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quinta-feira, abril 09, 2009

Quarto de Hora à Belém - XXXII





Esta semana não quero falar sobre futebol. Aliás é muito mau estar a criticar a equipa, os jogadores, dizer que não temos fio de jogo. Neste momento não vale a pena deitá-los a baixo, vale sim, apoiar a equipa no próximo Sábado e mesmo que não se queira apoiar estes jogadores, vamos lutar por este Belenenses, por este clube que está a passar uma fase menos boa. É preciso acreditar, pois só dependemos de nós para garantir a manutenção. Mas no final da época é precisa retirar muitas ilações!

Noutro campo, os últimos acontecimentos no nosso clube têm posto em causa a nossa organização administrativa. Houve uma lista que diz que não foi admitida porque os serviços administrativos perderam uma serie de assinaturas, que lhe dariam a possibilidade de se candidatar às eleições. O que poderá ser grave, a menos que se esclareça a situação de modo coerente.

A minha rubrica desta semana vai incidir precisamente sobre esta questão – a organização interna do clube.

Como sabemos, o nosso clube tem por base uma Assembleia Geral, onde podemos discutir as nossas opiniões, votar e ser eleitos. Temos também no âmbito da nossa organização interna outros órgãos com as devidas competências, como a respectiva Direcção, o Conselho Fiscal e Disciplinar e o Conselho Geral.

Até aqui tudo bem, vários órgãos com competências bem definidas, através dos Estatutos do clube, mas na prática observamos que nem tudo é assim tão linear. A polémica para mim até nem vem de agora, mas já vem de há muito tempo, pela promiscuidade entre vários poderes.

Segundo o Estatuto do clube, o Conselho Fiscal e Disciplinar possui poderes de “fiscalização e vigilância na área financeira e de gestão”. Tudo isto está na teoria e na prática? Bom na prática, o que assistimos é que o Conselho Fiscal e Disciplinar é escolhido pela Direcção havendo uma total sujeição de poderes. O Conselho Fiscal e Disciplinar por assim dizer não incomoda a Direcção pelos actos que esta pratica. Existe como disse uma total confluência de poderes, em que um órgão não incomoda o outro. Onde estava o Conselho Fiscal e Disciplinar para vigiar a actividade económica destes últimos anos (e que tanto prejuízo deu)? Onde estava o Conselho Fiscal e Disciplinar para exercer as suas funções de vigilância da actividade financeira (que como sabemos aprovámos um empréstimo, que não tínhamos dinheiro para o cobrir)? Toda esta questão faz-me lembrar o caso do Banco de Portugal, que falhou nas suas funções de regulação e fiscalização da actividade económica. É o que acontece no Belenenses.

Noutro ponto, ainda dentro da actividade económica, no nosso clube parece não existir um Revisor Oficial de Contas, o que é contra os Estatutos. Se o há, age também ele mal. Mas já observei que todas as listas têm um, resta saber como será na prática, se será um mero funcionário executivo ou se será um indivíduo interventivo que zele pela correcta regulação das contas do clube.

No campo da actividade política como sempre defendi, acho que o Conselho Geral tem poderes a mais. Ou melhor, talvez exerça uma influência muito grande na vida do clube.

Sendo o Belenenses um clube eclético, com várias modalidades, por vezes não é possível à Direcção acompanhar tudo com todos os pormenores. Por isso, acho que deveria haver uma maior aproximação às modalidades, sobretudo no que toca ao Râguebi. Muitas vezes falta uma pessoa que faça essa ligação entre direcção e respectivas modalidades. Temos o vice-presidente para essa aérea, mas mesmo assim, penso que não é possível acompanhar todas estas questões. Penso que falta uma pessoa que faça esse encadeamento e que torne mais eficiente a gestão das modalidades.

Também não nos podemos esquecer que a organização das nossas camadas jovens melhorou muito este ano. E porquê? Porque houve uma maior aproximação aos jovens do clube. Porque houve uma aposta efectiva na contratação de jovens valores, como por exemplo Fábio Marques ao Atlético de Madrid. Contratou-se uma pessoa qualificada (Jorge Castelo) para coordenar as camadas jovens, que são treinadas por antigos jogadores do clube, que transmitem assim a mística do mesmo. Os resultados estão à vista.

Neste momento, há também que elogiar a política de comunicação levada a cabo pelos responsáveis pela secção de futsal. O prémio que ganhámos no ano passado é exemplo disso, de melhor comunicação entre clube e adeptos. É isto que falta ao nosso futebol.

Vejam a diferença de discurso entre o futsal e o futebol. O futebol tem um discurso por vezes agressivo, que contorna as questões todas, metendo culpas nos árbitros (eu sei que eles prejudicam-nos, mas não podemos levar a vida a criticá-los, não adianta nada) e o futsal apresenta-nos um discurso optimista, abordando as questões positivamente, com ambição pelo meio.

Esta política de comunicação tem que ser alicerçada com uma forte aposta no marketing do clube. Estamos quase no Verão. Porque não promover o clube? Distribuindo panfletos alusivos ao clube, t-shirts, pins, etc. Há tanta coisa para promover o clube. Porque não disponibilizar um autocarro ou mais para as pessoas que vivem na zona de Almada, Barreiro e outras, que tem dificuldades de mobilidade? E porque não incentivar os jovens a serem do Belenenses, dando-lhes bilhetes para o futebol e por exemplo fazer valer a fama de alguns jogadores para promoverem o clube nas escolas? São apenas ideias de como se pode fazer várias iniciativas sem ter que gastar muito. E não me venham com a desculpa da crise que isso é absurdo! Então se fosse por esse argumento não fazíamos nada e esperávamos pela morte do clube. Não, o Belenenses tem viabilidade, está é subaproveitado!

Portanto e para concluir, julgo que este caso da polémica dos serviços administrativos, não é para prejudicar ninguém deliberadamente, nem acho que seja um caso de polícia. Pode ser é uma grande trapalhada administrativa.

Como disse há certas áreas que o clube tem de trabalhar com competência, com sinceridade, escutando as opiniões de todos (mesmo sendo da lista rival), pois só assim poderá haver uma verdadeira organização interna.

Matérias como a organização administrativa têm de ser melhoradas para o futuro. Mas acima de tudo há que trabalhar com inteligência e não para glorificação pessoal deste ou daquele.

Saudações Azuis!

Nuno Valentim

sexta-feira, março 27, 2009

Quarto de Hora à Belém - XXXI





Neste preciso momento que escrevo, acabo de ler uma entrevista de Jaime Pacheco. Uma entrevista confiante, que realça o espírito de grupo e a qualidade dos jogadores.

Jaime Pacheco afirma que “o Belenenses não vai descer” e todos nós esperamos isso. Concordo com o nosso técnico quando ele afirma que “andamos com a casa às costas”, trocamos sempre de campo para treinar, e precisamos da ajuda dos outros clubes na cedência de um relvado. Este é também um factor importante e penso que as listas candidatas deveriam reflectir neste ponto. Hoje em dia, muitos clubes de top europeu apresentam centros de estágios com boas condições para o treino de alta competição, o que constitui uma mais-valia no campo físico e técnico.

Outra questão que Jaime Pacheco aborda nesta entrevista, foi a segunda remodelação do plantel, ou seja em Janeiro, chegaram vários jogadores para preencher lugares chave na equipa e até para fortalecer as questões de grupo, dando mais riqueza ao mesmo.

A acabar esta entrevista, o nosso técnico voltou a insistir na aposta em jovens valores e até citou alguns nomes como Paiva, André Almeida e Pelé que poderão ser futuros titulares no Belenenses.

Gostei da entrevista dada pelo nosso técnico, que se mostrou muito confiante e crente na qualidade do grupo.

Sinceramente, analisando a fundo este plantel do Belenenses percebemos que não temos uma grande equipa, como por exemplo as equipas de Jorge Jesus, nas duas últimas épocas. Não temos um Nivaldo, um Hugo Alcântara ou um Rolando na defesa, não temos um Rúben Amorim no meio campo e não temos porventura um Dady ou um Weldon no ataque.

Este ano tivemos numa primeira fase, com Casemiro Mior, jogadores de uma boa qualidade técnica (Baiano, Maykon, o próprio Arroz, que tem qualidade técnica, mas não táctica). Todos estes jogadores contratados e sem olhar a nacionalidades apresentavam um futebol diferente do praticado em Portugal e por isso sentimos dificuldades no início do campeonato. Para além deste factor (de diferenciação de estilos de jogo), outro factor importante estava presente, na falha do nosso início de época, a má qualidade táctica destes jogadores, ou então a pouca insistência do técnico nas questões tácticas. Outro acontecimento, foi a péssima preparação física do grupo, levada a cabo na pré época.

Ora sendo um grupo que não reunia as condições todas para uma época tranquila, que baseava-se em critérios de observação não muito prudentes, a escolha foi despedir o treinador (que diga-se tardava em afirmar a sua ideia de jogo, o seu modelo).

É então que chega a segunda reformulação deste plantel, como já afirmei atrás.

Chegou outro modelo de jogo, mais prático, com uma ideia de jogo totalmente diferente e claro que isso leva o seu tempo. Chegaram jogadores com um nível de pressão acima da média (como Diakité, outros muito mais pragmáticos e fortes no um contra um (casos de Tininho e Ávalos). O nosso futebol mudou, tornou-se agressivo (no bom sentido) e o Belenenses ainda procura o seu estilo de jogo (apesar de já ter estado bem em diversos jogos, mas ainda não apresenta o futebol que pode dar).

Voltando ao início, sobre a questão do plantel, temos de ser pragmáticos, a equipa não é como a das últimas épocas. Nas últimas épocas, a escolha era criteriosa, baseada em métodos de observação. Este ano a escolha foi na típica “loja dos trezentos”, baseada em vídeos. O resultado está à vista.

Mas nem tudo são espinhos. Destaquei esta entrevista para afirmar que a equipa também tem qualidade. Sobretudo no meio campo, com destaque para Zé Pedro, Diakité e Mano. Um muito mais sólido e forte no jogo físico (Diakité), outro mais irreverente e mais móvel (Mano) e por fim Zé Pedro, que considero a alma da equipa. É quem movimenta o jogo ofensivo, não tem medo de ter a bola e assume o jogo. Mesmo estando a correr mal.

Outro destaque deste plantel vai para Marcelo. Para mim, é o melhor avançado que temos neste momento. Não tanto pela finalização (tem 3 golos no campeonato), mas muito mais pela sua aplicação em campo. É o primeiro jogador a pressionar o adversário e é incansável na atitude em campo. Pena é já estar na casa dos 30 anos. Mas ainda pode fazer 1 ou 2 boas épocas.

Jaime Pacheco veio dar realismo a este Belenenses, que agora luta efectivamente pela não descida. O momento a meu ver é para jogo concentrado, táctico e preocupado com o resultado. Agora todos os pontos são importantes e todos os jogos são finais.

Portanto, se pensarmos que também temos as nossas armas, podemos recuperar o tempo perdido. Tempo esse que foi desperdiçado, sobretudo na pré época, na constituição de uma equipa sem nenhum critério de observação. Agora estamos a pagar pelos erros do passado, pois o grupo, ainda carece de algumas dificuldade óbvias que nem Jaime Pacheco consegue resolver. “O que nasce torto, demora a endireitar-se” e é isto que efectivamente se passa. A equipa ainda não se adaptou a este estilo, mas penso que podemos salvar-nos, até pela qualidade demonstrada em certos jogos.

Noutro capítulo e como estamos em época de eleições, gostava de pronunciar-me sobre esta questão. Começo por dizer que não pertenço a nenhuma lista e portanto não há aqui questões éticas em jogo. Apenas uma opinião, que vale tanto quanto as outras.

Na minha última rubrica falei de duas listas fortes, mas afinal enganei-me eram três e não se sabe muito bem, depois passaram a 2 e ainda estamos a ver se vão ser 3 listas candidatas. Isto claro só no Belenenses. Penso que esta questão tem que ser resolvida, até a bem da democracia no seio do nosso Belém. Senão irá manchar as eleições, que queremos que se pugnem por valores de justiça, respeito e igualdade entre todos.

Na minha opinião, a lista que reúne melhores condições é a lista encabeçada por Viana de Carvalho. Porquê perguntam vocês? Bom em primeiro lugar, porque no nosso Belém há uma manifesta crise económica e financeira e nada melhor que um economista para resolvê-la ou pelo menos atenuá-la.

Há também rosto de mudança nesta lista, com ideias fortes e vincadas, através de uma pessoa que já deu alguma coisa ao clube, a escola Matateu. Está ainda no início, mas pelo menos tenta-se levar o espírito belenense às crianças. Penso que Miguel Ferreira é uma pessoa competente e portanto com legitimidade para assumir qualquer cargo no Belenenses.

Destaquei estas duas pessoas, porque penso que são competentes e viáveis. Pertenceram a uma gestão (de Cabral Ferreira) que tentava conciliar o fenómeno financeiro com a gestão desportiva. Ou seja, fazer face às dificuldades financeiras, tendo por base bons resultados desportivos. Os mais cépticos podem responder que houve falhas, o que manifestamente aconteceu, mas nesta gestão correram-se riscos e desenvolveram-se ideias importantes. Isso já é bom.

Gostei da iniciativa da fundação Belenenses e claro, estou de acordo com a maior parte do programa da lista.

Quanto à outra lista, como já tinha dito antes de a mesma se candidatar, a meu ver há uma crise de legitimidade. Explico melhor. Aquando da última Assembleia Geral para eleger a Comissão de Gestão, a mesma quando foi eleita disse que não se iria candidatar futuramente, nem fazer um aproveitamento pessoal da situação. Ora na minha opinião e sem ligar a nomes, e com todo o respeito pelas pessoas da lista, parece-me que houve um aproveitamento pessoal. Ou seja, o tempo passado a dar entrevistas a criticar tudo e todos, sem decisões nenhumas depois, foi então passado para benefício dessas próprias pessoas e não do clube.

O então candidato a presidente desta lista, afirmou que iria assegurar uma gestão corrente, o que manifestamente não é nada bom, pois um clube precisa de um projecto, de um rumo, que não foi dado pela Comissão. Resolver os problemas do dia-a-dia não é nada, só emperra a vontade de mudança. Sinceramente, já li artigos sobre as duas listas e ainda não percebi qual o projecto da lista encabeçada pelos elementos da Comissão de Gestão.

Mas claro, isto é só um artigo, não é nenhum manifesto eleitoralista. Algumas pessoas virão a desmentir, e com toda a legitimidade, e o que conta é a discussão de ideias.

Até penso que deveria existir um novo Simpósio, para se discutir as ideias e os projectos de cada lista. Porque falar sobre a grandeza do Belenenses, dizer que “vamos meter o clube na Uefa”, dizer que “vamos fazer uma grande equipa, com grandes nomes”, isso sinceramente é conversa da treta. Pelo menos para mim, outros podem enganar com essas ideias. Por isso, acima de tudo, temos que estar cientes das dificuldades do clube, mas não quer dizer que fiquemos obsessivamente preocupados com isso. Há que encontrar soluções adequadas para estes tempos. E para mim a solução passa acima de tudo pela eficiência nas decisões.

Uma última nota para alertar o futsal. Cuidado Belenenses, que agora chegou o tempo em que todas as pessoas querem os nossos jogadores. Será mero interesse ou pressão psicológica? Vou mais para a segunda hipótese, pois os playoffs estão aí à porta. Espero que o Caio Japa e o Marcão fiquem!

Saudações Azuis!

Nuno Valentim

quinta-feira, março 19, 2009

Quarto de Hora à Belém - XXX





Amigos Belenenses, já não ganhamos um jogo há muito tempo! Cada jornada é um suplício ao ver o nosso clube jogar. Sem regularidade nenhuma, sem um estilo de jogo concreto e definido, enfim, a equipa não nos empolga.

O jogo do passado fim-de-semana é elucidativo disso. Costuma-se dizer que “quem não marca sofre” e foi isso que aconteceu. Desperdiçámos golos (Marcelo neste capítulo teve em destaque) e o Estrela fez dois golos de rajada.

Parece-me novamente que a defesa continua distraída e sem qualquer atenção ao jogo. Exemplo disto é o primeiro golo de Anselmo (cabeceou à vontade na nossa área). Com tantos vídeos que se viu no célebre estágio e deixamo-nos enganar por um movimento que a equipa do Estrela faz sempre? Sinceramente não percebo! Mais uma vez demos vantagem ao adversário e mais uma vez corremos atrás do prejuízo (o que prejudica sempre o nosso jogo e fundamentalmente os indíces físicos da equipa).

Continuo a dizer que este estágio não beneficiou a equipa, ou melhor não trouxe nada de novo. Só podemos tirar a ilação que futuramente é preciso fazer uma reestruturação do nosso futebol.

Voltando ao jogo, penso que mais uma vez fomos prejudicados pela nossa defesa. Muitos erros, falta de antecipação ao adversário, e não compreendo porque não pressionamos alto a equipa contrária.

A reacção até nem foi má, reduzimos e fomos para o intervalo a perder por 2 a 1.

No recomeço pedia-se nova atitude, um Belenenses com mais pressão sobre o adversário e foi o que aconteceu. A entrada de Saulo (não compreendo como um jogador com a sua velocidade e criatividade não é titular) também ajudou ao jogo. Vinicius também não esteve mal e Zé Pedro marcou um grande golo. Esse sim, um golo digno de um grande jogador (também referir que o golo do Estrela de livre, não foi mau de todo).

Achei, Marcelo muito perdulário e desta vez não gostei de Mano. Estava, desta vez precipitado no passe.

Para a história fica uma segunda parte dominada por completo pelo Belém, e até poderíamos ter chegado ao terceiro golo, que justamente merecíamos. No geral, até é injusto este resultado. Mas temos que ser mais ambiciosos e pedir sobretudo mais atenção em certos momentos chave do encontro.

A única coisa que critico nesta equipa é a sua defesa e por vezes o seu estilo de jogo, sem alegria e por vezes desconexo. Temos dificuldades nas transições e sinceramente penso que perder pontos em casa não abona nada em nosso favor.

Vamos mais para a frente ter muitas finais, como é exemplo o jogo fora na Trofa e os jogos em casa com Rio Ave e Setúbal.

Neste momento e para sermos pragmáticos temos que começar a fazer contas à vida. Esta época sinceramente já está estragada.

Agora há que pensar na próxima e assegurar pelo menos alguns nomes para a nova época.

Se conseguirmos, preparar com antecedência a próxima época, com competência e dedicação, as coisas podem voltar a ser como eram. Há que ter esperança no futuro do clube.

Agora vamos ter um jogo muito importante, frente à Académica, e penso que o clube tem que estar calmo, longe das “bocas do povo”. É que o Belenenses está sempre a ser prejudicado pela comunicação social. E o que me admira mais é que por vezes o clube é criticado por pessoas de dentro da nossa vida. É engraçado isto tudo de facto! Por vezes os inimigos somos nós próprios e não quem nós pensávamos.

Recentemente li uma entrevista de um senhor Belenenses, que porventura já foi nosso presidente, a afirmar que defendia uma chicotada psicológica. Se ele fosse presidente o Jaime Pacheco iria para a rua. Mas depois mais à frente disse que acompanha o clube por fora. Ora como se costuma dizer na gíria “senão sabe então cala-se”. É o que deveria ter respondido o clube e os sócios. Esta troca de palavras, este mal dizer do clube na comunicação social, não abona em nada a tranquilidade do plantel.

Digo e reafirmo, por vezes a oposição é interna. Senão estamos com ideias de renovação, senão estamos mais modernos e adaptados ao nosso tempo, é porque o nosso dirigismo é pobre. E vai continuar a sê-lo, até que apareça uma pessoa que não se interesse por ela própria, apenas pelo clube e pelas ideias reformistas.

Este elevar do clube para a praça pública não é bom e se alguém quer utilizar estes argumentos, então que se candidate e proponha soluções e não discuta o clube na comunicação social. Discutir o clube é na Assembleia Geral, senão não passa de uma conversa de café (como vejo muitas no Restelo).

Continuo a dizer que crítica sem construção não é benéfica e apelo a que todos os dirigentes discutam ideias e não protagonismos. Discutam projectos e não pessoas. Porque tudo o que neste momento se disser na comunicação social sobre o Belenenses vai ter repercussões muito grandes. Por isso apelo à serenidade quer de dirigentes, quer dos sócios e adeptos.

Não vamos fazer guerrinhas com os jogadores e esperar por eles lá fora. O que isso adianta? Vamos ficar melhor financeiramente? Vamos ter um futuro melhor? Claro que não, só serve para reduzir-nos a clube de bairristas. Portanto vamos discutir ideias, neste mês que antecede as eleições marcadas para 18 de Abril.

Espero que neste próximo jogo regressemos às vitórias, até porque é um jogo frente a um adversário acessível. A Académica não é mais forte que o Belenenses. E temos que aproveitar o que temos de bom, a qualidade do nosso meio campo.

Um conselho para os dirigentes, deixem de pensar em vocês próprios, na vossa glória pessoal e pensem mais um bocado no clube, que vos deu tanto protagonismo. É que neste momento falar mal do Belenenses é fácil, infelizmente.

Saudações Azuis!

Nuno Valentim

domingo, março 15, 2009

Quarto de Hora à Belém - XXIX





Mais um jogo para o campeonato e novamente uma derrota. Não compreendo este Belenenses. Penso que temos qualidade suficiente para sair desta situação. Não digo chegarmos a um lugar europeu, nem ficarmos em 7º, nem em 8º. Mas pelo menos ficar numa melhor posição que esta. Acho que é possível. Tanto o é que o nosso treinador acredita e alguns de nós também acreditamos. Já não me parece que alguns dos nossos jogadores acreditem. Isso é que é grave.

Recentemente li através de um jornal desportivo que o Belenenses devia mês e meio de ordenados. Isso saiu da boca de um nosso jogador. Ainda por cima capitão. Dizia ele “Há ordenados em atraso” ao que eu posso responder “também há resultados em atraso!”. Sejamos claros, não é positivo alimentar estas situações nos jornais, quando todos sabem que o Belenenses tem feito de tudo para ser cumpridor. O Belenenses não faz promessas que não pode cumprir e parece-me injustas estas críticas. A Comissão de Gestão não merecia isto. E o clube que agora luta para não descer, precisa de tranquilidade e serenidade, não de “atentados contra o mesmo”, que não lhe garantem a devida estabilidade. Um clube que está nesta situação não pode andar nas” bocas do mundo”.

Quanto ao jogo, já sabemos que temos as nossas dificuldades e que estas mesmas foram aproveitadas por um Guimarães que também se encontra em baixo de forma. Podiamos claramente ter feito melhor.

Também não compreendo a não inclusão de Zé Pedro no onze inicial e não compreendo o porquê da aposta em Carciano para defesa direito. Baiano para mim neste momento seria a melhor solução. Marcelo (o único ponta de lança que considero completo nesta equipa) também não esteve no onze inicial sabe-se lá porquê. Portanto, não compreendi bem esta estratégia de Jaime Pacheco.

Para a história fica mais uma derrota e o fundo da tabela classificativa. As coisas não estão fáceis, a equipa não dá sinais de melhora (sobretudo no seu estilo de jogo) e precisamos como afirma Ávalos de uma vitória, para galvanizar o clube. “Uma vitória poderá mudar tudo”, dizia recentemente um jornal desportivo.

E já que falamos em clima de mudança, estas eleições podem significar uma mudança no clube. Já estão nomes a circular, já há algumas reacções quando a assuntos do clube, já estamos a ouvir algumas opiniões e parece-me positivo para o clube. Esta troca de ideias, este “esgrimir argumentos” vai ser interessante de verificar. Em princípio, será a continuidade (isto é dar continuidade ao trabalho desta Comissão de Gestão, se a mesma se candidatar) frente à continuação do trabalho de Cabral Ferreira, através da lista já confirmada de Viana de Carvalho. É uma lista forte, que conta também com Miguel Ferreira (quem projectou a escola Matateu no clube) e que aposta em resolver a grave situação financeira do clube.

Penso que neste momento também devemos pensar em outras coisas, como por exemplo o planeamento da próxima época. Acho que após uma má época como esta, deveríamos já estar no campo a observar jogadores, a ver quem está em final de contrato (e se for de boa qualidade e baixo salário, poderia ser uma opção viável), mas até agora nada está a ser feito.

Depois desta situação, parece que queremos repetir para a próxima, os mesmos erros desta. Espero que não. Até porque o Belenenses, não merece isto.

Vejo uma situação económica muito ingrata e o que faz o clube? Vai pagar um estágio para tirar a pressão dos jogadores. Não me parece correcto e aliás acho uma má decisão. Com tanta coisa para fazer pelo clube, como já disse atrás, pensar na próxima época seria bem melhor, o Belenenses foge do Restelo, para se refugiar pensando que resolve os problemas. Fugir dos problemas não resolve. Enfrentá-los sim, resolve!

Portanto, temos que deixar de “dar tiros nos pés” e saber estabelecer prioridades. Como sócio do Belenenses para mim a prioridade será sempre o superior interesse do clube. Neste caso, a debilitada situação financeira do clube, não permite andar a fazer estágios, para a equipa ganhar maior tranquilidade.

Na minha opinião a próxima época já devia estar a ser delineada, para corrigir esta, e lutar por um lugar condizente com o clube. Este tem que ser o pensamento de ambição e estruturação do clube. Por isso é que digo que estamos numa fase de escolhas. Os sócios têm que perceber que chegou o momento decisório no clube. Há anos que estamos assim! São promessas, são equipas pela Uefa, são palavras muito bonitas que ficam bem em qualquer jornal e depois? Na parte de decidir, na altura da decisão mais importante, faz-se tudo ao contrário e esquece-se a situação do clube.

Digo e repito sou a favor de um projecto para este Belenenses, um projecto de continuidade, um projecto de ideias, enfim um projecto que tenha na sua base a estruturação do clube em muitos aspectos. A lista que apresentar melhores condições para tal, tem os meus votos.

Mas tenho receio, sobretudo por nós. Nós sócios somos poucos interessados no clube. Gostamos do futebol, gostamos de discutir o futebol, gostamos de falar sobre os outros clubes, gostamos de fazer as típicas conversas de café, até nos damos ao luxo de discutirmos com outro companheiro do Belenenses. Agora pergunto, não seria melhor pensarmos nas nossas prioridades no Belenenses? Não seria melhor parar de falar nos outros e de uma vez por todas pensar em nós?

Os nossos sócios gostam do conforto do seu lar, gostam dos bilhetes à borla, gostam do comodismo, apreciam tudo e todos, menos o clube. Só aparecem a uns jogos de futebol (quando a equipa está bem classificada), até o futsal que no ano passado estava sempre bem composto, de há uns jogos para cá, tem estado muito mal de público.

Somos aqueles que só vêem os jogos quando é contra o Benfica, o Sporting e o Porto. E depois dizemos que a culpa é da comunicação social (que também a tem), quando somos nós que automaticamente nos reduzimos perante os outros.

São estes sócios que temos, que não gostam de apoiar (basta ver o último Belenenses-Benfica em andebol, para perceberem) e também não gostam do clube quando perdem. Ser Belenenses é ser nos bons e nos maus momentos!

Por isso digo, que nós se formos a pensar em nós como adeptos, então estamos muito mal.

É preciso criar um grupo de debate, com uma nova geração de adeptos (e não “infiltrados”, como há muitos no Restelo) que personifique a ideia de ser Belenenses.

Neste momento a ligação entre clube e adeptos está péssima e não abona nada a favor do clube. Apelo à criação de grupos de debate, que reflictam o clube, que tragam novas ideias, mas acima de tudo que sintam prazer em ser do Belenenses. É isso que nos move!

Façam-se distribuições de propostas de sócio a todas as juntas de freguesia de Lisboa, para chamar mais adeptos, sobretudo os mais novos, pois o Belenenses precisa de juventude e vitalidade!

É preciso novos sócios e bons adeptos, fiéis acima de tudo, para que o clube rejuvenesça.

Neste momento, não passamos de um clube com um passado bonito, nada mais.

Espero que no próximo jogo voltemos a ganhar, para dar a tal viragem necessária aos acontecimentos.

Mas atenção com o Zé Pedro em campo, que para mim é dos melhores que já vi jogar.

Saudações Azuis!

Nuno Valentim

domingo, março 08, 2009

Quarto de Hora à Belém - XXVIII





A minha rubrica desta semana tem a ver com a actual situação do Belenenses. Encontramo-nos em zona de descida, jogamos mau futebol e continuamos com problemas.

De facto, a situação não é a melhor e a derrota em casa com a Naval agravou tudo. Sinceramente, pensei como muitos que houvesse uma mudança de mentalidade nesta equipa, sobretudo com a vinda de Jaime Pacheco, e o certo é que continuamos na mesma. Os problemas continuam na defesa (mesmo com reforços) e a equipa está desmotivada. A época desde o início que já estava condenada a algo pior. E, este algo pior é de facto, a qualidade de alguns jogadores. Inquéritos ao plantel não basta, é preciso mais. É preciso competência na escolha, é preciso ter um bom departamento de formação e acima de tudo ter pessoas inteligentes à frente do clube.
Nos últimos jogos (Leixões e Naval) podemos observar a fraca qualidade da nossa defesa. Pressionada pelo adversário tem muitas dificuldades em fazer circular a bola e na maior parte do tempo é a defesa que prejudica o nosso jogo. Não há segurança defensiva, o que em muitas ocasiões, faz recuar Silas e Zé Pedro no terreno, perdendo o Belenenses "gás" na frente.

Também e agora mais em termos tácticos, penso que a coexistência de Gomez e Diakité, não é benéfca para o Belenenses. Jogar com 2 trincos puros e a precisarmos de ganhar jogos, penso que não é positivo. Até porque o nosso futebol torna-se muito lento e as transições que deveriam ser rápidas, tornam-se pouco objectivas e ineficazes. O nosso jogo tem que aproveitar muito mais o contra ataque, personificando na velocidade de Saulo e no drible de Vinicius o nosso jogo ofensivo e a nossa principal arma.

Resumindo, há que melhorar muito e penso que deveríamos estar a pensar já na próxima época. Os erros deste campeonato não se devem repetir e esta época deve servir de exemplo. Há muito jogo pela frente, e ainda acredito que podemos conquistar alguns pontos nestas jornadas futuras. É o Belenenses que está em jogo, portanto vamos apoiá-lo, mesmo não confiando em alguns jogadores. O Belenenses neste momento precisa de nós!

Também recentemente li num jornal que já se perfilam vários candidatos às eleições do Belenenses. Acho que uma eleição com um único candidato só poderá levar a um caminho, a falta de ideias e soluções. Basta constatar os últimos anos.

Acima de tudo não quero eleições em que se escolhe de entre uma só lista, não quero eleições em que um órgão meramente consultivo apresenta um “salvador da pátria” para concorrer às eleições, não quero eleições sem debate, ou seja quero várias opções, vários centros de debate. Pelo menos eu, não quero uma só única ideia, quero e desejo várias candidaturas, 2 ou 3, em que o clube seja discutido com ponderação, com educação e civilização.

Portanto a minha opinião é esta, deve haver vários candidatos para se reflectir o clube. Há algum tempo não via ninguém com perfil para presidente do Belenenses, aquando da demissão de Fernando Sequeira. Mas felizmente neste momento vejo algumas pessoas. Não quero apoiar esta ou aquela, até porque ainda não sabemos as directrizes de cada uma candidatura, nem sabemos quantas vai haver.

Estive na Assembleia onde se escolheu esta Comissão de Gestão. E aí foi dito pelos elementos dessa mesma Comissão que não se iriam candidatar à presidência e que estavam nesta Comissão apenas pelo espírito de missão. Vai ser curioso se algum cumprirá a palavra.

Quero salientar que não estou do lado de nenhum, o meu lado é o Belenenses. E quem souber levar o clube aos sócios, quem tiver um projecto coerente e de modernização (não um projecto de viver o dia a dia) e tiver várias ideias, será o meu eleito e será o de todos nós.

Nesta altura o melhor para o Belém é arranjar soluções. Soluções para o projecto desportivo, soluções para o nosso marketing (há muito escondido), soluções para a sustentabilidade do clube, soluções para a nossa gestão económico-financeira, enfim soluções que só podem ser feitas através de uma direcção competente e com um projecto para o clube, um rumo por assim dizer.

Espero que avance a ala mais conservadora, a ala mais jovem, ou a ala do centro, enfim todas as opiniões, pois todas são bem-vindas e constituem um motivo de reflexão. Mais do que nunca, não podemos estar “agarrados” a uma única ideia, a uma única solução, é preciso conciliar todas as opiniões e respeitar todas as “teses” feitas em prol do clube. O momento é de escolha do próximo presidente, mas também é o da aceitação de várias ideias para o clube, pois só assim podemos escolher um bom presidente e uma boa direcção, que com ele trabalhe no sentido de dar voz às ideias dos sócios.

Esperamos melhores dias e sobretudo melhores resultados!

Saudações Azuis!

Nuno Valentim

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Quarto de Hora à Belém - XXVII





Amigos Belenenses. Começo a minha rubrica pelo mau resultado em Paços de Ferreira.

Na minha opinião, este resultado não é positivo e ter o Paços como adversário directo não é nada bom.

Analisando propriamente o jogo, o Belém até nem começou mal. Logo no primeiro minuto, por intermédio de Silas, podíamos ter marcado. Penso que se marcássemos logo nessa oportunidade, o jogo estaria ganho. Mas como não sou a Maya, não faço futurologia. Mas entraríamos muito bem no jogo se tivéssemos marcado logo nessa primeira oportunidade.

Dominámos aqueles primeiros 10 – 15 minutos e foi nesse espaço de tempo que conseguimos o nosso golo. Para nós foi importante esse golo, mas fez mal ao jogo e à equipa. Após o golo, o Belenenses descaracterizou-se, recuou no terreno (como Pacheco afirma e bem recuámos em “demasia”) e abrimos muitos espaços na defesa, dando a iniciativa de jogo ao Paços.

A partir daí as dificuldades tornaram-se maiores, o estado do terreno também não ajudou em nada, o que levou o Belenenses a “quebrar-se” fisicamente. O Paços chegou ao golo (já se estava a adivinhar, dadas as falhas na defesa) e dominou o jogo territorialmente. Foi difícil perceber como entrámos tão bem no jogo e como saímos da primeira parte desgastados e sem dominar o encontro.

A segunda parte veio elucidar-nos que estavam presentes duas equipas intranquilas na tabela classificativa e que um ponto para estas, é então um bom resultado. O dia não estava propício para grandes espectáculos e assim, a segunda parte foi fraca.

Fico com a sensação que poderíamos ter feito melhor. A entrada no jogo foi muito boa, mas depois faltou a parte da segurança do nosso próprio jogo. Temos que ainda confiar mais em nós próprios, pois só assim, podemos controlar o ritmo de jogo.

Em termos individuais gostei de Saulo (dá velocidade e criatividade ao ataque do Belém), de Diakité (não sabe jogar mal e é um recuperador de bolas nato!) e de Zé Pedro e Silas (estes dois são os grandes artistas do Belém e são os impulsionadores do nosso jogo ofensivo). Silas até no final podia ter feito o golo.

A nota negativa vai para Marcelo, Cândido Costa e para a defesa em geral. Marcelo é um jogador muito esforçado, que não dá os lances por perdidos, mas falta claramente o ímpeto da finalização. Esforça-se, mas isso não é suficiente, tem de marcar golos (que é no fundo o que nós pedimos). Mas mesmo assim acho que é o melhor avançado que temos. Relativamente a Cândido Costa, é um jogador que eu aprecio e todos nós, por isso é que acho que deve render mais. E, claramente Cândido Costa não está nas suas melhores épocas. Penso que Baiano (que tem jogado bem nos jogos em que é chamado) seria a solução que neste momento daria mais consistência à ala direita. Quanto à defesa, o lance do golo de Cristiano é elucidativo, passou por todos sem uma boa oposição da nossa defesa. Carciano foi ultrapassado em velocidade por Cristiano, Ávalos falhou na marcação e toda aquela defesa estava desconcentrada. Faltou uma boa abordagem defensiva neste lance. É preciso melhorar este aspecto – a abordagem defensiva. Há dois jogadores que eu aprecio em termos de antecipação – Ricardo Carvalho e Pepe. Se repararem estes jogadores abordam os lances com convicção e raramente falham na chamada “intercepção”. Por isso são dois grandes centrais e é um prazer ver como eles abordam os lances, sempre com grande pressão sobre o adversário, não dando espaços.

Mas são jogadores de milhões e isso o Belém não tem.

Portanto, já sabemos das dificuldades com que nos deparamos e temos que ter confiança já no próximo jogo. Ganhar ao Sporting seria importante nesta fase da época. Veremos o que vai acontecer.

Noutro âmbito, mostro-me preocupado com o futuro do clube. Falei na semana passada da importância do Simpósio. Da importância que há em debater este clube, mostrando as nossas ideias, criticando o que está mal, enfim preocupar-nos com o futuro do clube. E é esse futuro que está em jogo.

Neste momento há que analisar factos e esses factos dizem-nos algumas coisas. Uma é que não sei se a Comissão de Gestão fica ou não no clube. Outra é que não sabemos se Jaime Pacheco fica ou não no clube. Não sabemos se Gómez sai ou fica. Não sabemos a real situação financeira do clube (o que é uma clara violação do Estatuto, pois no artigo 61º do mesmo Estatuto, no respeitante à competência da Direcção, este estipula que a direcção “fica obrigada a divulgar aos sócios os resultados da mesma” (neste caso respeitante à auditoria). Portanto, neste momento o Belenenses está num clima de indefinição. Isto não pode acontecer sempre em todos os anos! Ora nas outras épocas são jogadores a saírem em final de contrato, são bons treinadores a saírem para clubes, que se vão progressivamente tornando melhores que nós, são erros atrás de erros que nós cometemos. Será que ninguém ainda viu isto? Estamos em Fevereiro e as eleições estão aí à porta e ainda não há candidatos? Nem se fala do clube em termos de ideias e propostas? Onde está alguém que queira pegar no clube?

São muitas indefinições para um clube que vive uma grave situação económica.

Na minha opinião, há que reformular os Estatutos. Em 1º lugar mudar o disposto no artigo 18º referente à gestão Económica e Financeira, agravando as penas ou seja quem fizer uma gestão danosa (e há muitos espertinhos que já a fizeram e depois deram “à sola”) será punido não com os tais 10 anos de exercício de qualquer cargo nos órgãos sociais, mas deveria ser irradiado de sócio e como tal não exercer nunca mais qualquer cargo no Belenenses. Esta medida seria um aviso às gestões futuras do Belenenses e penso que seria uma medida mais credível e pela verdade desportiva. Assim para maus dirigentes, haveria as medidas necessárias, que então seria a inibição de qualquer exercício de mandato.

Outra questão prende-se com a artigo 61º, referente às competências da Direcção, em que na alínea g) e f) se faz referência despropositada ao Conselho Geral. Ora sabendo, que o Conselho Geral é um órgão meramente consultivo (artigo 67º), não faz sentido a Direcção responder perante ele, ou seja o conhecimento do Conselho Geral perante matérias económicas não faz sentido, pois este é um órgão hierarquicamente inferior. Nestas matérias, o conhecimento do Conselho Geral é irrelevante, pois o mais importante é a garantia da responsabilidade da Direcção perante a Assembleia Geral e o Conselho Fiscal e Disciplinar. Não se trata de uma redução de poderes, mas sim de uma clarificação de responsabilidade da Direcção.

Outra matéria é a relativa aos sócios de mérito e sócios honorários (Secção Quinta – Louvores e Galardões) em que várias facções do Belenenses não querem o parecer do Conselho Geral. Eu admito também essa hipótese, porque neste caso não interessa a opinião de um órgão meramente consultivo, interessa pois a vontade dos sócios, representada na Assembleia Geral e nada mais. Penso que a Comissão de Revisão dos Estatutos vai propor a alteração deste ponto e já na próxima Assembleia irá revelar a suas pretensões e a vontade dos sócios.

Para já seria importante este passo, a da Revisão dos nossos Estatutos.

Em segundo lugar, teremos que fazer muito mais Simpósios, que unam os Belenenses, de Norte a Sul. Seria um ponto de discussão de ideias extremamente importante. E porque não criar um grupo constituído por pessoas jovens para debater essas mesmas ideias? Um grupo que no seu domínio tenha o Belenenses sempre presente. Um grupo que não se quer apenas para dizer umas “coisitas”, ou para influenciar este ou aquele, ou para ter poderes a mais que os outros, isso não. Há que criar um grupo que represente a vontade da mudança (já que o Conselho Geral como órgão não o consegue), e essa vontade tem de estar presente no dia-a-dia ou em reuniões semanais ou mensais. Conforme a disposição de cada um. Seria apenas e exclusivamente um conjunto de jovens a debater pelo melhor do Belenenses. Cada um com a sua ideia. Cada um percebendo mais disto do que aquilo. Cada um ajudaria no que sabe melhor. Mas atenção, isto é só uma ideia. É mais uma ideia entre muitas outras. Mas pelo menos tentei. E tentar por vezes no Belenenses é visto como algo tenebroso e mau. Não me parece. Há que arriscar.

Em terceiro lugar e muito importante estaria a reformulação do clube em termos económicos e estratégicos. Penso que a gestão económica do Belenenses “faliu” ao longo dos anos. Não fomos capazes de modernizar-nos. E assim parece que nos perdemos no tempo. O passado é algo que nos lembramos com alegria. O presente é visto como incerteza.

Mudar a nossa gestão (mais virada para os sócios e para o risco, pois sem risco na actividade económica leva-nos ao descalabro) e mudar também a concepção de clube-empresa. É importante saber que nos preocupamos com o nosso défice, mas não podemos fazer disso uma obsessão (como é a típica gestão portuguesa), temos de nos virar para as “massas”, ou seja para os sócios, pois são eles que estão sempre presentes. E são eles que queremos que invistam no clube. Confiança e credibilidade devem ser sinónimos de uma boa gestão.

Em 4º lugar, e para fazermos face a esta crise (que na minha opinião não é só económica, é também de ideias, de desinteresse pelo clube, numa concepção de “deixa andar que isto com o tempo resolve-se”), penso que o projecto imobiliário tem de avançar. É muito urgente, até porque o Belenenses, neste preciso momento, só poderá ter uma receita extra através da venda de jogadores, nada mais. E ter um projecto imobiliário, aproveitando o que de bom tem a zona de Belém (com a sua crescente actividade turística) é caminhar para a auto-suficiência e para o aumento dos lucros do Belém. É extremamente importante ter fontes adicionais de receitas (e não são as de culinária!), pois as receitas que temos não fazem frente à nossa conjuntura (basta ver o estádio do Restelo “às moscas”.)

E por fim, desenvolver as camadas jovens, como muitos o tem dito e bem. Será importante comprar jogadores a baixo custo, formá-los, ter resultados com eles e vende-los por um preço alto. Será também importante ter uma boa prospecção de mercado, pois só assim, podemos encontrar jovens valores.

Espero que nos concentremos nestas questões e não nas questões acerca do Deco – “porque é que ele foi embora do Benfica?”, perguntou assim um elemento que estava no Simpósio. Ora isto não abona, para uma discussão sobre o Belém e sobre a nossa formação.

Como Jaime Pacheco afirma “O Belenenses tem de parar de ser o clube simpático”.

Precisamos de um Barack Obama, de um homem reformador e que toque nas “feridas” que tem o Belenenses, prevendo e antecipando soluções, implementando novas ideias e conclusões. E precisamos de um Dr. House, de um homem pragmático, que diga a verdade, mesmo doendo a alguns.

Saudações Azuis!

Nuno Valentim

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Quarto de Hora à Belém - XXVI





Caros Belenenses, com os acontecimentos recentes sobre a polémica da Taça da Liga, decidi agora oportunamente pronunciar-me sobre esta situação. Como não desenvolvi este tema nas outras semanas , vou agora mais à frente nesta rubrica expressar-me sobre esta polémica.

Primeiro gostava de falar sobre futebol. Sobre aquilo que nos dá prazer, no fundo este jogo que já existe desde os primórdios da Inglaterra e que se tem popularizado à escala mundial. Nos dias de hoje e sobretudo em Portugal, encontra-se descredibilizado, por razões que todos conhecemos.

No último jogo encontrámos uma equipa difícil (muito mais que o Benfica), experiente e que sabe o que fazer em campo.

Tivemos muitas dificuldades nos primeiros 20 minutos de jogo, face à entrada muito forte do Porto. Talvez até esta entrada no jogo tenha surpreendido Jaime Pacheco. Num jogo em que se defrontaram dois bons “blocos” de meio campo (o Belenenses com Diakité, Mano e Zé Pedro, o Porto com Fernando, Raúl Meireles e Lucho) o jogo só poderia pender para aquela equipa que pressiona-se melhor e com mais intensidade. Foi aí que esteve a base da vitória do Porto. O Porto pressionava bastante naqueles primeiros 20 minutos e o Belenenses não conseguia encontrar forma de reverter tal situação. Dificuldades para aparecer a magia de Zé Pedro e também o pragmatismo de Silas (teve sempre dificuldade em ter a bola e não conseguiu por vezes segurar o jogo).

O Porto conseguiu fazer dois golos e dada a “lentidão” do ataque do Belenenses adivinhava-se um jogo já “feito”. Pura ilusão. Aí entra a sagacidade de Jaime Pacheco. Apercebendo-se das dificuldades do Belenenses em ter a posse de bola e sobretudo das relutâncias verificadas no último terço do terreno (dada a falta de velocidade de Wender, que realizou uma má exibição), Pacheco fez entrar Ávalos (para servir de “tampão” ao meio campo do Porto) e Saulo (para dar mais velocidade e criatividade ao ataque do Belém. Aí tudo mudou e o Belenenses ficou mais perigoso e muito mais acutilante. O Porto sentiu isso e recuou no terreno. O Belenenses chegou ao golo nessa fase, por intermédio de Saulo, e abria caminho para um jogo interessante.

A segunda parte foi também positiva para o Belenenses, tentando assumir o jogo, pegando Silas na “batuta” e tentando levar o Belenenses para “bom porto”. Mano e Daikité realizaram uma exibição irrepreensível, mas o destaque vai para Saulo que mudou completamente o jogo, para melhor claro.

O Belenenses poderia ter empatado, primeiro por Arroz, depois numa grande jogada de Zé Pedro sobre Fucile, que cruza para Ávalos (que falhou mesmo na cara de Hélton!).

O Belém bem tentou, vez tudo ao seu alcance, mas do outro lado encontrava-se uma equipa experiente, que sabe o que faz (joga também ela muito bem tacticamente). O Porto recuou estrategicamente na segunda parte, para obrigar o Belenenses a correr mais riscos e assim, marcou o golo da tranquilidade, já com Lisandro em campo (esse era o tipo de avançado para o Belenenses, forte e lutador, que não dá nenhum lance por perdido, ao invés de Roncatto).

Foi um bom jogo da nossa equipa, mas que naturalmente salta à vista, que ainda não estamos preparados para jogar ao mais alto nível, isto é lutarmos por lugares cimeiros na tabela. Ainda nos falta duas coisas – o equilíbrio defensivo (pois Arroz é muito fraco, joga muito mal na antecipação) e a finalização.

Concluindo o tema futebol, repito o que disse na semana passada, acho que podemos fazer uma melhor segunda volta (até porque Jaime Pacheco ao longo da sua carreira sempre fez melhores segundas voltas) e que melhor começo seria ganhar a um adversário que está perto de nós na classificação. Ganhar em Paços é muito importante. O Paços de Ferreira é uma equipa que joga bem ao ataque (como todas as equipas orientadas por Paulo Sérgio, pois ele privilegia o ataque) mas que tem um defeito, não tem equilíbrio defensivo. Aí podemos aproveitar, com a velocidade de Saulo e claro, com o nosso meio campo muito combativo e criativo (destaque óbvio para Zé Pedro).

Agora gostaria de pronunciar-me, como fiz referência em cima, sobre a polémica da Taça da Liga.

Como sócio do Belenenses e como estudante do 1º ano de Direito, uma das primeiras coisas que aprendi no curso foi a Interpretação da Lei. Ora a interpretação da lei tem como objectivo conhecer o verdadeiro sentido e alcance da Lei. Numa primeira fase há que conhecer o preceito, atender ao sentido literal, para depois aprender-se o espírito da lei, ou seja chegar ao pensamento do legislador. Foi assim que aprendi, foi assim que me ensinaram.

Ora este caso tem duas interpretações. A do Belenenses feita pelo seu departamento jurídico, é atender ao sentido literal, ou seja à letra da lei. O regulamento da Liga faz referência ao goal average, como primeira forma de desempate entre clubes, e na interpretação levada a cabo pelo departamento jurídico do Belenenses, este entende que a expressão “goal average” deve ser tida como o seu significado ou seja o coeficiente entre golos marcados e sofridos. Assim, passava o Belenenses em vez do Guimarães, visto a nossa equipa ter um coeficiente superior ao Guimarães.

Diferente interpretação é a realizada pela Liga. Esta entidade depreende que o sentido a aplicar seja o pensamento do legislador. Ou seja faz uma interpretação actualista da lei. O sentido da lei é apreendido do momento da sua criação. E como foi criada para uma competição que se queria mais espectáculo e mais golos, o sentido da criação veio ao encontro (na óptica da Liga) da diferença entre golos marcados e golos sofridos. Para a liga a expressão goal average significa então, a diferença entre golos marcados e sofridos.

São duas interpretações que podemos aceitar, embora lamentamos toda esta confusão acerca dos “estrangeirismos” adoptados pelos nossos regulamentos.

Nesta semana, após recurso do Belenenses, ficámos a conhecer a decisão (que passa a ser definitiva a nível desportivo) do Conselho de Justiça. Esta decisão veio ao encontro da interpretação da Liga, ou seja o goal average é a diferença entre golos marcados e sofridos, apreendendo assim o pensamento do legislador e não a letra da lei. Assim, é o Guimarães que passa e a decisão é definitiva, podendo o Belenenses recorrer aos Tribunais Civis, para o pedido de uma indemnização por danos patrimoniais.

Mas o curioso e aí concordo com a Comissão de Gestão, é que o Conselho de Justiça (pelo qual confio e tenho respeito pelas suas decisões, pois neste país nem tudo é corrupto, como querem fazer crer) rejeita o recurso e depois ainda o aprecia. Ou seja, quando se rejeita um recurso não se o aprecia, como fez o CJ. Rejeitou o recurso do Belenenses com base num “pressuposto formal” e aí penso que o Belenenses foi ingénuo. O recurso nunca pode ser dirigido a uma pessoa, pois é muito difícil provar as responsabilidades dessa mesma, tinha que ser dirigido ao órgão em si, visto ser este dotado de poder regulamentar. E é o regulamento que o Belenenses critica. A razão moral também não atende os clubes, visto que eles aprovam os regulamentos em Assembleia Geral da Liga e depois o vêm criticar. Acho que também prejudica o Direito e nomeadamente os regulamentos, quando estes são feitos “em cima do joelho”. Foi uma Taça feita à pressa, com regulamentos à pressa, para beneficiar as equipas mais ricas. Pois, os 6 primeiros classificados jogam dois jogos em casa na fase de grupos. Que benefício traz às outras equipas (com mais dificuldades) se jogam inúmeros jogos fora? E porque razão o CJ muda a expressão goal average do regulamento? Então não é a expressão correcta? Ou não? É por estas e por outras que as pessoas depois desconfiam dos órgãos jurisdicionais.

Para acabar, a minha opinião é que esta decisão é correcta, assim como se fosse ao contrário. Segundo o artigo 9º do Código Civil, referente à Interpretação da Lei, “a interpretação não deve cingir-se à letra da lei, mas reconstituir a partir dos textos o pensamento legislativo”. Foi isso que a Liga fez e foi isso que o Conselho de Justiça decidiu.

Repito, por vezes o Direito tem duas vertentes, pode dar para duas situações diferentes, é o caso de um juiz que julga um caso de acordo com um determinado preceito e outro que julga o mesmo caso completamente diferente. Esta é uma dessas situações.

Só me pronunciei agora, pois a decisão já está tomada e concluímos que desta vez o que permaneceu foi o espírito da Lei (o pensamento legislativo).

Peço desculpa à direcção do Belenenses por ter esta visão, mas é a minha opinião e foi assim que me ensinaram.

Mas também o Belenenses tem de pensar que os Tribunais podem ter uma interpretação diferente, e aí serem ressarcidos financeiramente, pois não fomos às meias-finais e não tivemos receita de bilheteira. Temos de jogar com os nossos interesses.

Outra coisa que queria esclarecer é a acção do CJ. Já ouvi dizer que era um órgão constituído por pessoas fechadas e que são legisladores que pensam no tempo da antiguidade, mas isso não é verdade. São pessoas que pugnam-se pela justiça e claro, têm por vezes interpretações diferentes das nossas. São pessoas sérias, competentes e tive o prazer de uma vez trocar um email com um membro do Conselho de Justiça, aquando do Caso Meyong. Cada um com a sua interpretação, mas com respeito mútuo. Há que acatar esta decisão em termos desportivos, e claro, se possível defender os interesses do clube até às últimas.

Já vai longo o meu texto, e queria só fazer referência a duas coisas. Uma é sobre a grande vitória em futsal sobre o Freixieiro (6 a 1!), com um grande espectáculo dentro e fora do pavilhão.

Por fim, apelar a todos os adeptos para discutir o clube no Simpósio a realizar no próximo Sábado. Vamos discutir o futuro do Belenenses, falar do marketing, da formação, da estratégia a seguir no âmbito económico, das ideias para um clube melhor. Tudo em prol do Belenenses.

Saudações Azuis!

Nuno Valentim

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Quarto de Hora à Belém XXV




Caros Belenenses, esta semana a minha rubrica incide sobre o jogo com o Benfica, mas não só.

No final do jogo do Belenenses – Benfica e nos dias que se seguiram, falou-se das 100 razões porque o Benfica empatou, estabeleceu-se comentários ao estilo de jogo da equipa benfiquista, enumerou-se as oportunidades falhadas por esta equipa, enfim falou-se de uma só equipa. A culpa do empate para a comunicação social vai toda para os “falhanços” do Benfica. No seguimento de vários programas até cheguei a ouvir o cúmulo! Ou seja para alguma doutrina, o Benfica chegou a ser prejudicado e houve um penaltie sobre Yebda, outro sobre Suazo e a expulsão de Miguel Vitor foi injusta. Ora isto só nos pode merecer reprovação, pois as coisas não se passaram assim. A única coisa que ouvi de positivo sobre o jogo do Belenenses propriamente dito, foi a seguinte afirmação “a equipa joga com garra, à semelhança de Jaime Pacheco quando foi jogador de futebol”. Ora este argumento é muito pouco e revela falta de estudo das outras equipas. E, como já afirmei várias vezes, só se vê 3 clubes em Portugal, o resto é só “paisagem”.

É muito pouco para quantificar o grande jogo que o Belenenses fez. Aliás só pecámos na finalização.

Como não sou da comunicação social, e sou adepto do futebol na sua essência (que é o jogo jogado, aquele por quem vamos ao estádio, das fintas, dos dribles, do espectáculo) e gosto de fazer análises coerentes, tenho a dizer que Jaime Pacheco preparou muito bem este jogo. A começar pela táctica. No último jogo com o Benfica, utilizou um 4x4x2 em losango, perdendo o Belém algumas zonas de construção e no último terço do terreno houve dificuldades em circular a bola. Percebendo isto para o jogo do campeonato, Jaime Pacheco alterou a estrutura para um 4x3x3, libertando a equipa, dando iniciativa de jogo ao Benfica e tentar surpreender em contra-ataque. Com uma boa organização defensiva (cada vez mais nota-se que os processos defensivos estão a ser consolidados) e com o regresso de Zé Pedro (como é tão diferente jogar com ele!) a equipa ganhou quase sempre os duelos a meio-campo, com Diakité em destaque (o casamento fez-lhe bem!).

Foi um bom jogo na primeira parte, com duas equipas a quererem ganhar o jogo, o mesmo sucedendo na segunda. Foi um bom espectáculo de futebol, com oportunidades para cada lado e após a expulsão de Miguel Vitor, o Belenenses poderia ter chegado ao golo. Pena aquele falhanço de Maykon.

Uma nota ainda para a boa exibição de Carciano (para mim foi o melhor jogo dele com a camisola do nosso Belém) e para a grande sagacidade de Jaime Pacheco. Em poucas palavras, com muito pouco faz muito! E como ele afirma, foi transformando aqui e ali uma manta de retalhos (deixada por gente incompetente, acrescento) e foi cozendo-a a pouco e pouco. Com isto quero dizer que o Belém está muito melhor, as ideias já estão quase assimiladas, Diakité dá consistência a este meio-campo e como muitos já o disseram aqui neste espaço, a equipa vai de certeza fazer uma melhor 2º volta.

Noutro campo, das transferências, soube-se hoje que João Paulo foi emprestado à Olhanense. Na minha opinião, foi uma boa decisão que vai permitir dar alguns minutos a um jogador que nunca se adaptou verdadeiramente ao nosso futebol. Ainda é novo, revela alguma inexperiência e nada melhor que jogar para ganhar ritmo e competição, mais a mais numa equipa que luta para subir e daí haver maior competitividade, o que lhe permite maior aplicação.

Também esta semana gostava de incidir a minha rubrica, num tema que muitos Belenenses não falam. Refiro-me à nossa equipa de juniores comandada por Rui Jorge. Espectacular o trabalho que se está a fazer. E depois destaca-se o Sporting no papel da formação. Então e os outros clubes que não tem a mesma recepção de jogadores comparado com estes clubes? Normalmente os miúdos preferem os clubes que são “badalados” na comunicação social. Ora esses já nós sabemos. O que torna o papel da formação extremamente difícil, no que toca aos outros clubes. Sobram os outros miúdos que escolhem os outros clubes, que são dispensados pelos 3 “gigantescos” do futebol português, e às vezes por serem magros de mais ou serem gordos de mais e portanto é muito difícil para clubes como o Belenenses encontrar talentos. Daí o meu enaltecimento a esta equipa e grupo de trabalho dos juniores. O objectivo será descobrir novos valores no futebol, mas ensiná-los um caminho para a vida, através de valores justos e de uma boa formação. Penso que é o que distingue esta equipa, que é muito tecnicista, há boa qualidade, mas sobretudo existe boa qualidade humana. Nomes como Pelé (que já está a afirmar-se no Belém, sendo já opção para a equipa principal), Azeez (um “poço” de força e técnica), Tiago Almeida (um bom finalizador e quem sabe o futuro goleador do Belém), Filipe Paiva (central indiscutível no eixo da defesa azul), Fábio Marques (também ele defesa central, mas com experiência nos escalões mais jovens da selecção) e André Pires (defesa esquerdo) fazem do Belenenses em juniores uma grande equipa, que nos faz olhar para o futuro com um sorriso nos lábios. É este o Belenenses do futuro. Apostar na prata da casa, rentabilizá-la e pô-la a jogar. É que este jogadores tem uma coisa que muitos não tem, sentem o clube mais que nunca e isso por vezes dá prestígio e resultados. De destacar, também a coordenação do futebol das camadas jovens levada a cabo por Jorge Castelo. Ora, quando as coisas têm pessoas competentes a trabalhar nelas, só pode dar em sucesso. Inteligência e novas ideias no futebol, dá origem a bons resultados. É uma simples fórmula para o sucesso.

Só para não esquecerem somos líderes, à frente de Benfica e Sporting, o que é um excelente feito, dadas as discrepâncias hoje em dia.

Últimas notas para a excelente recepção feita pelo povo Angolano ao Belém e aí devemos destacar que não é só os 3 badalados do futebol português que têm prestígio e que levam pessoas atrás deles, o Belém também tem esse prestígio. Não só pela sua história, como pela sua ligação ao continente africano, donde veio a nossa grande estrela Matateu (de Moçambique).

Por fim, realçar a vitória do râguebi sobre o Técnico, a vitória do andebol do nosso Belém sobre o Sporting (e que grande exibição de Pedro Spínola) e claro do futsal por 5 a 2 ao Mogadouro, que nos permitiu ascendermos de novo à liderança.

Esta semana foi muito positiva e esperamos mais semanas assim!

Espero no próximo jogo do nosso Belém ver muitas caras novas e claro, muitas pessoas a apoiar o clube. Espero uma boa moldura humana! Eu vou lá estar como sempre e vocês?

Saudações Azuis!
Nuno Valentim

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Quarto de Hora à Belém XXIV




Amigos Belenenses, na minha rubrica desta semana desejo falar de futebol. Não quero falar de Direito, nem de leis, porque isso não vai ajudar nada no jogo com o Benfica. Temos um jogo importante, talvez extremamente importante, pois vai definir a primeira fase de 3 jogos difíceis em nossa casa.

Parece que neste momento só existe um problema, derivado de uma interpretação de uma lei. Acho que nos estamos a esquecer um pouco do jogo importante que temos. Mas se formos observar minuciosamente este jogo pode não significar nada, porque já sabemos que do outro lado estará um clube muito beneficiado com as arbitragens (é este e mais 2 que todas as pessoas conhecem) e exemplo disto foi o último jogo que fizemos para a célebre Taça da Liga.

Como esta competição é agora muito falada, faço uma crítica. Querendo o presidente da liga aumentar os espectadores, aumentar o espectáculo e aumentar as receitas, tenho a dizer que não conseguiu nenhum objectivo. Em vez de aumentar, os espectadores diminuíram nos estádios (e este factor também aparenta no campeonato), quanto às receitas, acho ridículo que os melhores classificados do campeonato joguem mais jogos em casa. Ora sabendo que há 3 clubes que nunca descem e que ficam sempre nos 3 primeiros, essas receitas estão sempre garantidas para eles. Ou seja, os clubes denominados pela comunicação social como os 3 “grandes” ficarão cada vez mais ricos. Esta Taça da Liga em vez de distribuir as receitas do jogo equitativamente, em vez disso, beneficia sempre os mesmos. É assim também com as transmissões televisivas. Portanto, é uma Taça que não dá oportunidades de lucro para os clubes em dificuldades e de pequena dimensão. E também não dá acesso a nenhuma competição europeia.

Voltando ao jogo com o Benfica, espero que este seja bem jogado pela nossa equipa e que não haja mais injustiças. Lembro-me de um jogo com o Benfica, em que o árbitro era Pedro Henriques e foi uma autêntica vergonha. Foram 3 penalties, que não viu. E um do Manduca (na altura no Benfica) que foi escandaloso!

Escandaloso também, foi o árbitro não ter validado o golo a Porta e assim, já não estaríamos com toda esta polémica. É por estes erros de arbitragem que o futebol português perde a sua credibilidade. O futebol cada vez mais no nosso país é feito para 3 clubes, pensado nos 3 clubes e estruturado à volta deles. Enquanto alguns clubes, como por exemplo o Vitória de Setúbal, continuarem a aliar-se com quem quer aproveitar-se deles, os clubes de média dimensão continuam a não pensar por eles próprios e a ficarem dependentes de terceiros.

A culpa de certos regulamentos estarem mal não é por culpa do Direito português, é porque são emanados de órgãos incompetentes. Esses órgãos têm em si pessoas que estão nesses cargos por aborrecimento (pois não foram escolhidas para mais lado nenhum) e têm também pessoas que não pensam na verdadeira essência do futebol português. Falta rigor e inteligência ao nosso futebol.

Quanto à polémica da Taça da Liga, o Belenenses interpôs recurso, tendo esse recurso efeitos suspensivos na competição. E João Barbosa já disse que iríamos até às últimas consequências e por isso temos de ter em atenção o recurso aos tribunais civis. Esta é uma questão administrativa, não é desportiva (que o regulamento não permite, e que inclusive fez descer o Gil Vicente) mas mesmo assim teremos de ter cautelas ao recorrer aos tribunais. Vamos ver como o Conselho de Justiça se pronunciará sobre a situação e se efectivamente colocará o Belenenses na competição.

Quanto a reforços estou um bocado insatisfeito. Acho que Ávalos não é certamente o central que precisávamos e Saulo não é um goleador. Quanto a Kiko só o conheço pela comunicação social. Mas penso que são meras opções, pois até Saulo não é ponta de lança de raiz. Descai sobre um das faixas e desmarca-se muito bem. É bom para jogar em contra ataque, mas não faz muitos golos. Ávalos tem o mesmo estilo de Alex, por isso acho que está tudo explicado.

Mesmo com todas estas confusões de interpretação da lei, mesmo com estes reforços, o Belém está em sempre em 1º lugar. É por ele que vamos ao estádio e é por ele a nossa paixão pelo futebol!

Continuamos todos a suar por esta camisola que tanto nos orgulha!

Espero no próximo jogo já termos alguns jogadores importantes recuperados das suas lesões e espero que haja uma boa casa e claro, ganhar o jogo.

Há e uma última nota, Jaime Pacheco não metas o China a médio esquerdo! Ele anda em baixo de forma!
Quanto ao resto, Belém, Belém, Belém!

Saudações Azuis!
Nuno Valentim

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Quarto de Hora à Belém XXIII




Amigos Belenenses, na passada semana assistimos à primeira vitória fora do nosso Belenenses.

Foi uma vitória justa segundo a crítica, com o Belenenses a fazer um bom jogo e a desperdiçar algumas oportunidades para dilatar o resultado. Destaque para uma equipa recheada de jovens, com um nome a sobressair, Pelé. Um miúdo que segundo várias opiniões enche o campo de qualidade. Esta equipa mostrou o carácter que Jaime Pacheco quer incutir neste Belenenses e espírito de sofrimento, pois não alinhámos com a defesa toda! Estava tudo castigado e talvez para bem do Belenenses. É que a nossa defesa tem andado muito fraca. Mas no jogo do passado fim-de-semana equilibrou-se com o recuo de Diakité para zonas centrais e daí aproveitar a sua altura. Com Marcelo na frente ganhámos espaços, e com toda aquela irreverência advinda da juventude ganhámos um jogo muito importante. Já estamos mais desafogados. Foi muito importante aquele jogo, pois os jovens sentiram que no Restelo podem ter oportunidades, o que interessa é o momento de forma e a qualidade de jogo, e isso podemos agradecer a Jaime Pacheco. Aconteça o que acontecer, Pacheco sabe como ninguém ler o jogo e dar oportunidades aos jovens. Sempre o fez nos clubes por onde passou e agora está a fazê-lo. E é assim que se descobrem valores, aproveitando-os e fazendo-os crescer como pessoas.

Visto o jogo com o Rio Ave para o campeonato, passamos para a Taça da Liga. O destaque vai para a boa exibição de Baiano e de Vinicius, mas sobretudo do primeiro.

Na primeira parte tivemos alguma dificuldade, para ultrapassar o meio-campo do Guimarães, visto que este também se posiciona bem no campo e até teve uma boa oportunidade para marcar, mas na segunda parte entrámos melhor, a assumir as despesas do jogo e já com Silas em campo. De facto, Silas entrou para a saída de Alex (que mais uma vez jogou mal) e mudou o jogo. Pautou o ritmo do jogo, organizou o futebol do Belém e com os seus passes de grande qualidade, colocou perigo à defesa contrária. Tivemos mais controlo sobre o jogo, mas só tivemos uma falha, a finalização. Neste jogo podemos perceber que nem Porta, nem Roncatto, nem João Paulo, são os “matadores” que o Belenenses precisa. Falta sempre qualquer coisa a eles. Ou é a falta de velocidade (sobretudo de Porta e Roncatto) ou então é o jogo trapalhão (levado a cabo por João Paulo, basta ver a jogada em que se atrapalha e atira a bola à sua própria cara).

Nestes dois jogos podemos perceber que o Belém está melhor em termos da sua organização, sobretudo a defensiva. Diakité acrescenta muito ao Belém (pois é polivalente, joga a central e principalmente a trinco) e Tininho é “raçudo” e defende bem, constituindo uma boa opção para o lado esquerdo da defesa (em que China continua ainda fora de forma). A equipa está muito mais entrosada com as ideias do técnico e assume melhor o jogo. Com alguns reforços, sobretudo para a defesa e para o ataque (a entrada de um goleador) a equipa poderá aumentar a qualidade do seu jogo e subir ainda mais na classificação. Agora é preciso recuperar Zé Pedro (pois faz muita falta, quer na organização do jogo ofensivo, com a sua imprevisibilidade, quer nas bolas paradas) e Gómez para atacar os próximos jogos, com ambição.

Noutro campo, ainda há indivíduos que querem protagonismo. Ou melhor clubes. Mas por vezes é melhor estarmos calados e lermos as coisas até ao fim. Claro que isto é dirigido ao Trofense. Todo este alarido feito por este clube é de gente mesquinha e é sobretudo um factor de desestabilização psicológica dirigida ao Belém. Para argumentar perante o Trofense basta ao Belém recorrer ao ponto número 3 do artigo 5º do Regulamento de Transferências da Fifa “Um jogador transferido entre dois clubes cujas associações tenham temporadas sobrepostas (por exemplo: uma comece no Verão/Outono e outra no Inverno/Primavera) estará em condições de jogar oficialmente por um terceiro clube, desde que tenha cumprido todas as obrigações contratuais com os clubes anteriores”. Aqui se integra o Vinicius Pacheco. É fácil e basta só interpretar a lei, lendo contudo as suas excepções e não só a regra geral. Assim, só posso concordar com a direcção do Belenenses, em levar o caso para últimas instâncias, na medida a pedir uma indemnização por danos morais, pois mais uma vez o nome do clube esteve ligado a um caso, e mais uma vez este tem razão e mais uma vez está a ser “linchado” na praça pública. Chega de perseguir quem faz bem ao futebol e pugna-se por ser correcto e defensor de valores. Porque não o Trofense aludir também ao caso do Hulk, visto que este também está numa situação idêntica? Será medo? Será que querem aproveitar-se da fraca situação económico-financeira do Belém e da sua instabilidade de resultados? Aí é que se vêem os clubes e os valores do futebol português. É o regresso do “chique esperto” e do mundo mesquinho do futebol português. E depois querem as grandes instituições que haja pessoas no futebol e que se dinamize o respectivo desporto. O futebol português é isto!

Vamos lá Belém ganhar ao Benfica no Sábado e calar as críticas, pois ontem vinha a sair do estádio e ouvi na rádio que o Benfica com a vitória sobre o Olhanense estava automaticamente apurado para as meias-finais da Taça da Liga! Como é que isso é possível se ainda não jogaram com o Belém? Ou será que está programado mais um golo em fora-de-jogo e por assim dizer mais uma arbitragem tipicamente à portuguesa? Isto só no nosso futebol!

Saudações Azuis!
Nuno Valentim

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Quarto de Hora à Belém XXII




Ano Novo, vida na mesma. Continuamos a somar derrotas e agora estamos em último lugar. Muito mau para um clube como o Belenenses. Referindo propriamente o jogo, parece-me que iniciámos o mesmo com receio do adversário e quando assim o é, as coisas podem correr mal.

Até nem iniciámos mal o jogo de facto, pressionámos nos primeiros minutos a equipa do Braga e em termos tácticos surpreendemos aquele que eu considero um “mestre da táctica”. É difícil surpreender um treinador que pensa como poucos e além disso tem várias situações idealizadas para cada fase do jogo. É essa a diferença.

Voltando ao jogo, os primeiros 30 minutos foram positivos, tentámos de bola parada surpreender o adversário, mas o golo não surgiu. Carciano ainda fez a bola entrar (mas o árbitro anulou por suposto fora-de-jogo) e Meyong atirou à barra. Portanto e nos últimos 15 minutos da primeira parte o Braga equilibrou o jogo, perante um Belenenses de contenção e a jogar em contra-ataque.

Na segunda parte, o Braga entrou muito forte e marcou um golo de “rajada” a surpreender a própria defesa do Belém (que diga-se está sempre a ser surpreendida!). Depois já sabemos o que aconteceu, acusámos muito o golo, a equipa nem com a entrada dos suplentes equilibrou o seu jogo, perdemos organização e o Braga sendo uma equipa que em vantagem sabe bem gerir o ritmo do jogo, aproveitou essa situação.

Continuo a dizer que um dos males deste Belenenses é a sua organização defensiva. Não é de hoje, é desde o começo da época (que foi muito mal estruturada). Escolheram-se centrais nos “saldos”, não se chegou a observar jogadores (só por DVD) e a equipa foi no seu todo mal feita. A recente lesão de Gomez também ajudou o meio campo ofensivo do Braga a movimentar-se com mais perigo, junto à zona da área do Belém e depois claro, a defesa ajudou e muito. Carciano fez um penálti ridículo, pois ainda tinha a ajuda do seu colega Arroz e continua assim a revelar muita ingenuidade.
Ora esta falta de organização defensiva, sem um bom pivot defensivo (pois Mano a trinco não tem estrutura física nem componente táctica) como Gomez, resulta numa perda de meio campo e de recuperação defensiva. E como se costuma afirmar “quem perde o meio campo, perde o jogo”.

Também não gostei da estrutura táctica delineada por Jaime Pacheco e como afirma Jorge Jesus “o jogo tem 5 momentos”, isto é o jogo na sua essência nunca pode ter um momento como o Belém o demonstrou – unicamente a fase defensiva. Não podemos estar nesta classificação e a precisar urgentemente de pontos e ir a Braga e jogar com 5 defesas. O jogo tem mais momentos. Na segunda parte, especialmente notei que a equipa preocupou-se mais em aguentar a partida do que propriamente arriscar. A estratégia estava montada para uma equipa sem profundidade, para jogar em contra ataque. Não deve ser assim e espero que com o Rio Ave assumamos o jogo de princípio ao fim. Há que assumi-lo sem medo de errar.

No final Jaime Pacheco disse que faltava “competência à equipa” e que precisava de reforços, o que eu concordo em absoluto. É preciso competência nesta equipa, pois até Silas tem estado abaixo do que pode e deve fazer. Não sei se será desmotivação por este lugar ou então já perdeu a crença neste Belenenses. E depois é preciso equilibrar o plantel com bons reforços e não com meras opções.

Quanto a reforços, estranho que ainda não tenhamos contratado um bom central ou melhor dois centrais, pois o jogo com o Rio Ave está aí à porta e ainda não se viu reforços para um sector muito importante como é a defesa. Por falta de dinheiro poderá não ser, devido à vinda de dois reforços recentes, pode é haver dificuldade em encontrar jogadores que queiram jogar nesta fase no Belém. Quando estamos em alta até são os próprios jogadores a oferecerem-se ao clube, agora quando existem dificuldades é muito difícil atrair jogadores, até pelo projecto desportivo. Não é fácil, mas já vi coisa pior no futebol. Exemplos há muitos, por exemplo o Paços de Ferreira de José Mota que com pouco fez muito ou o Guimarães do ano passado, que com um orçamento pequeno conseguiu superar um orçamento milionário do Benfica e ficar á frente destes na classificação. O importante neste momento é em primeiro lugar ver quais as condições do clube, para depois vermos os reforços que precisamos segundo o binómio – preço e qualidade. Em segundo lugar e pesando os condicionalismos financeiros formar uma boa dupla de centrais. É imperioso mudar a defesa toda. Quando digo toda refiro-me também a Cândido Costa, que na minha opinião continua a render muito melhor a extremo direito.

O meio campo na minha opinião está bem, é o melhor sector e se no sector atacante precisarmos de um avançado então que se procure um goleador. Joeano está no mercado para empréstimo, Garcés também quer sair, Adriano tudo indica que não ficará no Porto. Todos estes podem ser opções válidas e por empréstimo só pagávamos alguma quantia referente ao ordenado. Penso que financeiramente era viável. Portanto acho fundamental reforçar o nosso pior sector, a defesa e se possível também o ataque (com a entrada de um goleador).

Como disse atrás, quando os clubes encontram-se em baixo é muito difícil atrair jogadores. Mas existem sempre os oportunistas a quererem meter o “dedo no clube”. Quando alguém está débil, aparecesse outro em jeito de salvação a auxiliá-lo com promessas e mais promessas. Cuidado Belenenses! Aqui no blog afirmei que era importante a entrada de capital na SAD, pois a nossa realidade financeira assim nos obriga. Os custos são mais elevados que as receitas e o clube assim não tem sustentabilidade para aguentar. Com uma fraca bilheteira, com uma equipa que a continuar com estes resultados não irá atrair novos patrocinadores, com um markting débil, a situação carece de uma intervenção. Defendo a entrada de capital, mas atenção há que ponderar e analisar com quem estamos a negociar. Na vida económica há de facto uma característica fundamental – a confiança. Um exemplo, senão tivermos confiança nos bancos, os indivíduos começam a retirar o dinheiro das suas poupanças e o sistema económico vai por “água abaixo”. O mesmo se passa com esta empresa que quer investir no Belém. Desde quando um general tem interesse em negociar com o Belém? Para abrirmos o capital temos de ter confiança nessa empresa. Não me parece que um antigo combatente e agora general perceba alguma coisa de economia. Ou melhor como arranjou tal empresa. Quanto a mim não quero que ele seja um dos maiores accionistas do Belém, pois para colocar quase 2 milhões de euros no clube, prefiro vender um activo e continuar com uma maioria na SAD. Não tenho confiança nesta empresa, porque de salvadores já nós percebemos. Tivemos um e depois fugiu.

Por último outro tema, a revisão dos estatutos. É imperioso mudar os estatutos de acordo com a realidade social. Mudar os estatutos é mudar o clube também. Os estatutos são a ordem jurídica no clube e são esses que nos guiam no dia-a-dia no Belém.

Em primeiro lugar, concordo com a Comissão de Revisão dos Estatutos em recuperar os antigos sócios, em terminar os votos por procuração e em alterar os mandatos dos Órgãos Sociais de 2 para 3 anos (dando maior estabilidade às direcções). Acho que são questões de fundo que precisam de ser efectivadas em Assembleia Geral.

Mas continua a não haver um plano para este Belenenses. Continuamos a não saber a real situação económica do clube, o marketing apesar de um esforço para se revitalizar, continua perdido sem um rumo e no campo das grandes decisões económicas - a abertura de capital da SAD e o projecto imobiliário (que poderiam dar sustentabilidade a este clube a médio e longo prazo) nada está a ser feito. Faço aqui um alerta para todos os sócios e elementos da direcção do Belém, não confiem em quem vos aparecer primeiro à frente para investir no clube. E para os sócios, pensem com clareza, porque o clube precisa de nós mais do que nunca.

Espero que se façam opções e decisões, pois de teoria estamos fartos! Queremos realmente um projecto sustentável, levado a cabo por pessoas competentes.

Saudações Azuis!
Nuno Valentim

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Quarto de Hora à Belém XXI




Amigos Belenenses, o novo ano já esta em marcha e com ele esperamos melhores dias.

Esperamos que neste ano consigamos mais vitórias, mais prestígio e sobretudo conseguir pelo menos um título ou dois numa modalidade. Quem sabe senão poderemos revalidar o título de campeão de râguebi e conquistar o nosso primeiro título em futsal.

No caso do futebol, esperamos que 2009 nos traga o verdadeiro valor desta equipa, que repito não é o que a classificação diz. O valor desta equipa juntamente com alguns bons reforços (sobretudo para a defesa e o ataque), é sem dúvida a consagração de uma boa equipa. Zé Pedro, Silas, Vinicius, Mano, são apenas alguns nomes que nos podem indicar o caminho para uma fase mais tranquila, um Belenenses melhor, com muito mais vitórias. Acreditemos nisso!

2009 será assim, um ano de muitas decisões. Não só sobre o futuro da equipa de futebol falaremos, como iremos abordar algumas questões sobre o futuro do clube.

Uma das questões será o novo presidente do Belém. Esperemos que neste ano saibamos escolher o nosso “rosto”, um homem com carácter, inteligente, seguro de si próprio.

O novo presidente terá de ser diferente como o Belém, com identidade e sobretudo com ideias inovadoras. Esse será sem dúvida um acontecimento muito importante para 2009.
Outra questão prende-se com as modalidades. Assistimos recentemente à saída, ainda muito mal explicada de Bryce Bevin, no caso do râguebi, à qual teremos muita dificuldade em substituí-lo e esperamos que o râguebi com a sua excelente estrutura escolha um bom treinador, que nos possa levar de novo à vitória no campeonato.

Como disse no início, o futsal também nos poderá dar imensas alegrias. Há que começar o ano em beleza, vencendo o Benfica e cimentar a liderança no campeonato de futsal. Para depois nos playoffs aparecermos em grande!

Outra questão importante para 2009 será a real situação financeira do clube. É muito importante conhecer qual o passivo, que decisões poderemos tomar e qual a estratégia a seguir.

Vai ser um ano de decisões importantes sobre as quais os sócios terão que pensar mais do que nunca.

Para este ano o futuro do clube tem que ser muito mais efectivado, e tentarmos caminhar para uma base de sustentabilidade positiva, com boas decisões a nível financeiro e de gestão do plantel.

Para 2009 o desejo resume-se a mais vitórias do clube e que continuaremos a ser do grande Belenenses! Vamos lá começar com o pé direito a vencer Benfica (no caso do futsal) e o Braga (no futebol).
Bom ano para todos!

Saudações Azuis!
Nuno Valentim