quinta-feira, fevereiro 17, 2005

MANIFESTO ELEITORAL DE DR. ANTÓNIO RODRIGUES MENDES PALITOS

POR UM BELENENSES COM ALMA E EMOÇÕES.
CHEGOU A HORA DE MUDAR E DE GANHAR
TRABALHO, PROFISSIONALISMO, SERIEDADE, AMBIÇÃO, VITÓRIAS

AS NOSSAS AMBIÇÕES

Com esta minha Candidatura, estão todos os que achamos que O BELENENSES MERECE MAIS E MELHOR e que chegou o momento decisivo da nossa História:
- Optamos pela mudança e viramo-nos para fora, para a sociedade, para o país e para o mundo, para a competição e para a vitória, num grande projecto desportivo que nos levará em poucos anos a voltar a ser indiscutivelmente UM DOS GRANDES
- Ou preferimos a continuidade de vivermos virados para dentro, sem alma e sem ambição, descontentes e mal dispostos, e sempre condenados a viver épocas de grande aflição.

A nossa opção está feita e só podia ser a primeira. Fazer do Belenenses um GRANDE CLUBE, um CLUBE COM ALMA. Queremos voltar a disputar os lugares cimeiros. Vamos trazer a massa associativa para dentro do Clube e para as bancadas do Restelo. Crescer com melhor organização e muito bom senso. Usando os recursos próprios, mas sempre recusando as loucuras que fizeram a ruína dos outros.
O Belenenses merece MAIS e MELHOR.

20 OBJECTIVOS E 20 COMPROMISSOS
- Queremos iniciar um processo, com cabeça, tronco e membros, que leve o Belenenses a ser um dos quatro maiores clubes de Futebol portugueses até 2010, um clube com alma e ambição, capaz de vencer a Super Liga e ganhar o acesso às competições europeias e de nelas se prestigiar e valorizar;
- Vamos consolidar o ainda precário equilíbrio económico e financeiro do Clube. Este não deverá ser entendido numa lógica de “mercearia” e sim como uma realidade dinâmica e de desenvolvimento assente sobretudo em recursos próprios. O Trabalho profissional, honrado e competente, deve progressivamente impor-se ao amadorismo auto- -desresponsabilizador e algo hipócrita que tem empurrado ciclicamente o Clube para situações de crise;
- Devemos investir com determinação, mas sensata e inteligentemente, na valorização do plantel, evitando as tradicionais soluções em que o Belenenses funciona como pau de cabeleira dos negócios alheios, como parque de estacionamento dos interesses de terceiros, ou como vendedor de lebre a preço de gato;
- Poremos à disposição do Clube os recursos financeiros necessários à renovação do plantel, sem perder de vista a sustentabilidade do processo; os recursos envolvidos devem ser não mais do que os necessários e não menos do que os suficientes, rejeitando-se assim as megalomanias que puseram no passado o Clube em perigo, mas aceitando investir em jogadores de comprovada qualidade e com futuro à sua frente. Não embarcaremos na presente onda de contratações de duvidosa qualidade no mercado brasileiro, que tantas vezes se revelam péssimos negócios e que nem sempre se concretizam com a necessária transparência ;
- Implementaremos em todas as estruturas do Clube uma gestão profissional por objectivos, com orçamentos de base zero, definição anual de metas quantificadas e verificáveis e efectiva responsabilização dos decisores pelos resultados alcançados;
- Importa criar mecanismos efectivos de controlo da execução orçamental e uma estrutura interna de auditoria financeira e jurídica;
- Aumentaremos drasticamente as receitas em áreas actualmente mal exploradas, mas decisivas para um Clube moderno e com ambições (plano de marketing estratégico, angariação sistemática e profissional de grandes patrocínios, etc.) e manteremos o controlo apertado sobre os custos que não tragam efectivos benefícios ao Belenenses ;
- Importa devolver o Belenenses aos Sócios, atraindo-os (os actuais e os futuros) para a vida do Clube, fazendo mais e melhor comunicação e criando condições para a sua participação e envolvimento neste projecto de mudança, que se pretende seja feito com alma e com emoção. Isso permitirá também aumentar o número de sócios efectivos pagantes, acabando-se com a actual situação em que uns pagam e outros não. Queremos chegar a uma situação em que todos os 30 mil sócios possam votar, porque pagaram voluntariamente as suas quotas e se reconciliaram o Clube. Não nos contentaremos com uma “democracia” só para alguns, porque isso diminui a grandeza do Belenenses, alimenta injustiças e descontentamentos e faz correr o risco de se elegerem Direcções com o voto de apenas um punhado de “amigos”;
- Reforçaremos a democraticidade interna do Belenenses, com a transparência da Gestão e através da realização de inquéritos regulares de opinião aos sócios acerca de questões importantes da vida do Clube;
- Assumiremos sem complexos a prioridade ao Futebol profissional, no respeito pelo nome do Clube, mas continuaremos a apoiar adequada e realisticamente outras modalidades onde exista maior potencial desportivo e perspectivas comerciais sólidas: Andebol, Basket, Natação e Rugby. Estudaremos a viabilidade económica do regresso em força ao Ciclismo. Estudaremos ainda a potencialidade do Futsal e do Hóquei, implementando prioritariamente a primeira que tão bons frutos está a dar; Envolveremos a massa associativa neste processo estratégico. Apoiaremos com realismo as outras modalidades ditas “amadoras”, proporcionando-lhes melhores recursos próprios, rumo à sua autosustentação, a prazo;
- Defenderemos intransigentemente, em sem complexos de subalternidade, os interesses do Belenenses nas estruturas associativas do Futebol – Liga, Federação e Associação. Deve ser o Clube a definir os seus interesses, as suas prioridades e o seu calendário. Por isso, não andaremos a reboque de terceiros e nunca mais serviremos de muleta a projectos de poder de terceiros. Exigiremos sempre ser tratados em pé de igualdade; e praticaremos uma política de relacionamento cordial com todos os agentes, clubes e instituições desportivas desde que estes tratem o Belenenses com seriedade e respeito;
- Será criado um “Espaço do Sócio” no Complexo Desportivo do Restelo, dotando-o progressivamente de um Café Internet, um espaço de TV e Vídeo, uma área de ginásio, área de ateliers, área de leitura e similares. Este espaço será economicamente autosustentado e constituirá uma tertúlia de convívio da Alma Belenenses. Pretende ser uma alternativa concreta ao espírito que ainda hoje domina o Restelo;
- Proporemos uma cuidadosa revisão dos Estatutos, melhorando a democraticidade da vida do Clube, e designadamente regressando-se aos mandatos de três ou quatro anos dos corpos sociais, única forma de assegurar a indispensável estabilidade de gestão e a viabilidade de cada “ciclo de projecto” em termos de Gestão;
- Daremos seguimento aos projectos imobiliários anunciados pela Direcção cessante para o perímetro do Estádio do Restelo que se revelem como correctos, mas efectuaremos rapidamente uma avaliação cuidadosa e uma auditoria independente aos compromissos eventualmente já celebrados com terceiros, em ordem a garantir que os mesmos não prejudicarão o desenvolvimento das actividades desportivas e assegurando, em qualquer caso, a optimização do retorno económico e financeiro de tais empreendimentos, procurando evitar a alienação de património;
- Investiremos mais e melhor no Futebol Infantil e Juvenil e no funcionamento da Escola de Formação Vicente Lucas, designando um Gestor profissional para toda esta áreas, de forma a que o Clube possa beneficiar a prazo da grande riqueza e potencial das camadas mais jovens. Estas devem ser encaradas como um importante viveiro do Clube e como uma potencial fonte de grandes receitas a médio e longo prazos, assumindo uma filosofia de Clube que aposta primeiro na formação, valorização e aproveitamento dos seus próprios recursos e que só complementarmente recorre ao mercado de jogadores para suprir lacunas competitivas; De igual modo, mais e melhor investiremos na formação do Andebol e Basket;
- É importante profissionalizar e desenvolver a área de Marketing, Patrocínios e Merchandising, valorizando as marcas “Belenenses”, “Belém” e “Liga Azul”, criando produtos e serviços mais apetecíveis, celebrando acordos com entidades prestigiadas, tornando este sector num importante centro de receita, virando-o para todo o mercado e não apenas para o interior do Clube;
- Lutaremos pela mediatização do Belenenses, de forma a que ele passe a merecer o acesso às primeiras páginas dos jornais e aos espaços de debate desportivo nas televisões. Para tanto, será celebrado um acordo de cooperação preferencial entre o Belenenses e um dos grandes grupos mediáticos portugueses, líder de mercado, de forma a que o Clube consiga desenvolver e aproveitar importantes sinergias na Imprensa, Rádio e Televisão, assim se conseguindo reforçar o seu prestígio e notoriedade e o seu capital de influência no sector desportivo;
- Prosseguiremos uma política de correcto e leal relacionamento com os investidores no Clube e lutar pela melhoria dos contratos de direitos audiovisuais;
- É preciso ordenar, limpar e beneficiar algumas instalações e espaços técnico-desportivos no Complexo do Restelo, contrariando a sua evidente degradação. Isso deve ser feito sem recurso a grandes despesas, porque tal não será necessário para melhorar as condições de utilização por todos os atletas das várias modalidades. Será assegurada uma melhor higiene desses espaços, especialmente em alguns balneários, o que actualmente não acontece devido ao laxismo e desmazelo;
- Recuperaremos a tradição dos troféus anuais que distingam os atletas e sócios de grande mérito; e que distingam também, em certos casos excepcionais, outras personalidades que tenham prestado serviços muito relevantes ao Belenenses.

ELEIÇÕES – ALGUNS NÃOS (3)

Artigo da autoria de Eduardo Torres

Espero que, ao contrário do que sucedeu em outras ocasiões, nomeadamente aquando das eleições de José António Matias (1994) e da dupla Ferreira de Matos / Joaquim Cabrita (1990), não saia vencedora, do próximo acto eleitoral no Belenenses, uma candidatura que se caracterize pelo conformismo e falta de ambição.

Há quem diga que foi a ambição - o excesso de ambição - que provocou os grandes males no clube. Eu, com base nos factos, penso exactamente ao contrário. Os que mais enterraram o Belenenses (possivelmente de modo involuntário, não discuto isso) sempre se caracterizaram pelo cinzentismo, por uma imagem de subalternização do clube, por uma postura de conformismo com a menoridade. Para alguns, dá jeito pensar que o problema é ser-se ambicioso: baixa o nível de exigência, e instala a cultura do “qualquer coisa serve”. Mas...


Foi pela falta de ambição que José António Matias começou logo por vender o nosso melhor jogador de então (Emerson), enchendo o clube de emprestados do F.C.Porto e do Benfica, sintoma invariável de menoridade e subalternização face aos clubes emprestadores. Foi por causa da falta de ambição que Ferreira de Matos / Joaquim Cabrita acusaram a lista (infeizmente!) perdedora, liderada pelo Major Baptista da Silva, de megalomania e excesso de ambição; e que, uma vez eleitos, se puseram de joelhos face a Benfica, F.C.Porto e Sporting, para apanharem umas migalhas, no caso uns jogadores emprestados pelo F.C.Porto e o acabado Chalana (“a fim de que este não estivesse parado no Benfica”!!!), e transformarem o Belenenses num clubezinho folclórico, exposto ao ridículo e aos desastres desportivos.

Não quero, de maneira nenhuma aventureirismos; mas não votarei numa lista que revele conformismo e falta de ambição em afirmar (com a sua postura e as suas obras) o Belenenses com um grande clube: uma ambição lúcida, inteligente e fundamentada!

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

ENTRE O PASSADO E O FUTURO - SÍNTESE DO PASSADO – PARTE V – DE 1982 a 1989

Entramos aqui no período cronológico que, para mim, posso chamar os tempos modernos (que antecedem os contemporâneos). Isto surpreenderá os que têm bastante menos que os meus 43 anos ou os que de história do clube não têm mais memória do que a de meia dúzia de anos. Mas até esses, um dia, concluirão, como eu, que o tempo voa, e as distâncias que antes nos pareciam longínquas se tornam próximas.

Caído na 2ª divisão, pela primeira vez na sua longa e gloriosa história, em 1982, ainda por cima com um déficit tremendo (e justamente, em larga medida, por causa disso), o Belenenses vivia dias sombrios e o futuro estava cheio de presságios negros.

Valeram, nesta emergência, um punhado de belenenses corajosos e a fidelidade dos verdadeiros adeptos do clube. Entre eles, cumpre destacar Acácio Rosa que, uma vez mais, no início quase sozinho, tentou estancar a queda, começou a inverter a situação, opôs-se à anarquia instalada (com o Belenenses ao abandono, qual quinta sem dono!), diminuiu despesas e aumentou receitas, restaurou a dignidade clubística. Depois, Mário Rosa Freire, que fez ressurgir o clube do ocaso futebolístico e, em seguida, o liderou durante alguns anos em que se obtiveram os melhores êxitos futebolísticos das última décadas: uma Taça de Portugal, uma outra presença na final dessa prova, um 3º lugar no Campeonato, o regresso, durante 3 anos consecutivos, às competições europeias. Como algum dia, inspiradamente, escreveu Alexandre Pais, a sobrevivência do Belenenses foi, em grande medida, “o milagre dos Rosas” – que curiosamente se haveriam de digladiar entre si.

Grande parte dos adeptos actuais não podem imaginar o que significava, então, o Belenenses ter descido ao inferno da 2ª Divisão (correspondente à actual Divisão de Honra). Não era um facto normal e, muito menos, costumeiro; era, sim, algo de insólito e quase inacreditável. Naqueles tempos não se ouvia, como hoje se ouve com tanta frequência - e com tanta ligeireza e tanto despudor, que muito nos ferem, diga-se de passagem – “os nossos rivais são os clubes pequenos não são os chamados grandes”. Para todos os belenenses de então (e ainda hoje, julgo eu, para aqueles que se prezam), o nosso clube era um dos grandes e os outros (grandes) eram/são os seus verdadeiros rivais – sem o que continuaremos a perder a identidade e caminharemos para a morte. Aquela estadia na divisão secundária parecia-nos um verdadeiro exílio, uma penosa expiação.

Muitos de nós, entre os quais me incluo, temeram mesmo que aquela pudesse ser uma queda sem retorno de um clube desvitalizado. E isso pareceu confirmar-se logo no jogo inaugural na 2ª divisão, com um descolorido empate 0-0 no Restelo, frente ao Olhanense, prolongar-se-ia com uma época cinzenta e decepcionante, que raramente deu esperanças de subida (terminámos em 5º lugar), e afigurava-se continuar com desacertos e mudanças de treinadores na primeira parte da época de 1983/84. Só com a vinda do treinador Jimmy Melia encarreirámos de ver, assegurando um muito festejado regresso à 1ª Divisão (mais de 30.000 pessoas no último jogo no Restelo) e o título de Campeão Nacional da 2ª Divisão.

Durante o calvário de tristes resultados no futebol, valia-nos a consolação de, por um lado, se notar um cerrar de fileiras e sinais de recuperação financeira; por outro lado, as proezas obtidas nas modalidades extra-futebol. Vejamos os feitos obtidos nesse terrível período de 1982 a 1984:


1982 - Vencedor da Taça de Portugal em Andebol (triunfo por 26-24 sobre o Benfica, na Final). Vencedor da Supertaça em Andebol. Campeão de Lisboa de Iniciados, em Andebol. Campeão Nacional de Juniores, em Basquetebol. Campeão Nacional de Juvenis, em Basquetebol. Campeão de Lisboa de Juvenis, em Basquetebol. Campeão de Lisboa de Juniores, em Hóquei em Campo. Finalista da Taça de Portugal em Râguebi. Campeão Nacional de Juniores, em Râguebi. Finalista da Taça de Portugal de Juniores, em Râguebi. Estreia nas Competições Europeias de Hóquei em Patins. José Pinto, Campeão Nacional de 20 Km Marcha. Ana Rute Almeida, Campeã Nacional de Patinagem Artística. Maria José Falcão, Campeã Nacional de Ginástica. Maria João Falcão, Cristina Lebre e Elsa Lebre presentes no Campeonato Europeu de Ginástica Rítmica. José Pinto presente nos Campeonatos Europeus de Atletismo.

1983 - Campeão Nacional de Juniores, em Hóquei em Patins. Campeão de Lisboa em Hóquei em Campo. Campeão Nacional de Juniores, em Basquetebol. Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol. Finalista da Taça de Portugal, em Râguebi. José Pinto, Campeão Nacional de 20 Km Marcha. José Pinto presente nos Campeonatos do Mundo de Atletismo. Campeão Nacional de Ginástica Rítmica. Vencedor da Taça de Portugal de Ginástica Rítmica. Cristina Lebre, Margarida Carmo, Maria José Falcão e Ana Cristina Peleira presentes no Campeonato Mundial de Ginástica Rítmica. Reinicia-se a actividade da Natação e do Pólo Aquático.

1984 - Vice Campeão Nacional de Andebol. Vencedor da Taça de Portugal, em Andebol (triunfo sobre o Benfica por 20-18, na Final). Vencedor da Supertaça, em Andebol. Campeão Nacional de Juniores, em Basquetebol. Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol. Finalista da Taça de Portugal em Râguebi. Vice Campeão Nacional de Juniores, em Equipas Masculinas de Atletismo. Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Juniores Masculinas. Campeão de Lisboa, em Hóquei em Campo. José Pinto, Campeão Nacional de 20 Km Marcha (5ª vez consecutiva). José Pinto bate o próprio Record Nacional de 50 km Marcha e obtém 2ª melhor marca ibérica. José Pinto participa nos Jogos Olímpicos em Atletismo – 8º Lugar nos 50 Km Marcha. Maria João Falcão e Margarida do Carmo participam nos Jogos Olímpicos, em Ginástica Rítmica. Vitória na Taça de Portugal de Ginástica Rítmica.

Face a isto – que resulta de uma compilação que jugo inédita - reitero o que em tempos já escrevi: em épocas de crise sombria do Futebol (sem dúvida, claro, o cerne do Clube...de Futebol Os Belenenses) foram algumas outras modalidades a manterem viva a chama do orgulho clubístico. À atenção dos que defendem que se deve apostar tudo (só) no Futebol!...

As épocas seguintes ao regresso à 1ª divisão foram, em síntese (com as inevitáveis oscilações e períodos ou jogos menos bons), algo que conservamos na memória com muito agrado. Deixaremos um rápido resumo, uma vez que já sobre elas falámos abundantemente.

1984/85 – Para 1ª época de retorno, um bastante razoável 6º lugar no Campeonato

1985/86 – 7º lugar no Campeonato (mas com um bom final, já com Henry Depireux a treinador), 3 jogadores presentes entre os 22 que foram ao Campeonato do Mundo no México e, 26 anos depois, o regresso a uma final da Taça de Portugal. Perdemos 2-0 com o Benfica mas podíamos ter resolvido o jogo a nosso favor nos primeiros dez minutos

1986/87 – Liderança do campeonato até à 8ª Jornada, a primeira vitória sobre um dos outros grandes após o regresso à Divisão maior (2-0 sobre o Sporting, com 45.000 pessoas no Restelo; houve enchentes idênticas contra F.C.Porto e Benfica e outras excelentes assistências, por exemplo, contra Académica, V.Guimarães e Chaves). Algumas exibições espectaculares, nas quais pontificaram Jaime, Mapuata e Mladenov (este, trazendo um “perfume” de classe ao nosso futebol). No final do Campeonato, a conquista do acesso às competições europeias.

1987/88 – Excelente réplica na eliminatória da Taça UEFA com o Barcelona (pela 3ª vez no nosso caminho): derrota 2-0 em Nou Camp (com os 2 golos sofridos no período de descontos!...) e vitória 1-0 no Restelo (com o 2-0 a escapar-nos por um triz diversas vezes). 3º Lugar no final do Campeonato – o regresso ao pódio, 12 anos depois.

88/89 – Liderança do Campeonato nas 5 primeiras jornadas. Eliminação do Bayer Leverkusen, detentor da Taça UEFA, nesta competição, com dupla vitória por 1-0. Conquista da Taça de Portugal, após vitória por 2-1 sobre o Benfica, com o Jamor a transbordar, e mais de 20.000 belenenses presentes, e a consequente garantia do acesso, pela 1ª vez,
à Taça das Taças.

Durante estes anos, assistimos a algo que, incrivelmente, foi único nos últimos 30 anos: a construção coerente e sistemática de uma equipa, ano após ano, todas as épocas garantindo alguns verdadeiros reforços (como vimos detalhadamente em artigos anteriores) e, ao mesmo tempo – aspecto muito importante – não vendendo NENHUM dos jogadores de qualidade. E aqui, toco num ponto que gostaria de frisar, e no qual tenho uma posição muito própria, e invulgar nos dias que correm: sou totalmente CONTRA a venda dos jogadores que nos interessem a equipas portuguesas, mesmo que isso traga um bom encaixe financeiro. A única excepção é se a nossa solvibilidade depender radicalmente dessa venda. A ter que se vender, que se procure fazê-lo para clubes estrangeiros, porquanto:

1º Pagam mais e melhor;
2º Não fortalecemos os nossos adversários;
3º Não nos menorizamos nem contribuímos para alimentar o domínio ditadorial de certos clubes todo-poderosos (como ainda há pouco vimos no caso da ida de José Couceiro para o F.C.Porto, oportunamente comentada neste blog).

A conversa de “não cortar as pernas” é, em si mesma, absurda. Os jogadores e treinadores estão ao nosso serviço (e não o contrário), recebem ordenado e assinaram um contrato. Eles decerto não se vão deter em considerações como “não cortar as pernas ao Belenenses” quando trocam o nosso clube por outro. O posicionamente deve, pois, ser recíproco. Lembremos, para não recuar mais, a triste “borrada” que fizemos com a venda do Emerson: excelente negócio sim, mas para o F.C.Porto (que se limitou a ter olho). Poder-se-á dizer: “ah, mas o Boavista vendeu e vende... o Braga, idem”. E eu respondo: Pois, mas isso é o Boavista. E nós não podemos ser o Boavista II ou o Braga II. Se quisermos ir por esse caminho, que nega a identidade do clube, continuaremos a insistir na via que, por exemplo, levou à desertificação do Restelo (cuja causa principal é que, por falta de afirmação da nossa identidade, por arrefecimento de paixão e de orgulho, os adeptos não aguentam mais e afastam-se). Bem sei que o Boavista, nos últimos 15 anos, tem obtido melhores resultados que nós. Isso não está em causa. O que contesto é que, para tentar inverter a situação, devamos continuar a procurar imitá-los.

Como já vimos no artigo anterior, prova de que bons resultados no Futebol não são incompatíveis com bons resultados nas outras modalidades, são os sucessos nestas alcançados durante esses anos de retoma:

1985 - Campeão Nacional de Andebol. Vice Campeão Nacional de Juniores, em Andebol. Vice Campeão de Lisboa de Juniores, em Andebol. José Pinto, Campeão Nacional de 50 Km Marcha. Campeão Nacional de Ténis, em Veteranos. Vencedores da Taça Ibérica de Veteranos, em Ténis. Estreia na Taça dos Campeões Europeus de Veteranos, em Ténis. Campeão de Lisboa de Infantis, em Hóquei em Campo. Minervina Tomás, Campeã Nacional de Pentatlo Moderno.

1986 - Vice Campeão Nacional de Andebol. Vice Campeão Nacional de Juniores, em Andebol. Vice Campeão de Lisboa de Juniores, em Andebol. Vencedor da Taça de Portugal de Juniores, em Râguebi. Campeão de Lisboa de Infantis em Hóquei em Campo. José Pinto presente nos Campeonatos da Europa de Atletismo.

1987 - Finalista da Taça de Portugal, em Andebol. Campeão de Lisboa de Andebol, em Iniciados. Campeão Infantil de Lisboa, em Andebol. Campeão Nacional de Juniores, em Râguebi. Finalista da Taça de Portugal de Juniores, em Râguebi. Vencedor do Torneio Nacional de Juvenis, em Râguebi. Campeão de Lisboa de Juniores, em Hóquei em Campo. Campeão Nacional de Ténis, em Veteranos. Minervina Tomás, Campeã Nacional de Pentatlo Moderno. Manuel Manteigas, Campeão Nacional de Duatlo. José Pinto, Campeão Nacional de 50 Km Marcha. José Pinto presente nos Campeonatos do Mundo de Atletismo (pela 2ª vez). José Pinto presente nos Campeonatos Europeus de Pista Coberta. José Pinto presente na Taça do Mundo de Marcha. 1º jogo da Equipa Feminina de Râguebi.

1988 - Finalista da Taça de Portugal em Andebol. Vice Campeão de Lisboa de Juniores, em Andebol. Campeão de Lisboa de Juvenis, em Andebol. Campeão de Lisboa de Infantis, em Andebol. Equipa Júnior de Râguebi chega pela 1ª vez à final da Taça Ibérica. Campeão Nacional de Juniores, em Râguebi. Campeão de Lisboa de Juvenis, em Andebol. Campeão de Lisboa de Iniciados, em Andebol. Campeão Nacional de Ténis, em Veteranos. Conquista da Taça Ibérica de Ténis, em Veteranos. Vice Campeão de Lisboa, em Hóquei em Campo. Finalista da Taça de Portugal, em Hóquei em Campo. Estreia do Hóquei em Campo na Taça das Taças. Campeão de Lisboa de Juvenis, em Hóquei em Campo. Campeão de Lisboa de Juvenis, em Hóquei em Patins (de 6). Início da actividade do Triatlo. Teresa Ramos, Campeã Nacional de Pentatlo Moderno. Teresa Ramos participa nos Campeonatos da Europa de Pentatlo Moderno. Campeão Nacional de Marcha em Seniores, Juniores e Juvenis. José Pinto, Campeão Nacional de 50 Km Marcha. José Pinto participa nos Jogos Olímpicos em Atletismo (Marcha).

1989 - Campeão de Lisboa de Juvenis, em Andebol. Campeão de Lisboa de Iniciados, em Andebol. Finalista da Taça de Portugal em Râguebi. Campeão Nacional de Juniores, em Râguebi (3ª vez consecutiva). Finalista da Taça de Portugal de Juniores, em Râguebi. Equipa Júnior de Râguebi chega pela 2ª vez consecutiva à final da Taça Ibérica. Vice Campeão Nacional de Hóquei em Campo. Campeão de Lisboa de Hóquei em Campo. Finalista da Taça de Portugal em Hóquei em Campo. Campeão de Lisboa de Juniores, em Hóquei em Campo. Vice Campeão Nacional de Juvenis em Hóquei em Campo. Vice Campeão de Lisboa de Juvenis em Hóquei em Campo. Campeão Nacional de Ténis, em Veteranos. Teresa Ramos, Campeã Nacional de Pentatlo Moderno. Teresa Ramos participa nos Campeonatos o Mundo de Pentatlo Moderno. Campeão Nacional de Marcha Atlética, por Equipas. José Pinto, Campeão Nacional de 50 Km Marcha. José Pinto presente na Taça do Mundo de Marcha (pela 2ª vez).

E em 1989 terminou o nosso breve período de (só) parcial ressurgimento – em grande medida potenciado pelo golpe de asa que foi a abertura do Bingo, em Março de 1986, em zona privilegiada. Tempos terríveis, mais terríveis que nunca, viriam a seguir... Vê-los-emos no próximo artigo, em que encerraremos esta digressão pelo passado, para, a partir de então, nos situarmos no presente e nos dirigirmos para o Futuro.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Por falar em assistências...

Não gosto de ser alarmista e faço por não o ser. Por isso digo que a presença de tão pouco público nas bancadas não me parece assim tão grave quanto isso, por uma série de factores diversos. O mesmo não significa que não me deixe profundamente triste, até porque poucas acções ver serem tomadas para inverter a situação.

Há uns meses atrás, por altura do jogo com o Boavista, tinha vários convites. Contactei vários amigos no sentido de irem ao Restelo. Muitos deles foram pela última vez ao Restelo ver o jogo com o Braga da época passada, e grande parte desses deram a resposta óbvia para quem não seja um verdadeiro apaixonado pelo clube: “Para ver tristezas? Deixa estar, obrigado.”


Ou seja, levar gente ao Estádio não se consegue em 2 dias, nem 2 semanas, nem 2 anos. Até porque mesmo uma “enchente” pontual pode significar um retrocesso: querem melhor exemplo que o tal jogo com o Braga?

É preciso haver um projecto estruturado capaz de integrar diversas vertentes: a paixão, o preço, a qualidade do recinto, a qualidade do espectáculo e, acima de tudo, o resultado final. Porque no fim de contas, por muito bonito que seja jogar bem, o que o adepto quer é ver a sua equipa ganhar. E não me convencem com “tretas” de que há um público que gosta de futebol, e não deste ou daquele clube. Se estamos à espera desses para fazer receita, então teremos umas dezenas de espectadores por jogo… a não ser que haja o tal projecto a longo prazo.

Comecemos então a analisar as diversas vertentes:

Paixão – Infelizmente, sucessivos erros desportivos e de gestão têm afastado muitos adeptos. Para além disso, é preciso não esquecer que “bases de apoio” como a Ajuda, Belém ou Alcântara estão envelhecidas. Mas tal como o resto da cidade antiga, algumas dessas zonas estão a ser reocupadas por uma nova geração e aí temos “material humano” para “apaixonar”. Porque as paixões alimentam-se, senão extinguem-se. Há ainda o problema de grande parte dos “crónicos” espectadores preferirem apupar a equipa em vez da apoiar. Esses ainda lá vão… e os outros que compram o cativo e não aparecem? E os outros que só vão de 2 em 2 anos? E aqueles que vão sempre que é de borla? Não teremos de os apaixonar? Como isso é conseguido? Esqueçam fórmulas milagrosas, há que ser paciente e saber receber os espectadores. Há que criar hábito. Querem melhor exemplo que as músicas que são passadas antes dos jogos e durante os intervalos? Uma lástima, sucessos já com bolor, se calhar de um tempo em que o Belenenses até ainda tinha chama, mas que não se coadunam com um espectáculo do Séc. XXI. Passar meia-hora a ouvir hits dos anos 80 é um mau prelúdio para o jogo. Custará assim tanto passar músicas que as pessoas tenham vontade de ouvir? Nem que seja o último êxito dos inenarráveis O-Zone. Quem é que nunca trauteou aquela coisa horrenda chamada Dragostea Din Tei??? Ora aí está, se toda a Europa trauteia tal coisa sem fazer a mais pequena ideia do que seja, é porque foi criado um hábito. Tantas vezes ouvimos aquilo no rádio ou na TV que nos habituámos. É o que temos de fazer no Estádio. Habituar as pessoas a frequentá-lo, começando por despertar a paixão. Relativamente à paixão, penso até que temos uma grande vantagem relativamente aos outros clubes de Lisboa, nós ainda somos 2 coisas que eles deixaram de ser: um “Clube” e “de Lisboa”. Há que aproveitar as vantagens que daí podemos retirar (e são tantas). Para além disso, é importante “piscar o olho” aos concelhos de Oeiras, Sintra e Cascais, praticamente desprovidos de representação futebolística.

Preço – Este tema já aqui foi mais do que debatido, portanto se calhar voltamos a bater na mesma tecla. Mas não se compreendem os preços praticados, é um facto. Preços de Liga dos Campeões para mais um jogo entre equipas do meio da tabela é ridículo e é matar o futebol. Dizem que um dos problemas de ter muita gente, é que isso aumenta os custos, portanto diminuir o valor dos bilhetes acaba por diminuir ainda mais a margem. Para alguém que só vê em frente, sim, de certeza. Mas e que tal rentabilizar essas pessoas que estão “por nossa conta” durante 2 horas? Incremento de receitas de patrocínios, merchandising, apoio à equipa e consequentemente melhores resultados desportivos, apostar nos serviços para além do raio do jogo na relva… com 3 ou 4 vezes mais pessoas, os bares não facturam muito mais? Não poderemos então cobrar mais pelo aluguer do espaço? E não trará ainda mais empresas interessadas em explorar os bares, fornecendo serviços de melhor qualidade, sendo mais rentáveis e, consequentemente, termos um ainda melhor retorno financeiro? Tenho o máximo respeito pelos vendedores que andam nas bancadas, mas por favor: batas fritas, nougats e afins não é pouco? E porque não, para além de comida e bebida, haver também venda de merchandising? E de brochuras sobre o jogo? Se até no basket, nas competições europeias, ao comprar o bilhete se recebe uma fotocópia com os plantéis de ambas as equipas... Isso é tão pouco e no futebol já é pedir demais.

Qualidade do recinto – É na minha opinião o ponto que mais temos a nosso favor, e se calhar um ponto com que jogamos pouco. Temos um Estádio (um verdadeiro Estádio) remodelado, com todas as condições para a prática desportiva e boas condições para a assistência. Neste último aspecto haverá coisas a rever, saltando à vista de imediato as longas filas para comprar bilhete. Para quando meia dúzia de máquinas de venda automática de bilhetes? Mas o recinto é, sem dúvida, o nosso melhor activo neste aspecto e um dos únicos factores afectos ao Belenenses que é respeitado pelos adeptos dos outros clubes, que são unânimes em considerar o Estádio do Restelo como um estádio muito bonito.

Qualidade do espectáculo – Depende não só de nós, como do adversário. Mas aí também podemos ter um papel decisivo em termos desportivos… mas não só. Há que preencher os tempos mortos. A ideia da entrada em campo de crianças com a equipa é óptima, são é precisas mais dessas ideias. Tenho a certeza que uma percentagem elevada dessas crianças tornar-se-á adepta azul. Outras iniciativas do género são necessárias.

Resultados – O ponto fundamental para atrair pessoas, advoguem o que quiserem. Eu não me esqueço do Estádio da Luz, dos tais 6 milhões, na “era Souness”, com assistências de 3, 4, 5 mil pessoas, semana após semana. O mesmo estádio que, bastando cheirar ao de leve a título, necessitava do triplo ou quádruplo de lugares. Não sejamos demagogos e insinuemos que esses Belenenses que só lá vão quando ganham são piores do que aqueles que estão lá sempre. São diferentes, e precisamos deles para ganhar ainda mais. E precisamos de ganhar para que eles nos ajudem a ganhar. Nem que seja por meio a zero, temos de ganhar jogos para as pessoas quererem ir ao Restelo.

Concluindo, não podemos ser sempre tão pessimistas quanto às assistências, pondo as culpas nos adeptos que “fugiram”. Em vez de lamentar as ausências, devemos procurar compreender o porquê da sua “fuga” e estudar formas de alterar essa situação. Nós ainda somos muitos. Temos é de arranjar formas de nos unir. E de “arregimentar” mais uns quantos.

domingo, fevereiro 13, 2005

ELEIÇÕES – ALGUNS NÃOS (2)

Artigo da autoria de Eduardo Torres

Espero que, ao contrário do que já aconteceu, com resultados verdadeiramente catastróficos (como já lembrei em muitas – mas não suficientes – ocasiões), não ganhe nenhuma lista que venha com o blá-blá-blá já requentado da gestão moderna e empresarial, esquecendo o mais importante: revitalizar a Alma do clube.

Espero sim, que ganhe uma lista que se proponha devolver ao clube uma mística ao Belenenses, que faça questão de respeitar e preservar a nossa vitalidade e que tenha a força, a garra, a paixão e o talento para trazer de volta os muitos e muitos belenenses (alguns dos melhores!...) que se afastaram, por não aguentarem mais a tristeza e a decepção - voltando a encher os nossos recintos desportivos. Este objectivo, ABSOLUTAMENTE PRIORITÁRIO, não se alcancará com folclore, nem com métodos salazarentos, nem com elitismos e medo da “populaça”, nem com atitudes senis nem com ideias de galarotes cheios de tiques de marketing mas que nada entendem do que é, foi e deve ser o Belenenses. Conseguir-se-á, sim, atingi-lo, reacendendo a paixão, com nível e com inteligência. Nunca nada de bom e importante se realizou sem muita força, muita paixão e muita inteligência – as três qualidades ao mesmo tempo!

sábado, fevereiro 12, 2005

Tão fraquinhos que eles são

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Na noite de ontem o Belenenses venceu o Estoril por 3-0. Até aqui, facilmente se deduz que foi um jogo que não levantou grandes problemas a um Image Hosted by ImageShack.usBelenenses que foi superior ao adversário. Mas não foi nada disso que aconteceu. Ontem houve um Belenenses amorfo na 1ª parte e completamente perdido em campo na 2ª parte. Só um Estoril tão mauzinho como este era capaz de ser derrotado por 3-0 por um Belenenses a fazer uma exibição daquelas.

Nós que tantas vezes criticamos o nosso treinador (onde eu também me incluo), também devemos por os olhos nos adversários e ver como Litos conseguiu transformar uma derrota por 1-0 onde estava perto do empate num derrota por 3-0. Ao retirar de campo a meio da 2ª parte Dorival e fazer entrar Yuri, fez-me lembrar o treinador Inácio quando entrava em desespero e começava a tirar defesas e colocar avançados. Lembram-se do jogo com a Académica?...

Image Hosted by ImageShack.usEnfim, destaque pela positiva para a 1ª parte de Catanha, com uma classe inconfundível, capaz de isolar Lourenço por 3 vezes sem que este percebesse. Catanha parecia claramente jogar demais para o seu "par". No entanto, na 2ª parte Catanha estava fisicamente mal e fez um chorrilho de asneiras, tendo sido bem substituído. Só não percebo porque entrou o Paulo Sérgio... De resto, destaque para a entrada de Neca (será que o treinador não vê que o Neca anda a jogar bem, ao contrário de outros colegas de meio-campo que se devem cansar muito a apanhar o Cacilheiro para vir treinar) que veio dar dinâmica defensiva e ofensiva ao meio-campo, fazendo na perfeição a "transição defesa-ataque" que o Professor Carvalhal tanto gosta.

Image Hosted by ImageShack.usE já que se fala em Carvalhal, duas notas, uma positiva e outra negativa:
- ao contrário do início da época, em que se via a equipa à deriva e ele calmamente sentado no banco, começa-se a ver Carvalhal em pé, a dar instruções e preocupado com o desenrolar da partida. Estou a gostar de ver.
- continuo sem palavras para a situação de Eliseu. Como é possível aquele porta-chaves que veio directamente dos infantis do Sporting chegar e ser titular ou suplente utilizado e Eliseu, um homem da casa, claramente mais jogador que o Paulo Sérgio, continuar ou não convocado, ou suplente não utilizado. Eu até acho que em Leiria o Paulo Sérgio entrou bem, mas tanho a certeza que o Eliseu é melhor. Deixem-no jogar pelo menos 45 minutos e na posição dele.

Image Hosted by ImageShack.usEm relação a notas negativas, vão para a apatia da equipa no primeiro tempo e pela forma medrosa com que se apresentou na 2ª parte. E ontem estranhei as constantes faltas de entendimento entre Marco Aurélio e os centrais, com trocas de bola surreais dentro da área e outra situação em que o Marco Aurélio coloca a bola dentro da área nos pés de Pelé que tinha um avançado em cima dele.

Resumindo, saí do Estádio satisfeito com o resultado mas preocupado com a exibição. Má sina ser adepto do Belenenses, as coisas nunca são perfeitas.

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

PRESIDENTES, TREINADORES, ÁRBITROS AND SO ON...

Artigo da autoria de Manuel Benavente

Ouço: o F.C.Porto despede o treinador Fernandez e vai contratar o treinador Couceiro do V. Setúbal.

Ouço um jornalista dando a novidade ao treinador Couceiro no Estádio de Alvalade, o qual diz desconhecer o interesse do Porto mas que a ser verdade iria em passo de corrida. E ouço ainda o presidente do V. Setúbal, Chumbita Nunes, no dia seguinte dizendo-se orgulhoso do presidente do F.C. Porto ter escolhido Couceiro como seu preferido. Por fim, ouço o presidente do F.C.Porto, Pinto da Costa, contando que no jogo da primeira volta, em Setúbal, trocara de gravata com José Couceiro, dizendo-lhe que ainda haveria de ser treinador do Porto.


Constatei depois uma total unânimidade em redor da súbita passagem de Couceiro para treinador do F.C.Porto, sem ninguém pôr em causa este estranho processo de mudar de treinador numa competição profissional – a mais importante do futebol português -, em que no espaço de quarenta e oito horas um homem muda de entidade patronal com a orgulhosa aquiescência desta, por amor a uma gravata e à grandeza do F.C.Porto.

Constatei depois uma total unânimidade em redor da súbita passagem de Couceiro para treinador do F.C.Porto, sem ninguém pôr em causa este estranho processo de mudar de treinador numa competição profissional – a mais importante do futebol português -, em que no espaço de quarenta e oito horas um homem muda de entidade patronal com a orgulhosa aquiescência desta, por amor a uma gravata e à grandeza do F.C.Porto.

Primeiro, porém, aviso já, que tenho a melhor das opiniões pela competência técnica do treinador José Couceiro e que lhe desculpo alguma falta de ética nas declarações proferidas no Estádio de Alvalade – perdão, mas para mim enquanto o Sporting estiver em Alvalade, será sempre Alvalade! -, tendo em atenção os seus verdes anos de treinador de futebol.

O que porém está aqui em causa, muito mais que o treinador Couceiro, que o presidente Chumbita ou que o presidente Pinto da Costa, é a forma como todos estes personagens se relacionam entre si, num campeonato profissional de futebol, em que todos são iguais em direitos e deveres, mas em que há uns mais iguais que outros.

Com certeza que o V. Setúbal não saíu desta história de mãos a abanar; decerto Couceiro vai ser devidamente indemnizado por passar toda a sua vida particular no espaço de quarenta e oito horas (!) da Grande Lisboa, para o Grande Porto. Mas espanta como a prepotência do mais forte pisca o olho a quem lhe apetece, declarando com alguma solenidade estar a protagonizar o último acto de uma peça, que tinha começado com a oferta de uma gravata… E muito mais: que a comunicação social não denuncie esta estranha forma de vida…, demonstrando que o vírus do compadrio, anestesia a própria opinião pública, a qual na sua génese ética deveria estar bem vigilante.

Mais: o V. Setúbal está a realizar um excelente campeonato com um plantel de vinte e cinco tostões e até com vencimentos em atraso, estando a escassos seis pontos do próprio F.C.Porto! Mas em Portugal todos nós sabemos que o V.Setúbal não pode aspirar a muito mais do que está a realizar. A aspiração máxima do V.Setúbal e da esmagadora maioria dos clubes da 1ª Divisão é protelar ao máximo a descida aos infernos da 2ª Divisão, aí sim, reside a grande vitória. A falta de transparência é tanta, que não interessa nada dos objectivos classificativos do V. Setúbal, o qual à décima nona jornada, continuava potencialmente a ser candidato ao título ou pelo menos a um lugar na Liga dos Campeões Europeus. Qual seria a indemnização a arbitrar ao V.Setúbal, por desperdiçar esta ocasião única de inscrever o seu nome em vencedor do campeonato ou de estar presente na Liga dos Campeões do próximo ano? Meus amigos, tal desperdício, tal demissão não tem preço e a verdade é que o V.Setúbal ao alienar o comandante dos seus vinte ou trinta jogadores, abdicou do mais importante numa competição desportiva, como na vida: lutar!

Porque na verdade neste ambiente competitivo falseado, em que uns desistem de lutar com os outros, o mais importante é mesmo “não descer”, sendo conveniente para isso que os mais fracos abram o caminho aos mais fortes.

E enquanto esta nossa mediocridade existir, e para que os mais fracos abram o caminho aos mais fortes, sem querer emitir qualquer juízo de valor sobre a bondade da arbitragem, não nos podemos admirar de um cartão amarelo, ou vermelho, ser mostrado com muito mais facilidade a um jogador do V. Setúbal, do que a outro de um clube mais poderoso. Não nos podemos admirar de um árbitro entender que não deve mostrar um cartão a um jogador porque só se joga há três minutos e outro mostrá-lo precisamente pelo mesmo motivo. Não nos podemos admirar de um árbitro entender que não vale a pena expulsar um jogador porque o jogo está quase no fim, e outro não expulsá-lo porque o jogo está quase no princípio. Não nos podemos admirar de um árbitro validar um golo que não viu e outro não validar um golo que lhe pareceu ver. Porque os árbitros são agentes do futebol profissional, como os dirigentes e os treinadores, e vivem neste ambiente inquinado em que uns nasceram para ficar em último lugar e outros em primeiro. Mais: aos árbitros é-lhes conferido o poder da subjectividade, da arbitrariedade e da discricionaridade, porque assim convém a quem convém. Como se pode condenar um árbitro que não vê um fora de jogo – que hoje por hoje quantas vezes pode valer para aí um milhão de contos a um clube poderoso...- se está já provado que o ser humano é incapaz de julgar tal fenómeno com uma normal eficiência?

O futebol profissional está na verdade doente e este caso passado com o presidente do V. Setúbal, com o treinador Couceiro e com o presidente do F.C. Porto demonstra-o à saciedade.

Como calculam, foi de propósito que deixei os jogadores fora desta engrenagem, pois na verdade eles ganhando fortunas ou misérias e investindo ou dissipando o futuro, são a saúde do futebol, pois correm, saltam, defendem, goleiam, enfim são verdadeiros actores da vida real.

E eu vejo-me a meditar, que não sendo propriamente um admirador do treinador Mourinho, bem pelo contrário, ele foi uma pedra no charco, não pelas suas vitórias, mas pela sua desfaçatez, que mostrou por caminhos errados, como o rei aqui vai nú.

Na verdade o F.C.Porto não seria o que é sem o seu presidente, teria muito menos vitórias decerto, mas o futebol português, sem o presidente do F.C.Porto, também não seria o que é, teria muito menos derrotas, sobretudo éticas, com certeza.

O culpado disto tudo é o senhor Pinto da Costa? Nem por sombras, nós todos é que criamos as condições para que pessoas assim, medrem e julguem que mandam em nós.

Por este andar e para lá de ver Pinto da Costa não sei quantas vezes mais campeão de futebol, ainda não perdi a esperança de o ver discutindo a desconstrução de Derrida com Eduardo Prado Coelho...

Primeiros nomes...

Foram conhecidos no fim de tarde deste dia 10 de Fevereiro de 2005 os primeiros nomes da lista do Eng. Cabral Ferreira, candidato à presidência do Clube de Futebol "Os Belenenses". E se esta lista era já esperada como a lista da continuidade, a maior prova torna-se evidente hoje. Ou não fosse o Vice-Presidente da Assembleia Geral o Dr. António José Sequeira Nunes. Como Presidente da Assembleia Geral, surge o nome do Eng. Machado Rodrigues. Como Presidente do Conselho Fiscal, surge o nome do Dr. João Correia Neves. Para mais tarde ficará a divulgação dos nomes dos restantes membros da Direcção.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

ELEIÇÕES – ALGUNS NÃOS (1)

Artigo da autoria de Eduardo Torres

Desdobrando um pouco o artigo que há dias escrevemos, com o título “Eleições – Refrescando a Memória”, gostaríamos de explicitar algumas coisas que NÂO gostaríamos de ver (repetidas) nas próximas eleições do Belenenses. Fá-lo-emos numa série de pequenos artigos, que hoje começamos...

Não gostaríamos que as listas (ou pelo menos, todas as listas) candidatas apresentassem um manifesto eleitoral cheio de afirmações vagas e pouco ou nulamente justificadas. É o que, infelizmente, sempre tem acontecido até agora. Os projectos (se é que de projectos se pode falar...) que, em todas as eleições passadas, foram apresentados, pouco se distinguiam entre si; estavam cheios de lugares-comuns; nunca foram portadores de verdadeiro élan clubístico, não transmitiram entusiasmo, não deram nenhuma razão válida para acreditarmos num futuro melhor.

Desejo que, ao menos uma das listas que se candidatarem às próximas eleições, apresente um verdadeiro programa eleitoral, que seja:

* Bem Escrito.
* Transmissor de entusiasmo clubístico.
* Coerente.
* Sem declarações vagas, genéricas, politicamente correctas mas que nada definem, nada adiantam, nada clarificam.
* Com objectivos claramente definidos – isto é, o que se quer atingir, porque se quer atingir e quando se julga poder atingir, e com base em que opções e escolhas (como os meios não são ilimitados, nem somos omnipotentes, a conquista de certos objectivos, implica menos investimento, financeiro e humano, em outros possíveis objectivos).
* Fundamentado – isto é, explicando o como, de que forma, por que caminhos serão alcançados os objectivos propostos.

Menos do que isto, considero insuficiente e insusceptível de nos dar uma base de confiança. Em resumo: que os propósitos das listas sejam claros, coerentes e bem explicadinhos. Que não deixem duvidas quanto as estas perguntas: O Quê? Porquê? Como? Quando? Como sócios, devemos ter essa exigência. È que, de noite, todos os gatos são pardos. E acho que não devemos votar com base em acreditar (sabe-se lá no quê...) mas, sim. em compreender.

ENTRE O PASSADO E O PRESENTE - SÍNTESE DO PASSADO - PARTE IV – DE 1970 a 1982


Entramos agora nos tempos a que já nos lembramos de assistir e que descrevemos com relativo pormenor quando desfiámos as nossas memórias pessoais. Por isso, tentaremos ser ainda mais sintéticos.

A década de 70 iniciou-se de forma venturosa para o Belenenses. Colheram-se os frutos do trabalho da Junta Directiva, como já disséramos no artigo anterior.

Comecemos pelo Futebol...

Na época de 70/71, Joaquim Meirim foi o primeiro treinador do Belenenses. Os resultados foram maus, e valeu-nos, a meio da época, o grande Homero Serpa, coadjuvado pelo Mourinho (pai). Mas, por outro lado, com as suas declarações bombásticas (talvez em parte demagógicas), Meirim teve o condão de provocar uma estrondosa mobilização dos “beléns”, de (re)acender a chama, a magia e o entusiasmo. O nosso estádio, que, na 2ª metade dos anos 60, se fora, comparativamente, esvaziando, voltou a encher-se de belenenses confiantes e quase eufóricos. Era uma loucura: 30.000 pessoas (ou mais) no Restelo contra o V.Guimarães ou o Tirsense (eu vi!)! O Estádio da Antas cheio com mais adeptos do Belenenses do que portistas, quando ali jogámos! Os resultados desportivos foram maus mas, financeiramente foi bom. E, passados todos estes anos, continuo a pensar se não podemos e devemos voltar a ter um golpe de asa que suscite esse entusiasmo e essa mobilização, embora, é claro, com outra solidez e com resultados desportivos mais satisfatórios.

Na época de 71/72, as coisas começaram a entrar nos eixos. Veio o consagrado treinador Zézé Moreira (que chegara a comandar a selecção do Brasil durante vários anos). A classificação final ainda foi decepcionante, um 7º lugar. Mas a verdade é que começámos muito mal o campeonato e à 7ª jornada, se não me engano, tínhamos 1 vitória e 6 derrotas. Ganhámos então ao Sporting por 2-1 (depois de estarmos a perder) - ainda me lembro de, miúdo, tremer de alegria - e, a partir daí, embalámos. Se contarmos as 19 jornadas desde a 7ª até à final (foi o último campeonato com 14 equipas e 26 jogos. Na ano seguinte fez-se um alargamento para 16, a fim de que a Académica permanecesse na 1ª Divisão. Honra seja feita ao Belenenses, que não quis beneficiar disso aquando da primeira descida, apesar de alguns o terem chegado a insinuar. O nosso não foi tão digno quanto peremptório! Como já disse, até o F.C.Porto já beneficiou desse tipo de favor, em 1939/40, ano em que, curiosamente, até viria ser campeão nacional!), se contarmos essas 19 jornadas, dizíamos nós, registámos um saldo bem favorável, com 10 vitórias, 7 empates e 6 derrotas. Também chegámos às meias-finais da Taça de Portugal. E, entretanto, os nossos jogadores mais jovens e promissores (por ex: Murça, Pietra, Quinito, Carlos Serafim), iam ganhando maturidade...

E foi assim que, na época seguinte, com alguns bons reforços, e a vinda de Scopelli para treinador, obtivemos um 2º lugar, um género de classificação de que há muito (mais de uma década) andávamos arredios. Depois, em 73/74, voltámos a realizar um bom campeonato, apesar de não termos ido além do 5º lugar. Ficámos atrás do Sporting, do Benfica, do V.Setúbal (que aqui culminou a sua década de ouro) e do F.C.Porto mas bastante próximos em termos pontuais - e, em contrapartida, com uma clara vantagem sobre o 6º classificado, o V.Guimarães, de 9 pontos (e no tempo em que as vitórias só valiam 2 pontos). A 1ª volta não foi grande coisa, e foi pena. Na verdade, acabámos a prova em grande, com 6 vitórias consecutivas; e, na 2ª volta, fizemos tantos pontos como o campeão. Se o campeonato tivesse durado mais umas jornadas, julgo que teríamos chegado ao 3º lugar.

Igualmente nas modalidades extra-futebol, e no domínio do património, se verificou um crescendo. Vejamos os principais factos e sucessos nos anos de 1971 a 1974:
971
1971 - Campeão de Lisboa, em Andebol. Campeão Nacional de Juniores, em Andebol. Campeão de Lisboa de Juvenis, em Andebol. Campeão Nacional de Ténis, em Equipas Femininas. Campeão Nacional e de Lisboa de Juvenis de Atletismo, em Equipas Femininas. Vice Campeão Nacional de Juniores de Atletismo, em Equipas Femininas. Campeão Nacional de Halterofilia. Alfredo Vaz Pinto, Campeão Nacional de Ténis. Leonor Peralta, Campeã Nacional de Ténis. Maria José Falcão presente no Campeonato Mundial de Ginástica Rítmica.
1972
1972 - Campeão Nacional e de Lisboa de Juniores, em Andebol. Campeão Nacional de Juniores, em Hóquei em Campo. Campeão de Lisboa de Juniores, em Hóquei em Campo. Campeão Nacional e de Lisboa de Infantis, em Ténis de Mesa. Campeão Nacional de Juniores de Atletismo, em Equipas Femininas. Campeão de Lisboa de Juvenis, em Equipas Masculinas de Atletismo. Vice Campeão de Lisboa, em Equipas Femininas de Atletismo. Campeão Nacional de Halterofilia, em Seniores e Juniores. Alfredo Vaz Pinto, campeão nacional de Ténis (7º título, 5º consecutivo). Leonor Peralta, Campeã Nacional de Ténis. Inaugurada a Sala de Troféus no Estádio do Restelo. Reconstruída a Bancada Nascente do Estádio do Restelo.
1973
1973 - Campeão Nacional de Râguebi. Campeão Nacional de Ténis, por Equipas. Leonor Peralta, Campeã Nacional de Ténis. Vencedor da Taça Ibérica, em Equipas de Ténis. Campeão Nacional de Juniores, em Andebol (de 11). Campeão Nacional de Juniores, em Ténis de Mesa. Campeão de Lisboa de Juniores, em Ténis de Mesa. Vencedor da Taça de Portugal de Juniores, em Ténis de Mesa. Campeão Nacional e de Lisboa de Juniores, em Equipas Femininas de Atletismo. Maria José Sobral presente na Taça da Europa de Atletismo, em Juniores. Basquetebol Feminino volta à actividade. Início da actividade do Andebol Feminino. Grande melhoramento da iluminação do Estádio, que se torna uma das melhores da Península Ibérica.
1974
1974 - Campeão Nacional de Andebol. Vencedor da Taça de Portugal de Andebol (na final, vitória 17-14 sobre o Benfica). Estreia na Taça dos Campeões Europeus de Andebol. Campeão Nacional de Ténis, por Equipas. Leonor Peralta, Campeã Nacional de Ténis (13º título). 1ª Equipa Portuguesa a participar na Taça dos Campeões Europeus de Ténis, atingindo a 2ª eliminatória. Campeão Nacional de Juniores, em Râguebi. Branca Seabra, Campeã Nacional de Corta Mato.

É importante salientar isto, porque fica claro que uma equipa de futebol competitiva não é incompatível com sucessos noutras modalidades, antes costumando ocorrer simultaneamente no nosso clube. Historicamente, pode-se demonstrar que, sempre que as coisas tiveram “picos” no futebol, o mesmo ocorreu no grosso das modalidades. Sei que é hábito pensar-se o contrário e que a nossa afirmação poderá ser contestada – mas a verdade é que os factos a justificam e fundamentam. E contra factos... Normalmente, quem pensa de maneira diferente, são as pessoas que (quase) supõem que a nossa história começou com José António Matias e que o nosso primeiro treinador foi Marinho Peres.

Gostava de salientar que o Presidente da Direcção, entre o início de 1972 e o final de 1974, foi o Major Baptista da Silva. Fez um excelente trabalho. Paradoxalmente, haveria de perder eleições, mais tarde: em 1990, directamente contra Ferreira de Matos / Cabrita (de cuja lamentável acção, depois, ainda teve que se esforçar por colar os cacos, juntamente com Agostinho Carolas, Florentino Antunes, Mendes Pinto e Luís Pires); em 1994, indirectamente contra J.A.Matias (na lista dos órgãos sociais do candidato Florentino Antunes). Os sócios, de modo absurdo, preferiram “enterrar o passado”, como os (tristemente) vencedores preconizavam. Os sócios não tiveram memória – como os que, hoje, continuam a achar inútil lembrar o nosso instrutivo passado, preferindo adular jogadores que, quem sabe, daqui a meses estarão noutro clube, a dizer cobras e lagartos do Belenenses. Os sócios escolheram o folclore e a falta de ambição – e Baptista da Silva, Presidente da Direcção quando o clube atingiu a melhor classificação futebolística dos últimos 50 anos, não teve oportunidade de voltar a ser Presidente. Triste...mas verdadeiro! Verdadeiro... e a reflectir! É fácil barafustar contra tudo e contra todos quando as “coisas” correm mal. Mas, e a nossa responsabilidade?

Quando as “coisas”, no Belenenses, pareciam voltar aos tempos de glória, deu-se o 25 de Abril. E, de novo, tudo se turvou no nosso clube. O receio da exprobação por causa do Almirante Américo Tomás deixou o Belenenses numa situação de grande indefinição. Enquanto alguns ousaram e deram grandes passos em frente (F.C.Porto, Boavista e até o V.Guimarães), e outros, que se poderiam sentir comprometidos (o Sporting...), não fraquejaram (João Rocha teve esse mérito), o Belenenses desinvestiu, ficou a marcar passo, assistiu a fugas - compreensíveis em alguns casos, lamentáveis, noutros. Logo em 1974, houve uma debandada de jogadores, como vimos em outros artigos. A época de 75/76 permitiu constituir outra vez uma equipa de grande nível (3º lugar), a que se seguiu nova debandada (para Benfica e F.C.Porto) – e o decaimento progressivo do Belenenses.

Não podemos de maneira nenhuma dizer que foi pena que o 25 de Abril tivesse quebrado um ciclo de progresso para o Belenenses, porque a importância daquela revolução para todo o país, desde logo ao trazer o precioso bem da Liberdade, não nos permitiria fazê-lo. Mas lamentamos, sim, que não tenha havido mais coragem e desassombro, até para lembrar que, se houve Américo Tomás e outros no Belenenses, o facto é que em todos os clubes houve figuras ligadas ao antigo regime; e que, em contrapartida, foram jogadores do Belenenses – e só do Belenenses! -, designadamente, Mariano Amaro, Artur Quaresma e José Simões, que se recusaram a fazer a saudação fascista aquando de um Portugal-Espanha. Ainda hoje, quem sabe disso? Quem sabe dos campeonatos de que fomos espoliados por arbitragens indecentes, nos tempos do regime em que supostamente éramos beneficiados? Quem sabe das raízes populares e até rebeldes do Belenenses? E, no entanto, ainda nos atiram à cara com Américo Tomás (que, sejamos justos, e fora de questões políticas, gostava deveras do clube, de que era sócio desde 1924, e nunca favoreceu o Belenenses - aliás, na prática, quem mandava em Portugal, durante a vida de Salazar, não era o Almirante, em nada). E infelizmente, poucos belenenses sabem ripostar, quando ainda hoje nos apontam o dedo, demagogicamente, os adeptos de clubes que, esses sim, em plenos regime democrático, são cumulados de benesses, privilégios e mordomias pelo Poder Central, Regional e Autárquico...

Como dissemos, o Belenenses ainda teve algumas épocas de fulgor logo a seguir a 1974. A 2ª metade do Campeonato de 74/75, foi boa (incluindo uma vitória 4-0 nas Antas, em 26 de Janeiro de 1975 e um triunfo 2-0 sobre o Sporting, na última jornada) e, na Taça de Portugal, atingimos as meias-finais; em 75/76, ganhámos uma das Séries da Taça Intertoto (o que significava ser “vencedor”!), ficámos em 3º lugar no Campeonato Nacional (invictos em casa), e conquistámos o 1º Campeonato Nacional de Iniciados. Em 77/78, tivemos uns bons primeiros 2/3 do Campeonato, no qual chegámos ao 3º lugar, a ameaçar os 2 primeiros. Mas, depois, começámos a caminhar para o abismo, com cada vez mais raros e fugazes sobressaltos.

As modalidades ditas amadoras acompanharam o ciclo, ou seja, aguentaram-se relativamente bem até 1978, decaindo nitidamente nos 3 anos seguintes. O mesmo aconteceu em termos de enriquecimento do património. Assim, entre 1975 e 1978, registe-se:

1975 - Campeão Nacional de Ténis, por Equipas. Campeão de Lisboa de Andebol Feminino. Campeão Nacional de Juvenis, em Râguebi. Campeão de Lisboa de Juniores, em Ténis de Mesa. João Sequeira presente no Campeonatos Mundial de Xadrez, em Juniores. Início das Obras do Pavilhão Gimnodesportivo
1976
1976 - Campeão Nacional de Andebol. Vencedor da Taça de Portugal em Andebol Feminino. Estreia na Taça das Taças em Andebol Feminino (1º clube português em Competições Europeias Femininas). Vencedor da Taça de Portugal, em Râguebi. Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol. Campeão Nacional de Iniciados de Atletismo, em Equipas Masculinas. Início das Obras do Pavilhão do Restelo.
1977
1977 – Campeão Nacional de Andebol (2ª vez consecutiva). 1ª equipa portuguesa a ganhar fora, e 2ª equipa portuguesa a atingir Oitavos de final em Competições Europeias de Andebol (Taça dos Campeões). Campeão de Lisboa de Juniores, em Equipas Masculinas de Atletismo. Campeão de Lisboa de Juniores, em Hóquei em Campo. Campeão Nacional de Juvenis, em Râguebi. Campeão Nacional de Iniciados, em Râguebi. João Sequeira, Campeão Nacional de Juniores, em Xadrez. Fernando Sequeira e João Sequeira presentes nos Campeonatos Mundiais de Xadrez, em Juniores. Inauguração do Pavilhão Gimnodesportivo (actualmente, Pavilhão Acácio Rosa).
1978
1978 - Vencedor da Taça de Portugal em Andebol. Vice Campeão Nacional, em Andebol. Estreia na Taça das Taças, em Andebol. Vice Campeão de Lisboa, em Hóquei em Campo. Campeão de Lisboa de Juniores, em Hóquei em Campo. Campeão Nacional e de Lisboa em Xadrez. Maria José Falcão presente no Campeonato Europeu de Ginástica Rítmica

Saliente-se, neste período, o grande e conturbado esforço para a construção do Pavilhão, de que também já falámos em outros artigos.

A partir do fim da década de 70, pessoalmente, sentia no Restelo um ambiente de laxismo, de porreirismo, de amolecimento. Ainda havia o ambiente à Belenenses mas esbatido, acinzentado, amolecido. Não vou culpar os dirigentes, porque eles terão feito o melhor que podiam e porque eram belenenses a sério. Falo, antes de tudo, dos comentários nas bancadas: de “apalhaçamento”, de optimismo parvo, de perda de mística – embora nada que se compare com o triste cenário de hoje. Tudo “cheirava” a enfraquecimento. Vendíamos os melhores jogadores e, mesmo assim, só se falava de dívidas, de cada vez mais dívidas. Nunca, porém, acreditei que descêssemos de divisão, como veio a acontecer em 1982. Já falei disso, logo num dos primeiros artigos desta série. Ficámos incrédulos, muitos de nós. Acontecera o que... não podia acontecer!

E agora, falo para os mais jovens. Muitos de nós assistimos ao último jogo dessa época de lágrimas nos olhos, ouviram? Não nos conformávamos, não podíamos aceitar que fosse normal – como mais tarde quase se passou a achar. Discutia-se acaloradamente ao pé do monumento ao Pepe! Sim, durante anos, antes dos jogos começarem e, sobretudo, depois deles, e até nos dias de semana, ficávamos ali às centenas – muitas centenas – a discutir acaloradamente o nosso Belenenses. Não era a debandada triste de hoje, a debanda dos poucos que resistem. Quando o Belenenses desceu a primeira vez, esse acontecimento foi de grande impacto nacional. Fez a primeira página em todos os jornais, desportivos ou não, foi abertura de noticiários, ouviram? Nós somos um clube de tradição! Não somos, com o devido respeito, o Rio Ave ou o União de leiria, o Boavista ou o Penafiel. A nossa bandeira está encharcada de lágrimas! A nossa camisola foi honrada com sangue, suor, sofrimento, pertinácia, querer e paixão! O Belenenses teve grandes dirigentes, teve grandes jogadores, teve adeptos enormes, páginas e páginas escritas a letra de ouro no livro dos feitos maiores e mais nobres do desporto português.

O nosso clube merece respeito – antes de tudo, por parte dos seus adeptos. Não nos façamos, nunca, de coitadinhos – tudo menos isso!

terça-feira, fevereiro 08, 2005

A dor

Desde a noite de Sábado sinto uma dor enorme, indescritível, que só eu e os adeptos Belenenses sabemos o que dói. Deixei de acreditar em inocentes, há culpados e que merecem justiça, e não só desportiva, mas criminal. As peças do puzzle começam a encaixar e começa a ser claro que houve uma acção concertada para que o Belenenses saísse derrotado.

Neste feriado só quero esquecer. Esta manhã vou ao Restelo entrevistar o Renato para o próximo jornal do Belenenses, dar um abraço aos meus amigos Belenenses que tanto sofreram (os jogadores estavam destroçados) e garantir-lhes que quando houver justiça, a jogar com aquele empenho e cultura táctica, somos uma equipa temível. Até lá, temos de ser fortes e aguentar. Ainda acredito que haja justiça. Desjo TANTO ver o Lucílio Baptista e toda a sua entourage atrás das grades...

Desejo a todos um feriado o melhor possível.

sábado, fevereiro 05, 2005

Vitória Dourada do Apito do Lucílio

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1 expulsão surreal e 3 penaltys por assinalar a favor do Belenenses. É preciso dizer mais alguma coisa? Já agora, com 10 jogadores a partir da meia-hora de jogo fomos a equipa que criou mais oportunidades de golo (fomos mesmo a única). Cheira muito mal o que se está a passar com o Belenenses e impõe-se uma tomada de posição frontal, independentemente de multas e castigos. O Apito Dourado anda por aí e, não tenho dúvidas em afirmá-lo, Lucílio Baptista e a sua equipa de arbitragem prejudicaram hoje premeditada e deliberadamente o Belenenses. Haja justiça.
Pouco consigo dizer depois de assistir ao escândalo desta noite. Tudo começou ao 2º minuto de jogo, com um lançamento lateral perfeitamente ridículo a favor do Leiria. A partir daí, começou o festival de roubo:

- cerca dos 15 minutos de jogo, Antchouet isola-se e é apontado fora de jogo. O Gabonês estava, pelo menos, 5 a 6 metros em jogo. Havia um jogador do Leiria parado na entrada da área, do outro lado do campo. Incrível!

- aos 30 minutos de jogo, Antchouet tem uma entrada muito dura (que em Inglaterra ou Espanha o colocavam à beira do vermelho directo) e vê cartão amarelo. A situação prossegue com o jogador do Leiria no chão e uma grande confusão gerada pelo banco do Leiria, que entrou dentro de campo e por ali ficou ante a passividade do árbitro. Eis senão quando (e a SporTV mostrou claramente o que passo a relatar) o fiscal de linha vem a correr ter com Lucílio Baptista e mostra-lhe o bloco onde anota os cartões. Uma espreitadela rápida e Lucílio Baptista corre 30 ou 40 metros e mostra o vermelho a Antchouet! Ou seja, é claro o que se passou e espero que a SporTV mostre as imagens, o fiscal-de-linha assinalou um amarelo a Antchouet que não existiu e Antchouet é expulso por acumulação de amarelos ao ver o 1º!!!

- Existem 3 penaltys por assinalar a favor do Belenenses, 2 na primeira parte e um na 2ª. Há um penalty claro sobre Lourenço no final do primeiro tempo, que o árbitro transformou em falta a favor do Leiria. A verdade é que Lourenço ganha a bola, está à frente do defesa e é pontapeado. Que falta é que o árbitro viu? Os outros 2 penaltys, sendo que um deles passou despercebido aos comentadores, foram iguaizinhos ao que ontem o Braga se fartou de reclamar. Há um na primeira parte sobre o Neca (penso) e outro na 2ª sobre o José Pedro, no lance em que Costinha ia deixando a bola entrar na baliza e depois a coloca nos pés do médio azul. José Pedro passa o primeiro defesa e já dentro da área adianta a bola e é atropelado por outro defesa. Nada...

- O lance do golo do Leiria, que é regular, só me causa estranheza por não ser assinalado fora-de-jogo posicional ao Renato aquando do cruzamento. Quando o cruzamento sai, Renato está fora-de-jogo e o árbitro auxiliar não faz ideia onde a bola vai caír, daí a minha estranheza. A partir daí, tudo regular, aquando do toque de cabeça de Geufer, Renato já está em posição legal.

Não posso, contudo, deixar passar em claro a exibição de elevado nível do Belenenses e, se alguém merecia ganhar, éramos nós, tantas as oportunidades de golo criadas e falhadas (algumas delas por mérito de Costinha). O Leiria teve 2 oportunidades de golo além do golo, a que Marco Aurélio se opôs com a classe que faz dele o melhor guarda-redes a jogar em Portugal. Uma palavra especial para o regresso de Sousa (óptimo jogo) e para a entrada de Paulo Sérgio, que esteve francamente bem, Uma aposta acertada ao contrário do que eu previa. Por fim, devo dizer que gostei muito da atitude de toda a equipa, quer com 11 (dominávamos completamente o jogo), quer com 10 (controlávamos completamente um Leiria com iniciativa mas sem "cabeça").

Enfim, pelo erro técnico do árbitro da partida, assiste-nos o direito de protestar o jogo. O que não me parece que vá acontecer:
- primeiro, porque os dirigentes do Belenenses primam por não ir por caminhos difíceis
- segundo, porque o árbitro vai limpar o erro no relatório da mesma forma que os comentadores da SporTV logo arranjaram solução: é só escrever que o que o fiscal de linha lhe disse não foi que era o 2º amarelo, mas sim que a entrada era para vermelho. Resta saber para que lhe mostrou o bloco... talvez seja mudo.

Taça da Liga: Guerreiros de volta!

A equipa dos Guerreiros parece estar de volta, depois de alguns jogos menos conseguidos na Liga TMN. A formação de basquetebol azul venceu ontem à noite a equipa da Oliveirense, após ter estado em desvantagem com 12 pontos de diferença. Não foi um grande jogo, é certo, e até se pode dizer que podiamos ter resolvido a partida mais facilmente (Perdigão marcou apenas 1/7 da linha de lance livre)... Mas o espírito de equipa, verdadeiramente Guerreiro estava lá, e quando a Oliveirense pensou que tinha o jogo na mão foi surpreendida pelo jogo colectivo do Belenenses. Fantástico!

Hoje, nas meias-finais da Taça da Liga, defrontam-se:

Ovarense - CAB (14:45h)
Belenenses - FC Porto (17h) - Transmissão na Sport TV

É tempo de "matar o borrego" e colocar um pouco de verdade desportiva nos resultados entre Belenenses e Porto! Força Guerreiros, pois esta já ninguém vos tira!

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

ELEIÇÕES - REFRESCANDO A MEMÓRIA...

Artigo da autoria de Eduardo Torres

Considero muito importantes as próximas eleições para os órgãos sociais, pois está em causa, como sempre, o futuro do clube; mas, no ponto a que chegámos, julgo que está mesmo em causa a sobrevivência do Belenenses enquanto clube com expressão. De facto, cada dia – sim, cada dia! - que passa o Belenenses vem perdendo projecção.

No âmbito dos artigos de 4ª feira, ou seja, da série “Entre o Passado e o Futuro, apresentarei brevemente, de acordo com a lógica sequência dos textos, um conjunto de ideias integradas que me parecem dever ser as linhas de rumo para o futuro.

Hoje, gostaria apenas de salientar um ponto que reputo extremamente relevante para nos perspectivarmos: a alma e a imagem que o Belenenses projectará de si são o que de mais importante um candidato deve dar ao Belenenses, só depois vindo a gestão concreta. E é a capacidade (ou não) de devolver ao clube uma mística à Belém, arredia há décadas, o grande factor de diferenciação entre candidaturas boas e candidaturas medíocres. Logo em seguida, vêm a coerência das propostas, ou seja, até que ponto se apresentam os meios e os métodos para chegar aos objectivos anunciados.

As possibilidades de fazermos uma escolha errada não devem nunca ser negligenciadas. Se tal acontecer, então, por uma questão de coerência e responsabilização, tenhamos em conta que seremos nós próprios, os sócios, os verdadeiros culpados do que de mau se passar. Já houve escolhas erradas, com consequência muito nocivas – desastrosas mesmo – para o clube. Para evitarmos os mesmos erros, devemos refrescar a memória sobre o que se passou. Devo dizer que o que se passou nas campanhas eleitorais de então é bem diferente do que as pessoas estão convencidas – ou do que alguns querem fazer acreditar – que realmente aconteceu e foi dito. Mesmo muito diferente! E isso pode ser demonstrado – com factos e documentos, e não com suposições erróneas...

Durante anos, no Belenenses, como na generalidade dos clubes, só havia uma lista candidata (e às vezes, era bem difícil arranjar essa lista...), pelo que as eleições verdadeiramente disputadas começaram em 1990. Nos actos eleitorais desde então decorridos, houve duas escolhas desastrosas:

- Logo em 1990, a eleição de Ferreira de Matos /Joaquim Cabrita (pouco tempo depois, Ferreira de Matos foi marginalizado e o verdadeiro líder era o Vice-Presidente Joaquim Cabrita).
- Em 1994, a eleição de José António Matias.


Convém esclarecer que cada tenho, em termos pessoais, contra José António Matias, Joaquim Cabrita ou o Major Ferreira de Matos. Este, último, que aliás acabou por ser vítima dos próprios companheiros de direcção, parece-me mesmo uma excelente pessoa. Por outro lado, em artigos anteriores, até já escrevi que J. A. Matias foi culpabilizado demais. Não discuto que quisessem o melhor para o Belenenses. Agora, coisa diferente é que acho que as ideias deles eram de todo inadequadas para o clube - e achei isso desde o primeiro momento. Não votei neles, e fiquei até muitíssimo aborrecido com a sua eleição, contrariamente a pessoas que depois os criticaram muito. E é justamente por se criticar tanto o José António Matias (infelizmente a memória e o conhecimento é curto e quase ninguém se lembra de Ferreira de Matos/Cabrita, que foi ainda pior! Um ano e pouco depois da vitória na Taça de Portugal, fomos empurrados para a 2ª divisão, cheio de dívidas, depois de uma sucessão interminável de decisões e episódios ridículos), que eu gostava de lembrar como é que as coisas aconteceram.

A versão enraizada é a de que se fizeram promessas megalómanas (por exemplo, grandes contratações, anúncios de grandes sucessos no futebol...). Não foi assim! Podemos demonstrar que não foi assim! E é importante fazê-lo, porque, caso contrário, estaremos prevenidos para um perigo que não é perigo nenhum, e alheios a outros riscos, esses sim, bem reais. Dito isto, gostava de deixar algumas considerações, que tentarei formular o mais sinteticamente possível:

1. Não vale a pena julgarmos que estamos prevenidos contra aventureiros e vendedores de banha da cobra só porque desconfiamos de quem faz promessas e acreditamos, sim, em quem diz que não faz promessas. Isso não é salvaguarda nenhuma. Na verdade, em 1990, no mais catastrófico resultado de eleições no Belenenses, com a eleição de Ferreira de Matos / Cabrita (que deram uma grande e definitiva machadada num Belenenses que estava a voltar a levantar a cabeça) um dos slogans da candidatura vencedora foi justamente o discurso contra as promessas. Tenho documentos sobre isso, que já fiz reproduzir no blog do Belenenses, e que podem ser encontrados em artigo publicado em 10 de Agosto.

Num jornal de campanha dessa candidatura, que veio a ser vencedora, podia ler-se isto:

“PROMESSAS?


Dizem os mais avisados que de promessas está o mundo cheio! Prometer o Céu e a Terra, mundos e fundos, já não surpreende ninguém. Cumprir as promessas, levar as suas ideias até à sua concretização é que constitui o maior problema. Aquelas dizem respeito a sonhos realizáveis, possivelmente atingidos com algum esforço, porque, se o não exigir, também não são promessas que se façam nos nossos dias; as outras, as ‘tais’, essas, são do mundo do sonho fantástico, moram paredes meias com o inatingível, são megalómanas, feitas para adormecer meninos, encantar visionários, enganar consciências simples.

A megalomania é uma arma que alguns usam apontada aos incautos, indefesos, aqueles que não possuem o acesso à informação das possibilidades do clube e que não podem avaliar dificuldades.

Em época de campanha eleitoral passou a ser hábito, em Portugal, os clubes fazerem o anúncio de medidas eleitoralistas. Vale sempre mais, no jogo da caça ao voto, anunciar a contratação duma ‘estrela’ de futebol do que falar em medidas de fundo da valorização do clube, da sua organização ou do seu património. O que importa é o nome do ponta de lança que vai marcar vinte golos por época, do médio que vai resolver o problema do nosso meio campo, ou do treinador que, com novas tácticas e algumas ‘quimbandices’, nos vai oferecer vitórias todas as semanas.

Começa em época eleitoral, a busca incessante de estrelas a contratar. Movimentam-se os empresários que oferecem a sua mercadoria – algumas vezes gato por lebre – analisam-se vídeos, anunciam-se intenções e, para não falhar muito, enfiam-se alguns barretes. Mas a isto já o adepto da bola está habituado. Houve que estabelecer outras estratégias.

A eleição vai concorrida, os candidatos surgem a granel e os votos são cada vez mais apetecidos”. (etc.)


Meses depois de escritas estas palavras, o Belenenses, carregado de dívidas, estava na 2ª divisão, para onde foi lançado pelas pessoas que as escreveram!

2. Portanto, não vale a pena ficarmos muito contentes connosco próprios porque estamos alerta contra quem vem prometer contratar grandes estrelas para o futebol, porque nunca ninguém ganhou eleições no Belenenses com base nisso. Repito: NUNCA! Se compararmos as paupérrimas e ridículas promessas que são feitas em eleições no Belenenses com as que são feitas noutro clubes, pessoalmente, e ao contrário de outras pessoas, não encontro motivo de satisfação: até a nossa demagogia, até as nossas promessas, até os nossos sonhos são (já) pequeninhos!

3. Então não foi com base nessas promessas megalómanas que José António Matias ganhou as eleições em 1994? Não, não foi, de maneira nenhuma. Isso é mais um mito que se criou mas que não tem nenhum fundamento real. Ele ganhou as eleições com base, sim, no cavalo de batalha de que ia vender o Emerson ao F.C.Porto (eu sou inteiramente contra que se venda bons jogadores nossos a clubes portugueses!), assim recebendo umas contrapartidas, entre as quais vários emprestados. Os sinais que tanto F.Matos como J.Matias deram foi de FALTA DE AMBIÇÃO... de menoridade, de objectivos pequeninos. Sim, o nosso problema não tem sido a ambição mas, sim, a falta dela!

4. E dito isto, espero que os entusiastas ou defensores dos empréstimos (por três clubes que sabemos...) ou da vinda de brincas na areia ou coxos (dos mesmos 3 clubes) não se esqueçam que em ambos os casos (Ferreira de Matos e Matias) a grande medida que logo implementaram para o futebol foi recorrer a emprestados ou a vedetas já semi-reformadas daqueles 3 clubes que sabemos, desse modo assumindo a consequente vassalagem. No caso de F.Matos Cabrita, vieram Morato (verdade seja dita, profissional muito digno!) e Raudnei do F.C.Porto, e Chalana, do Benfica (sujeitando-nos à vergonha humilhante de os jornais nos passarem a tratar por “o clube de Chalana” ou colocarem como título “Chalana perdeu”). No caso de J.A.Matias, vieram 2 emprestados do F.C.Porto e 2 do Benfica (Bruno Caires e Nuno Afonso, lembram-se?). NÂO NOS ESQUEÇAMOS DESSAS EUFORIAS DOS EMPRÉSTIMOS E NO QUE DERAM! Ah – perguntarão - mas então o Matias não foi aquele que gastou o dinheiro que tínhamos e não tínhamos (e se calhar até o seu, sejamos justos!) a contratar o Giovanella e o Catanha e o Pacheco (grande vergonha, um jogador que tratara o Belenenses abaixo de cão!) e mais não sei quantas vedetas e que até era muito ambicioso? Bem, isso foi no 2º ano da gestão Matias. É que houve um 1º ano, o que quase sempre se esquece, e é pena. E, nesse 1º ano, enfiámos mais um barrete com a venda do Emerson, que no Porto valeu muito mais do que os jogadores todos juntos que de lá vieram em troca, e que ainda foi vendido para Inglaterra por milhões (e não se atire pedras a Pinto da Costa: ele não nos obrigou a fazer o negócio; nós é que vestimos a pele dos coitadinhos-que-não-queremos-cortar-as-pernas-a-ninguém-e-dizemos-amén-à-vontades-dos-tod-poderosos, nós é que fomos trouxas). Em vez do grande jogador que era Emerson, ficámos com um carregamento de emprestados, com os péssimos resultados que essas experiências sempre têm. Salvámo-nos da descida na penúltima jornada (com métodos vergonhosos, lembram-se?) com a 2ª pior classificação de sempre.

5. Espero que os optimistas-sem-razão-para-estarem-optimistas não se esqueçam que foi com o discurso do optimismo, com o discurso de não podemos ser pessimistas (sempre que se procurava pôr a nu os problemas do clube...) para não prejudicamos as equipas, que Matias e Ferreira de Matos ganharam as eleições.

Nunca me esquecerei do debate televisivo entre Ferreira de Matos e Baptista da Silva (votei neste último, claro!). Ferreira Matos durante todo o tempo repetiu incessantemente 3 ou 4 frases: “Não vamos começar a dizer mal…”, “é preciso é confiança e optimismo”, “Numa reunião em que o senhor esteve presente com mais 20 sócios, ficou decidido que eu iria ser o Presidente do Belenenses, por isso tem que ser!”. E, face a isto, Baptista da Silva quase não consegui acabar uma frase para explanar uma ideia. Exemplo: visto que tínhamos passado às meias-finais da Taça, Baptista da Silva começou uma frase dizendo “Se o Belenenses ganhar a Taça de Portugal…” e ia a expor a ideia. Mas não conseguiu, pois logo F.Matos interrompeu: “Mas não tenha dúvida de que ganhamos. Nós estamos a 180 minutos de ganhar!…”. Baptista da Silva tentava novamente explicar e logo tornava F.Matos “mas não diga ‘se’. Temos que ser optimistas. A vitória está certa. Eu tenho pensamento positivo e assim ganhamos!” (Ironicamente, estávamos a ganhar a meia-final, até ele aterrar no Estádio do Restelo, como já disse em outros artigos). Outro exemplo: Baptista da Silva dizia “Não podem acontecer situações como…” e logo F.Matos interrompia ”mas não vamos começar a dizer mal…”. E foi todo o tempo assim!

Eu penso que o optimismo e a confiança são coisas muito saudáveis mas depois e não antes de se ter feito tudo o possível para as coisas correrem bem, não regateando qualquer esforço, com inteligência e dedicação. Caso contrário, é um mero chavão, uma atitude comodista ou uma panaceia usada por quem não sabe fazer melhor.
6. Espero que não se esqueça que ambos (F.Matos e Matias) vieram com o discurso de enterrar o passado, de que já não estamos nos anos 40, de que os nossos adversários representam todo um passado que os sócios vão julgar, etc. Veja-se a entrevista de Matias ao Jornal do Belenenses na campanha de 1994. Vejam-se as declarações de Joaquim Cabrita, em 1990, a um jornal desportivo: “Os sócios saberão julgar todo um passado duvidoso de Baptistas [da Silva] e Ferreiras”. O Matias, já Presidente, nem foi ao funeral do Acácio Rosa, um homem que deu tanto ao Belenenses, a quem terá amado mais do que ninguém, e que tinha 70 anos de sócio! É por estas e por outras que quando eu oiço / leio coisas como “é preciso enterrar o passado” e “julgam que ainda estamos nos anos 40? Actualizem-se, meus caros!”, fico doente. Não que eu não ache que há um passado a eliminar – só que esse é mais recente, e foi justamente o protagonizado pelos autoproclamados enterras do passado! Não que eu não julgue que não é preciso actualizarmo-nos – é urgente, mas a sério, não com frases pomposas de gestão empresarial destituídas de conteúdo.

7. E a propósito de gestões empresariais, seria bom que nos lembrássemos que foi com slogans desse tipo que F.Matos / Cabrita e Matias ganharam, primeiro, e nos afundaram, depois. Mais uma vez, leiam-se as entrevistas de Matias em 93 e 94. Recorde-se o lema da candidatura F.Matos /Cabrita: “Empresa-desporto-espectáculo” (e que grande e triste espectáculo, com tantos episódios ridículos que protagonizaram e que tristes resultados desportivos advieram do matraquear das palavras “empresa” e “empresarial”). Eu sou a favor de uma gestão rigorosa e eficiente; sou a favor da profissionalização (e consequente responsabilização) de certos cargos; sou a favor de parcerias financeiras fortes e vantajosas. Mas sou contra o vento de frieza e sem alma (que também leva às bancadas quase desertas e que tudo gela e faz hibernar), ali onde, antes de tudo, é necessário, isso sim, revitalizar a IDENTIDADE DO CLUBE. 8. Disse tudo isto, porque face ao que oiço nas bancadas e leio em blogs, vejo muita gente a repetir exactamente o que J.A Matias e Ferreira de Matos disseram e defendiam. E isso significa o quê? Que facilmente esses sócios cometeriam o mesmo erro! Meus amigos, não vamos em frases feitas! Não acreditemos no que a alguns convém que acreditemos! Repensemos a coisas, não vamos atrás da carneirada, não confundamos aventureirismo parolo (indesejável) com ambição lúcida (desejável), para não comprometermos ainda maiso futuro do nosso clube.

9. E para finalizar: tenhamos sempre em conta, como bom critério, quem mostrou vontade e capacidade para trabalhar, e quem só aparece uma vez por outra, regra geral para “a fotografia”!

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Soprar as velas!

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Faz hoje um ano que o Blog do Belenenses teve o seu início continuado. Após uma primeira experiência da minha parte em Setembro de 2003, que rapidamente se esborrou na minha falta de conhecimento desta ferramenta informática, foi através do Blog CFBelenenses, e de todos os amigos que comecei por conhecer aí, que houve um "empurrão" para reactivar o Blog e estudar minimamente como isto funcionava. Nascia assim, oficialmente a 3 de Fevereiro de 2004, e ainda que com um look rudimentar, o Blog do Belenenses. Daí para cá, muitos foram os que me ajudaram a fazer crescer este cantinho azul, com especial destaque, claro está, para o Luís Vieira e o Rui Vasco. E não posso nunca esquecer o Eduardo Torres, que tem dado um contributo inestimável para a perenização da história do Belenenses, primeiro através do Blog, e mais tarde também através do Site Oficial. Por último, um obrigado muito especial à Rita, minha namorada, pelas dezenas ou centenas de horas que se privou de estar comigo por causa deste meu "2º emprego".


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Look do blog em Abril


Muitas outras pessoas publicaram também artigos no Blog, até porque esse foi um dos objectivos por mim delineados desde a sua criação, alargar o máximo possível o espaço de opiniões. Penso que, ao fim de um ano, estamos a cumprir os objectivos mais ambiciosos que pudessemos traçar. Nunca imaginei a repercussão que o Blog poderia vir a ter, sendo noticiado na imprensa escrita, rádio e televisão.

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Look do blog em Junho


Um ano volvido, e mais de 62.000 visitas depois, temos a sensação de dever cumprido, mas sempre com a ambição de fazermos mais e melhor. Precisamente o que pensamos para o nosso grande BELENENSES!

Obrigado a todos.

SÍNTESE DO PASSADO - PARTE III – A DÉCADA DE 60


Continuamos a fazer uma síntese do passado do clube, antes de chegarmos à caracterização do presente e ao que entendemos que deve ser o futuro.

Os tempos de poder e glória do Belenenses chegam ao fim com o início da década de 60, e muito acentuadamente, a partir de 1964, como veremos.

No entanto, os anos 60 até começaram bem para o Belenenses. Na última jornada do Campeonato de 59/60, em que ficámos em 3º lugar, fomos ganhar à Luz, quebrando a invencibilidade ao Benfica, e remetendo ao ridículo as faixas de “campeão invicto” preparadas pelos encarnados. Depois, conquistámos, pela 2ª vez, a Taça de Portugal, batendo por 2-1 o Sporting (que até marcou primeiro) na final (realizada em 3 de Julho de 1960).

Seguidamente, em Setembro de 1960, no início de uma nova época, as coisas pareciam continuar de vento em popa, em termos futebolísticos, ao reeditarmos a vitória na Taça de Honra (que também conquistáramos no ano anterior). Julga-se frequentemente que vencemos o Benfica por 5-0 na final. Não foi assim. Ganhámos, é verdade, ao Benfica, e pelos tais 5-0 (e tenhamos em conta que, 8 ou 9 meses depois, o Benfica seria campeão europeu...) nas meias-finais. Quanto à final, foi disputada com o Atlético (que eliminara o Sporting), e vencemos por 2-0. O resto da época de 60/61, entretanto, não esteve à altura desse início tão prometedor, embora tenhamos chegado às meias finais da Taça de Portugal. No Campeonato, ficámos num 5º lugar, o que na altura era péssimo para o Belenenses (hoje estamos em 10º e há quem esteja contente...incrível!): tinha que se recuar uma década para encontrar um campeonato tão mau (veja-se o artigo anterior, sobre as décadas de 40 e 50, publicado em 4 de Janeiro).

Voltemos um pouco atrás, para percebermos melhor a grandeza relativa do Belenenses no fim dos anos 50 e início dos anos 60. Aquando da nossa vitória na Taça de Portugal de 1960, foi considerado um acontecimento de grande relevo o facto de, nesse jogo final, o Estádio Nacional ter transbordado de público (cerca de 60 000 pessoas), ocupando os adeptos azuis a sua metade do estádio. Até então, havia o mito de que o Jamor só esgotava em encontros da Selecção Nacional ou em jogos entre o Benfica e o Sporting. Relembre-se que na década de 50, tinham havido três finais da Taça entre o Benfica e o F.C.Porto (e uma entre Sporting e V.Setúbal) no Estádio Nacional, e muitos encontros para o Campeonato Nacional entre Sporting e F.C.Porto ou Benfica e F.C.Porto no mesmo recinto. Embora atrás de Benfica e Sporting, a grandeza do Belenenses, até em número de adeptos era, pois, indiscutível.

Já agora, em 1960, o Benfica tinha cerca de 30.000 sócios; o Sporting, 17.500; o Belenenses 10.500. Ou seja, entre os três grandes de Lisboa, o Belenenses tinha cerca de 20% de adeptos (hoje, andará pelos 5%). E repare-se que, em 1960, o número de sócios belenenses nem estava em alta. Em 1956, aquando da inauguração do Restelo, tínhamos já chegado aos 14.500, número para a época (e quando os sócios eram adeptos presentes regularmente no futebol) verdadeiramente impressivo. Se tivermos em conta que, no início de 1967, quando a Junta Directiva constituída por Acácio Rosa, Gouveia da Veiga e Coelho da Fonseca tomou conta dos destinos do clube, os sócios só já eram 7.932, podemos ter uma noção muito aguda da erosão tremenda que o clube sofreu no espaço de uma década. E isso sucedeu, precisa e tristemente, quando as massas associativas do Benfica e do Sporting, em particular por causa dos seus sucessos europeus, davam grandes saltos em frente, cavando um fosso que não cessa de acentuar-se.

Em termos futebolísticos, o percurso do Belenenses, durante a década de 60 é a de um decaimento quase constante, que levou à separação clara entre dois tipos de adeptos: os que, passada a época de sucessos, abandonaram (é verdade, abandonaram mesmo!); os que mais arreigaram, de forma que se tornou proverbial, o seu Belenensismo.

Até 1964, embora sem brilho, o futebol do Belenenses ainda se aguentou num plano razoável.

Assim, há a registar as 5 presenças consecutivas nas meias finais da Taça de Portugal, entre 59/60 e 63/6, série que só é ultrapassada pelo Sporting.

Quanto ao Campeonato, tivemos as seguintes classificações:

60/61 – 5º lugar, com 12 vitórias, 4 empates e 10 derrotas, 45-37 em golos, e 28 pontos (na altura, as vitórias valiam 2 pontos). O 4º foi o V.Guimarães (pela 1ª vez à nossa frente) com 30, e o 3º o F.C.Porto com 33.

61/62 – 5º lugar, com 12 vitórias, 7 empates e 7 derrotas, 51-35 em golos e 31 pontos. O 4º foi a CUF (pela 1º vez à nossa frente) com 33 e o 3º o Benfica com 36.

62/63 – 4º lugar, com 16 vitórias, 4 empates e 6 derrotas, 47-30 em golos e 36 pontos. O Sporting foi 3º com 38, o f.c.Porto 2º, com 42, o Benfica, 1º com 48.

63/64 – 6º lugar, com 12 vitórias, 6 empates e 8 derrotas, 46-36 em golos, e 30 pontos. O 5º foi a CUF, também com 30, o 4º, o V.Guimarães com 34, o 3º, o Sporting, também 34. Repare-se que, mesmo neste ano, ainda ficámos perto do 3º mas já começávamos a cair...

Em 4 de Setembro de 1961, estreámo-nos na Taça das Cidades com Feira (antecessora da Taça UEFA), e auspiciosamente, com um empate 3-3 na Escócia, contra o Hibernian. Podíamos aí ter resolvido a eliminatória, pois estivemos a ganhar por 3-0. O nosso amigo Álvaro Antunes fez o favor de nos emprestar um resumo de 20 minutos que se pode adquirir ao Hibernian (nós infelizmente, não temos essas coisas – e muito faz a D. Ana Linheiro!); pode ver-se o entusiasmo e estupefacção dos escoceses com Matateu (aos 34 anos!) e Yaúca. Na 2ª mão, no Restelo, baqueámos por 3-1.

Na época de 62/63, na mesma competição, o sorteio ditou-nos o Barcelona. Apesar do poderio do adversário, o Belenenses bateu-se de igual para igual, empatando 1-1, tanto no Restelo (1ª mão), como em Barcelona.A nossa dramática situação financeira levou-nos a aceitar, por 500 contos (ao tempo, um valor muito elevado), que o 3º jogo, de desempate, se disputasse também em Barcelona. Perdemos 3-2.

Em 63/64, fomos mais longe. Na 1ª eliminatória, ultrapassámos o Tresnjevka, com vitórias por 2-0 (na Jugoslávia) e 2-1 (no Restelo). Seguiu-se, nos oitavos de final, o Roma. Na 1ª mão, em Itália, perdemos por 2-1, sofrendo o golo da derrota a 4 minutos do fim. Em casa, voltámos a perder, agora por 1-0. Rezam as crónicas que em ambos os jogos fomos muito prejudicados pela arbitragem.

Finalmente, em 64/65, face ao Shelbourne, da Irlanda, empatámos 1-1 no Restelo e 0-0 em Dublin. Como na altura não havia a regra do golo fora para desempatar, nem o recurso a grandes penalidades, mais uma vez nos sujeitámos a que o 3º jogo fosse disputado em casa do nosso adversário. Perdemos por 2-1 e dissemos adeus às competições europeias até 1973 – uma eternidade que nos custou muito caro em termos de popularidade.


A partir de 1964, como já afirmámos, as classificações no Futebol baixaram em flecha:

64/65 – 8º lugar ( e uma derrota 6-0 com o Benfica no Restelo, significativa dos maus novos tempos...)
65/66 – 7º lugar
66/67 – 11º lugar (e o 1º susto...)
67/68 – 7º lugar
68/69 – 8º lugar
69/70 – 7º lugar (só com 23 golos marcados... Já agora, a título de curiosidade e de comparação, lembremos que em 1945, no espaço de uma semana, marcámos 29 golos, vencendo a Académica por 15-2 e o Salgueiros por 14-1, respectivamente em 1 e 8 de Abril)!

Até nas modalidades extra-futebol há uma queda, apesar de alguns títulos nacionais seniores (v.g., 1963 – Campeonato Nacional de Râguebi; 1964 – Taça de Portugal em Râguebi; 1970 – Campeonato Nacional de Halterofilismo) e de muitos outros nas idades mais jovens ou nas competições regionais, da proeza de José Freitas, em 1962, ao bater o Record mundial da Travessia de Gibraltar a nado, e das inúmeras conquistas do Andebol nas camadas jovens (veja-se a Agenda osBelenenses 2005...), que se viriam a repercutir em Campeonatos (e Taças) no escalão sénior, nas décadas seguintes.

Toda esta queda se deve, bem entendido, ao dramático problema do Estádio, com todas as consequências financeiras e não só, e ao qual aludimos detalhadamente no nosso artigo “O Estádio do Restelo – Como o Belenenses o Merece”, publicado aqui em 13 de Julho. Além dos vexames a que fomos sujeitos – as taças empacotadas à porta da rua... -, os encargos financeiros pesadíssimos (depois, e sobretudo antes do resgate do Estádio), e a desmoralização provocada nos menos lutadores, tiveram um efeito tremendo no clube, e isso exactamente quando o Benfica e o Sporting embalavam por aí fora, com as competições europeias, a televisão, a maior repercussão mediática. A década de 60 foi, pois, tremenda para o Belenenses. E talvez, sem desprimor, em alguns momentos, nos tenham faltado dirigentes de maior têmpera, como os de outros tempos. Curiosamente, Francisco Soares da Cunha, “o homem do estádio” morre justamente em 1961, no ano do resgate – como se ele morresse com o estádio. E que falta pode ter feito!

No Futebol, é provável que se tenha dormido tempo de mais à sombra de Matateu. Ele não poderia eternamente resolver tudo... Não preparar o futuro sai sempre caro! Julgo que se falhou nesse ponto, como, já agora, se falhou (apesar do esforço de Acácio Rosa – quem havia de ser?) em não ter criado as condições para que Matateu permanecesse sempre ligado ao clube.

Talvez a salvação do clube tenha dependido em muito do trabalho da já referida Junta Directiva entre 1967 e 1969 e, ainda, da campanha de assinaturas espoletada no Brasil por Salustiniano Lopes (mais de 50 mil assinaturas!) pedindo a devolução da posse do Estádio ao Belenenses. Deve notar-se que foi também nessa altura que a massa associativa voltou a crescer, ultrapassando o número de 19.000 em 1970. Só que, como veremos no próximo artigo, em termos desportivos, o resultado da sua acção, até em termos de aposta na formação, só se viria a repercutir a partir de 1972. E os bons tempos, então, só duraram 4 anos (de 1972 a 1976)...

Gostávamos de deixar uma nota que consideramos muito importante. A partir de certa altura, na transição dos anos 50 para os 60, nota-se uma mudança no estilo dos jornais do clube. Deixa de haver exigência como antes. O medíocre passa a ser aceitável, o assim-assim passa a ser excelente. O Belenenses torna-se menos combativos. Parece haver uma espécie de horror à populaça, às multidões (tal como hoje, não há a preocupação de ser popular, de captar fotografias de público e do seu colorido...). A ênfase passa a estar posta no discurso do Senhor Doutor ou do Senhor Almirante tal. A colagem ao poder, até político, é manifesto. È verdade que era comum na época. É verdade que a tentativa de resolver o problema do Estádio tudo condicionava. Mas foi um erro – mais a mais, justamente quando a contestação ao regime salazarista vai subir de tom: a campanha de Humberto Delgado, as guerras coloniais, a “primavera” marcelista... A partir de certa altura, filhos de belenenses são contra o Belenenses porque isso é sinónimo de rebeldia, de irreverência, de contestação. Se para os mais velhos, o Belenenses continuava a ser um clube respeitado de chapéu na mão, que um Sebastião-Matateu reencarnado haveria de fazer ressurgir, para os jovens, o Belenenses torna-se um clube parolo e detestável, que ficava bem desafiar e, se possível, humilhar. Foi um grande erro. Pensemos nisto, porque, ao contrário do que se possa pensar, o problema, de outra forma, está em aberto. Que Belenenses queremos? O Belenenses acomodado, sem preocupação de ser popular, com o estádio deserto e sem reagir, satisfeitozinho sem ter razão para tal, subserviente aos seus antigos rivais (aqueles cuja rivalidade o fez crescer e assomar-se) – em resumo, um Belenenseszinho cinzento? Ou um Belenenses alegre e popular, inconformado, que atrai em vez de repelir a juventude (e a força e a alegria), um Belenenses lutador, indomável, rebelde e desafiador, como o quiseram Artur José Pereira e os outros fundadores, como eram Augusto Silva, Amaro, as Torres de Belém? Que diria Artur José Pereira de quatro jogadores emprestados pelo Benfica e pelo Sporting (pelo Benfica e pelo Sporting!!!)? Que diria ele de dirigentes nossos a falar dos três grandes? Que diria ele de adeptos de braços cruzados nas bancadas? Que bom seria se se pensasse mais nisto, e menos nas coisas efémeras deste ou daquele jogo...

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Mais estatisticas

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No seguimento do post do dia 15/janeiro publicamos agora um novo quadro actualizado.
Com os ultimos 3 resultados - 2 vitórias e 1 empate - constatamos que conseguimos igualar o melhor período da época, logo no inicio do campeonato, ou seja, obtivemos 7 pontos em 9 possiveis.



O melhor aspecto desta série foi que 4 destes 7 pontos foram obtidos fora do Restelo, com a vitória em Setubal e com o empate frente ao Marítimo.

O proximo jogo é com o Leiria, no estádio da União, e esperemos que consigamos obter a melhor série desta época.

Relativamente ao ultimo artigo, o Belenenses subiu 4 posições, e ocupa agora o 10ºposto da tabela, a três pontos de distância do 7ºlugar ocupado por Rio Ave e Setubal e a 8 pontos da linha de água (Moreirense e Beira-Mar).

O Belem tem o terceiro melhor ataque da Superliga com 29 golos, juntamente com o lider Braga, atrás do Sporting que já marcou por 41! vezes e do Benfica (30 golos). Cerca de 69% dos golos foram marcados no Restelo o que faz com que o Belem mantenha o melhor ataque em casa, juntamente com o Sporting, com 20 golos marcados.

O melhor marcador da equipa continua a ser Antchouet agora com 12 golos o que representa cerca de 41% do total do número de golos. Os restantes 17 golos foram marcados por 11 jogadores, incluindo um jogador do Penafiel :).