quinta-feira, junho 17, 2004

Belenenses 2003/04 - Análise Final

Balanço da Época 2003/2004 nas principais modalidades:



FUTEBOL - A decepção
A SAD apresentou como objectivo o 4º lugar, mas o que a equipa conseguiu atingir foi o 4º lugar a contar do fim. E muito sinceramente, nem isso merecia! Três treinadores, 2 reforços da época que sairam em Janeiro, inúmeras lesões, 9 reforços de inverno, mais lesões, perder pontos nos descontos, uma goleada histórica no Restelo contra a Académica, muita asneira... e até um "Estripador do Restelo". Tudo nos aconteceu este ano. Durante grande parte do campeonato fomos de facto uma das piores equipas da Superliga. Mas se a equipa não merecia o 15º lugar, nós os adeptos não mereciamos a 2ª Divisão.
Ao contrastar com o campeonato, conseguimos atingir as meias-finais da Taça de Portugal, um feito que não acontecia desde 1989-90. Isto fez-nos sonhar mas após 3 jogos contra equipas da II Divisão B, defrontámos o Estoril da Liga de Honra e as nossas fragilidades tornaram-se evidentes. Vencemos o Estoril na marcação de grandes penalidades e depois fomos jogar à Luz e fomos eliminados.
Uma época para esquecer...
Avaliação: MUITO NEGATIVA

ANDEBOL – O lugar que merecemos? Acho que não…
Das principais modalidades do clube, o andebol é a única que ainda não terminou a época de 2003-04, faltando disputar ainda a Taça de Portugal.
O plantel desta época tinha como objectivo, segundo as palavras do Vice-Presidente Manuel Miguel no início da época, “recolocar o C.F. os Belenenses no lugar a que sempre teve direito de forma a que a equipa possa discutir a vitória em todos os jogos que disputar”. Mas será que conseguimos atingir esses objectivos?
A equipa técnica que acabou a temporada, tal como aconteceu no futebol, também não foi a mesma que iniciou a época. O treinador António Santos acordou a saída do clube azul, sendo substituído em Fevereiro, pelo jogador Alfredo Pinho. Analisemos agora os resultados obtidos.
Na mais importante prova nacional de andebol, o Campeonato Profissional da Liga, conseguimos atingir a Fase Final e terminámos a temporada na quinta posição, melhorando a classificação da época transacta, em que alcançámos o sexto lugar. Relativamente à Taça da Liga fomos eliminados logo no primeiro jogo frente ao Sporting, pelo que não temos boas recordações desta competição. No entanto, relativamente à segunda prova mais importante, ainda existe a possibilidade de vencer a Taça de Portugal. Estamos actualmente nos Final Four e temos como possíveis adversários o Sporting, São Bernardo e o FC Gaia.
Avaliação: NEGATIVA (se perdermos a Taça)
Avaliação: POSITIVA (se perdermos a Taça)

BASQUETEBOL – Os Guerreiros Azuis
O Belenenses/Montepio/Lusifor foi a equipa sensação do basquetebol nacional. A equipa liderada pelo técnico José Couto excedeu todas as expectativas tendo alcançado os seguintes resultados: chegámos aos quartos-de-final da Taça da Liga, alcançámos as meias-finais da Taça de Portugal, chegámos ás meias-finais do Playoffs da Liga TMN. Também fomos apurados para as competições europeias, situação que não acontecia há muito tempo.
Mas melhor que os resultados foi o "querer" e a raça dos nossos jogadores. Sempre excepcionais e a acreditarem na vitória até ao ultimo segundo. Exemplo disto mesmo foram as várias vitórias alcançadas quase em cima do tempo regulamentar.
Esperemos que esta equipa (jogadores e técnicos) continue para o ano.
Avaliação: MUITO POSITIVA

FUTSAL – A estreia
A época de 2003/04 foi a estreia do Futsal no Belenenses. Este projecto tem como objectivo a médio prazo, atingir a 1ª Divisão, tendo o primeiro passo desta caminhada - a subida para a II Divisão - sido alcançado.
Aliás, os objectivos propostos para esta temporada, não só foram totalmente atingidos como foram ultrapassados.
Além da equipa vencer a Série C da Divisão (único lugar que garantia a subida), praticamente só com vitórias, conseguiu ainda:
- obter a melhor defesa de todas as divisões;
- sagrou-se Campeão Nacional da III Divisão, após disputar uma linguilha com os vencedores das outras séries;
- atingiu os quartos-de-final da Taça de Portugal da modalidade, tendo sido eliminado, num jogo muito disputado, com uma equipa da I Divisão.
Para o próximo ano, e já com novos reforços, alguns provinientes do primeiro escalão, os objectivos passam por: vencer a série e garantir a subida (objectivo principal), ser campeão da II Divisão e chegar mais longe na Taça de Portugal (objectivos secundários).
Avaliação: MUITO POSITIVA

RUGBY – 1 Titulo e muito azar...
Os campeões nacionais em titulo tiveram uma época irregular.
Começamos a temporada a ganhar um titulo: a Supertaça e depois perdemos outro - a Taça Ibérica - para os espanhóis.
Depois, e durante toda a primeira fase do Campeonato Nacional, fomos superiores a todas as outras equipas, tendo vencido a fase praticamente só com vitórias. A seguir foi interrompido o campeonato tendo começado os compromissos para as selecções nacionais.
Muitos belenenses foram seleccionados para a equipa nacional e ajudaram na conquista do campeonato europeu. Mas este facto revelou-se muito caro para o Belenenses.
Quando recomeçou o campeonato, os jogadores azuis, baixaram de rendimento, alguns devido a lesões, e terminámos a segunda fase no 4º lugar, muito abaixo das nossas expectativas.
Ainda é de registar que na Taça «António Cabral Fernandes» fomos finalistas, e que já no fim da época, alcançámos os quartos-de-final da Taça de Portugal.
Avaliação: POSITIVA (por termos conquistado 1 titulo e termos tido muito azar)

quarta-feira, junho 16, 2004

Década de 80 - Parte 1 - O desastre e o regresso



Os anos 80, que nos trouxeram a grande tristeza da primeira descida, também nos trouxeram uma 2ª metade com algumas boas alegrias. Foi uma década estranha, um dos pontos charneira da história do Belenenses. Por isso, farei no final uma série de comentários e reflexões que não têm a ver directamente com boas ou fracas assistências e sim com pontos fundamentais onde se cruzam o passado e o futuro do nosso clube, e as grandes opções (muitas delas, más, na minha opinião) que já se tomaram (por acção ou omissão) e as que ainda se podem tomar no futuro. É por esses futuros possíveis que tais reflexões podem ter importância, visto que no que diz respeito ao passado… já não o podemos modificar.

Quanto a grandes assistências, começo por lembrar o último jogo na 2ª Divisão (época 83/84), a festa da subida: não posso precisar, mas acho que estariam entre 30.000 e 35.000 pessoas e tudo belenenses. Perdemos 1-2 contra o União da Madeira mas a subida já estava garantida de qualquer forma (desde o jogo anterior, em Sesimbra, onde os adeptos do Belenenses, no fim do jogo, invadiram pacificamente o relvado para festejar. Nessa época, grande multidões de belenenses deslocavam-se para assistir aos jogos fora de casa). Para mim, ainda com o orgulho da noção do Belenenses como 4º grande, foi uma festa com algum sabor a humilhação, embora pusesse fim a um pesadelo que, na altura, pensávamos que não se repetiria (andar por uma divisão inferior) mas que, infelizmente, já aconteceu mais duas vezes e que este ano esteve quase, quase a acontecer novamente, como todos ainda nos lembramos.
Na altura em que descemos pela 1ª vez foi um desgosto imenso. Acontecera o impensável! Já tínhamos tido um ou dois sustos em épocas anteriores mas sempre o peso das camisolas azuis e o brio dos jogadores, treinadores e responsáveis dava a volta à situação. Mesmo com o clube falido, a ponto de nem haver camisolas para trocar se uma se rasgasse, nem produtos de farmácia… não pensávamos que pudesse suceder! Na altura ninguém podia objectivamente pôr em causa o nosso estatuto: só quatro clubes tinham sido campeões e nós éramos um deles; só quatro tinham estado sempre na 1ª Divisão, e nós éramos um deles (e sem favores, coisa de que o Porto não se pode orgulhar: há mais de 60 anos, julgo que em 41/42, mas pode ter sido em 39/40, aumentou-se o número de participantes no campeonato por causa deles…); nenhum outro clube podia comparar-se com nós em número de adeptos e popularidade, excepto o restante trio; nenhum outro clube, além de nós e esses três, tinha tido figuras míticas do futebol português e pergaminhos como de ter o 1º estádio relvado de Lisboa; ninguém tinha o privilégio de nomes especiais e populares, como “pastéis”, junto com “lampiões”, “lagartos” e “andrades”; havia os vermelhos, os verdes, e os azuis, que éramos nós! Então, não era o Porto o “azul”? Não senhor: eram azuis e brancos. Azuis mesmo, eram os “pastéis”! Depois, integrávamos aquelas expressões populares, demonstrativas do peso que tínhamos, como, por exemplo, “ter um olho à Belenenses”. Quando descemos, isso estava na 1ªpágina de todos os jornais, e não falo só dos desportivos, mas também dos generalistas. Foi um acontecimento que provocou sensação no país. Já condenados, assistimos à vitória por 2-1, no último jogo dessa tristíssima época de 1981/82, salvo erro contra o Estoril. De lágrimas nos olhos, ainda incrédulos, nem querendo pensar se aquela podia ser uma despedida para sempre. Como alguém escreveu, acho que na “Bola”, quando marcámos o 2º golo, embora de nada valesse para evitar a despromoção sentenciada na jornada anterior, o nosso brado de honra e de raiva ouviu-se na outra margem do Tejo!
No meio da tristeza da 2ª Divisão, uma alegria que demonstrou que não tínhamos morrido: duas Taça de Andebol, uma no ano da descida, a outra no ano da subida! No ano do regresso à 1ª divisão (84-85), também no andebol, mais um título nacional. A vitória no campeonato foi garantida no Pavilhão da Luz. Tínhamos que ganhar ao Benfica e ganhámos! Não vi o jogo mas ouvi contar que os “lampiões” tinham a festa preparada, até se viam passar garrafas de champanhe… mas a vitória foi nossa! (Já agora, voltando ao futebol, lembro que em 59-60, além da vitória na final da Taça contra o Sporting por 2-1, e de uma vitória por 5-0 sobre o Benfica na final da Taça de Honra, estragámos uma festa ao Benfica, no último jogo do campeonato: eles já tinham preparado umas faixas a dizer “campeões invictos”. Mas o Belém ganhou esse jogo na Luz por 2-1, com um golo de Matateu, segundo se diz, de um ângulo incrível. E eles foram campeões sim, mas não invictos, caindo as faixas no ridículo. Uma pequena desforra do campeonato que em 54-55 perdemos a 4 minutos do fim…).
Na época 84-85, então, estávamos de volta à 1ª Divisão. No primeiro jogo, contra o Vitória de Setúbal, éramos umas 20.000 pessoas, ou um pouco mais, para festejar o regresso ao nosso lugar. Aí, sim, chorei de comoção, ao voltar a ver aquelas nossas camisolas, este azul que nos enche a alma, na 1ª divisão, de onde nunca devíamos ter descido. Empatámos 2-2 mas estivemos a perder 2-0 até bem perto do fim. Foi quase um último "quarto de hora" à Belenenses, que fez história noutros tempos (será que os actuais jogadores sabem o que isso era, já alguma vez ouviram falar disso? Não sei, mas sinceramente receio bem que não! E é pena…).

Pretérito Mais Que Perfeito... - Dia 14

1. O Belenenses ganhou 6 edições da Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa, que chegou a ser uma competição muito importante: em 1942/43, em 1944/45, em 1948/49, em 1959/60 (final: vitória 5-0 conta Benfica), em 1967/68 (final: vitória 2-1 contra o Benfica; ainda me lembro de estar a ouvir o relato com o meu pai…pelo meio tendo faltado a electricidade) e em 1989/90 (final: vitória 2-1 contra o Sporting).

2. O Belenenses esteve presente em 7 finais da Taça de Andebol, alcançando 4 vitórias: 1973/74 (em que, como já vimos, também foi campeão nacional), 1977/78, 1981/82 e 1983/84. Foi ainda finalista em 1986/87, 1987/88 e 1995/96.

3. Na mesma modalidade, o Belenenses ganhou os Campeonatos Nacionais de Juniores em 1966/67, 1967/8, 1968/9 e 1971/72 e o campeonato Nacional de Juvenis em 1970/71

terça-feira, junho 15, 2004

Pretérito Mais Que Perfeito... - Dia 13



1. Matateu marcou um dos golos com que Portugal obteve a sua primeira e histórica vitória sobre a Inglaterra, em 22 de Maio de 1955. Esteve ainda presente outro jogador do Belenenses: Dimas.

2. O 3º Lugar foi a classificação que o Belenenses obteve mais vezes no Campeonato Nacional de Futebol: 14 vezes. A seguir, vem o 4º lugar: 9 vezes. (Quanto a alguns outros clubes, as classificações mais vezes obtidas são as seguintes: Benfica – 1º; Boavista - 4º e 9º; F.C. Porto – 2º; Marítimo – 12º; Sporting – 3º; Vitória de Guimarães – 6º; Vitória de Setúbal – 5º e 7º.

3. O desporto feminino tem grandes tradições no Belenenses. Falaremos noutra altura de grandes proezas no atletismo e da grande Georgete Duarte ou da nadadora Ana Linheiro, duas grandes senhoras, a última das quais também como dirigente. Por hoje, lembremos que as atletas belenenses ganharam o Campeonato Nacional de Basquetebol em 1954/55 (acumulando, ainda, o Campeonato de Lisboa) e a Taça de Portugal em Andebol, na época de 1975/76 (tendo vencido o Campeonato de Lisboa na época anterior).


Planeamento da pré-época

Surgiu ontem à noite, no Site Oficial do Belenenses uma notícia sobre o planeamento da pré-época do Belenenses.

Após expectativa de um estágio em Florença, no centro de estágio da selecção italiana, somos agora informados que o estágio terá lugar em Quiaios, ao que consta por incompatibilidade de datas com a Federação Italiana... Ao que consta, também, em vez das duas semanas repartidas pelas próximas duas época, teremos direito a duas semanas de estágio na pré-época 2005/06.

O que me parece incongruente é o facto do estágio, pela primeira vez em vários anos, não ter lugar em Gouveia, terra de arreigada conotação Belenenses, e ao que era noticiado ao longo de todos estes anos, sem qualquer custo para o nosso clube. Ao invés, vamos optar por um centro de estágio utilizado por vários clubes da SuperLiga, e que em princípio terá melhores condições. Espero sinceramente que sim, e que tenha sido esse o critério de escolha do Centro de Estágio de Quiaios. Mas não posso deixar de manifestar a minha tristeza por saírmos de Gouveia, uma terra "simbólica" para o nosso clube e que tão bem nos tem tratado.

Por outro lado, gostaria de salientar, ainda, o adversário no jogo de apresentação no plantel: o Celta de Vigo. Apesar de ser uma equipa com nome, jogará na próxima época na 2ª Liga Espanhola. Será que não poderíamos incluír, por exemplo, no negócio "Paulo Madeira", a condição do Benfica jogar no nosso jogo de apresentação, conseguindo assim uma boa receita? Caramba, o Celta de Vigo é daquelas equipas que não aquece nem arrefece, apesar de todo o nome que tenha. O Saint-Etienne também já foi muito bom, ou o Torino, mas são equipas que já não têm qualquer interesse. Tenho mesmo muita pena.

De resto, faço votos para que esta pré-época seja bem planificada, pois uma das "desculpas" para a onda de lesões da temporada transacta foi a incorreta preparação dos atletas.

segunda-feira, junho 14, 2004

Eu estive lá!

6ª feira passada tive oportunidade de ver a 1ª hora de jogo entre os nossos "putos" e a selecção italiana, e posso-vos garantir que fiquei bem impressionado.

O Lécio Pereira foi um gigante naquele meio-campo, uma verdadeira carraça a defender e oportuno a atacar, distribuindo jogo e não se coibindo de subir com a bola controlada.

O Rafael foi também uma bela surpresa, mostrando boa técnica e "empurrando" bem o jogo. Do lado contrário, jogava um extremo africano (não sei o nome) que também ele mostrou bons predicados, incluíndo uma bela "cueca" com todas as letras ao Nesta, isolando-se, porém gorando a oportunidade.

Nota especial para o Gonçalo Brandão, nitidamente o "patrão" da equipa cá atrás e que ia marcando um golo na execução brilhante de um livre directo. Aliás, os jornalistas italianos, na bancada, não lhe regatearam elogios.

Mas quem me encheu as medidas foi, sem sombra de dúvida, Lécio Pereira. Já tinha ouvido que era o Makelele do Restelo, e confirmei. Deem-lhe juízo e oportunidades e temos ali jogador. Precisa é de começar a jogar, senão perde-se.

Uma nota final para o interesse de PSV e Sunderland em Eliseu: o "miúdo" acaba contrato esta época. Está na hora de renovar, e tem de ser já, pois a partir de Janeiro é livre de assinar por quem entender. Mas para além de assinar, tem de jogar, pois tem mais que condições para jogar. Já agora, quando se estreou com Marinho Peres, ante o Slaven Belupo, jogou a segundo avançado, agora na selecção parece que fez "miséria" no ataque. Será que ele anda a jogar no sítio certo? É porque se extremo esquerdo não é a sua posição, então temos mesmo craque!

Parabéns aos "miúdos" do Restelo, que só precisam de não ser "tapados" por Brasileiros de trazer por casa.

Diário do Euro 2004

O dia seguinte:

O dia de ontem foi de emoções fortes no Euro 2004, com um jogo bem disputado a abrir as hostilidades, e um início de noite extraordinário com aquela reviravolta francesa.

O Suiça-Croácia foi um jogo como aqui tinhamos previsto, com uma Croácia a mostrar-se mais forte, mas com a Suiça a ripostar a preceito no contra-ataque. Aliás, no computo geral, o empate parece ser um resultado adequado. Destaque pela positiva para Alxander Frei, jogador do Rennes, um excelente avançado. Pela negativa, destaque para a descoordenação dos 4 homens da frente na Croácia: Olic, Sokota, Prso e Molnar.

Em relação ao Inglaterra-França, pouco há a dizer, senão que houve futebol até ao último segundo. A França entrou bem na partida e dominou os primeiros minutos, porém a Inglaterra, apesar de dominada, sacudiu o sufoco. A França continuava, todavia, mais perigosa, até que surge o 1º golo para a Inglaterra, por Frank Lampard a corresponder a um livre apontado por David Beckham. A França acusou o golo e até ao intervalo não conseguiu responder de forma oportuna à desvantagem. Na 2ª parte a França entra a todo o gás, com muita vontade, mas poucas soluções. Cerca dos 75 minutos, Wayne Rooney tem uma arrancada brilhante e é travado de forma violenta por Sylvestre dentro da área. Mas Barthez faz uma grande defesa ao penalty, que havia sido bem batido por Beckham, redimindo-se de um "quase frango" de alguns minutos antes. Com a perdida inglesa, a França lançou um último fôlego, recompensado aos 91 minutos com o empate, num livre convertido por Zidane com muitas culpas para David James, pois a bola entra pelo meio da baliza! Com mais 2 minutos para jogar, a bola vai ao centro, há o reatamento e a 30 segundos do final, Steven Gerrard, a atrasar uma bola ao guarda-redes, acaba por isolar Henry, que é derrubado por David James. Na conversão, Zidane não perdoou e deu uma derrota bem amarga aos ingleses.

GRUPO B:
França - 3 pontos
Croácia - 1 ponto
Suiça - 1 ponto
Inglaterra - 0 pontos

Antevisão:

Italia-Dinamarca - 17:00

Favoritismo absoluto para os italianos, apesar da Dinamarca ser uma selecção com bons valores individuais. E os italianos, normalmente, começam mal estes torneios...

Suécia-Bulgária - 19:45

Favoritismo para os Suecos no embate com os inexperientes Búlgaros. Motivo especial de interesse para os adeptos Belenenses poderá ser a inclusão de Andersson no 11 inicial dos escandinavos.

Pretérito Mais Que Perfeito... - Dia 12



1. Considerando os resultados dos jogos disputados entre o Belenenses, o Benfica, o F.C.Porto e o Sporting, nos campeonatos nacionais, ou seja, como se a competição fosse somente entre esses 4 clubes, o Belenenses teria sido 4 vezes vencedor: em 1941-42, 1947-48, 1951-52 e 1959-1960.

2. Considerando um mesmo “campeonato a quatro”, as pontuações referentes ao fim da década de 30 e à década de 40, seriam as seguintes: Benfica – 83; Sporting – 81; Belenenses – 68; F.C.Porto – 56. Na década de 50, as pontuações seriam as seguintes, num equilíbrio quase total: Sporting – 63; Benfica – 61; F.C.Porto – 59; Belenenses – 58. E assim, somando tudo até ao final da década de 50, teríamos: Benfica e Sporting (ambos com) – 144; Belenenses – 126; F.C.Porto – 115. Todos muito próximos, como se vê, e o Belenenses em 3º lugar. A partir daí, com graves problemas financeiros, o Belenenses foi decaindo. No final da década de 60, tínhamos: Benfica – 221; Sporting – 217; F.C.Porto – 181; Belenenses – 152: E no final da década de 70: Benfica – 305; Sporting – 275; F.C.Porto – 235; Belenenses – 190. Começa então um período de hegemonia do F.C.Porto. Mesmo com décadas de crise, o Belenenses regista uma “pontuação” de que nenhum clube que tomasse o seu 4º lugar se aproximaria minimamente que fosse.

3. O Belenenses foi 4 vezes campeão nacional colectivo de cross: em 1938, 1939, 1940 e 1951. E um atleta belenenses ganhou três vezes o título individual: Manuel Nogueira, em 1938, 1939 e 1940. No sector feminino, Branca Seabra foi 2 vezes campeã nacional de Corta-Mato: em 1971 e em 1974. A 1º vitória correu como individual, na 2ª envergando a camisola do Belenenses.

domingo, junho 13, 2004

Artigo de opinião

(Artigo de opinião de Carlos Gustavo Rodrigues)

Todas as selecções têm a sua sina. Por vezes essa sina é quebrada, mas estatisticamente não falha. A Alemanha, por exemplo tem como sina não ser apontada como favorita e chegar á final. A Holanda tem como sina jogar bem e não ganhar nada. O destino da Itália é sofrer a bom sofrer e morrer na praia. Portugal tambem tem a sua sina. E a sua sina é jogar razoavelmente bem contra equipas “boas” e inexplicavelmente mal contra equipas “menos boas”. Basicamente, não nos damos bem com a responsabilidade de vencer. A pressão. Infelizmente esta conclusão não abona mesmo nada a favor de uma competição realizada em solo luso... mas a ver vamos.

Intimamente ao exigirmos mundos e fundos desta selecção, ainda vivemos na ideia de que esta é a “geração de ouro” de Riade e Lisboa. Simplesmente não é. Essa selecção assentava num guarda redes claramente acima da média (Vitor Baía), na melhor dupla de centrais do mundo (Fernando Couto, Jorge Costa), num médio defensivo de classe mundial, com uma visão de jogo como mais ninguem (Paulo Sousa) e num tridente atacante de luxo composto por um virtuoso (o Rui Costa), um carregador de piano (o Figo) e um baixinho com muita garra que era uma mistura dos outros dois, ainda que especificamente não fosse tão bom como nenhum deles (o João Pinto).
Ora bem... Esta selecção contem apenas três desses elementos, todos eles veteranos. Quem substituiu os outros? Na baliza temos um homem psicologicamente em baixo, que nesta época mais não foi que um dos piores guarda redes do campeonato (Ricardo). Sim, um dos piores. O que faz ele na selecção? Não sei. Sei que ainda hoje levámos mais um golo em que ele teve claramente responsabilidades. O mistério para mim é o facto dos jornalistas se apressarem a “esclarecer” os telespectadores que não, que não havia responsabilidades dele, mas apenas do lateral direito. Já estou mais descansado. No meio da defesa temos dois homens que não se entendem um com o outro. Um, que era da tal “geração de ouro” está no ocaso de uma grande carreira. O outro estará ainda a crescer, mas ou eu me engano muito ou não passará de um defesa central mediano ao nível de selecções. No meio campo defensivo está um bom jogador (Costinha), muito útil a destruir, com garra, mas que não tem nem de perto nem de longe a classe de um Paulo Sousa. Á frente, o trio atacante ainda é composto por dois dos três elementos da “geração de ouro”, só que bastante envelhecidos. Se no caso do Figo isso mal se nota (ele continua a ser fundamental na manobra da selecção), o Rui Costa, por muito boa pessoa que seja, é uma sombra do que foi a jogar futebol. O outro elemento do trio (Simão) é um bom jogador, perigoso, lutador, mas nada mais do que ligeiramente acima da média ao nivel de um campeonato europeu, e certamente muito menos influente do que era o João Pinto. Á frente, está um dos nossos actuais craques (Pauleta) que é assim como o homem invisível. Só se dá por ele quando marca golos, de outra forma nem vemos que ele existe. Estatisticamente, ele “existe” num em cada três jogos... é suficiente? É discutível, atendendo a que nos restantes a equipa joga praticamente com dez.
Assim, e friamente, percebe-se que esta selecção não pode ser avaliada pela mesma bitola da “geração de ouro”.

Mas nem tudo são más notícias. Ao ver a segunda parte, ao ver o Figo a endossar em profundidade a bola ao miúdo que entrou lá para dentro, vi nisso muito mais do que um simples passe, vi antes uma passagem de testemunho. Sim, porque o Cristiano Ronaldo mostrou que é realmente um “fora de série”. Não apenas “acima da média”, não, nada disso, um “fora de série”. E são os “fora de série” que fazem normalmente a diferença nestes jogos. Alem disso, temos um bom defesa central no banco. O Ricardo Carvalho é de longe o melhor central a actuar em Portugal actualmente. Temos um excelente médio no banco tambem, Deco claro. Outra excelente notícia é que temos dois guarda redes “normais” a suplentes! Um deles é mais experiente, o outro será muito inexperiente mas porventura melhor, mas, e isto é que é importante, são guarda redes “normais”!

Quanto ao treinador, é claro que é fácil depois de se perder com a Grécia criticá-lo por esta ou aquela opção. Dou-lhe carta branca, excepto numa situação. É inadmissivel que o Ricardo seja titular da baliza da selecção. Se calhar acham que tenho um quid pro quo qualquer com o homem, mas olhem que não, olhem que ele deveria ter sido o titular no mundial de 2002. Simplesmente, desde aí tem sido verdadeiramente transparente nos clubes onde jogou e na selecção. E se o Sporting sacrifica o Nelson e porventura o segundo lugar do campeonato para o tentar empandeirar para um clube estrangeiro que queira meter o gorro, o selecionador não tem que ter dessas preocupações comerciais...

Para finalizar, e como sou um optimista, quero partilhar convosco o seguinte pensamento: Ao perder com a Grécia, meus amigos, apurámo-nos para os dezasseis avos de final!
EXACTO! Já lá estamos! Já passámos os grupos! Agora todos os jogos que aí vêm são para nós a eliminar. Como (esperemos) faltam cinco, já chegámos aos dezasseis avos!


P.S. – Já agora, quem é que diz áqueles rapazes que um canto deve ser marcado directo e não curto? No único canto “normal” que vi Portugal marcar, deu golo. Eu estou farto de ver jogos e avaliando a eficácia (ou antes, a falta dela!) dos ditos, parece-me espantoso como é que se continua a insistir em marcar cantos curtos.

Diário do Euro 2004:

O dia seguinte:

Para todos nós, portugueses, este Domingo é um dia de profundo aborrecimento, motivado por uma equipa incapaz de nos dar uma alegria. A perder, ao menos que fosse por mérito do adversário.

Quem viu depois o Espanha-Rússia, sabe bem que somos a pior equipa do grupo. Esse sim foi um grande jogo, e o problema dos Russos foi unicamente a veterania dos dois médios de ataque, Aleinitchev e Mostovoi.

Neste momento, olhando a primeira jornada deste grupo, vemos Portugal numa situação bem complicada. Na 2ª jornada, convém a Portugal vencer a Rússia e que a Grécia vencesse a Espanha, pois estamos em desvantagem com a Grécia. Ou seja, convém-nos ser a Grécia a descolar de forma a discutirmos o lugar que falta com Espanha e Rússia, com quem ainda não temos vantagem, ou desvantagem. Porque tendo de discutir um lugar com a Grécia, ficamos sem hipóteses. Eis a classificação do Grupo A:

GRUPO A
Espanha - 3 pontos
Grécia - 3 pontos
Portugal - 0 pontos
Rússia - 0 pontos

Antevisão:

Suiça-Croácia - Leiria - 17:00 - TVI

Espera-se um jogo morno, com nítida tendência de vitória para os croatas. Mas atenção ao contra-ataque suiço.

França-Inglaterra - Estádio da Luz - 19:45 - SIC

Perspectiva-se um dos melhores jogos do Europeu, é praticamente uma final antecipada. Não há um claro favorito, mas a França não sofre golos há um ano e à partida terá melhor equipa que os ingleses, capazes do melhor e do pior. Um jogo a não perder.

Pretérito Mais Que Perfeito... - Dia 11



1. Em basquetebol, o Belenenses ganhou 2 campeonatos nacionais, em 1938/39 e 1944/45, e 2 Taças de Portugal, em 1944/45 e 1958/59.

2. O maior número de golos marcados num só jogo do Campeonato Nacional pertence ao Belenenses: vitória por 15-2 sobre a Académica (em 1944/45); entre as cinco maiores goleadas, registam-se duas outras vitórias do Belenenses: 14-1 ao Salgueiros, também em 1944-45 e 13-0 ao União de Lisboa em 1940-41; e entre as 20 maiores, contam-se, além das já citadas, ainda mais três outras do Belenenses: 12-0 ao Vitória de Guimarães, em 1942-43; 10-0 ao Boavista, em 1940-41; 10-0 ao Oliveirense, em 1945/46. Destaque ainda para a Vitória sobre o Braga por 8-0 em 1954.


Fonte: Jornal "A Bola" de 1977


3. A partir dos anos 60, o futebol tornou-se muito mais rigoroso em termos tácticos e o número de golos (e, portanto, de goleadas, diminui). Mesmo assim, recordo-me das seguintes vitórias do Belenenses no Campeonato Nacional por uma diferença de 5 ou mais golos: 7-1 ao Atlético em 1967-68; 6-0 ao União de Tomar, fora de casa, em 1972-73 (época em que alcançámos o 2º lugar); 5-0 ao Portimonense, em 86-87, no Restelo (em Portimão, na mesma época, ganhámos por 5-1); 7-0 ao Famalicão, em 92-93. Tenho ainda a ideia de que em 95-96, com João Alves a treinador, tivemos uma vitória por 5-0 mas não me lembro contra quem.

sábado, junho 12, 2004

Diário do Euro 2004

Jogos do dia:
Grupo A
Portugal-Grécia - 17.00 - Estádio do Dragão - RTP
Espanha-Rússia - 19:45 - Estádio do Algarve - SIC

Antevisão:
Os dois primeiros jogos do Grupo A serão também os dois primeiros do Euro 2004. Portugal tem a grande vantagem de jogar em casa e deverá aproveitá-la para passar uma Grécia discreta, mas tactimente sólida a defender e boa a explorar o contra-ataque. Aliás, é fundamental para a selecção anfitriã começar com uma vitória.

A Espanha, juntamente com Portugal os favoritos do grupo, terá também na Rússia um osso duro de roer. Também a Espanha acaba por jogar praticamente em casa, pois é esperada uma "enchente" de espanhóis para apoiar a sua selecção.

Pretérito Mais Que Perfeito... - Dia 10



1. Mariano Amaro foi, durante muitos anos, capitão do Belenenses e titular da Selecção Nacional (19 vezes o que, na altura, quando os jogos internacionais rareavam, era um número impressionante). Contribuiu valorosamente para a conquista, pelo nosso clube, do Campeonato Nacional de 1945/46, da Taça de Portugal de 1941/42 e dos Campeonatos de Lisboa de 1943/44 e 1946/46. Esteve ainda presente nas Finais da Taça que perdemos contra o Benfica em 1939-40 e contra o Sporting em 1940-41, e previa-se a sua participação na final da mesma competição, de novo contra o Sporting, em 1947-48. Nesse mesmo dia, porém, para grande consternação de todos os belenenses, foi anunciado aos microfones do Estádio Nacional que teria que abandonar definitivamente a competição. Foi durante muitos anos considerado o melhor médio português e, na década de 60, José Augusto, o famoso jogador das grandes equipas europeias do Benfica e da selecção nacional de 1966, o considerava como o seu modelo. Amaro (1915 – 1987) é um grande símbolo de amor à camisola belenenses, que o fez recusar ofertas financeiramente tentadoras do Porto, do Sporting e de clubes estrangeiros.


Mariano Amaro, um homem de coração azul

Fonte: Caderno de "A Bola"


2. O Belenenses tem uma grande tradição de conquistas futebolísticas com treinadores principais. Já vimos que Augusto Silva, quando ganhámos o campeonato Nacional em 1946, foi o 1º treinador português a obter esse feito. Entretanto, igualmente a nossa 1ª vitória na Taça de Portugal se efectivou com um treinador português: Rodolfo Faroleiro, que também como jogador envergara a camisola belenense. Na final, disputada em 12 de Julho de 1942, o Belenenses ganhou ao Vitória de Guimarães por 2-0.

3. Em 12 de Junho de 1927, o Belenenses conquistou o seu primeiro título de campeão de Portugal em futebol, vencendo na final o Vitória de Setúbal por 3-0. Note-se que, embora disputado por eliminatórias, esse era o (único) modo existente como então se apurava a melhor equipa. Assim, em rigor, o Belenenses foi 4 vezes campeão português: 1 vitória no Campeonato Nacional e 3 vitórias no Campeonato de Portugal.

sexta-feira, junho 11, 2004

O estado da nação Belenenses

(Artigo da autoria de Joaquim Nunes, que gentilmente nos enviou este artigo para publicação)

Acho melhor começar pelos aspectos positivos.

Em primeiro lugar, temos um Presidente em que nos podemos rever com satisfação. O seu belenensismo é incontestável e comprovado ao longo de épocas. Não será, talvez, uma figura que se imponha na comunicação social – e vale a pena aqui perguntar se seria chamado, caso tivesse outros talentos como comunicador – mas é uma pessoa digna, que se distingue pela sua correcção e por uma evidente seriedade. Não é nem um “mafioso”, nem um arruaceiro, nem um pacóvio, como vemos em tantos casos, noutros clubes.

Em segundo lugar, adquiriu-se estabilidade e credibilidade financeira, que nos faz seres pagadores escrupulosos, honestos e pontuais, coisa de que muitos não se podem orgulhar.

Em terceiro lugar, precisamos de aplaudir o excelente património que se tem vindo a construir, a conservar ou a renovar no Restelo. O exemplo máximo, mas não único, é obviamente as obras no Estádio, de que cada vez mais nos orgulhamos, e que foi uma resposta digna aos estádios construídos para o Euro. Um sinal de resistência!

Finalmente, e em especial na última época, algumas excelentes prestações nas modalidades amadoras, de que a equipa de Basquetebol foi o expoente máximo, que tanto mais nos alegra e aquece a alma quanto é certo que se caracterizou por um espírito de luta magnífico e exemplar. Acresce, também, o bom arranque do Futsal, o título de rugby do ano passado e as boas prestações dos escalões jovens do futebol – apesar do mal esclarecido processo de saída do treinador dos juvenis.

Mas nem tudo são rosas. Pelo contrário, houve muitos espinhos e, além disso, o caminho para a frente parece ter muito mato cerrado.

Todos nos lembramos do que foi a última época futebolística. Mas já a de 2002/2003 tinha começado a adensar nuvens, apesar de um bom começo, que uma série de arbitragens incríveis que sobre nós se abateram não permitiu traduzir em mais pontos. Marinho Peres vinha insistindo que precisava de defesas, de mais defesas, porque era claro que a dupla Filgueira / Wilson já apresentava uma acentuada veterania. Toda a gente via mas deixou-se esticar a corda até ao limite. E quando vieram Odaír e Orestes, Manuel José resolveu dispensá-los. Fez-se-lhe a vontade. E deu no que deu…

Mas nós não somos dos que pensamos que as épocas anteriores de Marinho Peres (nesta sua mais recente passagem pelo Belenenses) foram gloriosas e correspondentes quase ao máximo a que podemos aspirar. Trouxeram apenas resultados razoáveis atendendo às circunstâncias (reequilíbrio financeiro), e assentes em três vectores: a sagacidade de M. Peres, os jogadores que ele descobria no Brasil em condições comportáveis, e um núcleo duro herdado de anos passados, basicamente o que resultou do esforço de novo regresso do purgatório da Divisão de Honra: Marco Aurélio, Wilson, Filgueira, Tuck, Cabral, Neca…

O facto é que há 15 longos anos que os inconformados adeptos belenenses (isto é, aqueles que ainda não estão por tudo) esperam e desesperam por um motivo para festejar no final da época. E quanto mais tempo passa, mais difícil se torna. Fomos, durante anos a fio, dos 4 únicos clubes que nunca haviam descido…perdemos esse estatuto. Fomos, durante quase 60 anos, um dos 4 únicos clubes a serem campeões nacionais…recebemos a companhia do Boavista. Já nem somos vistos como um clube candidato às competições europeias mas, sim, como um clube do sobe-e-desce.

Quem espera…desespera! Bem sabemos que ser do Belenenses exige uma têmpera especial… mas não abusemos! Todos os dias esperamos ansiosamente notícias para a próxima época. Está tudo ainda muito indefinido mas confiemos… dentro de limites. É preciso compreender o sentido da assobiadela do último jogo do triste campeonato 2003/4. É preciso compreender que queremos uma equipa que lute, que respeite e ame a camisola azul, que mostre um mínimo (“mínimo” é maneira de dizer) de qualidade de jogo. É preciso compreender que estamos fartos de tiros de pólvora seca, de conformismos, desorganizações e barracadas. É preciso compreender que estaremos ao lado dos responsáveis sempre que (mas só se) houver garra, determinação, ânimo inquebrantável. É preciso compreender que queremos ver as coisas bem feitas. É preciso compreender que já se devia estar a pensar na época de 2005/2006 (sim, não é engano), criando um sistema de prospecções a sério para preencher as debilidades que não possamos colmatar imediatamente e para construir uma equipa que, ano após ano, se torne mais forte, seja treinada por quem for. É preciso compreender que queremos olhar para cima e não para baixo, jogar para ganhar e não para empatar, para os lugares de topo e não para fugir ao abismo. É preciso compreender que estamos fartos de humilhações perante outros clubes, que achamos que a honra e a dignidade não têm preço. É preciso compreender que queremos ver o estádio cheio, mesmo que por causa do louvável acordo com a Digás, mas não para esperar um milagre de não descer, e sim para se verem boas exibições e conquistas, que façam vir mais público em vez de o afastar. Para que um dia não tenhamos o estádio totalmente vazio, mesmo com bilhetes oferecidos…

Pretérito Mais Que Perfeito... - dia 9



1. Vicente, um dos mais prestigiosos jogadores do Belenenses (e irmão do grande Matateu), ficou na história do futebol mundial como o jogador que melhor e mais correctamente marcou o “Rei” Pélé, quer no Campeonato do Mundo de 1966, quer em outros jogos pela Selecção Nacional e pelo Belenenses. A estreia de Pélé como sénior foi, aliás, num jogo do Santos contra o Belenenses.

2. No Campeonato Mundial de 1966, esteve ainda presente, como titular em todos os jogos, excepto no 1º, o Guarda-Redes José Pereira, o célebre “Pássaro Azul”. Ele fora já elemento fundamental na fase de apuramento, em especial no célebre e decisivo jogo conta a Checoslováquia, disputado naquele país, e que Portugal, reduzido a 10 jogadores, ganhou por 1-0, ao defender uma Grande Penalidade!


Portugal, no Mundial de 66


3. O Belenenses ganhou 5 Campeonatos Nacionais de andebol: em 73/4, 75/76, 76/77, 84/85 e 93/94. E, já agora, refira-se também que nos tempos do andebol de 11, foi campeão nacional em 1948/49.


Euforia no Acácio Rosa, com a conquista do título de Andebol

quinta-feira, junho 10, 2004

Pretérito Mais Que Perfeito - Dia 8



1. Na época de 1959/60, o Belenenses ganhou a Taça de Portugal, vencendo a final contra o Sporting por 2-1. Foi no dia 3 de Julho de 1960, no Estádio Nacional.


Matateu marca, na final da Taça de Portugal 1959/60


2. Na mesma época, o Belenense venceu ainda a Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa, batendo o Benfica na final por 5-0. Era nosso treinador Otto Glória, que também passou pelo Benfica, pelo F.C.Porto e pelo Sporting, e que treinou a selecção portuguesa no Campeonato Mundial de 1966, em que conquistámos o 3º lugar.

3. Ainda na mesma época, o Belenenses foi ganhar a casa do Benfica na úttima jornada, por 1-0, um grande golo de Matateu, impedindo assim que os encarnados fossem campeões invictos, como constava das faixas que haviam preparado.

quarta-feira, junho 09, 2004

Selecção do dia: Portugal



A selecção Portuguesa é, à partida, mais respeitada pelos adversários do que considerada pelos adeptos lusos. Olhando para esta selecção e comparando com as equipas apresentadas nos últimos 2 Europeus, vê-se uma equipa sem fio de jogo, pouca garra, incapaz de caír em cima dos adversários e a viver da inspiração individual dos jogadores. É, no entanto, uma das selecções que pratica um futebol atractivo, assente em técnica elaborada, feito de passes curtos e burilados, mas sem objectividade. Como disse uma vez Gary Lineker: "Se deres uma bola a um miúdo português, ele dá toques até se cansar. Se a deres a um inglês ou alemão, ele procura logo uma parede para rematar contra ela".

Em termos de jogadores, é uma equipa de opostos, com estrelas do futebol europeu na fase descendente da carreira, e outros jogadores que agora ascendem. Na baliza, Ricardo deverá ser, injustamente o titular. Na defesa, destacam-se nomes como Fernando Couto, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira. No meio-campo defensivo, surge um nome muito respeitado na europa do futebol, Costinha. Mais à frente, o Galático Figo é acompanhado do Milanês Rui Costa e do Campeão Europeu Deco. Outros nomes a considerar no meio-campo incluem o todo-o-terreno do Porto, Maniche e a estrela do Benfica, Simão, que deverá ficar encarregue da "asa" esquerda. No entanto, uma surpresa poderá ser a inclusão da "next big thing" do futebol Português, Cristiano Ronaldo do Manchester United, no lugar de Simão.

Portugal está incluído no Grupo A, juntamente com a Rússia, Grécia e Espanha. As selecções Ibéricas são, em primeira análise, as favoritas a passar o Grupo. No entanto, este é um Grupo bastante equilibrado e os resultados do primeiro jogo de cada selecção serão fundamentais para aquilatar das hipóteses de cada selecção. Scolari estabeleceu um lugar nos 4 primeiros como um Europeu bem sucedido, mas a verdade é que se a selecção portuguesa passar os grupos, já cumpriu um objectivo. A partir daí, e consoante o adversário, poderão ser estabelecidos novos objectivos.

PORTUGAL!!!



Palmarés - nada a registar

Década de 90: Parte II



Embora não tenha dado lugar ao que propriamente se possa chamar grandes assistências, mas apenas razoáveis, gostava de lembrar o início da época 92/93. Regressámos pela segunda vez da 2ª Divisão e entrámos muito bem no campeonato. A um ano da incúria, caída a direcção de Ferreira Matos / Joaquim Cabrita, seguiram-se excelentes contratações, de que destaco o Emerson (com o qual acho que fizemos péssimo negócio com o Porto), o Mauro Airez (que o Benfica nos rapinou, numa chico-espertice género Paulo Madeira) e o Luíz Gustavo. Estivemos várias jornadas em 2º (mas acabámos em 6º). Houve algumas boas assistências no início dessa época, por exemplo em jogo contra o Guimarães (então treinado por Marinho Peres; o nosso treinador era Abel Braga). Ganhámos por 3-0, após excelente exibição, com cerca de 15.000 espectadores. O Topo Norte estava bem composto, e as bancadas dos sócios também estavam bastante razoáveis.

Nessa altura, a televisão começou a transmitir cada vez mais jogos, e mesmo nos embates contra os clubes mais populares (que passaram a ter lugar ao Domingo à noite, à 2ª feira, etc.) as assistências diminuíam em flecha. Por exemplo, num Domingo à noite dessa época, em jogo com o Benfica, não terão estado mais que umas 10/12 mil pessoas (mesmo assim, quase o dobro do Belenenses-Benfica desta época). Então, porque aludo aqui a esse jogo? Porque ele foi bem sintomático. Foi um jogo vivamente disputado, de “faca na liga”, como disse um jornal na altura, que terminou empatado 1-1. Mas os incidentes justificam referência. Fizemos uma excelente 1ª parte e ao intervalo ganhávamos 1-0. Durante o intervalo, uma horda de animais das claques do Benfica atiraram-se ao senhor (com 60 ou 70 anos!) que tomava conta do marcador, agrediram-no e “emendaram o resultado” para 1-10. Perante a correcta indignação dos sócios do Belém na respectiva bancada, resolveu a mesma matilha investir, com todo o tipo de armamento bélico, caras vendadas e símbolos neo-nazis. Após alguma passividade, a polícia lá interveio, quando muitos deles já subiam redes separadoras. São assim, os nossos amigos do Benfica! (Eu digo isto, mas não confundo aqueles arruaceiros, de qualquer forma uns milhares, com as muitas pessoas de bem, entre as quais alguns amigos, que são do Benfica. Felizmente, pois se todos os adeptos do mais popular clube português fossem como aqueles energúmenos, então isto era a selva total).



A seguir ao intervalo, o terrorismo chegou dentro do campo. Logo nos primeiros minutos, interpretando (?) mal a recém-criada regra de penalizar certos tipos de atraso para o Guarda-Redes, o senhor árbitro inventou um livre quase dentro da nossa baliza, de que resultou o golo do Benfica. E resolveu também expulsar o nosso jogador Taira. Em seguida, o jogo descambou para contínuas picardias entre os jogadores. De ambos os lados, note-se. As equipas acabaram ambas reduzidas a 9. No plano técnico, o árbitro continuou a acumular decisões duvidosas contra nós (pelo menos uma dentro da área do Benfica). Mesmo no fim da contenda, Luís Gustavo, a passe de Mauro Airez, enviou a bola estrondosamente à trave da baliza do Benfica (na 2º parte, como é mais habitual, atacávamos para o lado do Tejo). Seria um golo sensacional… O incrível, é que o capitão do Benfica, Veloso, meses mais tarde, teve a desfaçatez de referir-se ao árbitro dizendo que já os tinham prejudicado no Restelo! Maior lata, só a do Mozer sobre o nosso 1º golo na final da Taça que ganhámos em 89, e que contarei adiante…Arbitragens piores, houve muitas, bastando lembrar duas delas: a da 1ª jornada do ano da nossa 1ª descida (81/82), em que saímos de Alvalade com um empate 2-2 e com …8 jogadores, mais um penalty inventado contra nós, a escassos minutos do fim, tão escandaloso que os sócios do Sporting, justiça seja feita, gritavam ao Jordão para atirar a bola para fora, na concretização (o que ele, claro, não fez, nem tinha que fazer, com profissional que era); ou a da última descida (97/98), aquele jogo no Restelo, também contra o Benfica, em que perdemos 2-1, com uma bola que não entrou e com um fora de jogo aí de uns 10 metros. E tantas outras, tantas outras, quase sempre contra os mesmos…

(Artigo da autoria de Eduardo Torres, com continuação na próxima semana.)

Pretérito Mais Que Perfeito...



1. O Belenenses foi 5 vezes campeão nacional em Râguebi: nas épocas de 1958/59, 1962/63, 1972/73, 1974/75 e 2002/2003.

2. Na mesma modalidade, o Belenenses ganhou a Taça de Portugal de Rugby por 3 vezes: em 1959, em 1964 (contra o Sporting) e em 2001 (contra o Direito).

3. Logo no 2º jogo da selecção nacional de futebol, contra a Espanha, em 17 de Dezembro de 1922, o Belenenses esteve representado (por Alberto Rio). Durante 22 jogos seguidos, até ao 23º, em 23 de Fevereiro de 1930 (vitória contra a França por 2-0, golos do nosso Pepe), sempre houve jogadores do Belenenses na selecção. Maior ainda, foi a série entre 26 de Janeiro de 1936 (Áustria, 2-3) e 9 de Abril de 1950 (Espanha, 2-2): 32 jogos e mais de 14 anos, sempre com jogadores do Belenenses! Ainda outras séries: 19 jogos, entre 12 de Maio de 1951 (País de Gales, 1-2) e 8 de Abril de 1956 (Brasil, 0-1); 10 jogos, entre 16 de Maio de 1959 (Suiça, 3-4, com 1 golo de Matateu) e 21 de Maio de 1961 (Luxemburgo, 6-0, com 3 golos de Yaúca).


Fichas do 2º e 23º jogos da Selecção Portuguesa

terça-feira, junho 08, 2004

Caso Paulo Madeira... e dura, dura, dura...

Hoje surgiu num jornal a alusão a que o acordo para resolução do caso Paulo Madeira passava por 700 mil euros para o Belém, mais preferência sobre a lista de dispensados...

Na minha opinião, isto não passa de especulação, pois a ser verdade já havia sido noticiado e com muito relevo, pelas excelentes qualidades de negociante de Luís Filipe Vieira.

A ser verdade, este acordo é um crime para o Belenenses:
- perdoamos mais de 50% do valor em falta
- neste momento temos uma gestão corrente equilibrada, não necessitamos com urgência do dinheiro
- o Benfica NÃO pode ter dividas para se inscrever na Champions League
- temos preferência sobre a lista de dispensados, que é uma coisa abstrata. O que significa? Vêm dispensados emprestados ou a titulo definitivo??? Daqueles que querem vir "rodar" ou dos que querem vir jogar? E os emprestados, o ordenado é todo por nossa conta? Afinal, estamos a valorizar um activo alheio... e já agora, também se lê que o Alverca tem direito de preferência sobre a lista de dispensas encarnada.

Para mim, um bom acordo passava por:
- 1 milhao de euros (já levam um desconto de meio milhão)
- cedência definitiva de Rodolfo Lima, Cristiano, Manú e Zé Rui. Ou então, só Rodolfo Lima e Amoreirinha.