quarta-feira, março 02, 2005
DESILUSÃO
Para mais tarde fica a análise às incidências do jogo.
Por agora apenas quero referir que se trata de um enorme balde de água fria, uma desilusão que nos enche a todos de tristeza.
terça-feira, março 01, 2005
Objectivo... TAÇA!
De facto, o grande fantasma do Belenenses nesta Superliga chama-se falta de objectivos, ou se quisermos ser mais analíticos, o estabelecimento de um objectivo que não é carne nem peixe. Com um plantel com algum valor, capaz de aspirar a muito mais que a manutenção, obviamente o nosso objectivo não poderia ser a fuga à despromoção, pois essa no início da temporada, excepto um cataclismo (como o da temporada passada), estava já afastada do horizonte. Então, se em 18 equipas claramente 7 ou 8 estabelecem como objectivo não descer, qual será o nosso papel no seio das 10 equipas restantes? 3 assumem claramente o ataque ao título, restando então comente 7 equipas. Dessas 7, pelo menos 4 definem como prioridade o acesso às competições europeias. Restam portanto 3, na minha óptica Belenenses, União de Leiria e Nacional da Madeira. São equipas com plantéis com algum valor, que possuem alguns dos melhores jogadores da Superliga (Antchouet, Edson ou Adriano, por exemplo), capazes de jogar em qualquer equipa do campeonato, mas que por um motivo ou outro estabelecem o objectivo do campeonato tranquilo e o resto “logo se vê”.
A situação do Leiria facilmente se compreende dada a sua falta de bases de apoio que só uma gestão rigorosa e interessante do ponto de vista desportivo é capaz de manter ano após ano entre a primeira metade da tabela, com algumas “gracinhas” pelo meio. Atente-se só em alguns dos jogadores do Leiria e perceba-se que há claramente inteligência: Helton, internacional A Brasileiro, um guarda-redes de bom nível, é de há alguns anos a esta parte, mais birra menos birra, o guardião da baliza ; no lado esquerdo, Edson vive o drama de jogar na Superliga, já que é preferível contratar um Fyssas, um Dos Santos ou um Leandro, completamente desenquadrados da realidade nacional e cujo valor futebolístico é duvidoso, a contratar aquele que tem sido um dos melhores jogadores do campeonato nos últimos anos. Mas todo o mérito vai para a sua contratação por parte do Leiria, que o conseguiu trazer para Portugal depois de ter passado um ano no Brasil após uma passagem não muito bem sucedida pelo Marselha, onde mesmo assim jogou durante toda a temporada com regularidade, numa equipa que atingiu a final da Taça UEFA nesse ano ; na frente, Krpan vem para o Leiria após ser o melhor marcador do campeonato Croata. Apesar de pessoalmente não o considerar um grande jogador, é claramente um jogador de classe e que tem vindo a ser importante na manobra Leiriense ; João Paulo continua esquecido em Leiria e faz dupla com Renato que passou uns meses no Leixões a pensar que ficaria rico tendo depois percebido que rico só no papel, que em termos monetários era complicado “ver” o prometido ; Otacílio é um experiente trinco brasileiro, que fez a carreira em clubes de topo e dá uma óptima consistência ao meio-campo defensivo, onde tem a seu lado Paulo Gomes, mais um a viver o tal “drama de jogar na Superliga”. Há ainda outros jogadores no plantel com bastante interesse, mas só estes já dão para formar uma equipa interessante e não seriam de desdenhar por um qualquer candidato ao título. É pelo menos esta a minha opinião. E Mourinho também disse que com 3 jogadores do Leiria (ou de qualquer Leiria deste campeonato) conseguiria ser campeão. Foi campeão, nacional, da Europa e do Mundo (porque o título mundial é mais dele que de qualquer outro treinador) com Valentes, Ferreiras, Tiagos, Macieis, Derleis e outros que tais… Compreendo que, apesar deste plantel recheado de valores, o Leiria tenha sempre ambições modestas. Porque como já foi referido, assenta numa base de apoio inexistente.
Já o Nacional da Madeira é um caso diferente: graças aos impostos de todos os portugueses, chega ao Brasil e compra, troca e destroca jogadores de topo como lhe apetece. Se os outros vão ao Ipatinga ou à Portuguesa Santista buscar o ponta-de-lança suplente, o Nacional vai ao Palmeiras ou ao Cruzeiro buscar o tal ponta-de-lança suplente. Surgem assim na Madeira alguns bons valores Brasileiros que, mesmo assim, têm dificuldade em dar alguma consistência ao Nacional, o que não poderá ser dissociado do peso da insularidade, situação igualmente vivida pelo Marítimo, que no entanto já se conseguiu libertar um pouco dessa situação.
Temos então o nosso Belenenses, com um plantel equilibrado, alguns bons jogadores, uma base de apoio interessante do ponto de vista nacional, situação financeira estável e que, numa análise a frio, parece ter condições para aspirar a muito mais. Então porquê tão pouco? Tem-se falado que este, mais que um ano zero (que é normalmente o que temos ano após ano, nunca chegamos ao ano 1 e, a única vez que chegámos nos últimos anos, com Marinho Peres, fomos escandalosa e deliberadamente “empurrados” para o meio da tabela), é até um ano menos um. Não um ano de transição, mas um ano de transição na renovação. A construção da tal “espinha dorsal” para os próximos anos parece estar a ser feita, restando-me desejar que o trabalho efectuado não seja destruído já no próximo Verão. A renovação com o treinador, apesar de eu ser assumidamente contra contratos prolongados (mais de uma temporada) com treinadores, pois na minha óptica eles são meras “peças” do projecto e não os “mentores” do projecto, deixa algumas garantias que há um trabalho que está a ser feito com continuidade. Mantendo a base deste plantel e contratando não mais que 3 jogadores que façam a diferença, poderemos aspirar a um dos 5 ou 6 primeiros lugares na próxima época. Aliás, justiça seja feita, se houvesse honestidade na Superliga, o Belenenses teria neste momento mais uns 8 pontos e em vez de estarmos com a “boca seca”, estaríamos a lutar pelo título… mas apesar de tudo, temos de ser também nós honestos e perceber que este Belenenses não tem “estaleca” para tão altos voos. Mas será que os assumidos candidatos têm? Ou não passam de bluff e uma “boa imprensa” que lhes dá toda a cobertura?
Resta-nos então a Taça, da qual se disputam os Quartos de Final já amanhã, na Amadora, ante o Estrela da Amadora. Quais serão os objectivos na Taça? Serão os mesmos dos adeptos? Será que a equipa e dirigentes têm a mesma noção dos adeptos, que temos este ano uma boa oportunidade de levantar a Taça (tal como o ano passado, onde infelizmente falhámos penosamente)? Como iremos jogar à Amadora? Jogar jogo a jogo, calmamente, esperando o desenrolar do jogo e que a sorte nos sorria? Ou entraremos demolidores, com vontade de resolver o jogo com 2 ou 3 golos logo na 1ª parte, pois a ambição de levantar a Taça sobrepõe-se ao respeito por uma das melhores equipas da 2ª Liga? E os nossos jogadores emprestados ao Estrela, jogarão contra nós? Mauro e Rui Borges, apesar de não serem fundamentais na manobra do Estrela, são jogadores com valor e que nos podem complicar a vida. Ora se nós somos “anjolas” quando jogamos contra quem nos empresta, será que também seremos “anjolas” quando jogamos contra aqueles a quem emprestamos?
Amanhã, na Amadora, espero sinceramente que haja uma invasão azul. Espero que pelo menos os adeptos Belenenses ainda sejam ambiciosos e desejem ganhar a Taça. Espero que com bilhetes a preços razoáveis (honra seja feita à Taça), um mar azul inunde a Reboleira, independentemente do frio, da chuva, do dia ou da hora.
Porque o Belenenses tem história, mas precisa urgentemente de fazer ainda mais história! Porque a história vale o que vale, e sempre há-de relembrar as conquistas do passado. Mas dos fracos não reza a história. E se ontem éramos fortes e inolvidáveis, não continuemos neste marasmo de ambição e a fazer correr o tempo, correndo para o esquecimento. Porque há que marcar o golo da vitória o mais cedo possível, sob pena da derrota final ser inevitável. E perpétua.
domingo, fevereiro 27, 2005
Andersson pretende ficar
Em entrevista ao Site Sueco Fotbolldirekt o jogador Andersson, do Belenenses, falou sobre a sua situação futura e sobre o actual momento que vive no Belenenses, inclusivé da competição interna com Rui Ferreira por um lugar no 11.
Das suas afirmações, destacam-se as seguintes:
- "Gosto muito de aqui estar, espero permanecer mais uns anos."
- "Penso que tenho uma posição importante dentro do clube e este afastamento que começou com uma lesão é temporário e o resto da temporada correrá pelo melhor."
- "Não tenho podido treinar ao máximo desde que me lesionei, daí a ausência da primeira equipa."
- "Voltarei a conquistar o meu lugar no 11. Provavelmente, passarei a jogar com Ferreira no meio-campo. Somos dois tipos diferentes de jogador e eu provavelmente ficarei com um papel mais ofensivo. Mas não será por isso que marcarei muitos golos (risos)."
Nesta curta entrevista, salienta-se a vontade continuar em Portugal e também a vontade de reconquistar um lugar no 11 por parte de um jogador que começou a época como capitão e vinha a ser um dos mais regulares da Superliga.
Liga TMN: Duelo de Titãs
Dos adeptos azuis espera-se que marquem presença, aproveitando o frio que se faz sentir (e que não motiva ninguém para andar na rua...) para recolherem ao Pavilhão Acácio Rosa.
sábado, fevereiro 26, 2005
Marcar passo...
Futebol
Penafiel, 0 - Belenenses, 0
Apenas a vitória interessava aos Belenenses, num jogo contra uma das equipas mais fracas do campeonato, que havia sido goleada no Restelo na 1ª volta. Mais do que uma boa exibição exigiam-se 3 pontos que permitissem iniciar a preparação de uma difícil série de jogos com a tranquiilidade que se impõe... Todavia nem 3 pontos, nem exibição digna de registo. E diz quem viu que o pontinho somado nem foi tão mau assim, tendo em conta que foi o Penafiel a equipa que mais perto esteve da vitória.
Contas feitas passamos a somar 29 pontos, e mantemos o 12º lugar da tabela, logo atrás da UD Leiria, que foi buscar 1 ponto ao Porto, perante a violenta equipa do Boavista.
Andebol
Ginásio do Sul, 29 - Belenenses, 26
A partida que colocou frente a frente 5º e 6º classificados do campeonato da Liga, respectivamente Belenenses e Ginásio do Sul, disputou-se no Pavilhão da equipa almadense, na Cova da Piedade.
Começou melhor o Belenenses, que iniciou a partida com o seguinte 7: Humberto Gomes, Diogo Pinheiro, Bruno Moreira, Tiago Silva, Pedro Matias, Jorge Meneses e João Pinto. Depois de quase 4 minutos sem golos, o Belenenses colocou-se em situação de vantagem através de Bruno Moreira.
Os primeiros 15 minutos da partida foram controlados pela equipa azul, que chegou aos 2-5 com relativa facilidade. O Belenenses jogava em ataque organizado, tentando envolver toda a equipa em bonitas combinações ofensivas e tendo como objectivo central colocar a bola no pivot ou, em alternativa, em homens soltos e prontos para o remate.
O Ginásio optou por outro estilo de jogo e desenvolveu a sua estratégia com base em duas soluções extremamente eficazes: os remates da meia distância e a velocidade e poder de remate do seu ponta esquerda. Nunca os almadenses tentaram jogar bonito, nem apresentar jogadas demasiados elaboradas... os golos todaviam começaram a aparecer.
A fase inicial da partida fica ainda marcada pela apresentação de vários cartões amarelos a jogadores do Belenenses, bem como pelo recurso excessivo da equipa de arbitragem aos 2 minutos de exclusão... A primeira parte terminava com o marcador em 15-13, favorável à formação da margem sul.
A segunda parte não trouxe grandes novidades, a não ser um maior nervosismo por parte dos jogadores azuís, que tentavam jogar andebol bonito mas pouco eficaz: os ataques da equipa belenense esbarravam no guarda-redes do Ginásio (na nossa opinião o melhor jogador em campo) ou em decisões "caseiras" da equipa de arbitragem, que assinalou sucessivas faltas ofensivas, incluindo inacreditáveis situações de invasão da área...
O Ginásio ia mantendo a diferença na casa dos 2 / 3 golos, gerindo a situação de forma inteligente, contra um Belenenses que jogava com o coração e não com a cabeça. João Pinto era o rosto do inconformismo azul, assinando golos de belo efeito e, simultaneamente, exagerando nas iniciativas individuais.
No final o marcador assinalava 29-26. O Ginásio vencia o jogo sem nunca ter jogado bonito... Venceu a equipa mais pragmática, numa partida que revela bem a falta de ritmo competitivo das equipas da Liga, vítimas de guerras e problemas a que são alheias.
Sobre a nossa equipa: fica a ideia de que se trata de um conjunto cheio de talento, que sabe jogar andebol em equipa, mas ao qual falta experiência e calma, bem como soluções tão básicas como um canhoto a jogar na ponta direita do ataque... Acredito todavia que esta equipa tem condições para conseguir melhor e dar alegrias aos sócios, numa modalidade de que tanto gostam os belenenses!
Apito dourado... volta, estás perdoado!
Desta vez, e perante um pedido do CF "Os Belenenses" para o agendamento de uma reunião com a Comissão de Arbitragem da LPFP, o inacreditável aconteceu: Luis Guilherme recusa-se a receber os representantes do Belenenses, ao contrário do que aconteceu no passado com outros emblemas.
Segundo o diário A BOLA, Barros Rodrigues guarda uma reacção para depois do confronto desta tarde em Penafiel, o que constitui uma posição sensata. Todavia espera-se da SAD e dos seus responsáveis uma resposta firme e contundente. Aguardemos, caros consócios, pelo momento certo... mas não o deixemos passar, uma vez mais, sob pena de cair no esquecimento mais um episódio caricato deste mundo quase extraterrestre que é o futebol.
Apito dourado, volta! Estás perdoado!
O jogos entre vizinhos
Trata-se por isso de um jogo que pode cavar ainda mais a diferença, em caso de vitória azul. A vitória é mais do que necessária: é obrigatória! E ninguém dúvida que temos fortes possibilidades de a conseguir. O Belenenses demonstrou no último jogo uma atitude que importa manter, verdadeiramente guerreira, e tem todas as condições para trazer para Belém os 3 pontos que são afinal o objectivo central da partida.
Antchouet é a novidade depois de dois (habilidosos) jogos de suspensão. O nosso desejo é que marque pelo menos dois golos, compensando a equipa, o clube e a sua própria conta pessoal de golos. Por outro lado é tempo de Carvalhal perceber que no Belenenses não há lugares cativos na equipa, e que se impõe por um lado a aposta em Neca e por outro a substituição de Zé Pedro.
De resto só espero que a defesa mantenha os níveis de concentração de outras partidas, pois os veteranos de Penafiel são matreiros e fazem do oportunismo a sua grande arma.
Agenda Azul
Futebol
18:30h - Super Liga: Penafiel - Belenenses (Estádio 25 de Abril)
15:00h - Nacional de Juniores: Belenenses - U.Madeira (Restelo, Relvado 2)
Andebol
18:00h - Liga: Ginásio do Sul - Belenenses (Pavilhão do G.Sul, Almada)
Voleibol
15:30h - Seniores femininos (II Divisão): AD Maristas - Belenenses (Pav. Maristas, Lisboa)
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
Afastamento temporário
Continuaçao do post.
Basket: Unidos a caminho da vitória
O Belenenses recebe já no domingo a equipa do Ovarense num jogo relativo à 20ª jornada da Liga TMN. O encontro será disputado no Pavilhão Acácio Rosa ás 16:00 e esperamos que seja o regresso dos "Guerreiros" às vitórias. Para mais informações sobre este jogo e sobre o basquetebol azul visite www.belenensesbasket.com.
Falta de actualizações
Esperamos que em breve seja retomada a actividade normal do blog.
terça-feira, fevereiro 22, 2005
ENTRE O PASSADO E O FUTURO - OS ÚLTIMOS 15 ANOS
Por estranho que possa parecer, a última alegria realmente muito grande que o Belenenses nos deu, a conquista da Taça de Portugal em Maio de 1989, abriu a porta para o regresso à tristeza. Claramente, como já escrevi, não houve força ou ambição para ir mais longe, para continuar a ressurgir. Desinvestiu-se, e a época seguinte, a de 89/90, já representou um passo atrás. Depois, não houve nenhum festejo organizado dessa vitória, nem ela foi minimamente explorada, em termos psicológicos, para criar mais elán, como se impunha. Essa indiferença aos factores psicológicos – sobretudo o quase horror à psicologia das massas – é algo de tristemente continuado no Belenenses. Mais tristemente ainda: quando se fala nisso, são muitos os adeptos que se não interessam, que permanecem indiferentes, que acham que essa questão não merece um comentário. E assim, infelizmente, tal é ignorado nas candidaturas eleitorais.
Repito: depois da vitória na Taça, o Restelo parecia estar em hibernação. As assistências diminuíram drasticamente, porque não havia chama. Já antes escrevi isto mas repito porque vejo a insistência no erro de que o aumento da presença de público no Restelo é (ou será) basicamente uma consequência de bons resultados. É falso. Os factos mostram uma coisa diferente.
Bom, mas o pior estava para vir. Na sequência da já por nós repetidamente explicada vitória de Ferreira de Matos (excelente mas completamente inadequada pessoa) nas eleições de 1990 (péssima escolha dos sócios), o que restava de esperanças de reassunção da grandeza do Belenenses iria esboroar-se completamente. Nunca conseguirei perceber como é possível que, um ano depois da vitória na Taça de Portugal, os sócios tenham optado pela falta de ambição e pelo folclore menorizante. Mas enfim... As más escolhas pagam-se; e o preço foi a descida de divisão, um mar de dívidas, a entrada no anedotário nacional. Mas ainda há gente que olha as eleições com ligeireza e que, embora pense o contrário, estaria pronta para votar num Ferreira de Matos ou num Matias! Tenho a absoluta convicção disso! Ainda bem que não se perfila nenhuma candidatura assim para as próximas eleições. Caso contrário, seria vitória quase certa....
Foi talvez o maior golpe que nos auto-infligimos na história do Belenenses. A partir daí, não mais se podia sustentar que tínhamos descido (só) uma vez, por acidente. A partir daí, descer (ou não) passou a ser um facto para se lidar habitualmente! A partir daí, cada vez mais se multiplicaram os ignorantes da história do clube – e pior do que isso, que fazem gala em a espezinhar -, prontos a estarem de joelhos perante os nossos 3 velhos rivais (por causa de um Paulo Sérgio ou de um Rodolfo Lima, por exemplo) e a assanharem-se com o Penafiel ou o Gil Vicente. Às vezes, verifico, com espanto, que há gente que parece preferir que estivéssemos a lutar pelos 1ºs lugares...de uma divisão secundária!
O que restava da alma do clube ainda teve um sobressalto. Na histórica Assemblei Geral de Dezembro de 1990, num erguer de braços unânime, os dirigentes foram destituídos e eleita uma Junta Directiva, liderada pelo Major Baptista da Silva. Foi já tarde para evitar a descida de divisão mas a acção da Junta foi meritória e veio trazer um balão de oxigénio ao Belenenses.
A fim de garantir o retorno imediato à 1ª divisão, a equipa foi reforçada com jogadores de qualidade (Emerson, Mauro Airez, Luís Gustavo). Pôs-se, naturalmente, fim, à experiência dos empréstimos do ano anterior. Depois de um mau começo, a equipa embalou no 2º terço do Campeonato, agora com Abel Braga a treinador, e assegurou a subida.
A época de regresso começou com bastante fulgor, excelente futebol e boas assistências; e o regresso às competições europeias esteve por um triz. Seria ainda possível um ressurgimento do Belenenses?
A época seguinte, com três treinadores – Abel Braga, José António e José Romão – traria a (de qualquer maneira previsível) negação dessa hipótese. Entretanto, ao Presidente António Moita, de boa memória, sucedera Luís Pires, sem dúvida um belenenses de gema e com vontade de singrar mas muito instável, ou seja, sempre a mudar o plantel da equipa de Futebol. Na sua Presidência, fica, no entanto, o registo de mais um título – o 5º - de Campeão Nacional de Andebol, cuja última jornada teve lugar em Março de 1994.
Apesar de tudo, entre a 2ª metade de 1992 e a 1ª metade de 1994, o Belenenses viveu uma breve Primavera. Vejamos de que modo isso se reflectiu nas modalidades extra-Futebol:
1992 - Campeão Nacional de Juniores, em Pólo Aquático. Campeão Nacional de Ténis, em Veteranos. José Pinto presente nos Jogos Olímpicos pela 3ª vez.
1993 - Vice Campeão Europeu de Triatlo, por Equipas. José Mariz, Campeão Europeu de Triatlo. Campeão Nacional de Juniores, em Râguebi. Vencedor da Taça de Portugal de Juniores, em Râguebi. Vitória na Taça Ibérica de Râguebi, em Juniores. Campeão Nacional de Hóquei em Campo. Campeão de Lisboa de Infantis, em Hóquei em Campo. Campeão de Lisboa de Juniores, em Hóquei de Sala. Estreia na Taça da Europa de Bilhar às Três Tabelas. Campeão Nacional de Ténis, em Veteranos (7ª vez consecutiva). Campeão Nacional de Patinagem Artística, por Equipas. Rita Falcão, Campeã Nacional de Patinagem Livre. José Pedroso, Vice campeão Europeu de Lançamento do Martelo, em Veteranos. Joana Serpa presente nos Campeonatos do Mundo de Ginástica Rítmica.
1994 - Campeão Nacional de Andebol. Campeão Nacional de Juvenis, em Râguebi. 2ª vitória consecutiva na Taça Ibérica de Râguebi, em Juniores. Vice Campeão Nacional de Juniores, em Corta Mato.
Acresce a isto um dado muito significativo que foi – finalmente! – a conclusão e inauguração das Piscinas.
Estalou entretanto, na Primavera de 1994, uma crise directiva no clube, digladiando-se os que preconizavam uma política de contenção financeira e os que apostavam em maior investimento. Dessa crise, sobre a qual tenho uma opinião muito peculiar, que não vem ao caso, resultou a convocação de eleições.
E não é que a maioria dos sócios repetiu exactamente o mesmo erro que 4 anos antes? José António Matias sobe à Presidência e, como 1º acto – já anunciado como carácter distintivo da sua lista, face às outras candidaturas – vende Emerson, o nosso melhor jogador, ao F.C.Porto. Em contrapartida, nessa época, tivemos 4 jogadores emprestados. Salvámo-nos da descida na penúltima jornada, sob fortes suspeitas de métodos reprováveis. A equipa médica e o grande João Silva, Belenenses de décadas são marginalizados. Que falta de respeito (a mesma que levou J.A.Matias a nem estar presente no funeral de Acácio Rosa)! Pelo meio, as habituais cenas rocambolescas nas candidaturas e direcções folclóricas: por exemplo, José Romão é despedido mais ainda dirige a equipa mais um ou dois jogos (e se tivesse ganho), enquanto a Direcção espera que ele também assuma a vontade de sair, por causa das indemnizações. Sucedeu-lhe João Alves.
Este último tem uma qualidade que não podemos deixar de reconhecer: a de descobrir talentos. E isso teria sido bom para o clube, época seguinte, a de 95/96, não fosse uma série de mas e de ses. E vem então um dos extremos em que o Belenenses tem sido fértil nas últimas décadas (desinvestimento / investimento excessivo): compraram-se jogadores às carradas, alguns completamente desnecessários (como foi o inqualificável caso de Pacheco que, aliás, pelo que dissera no passado, jamais se deveria admitir que vestisse a nossa camisola. Mas quando não há sentido de dignidade...). José António Matias, talvez mal acompanhado e sem habilidade para dizer “não!”, põe o clube (e a ele próprio, sejamos justos) à razão de juros. Assumamos as nossas responsabilidades: 1º) foram os sócios que elegeram aquela Direcção; 2º) Se houvesse uma maior resposta em termos de presença nos jogos, em termos de base de apoio (correspondendo à qualidade do plantel), talvez as coisas pudessem ter sido diferentes. O final da época é um autêntico dilúvio: não se vai além do 6º lugar no Futebol, o clube está mergulhado em dúvidas, a maior parte dos nossos jogadores são vendidos ao desbarato (pergunta inocente: não houve nenhum “grande” belenenses, daqueles que prometem mundos e fundos, que permitisse aguentar a venda de um, dois ou três desses jogadores, que nos poderiam ter trazido larguíssimos proventos)?
Matias sai, deixando o clube e a si próprio em maus lençóis. Devemos ter o sentido de gratidão e de justiça de reconhecer o seu papel na conclusão das piscinas, quando era Vice-Presidente. Não duvido de que quisesse o melhor para o Belenenses.
E recomeça a luta pela sobrevivência. Há que fazer face à avalanche de dívidas que surgem de todo o lado. Em 96/97, parecia que era possível, mesmo assim, aguentar a equipa de Futebol entre os maiores. Mas, na época seguinte, já com Ramos Lopes a Presidente, a penúria do plantel, algumas arbitragens vergonhosas (por exemplo, o tristemente célebre jogo com o Benfica, no Restelo, em que perdemos 2-1 mas com... um dos “golos” do Benfica a resultar de um lance em que a bola não entrou (!!!); o outro marcado num fora de jogo aí de 10 metros) e a aparente opção deliberada de descer aos infernos para sanear o clube e recomeçar, empurraram-nos para a descida.
Foi na 2ª divisão que se reforçou a equipa a sério (criando-se, aliás, uma base defensiva para muitos anos: Marco Aurélio, Filgueira, Tuck, a seguir Wilson e Cabral). Houve mérito do injustiçado Cajuda, que fez uma prospecção de jogadores muito séria; e houve um verdadeiro esforço directivo para adquirir bons jogadores, e com uma política consistente. E isto leva-me a perguntar: porque raio é que só quando descemos é que há esse esforço para melhorar muito o plantel (91 e 98)? Será porque então se propõe um objectivo (a subida) enquanto nos outros anos é o “deixa andar”, “qualquer coisa serve”? Um grande mistério – ou talvez não...
Os últimos 5 anos estão frescos na memória de toda a gente: melhoria das instalações, recuperação financeira, sucessos em várias modalidades extra-futebol (aspectos positivos); futebol sem objectivos realmente ambiciosos (apesar de uns fogachos nas épocas com Marinho Peres e do quimérico anúncio do objectivo 4º lugar na época passada), diminuição progressiva das assistências, continuação da perda de identidade do clube (aspectos negativos).
Dia a dia, o Belenenses vem perdendo visibilidade, em parte, é verdade, por causa de uma Comunicação Social cada vez mais discriminatória, que quase só fala em 3 clubes; mas, em grande medida, porque os dirigentes nunca implementaram nem os sócios (que tendem sempre a repetir os clichés vigentes) exigem uma política de Imagem e Projecção.
Nesse aspecto, o Belenenses está por um fio. Não sabemos quando já será tarde de mais. Até os próprios sócios já desconhecem ou, mais incrível ainda, querem enterrar o peso da nossa história; a alma do clube está moribunda. Admitimos tudo, até as maiores humilhações, sem já termos noção de que são humilhações. Ou mudamos a sério... ou o Belenenses caminhará cada vez mais para um clube vulgar, sem identidade nem ambições. Mesmo que façamos um fogacho numa época futebolística, que adiantará isso com assistências de 2 ou 3 mil pessoas?
Belém, acorda! Não deixes que (os) outros te condicionem e determinem o que deves pensar (para tua própria desgraça). Não te deixes embalar, numa dormência fatal! Não deixes morrer a tua alma! Lembra-te do que foste, para saberes o que deves ser no futuro!
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
Pólo-Aquático Belenenses 8 - 7 CPN
domingo, fevereiro 20, 2005
ELEIÇÕES – ALGUNS NÃOS (4)
Espero que haja ao menos uma lista concorrente cuja política face ao exterior não se limite aos aspectos comerciais, ao tão decantado merchandising e que, em contrapartida, perceba a importância capital e prioritária de um Sector (Vice Presidência?) de Imagem e Projecção que vise colmatar uma lacuna de décadas: a de uma política coerente e sistemática que permita transmitir uma imagem correcta, forte, respeitada e apelativa do clube, tanto directamente para as pessoas em geral, como para a comunicação social, e que permita torná-lo mais popular, atraindo novos adeptos. Cabe-lhe estudar a imagem que o clube deve projectar de si, e factores de diferenciação e identidade clubísticas que se tornem chamativos. Cabe-lhe enfim, (re)acender a chamar, suscitar entusiasmo, criar élan clubístico.
Considero isto, de longe, o mais importante de tudo!
Continuaçao do post.
sábado, fevereiro 19, 2005
Vamos manifestar a nossa indignação ao país?
A proposta do Blog do Belenenses é simples e fácil de concretizar: vamos todos inundar a TVI com chamadas para entrar no Fórum. Alguém há-de ser escolhido, com sorte mais do que um, e aí podemos manifestar de viva voz e sem medo de sermos multados pela Liga a vigarice que grassa no futebol português e que teima em querer empurrar o Belenenses para os últimos lugares.
Tentem não ser demasiado explanativos, parece-me ser muito mais importante enumerar o rol de "erros" de que temos sido vítimas, quer nesta, quer noutras épocas. Relembrar a época de Marinho Peres e a sua saída provocada por estarmos a meter medo a muita gente, lembrar o célebre jogo com o Benfica do golo que não entrou, relembrar o jogo das Antas na época passada com 5 minutos de desconto numa primeira parte sem paragens e com o 1º golo com falta do avançado do Porto e o 2º num penalty ridículo. Lembrar o jogo nas Antas em que árbitro deu 6 minutos de descontos na 2ª parte (mais uma vez sem pausas) e em que o Porto empatou no 7º minuto.
Proponho que quem se lembrar de outros casos, os exponha aqui nos comentários para todos nós podermos fazer uma compilação e, se for o caso de nos ser dada a palavra, podermos enumerar essa lista interminável de roubos.
Esclarecimento importante...
Assim, e para que não restem dúvidas acerca da posição do Blog nesta matéria, aqui ficam alguns esclarecimentos:
- O Blog do Belenenses publicou de facto o manifesto eleitoral de Mendes Palitos, da mesma forma que já havia antes publicado um outro documento assinado por um conjunto de sócios (sobre as eleições), um conjunto de textos assinados pelo consócio Eduardo Torres dedicados ao mesmo tema e notícias sobre as outras candidaturas envolvidas no processo eleitoral;
- Não foi o único dos blog azuís a fazê-lo, nem tão pouco foi "utilizado" por nenhuma candidatura;
- Reafirma-se aqui a disponibilidade para publicar todos os documentos que nos sejam remetidos, desde que o seu conteúdo seja correcto na forma e devidamente assinado;
Aos jornalistas de "A Bola" agradece-se a referência ao nosso blog, mas pede-se simultaneamente mais rigor na forma e no conteúdo das notícias publicadas, em especial numa fase tão delicada da vida do Belenenses, como é o período eleitoral.
E-mail enviado para a Sport Tv
Exmos Senhores
Durante a transmissão do desafio entre o Belenenses e o FC Porto, que decorreuesta noite no Estádio do Restelo, um dos vossos colaboradores terá afirmadoque a habitual romaria dos jogadores da equipa nortenha ao Memorial que noRestelo existe dedicado ao jogador José Manuel Soares "Pepe" se deve ao factodeste ter alinhado no passado pelos dois clubes.
A informação prestada é falsa: José Manuel Soares iniciou e terminou a suacurta mas rica carreira no Clube de Futebol Os Belenenses, emblema que defendeucom brilhantismo e paixão até ao dia em que faleceu.
Assim, a ignorância dos vossos colaboradores foi novamente demonstrada. E afalta de respeito pelo Belenenses também.
Não esquecemos a forma inacreditável como em directo, durante o ano passado,dois jornalistas vossos "brincaram" com o Belenenses e com o Rio Ave. Nãoesquecemos a vergonhosa forma como os vossos comentadores - uns mais do queoutros - tratam a nossa formação. Não esquecemos a discriminação de quesomos alvo por parte da Sport TV (e neste particular não apenas pelo vossocanal).
A pior publicidade para o produto que vendem é a sua má qualidade. E essa é,comprovadamente, de baixo nível.
Rui Vasco Silva - Sócio 3887 do Clube de Futebol Os Belenenses - Almada
Raiva!
É uma raiva imensa, tudo o que tenho para partilhar. É uma tristeza profunda, que me ecoa nas raízes da alma e ressoa na cabeça, afogada no ribombar de trovões de revolta. É pensar que não vale a pena. É não acreditar e acreditar que tudo pode ser ainda diferente e tudo há-de mudar. Raiva, só raiva, porem tanta...
Hoje tive aquela que foi talvez a derrota futebolística mais difícil de "engolir" da minha vida. Tivemos o campeão do mundo à nossa mercê, mas não soubemos (e Carvalhal não quis) ser cruéis e estraçalhar aquele amontoado de jogadores de 2ª linha que juntos formam uma equipa de 2ª Divisão. Entrámos bem, mas tivemos medo. Porque se o Porto a partir de meio da 1ª parte controlou o jogo, esse controlo dava-se com trocas de bola entre os centrais e balões para a frente. Ao intervalo Carvalhal tinha de ser corajoso e tentar ganhar o jogo. Fosse tirando o estapafúrdio Petrolina (tens 10 colegas em campo amigo, que tal passar a bola?) e colocando Neca (mais uns minutinhos para deixar saudades), ou colocando Neca, Catanha ou Rodolfo Lima no lugar do esforçado, mas absolutamente nulo, Paulo Sérgio.
Mas Carvalhal esperou para ver... e viu o golo do Porto. A partir daí, até devo admitir que as substituições foram coerentes, apesar de hoje o Zé Pedro até estar a fazer uma boa 2ª parte e quem deveria saír era Juninho. Enfim... hoje não posso criticar Carvalhal, apesar de lhe pedir mais audácia. Com mais audácia podíamos ter goleado esta equipa menor que a jogar assim há-de perder por 4 ou 5 com o Inter de Milão.
E depois meus amigos, o que verdadeiramente me dói cá dentro, o árbitro encarregou-se do resto: cartões por tudo e por nada para os jogadores azuis e uma condescendência imensa para com os do Porto, nomeadamente Quaresma que agrediu Amaral e viu somente amarelo. Se aquela entrada é para amarelo, como é possível o Antchouet ter sido suspenso 2 jogos por uma entrada muito menos violenta? Sumaríssimo?...
E há depois um penalty que só não é marcado porque este é mais um dos árbitros corruptos que nos têm calhado em sorte (ou azar, ou nomeação, whatever). Depois do que vi em Leiria, não lhes dou mais o benefício da dúvida. Desejo sinceramente que sejam todos presos e sofram o máximo possível. Se a minha dor é imensa, desejo que a deles seja inexprimível por palavras.
Estou farto disto. Fartíssimo. Não sei o que faça: se ainda tenho forças para lutar, ou se me entrego a outras lutas. Não estarei, eu e todos os Belenenses, a lutar contra moínhos de vento? Valerá a pena?
Roubo de Igreja
A equipa do Belenenses foi hoje impedida de vencer a partida disputada no Estádio do Restelo frente aos actuais campeões nacionais e da Europa. O resultado final foi de 0-1, para o FC Porto, com o único golo da partida a ser apontado por Costina, no início da 2ª parte. Como a revolta é grande, e a falta de calma resulta sempre em disparates, deixamos uma crónica detalhada das incidências para mais tarde... Mas vamos avançando que hoje se assistiu no Restelo a um autêntico "roubo de igreja", protagonizado pelo Sr.Carlos Xistra e pela sua equipa.
sexta-feira, fevereiro 18, 2005
Quem virá ao Restelo esta noite?
Aguardo um Belenenses de garra e que saiba “estar em campo”, onde cada jogador sabe exactamente ao que vai, qual a sua missão e qual a dos seus colegas. Um Belenenses que entre em campo decidido a discutir o jogo e que disso não seja impedido por “forças estranhas”.
Aguarda-se a utilização do equipamento Pepe, estreado na recepção ao Benfica e que nos traz uma grata memória. Curiosamente, mas certamente sem ser casual, estará hoje à venda na Loja Azul esse equipamento (impressionante, uma jogada de marketing bem pensada...). Espero ver as bancadas cheias de equipamentos Pepe, exactamente o equipamento com que levaremos de vencida o Porto e nos aproximaremos dos lugares europeus.
Um último parágrafo ainda para relembrar as palavras de Juninho Petrolina, que pediu aos adeptos azuis para se deslocarem em massa ao Restelo. Pediu ele esta semana, como pedem sempre os jogadores do Belenenses, que querem sentir o apoio das bancadas. Apoio!
Hoje vamos todos esquecer que não gostamos deste ou daquele jogador, que não concordamos com o treinador e APOIAR O NOSSO BELENENSES? Vamos a isso!