É caso para dizer: Jaime Pacheco, vida nova. De facto, é absolutamente impressionante o efeito que pode ter num clube de futebol uma lufada de ar fresco protagonizada por alguém com personalidade. Jaime Pacheco foi inteligente na forma como se apresentou perante nós, pediu desculpa pelos excessos do passado, e, fundamental, soube galvanizar as hostes. Percebem-se no seu discurso os ingredientes habituais do trabalho, da disciplina e da crença nos jogadores, mas agora já sem os arrufos da brutalidade boavisteira. Percebe-se, sobretudo, uma entrega completamente diferente nos treinos, o que nos diz que o nosso futebol voltou a ter um capitão por detrás do leme. Eu, pessoalmente, sinto-me bem mais seguro.
Sei que com Jaime Pacheco não desceremos de divisão aconteça ou que acontecer e cheira-me que, já a partir de Amares e com continuação contra o Vitória, vai-se começar a criar um verdadeiro élan em torno do “careca” e da equipa, um élan que será acima de tudo o resultado de vitórias no campo. Amares aliás que não poderia ser um adversário mais acessível para o primeiro desafio oficial da equipa de Pacheco, ocupando um modestíssimo último lugar numa das séries da 3ª Divisão. Seriedade, cabeça e entrega não nos podem contudo faltar, sabendo como sabemos que a taça é fértil em surpresas amargas.
Óptimo sinal parece-me ser também a organização de uma excursão para levar adeptos ao Minho e a abertura de portas para sócios no próximo jogo em casa. Aposto com quem quiser que 5000 sócios do Belenenses levarão pelo menos 5000 acompanhantes, o que somado aos 500 orgulhosos vimaranenses fará do Restelo o palco perfeito para a nossa primeira vitória na Liga.Eu estou com a nova equipa técnica. E vocês, pastelada?
A paciência tem limites e a minha esgotou-se na passada segunda-feira. Vejo os jogos do Belenenses e o que é que observo? Uma equipa sem norte, sem fio de jogo, totalmente desorientada no seu posicionamento em campo.Uma equipa esforçada é certo, com alguns argumentos do meio-campo para a frente mas totalmente incapaz de se manter coesa e organizada, chegando a meio da primeira parte a observar-se algo só admissível no final da segunda: uma equipa partida ao meio, apenas com introdução e conclusão, totalmente ausente do indispensável desenvolvimento táctico que, em 80% dos casos, é o responsável pela marcação de golos. Seja qual for a visão de Mior para o nosso futebol, esta anda perdida algures entre o campo nº 2 e o balneário. Em campo somos praticamente zero, e essa é que é a verdade.
Já fui muito criticado (e talvez com razão) por ter aproveitado a pouca qualidade dos nossos reforços para fazer textos com algum humor. Não querendo insistir na mesma tecla (tenho vontade de tudo menos de rir presentemente), cumpre-me todavia esplanar o porquê de o ter feito. Reparem, quando se diz que um central, por exemplo, não está adaptado ao nosso futebol mas que revel aqualidades, normalmente estamos perante uma ausência de ritmo competitivo desse jogador quando confrontado com o futebol europeu, perante factores de desconhecimento táctico ou falta de arcaboiço para as cargas físicas ministradas nos treinos. Todavia, a esse jogador a quem se apontam em simultâneo qualidades e inadaptação, veêm-se pormenores de bom futebol, vê-se capacidade para varrer uma área, vê-se bom jogo de cabeça. Os nossos centrais, acumulando com a inadaptação ao nosso futebol, dão constantemente roscas na bola fazendo-a subir em pirueta de volta à nossa área (não é Sr. Carciano?), são papados em velocidade (o que ainda se desculpa) não se opondo depois aos remates que são feitos à nossa baliza (não é Sr. Mateus?), entram em campo e a primeira coisa que fazem é abalrroar os jogadores adversários, sem pejo ou qualquer vestígio de nexo (não é Sr. Vanderlei?), perdem lances na área em que a sua vantagem é de 6 contra 1 e passam o resto da semana a falar de um fora-de-jogo que (e alguém já os devia ter avisado disso) todos nós sabiamos por antecipação que não seria marcado.
Podem dizer-me, “não estás a dar tempo ao tempo” ou “é uma equipa totalmente nova.” Tretas! Se querem que vos diga, os meus pensamentos futebolísticos actuais, andam centrados nas nossas descidas de divisão e em como, com excepção da super-equipa do Ramos Lopes, todas eram superiores à actual. E andam a questionar-se também sobre quem poderá ser o bombeiro deste verdadeiro incêndio que um senhor de que não quero lembrar o nome mas que cujo apelido é o mesmo que o meu, ateou no Restelo. Jaime Pacheco? Carlos Brito? Marinho Peres! Tragam o homem até ao final da época, ele é brasileiro, ele percebe de bola a rodos e consegue dar moral até a uma equipa que seja a estrela da Liga dos Últimos; e mantenham-no depois por cá, como uma espécie de consultor para o futebol profissional, como uma plataforma segura para ir buscar jogadores ao Brasil, como um homem da casa que só nos sabe dar alegrias.
Quanto ao Casemiro Mior, não lhe tenho rancor nem sequer considero que seja mau treinador. Há coisas que pura e simplesmente não resultam por muitas voltas que lhes queiramos dar. Com este plantel, ele estava praticamente despedido por antecipação e a queda da direcção tornou tudo ainda mais impossível de gerir. Fazendo uma retrospectiva aos nossos resultados a coisa não é preta, é infernal: entre particulares e oficiais fizemos doze jogos. Duas vitórias, três empates e sete(!!!) derrotas. Marcámos nove golos e sofremos dezanove(!!!). As vitórias foram contra os colossos Atlético e Mafra e só por isso não deviam contar, sendo que já levámos chapa 3 do Estrela e do V. Setúbal, com os últimos no Restelo.
Contra equipas que joguem no escalão principal de Portugal ou Espanha, o registo torna-se medonho: 7 jogos, 0 vitórias, 2 empates, 5 derrotas. Golos marcados: 4, golos sofridos: 17 (!!!). Se a isto juntarmos que perdemos com o Leiria da Vitalis no Restelo e também não ganhámos em casa ao Covilhã, eu, se fosse o Mior, não estava à espera que me despedissem, era eu que me enchia de brio por entre o rubor de vergonha da minha cara e me ia embora!
Mas a indemnizaçãozinha é tão choruda não é mister?
Na segunda-feira o importante é ganhar. Jogando bem, jogando mal, com mais ou menos posse de bola, com um português ou apenas meio português em campo, fundamental é acabar o jogo com mais bolas metidas na baliza do Leixões do que eles na nossa.
O ambiente que antecede a partida é propício a resultados extremos, a equipa está sob brasas, o treinador com a cabeça a prémio e todas as críticas apontam para um Belenenses muitos furos abaixo das épocas anteriores.
Creio que as coisas podem correr muito mal se, de início, não começarmos a fabricar ocasiões de golo, a rematar à baliza, a lutar por todas as bolas. Se dermos espaço e tempo ao Leixões para assumir o jogo, para nos pressionar no nosso meio-campo, para trocar a bola, cedo começarão os assobios na bancada e mais instável a equipa ficará.
Gostava de ver um Belenenses a jogar deliberadamente ao ataque, com uma estratégia arrojada e estou na expectativa de que, se entrar um golo cedo a nosso favor, a equipa se possa soltar e actuar a um nível mais condizente com as nossas cores.
Casemiro Mior tem tardado em conferir organização à nossa equipa. O sistema táctico oscila de jogo para jogo, há uma ligação insípida entre os sectores e poucas são as jogadas de ataque que não passam pelos pés de Silas, Zé Pedro e Cândido Costa.
Todavia, não podemos negar a Casimiro Mior o facto de a sorte não ter querido nada com ele desde que chegou ao Belenenses. A direcção que o escolheu demitiu-se, viu partir a espinha dorsal da equipa do ano passado, o plantel tem sido fustigado por lesões, os reforços dificilmente terão sido as suas primeiras escolhas e o arranque de campeonato com um grau de dificuldade 10, aliado ao facto (que quase já nem assinalamos, tão habituados estamos) de termos sido roubados nos 3 jogos, nada foi conducente à estabilização do que quer que fosse.
Para mim, dois meses e meio de trabalho exigiam mais equipa, no entanto, admito que o papel de Mior tem sido muito difícil de desempenhar. Na segunda-feira, acima de tudo, exige-se que nos prove que quer ganhar. Para isso, eu apostaria no seguinte onze: Júlio César(se estiver em condições); Cândido Costa, Alex, Carciano e China; Gómez; Silas, Zé Pedro e Vinícius; Wender e Roncatto.
Um discurso à Depireux também nos ia fazer bem: “temos de acabar o jogo com 20 remates e 3 golos marcados senão não há folga para ninguém!”. E seria fundamental que estivesse uma assistência não totalmente embaraçosa. Dadas as circunstâncias, 3000 pessoas já não era mau...
Esta semana ocorreu um acontecimento que me descansou em relação ao futuro imediato da nossa equipa de futebol. Entre treinos e jogos de treino só com derrotas, entre um treinador que afirma que a equipa joga a um nível de 2ª divisão, entre as entrevistas do Wender onde se profetiza a repetição de uma dose que ele já soube servir à lagartagem ao mesmo tempo melancolizando sobre os meses que lá passou; entre o cascar incessante dos jornais desportivos, entre os que pedem a cabeça do treinador já, e entre os que preferem esperar por domingo; entre todos estes lapsos, a nossa estrutura técnica, a directiva e os activos mais activos deste clube, que são os jogadores, foram para a patuscada!
Uma excelente ideia! Que outro de entre os vãos prazeres mundanos, contribui de forma mais activa para o estabelecimento de laços entre homens de barba rija? Que males ou que desmoralizações não se curam com a sardinhita a estalar sobre uma fatia de pão, as batatinhas e a salada de pimentos? Por outro lado, foi esta também uma excelente oportunidade para o nosso demissionário presidente eleito, abandonar a sua torre de marfim de contemplação e vir dizer aos jogadores, olhos nos olhos, aos técnicos, fraternalmente, o quanto neles confia quem neles tanto apostou. O momento parece-me tão mais de assinalar quanto dele saiu realmente uma conclusão: “os jogadores querem ir ganhar a Alvalade!” Mas então não haviam de querer?
Contudo, e pelo que me foi dado observar na única fotografia a que tive acesso do Jornal Record, o intercâmbio cultural ainda não é o prato forte do plantel do nosso clube. Como o nosso excelentíssimo Presidente da Assembleia Geral tão pertinazmente observou, a patuscada serviu para “cimentar a amizade e a confraternização entre o grupo”, no entanto observa-se que essa coesão se obtém em separado: os portugueses para um lado, os brasileiros para o outro. Não que exista mal nenhum nisto, cada um deve sentar-se onde bem entende, não transmite é o mesmo sinal de coesão que é sintonizado para a massa associativa. E que jeito dava, digo eu, que o Cândido Costa se sentasse com o Baiano e dissertasse sobre a ala direita, que o Zé Pedro aflorasse a técnica de passe com o Arroz, que o Silas traduzisse ao João Paulo onde vão cair as assistências...
Quem deve andar atónito é o Dominguez. Ele que, parecendo que não, já foi adjunto de Belenenses e Sporting no passado, sob a égide de São Marinho Peres, ele que, por muito que desconfiemos, já deu instruções a jogadores como Mladenov, Dudu, José António, Sobrinho, Jaime, Mapuata, Chiquinho Conde, para falar dos do Belenenses; Douglas, Silvinho, Careca, Damas, Carlos Xavier, Oceano, para falar dos do Sporting, ele que já treinou o Pescadores, que até se deve ter sentido em casa na almoçarada, ele que no seu regresso à Primeira Liga – grande jogada dos nossos dirigentes!!!- cheio de passado e de feitos, bem que podia ter bebido uma cervejola a mais no repasto, e ainda calhava ensinar aos debutantes do nosso plantel como é que as lendas do passado tratavam a redondinha e a faziam trepidar as redes. Era um favor que prestava pelo menos a mim. Isto claro, e estou em crer que não, se os debutantes não se assemelharem à rapaziada que ele treinava nos pescadores. Aí, o remédio é pedir outra imperial.
Ou degustar um leite creme. Os doces são um óptimo paliativo para as dores e eu, à cautela, já providenciei o frigorífico. Não vou a Alvalade, atitude que de resto sou o primeiro a censurar. Num mundo ideal todos nós lá estaríamos a sofrer, mas nem o mundo é ideal nem o Belenenses tem sido exemplo de aglutinações de associados. Estou a tornar-me, decididamente, um adepto de sofá nos nossos jogos fora, o que não me impede de antecipar o seguinte: a tónica dos comentadores estará focada na nossa última vitória em casa do Sporting, em 54-55; seremos roubados de certeza absoluta, principalmente se o Sporting não marcar cedo; haverá penalties e eles só serão a nosso favor se estivermos a perder pelo menos por três; se a meio da segunda parte estivermos empatados passaremos a jogar com dez; se ganharmos, o Mior é o maior! É também provável que acertemos no poste mas só nos lembraremos disso se perdermos pela margem mínima. Como também é provável, se acontecer perdermos, que contra o Leixões o Dominguez reocupe um posto provisório que, aliás, já foi seu provisoriamente, nos tempos em que ainda se atrasava a bola ao pé para o guarda-redes: a de treinador interino.
No rescaldo de uma semana conturbada, parece-me que temos duas formas de encarar a demissão do nosso presidente: catastróficamente, como pronúncio de um colapso, ou optimisticamente, como tratando-seda atribuição de uma nova oportunidade ao clube. Confesso que me chocou a demissão do Sr. Sequeira, considerei-a uma cobardia e considero-a nos mesmos moldes, mais de uma semana passada; todavia, concordo com vários consócios que aqui têm exprimido a mensagem de união e apoio incondicional a todas as equipas que representem o Belenenses, em todas as nossas modalidades. O caminho só pode mesmo ser esse e considero que devemos obliterar das nossas mentes quem raramente foi visto no Restelo antes de ser presidente e quem, quando demissionário, nunca lá mais pôs os “butes”. Oxalá nem nunca mais tenhamos de o recordar!
À junta directiva que se anuncia, sendo uma solução de recurso e repetindo rostos que, sejamos francos, todos estamos fartos de ver repetir; pede-se responsabilidade e amor ao clube, pede-se um trabalho inglório mas indispensável à futura normalização do Belenenses, ou seja, o de garantir a revelação aos sócios da dimensão do nosso passivo, estabilizar a equipa de futebol e contribuir com todos os recursos à sua disposição para que ela se mantenha na primeira liga, e aguentar as modalidades que, nos âmbitos da racionalidade, não constituam um verdadeiro colapso financeiro imediato para o clube.
Projectos futuros, eleições, a seu tempo acredito que Belenenses bem intencionados e capazes surgirão para revitalizar a instituição. A quem possa, a quem acredite que tem a força e a equipa para criar um novo Belenenses, a quem não esteja comprometido com um passado monótono, em vias de extinção, eu apelo a que apareça, a que se candidate!!! O Belenenses nunca precisou tanto dos seus sócios como agora! E acredito que dos poucos que restamos conseguiremos um dia orgulhar-nos por vermos os tantos que criámos!!! Alinhemos as ideias e mostremos que este clube está vivo e que tem quem o ame! Formem-se ciclos de debates sobre o futuro do Belenenses, aproveitem-se os dias de jogos para reunir os sócios, para discutirem o clube, que se gere uma onda de entusiasmo! Também isto me parece uma obrigação da nova junta directiva. Mas tem outras, completamente práticas, que pode e deve implementar, abrindo caminho a quem lhe seguirá:
Actualizar os cadernos de associados, saber exactamente o que eles fazem e onde moram.
Propor em Assembleia Geral o perdão de dívida a todos os sócios que tenham deixado de pagar quotas.
Suspender a quota suplementar que, se formos optimistas, paga o policiamento do jogo.
Reduzir drásticamente o preço dos bilhetes de todos os jogos. Criar e divulgar o “Bilhete Lisboa”, com preço simbólico para todos os habitantes da cidade. Conceder entrada gratuita a quem comprove ser morador de qualquer das freguesias limítrofes ao Estádio.
Garantir que as nossas equipas, das várias modalidades, se desloquem todos os meses às escolas limítrofes ao Estádio, para conviver com a miudagem. Oferta de bilhetes para os jogos nesses dias específicos.
Estabelecer contactos com os clubes de Cascais, Sintra e Oeiras, para um verdadeiro intercâmbio ao nível das camadas jovens no futuro.
Se possível, aproximar os horários dos jogos das nossas camadas jovens do jogo dos séniores.
Promover jogos de veteranos antes dos desafios de escalão sénior das nossas diversas modalidades.
Quem pegar no Belenenses deve aproximá-lo da comunidade, mas neste momento, esta Junta Directiva poderá ajudar a criar o “elan” certo para os nossos jogos de futebol e deverá ter como obrigaçãoo inicio da aproximação do Belém à juventude, único desígnio possível para um clube com a nossa vocação.
E pronto, Fernando Sequeira lá se demitiu, ao fim de 5 meses de “enxovalhos, ameaças e tentativas de agressão”, segundo as palavras do próprio, e o nosso clube volta a estar à deriva, sem presidente, sem direcção, sem candidatos aparentes que lhe queiram pegar, sem basquetebol, sem pólo aquático, sem vitórias no campeonato, sem público nas bancadas, sem estrutura, sem gente nova, nada, nada, nada... A impressão que transparece é que isto já só lá ia com a compra do clube por algum magnata russo ou tailândes, alguém que injectasse não sei quantos milhões nos cofres do Restelo, capitalizasse a instituição e a tornasse apenas num vestígio aparente daquilo que para todos nós o Belenenses é, ou deveria ser.
Não conheço o Sr. Fernando Sequeira e não votei nele. É certo que ele foi o único candidato às últimas eleições, no entanto nada no seu discurso me apelou ao voto que confirmasse o meu apoio às suas ideias e às suas convicções. Tenho uma certa embirração por “salvadores da pátria” e então quando eles começam a manifestar tiques sebastianistas, quase messiânicos, a minha aversão torna-se verdadeiramente patológica. Quanto a mim, o Sr. Fernando Sequeira pode ter sido ameaçado, insultado, vilipendiado nos seus direitos de “cidadão comum” e, sendo isso verdade, e não padecendo essa queixa de qualquer exagero, todos nós belenenses deveremos sentir um pouco de vergonha; no entanto, que esta fuga parece ser isso mesmo, uma fuga, a fuga de alguém que em 5 meses desenvolveu um trabalho em que já não acredita, no qual talvez nem sequer se reveja, lá isso parece.
Sou um homem de letras e assumo nada perceber de gestão financeira. Talvez por isso a minha análise à presidência do Sr. Sequeira esteja ferida de alguma injustiça, na medida em que apenas me posso reportar ao que é aparente, ao que os meus olhos observam e o meu cérebro conclui. Não conheço os extractos bancários das contas do clube, não estou a par do dossier finanças do Belenenses, nem sei qual é o valor de mercado de uma caldeira. Mas sei que há 5 meses atrás o treinador da nossa equipa de futebol se chamava Jorge Jesus, sei que a defesa alinhava com o R. Alvim, o Hugo Alcântra e o Rolando, no meio campo jogava o Amorim, o Rafael Bastos e o Fernando e no ataque, quem marcava golos era o Weldon. Também sei que a nossa equipa de Futsal só não foi campeã porque foi roubada a torto e a direito, sei que fomos campeões nacionais de Rugby, sei que o Basquet e o Andebol com mais ou menos dificuldades representavam dignamente o clube, sei que só não nos qualificámos para a UEFA pelo 2º ano consecutivo porque dois ou três artolas meteram água, e sei que, devagarinho, as assistências aos jogos no Restelo iam crescendo, timidamente, mas iam.
O Sr. Sequeira pode ser um genial administrador de instituições bancárias, pode ser um mago das finanças, pode-se ter rodeado por pessoas competentíssimas para o ajudarem no seu árduo trabalho de garantir a sobrevivência do clube, mas claramente o Sr. Sequeira não percebe um boi de futebol. Claramente também, os tais dotadíssimos colaboradores do Sr. Sequeira, percebem tão pouco de futebol como ele; e, se a herança económica que herdaram poderia ser pesada, a herança desportiva que legam aos vindouros é absolutamente catastrófica. O mal, o que torna a coisa verdadeiramente preta, é que o Sr. Sequeira e os seus colaboradores nunca se deveriam ter candidatado à presidência de um clube de futebol se, pura e simplesmente, não se sabem mexer neste meio. Porque gerir um clube de futebol extravasa em muito a simples equação do deve e do haver, e se todos concordamos que nos dias de hoje é fundamental que um clube se encontre saneado financeiramente, também todos somos unânimes em considerar que um clube de futebol com uma equipa de futebol fraquíssima pode caminhar para todos os lados menos para o da saúde económica. Porque, meu caro Sr. Sequeira, se o seu devaneio presidencial teve algum resultado palpável foi o de transformar o que era bom no que é péssimo. Abaixo de péssimo, praticamente amador.
Senão vejamos: a direcção do Sr. Sequeira, em nome da saúde financeira do Belenenses, deixou escapar todas as mais-valias desportivas que tinhamos. O que é assustador, e aqui reafirmo que não percebo nada de gestão financeira, é que não sei quantos arrozes e não sei quantos Mateus e não sei quantos Edimilsons e não sei quantos Vanderleis se calhar correspodiam a um Hugo Alcântra ou a um Rodrigo Alvim ou mesmo a um Devic, com a diferença de que os últimos mesmo com as pernas partidas valiam mais do que os primeiros completamente inundados em speeds. Por outro lado, o contentor que veio para o meio-campo, os Organistas e os Pachecos e os Juliões e sei lá mais quem, se calhar correspondiam a um Fernando, ou a um Rafael Bastos ou mesmo, a um Hugo Leal, que ainda que passasse meia época lesionado punha toda esta cambada a um canto. Temos ainda o ataque, ou como eu gosto de afirmar, o grupo de baile da primeira liga portuguesa, para o qual o Sr. Sequeira mandou vir um Marcelo, um Maykon, um Negão ao que se juntam, qual jogada de génio, alguns dos maiores coxos que têm passado pelo Belenenses, casos de João Paulo Oliveira, Evandro Paulista ou mesmo Roncatto. Oiça Sr. Sequeira, antes de nos atirar com números para as fuças, o senhor deveria ter feito uma equação simplicíssima, daquelas que até eu que não percebo um boi de gestão financeira sei fazer: era pegar nas oito bostas que nós lá temos, subtrai-las, e adiccionar às continhas um Weldon e um Meyong, nem que tivesse de fazer subir um júnior para completar o ramalhete. Assim, temos 31 jogadores inscritos na Federação, qual Chelsea de Belém, e o senhor ainda teve que andar à pesca de mais duas “trutas” mesmo a terminar o prazo de inscrições. Graças a Deus que o Jesus deve ter ficado pastel e dispensou para cá o Wender, que mesmo estando prestes a acabar para o futebol, sempre é melhor que a fantochada que por lá anda a fingir que sabe jogar à bola.
Contudo Sr. Sequeira, o que mais me custa é a atitude de mártir que tomou: “vou-me porque tenho medo de levar no focinho!”. Então o Senhor, tão ciente e sabedor das dificuldades do Belém, tão «azul» como se apregoa, tão competente como se vê, abandona o barco completamente à deriva antes mesmo de dar uma oportunidade à tripulação? Que rico belenensismo esse! Antes o Ramos Lopes e o seu suicídio desportivo! Antes o Matias e a sua megalomania! Antes até o Carlos Janela que nem do Belenenses é, que levou mesmo no focinho, que foi corrido a pontapé e que apesar de tudo assumiu os seus erros e se bateu por nós na comunicação social. O senhor, pelo contrário, ainda não se tinha demitido e já parece que tinha marcado uma entrevista com “A Bola” a enterrar o pouco que ainda restava de pé...
Todos sabemos que ainda tentou o brilharete de bater com a porta depois de assinar com o Adriano, mas quer que eu lhe diga porque é que o Adriano não veio? Não veio porque qualquer jogador de qualidade que se preocupe com a sua carreira, prefere a bancada do Estádio do Dragão à ponta da lança da equipa que o Senhor e os seus colaboradores reuniram. Prefere o Porto B ou C ou Z do que aquela miséria de trapalhões, treinados por um “cara” que quer substituir não sei quem no jogo com o Paços e se deixa levar por um erro na exibição das placas, tirando o Gomez e consequentemente perdendo o meio-campo, perdendo a equipa, e só não perdendo o jogo porque o milagre soou ao cair do pano. E digo mais Sr. Sequeira, se calha a equipa ser tão má como parece, nós vamos mesmo bater com os costados na 2ª Divisão e aí... bem, aí o senhor há-de estar descansadinho em sua casa, a curtir uma bela reforma, enquanto quem sente e ama este clube há-de estar desesperado e lavado em lágrimas a tentar perceber o que foi que nos aconteceu.
Pois é, lá programámos a nossa vidinha dominical para às sete e um quarto estarmos em casa, pontualmente sentadinhos defronte da RTP, a vibrar com as emoções de mais uma época desportiva do nosso clube. Será que o Zé Pedro sempre joga? Quem são os centrais? E os pontas-de-lança? O Paulo Catarro já pensou em 50 soluções diferentes para o Porto nos encavar (o que seria tolerável se, em simultâneo, ele não as expressasse uma a uma, com análise e metodologia à mistura), o outro cavalheiro que narra, que é o verdadeiro técnico, o especialista, o quase doutor, já corroborou, já elogiou muito o Rodriguez, o Sapunaru, o Lucho, o Lizandro; as equipas já entraram em campo e do Belenenses pouco ou nada sabemos: há um Carciano, um Baiano, um Matheus, um China, um Arroz, um Marcelo e um Maykon mas todos são tratados como mercadoria barata, desconhecida e altamente duvidosa; ninguém sabe quem eles são, nem ninguém tem nada que saber. Nós estamos ali para cumprir um papel, o de bobo da festa do F.C. Porto, o tri-campeão nacional, e o que convém mesmo é que a brazucada seja uma bela trampa, não atine com as botas, nem com a bola, nem, salve-nos Deus, com a baliza! Esta é uma máxima que até o ultra-benfiquista do Paulo Catarro compreende; aliás, estou mesmo tentado em considerar que a narração futebolística em Portugal deu azo a um novo tipo de homo clubisticus: aquele que apoia e adora sempre os grandes, sejam eles quais forem, os bajula, os massaja, os polvinha de pó de talco nas partes baixas e lhes serve de mictório caso esse seja o seu último capricho, aquela última pernada que lhes dará o título, de preferência aos três, os três ao mesmo tempo!
Diria que foi um jogo que decorreu à Belenenses: pacato, monótono, com três ou quatro rabias em cada uma das partes, uma bola a entrar na nossa baliza por intervenção do Espírito Santo, alguma excitação e fé nos instantes finais e, como não podia deixar de ser, a expulsãozinha de segurança que deixa de criar embaraços, sejam eles quais forem, ao doutoradíssimo, professorzíssimo Jesualdo Ferreira, neurótico crónico convertido em sumidade intelectual do nosso irredutível futebol nacional. Haja paciência! Eu tenho-a...
Ao Marcelo faltam os cêntimetros, ao Arroz faltam os pés, ao Maykon falta-lhe manifestar-se corporeamente, como entidade que vive portanto existe, ultrapassando a categoria de mero espectro ambulante. O China faz jus à nação que lhe é homónima, patenteando um correr de condutor de Riquexó, o Baiano até dá para safar, o Organista quero esquecer e do Matheus não me quero lembrar. Esqueci algum? O Carciano. Bem, quanto a esse, asseguro-vos que em menos de dois anos é o esteio, o pêndulo do escrete brasileiro. Uma autêntica lança em... Piauí!
Quantos aos velhinhos da “casa”, devo dizer que adorei a exibição do Zé Pedro. Reparem que nem tudo é presença de jogo, intervenção técnico-táctica e vigor físico. O Zé Pedro já aprendeu com o Mior que isto vai lá é com beijinhos aos guarda-redes adversários, e sorrisinhos e palmadinhas nas costas. Parece que estou a ver: “Oh Helton, se deixares entrar esta, quando fores ao Restelo vais comer petinga frita a minha casa. Podes levar a viola e fazemos umas caipirinhas...” bem jogado Casimiro, bem jogado!
O Silas deu uns pulitos em campo e fez duas ou três acrobacias que lhe garantem sempre o eterno comentário: “sim, já foi internacional...” o Júlio César o que lhe competia, imperar, e claro, o nosso Candinho que ainda me hão-de dizer se não foi criado no Restelo e se não chorou quando ganhámos a taça e tudo. Se não foi, parece.
Em suma, não foi uma catástrofe. Perder por dois a zero é resultado que disfarça sempre qualquer coisa no Dragão. A nossa exibição foi insonsa, tímida, amedrontada, contudo, não fomos goleados. E é suposto a rapaziada já se dar por satisfeita quando assim é. Somos todos bons rapazes aqui no Restelo; tirem-nos o Basquetebol, o Pólo, o Triatlo, o Futsal, a Patinagem, o Xadrez, o Campismo, o Andebol, o Atletismo, a Natação que a malta continuará bem-disposta a ver os jornais gozar connosco, as andorinhas ocuparem as palas do estádio, e os cruzeiros deambularem rumo a outras latitudes no heróico estuário do Tejo. Quem precisa de uma boa equipa de futebol quando do seu lugar cativo vê uma das cúpulas manuelinas do Mosteiro dos Jerónimos? Todas as nossas direcções, após o excelente Mário Rosa Freire, parecem apostadas em impôr o Restelo como rota de um passado histórico riquíssimo, porém obsoleto e meramente teórico. Em pouco tempo um turista irá ao nosso estádio como se vai à Torre de Belém e aí as forças vivas da cidade de Lisboa haverão cumprido um plano gizado há muito, desde que correram connosco a pontapé das Salésias: acabar com o Belenenses. Eu apenas afirmo que, já agora, não fossem os nossos dirigentes a ajudá-los.
Quanto a amanhã, ou muito me engano ou vamos passar as passinhas do Algarve para marcar um golito, o tal que talvez nos dê os três primeiros pontinhos no campeonato. Isto claro, se o colosso Paços de Ferreira não nos fizer a vida num inferno em contra-ataque. Seremos os mil e quinhentos do costume, tornando necessário apenas um décimo de bancada, isto claro já somando os Policias, Bombeiros, Jornalistas e Apanha-Bolas. Quando os nossos rapazes entrarem em campo para aquecer, serão ovacionados pelo Sr. Américo Matateu e pela bandeira do Lú; virão uma dezena de pacences numa carrinha de caixa-aberta, A1 abaixo, que por pouco hã-de fazer o Paulo Sérgio sentir-se a jogar em casa; e quando a Fúria começar a cantar (por muito afinada que esteja, que raramente está) irá ouvir desde os cativos as seguintes palavras de incentivo: “acabem com o barulho que eu quero ver o jogo!”.
Seja como fôr, e numa mescla de convicção e hábito:
Inicío a minha colaboração com o nosso excelente Blog do Belenenses agradecendo, em primeiro lugar, a oportunidade que me é dada de expôr os meus pontos de vista acerca da realidade do nosso clube num espaço onde se respira belenensismo e onde verdadeiramente se afirma a dimensão nacional do clube. Tivessem as assistências no Restelo o seu equivalente na pujança e dimensão com que os belenenses se expressam na internet e andávamos todos felizes da vida... Espero cumprir pontualmente o compromisso que assumi, e não defraudar quem tão amavelmente me cedeu este cantinho às quintas-feiras e, acima de tudo, espero que de alguma forma as minhas crónicas possam possibilitar mais um espaço de reunião e de debate de ideias sobre o nosso clube, a única forma viável, no meu entender, deinvertermos um caminho que, creio que todos concordamos, tem sido descendente há mais de trinta anos.
Confesso que a tentação de desancar quem construiu o plantel da nossa equipa de futebol para 2008/2009 é grande. Confesso também que a extinção do Basquetebol, do Pólo Aquático e, numa avalanche que considero perigosa, os ecos sobre a aniquilação de outras modalidades me assustam e que estou longe do pensamento de vários consócios que se davam por satisfeitos em ver o Belenenses evoluir apenas em futebol e andebol, canalizando todos os seus fundos para estas modalidades. Confesso ainda, e no seguimento do exposto, que não gosto de Basket, que nunca vi um jogo de Pólo Aquático na vida, nem um de Rugby até ao fim, nunca me desloquei ao Acácio Rosa para ver a nossa magnífica equipa de futsal, nem nadei nas nossas piscinas, nem corri nas nossas pistas de atletismo, nem fui aos jantares do Casino Estoril. Sou um adepto de futebol e de andebol, o meu cativo aquece sempre às segundas-feiras à noite com o peso do meu rabiosque e chego à meia-noite a casa perdido de tristeza quando a bola bateu no poste, ou quando o árbitro a meteu na nossa baliza, ou quando as nossas equipas pura e simplesmente não são dignas de vestir aquela camisola. Mas eu não considero que devamos ser exclusivistas e que o nosso gosto pessoal deva orientar a realidade de uma instituição de que todos somos sócios. O Belenenses é bem mais do que uma classificação esporádica para a Taça UEFA ou uma cabazada ao ABC; é, na minha perspectiva, uma entidade que se pauta, desde a sua fundação, pela prestação de serviços desportivos e sociais à comunidade, que deve ser preservada e modernizada enquanto tal e que se deveria assumir definitivamente como o único clube de Lisboa capaz de encarnar o ideal do desporto e da competição como algo mais do que a mera conquista de títulos. Um Belenenses o mais ecléctico possível é o único Belenenses capaz de sobreviver no futuro.
Não me considero apto a julgar o trabalho da nossa direcção, por enquanto. O pouco tempo de trabalho que leva merece-me o benefício da dúvida; todavia continuo a observar um site oficial morto e enterrado; continuo estarrecido a não ver qualquer política de aquisição de novos sócios, qualquer tentativa de acrescentar adeptos aos nossos jogos; mantém-se, que eu saiba, a mesma falta de dinâmica ao nível de merchandising e de gestão da nossa marca (estou curiosíssimo de voltar a entrar na nossa loja (?) azul); permanecem os nossos sócios mais idosos sem um espaço digno de reunião naquele mundo que é o Restelo; oiço falar (de cara à banda) em implantar um centro de estágio na margem sul onde já residem Sporting e Benfica, esquecendo-se a multidão de jovens que residem em Oeiras, Cascais e especialmente, Sintra; consta que há um plano para remodelar o Restelo (outro...) que o Maracananzinho vai para obras, que o Acácio Rosa vai para o chão e que as piscinas serão mais um balcão de banco e café e spa e sei lá mais o quê. Oxalá seja para o bem do nosso Belenenses, oxalá se faça um hotel na Superior Norte e um Casino na Lateral e duas bombas de gasolina no Parque de Estacionamento a sul... se é esse o caminho da salvação, arraquem! Agora, apenas gostava que me explicassem como é que o Vitória de Setúbal tem o Leandro Lima e o Moraes, como é que o Garcés vai para a Briosa, o Varela para a Amadora, o Braga ataca com Meyong, Renteria, Linz, Alan e Mossoró, o Guimarães contrata o Gregory, o Nuno Assis e o Luís Filipe e nós recrutamos uma legião de brasileiros que mesmo que fossem bons, mesmo que fossem óptimos, precisariam sempre de meia época para se adaptarem ao nosso futebol... é, no mínimo, absurdo (pelo menos quando se apregoa como objectivo chegar às finais das taças nacionais), no máximo, suicida, querendo eu estar muito enganado quando afirmo que “Mior só no Grandella”.
Valha-nos o facto de o futebol não ter lógica absolutamente nenhuma e de o Arroz ir abrasileirar as tripas ao som de um Organista que numa semana se transformará em virtuoso do piano, enquanto o João Paulo, às três tabelas, marcará o golo de sonho que me calará a mim e deixará o Dragão com os olhos em bico a olhar para o China, para o Zé Pedro e para o Silas que entretanto até já sambam com o Julião e com o Negão e, sei lá, com o bicho papão... haja vontade e uma dose forte de oração!