968

Muito se falou e falará daquele fatídico golo de Martins a quatro minutos do fim do Belenenses - Sporting da época de 1954-55. O Belenenses vencia então por 2-1 e se o jogo assim tivesse terminado, sagrar-se-ia campeão nacional pela 2ª vez na história, mas o Sporting empataria e ofereceria assim o título ao rival Benfica que ao mesmo tempo derrotava o Atlético por 3-0. Foi a última jornada do campeonato e, apesar de igualado em pontos com o Benfica, o Belenenses terminaria em segundo porque o desempate favorecia os encarnados. Foi talvez o mais amargo momento de toda a carreira desportiva de sempre do Belenenses, esse empate com o Sporting nas Salésias.

Treze anos depois, no dia 12 de Maio de 1968, na última jornada do campeonato nacional de 1967/68 voltaram a defrontar-se Belenenses e Sporting, desta vez já no Restelo.


O título de campeão 1967/68 foi disputado palmo a palmo por Benfica e Sporting até à última jornada. Antes da penúltima jornada o Benfica comandava com um ponto de avanço sobre o Sporting mas tinha de visitar o Porto e receber o Varzim, enquanto o Sporting recebia o V.Setúbal e viria ao Restelo. Em caso de igualdade pontual seria campeão o Sporting, que tinha fundadas esperanças no título devido á difícil deslocação do Benfica às Antas.

Na penúltima jornada o Benfica empatou 1-1 nas Antas e o Sporting perdeu inesperadamente 0-1 com o VFC. Assim, na última jornada o Sporting para ser campeão necessitava de vencer no Restelo e que o Benfica perdesse com o Varzim, o que parecia difícil.

Curiosamente o treinador do Varzim era o argentino Ricardo Perez, que jogou pelo Belenenses no fatídico jogo de 1955 nas Salésias. Nesse último dia do campeonato de 1967/68, Perez recordou o jogo de 1955:

- Nessa altura o Sporting «roubou» o título ao Belenenses e todos nós chorámos como crianças a quem tivessem tirado o mais apetecido brinquedo. Enfim, coisas do futebol...

Recorda-se como «aquilo aconteceu»? (jornalista do "Record")

- Como se fosse hoje! Eu marquei o segundo golo do Belenenses e passámos a ganhar 2-1. Ainda tive uma oportunidade de tento, mas sabe-se como é o estado de espírito dos jogadores de uma equipa que precisa de ganhar para ser campeã. Depois o Sporting cresceu e empatou e foi o fim das nossas ilusões...

Em 12 de Maio de 1968, as equipas alinharam:

BELENENSES - Serrano; Rodrigues, Quaresma, Cardoso e Esteves; Lua e Luciano; Adelino, Ernesto, Laurindo (Ex-Desportivo do Bié) e Sérgio.

SPORTING - Carvalho; José Carlos, Armando, Alexandre Baptista e Hilário; Dani e Gonçalves; José Morais; Lourenço, Márinho e Peres.

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José Morais e Luciano lutam pela bola

Laurindo, vindo de Angola, estreava-se pelo Belenenses na última jornada. Só houve equilíbrio nos primeiros vinte minutos. Depois o Belenenses sentindo-se dono do jogo não mais parou de atacar. No último quarto de hora da primeira parte houve um autêntico assalto à baliza de Carvalho. À meia hora após falhanço de A.Baptista, remate pronto de Laurindo, defesa de Carvalho e recarga de SÉRGIO para o 1-0. Seis minutos depois, ERNESTO escapou-se à defesa contrária, aproximou-se da baliza e obteve o 2-0 com facilidade.

Após o intervalo o Sporting esboçou uma reacção mas os azuis embalados voltaram ao ataque e fizeram o 3-0 aos 16 minutos por ERNESTO com um pontapé de longe. Oito minutos decorridos, LUA empreendeu uma descida até à grande área do Sporting, Carvalho abandonou os postes e defendeu o remate do brasileiro, mas não pôde deter a recarga que fez o 4-0.

A crítica de Francisco Camilo do "Record", salientou que o Belenenses jogou alegremente ao ataque como nos bons velhos tempos! Os atacantes Ernesto, Adelino, Laurindo e Sérgio, provocaram o desnorte completo da defesa do Sporting.

Ernesto, Adelino, Laurindo e Sérgio os avançados azuis que destroçaram a defesa do Sporting
Ernesto, Adelino, Laurindo e Sérgio os avançados azuis que destroçaram a defesa do Sporting

Treze anos após o "desastre" de 1955, o Belenenses obtinha uma «meia vingança», porque o Benfica também tinha vencido o Varzim treinado por Ricardo Perez...


Rectificação - No primeiro dos episódios da história do CF Belenenses intitulado «Os efeitos de uma bola caprichosa», escrevemos erradamente que o resultado tinha sido de 1-1, quando foi de 0-0. O jogo foi efectivamente repetido e voltou a terminar empatado, desta vez sim por 1-1.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Os efeitos de uma bola caprichosa




Episódio #1: OS EFEITOS DE UMA BOLA CAPRICHOSA

Iniciamos esta rubrica semanal com um episódio relatado no "Sport Ilustrado" de Fevereiro de 1959 que nos foi amavelmente enviado pelo prezado consócio Luís Pereira, a quem saudamos agradecendo o interesse demonstrado pela História do Clube de Futebol «Os Belenenses».

Corria o campeonato nacional de 1958-59 quando no Restelo se realizou mais um clássico Belenenses - Benfica. A três minutos do final do jogo o resultado estava em 1-1 quando foi assinalado um pontapé de canto contra o Benfica. O célebre Matateu colocou a bola no meio do arco do círculo que forma a área de canto e chutou para cima da baliza do Benfica. O brasileiro Tonho, avançado do Belenenses, fez-se à bola ao primeiro poste e, talvez intimidado com esta intrusão, o guarda-redes Costa Pereira deixou escapar a bola para dentro da baliza. Em seguida o árbitro anulou o golo por pretensa curva da trajectória da bola que a teria levado a sair e a reentrar em campo.

A polémica sobre este jogo estendeu-se durante muito tempo. Eis o que disseram na altura os dois principais intervenientes no referido lance:

- Matateu, «O meu golo foi mesmo golo, pois a bola não foi fora e o árbitro não apitou antes dela entrar. Marquei com o pé direito e com força. A bola fez um arco, mas por dentro do campo, e foi golo. Um golo limpinho...».

- Costa Pereira, «Vi a bola passar por fora da linha de cabeceira nitidamente meio metro e ouvi imediatamente o apito do árbitro. Por isso é que me fiz ao lance daquela maneira...Dei-lhe como que uma "sapatada" para dentro da baliza. Se não fosse assim teria encaixado a bola. Era tão fácil...».

O certo é que a Comissão Central de árbitros suspendeu o árbitro Abel Macedo Pires, que se encontrava na sua última época de arbitragem, e o Belenenses protestou o jogo, mas ontem como hoje parece que há uns sempre mais beneficiados que outros...

A análise de Costa Pereira também parece bastante estranha. Então como viu a bola passar fora da linha de cabeceira foi introduzi-la propositadamente dentro da baliza? Tudo isto numa curta fracção de tempo? É óbvio que não faz sentido e mais parece uma ingénua desculpa para o "frango".

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No final do campeonato o Porto sagrar-se-ia campeão em igualdade de pontos mas melhor diferença de golos que o Benfica, e o Belenenses ficaria em terceiro lugar a apenas três pontos do duo da frente e com mais sete pontos que o Sporting, quarto classificado.

Blog do Belenenses: Luciano Rodrigues