quinta-feira, dezembro 04, 2008

Quarto de Hora à Belém XVII




Amigos Belenenses, as coisas não estão famosas. A equipa joga mal e os resultados não aparecem.

Foi com muita pena, que muitos sócios e simpatizantes que estiveram presentes nas bancadas do Restelo, na passada semana, assistiram a um jogo pobre e sem “alma”, por parte do nosso Belém. Muito se deve, como muitos o afirmam à fraca qualidade do plantel, mas não só. A parte táctica do jogo também não é pensada.

A equipa inicial foi mal estruturada, senão vejamos. A colocação de Arroz na posição de trinco foi mal pensada, pois o mesmo jogador já se tinha estreado nessa posição, jogando muito mal frente ao Porto, logo na primeira jornada. Arroz é um jogador lento, que não pode jogar numa posição tão importante, como é a de pivot defensivo. A primeira fase de transição meio-campo - ataque foi assim, mal feita. Outra falha, que penso que prejudicou o jogo em termos estratégicos, foi a não inclusão de Vinicius Pacheco no onze titular. Antes disso, colocou-se Wender, um jogador que não “tapa” bem o flanco esquerdo e não ajuda na defesa. Ora para um extremo direito de origem, adaptado a lateral direito, como é o caso de Paulo Jorge (logo tem rotinas ofensivas) foi mais fácil explorar o flanco esquerdo do Belém (que diga China!). Foi assim quase todo o jogo. E foi logo notório nos primeiros minutos de jogo. Uma bola ao poste por parte do Marítimo, logo nos minutos iniciais e ainda tiveram direito à consequente recarga. Com uma defesa assim, como poderá o clube resistir? Mais de 12 golos sofridos à 10ª jornada é muito golo!

Na minha opinião e repito, foi mais uma vez um erro de estratégia de jogo. E a equipa não estudou o Marítimo. Mas o Marítimo estudou-nos bem. Assentou a sua organização de jogo numa primeira fase em Bruno (era sempre ele que fazia a transição meio campo – ataque, ao invés de Arroz, que diga-se não tem capacidade para trinco) e na velocidade de Marcinho, na posição dez. Aí o Marítimo percebeu dada a fragilidade de Arroz, que teria que ser rápido e aproveitar o flanco esquerdo do Belém. Surgiram então os passes para as costas dos defesas do Belém e os dois avançados do Marítimo eram quase extremos, que aproveitavam as falhas do Belém. Nada de novo, este esquema do Marítimo, colocando bolas para os espaços vazios, aproveitando a velocidade dos seus jogadores vem desde dos tempos da Hunriga de 54.
Portanto, penso que o Belém perdeu devido à sua inexistência em termos tácticos.

Gostei da estreia de André Almeida, pois é sinal de que pelo menos há uma tentativa de apoiar os jovens e de trazê-los à ribalta. Também gostei do início da segunda parte do Belenenses, mas como já muito se batalhou nesta questão, falta um matador. Mas a entrada de Marcelo revelou-se positiva para o jogo. Pior foi em termos tácticos. E achei injusto que o jogador em melhor forma no nosso Belenenses, começa-se o jogo ao banco. Se é um aviso a Vinicius penso que é injusto, pois há jogadores como Arroz, Carciano e Alex que não se vêem melhoras. Lentos e desorganizados, ficam estas ideias que ilustram bem este jogo.

Muito se tem divagado sobre esta equipa, sobre estes jogadores, mas há um grupo que gostava de destacar. Já o poderia ter feito há mais tempo, mas vou agora fazê-lo. Falo, claro está da Fúria Azul. Estes rapazes, simbolizados pelo nosso grande Lú, fazem milagres no acompanhamento à equipa. Por vezes perdemos a paciência, por vezes estamos mal dispostos, por vezes nem nos apetece cantar ou por outras vezes estamos chateados com o clube. Mas a paixão está sempre lá. Nunca abandonam o clube e quando têm de criticar também criticam. É essa a diferença. É este tipo de pessoas que dá e personifica a continuidade do clube para sempre. Se querem uma confidência, é por estas pessoas e pelo clube em si, que neste momento vou ao Restelo. Não por esta equipa a jogar futebol, vou pelo convívio, por esta gente. São estas pessoas que merecem a nossa atenção e não uns meros simplistas que dão uns pontapés na bola, sem conhecerem a real importância do nosso clube. Um bem-haja à Fúria Azul e a muitas pessoas que estão por lá! Nunca percam este espírito de apoio incondicional ao clube e de respeito ao próximo. O clube precisa deles e só faço uma critica, é que se aparecessem todos os sócios da Fúria em todos os jogos, estaríamos com mais apoio e mais força nos cânticos.

Noutro ponto da minha rubrica e peço desculpa porque já vai longa, gostava de abordar a entrevista do sr João Barbosa. Não o conheço pessoalmente e verifiquei no jogo do futsal em que ganhámos ao Instituto D. João V (mais uma vitória dos conquistadores que assim aproximam-se da Fundação) que o sr João Barbosa estava no pavilhão a acompanhar as incidências do jogo. A Comissão de Gestão estava bem representada por dois elementos, dando a entender que está para resolver e acompanhar o clube de perto. Ora na entrevista fica a ideia de um clube “adormecido”, com uma crise económica grave e com um futuro algo incerto. Mas retive uma ideia importante, a abertura de capital na SAD. Penso que esta medida irá mais cedo ou mais tarde prevalecer, pois o clube não tem receitas para fazer face ao passivo de 10 milhões de euros aproximadamente, segundo a entrevista. Para isso há que abdicar de um total poder do Belém, autónomo, para um poder mais condizente com a realidade. Não pode ser só uma pessoa a gerir os clubes autoritariamente, têm que ser mais pessoas, com novas ideias, sustentadas de um bom marketing. Penso que esta medida a ser aplicada levará o Belém de novo a bom porto, pelo menos iria estar mais de acordo com os tempos modernos. Perguntam poderá ser um risco? Sim é um risco, mas também foi e é neste momento um risco a nossa gestão, de dia a dia, sem resolver problemas a longo prazo. Será um risco continuar com gestões passadas e sem relevo, baseadas em maus resultados que todos nós sabemos.

O clube precisa da Fúria Azul, dos sócios, de bons jogadores mas acima de tudo precisa e necessita de um rumo! Rumo esse que só nós podemos escolher e efectivar.

Saudações Azuis!
Nuno Valentim

Sem comentários: