sexta-feira, julho 16, 2004

Inconformismo não é pessimismo

(Artigo da autoria de Eduardo Torres)
 
Portugal não esteve directamente envolvido na 2ª guerra mundial. Outros países estiveram – e, em 1945, além das ruínas materiais um pouco por todo o lado, tinham exaurido grande parte dos seus recursos humanos e financeiros no conflito. Tinham que ser reconstruídos. Em muitos aspectos, significava começar novo. Aparentemente, numa situação bem pior do que a portuguesa.
 
No entanto, tiveram uma visão larga, arrojada e de futuro. Ousaram e arriscaram, com um planeamento com pés e cabeça. Portugal continuou na sua mentalidade de pobrezinho-coitadinho-pequeninho-honradinho-poupadinho. Passada uma época, o nosso país continuava a marcar passo, com dirigentes a dizer “eu avisei a Europa!”. E a tal Europa, que segundo os mesmos nossos dirigentes, mergulharia no caos político, económico e social, já estava melhor do que nós em todos os aspectos.
 
Desculpem esta digressão histórico-política. Não vou abordar questões políticas. É uma mera introdução, que acho que tem relação com o que se passa no Belenenses.
 
Há 15 anos que, no clube, só se fala em contenção financeira e em sermos poupadinhos para não comprometer o futuro. Mesmo as direcções (Ferreira Matos / Cabrita; José António Matias) que lançaram o caos económico no clube, foram eleitas na base da apologia da poupança e de fazer frente às falsas promessas e megalomanias (está escrito; e tenho guardado!). E sempre com os mesmos chavões: os outros, despesistas e mafiosos, vão rebentar! E nessa altura é que se vai ver que nós é que tínhamos razão! Mas, apesar disso...
 
... Apesar disso, ao fim de 15 anos, a conversa é sempre a mesma. Neste período, em termos futebolísticos, descemos duas vezes de divisão; estivemos duas vezes em situações ruinosas em termos financeiros; o melhor que conseguimos foram um 5º lugar e dois 6ºs lugares; apesar de historicamente sermos o 4º clube português, as nossas classificações médias, neste período, andam pelo 10º - 12º lugar; as nossas assistências médias diminuíram três vezes; o clube perde projecção ano a ano; há  quase uma década que não temos um jogador convocado para a selecção; não fomos uma única vez classificados para as competições europeias; tivemos derrotas históricas, recordes negativos de golos sofridos e de golos marcados; estivemos quase a ficar sem o Bingo. E continuamos sempre a dizer... “não há dinheiro”!... E as direcções saem umas das outras, numa linha de quase continuidade!... Alguém se lembra do percurso directivo de José António Matias antes de chegar a Presidente? Não basta atirar-lhe pedras; é preciso lembrar como é que as coisas foram.
 
E os outros? Sejamos objectivos: o Boavista foi campeão (igualando-nos nisso), foi 2 vezes à Liga dos Campeões, teve vários lugares de pódio, ganhou Taças de Portugal e uma Supertaça, esteve numa meia final da Taça UEFA; o Braga, o Marítimo, o Vitória de Guimarães, o Leixões, o Nacional, o Beira Mar, o União de Leiria e já nem me lembro mais quem, foram às competições europeias, em alguns casos várias vezes; Estrela da Amadora, Farense, Beira Mar, União de Leiria, Marítimo e já-nem-me lembro-mais-quem, estiveram em finais da Taça; competimos agora e até somos ultrapassados por Moreirenses e Alvercas; o Vitória de Guimarães leva mais adeptos fora do que os que nós...
 
Gostaria de deixar claro que também não quero ver o Belenenses na lama dos caloteiros; que sou contra a demagogia e as promessas fáceis (embora entre nós, infelizmente, até já as promessas, neste período, sejam pequenininhas, ridículas...), contra os aventureirismos, contra os fogos de palha que ardem crepitosamente e se apagam depressa; que não gosto de “mafiosos” nem de “vendedores de ilusões”; que prefiro mil vezes ter o nosso actual Presidente do que, por exemplo, um Loureiro ou um Vieira; que não pomos minimamente em causa a honestidade de qualquer dirigente do nosso clube e/ou da SAD.
 
Mas fico prostrado quando vejo que continuamos a falar em “crença”, “vamos ver”, ”estou optimista” (de que ficamos em 10º lugar ?!), “com este treinador é que é!”, etc, e que, entretanto, os outros, cada vez mais dos outros, nos vão passando à frente.
 
E aqui, cito as ilustrativas palavras do Luciano, que dizem tudo: “Quando andava na escola, havia um miúdo que era gozado por todos e, no fim, era sempre o culpado de tudo. Nós somos esse miúdo no futebol”. É isso mesmo, Luciano! A imagem é perfeita para mostrar o que tem sido o Belenenses. E será assim, enquanto nos contentarmos com demasiado pouco. Enquanto qualquer coisa nos servir. Enquanto não houver outro nível a fazer, outro patamar de exigência, outra coerência de gestão e de organização. É fácil culpar só os dirigentes... mas não será que o que fazem (ou não) está em consonância com o nosso (in)conformismo?
 
Inconformismo não é pessimismo!

quinta-feira, julho 15, 2004

Calendário da 1ª volta da SuperLiga

1ªJornada: 29 de Agosto
Belenenses - Marítimo
 
2ªJornada: 12 de Setembro
Rio Ave - Belenenses
 
3ªJornada: 19 de Setembro
Belenenses - União de Leiria
 
4ªJornada: 26 de Setembro
Estoril Praia - Belenenses
 
5ªJornada: 3 de Outubro
FC Porto - Belenenses
 
6ªJornada: 17 de Outubro
Belenenses - Penafiel
 
7ªJornada: 24 de Outubro
Sporting CP - Belenenses
 
8ªJornada: 31 de Outubro
Belenenses - Boavista
 
9ªJornada: 7 de Novembro
Beira-Mar - Belenenses
 
10ªJornada: 13 de Novembro
Belenenses - Moreirenses
 
11ªJornada: 21 de Novembro
Académica - Belenenses
 
12ªJornada: 28 de Novembro
Belenenses - Braga
 
13ªJornada: 5 de Dezembro 
Guimarães - Belenenses
 
14ªJornada: 12 de Dezembro
Belenenses - Benfica
 
15ªJornada: 19 de Dezembro
Nacional - Belenenses
 
16ª Jornada: 9 de Janeiro
Belenenses - Gil Vicente
 
17ªJornada: 16 de Janeiro
Setúbal - Belenenses

Não há dinheiro... Só se houver necessidade!

(Artigo da autoria de Eduardo Torres)

Surpreendentemente, tomámos conhecimento de que, segundo responsáveis da SAD no Belenenses, não há mais contratações, nomeadamente a do nº 10, porque... não há dinheiro. Só se contratará mais alguém se, daqui a uns meses, se verificar que é necessário!

Estas afirmações provocaram a maior surpresa e, na maioria dos casos, uma grande decepção (ou até desânimo) entre nós.

Com efeito, como é possível que clubes com orçamentos idênticos aos nossos (Braga, Marítimo) tenham obtido melhores reforços, com menos empréstimos? Como é possível que, com a indemnização que o Benfica acordou pagar pelo caso Paulo Madeira, não haja já dinheiro para mais? Contratados, mesmo, houve só dois: o Zé Pedro e o Sandro. E, ao que parece, a custo zero. Os outros são emprestados (e já disse que sou totalmente contra jogadores emprestados por clubes portugueses, salvo numa base de troca); por outro lado, saíram jogadores, alguns deles com a justificação de terem vencimentos muito altos... então, como é que pode não haver dinheiro? Sobretudo, como pode deixar de haver dinheiro de um dia para o outro, literalmente de um dia para o outro? Os dirigentes da SAD distraíram-se e, afinal, não havia dinheiro quando anunciavam novas contratações? Alguém assaltou a nossa tesouraria? O Benfica voltou a recusar pagar, enquanto não comprar os jogadores que lhe faltam?

E no meio disto tudo, qual é a linha de rumo? Há alguma coerência? Ficaram o médio ofensivo e o ponta de lança referência na área de fora porque se decidiu assim, ou apenas porque calhou serem os últimos, e entretanto a SAD descobriu que não há mais nenhum.

E, contudo, diz-se: ...se houver necessidade...”. Se houver necessidade, para quê? Por regresso de emprestados ao clube de origem? Por vendermos alguém? Por o treinador sair e o que vem a seguir, entretanto, querer outro tipo de jogadores? Para não descermos de divisão? Para ficarmos nos tais 8 ou 9 ou 10 primeiros (já houve as 3 versões)? Para chegarmos à Taça UEFA? Para chegarmos à Liga dos Campeões? Para ganharmos o Campeonato? Eu não sei, mas isso não é grave. O pior é se ninguém sabe.

Pessoalmente penso que ou temos e usamos, dentro de limites de rigor e equilíbrio, ou não temos (sem entrar em imprudências) e, então, melhor fora nunca se falar nisso.

O que receio é que continuemos na mesma posição de “assim-assim já chega”. A essa postura de esperar que tudo corra bem, sem fazer o máximo para que assim seja, aplica-se a frase popular “Fia-te na Virgem e não corras”.

Eu acho que é melhor correr – e muito! E acho que devemos manter vivo o orgulho Belenense!

quarta-feira, julho 14, 2004

Temos o plantel fechado

Algo de muito estranho se passa no Restelo, pois segundo os jornais desportivos de hoje (A Bola, Record e O Jogo) o plantel do nosso Belenenses está fechado com a contratação de Luís Lourenço ao Sporting, por empréstimo.

Assim sendo, temos neste momento um plantel com 25 atletas, 2 dos quais estão a ouvir há 2 meses que não interessam ao clube, mas com os quais teremos de contar. Qual será a motivação desses dois jogadores?

Rui Casaca refere que o orçamento para a próxima época já está todo atribuído, no entanto até ontem havia disponibilidade para tentar contratar Jorginho ao Vitória de Setúbal. Em que é que ficamos??? Havia disponibilidade para uma transferência de algumas dezenas de milhares de contos, et voilá, de repente o dinheiro desaparece??? Ou em Dezembro haverá novamente dinheiro, se os resultados forem tão maus que a isso obriguem??? Serão os nossos orçamentos feitos por meia-época, consoante corre a 1ª metade da época sabemos o que gastaremos na 2ª???

O que me preocupa não é o plantel em si que, apesar de poder ser reforçado nalgumas posições específicas, tem um mínimo de qualidade. É a falta de uma linha de orientação que me preocupa, é o treinador e dirigentes andarem há 2 meses a falar num "caixote" para o ataque e contratarmos o "porta-chaves" Lourenço, é toda a gente falar há 2 meses no Jorginho porque precisamos de um médio de ataque e não vir nem o Jorginho nem mais nenhum, é andarmos há 2 meses a ouvir que o Carvalhal quer uma linha de ataque com um avançado possante e outro móvel e agora, quando contratamos o Lourenço, o Site Oficial vir com uma conversinha de que vamos ter um ataque muito móvel...

É o Belenenses...

A DÉCADA DE 80 (Continuação) - Parte III – Pódio e Vitória na Taça (cont.) - Subsecção II – A Época de 88/89. A Taça de Portugal



Como tínhamos anunciado, concluiremos esta Parte III da Década de 80 com a carreira que nos conduziu até à vitória na Taça de Portugal em 1989.

Gostava de dizer que havia quem desde o início achasse que teríamos nessa prova e época uma grande oportunidade e lançasse sementes de ambição e de sede de conquista...

Curiosamente, e acho que é justo referi-lo, a campanha na Taça começou com 3 jogos na fase em que Mortimore era o treinador: 3-0 contra o Sintrense, no único jogo fora de casa; também 3-0 contra o Covilhã; depois, 7-2 contra o Estrela de Portalegre.

Já com Marinho Peres, seguiu-se o F.C.Porto, nos oitavos de final. Creio que terá sido em meados ou finais de Fevereiro, numa 4ª feira à tarde, no Restelo (como, aliás, foram 4ª f à tarde todos os jogos disputados no nosso estádio na mesma competição, durante essa época). Não consigo recordar exactamente o aspecto geral do estádio mas, obviamente, pela hora a que o jogo foi disputado, não teve uma grande assistência. Julgo que se teria ficado pelas 10.000 pessoas ou talvez só um pouquinho mais.

A história do jogo pode, antes de tudo, resumir-se nisto: o Belenenses começou a defender mas foi atacando mais, subindo no terreno, à medida que o jogo passava. Progressivamente.

Começámos, de facto, com uma postura que deixava ao F.C.Porto a iniciativa. No entanto, mantivemos sempre a ameaça de contra-ataque e uma pressão muito grande sobre os jogadores portistas quando estes detinham a bola, pressão essa que incentivámos das bancadas com a curiosa expressão “Pica! Pica!”.

Ao regressar do intervalo, equilibrámos o sentido do jogo e a posse de bola e, à medida que o jogo se encaminha para o final dos 90 minutos, passámos a ter algum domínio territorial, a maior insistência no ataque, a maior parte da iniciativa. Agora eram os jogadores do F.C.Porto que corriam atrás dos nossos, o que, num registo humorístico, levou alguém a gritar com suficiente ímpeto para se ouvir à distância: “Eh pá, larga o homem que ele é casado!”.

Persistindo o empate a zero, seguiu-se o prolongamento e, então, o Belenenses arriscou tudo para resolver o jogo, evitando que a eliminatória passasse para as Antas. Até que, quase a terminar a primeira parte do jogo, veio enfim o golo que ansiávamos. Foi um canto do lado direito do ataque belenense (na baliza da superior Norte). Mladenov, com o seu pé esquerdo, fez a bola descrever um arco e esta, por centímetros, ultrapassou a baliza defendida por Vitor Baía (que realizava então o seu 2º ou 3º jogo como titular).

O lance gerou bastante polémica, com os portistas a contestarem a sua validade; o facto, porém, é que as imagens televisivas, em repetição e de vários ângulos, esclareceram que a bola entrou mesmo! Julgo também importante referir que não foi um lance ocasional ou de sorte pois, como já disse, Marinho Peres fazia treinar muito as bolas paradas, Mladenov era um executante exímio e colocámos vários jogadores na área a pressionar. Foi um lance intencional.

No tempo que restou, defendemos naturalmente o resultado, com muita garra e determinação, lançando ao mesmo tempo perigosos contra-ataques que nos poderiam ter dado o 2-0.

Seguiu-se o Espinho, que nos provocou um grande susto. A 1ª parte foi medíocre, terminando em 0-0. Regressámos melhor do intervalo, e colocámo-nos em 1-0 mas, entretanto, a equipa revelou alguma disciplência e consentiu o empate. Pior ainda: quase em cima dos 90m, há um perigoso contra-ataque do Espinho, dois jogadores isolados face a Jorge Martins, este é torneado, e... não é golo, porque um desses jogadores do Espinho se precipita e, em fora de jogo, ainda toca na bola que, de qualquer maneira ia para as redes. A sorte esteve connosco, nesse momento... e felizmente que a soubemos agarrar pois, no prolongamento, a produção de jogo subiu bastante e garantimos a vitória por 2-1.

E veio o sorteio da meia-final, que ditou os jogos Belenenses-Sporting e Benfica-Braga.

Cabe aqui dizer que, para mim, as partidas em que verdadeiramente todo os meios instintos belenenses vêm ao de cima, em que sofro com muita intensidade, tenho paixão, raiva, exaltação de alegria e sabor a glória, ou picos de desânimo e de sentimento de humilhação (conforme a sorte do jogo), são aqueles em que defrontamos o Benfica e o Sporting. E, como clube, ainda mais com o Sporting do que com o Benfica (em que o que mais me irrita é a propaganda jornaleira). Depois, numa 2ª linha, vem o Porto. A seguir, numa 3ª linha (já mais esbatida), vêm, embora deteste admiti-lo até para mim próprio, três outros clubes, mas só em algumas épocas: Boavista, Vitória de Setúbal e Marítimo; e também o Estoril (o que não me impede de reconhecer a injustiça da sua eliminação este ano), o Estrela da Amadora, o Espinho e (independentemente do sucedido este ano), o Moreirense. Seja com quem for, claro, quero sempre muito que o Belenenses ganhe. Mas o que mexe realmente comigo é o Sporting e o Benfica; só a seguir, o Porto (e desde há 3 anos, confesso, o Boavista). Não me vou alargar justificando os porquês.

Dito isto, e tratando-se de uma meia final em que tinha grande esperança numa vitória importantíssima, julgando que ela precipitaria um agudizar na crise do Sporting, compreende-se que esse tenha sido um dos jogos em que o meu sistema nervoso sofreu maiores açoites.

Estiveram mais de 30.000 pessoas no Restelo. Numa 4ªf à tarde, era favorecida a presença de público mais jovem, no que o Sporting tinha maior proporção de vantagem. Adolescentes vestidos de verde pareciam surgir como cogumelos, vinham de todos os lados, autocarros e autocarros, uma massa impressionante. Até alguns minutos do jogo, sentíamo-nos tão poucos...embora quando se iniciou a partida a bancada dos sócios se tivesse composto bem mais e, ao mesmo tempo, fosse possível descortinar algumas “bolsas” azuis no meio da massa verde. O certo, de qualquer modo, é que tínhamos a noção que precisávamos de defender a nossa casa, erguer barricadas, resistir! Espero fazer-me entender com estas palavras...

Num 1º tempo equilibrado, o Sporting foi mais objectivo e, mesmo em cima do intervalo, põe-se em vantagem! Que facada sentimos no peito! E que eternidade foi aquele intervalo! (Os jogadores vieram a declarar que eles os incentivou dizendo que estavam a jogar bem e, num golpe de mestre em termos psicológicos, disse-lhes que só precisavam de fazer era dois golos – pois não queria levar a decisão para Alvalade!

Na 2ª parte, embora pressionando, não conseguimos assentar jogo durante uns minutos mas, depois, foram vagas sucessivas de assalto à baliza do Sporting, numa cavalgada portentosa e empolgante. Sentíamos o golo eminente e, por volta dos 20 minutos, acabou em frustração a nossa explosão de alegria, quando é anulado o golo do empate, por Baidek. Mas não haveria que esperar muito (embora o tempo já nos parecesse voar e fugir). O domínio era agora nosso, dentro do campo e no clamor que vinha das bancadas. A bola tinha que entrar! E entrou mesmo, aos 24 minutos, outra vez a cabeça de Baidek, que se eleva pujante e, correspondendo a um canto apontado, do lado direito, por Mladenov, faz o empate! É o alívio e a galvanização: “agora vamos continuar em cima deles, vamos para a vitória” – pensávamos, pedíamos, incentivávamos. E fomos! Quatro minutos depois, livre de Mladenov, agora na esquerda, e cabeçada magnífica de Saavedra, à altura do estômago, fazendo a bolar descrever um arco magnífico! Um grande golo, os belenenses em delírio, o sofrimento volvido em alegria! “Está ao nosso alcance! Não vamos deixar escapar!”

O Sporting reagiu desconjuntadamente. O jogo era nosso. A 7 minutos do fim, a cereja no cimo do bolo: Saavedra lança Mladenov, este é mais rápido que Venâncio, fica só com o Guarda Redes leonino e, quando este sai fora da área, pica-lhe a bola por cima: era ao 3-1! E era a vitória certa! Era a euforia, o regresso ao Jamor, a Cruz de Cristo novamente forte e altaneira, o triunfo sobre os rivais, o cheiro de vitória, Belém de novo a chegar-se ao topo! A equipa, nesse fantástico dia 12 de Abril de 1989, foi esta: Jorge Martins; Teixeira, Baidek, Sobrinho e Zé Mário; Juanico e Carlos Ribeiro (ao intervalo, Saavedra); Chiquinho, Macaé e Mladenov; Chico Faria (aos 88m, José António). Sendo outro finalista o Benfica, já campeão, garantimos nesse dia a participação na Taça das Taças da época seguinte.

Dia 28 de Maio de 1989, data da última grande conquista do Belenenses no futebol: a vitória na Taça de Portugal. Nessa jornada inesquecível, perante cerca de 60.000 espectadores, dos quais cerca de 20.000 adeptos azuis, com o Estádio Nacional a rebentar pelas costuras (e, por não ter cadeiras, com uma lotação muito superior à de hoje), o Belenenses bateu o Benfica por 2-1. As bandeiras azuis voltaram a agitar-se triunfantemente, 29 anos depois da anterior Taça de Portugal, e 43 anos depois do Campeonato Nacional!

Foi uma final intensíssima, contra o Benfica, que ganhara o campeonato, e que tinha nas suas fileiras jogadores como Veloso, Mozer, Valdo, Diamantino e Vítor Paneira. À maior valia técnica dos jogadores encarnados (contratados por um poder financeiro que não tínhamos nem de perto nem de longe), opôs o Belenenses a sagacidade técnica de Marinho Peres e o arreganho, a vontade e a crença indomável dos seus jogadores. Eles parecem ter correspondido ao estado de espírito com que entrámos no Jamor: a alegria de estar na festa, algum receio mas uma voz íntima a dizer: “Tem que ser! É agora ou nunca!”. E foi! (esta frase, “tem que ser”, repetia eu aos meus alunos, dizendo que o Belém ia ganhar. Naquela Escola (em que, curiosamente, foi minha colega a mulher de um futuro presidente do clube), os não muitos alunos azuis adoravam-me e até aos benfiquistas e sportinguistas eu fiz o Belém respeitado. Talvez tenha lá deixado alguns “bichinhos”. Quando alguém dava uma piada sobre o Belenenses, eu dizia: “O senhor, quando falar no Belenenses, primeiro tira o chapéu!”. E quando eles replicavam ”mas eu não tenho chapéu””, eu respondia “então, cale-se!”. A outros perguntava: “então não tem vergonha de ser do Benfica” (ou do Sporting conforme os casos)? “Que falta de nível e de originalidade!”. Se me vinham falar de tricas entre o Benfica e o Sporting ou entre o Benfica e o Porto, eu dizia: “isso é tudo o mesmo! Diferente é ser do Belenenses!” A verdade é que quando na manhã seguinte à vitória entrei na escola, recebi uma ovação estrondosa e centenas de “miúdos” gritavam “Viva o Belém!, etc.!”

Bem, mas voltemos ao Jamor. Lembro-me que deixámos (eu e o meu pai) o carro muito longe do estádio e aquela caminhada parecia uma espécie de peregrinação. Sentia-me animado ao ver que na multidão que se encaminhava para o estádio havia uma grande proporção de azul. Indo naturalmente para o Topo Norte, aí encontrámos já muitos milhares de belenenses; e muitos mais chegariam ainda. Deve-se dizer que foi uma das maiores enchentes do Estádio Nacional. Os benfiquistas eram mais mas não assim muito mais. Conseguimos quase equilibrar nos incentivos – e, claro, superar bastante nos minutos finais.

O Belenenses alinhou: Jorge Martins; José António; Carlos Ribeiro (depois, Teixeira), Sobrinho, Baidek e Zé Mário; Chiquinho, Juanico, Macaé e Adão; Chico Faria (depois, Saavedra).

Os golos: a pouco mais da 1º parte, passe de Juanico a desmarcar Chico Faria, que arranca como uma flecha, naquele seu jeito de colar a bola aos pés, dá um nó cego a Mozer, que fez uma falta e ficou a chamar a atenção ao árbitro para marcar a falta que ele próprio tinha cometido, o que a acontecer beneficiaria o infractor e faria parar o nosso avançado (isto foi o que se passou e não a versão que Mozer, 15 anos mais tarde, veio contar, i.e., que teria sido ele a sofrer uma falta! Patético, incrível!). Só com o Guarda-Redes pela frente, Chico Faria desvia-lhe subtilmente a bola, que vai vagarosamente para a baliza. Quando acabou a eternidade que demorou a ultrapassar o risco de baliza, foi o delírio entre os beléns, a maior parte deles situados por detrás dessa mesma baliza, no Topo Norte.

Na 2ª parte, a uns 20 minutos do fim, o Benfica empatou e tememos o pior. Mas o Belenenses encheu o peito, foi lá à frente, ganhou um livre directo, e Juanico, a 30 metros da baliza, arrancou um tiro formidável (que andou semanas a passar na Eurosport) e a bola foi indefensavelmente para o fundo da baliza. Foi uma explosão ainda maior! Parecia quase irreal! Por isso, pessoalmente, nem festejei tanto como no 1º golo; fiquei numa espécie de êxtase e a preparar-me para a previsível reacção benfiquista, usando as armas de que dispunha: a garganta para gritar Belém, as mãos para aplaudir ou agitar o pano azul.

No quarto de hora que faltava para os 90 minutos, e mais na meia dúzia de descontos, à tentativa esforçada do Benfica, respondeu o Belenenses com uma garra ainda maior. (Declarou M.Peres no final: “O Benfica é um grande clube mas para nos vencer, teria que ser ainda muito maior, maior do que ele próprio!”). Foram 20 minutos em que sofremos, cerrámos os dentes, gritámos, chorámos, reclamámos “está na hora!”, enchemos o estádio de “Belém! Belém! Belém”, até que veio o apito final. Depois, foi a grande festa, linda, sentida no fundo da alma. Um mar grandioso de bandeiras azuis, caravanas automóveis por aqui e por ali, e uma alegria imensa, indizível!

E no meio dessa felicidade eu pensava: e agora? Estavam ali unidos a memória do que tínhamos sido num passado glorioso, e o sonho do que esperávamos voltar a ser!... Aquela vitória era um final ou um (re)começo? Eu oscilava entre a esperança e o receio, sendo que, porém, aquele e os dias seguintes seriam só para me embriagar de alegria! O Belenenses dá-nos poucas alegrias...mas quando dá, só nós, belenenses, sabemos que são incomparáveis e que valeu a pena tudo aquilo por que passámos.

A terminar, permitam-me uma nota pessoal. Nunca esquecerei aquela final por várias razões, entre as quais ressalta esta: foi o dia em que fui com o meu pai ver uma grande vitória do Belenenses, o único troféu que o nosso clube conquistou estando ambos vivos. Ele morreria meses depois, e eu nunca, nunca, nunca, esquecerei o abraço que trocámos na hora daquela vitória! Espero que, ao menos um dia que seja, possa celebrar uma vitória no mínimo tão grande, abraçado ao meu filho!

terça-feira, julho 13, 2004

O ESTÁDIO DO RESTELO – COMO O BELENENSES O MERECE

(Artigo da autoria de Eduardo Torres)

Nos últimos tempos, soube-se de um abaixo-assinado e de notícias na imprensa promovidos por uma Associação de Moradores das freguesias de Santa Maria de Belém e São Francisco Xavier, visando impedir a construção, junto do nosso estádio, de projectos imobiliários do clube em parceria com grupos empresariais.

Esgrime-se como argumentos os danos que pretensamente se infligirão na paisagem urbanística e na qualidade-de-vida-de-uma-das-poucas-zonas-de–Lisboa-com-qualidade. Utiliza-se o epíteto de “negociatas” para mencionar aqueles empreendimentos. E, qual cereja no cimo do bolo, diz-se sem mais nem menos, que o estádio foi oferecido pela Câmara ao Clube de Futebol “Os Belenenses” nos anos 90!!!

Atendendo a isto, é importante pôr alguns pontos nos ii. E preservar a memória, porque às vezes é preciso!

Falemos rapidamente do uso do termo “negociatas”. Entidades que se pretendem sérias, devem ter cuidado na utilização das palavras. Ora, o termo “negociatas” tem um sentido pejorativo, em que, no mínimo, se insinua a prática de factos ilícitos. Se a dita Associação tem conhecimento da prática de quaisquer actos que configurem um ilícito criminal, ou mesmo contra-ordenacional, deve cumprir a sua obrigação cívica de os participarem às entidades competentes para a sua investigação e eventual procedimento penal. Se não conhecem, então seria melhor estarem calados e abster-se do uso de palavras equívocas. Pessoas tão preocupadas com questões (supostamente) tão nobres e importantes, deveriam pensar bem antes de atirar lama para cima de pessoas – individuais ou colectivas.

Quanto à sustentação de que o projecto em causa tira qualidade urbanística, paisagística e de vida à zona do Restelo, e à afirmação de que o Estádio nos foi oferecido pela Câmara nos anos 90, parecem assentar numa ignorância tão colossal que nos revolve as entranhas - e dizemos ignorância porque, a não a ser ignorância outra coisa nos não ocorreria senão má fé, no que não queremos acreditar.

Deste modo, pensamos que devemos aclarar a realidade.

Outros, muito melhor que nós, se podem pronunciar, se já pronunciaram, ou podem ainda pronunciar (se necessário) sobre o cumprimento das Leis e Regulamentos aplicáveis, sobre o enquadramento paisagístico, sobre questões de volumetria, etc. Apenas gostaríamos de acrescentar que é estranho que, pelo menos que tenhamos conhecimento, se não tenham levantado semelhantes protestos contra outros edifícios levantados à volta do Estádio – esses, sim, bastante questionáveis do ponto de vista estético e de enquadramento arquitectónico e paisagístico. Mas, também aqui, não queremos pensar coisa diferente de que na altura a tal Associação de Moradores não estava organizada e/ou os seus elementos motrizes não moravam pelas bandas do Restelo...

Mas, se noutros tempos não moravam na zona do Restelo e/ou, de qualquer forma, pelos vistos, conhecem só uma história completamente parcial e deturpada, fica aqui o esclarecimento:

Quando outros clubes de projecção nacional (inclusive sediados em Lisboa, e provavelmente sem que ninguém se atreva a questiona-los com abaixo-assinados), não se preocupavam muito com tais coisas, o Belenenses investiu seriamente em instalações desportivas na 2ª metade da década de 20, e na década de 30.

Daí resultou, no Estádio das Salésias, mais tarde chamado “José Manuel Soares Pepe” em homenagem ao nosso malogrado jogador e símbolo clubístico, coisas raras ou únicas na época:

- Um estádio relvado (o primeiro em Portugal);
- Um estádio com bancada coberta (o primeiro em Portugal);
- Um campo de treinos além do campo principal (julgamos que também o primeiro no nosso país);
- Um ginásio e outros espaços para as modalidades amadoras, na altura chamadas “modalidades pobres”.

Porque, na tal Associação, e nas cabeças de certos jornalistas que da história só conhecem as últimas semanas, pode surgir a ideia que, desse esforço, só beneficiou o Belenenses, lembramos que, durante anos, esse mesmo Estádio das Salésias permitiu à selecção nacional jogar num estádio com apresentação digna e com relvado – o que era o único a propiciar em Portugal. Quem sabe isto lhes diga alguma coisa, agora que se tornou colunável ir apoiar a selecção nacional... com trajes e pinturas a rigor para aparecer na televisão, nas revistas e nos jornais, depois de deixarem os gregos a jogar em casa, apesar de só ocuparem 1/4 do estádio!

O Belenenses gastou nessas instalações o que poderia ter gasto – e outros gastaram - em jogadores para reforçar as suas equipas.

No entanto, no fim da década de 40, o clube foi intimado a deixar as Salésias, que iriam ser sacrificadas a uma urbanização. Que, curiosamente, nunca chegou sequer a ser iniciada.

Contrariamente a outros clubes, de Lisboa e não só, que receberam dinheiros públicos pelos terrenos que deixaram vagos, com instalações a anos-luz das Salésias, além de ainda lhes serem cedidos outros terrenos para a construção, o Belenenses não recebeu nada por deixar as Salésias. Apenas foi oferecido um terreno vazio (e que terreno e em que estado!), em troca dos terrenos e das instalações magníficas que teve de abandonar. O que, meus senhores, é bem diferente daquilo de que beneficiaram outros clubes... clubes que, mais tarde, receberam ainda mais terrenos quase ao preço da chuva e os venderam à mesma entidade pública por cerca de dez vezes o valor de origem!

Sendo obrigado a deixar as Salésias, o Belenenses partiu, de mãos a abanar, para um novo e colossal esforço: a construção de um novo estádio e restantes instalações, agora na zona do Restelo.

Mas o que era então o Restelo, hoje um “local raro de qualidade urbanística e de vida, etc”? Vamos dar a palavra a quem viveu os factos. No caso, a Acácio Rosa. Para quem só conheça o que a Associação conhece, e que parece ser muito pouco, convém dizer que Acácio Rosa não foi “apenas” presidente, seccionista, praticante, treinador e tudo o que é possível ser no ”nosso” Belenenses. Foi, por exemplo, o primeiro seleccionador nacional de andebol; desempenhou diversas funções dirigentes em federações de diferentes modalidades e em organismos oficiais; recebeu condecorações dos governos português e francês. Portanto não era nenhum louco fanático do Belenenses.

Descrevendo uma reunião na Câmara há 55 anos atrás, em que esteve presente como dirigente do clube, escreveu ele: “Apontaram-nos em Belém uma mancha toda a negro na planta da cidade de Lisboa, uma pedreira a que a Câmara não sabia que destino dar”.

Assim, o Belenenses foi transformar a pedreira e o sítio desolado que era o Restelo; foi abrir caminho à sua evolução para o belo espaço urbanístico que é hoje, e de que beneficiam os que, não obstante, no seu autocentramento egoísta, não se importam de pôr o clube em cheque; foi permitir que terrenos nas zonas adjacentes fossem notados, fossem valorizados, fossem, enfim, constituir zonas consideradas privilegiadas, permitindo à Câmara realizar negócios extremamente lucrativos com a sua venda.

E, já agora, até por comparação com outros estádios construídos, pela mesma altura, por outros clubes de Lisboa, arquitectonicamente desinteressantes e monótonos (para não dizer “feios”), o Belenenses construiu o seu estádio de acordo com elevados e magníficos padrões estéticos, inclusivamente no seu enquadramento, os quais lhe conferem uma beleza única – uma autêntica jóia! Em recentes melhoramentos, manteve os mesmos altos padrões. De modo que o Belenenses deveria ser um exemplo a apontar, em vez de um alvo a atingir. Sobretudo por aqueles que lhe devem o facto de existir a tal zona “de grande qualidade” – que, outrora, foi uma pedreira, uma mancha negra, algo a que não se sabia o que fazer!

Mas, para esse esforço de construir o Restelo, mobilizou e exauriu o Belenenses todos os seus recursos, apesar da dedicação de tantos e tantos sócios. E isto, repetimos, depois de notificado para abandonar, de mãos vazias, tudo quanto de excelente e pioneiro já construíra nas Salésias, e sem apoios estatais ou autárquicos, como depois se generalizaria. E para que não pareça que estamos a inventar, cabe aqui citar palavras do Ministro das Obras Públicas, aquando da inauguração do Estádio do Restelo, em 1956: “Será oportuno lembrar que se trata, não da primeira mas, sim, da segunda grande realização do Belenenses em matéria de instalações desportivas. A primeira foi a do velho campo das Salésias (...) a sua construção fez furor na época e representou, sem dúvida, um enorme esforço, pois foi executada quando o Estado ainda não concedia os valiosos subsídios que mais tarde veio a atribuir a realizações dessa natureza”.

Devido a todos os meios que mobilizara para construir sucessivas instalações, que além do mais, permitem anualmente a prática desportiva a milhares de jovens, ficou o Belenenses não só obstaculizado para competir com as mesmas armas com os seus rivais, nomeadamente os outros dois maiores clubes de Lisboa, como progressivamente endividado, em especial para com a Câmara.

Não podendo usar os expedientes e pressões que actualmente outros clubes usam para não pagar as suas dívidas, teve o Belenenses que acordar com a Câmara o “resgate” do estádio. Ou seja, vítima de uma exigência draconiana sem paralelo no desporto português, ficou sem a propriedade do estádio que com tanto esforço construíra. E, durante oito anos, de 1961 a 1969, tinha que pagar quantias astronómicas para o poder utilizar. E, cúmulo das humilhações e desventuras por que teve de passar, viu os seus troféus despejados, encaixotados na rua, tratados com desprezo como se fossem as armas de um vilão – e não os signos visíveis de um esforço e de uma dedicação dignos, honrados e gloriosos de gerações de belenenses!

Ergueu-se mais uma vez a alma do “belém” – e, mais uma vez, o clube resistiu. Como tem sabido resistir desde a sua fundação, logo contrariada e apedrejada... Assim, em 1967, a Junta Directiva do Clube, tendo à sua cabeça o Dr. Gouveia da Veiga, o Dr. Coelho da Fonseca e Acácio Rosa, entre muitas outras batalhas, iniciou a luta para reaver o estádio.

Veio a conseguir, enfim, a concessão do direito de superfície, depois de uma mobilização por todo o mundo onde havia portugueses. Foram dezenas e dezenas e dezenas de milhares de assinaturas a reclamarem a devolução do estádio ao Belenenses. Só no Brasil, foram mais de 50.000! Nada, portanto, com que o abaixo-assinado da tal Comissão de Moradores se possa comparar.

Ainda assim, continuou o Belenenses a pagar uma espécie de renda à Câmara, pelo tal direito de superfície.

Até que, finalmente, no início dos anos 90, depois de lutas infindáveis, depois de um imenso tributo pago, depois de ver outros clubes lisboetas a usufruir de mordomias de que nunca beneficiámos – e mesmo assim, a protestarem! –, ficou o Belenenses novamente proprietário do seu estádio. Que enorme preço teve que pagar - um custo de que ainda não nos recuperámos!

Pelo meio, teve o clube que resistir a outros assédios às suas instalações, que fazer face a outras frentes de batalha. Em 1977, construiu o seu pavilhão gimnodesportivo. Ainda se celebrava a inauguração, só quatro escassíssimos dias tinham passado, e já a Câmara – que, entretanto, descobrira a existência, perto do local, de uma capelinha de que há muito se esquecera e de que nunca cuidara - ameaçava derrubar o pavilhão, com as suas bulldozers! Durante dois anos, mais uma vez o clube teve que lutar com coragem, ânimo e determinação, destacando-se nessa luta, o actual Presidente, Dr. Sequeira Nunes.

Por tudo isto, só podemos concluir dizendo à tal Associação de Moradores: deixem-nos em paz, deixem o Belenenses respirar e ter as suas fontes de receita, como outros clubes!

Ou por palavras diferentes: não nos “chateiem” e cuidem antes de fazer face à prostituição que grassa em zonas do Restelo – isso sim, algo que não deveria existir! Ou, então, vão pregar para outras freguesias!

Viva o Belenenses!

segunda-feira, julho 12, 2004

Nova entrevista de Barros Rodrigues

Depois da entrevista de ontem do novo Administrador da SAD azul ao jornal Record, surge hoje nova entrevista, desta feita ao jornal A Bola. Penso que há algumas considerações interessantes, correcções relativamente à entrevista de ontem e outras considerações com que concordo menos.

Gostei de ver bem definidas as atribuições de Rui Casaca e Nélson Soares, mas estranho a falta de referência a Godinho. Algo que muito me agradou foi a decisão de estabelecer uma rede de observadores quer a nível interno, quer externo. O que é assustador é ainda não termos uma estrutura dessas, até pelos reduzidos custos que implica. Mas devo dizer, com sinceridade, que gostei muito de ouvir que se pretende também implementar uma rede de observadores no Brasil. Há, pelo menos, visão estratégica.

Relativamente áquilo com que não concordo, de todo em todo, está a afirmação do jornalista, que aponta Barros Rodrigues como um dos dinamizadores do Marketing do nosso clube. Ora, como costumamos dizer aqui nos Blogs, qual Marketing??? E também continuo a não concordar com a defesa de uma administração amadora, acho que só tinhamos a ganhar investindo em gestores profissionais e a tempo inteiro, capazes de se dedicarem inteiramente ao clube sem prejuízo da sua vida pessoal e profissional.

Mas penso que a última frase é a mais conseguida e a que inspira mais confiança, pois Barros Rodrigues tem a perfeita noção que o Belenenses está preparado conjunturalmente para um novo ciclo, que será um ciclo desportivo. Vamos a isso.

domingo, julho 11, 2004

Plantel 2004-05: Resumo

Declarações de Barros Rodrigues ao Record

Declarações do novo administrador da SAD azul, Barros Rodrigues, ao jornal Record de hoje:

"Numa empresa, os objectivos da gestão são os resultados financeiros, enquanto no futebol são os resultados desportivos. No entanto, em termos de uma empresa e de uma SAD, a gestão é muito importante. Estamos a trabalhar no sentido de reduzir os custos e aumentar os proveitos. O planeamento a médio prazo está a ser feito pela SAD, que já está a preparar a equipa de 2005/06."

Bela frase, cheia de vento. No fundo, umas dezenas de palavras que nada dizem, na medida em que é uma declaração cheia de lugares comuns e cuja parte final me parece, claramente, irreal. Estamos a preparar a época 2005/06??? Planeamento a médio prazo??? Com o Eliseu, o Ruben Amorim ou o Rolando com contrato por um ano??? Com 90% dos jogadores a acabarem contrato para o ano??? Sem conseguir contratar o "caixote" para o ataque que o Carvalhal está farto de pedir para esta época???

Não nos atirem areia para os olhos! Ninguém pede que estejam hoje a trabalhar para a época 2005/06. Mas em Dezembro sim! E nessa altura é que quero saber se estão mesmo a trabalhar na época 2005/06. Hoje quero é que trabalhem na época 2004/05, contratem um trinco, um médio de ataque e um ponta-de-lança. Ah, e decidam se os putos vão ficar mais um ano a ver os outros jogar, e se portanto não será melhor emprestá-los.

sábado, julho 10, 2004

A suposta contratação de Lourenço

Luís Lourenço, jogador do Sporting, é um jogador que admiro e por quem tenho um carinho especial, por um motivo que muitos já conhecem, uma vez que ao tempo em que eu jogava nas camadas jovens do Atlético defrontei o SCP duas vezes, e das duas vezes destacou-se um miúdo chama Luís Lourenço, que só na Tapadinha nos marcou 9 golos (para um resultado de 0-17, o que até foi dos resultados menos dilatados conseguidos pelos miudos so SCP, pois não ultrapassou a barreira dos 20, que era o habitual). Para além de Lourenço, o SCP tinha uma equipa completíssima, que jogava um futebol adulto e entusiasmante. Relembrei sempre o Lourenço, pois foi a correr atrás dele, quando se aprestava para marcar mais um golo, que apareci no Jornal do Sporting.

Fui acompanhando a sua carreira e vi que sempre foi um goleador ao longo dos escalões de formação. Chegado a sénior, na equipa B, lamenta a falta de oportunidades e vai tentar o Bristol City, onde não é muito feliz, apesar de ter marcado alguns golos em meia-dúzia de jogos. Na época seguinte, de novo no Sporting B, pede para saír pois não considera motivante jogar na 2ª B, e integra a equipa do Oldham Athletic, da Division 1 Inglesa. Fica no plantel até fim de Novembro, quando o Sporting requisita o seu regresso, e para além de alguns golos em poucos jogos, ficou na retina aquele que foi considerado o golo do mês na Grã-Bretanha, um pontapé-de-bicicleta de fora da área, que diz quem viu foi um golo inacreditável.

Volto o ano passado ao Sporting para lutar por um lugar, e durante as primeiras 3/4 jornadas o SCP foi o Lourenço e mais 10. Jovem, irreverente e com "pouco calo", acabou com a sua época num jogo em que, numa situação de 2 para 1, optou pelo remate em vez de assistir o companheiro, sozinho, a seu lado, falhando. Claro que o melhor "correctivo" encontrado pelo treinador foi tirá-lo das convocatórias! O SCP ressentiu-se, e o Lourenço também, sendo que até ao fim da época, e por via da contratação de Liedson, as oportunidades diminuiram. Ainda assim, foi um jogador que ficou na retina dos espectadores de futebol.

Surge, no dia de hoje, como praticamente garantido no Belenenses, apesar de um assédio de última hora do Boavista. Após me verem a elogiar tanto o rapaz, dirão: ele é totalmente a favor da contratação. Mas não, sou terminantemente contra!

Lourenço é um avançado móvel, rápido, lutador, sem grande instinto goleador, sem jogo de cabeça, que pode jogar na frente ou descaído nas pontas, com um bom remate e boa capacidade de drible... ora bem, já lá temos 2 iguaizinhos, o Antchouet e o Rodolfo Lima. E ando a ouvir há um mês que o que precisamos é um avançado alto e possante, forte no jogo aéreo, para jogar ao lado do avançado móvel. Em suma, que faça no Belenenses o que Detinho e Antchouet faziam no Leixões. Temos o Ceará, mas por um qualquer mistério insondável a "bancada" não gosta do homem, o clube já disse que não o quer, mas parece que vamos ter de ficar com ele, pois não lhe arranjamos colocação. E ainda bem, digo eu, porque o Ceará parece-me um jogador com capacidade para ser o "tal" avançado corpulento. Na época passada praticamente não teve oportunidades, tapado por Hugo Henrique, e daí não perceber porque é que ninguém gosta do homem. Vi o jogo em Alverca e ele, na 1ª parte, fez mais pelo Belenenses que muitos ao longo da época toda.

Agora, a cereja no topo do bolo, seria ir buscar o Jorginho e ficarmos com 4 porta-chaves, com as mesmíssimas características, na frente: Antchouet, Rodolfo Lima, Lourenço e Jorginho. Jorginho tem "muita imprensa", mas não é o melhor atacante da equipa Sadina. Os melhores atacantes da equipa Sadina (um é já muito bom, o outro uma grande promessa do futebol português) chamam-se Zé. Mas não lhes dão grande atenção, só o Jorginho é que interessa aos grandes...

Em suma, sou contra a vinda de Lourenço porque:
- é mais um com as mesmas características dos que já temos, talvez melhor, mas igual
- se jogar encostado à esquerda estará a "tapar" o crescimento do "nosso" Eliseu
- mais um "anão" do Restelo, numa equipa que conta já com Andersson, Marco Paulo, Brasília, Eliseu, Amaral, Sousa, Antchouet, Mangiarrati, Rodolfo Lima, Neca, etc, etc... não se esqueçam que uma das grandes pechas da equipa, na época passada, foi o jogo aéreo.

sexta-feira, julho 09, 2004

Por falar em António Medeiros...

(Artigo da autoria de Eduardo Torres)



Soubemos recentemente que António Medeiros integra a nova estrutura futebolística do Belenenses. Esperemos que com bons frutos.

Lembramos que ele foi treinador do clube nas épocas de 77/78 e 78/79. Foram duas épocas bem distintas, até no próprio estilo de jogo praticado, muito contido (uma espécie de Grécia) na primeira dessas épocas, e bastante mais aberto na temporada seguinte. Falaremos disso futuramente, na rubrica das 4ªs feiras.


Equipa de 1977/78


Aproveitando, contudo, este ensejo, pensámos que seria interessante publicar no blog os resultados da primeira dessas épocas, por nós anotado num caderno de então do jornal “A Bola” (julgo que o primeiro desse género a sair). Dada a relativa antiguidade do documento, tenho por ele, como é óbvio, bastante “carinho”.

Resultados da 1ª Volta de 1977/78
Resultados da 2ª Volta de 1977/78

No final desse campeonato, obtivemos um 5º lugar, com a mais ou menos célebre equipa do “patinho feio”. Gostaria de fazer notar que, já dentro da 2ª volta, ocupávamos o 3º lugar e perdemos soberana oportunidade de nos colar aos dois primeiros (Benfica e F.C.Porto), quando recebemos os encarnados no Restelo, emoldurado com grande assistência. No final do jogo, contudo, subsistiu o 0-0, apesar de grande oportunidade por nós desperdiçada em cima dos 90 minutos.

quinta-feira, julho 08, 2004

Momentos do nosso Belém


jogo da festa que pôs termo a pesadelo da 1ª descida: estádio quase cheio de belenenses


Belenenses - Benfica na época de 86/87. Empate 1-1 perante mais de 40.000 pessoas


O Restelo a transbordar de público, em 58-59, em jogo Belenenses-Benfica, que terminou empatado




Vitória contra o Sporting (3-1) na meia final da Taça de Portugal de 1989


Heróis Belenenses na 1ª vitória contra a França


Um campeonato perdido a 4 minutos do fim!

Perguntar não ofende

(Artigo da autoria de Joaquim Nunes)

* Há no Belenenses alguma prática instituída de, numa parte, remunerar os jogadores por objectivos? Não nos referimos só aos golos marcados mas também aos golos não sofridos, ou a coisas cada vez mais fáceis de apurar com os novos métodos, como por exemplo, o número de assistências?

* É dada aos jogadores uma informação detalhada do peso da história do Belenenses e do que representa aquela camisola? É-lhes renovadamente incutida ambição, e é-lhes lembrado que o Belenenses não se pode conformar com objectivos medíocres?

* Há no Belenenses alguma estratégia definida para lidar com a comunicação social, em termos de esta promover o clube e as suas realizações quando, actualmente, quase o ignora por completo?

* Há no Belenenses algumas estratégias definidas para captar simpatizantes entre os jovens, os quais o sintam como o seu clube do coração?

As saídas:

Hélder Rosário - na minha opinião, foi muito mal dispensado, na medida em que, a meu ver, era dos jogadores com mais potencial no nosso plantel. Com 23 anos, central, que fazia ainda o posto de lateral direito, ainda tinha mais 2 épocas para evoluír, sendo já presentemente um elemento com valor

Carlos Fernandes - tenho muita pena de ter feito o que fez no nosso clube, pois após uma época positiva, esta última foi vergonhosa. E eu sei que ele tem capacidades para muito mais, e tenho pena que as vá mostrar para outro lado, sabe-se lá porquê

Hugo Henrique - ao que parece dispensado por razões financeiras. Mas é um ponta-de-lança de qualidade indiscutível, apesar de perceber que talvez não se adeque ao nosso tipo de jogo, pois precisa de jogar numa equipa com extremos para receber cruzamentos

Rui Borges - uma saída inevitável, um jogador com valor mas que foi fustigado por lesões e colocado sempre a jogar fora da sua posição. No Restelo insistiu-se que ele era médio ou extremo, quando na realidade ele era avançado, encostado a uma ponta, a rasgar diagonais nas costas das defesas. Pela sua fragilidade física, a meio-campo, não tinha qualquer hipótese

Neto - quando apareceu no Belenenses mostrou qualquer coisa, mas nada de especial. Emprestado ao Mafra, não conquistou a titularidade, e de regresso não fez sequer um jogo. Uma dispensa esperada.

Verona - sendo um dos jogadores mais caros do plantel, com 30 anos e após uma época fraca, é natural a sua dispensa. Apesar de ser dos poucos jogadores com classe no Belém.

Paulo Sérgio - mais um contratado em Janeiro, dispensado em Maio... até mostrou fazer uma boa dupla com o Emerson, mas curiosamente saíram os dois. Este por ser velho

Emerson - bom jogador, mas ao que parece muito caro. Mas tinha qualidade.

Mauro - dispensado, apesar de ainda não ter sido encontrada uma solução para o seu caso. Um ordenado das arábias numa aquisição irracional. Mostra cada vez menos.

Leandro - um jogador fantástico, dispensado não se percebe porquê. Defendia, atacava, à esquerda, à direita e ao centro, marcava bolas paradas, rematava, desmarcava, cruzava. Seria demasiado bom???

André Xavier - uma eterna promessa adiada

Bruno Simão - sem oportunidades

Lécio Pereira - um jogador de grande qualidade, que será emprestado

Byung Min - contratado após fazer 2 (DOIS) jogos pelo Mafra!!! Como é óbvio, não jogou no Restelo e na meia-época de regresso ao Mafra também não jogou. Está agora na Coreia, a cumprir o serviço militar!!!

quarta-feira, julho 07, 2004

Sandro (Botafogo) no Belenenses?

Segundo várias fontes na Internet, como o Blog Vestiário Alvi-Negro, do Botafogo, ou o Blog Terceiro Anel, o Belenenses acaba de assegurar um reforço de peso para o eixo da defensiva, o experiente central (30 anos) Brasileiro Sandro, titular e capitão do Botafogo. Na corrida pelo jogador estava também o Beira-Mar, que está interessado no jogador desde Janeiro.

Este central tem uma boa reputação no campeonato Brasileiro, depois de representar o Botafogo desde 1999 e o Santos entre 1996 e 1999. Antes disso, iniciou-se no Náutico, passando depois para o Sport Recife. É conhecido por aliar uma excelente capacidade defensiva a uma boa capacidade de concretização, nomeadamente um remate potentíssimo, que lhe vale a alcunha de zagueiro-artilheiro. Na sua última época no Sport Recife, marcou 18 golos!

Nasceu a 17/03/1973, em Recife, no Paraná, mede 1,81m e pesa 78Kg. Segundo algumas descrições do jogador pela Internet, "Sandro é um defesa forte e autoritário, bom no desarme e bom no jogo aéreo, o que lhe permite marcar alguns golos na sequência de lances de bola parada. Tem também um forte pontapé, o seu ponto mais forte, que utiliza, com alguma eficácia, na transformação de livres directos. Tecnicamente tem qualidade e é um defesa que gosta de sair a jogar, servindo bem os avançados com passes longos."

Por outro lado, e sem referir o clube, até mesmo o Site Oficial do Botafogo fala da saída do jogador para Portugal, revelando mesmo que ele já se encontra em Lisboa desde 6ª feira.

Parece-me, muito sinceramente, um jogador bem contratado, até pelos comentários que um pouco por toda a Internet os adeptos do Botafogo fazem deste jogador. E os 30 anos, num central, equivalem a 28 num jogador de campo. Ou seja, não é para vender, mas ainda faz umas épocas. Força Sandro!

terça-feira, julho 06, 2004

Eu acredito!

Pois é, após a apresentação do Belenenses 2004/05 no dia de ontem, e consequentes declarações de treinador e jogadores, parece que se respira um novo ar no seio das hostes azuis.

É bom saber que está a ser criado um Gabinete de Prospecção, "tecla" já muito "batida" aqui nos Blogs. É bom saber que se está a contratar em qualidade e não quantidade. É bom saber que não está ninguém à experiência. É bom saber que já não temos comentários infelizes dos administradores da SAD. É bom saber que temos treinador e jogadores imbuídos da grandeza do nosso clube. É bom saber que o Jorginho é capaz de estar perto do Restelo. É bom saber que, não tendo solucionado o "caso Ceará", ele foi reintegrado no plantel e não será desaproveitado. Só me entristece a dispensa do Hélder Rosário, na minha opinião dos jogadores com mais potencial que nós tinhamos (não se esqueçam que contava só 23 anos), mas parece que o trabalho está a ser feito com pés e cabeça, portanto têm a minha confiança.

Preocupa-me ainda a duração dos vínculos contratuais (ver a secção "Plantel", na coluna da direita, ao fundo), curtíssimos. A velha "estória" de não deixar heranças para quem vier depois significa que não se deixa nada, nem bom, nem mau, o que é claramente negativo. Era o mesmo que não se fazer a remodelação do estádio, porque com as obras ia-se gastar mais em manutenção.

Eu acredito!

Pretérito Mais Que Perfeito... - Dia 33

Nota: este artigo é escrito sob protesto contra o recurso a jogadores emprestados pelo Benfica

1. Depois, de anteriormente, termos visto as pontuações que resultariam de um campeonato privado a quatro, entre o Belenenses, o Benfica, o F.C.Porto e o Sporting, alarguemos isso agora ao Boavista. Ou seja, considerando os embates para o Campeonato Nacional (só) entre os clubes que foram campeões nacionais, o que teríamos? Vamos ver a evolução ao longo das décadas. No fim da década de 40 (época 49/50), tínhamos: Benfica, 102; Sporting, 96, Belenenses - 86, Porto - 73, Boavista - 11. No fim da década de 50 (fim da época 59/60): Benfica - 185; Sporting - 179; Belenenses - 160; Porto - 152; Boavista - 34. No fim da década de 60 (época 69/70): Benfica – 265; Sporting – 255; Porto – 220; Belenenses – 188; Boavista – 38. No fim da época 79/80: Benfica – 380; Sporting – 334; Porto – 306; Belenenses – 247; Boavista – 93; No fim da época 89/90: Benfica – 476; Porto – 416; Sporting – 404; Belenenses – 285; Boavista – 110; No fim da última época: Benfica – 590, Porto – 567; Sporting – 518; Belenenses – 340; Boavista – 205.

2. Se a isto acrescentarmos os 4 Campeonatos da I Liga que antecederam o Campeonato Nacional, então, chegamos a este total: Benfica – 622; Porto – 594; Sporting – 543; Belenenses – 364; Boavista – 208. Computaram-se sempre 2 pontos por vitória. (Um abraço ao Pedro Domingues, que nos facultou elementos que nos faltavam).

3. No primeiro jogo de futebol que o Belenenses disputou contra o Barcelona, registou uma vitória por 2-1 (em Maio de 1958).

segunda-feira, julho 05, 2004

O futebol foi derrotado

Ontem foi, desportivamente falando, talvez o dia mais triste da minha vida. Perdemos contra uma equipa que joga qualquer coisa com uma bola e duas balizas, mas não é futebol. Com 11 jogadores dentro da área, um ponta-de-lança que aparece a dobrar os centrais (Vryzas), com um avançado a lateral-direito (Charisteas, por várias vezes), onde é sequer impossível tentar o chuveirinho porque pura e simplesmente eles parecem um cão vadio a ver um pedaço de carne, tudo o que seja adversário é para caír em cima, chocar, nem que isso seja falta. Não posso dizer que sejam violentos, mas são de um anti-jogo atroz.

Sinceramente, só me fazem lembrar o Boavista, é tudo o que posso dizer. E isso não abona nada a favor. Tal como em Portugal, tirando os Loureiros e meia dúzia de capangas, mais ninguém suporta sequer ouvir falar no nome dessa espécie de clube de bairro (mas em mais pequeno), também na Europa do futebol ninguém gosta da vitória dos Gregos.

Porque foi a vitória da brutalidade sobre a beleza. Porque foi a vitória do jogo sujo sobre o futebol.

Gostava, por outro lado, de deixar uma palavra de clara desaprovação para com o público português, que mostrou uma vez mais, como é normal, que vai ao estádio para dizer que vai e não para apoiar a equipa. Éramos mais do dobro dos Gregos e, até ao golo Grego, ainda se ouviam umas coisas. A partir do golo, o público foi uma vergonha. Os Gregos jogaram em casa. Obrigado aos 40.000 inúteis que foram ao Estádio para gritar se estivessemos a ganhar. Se calhar era boa ideia reverem as atribuições de bilhetes, pois das 7 pessoas que comigo estavam a ver o jogo, todas as pessoas que conhecíamos que foram ao Estádio ver a final (e eram mais de 15), NENHUMA delas era adepta de futebol, e iam simplesmente porque tinham arranjado um convite, porque a prima da tia era amiga do filho da mãe, etc e tal. Os estádios são para quem gosta de futebol, e os adeptos estão lá para apoiar as equipas. É muito bonito as meninas aparecerem na TV todas pintadas, A Bola fazer capas com uma menina que deve ser "engate" de alguém da redacção e que, para além de não valer rigorosamente nada como mulher ao lado de muitas beldades que passaram pelo Euro, ainda tem direito a falar sobre futebol no jornal. Claro que está no estádio, claro que não canta. Porque no fim ainda é entrevistada e tem de brilhar. PÚBLICO VERGONHOSO!

As boas notícias, ou talvez não, é o regresso do Belenenses aos trabalhos, tema que ao longo do dia terá novos desenvolvimentos.

Pretérito Mais Que Perfeito... - Dia 31

Nota: este artigo é escrito sob protesto contra o recurso a jogadores emprestados pelo Benfica

1. Ana Linheiro, grande nadadora do Belenenses na década de 40, foi recordista nacional absoluta de 100 metros livres, 100 metros costas e 200 metros costas, além de ter detido vários records em outros escalões. Foi campeã nacional e regional de Lisboa em diversas provas. Tem desempenhado, desde então, várias funções de relevo no clube, nomeadamente ao nível directivo, o mesmo já tendo acontecido na Federação Portuguesa de Ginástica. A esta grande senhora, o Belenenses atribui vários galardões, nomeadamente o de Sócia de Mérito, Sócia Honorária e ainda o troféu “Pepe”.

2. No primeiro jogo que disputou contra o actual detentor da Taça UEFA, o Valência, o Belenenses triunfou por2-1. Foi em Abril de 1958, no Estádio do Restelo.

3. José Pinto, atleta do Belenenses nos anos 80 e 90, nas disciplinas de Marcha, de que foi recordista Nacional, esteve presente nos Jogos Olímpicos de 1984 e 1988, nos Campeonatos da Europa de 1982, 1986 e 1990, nos Campeonatos do Mundo de 1983 e 1987 e, ainda, nas Taças do Mundo de Marcha de 1987 e 1989. Foi campeão nacional em 1980, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985, 1987, 1989, 1990 e 1991. É Sócio de Mérito do clube.

domingo, julho 04, 2004

Um dia para a história

Hoje é, porventura, o dia mais importante para o desporto português de todos os tempos. Apesar de grandes resultados conseguidos por grandes atletas portugueses, nunca chegámos tão perto do zénite como nesta final do Campeonato da Europa de Futebol, a modalidade com mais repercussão a nível mundial.

Aconteça o que acontecer esta tarde, este Euro 2004 foi já uma vitória, mais do que do futebol português, do povo português, tão necessitado que anda de motivos de orgulho. Elevou-se bem alto o nome e o espírito de Portugal.

Heróis do Mar,
Nobre povo,
Nação valente e imortal.
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal.
Entre as brumas da memória
Ó pátria, sentes a voz,
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória.
Às armas, às armas, sobre a terra e sobre o mar...
Às armas, às armas, pela pátria lutar,
Contra os canhões, marchar, marchar!!!

Digam lá se o nosso hino não diz tudo? Ah, como eu vou cantar o hino a plenos pulmões mais logo! Vai ser uma nação inteira!

Já agora, e com toda a noção do rídiculo da comparação, hoje também é um dia especial para o Blog do Belenenses: atingimos as 20.000 visitas, em 5 meses certos. É um orgulho saber que tantas pessoas levam em consideração a minha opinião, a do Rui Vasco e a do Luís Vieira. Como é óbvio, não posso deixar de enviar um agradecimento especial a todos aqueles que contribuem com textos para enriquecer e pluralizar o Blog, bem como a todos os que comentam, ou somente visitam. O meu muito obrigado. Bem hajam, hoje merecemos a glória!