sábado, fevereiro 05, 2005
Taça da Liga: Guerreiros de volta!
Hoje, nas meias-finais da Taça da Liga, defrontam-se:
Ovarense - CAB (14:45h)
Belenenses - FC Porto (17h) - Transmissão na Sport TV
É tempo de "matar o borrego" e colocar um pouco de verdade desportiva nos resultados entre Belenenses e Porto! Força Guerreiros, pois esta já ninguém vos tira!
quinta-feira, fevereiro 03, 2005
ELEIÇÕES - REFRESCANDO A MEMÓRIA...
Considero muito importantes as próximas eleições para os órgãos sociais, pois está em causa, como sempre, o futuro do clube; mas, no ponto a que chegámos, julgo que está mesmo em causa a sobrevivência do Belenenses enquanto clube com expressão. De facto, cada dia – sim, cada dia! - que passa o Belenenses vem perdendo projecção.
No âmbito dos artigos de 4ª feira, ou seja, da série “Entre o Passado e o Futuro, apresentarei brevemente, de acordo com a lógica sequência dos textos, um conjunto de ideias integradas que me parecem dever ser as linhas de rumo para o futuro.
Hoje, gostaria apenas de salientar um ponto que reputo extremamente relevante para nos perspectivarmos: a alma e a imagem que o Belenenses projectará de si são o que de mais importante um candidato deve dar ao Belenenses, só depois vindo a gestão concreta. E é a capacidade (ou não) de devolver ao clube uma mística à Belém, arredia há décadas, o grande factor de diferenciação entre candidaturas boas e candidaturas medíocres. Logo em seguida, vêm a coerência das propostas, ou seja, até que ponto se apresentam os meios e os métodos para chegar aos objectivos anunciados.
As possibilidades de fazermos uma escolha errada não devem nunca ser negligenciadas. Se tal acontecer, então, por uma questão de coerência e responsabilização, tenhamos em conta que seremos nós próprios, os sócios, os verdadeiros culpados do que de mau se passar. Já houve escolhas erradas, com consequência muito nocivas – desastrosas mesmo – para o clube. Para evitarmos os mesmos erros, devemos refrescar a memória sobre o que se passou. Devo dizer que o que se passou nas campanhas eleitorais de então é bem diferente do que as pessoas estão convencidas – ou do que alguns querem fazer acreditar – que realmente aconteceu e foi dito. Mesmo muito diferente! E isso pode ser demonstrado – com factos e documentos, e não com suposições erróneas...
Durante anos, no Belenenses, como na generalidade dos clubes, só havia uma lista candidata (e às vezes, era bem difícil arranjar essa lista...), pelo que as eleições verdadeiramente disputadas começaram em 1990. Nos actos eleitorais desde então decorridos, houve duas escolhas desastrosas:
- Logo em 1990, a eleição de Ferreira de Matos /Joaquim Cabrita (pouco tempo depois, Ferreira de Matos foi marginalizado e o verdadeiro líder era o Vice-Presidente Joaquim Cabrita).
- Em 1994, a eleição de José António Matias.
Convém esclarecer que cada tenho, em termos pessoais, contra José António Matias, Joaquim Cabrita ou o Major Ferreira de Matos. Este, último, que aliás acabou por ser vítima dos próprios companheiros de direcção, parece-me mesmo uma excelente pessoa. Por outro lado, em artigos anteriores, até já escrevi que J. A. Matias foi culpabilizado demais. Não discuto que quisessem o melhor para o Belenenses. Agora, coisa diferente é que acho que as ideias deles eram de todo inadequadas para o clube - e achei isso desde o primeiro momento. Não votei neles, e fiquei até muitíssimo aborrecido com a sua eleição, contrariamente a pessoas que depois os criticaram muito. E é justamente por se criticar tanto o José António Matias (infelizmente a memória e o conhecimento é curto e quase ninguém se lembra de Ferreira de Matos/Cabrita, que foi ainda pior! Um ano e pouco depois da vitória na Taça de Portugal, fomos empurrados para a 2ª divisão, cheio de dívidas, depois de uma sucessão interminável de decisões e episódios ridículos), que eu gostava de lembrar como é que as coisas aconteceram.
A versão enraizada é a de que se fizeram promessas megalómanas (por exemplo, grandes contratações, anúncios de grandes sucessos no futebol...). Não foi assim! Podemos demonstrar que não foi assim! E é importante fazê-lo, porque, caso contrário, estaremos prevenidos para um perigo que não é perigo nenhum, e alheios a outros riscos, esses sim, bem reais. Dito isto, gostava de deixar algumas considerações, que tentarei formular o mais sinteticamente possível:
1. Não vale a pena julgarmos que estamos prevenidos contra aventureiros e vendedores de banha da cobra só porque desconfiamos de quem faz promessas e acreditamos, sim, em quem diz que não faz promessas. Isso não é salvaguarda nenhuma. Na verdade, em 1990, no mais catastrófico resultado de eleições no Belenenses, com a eleição de Ferreira de Matos / Cabrita (que deram uma grande e definitiva machadada num Belenenses que estava a voltar a levantar a cabeça) um dos slogans da candidatura vencedora foi justamente o discurso contra as promessas. Tenho documentos sobre isso, que já fiz reproduzir no blog do Belenenses, e que podem ser encontrados em artigo publicado em 10 de Agosto.
Num jornal de campanha dessa candidatura, que veio a ser vencedora, podia ler-se isto:
“PROMESSAS?
Dizem os mais avisados que de promessas está o mundo cheio! Prometer o Céu e a Terra, mundos e fundos, já não surpreende ninguém. Cumprir as promessas, levar as suas ideias até à sua concretização é que constitui o maior problema. Aquelas dizem respeito a sonhos realizáveis, possivelmente atingidos com algum esforço, porque, se o não exigir, também não são promessas que se façam nos nossos dias; as outras, as ‘tais’, essas, são do mundo do sonho fantástico, moram paredes meias com o inatingível, são megalómanas, feitas para adormecer meninos, encantar visionários, enganar consciências simples.
A megalomania é uma arma que alguns usam apontada aos incautos, indefesos, aqueles que não possuem o acesso à informação das possibilidades do clube e que não podem avaliar dificuldades.
Em época de campanha eleitoral passou a ser hábito, em Portugal, os clubes fazerem o anúncio de medidas eleitoralistas. Vale sempre mais, no jogo da caça ao voto, anunciar a contratação duma ‘estrela’ de futebol do que falar em medidas de fundo da valorização do clube, da sua organização ou do seu património. O que importa é o nome do ponta de lança que vai marcar vinte golos por época, do médio que vai resolver o problema do nosso meio campo, ou do treinador que, com novas tácticas e algumas ‘quimbandices’, nos vai oferecer vitórias todas as semanas.
Começa em época eleitoral, a busca incessante de estrelas a contratar. Movimentam-se os empresários que oferecem a sua mercadoria – algumas vezes gato por lebre – analisam-se vídeos, anunciam-se intenções e, para não falhar muito, enfiam-se alguns barretes. Mas a isto já o adepto da bola está habituado. Houve que estabelecer outras estratégias.
A eleição vai concorrida, os candidatos surgem a granel e os votos são cada vez mais apetecidos”. (etc.)
Meses depois de escritas estas palavras, o Belenenses, carregado de dívidas, estava na 2ª divisão, para onde foi lançado pelas pessoas que as escreveram!
2. Portanto, não vale a pena ficarmos muito contentes connosco próprios porque estamos alerta contra quem vem prometer contratar grandes estrelas para o futebol, porque nunca ninguém ganhou eleições no Belenenses com base nisso. Repito: NUNCA! Se compararmos as paupérrimas e ridículas promessas que são feitas em eleições no Belenenses com as que são feitas noutro clubes, pessoalmente, e ao contrário de outras pessoas, não encontro motivo de satisfação: até a nossa demagogia, até as nossas promessas, até os nossos sonhos são (já) pequeninhos!
3. Então não foi com base nessas promessas megalómanas que José António Matias ganhou as eleições em 1994? Não, não foi, de maneira nenhuma. Isso é mais um mito que se criou mas que não tem nenhum fundamento real. Ele ganhou as eleições com base, sim, no cavalo de batalha de que ia vender o Emerson ao F.C.Porto (eu sou inteiramente contra que se venda bons jogadores nossos a clubes portugueses!), assim recebendo umas contrapartidas, entre as quais vários emprestados. Os sinais que tanto F.Matos como J.Matias deram foi de FALTA DE AMBIÇÃO... de menoridade, de objectivos pequeninos. Sim, o nosso problema não tem sido a ambição mas, sim, a falta dela!
4. E dito isto, espero que os entusiastas ou defensores dos empréstimos (por três clubes que sabemos...) ou da vinda de brincas na areia ou coxos (dos mesmos 3 clubes) não se esqueçam que em ambos os casos (Ferreira de Matos e Matias) a grande medida que logo implementaram para o futebol foi recorrer a emprestados ou a vedetas já semi-reformadas daqueles 3 clubes que sabemos, desse modo assumindo a consequente vassalagem. No caso de F.Matos Cabrita, vieram Morato (verdade seja dita, profissional muito digno!) e Raudnei do F.C.Porto, e Chalana, do Benfica (sujeitando-nos à vergonha humilhante de os jornais nos passarem a tratar por “o clube de Chalana” ou colocarem como título “Chalana perdeu”). No caso de J.A.Matias, vieram 2 emprestados do F.C.Porto e 2 do Benfica (Bruno Caires e Nuno Afonso, lembram-se?). NÂO NOS ESQUEÇAMOS DESSAS EUFORIAS DOS EMPRÉSTIMOS E NO QUE DERAM! Ah – perguntarão - mas então o Matias não foi aquele que gastou o dinheiro que tínhamos e não tínhamos (e se calhar até o seu, sejamos justos!) a contratar o Giovanella e o Catanha e o Pacheco (grande vergonha, um jogador que tratara o Belenenses abaixo de cão!) e mais não sei quantas vedetas e que até era muito ambicioso? Bem, isso foi no 2º ano da gestão Matias. É que houve um 1º ano, o que quase sempre se esquece, e é pena. E, nesse 1º ano, enfiámos mais um barrete com a venda do Emerson, que no Porto valeu muito mais do que os jogadores todos juntos que de lá vieram em troca, e que ainda foi vendido para Inglaterra por milhões (e não se atire pedras a Pinto da Costa: ele não nos obrigou a fazer o negócio; nós é que vestimos a pele dos coitadinhos-que-não-queremos-cortar-as-pernas-a-ninguém-e-dizemos-amén-à-vontades-dos-tod-poderosos, nós é que fomos trouxas). Em vez do grande jogador que era Emerson, ficámos com um carregamento de emprestados, com os péssimos resultados que essas experiências sempre têm. Salvámo-nos da descida na penúltima jornada (com métodos vergonhosos, lembram-se?) com a 2ª pior classificação de sempre.
5. Espero que os optimistas-sem-razão-para-estarem-optimistas não se esqueçam que foi com o discurso do optimismo, com o discurso de não podemos ser pessimistas (sempre que se procurava pôr a nu os problemas do clube...) para não prejudicamos as equipas, que Matias e Ferreira de Matos ganharam as eleições.
Nunca me esquecerei do debate televisivo entre Ferreira de Matos e Baptista da Silva (votei neste último, claro!). Ferreira Matos durante todo o tempo repetiu incessantemente 3 ou 4 frases: “Não vamos começar a dizer mal…”, “é preciso é confiança e optimismo”, “Numa reunião em que o senhor esteve presente com mais 20 sócios, ficou decidido que eu iria ser o Presidente do Belenenses, por isso tem que ser!”. E, face a isto, Baptista da Silva quase não consegui acabar uma frase para explanar uma ideia. Exemplo: visto que tínhamos passado às meias-finais da Taça, Baptista da Silva começou uma frase dizendo “Se o Belenenses ganhar a Taça de Portugal…” e ia a expor a ideia. Mas não conseguiu, pois logo F.Matos interrompeu: “Mas não tenha dúvida de que ganhamos. Nós estamos a 180 minutos de ganhar!…”. Baptista da Silva tentava novamente explicar e logo tornava F.Matos “mas não diga ‘se’. Temos que ser optimistas. A vitória está certa. Eu tenho pensamento positivo e assim ganhamos!” (Ironicamente, estávamos a ganhar a meia-final, até ele aterrar no Estádio do Restelo, como já disse em outros artigos). Outro exemplo: Baptista da Silva dizia “Não podem acontecer situações como…” e logo F.Matos interrompia ”mas não vamos começar a dizer mal…”. E foi todo o tempo assim!
Eu penso que o optimismo e a confiança são coisas muito saudáveis mas depois e não antes de se ter feito tudo o possível para as coisas correrem bem, não regateando qualquer esforço, com inteligência e dedicação. Caso contrário, é um mero chavão, uma atitude comodista ou uma panaceia usada por quem não sabe fazer melhor.
6. Espero que não se esqueça que ambos (F.Matos e Matias) vieram com o discurso de enterrar o passado, de que já não estamos nos anos 40, de que os nossos adversários representam todo um passado que os sócios vão julgar, etc. Veja-se a entrevista de Matias ao Jornal do Belenenses na campanha de 1994. Vejam-se as declarações de Joaquim Cabrita, em 1990, a um jornal desportivo: “Os sócios saberão julgar todo um passado duvidoso de Baptistas [da Silva] e Ferreiras”. O Matias, já Presidente, nem foi ao funeral do Acácio Rosa, um homem que deu tanto ao Belenenses, a quem terá amado mais do que ninguém, e que tinha 70 anos de sócio! É por estas e por outras que quando eu oiço / leio coisas como “é preciso enterrar o passado” e “julgam que ainda estamos nos anos 40? Actualizem-se, meus caros!”, fico doente. Não que eu não ache que há um passado a eliminar – só que esse é mais recente, e foi justamente o protagonizado pelos autoproclamados enterras do passado! Não que eu não julgue que não é preciso actualizarmo-nos – é urgente, mas a sério, não com frases pomposas de gestão empresarial destituídas de conteúdo.
7. E a propósito de gestões empresariais, seria bom que nos lembrássemos que foi com slogans desse tipo que F.Matos / Cabrita e Matias ganharam, primeiro, e nos afundaram, depois. Mais uma vez, leiam-se as entrevistas de Matias em 93 e 94. Recorde-se o lema da candidatura F.Matos /Cabrita: “Empresa-desporto-espectáculo” (e que grande e triste espectáculo, com tantos episódios ridículos que protagonizaram e que tristes resultados desportivos advieram do matraquear das palavras “empresa” e “empresarial”). Eu sou a favor de uma gestão rigorosa e eficiente; sou a favor da profissionalização (e consequente responsabilização) de certos cargos; sou a favor de parcerias financeiras fortes e vantajosas. Mas sou contra o vento de frieza e sem alma (que também leva às bancadas quase desertas e que tudo gela e faz hibernar), ali onde, antes de tudo, é necessário, isso sim, revitalizar a IDENTIDADE DO CLUBE. 8. Disse tudo isto, porque face ao que oiço nas bancadas e leio em blogs, vejo muita gente a repetir exactamente o que J.A Matias e Ferreira de Matos disseram e defendiam. E isso significa o quê? Que facilmente esses sócios cometeriam o mesmo erro! Meus amigos, não vamos em frases feitas! Não acreditemos no que a alguns convém que acreditemos! Repensemos a coisas, não vamos atrás da carneirada, não confundamos aventureirismo parolo (indesejável) com ambição lúcida (desejável), para não comprometermos ainda maiso futuro do nosso clube.
9. E para finalizar: tenhamos sempre em conta, como bom critério, quem mostrou vontade e capacidade para trabalhar, e quem só aparece uma vez por outra, regra geral para “a fotografia”!
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
Soprar as velas!
Look do blog em Abril
Muitas outras pessoas publicaram também artigos no Blog, até porque esse foi um dos objectivos por mim delineados desde a sua criação, alargar o máximo possível o espaço de opiniões. Penso que, ao fim de um ano, estamos a cumprir os objectivos mais ambiciosos que pudessemos traçar. Nunca imaginei a repercussão que o Blog poderia vir a ter, sendo noticiado na imprensa escrita, rádio e televisão.
Look do blog em Junho
Um ano volvido, e mais de 62.000 visitas depois, temos a sensação de dever cumprido, mas sempre com a ambição de fazermos mais e melhor. Precisamente o que pensamos para o nosso grande BELENENSES!
Obrigado a todos.
SÍNTESE DO PASSADO - PARTE III – A DÉCADA DE 60

Continuamos a fazer uma síntese do passado do clube, antes de chegarmos à caracterização do presente e ao que entendemos que deve ser o futuro.
Os tempos de poder e glória do Belenenses chegam ao fim com o início da década de 60, e muito acentuadamente, a partir de 1964, como veremos.
No entanto, os anos 60 até começaram bem para o Belenenses. Na última jornada do Campeonato de 59/60, em que ficámos em 3º lugar, fomos ganhar à Luz, quebrando a invencibilidade ao Benfica, e remetendo ao ridículo as faixas de “campeão invicto” preparadas pelos encarnados. Depois, conquistámos, pela 2ª vez, a Taça de Portugal, batendo por 2-1 o Sporting (que até marcou primeiro) na final (realizada em 3 de Julho de 1960).
Seguidamente, em Setembro de 1960, no início de uma nova época, as coisas pareciam continuar de vento em popa, em termos futebolísticos, ao reeditarmos a vitória na Taça de Honra (que também conquistáramos no ano anterior). Julga-se frequentemente que vencemos o Benfica por 5-0 na final. Não foi assim. Ganhámos, é verdade, ao Benfica, e pelos tais 5-0 (e tenhamos em conta que, 8 ou 9 meses depois, o Benfica seria campeão europeu...) nas meias-finais. Quanto à final, foi disputada com o Atlético (que eliminara o Sporting), e vencemos por 2-0. O resto da época de 60/61, entretanto, não esteve à altura desse início tão prometedor, embora tenhamos chegado às meias finais da Taça de Portugal. No Campeonato, ficámos num 5º lugar, o que na altura era péssimo para o Belenenses (hoje estamos em 10º e há quem esteja contente...incrível!): tinha que se recuar uma década para encontrar um campeonato tão mau (veja-se o artigo anterior, sobre as décadas de 40 e 50, publicado em 4 de Janeiro).
Voltemos um pouco atrás, para percebermos melhor a grandeza relativa do Belenenses no fim dos anos 50 e início dos anos 60. Aquando da nossa vitória na Taça de Portugal de 1960, foi considerado um acontecimento de grande relevo o facto de, nesse jogo final, o Estádio Nacional ter transbordado de público (cerca de 60 000 pessoas), ocupando os adeptos azuis a sua metade do estádio. Até então, havia o mito de que o Jamor só esgotava em encontros da Selecção Nacional ou em jogos entre o Benfica e o Sporting. Relembre-se que na década de 50, tinham havido três finais da Taça entre o Benfica e o F.C.Porto (e uma entre Sporting e V.Setúbal) no Estádio Nacional, e muitos encontros para o Campeonato Nacional entre Sporting e F.C.Porto ou Benfica e F.C.Porto no mesmo recinto. Embora atrás de Benfica e Sporting, a grandeza do Belenenses, até em número de adeptos era, pois, indiscutível.
Já agora, em 1960, o Benfica tinha cerca de 30.000 sócios; o Sporting, 17.500; o Belenenses 10.500. Ou seja, entre os três grandes de Lisboa, o Belenenses tinha cerca de 20% de adeptos (hoje, andará pelos 5%). E repare-se que, em 1960, o número de sócios belenenses nem estava em alta. Em 1956, aquando da inauguração do Restelo, tínhamos já chegado aos 14.500, número para a época (e quando os sócios eram adeptos presentes regularmente no futebol) verdadeiramente impressivo. Se tivermos em conta que, no início de 1967, quando a Junta Directiva constituída por Acácio Rosa, Gouveia da Veiga e Coelho da Fonseca tomou conta dos destinos do clube, os sócios só já eram 7.932, podemos ter uma noção muito aguda da erosão tremenda que o clube sofreu no espaço de uma década. E isso sucedeu, precisa e tristemente, quando as massas associativas do Benfica e do Sporting, em particular por causa dos seus sucessos europeus, davam grandes saltos em frente, cavando um fosso que não cessa de acentuar-se.
Em termos futebolísticos, o percurso do Belenenses, durante a década de 60 é a de um decaimento quase constante, que levou à separação clara entre dois tipos de adeptos: os que, passada a época de sucessos, abandonaram (é verdade, abandonaram mesmo!); os que mais arreigaram, de forma que se tornou proverbial, o seu Belenensismo.
Até 1964, embora sem brilho, o futebol do Belenenses ainda se aguentou num plano razoável.
Assim, há a registar as 5 presenças consecutivas nas meias finais da Taça de Portugal, entre 59/60 e 63/6, série que só é ultrapassada pelo Sporting.
Quanto ao Campeonato, tivemos as seguintes classificações:
60/61 – 5º lugar, com 12 vitórias, 4 empates e 10 derrotas, 45-37 em golos, e 28 pontos (na altura, as vitórias valiam 2 pontos). O 4º foi o V.Guimarães (pela 1ª vez à nossa frente) com 30, e o 3º o F.C.Porto com 33.
61/62 – 5º lugar, com 12 vitórias, 7 empates e 7 derrotas, 51-35 em golos e 31 pontos. O 4º foi a CUF (pela 1º vez à nossa frente) com 33 e o 3º o Benfica com 36.
62/63 – 4º lugar, com 16 vitórias, 4 empates e 6 derrotas, 47-30 em golos e 36 pontos. O Sporting foi 3º com 38, o f.c.Porto 2º, com 42, o Benfica, 1º com 48.
63/64 – 6º lugar, com 12 vitórias, 6 empates e 8 derrotas, 46-36 em golos, e 30 pontos. O 5º foi a CUF, também com 30, o 4º, o V.Guimarães com 34, o 3º, o Sporting, também 34. Repare-se que, mesmo neste ano, ainda ficámos perto do 3º mas já começávamos a cair...
Em 4 de Setembro de 1961, estreámo-nos na Taça das Cidades com Feira (antecessora da Taça UEFA), e auspiciosamente, com um empate 3-3 na Escócia, contra o Hibernian. Podíamos aí ter resolvido a eliminatória, pois estivemos a ganhar por 3-0. O nosso amigo Álvaro Antunes fez o favor de nos emprestar um resumo de 20 minutos que se pode adquirir ao Hibernian (nós infelizmente, não temos essas coisas – e muito faz a D. Ana Linheiro!); pode ver-se o entusiasmo e estupefacção dos escoceses com Matateu (aos 34 anos!) e Yaúca. Na 2ª mão, no Restelo, baqueámos por 3-1.
Na época de 62/63, na mesma competição, o sorteio ditou-nos o Barcelona. Apesar do poderio do adversário, o Belenenses bateu-se de igual para igual, empatando 1-1, tanto no Restelo (1ª mão), como em Barcelona.A nossa dramática situação financeira levou-nos a aceitar, por 500 contos (ao tempo, um valor muito elevado), que o 3º jogo, de desempate, se disputasse também em Barcelona. Perdemos 3-2.
Em 63/64, fomos mais longe. Na 1ª eliminatória, ultrapassámos o Tresnjevka, com vitórias por 2-0 (na Jugoslávia) e 2-1 (no Restelo). Seguiu-se, nos oitavos de final, o Roma. Na 1ª mão, em Itália, perdemos por 2-1, sofrendo o golo da derrota a 4 minutos do fim. Em casa, voltámos a perder, agora por 1-0. Rezam as crónicas que em ambos os jogos fomos muito prejudicados pela arbitragem.
Finalmente, em 64/65, face ao Shelbourne, da Irlanda, empatámos 1-1 no Restelo e 0-0 em Dublin. Como na altura não havia a regra do golo fora para desempatar, nem o recurso a grandes penalidades, mais uma vez nos sujeitámos a que o 3º jogo fosse disputado em casa do nosso adversário. Perdemos por 2-1 e dissemos adeus às competições europeias até 1973 – uma eternidade que nos custou muito caro em termos de popularidade.
A partir de 1964, como já afirmámos, as classificações no Futebol baixaram em flecha:
64/65 – 8º lugar ( e uma derrota 6-0 com o Benfica no Restelo, significativa dos maus novos tempos...)
65/66 – 7º lugar
66/67 – 11º lugar (e o 1º susto...)
67/68 – 7º lugar
68/69 – 8º lugar
69/70 – 7º lugar (só com 23 golos marcados... Já agora, a título de curiosidade e de comparação, lembremos que em 1945, no espaço de uma semana, marcámos 29 golos, vencendo a Académica por 15-2 e o Salgueiros por 14-1, respectivamente em 1 e 8 de Abril)!
Até nas modalidades extra-futebol há uma queda, apesar de alguns títulos nacionais seniores (v.g., 1963 – Campeonato Nacional de Râguebi; 1964 – Taça de Portugal em Râguebi; 1970 – Campeonato Nacional de Halterofilismo) e de muitos outros nas idades mais jovens ou nas competições regionais, da proeza de José Freitas, em 1962, ao bater o Record mundial da Travessia de Gibraltar a nado, e das inúmeras conquistas do Andebol nas camadas jovens (veja-se a Agenda osBelenenses 2005...), que se viriam a repercutir em Campeonatos (e Taças) no escalão sénior, nas décadas seguintes.
Toda esta queda se deve, bem entendido, ao dramático problema do Estádio, com todas as consequências financeiras e não só, e ao qual aludimos detalhadamente no nosso artigo “O Estádio do Restelo – Como o Belenenses o Merece”, publicado aqui em 13 de Julho. Além dos vexames a que fomos sujeitos – as taças empacotadas à porta da rua... -, os encargos financeiros pesadíssimos (depois, e sobretudo antes do resgate do Estádio), e a desmoralização provocada nos menos lutadores, tiveram um efeito tremendo no clube, e isso exactamente quando o Benfica e o Sporting embalavam por aí fora, com as competições europeias, a televisão, a maior repercussão mediática. A década de 60 foi, pois, tremenda para o Belenenses. E talvez, sem desprimor, em alguns momentos, nos tenham faltado dirigentes de maior têmpera, como os de outros tempos. Curiosamente, Francisco Soares da Cunha, “o homem do estádio” morre justamente em 1961, no ano do resgate – como se ele morresse com o estádio. E que falta pode ter feito!
No Futebol, é provável que se tenha dormido tempo de mais à sombra de Matateu. Ele não poderia eternamente resolver tudo... Não preparar o futuro sai sempre caro! Julgo que se falhou nesse ponto, como, já agora, se falhou (apesar do esforço de Acácio Rosa – quem havia de ser?) em não ter criado as condições para que Matateu permanecesse sempre ligado ao clube.
Talvez a salvação do clube tenha dependido em muito do trabalho da já referida Junta Directiva entre 1967 e 1969 e, ainda, da campanha de assinaturas espoletada no Brasil por Salustiniano Lopes (mais de 50 mil assinaturas!) pedindo a devolução da posse do Estádio ao Belenenses. Deve notar-se que foi também nessa altura que a massa associativa voltou a crescer, ultrapassando o número de 19.000 em 1970. Só que, como veremos no próximo artigo, em termos desportivos, o resultado da sua acção, até em termos de aposta na formação, só se viria a repercutir a partir de 1972. E os bons tempos, então, só duraram 4 anos (de 1972 a 1976)...
Gostávamos de deixar uma nota que consideramos muito importante. A partir de certa altura, na transição dos anos 50 para os 60, nota-se uma mudança no estilo dos jornais do clube. Deixa de haver exigência como antes. O medíocre passa a ser aceitável, o assim-assim passa a ser excelente. O Belenenses torna-se menos combativos. Parece haver uma espécie de horror à populaça, às multidões (tal como hoje, não há a preocupação de ser popular, de captar fotografias de público e do seu colorido...). A ênfase passa a estar posta no discurso do Senhor Doutor ou do Senhor Almirante tal. A colagem ao poder, até político, é manifesto. È verdade que era comum na época. É verdade que a tentativa de resolver o problema do Estádio tudo condicionava. Mas foi um erro – mais a mais, justamente quando a contestação ao regime salazarista vai subir de tom: a campanha de Humberto Delgado, as guerras coloniais, a “primavera” marcelista... A partir de certa altura, filhos de belenenses são contra o Belenenses porque isso é sinónimo de rebeldia, de irreverência, de contestação. Se para os mais velhos, o Belenenses continuava a ser um clube respeitado de chapéu na mão, que um Sebastião-Matateu reencarnado haveria de fazer ressurgir, para os jovens, o Belenenses torna-se um clube parolo e detestável, que ficava bem desafiar e, se possível, humilhar. Foi um grande erro. Pensemos nisto, porque, ao contrário do que se possa pensar, o problema, de outra forma, está em aberto. Que Belenenses queremos? O Belenenses acomodado, sem preocupação de ser popular, com o estádio deserto e sem reagir, satisfeitozinho sem ter razão para tal, subserviente aos seus antigos rivais (aqueles cuja rivalidade o fez crescer e assomar-se) – em resumo, um Belenenseszinho cinzento? Ou um Belenenses alegre e popular, inconformado, que atrai em vez de repelir a juventude (e a força e a alegria), um Belenenses lutador, indomável, rebelde e desafiador, como o quiseram Artur José Pereira e os outros fundadores, como eram Augusto Silva, Amaro, as Torres de Belém? Que diria Artur José Pereira de quatro jogadores emprestados pelo Benfica e pelo Sporting (pelo Benfica e pelo Sporting!!!)? Que diria ele de dirigentes nossos a falar dos três grandes? Que diria ele de adeptos de braços cruzados nas bancadas? Que bom seria se se pensasse mais nisto, e menos nas coisas efémeras deste ou daquele jogo...
terça-feira, fevereiro 01, 2005
Mais estatisticas
No seguimento do post do dia 15/janeiro publicamos agora um novo quadro actualizado.
Com os ultimos 3 resultados - 2 vitórias e 1 empate - constatamos que conseguimos igualar o melhor período da época, logo no inicio do campeonato, ou seja, obtivemos 7 pontos em 9 possiveis.
O melhor aspecto desta série foi que 4 destes 7 pontos foram obtidos fora do Restelo, com a vitória em Setubal e com o empate frente ao Marítimo.
O proximo jogo é com o Leiria, no estádio da União, e esperemos que consigamos obter a melhor série desta época.
Relativamente ao ultimo artigo, o Belenenses subiu 4 posições, e ocupa agora o 10ºposto da tabela, a três pontos de distância do 7ºlugar ocupado por Rio Ave e Setubal e a 8 pontos da linha de água (Moreirense e Beira-Mar).
O Belem tem o terceiro melhor ataque da Superliga com 29 golos, juntamente com o lider Braga, atrás do Sporting que já marcou por 41! vezes e do Benfica (30 golos). Cerca de 69% dos golos foram marcados no Restelo o que faz com que o Belem mantenha o melhor ataque em casa, juntamente com o Sporting, com 20 golos marcados.
O melhor marcador da equipa continua a ser Antchouet agora com 12 golos o que representa cerca de 41% do total do número de golos. Os restantes 17 golos foram marcados por 11 jogadores, incluindo um jogador do Penafiel :).
segunda-feira, janeiro 31, 2005
Pólo-Aquático: vitória moralizadora!
Este fim de semana os juvenis disputaram também o nacional da categoria. Estando o torneio dividido em dois grupos, os azuis classificaram-se no 4º lugar do Torneio A, com uma vitória e duas derrotas.
Ainda sobre o Pólo-Aquático registe-se a notícia do regresso do húngaro Lajos Lorincz para a posição de seleccionador nacional. Este técnico já havia ocupado esse lugar entre 1990 e 2002.
domingo, janeiro 30, 2005
Bravos!
O Belenenses deu hoje no Restelo um recital de futebol, não no jogo propriamente dito, mas em todos os capítulos que fazem uma verdadeira equipa de futebol. Começando por pegar no jogo desde o primeiro minuto, mostrando atitude, qualidade e por vezes classe, foi com naturalidade que chagámos ao intervalo a ganhar, mesmo contra o árbitro que teve uma actuação desastrosa. Na 2ª parte, com a bola a teimar em não entrar, tivemos pormenores de classe até ao momento crucial do jogo: a expulsão de Cabral. Carvalhal esteve muito mal no banco, a equipa perdeu-se durante uns minutos e o Rio Ave empatou. Eis então que da bruma surge um Belenenses "à Belenenses", com garra, entrega e luta, que acabou por chegar à merecida vitória, que chegou a estar longe.
Numa primeira parte bem jogada de parte a parte, mas com claro ascendente azul, o árbitro anula mal um golo limpo a Antchouet por pretensa falta e não viu uma grande penalidade claríssima por mão de Ricardo Nascimento dentro da área. No entanto, no seguimento de um canto, Antchouet, de cabeça, coloca-nos em vantagem, que já se começava a justificar.
Na 2ª parte, o Belenenses veio claramente com intenção de manter a postura e marcar mais golos, mas estava complicado e Antchouet, claro, revelou-se muito perdulário. Com a expulsão de Cabral, tudo mudou. O Belenenses ficou ligeiramente perdido e o Rio Ave acabou por chegar ao empate, precisamente pelo lado onde faltava Cabral.
Mas, e contrariando toda a apatia com que tantas e tantas semanas já tenho criticado o Belenenses, ao golo do empate respondeu o Belenenses com uma garra indomável, comandado cá atrás por Pelé e no meio-campo por um Guerreiro chamado Rui Ferreira. Surge então o golo da vitória, num excelente trabalho de Antchouet. No entanto, ainda na 2ª parte há mais um erro crasso do árbitro, ao perdoar a expulsão ao central Vilacondense por falta sobre Antchouet, que seguia isolado.
Quanto à equipa, destaques pela positiva para Pelé (um verdadeiro patrão da defesa), Cabral (defendeu e atacou com preceito, pena a expulsão algo infantil), Rui Ferreira (em toda a parte, com uma entrega formidável), Petrolina (pura classe e muita entrega) e, destaque especialíssimo, para Marco Paulo, pelo que jogou e correu, sempre em todo o lado, atrás e à frente, à esquerda e à direita. Brilhante! (Digo eu que tanto o tenho criticado).
Pela negativa, sinceramente, hoje só posso apontar o treinador. O que sucedeu após a expulsão é surreal e deveria entrar para os compêndios como a melhor forma de um treinador deixar a equipa perdida em campo. Cabral é expulso e automaticamente Carvalhal chama Cristiano ao banco, que se prepara para entrar. No entanto, o treinador volta atrás na decisão e manda Cristiano aquecer novamente, deixando a equipa sem defesa esquerdo, com José Pedro adaptado mas perdido entre o meio-campo e a defesa, em especial após ter visto o cartão amarelo no primeiro lance em que interveio como defesa esquerdo. Com o Rio Ave a atacar unicamente por aquele lado, as bancadas começavam a exasperar com o treinador, até que surge o golo do Rio Ave, precisamente por um jogador que entra por aquele lado. Foi o "fim da macacada" na bancada! Enfim, as coisas correram pelo melhor graças à atitude da equipa, mas Carvalhal tem de perceber que o Belenenses não é um balão de ensaio para as suas teses e estudos. E hoje esteve muito mal, podendo deitar tudo a perder com a infantilidade de deixar a equipa campo sem defesa esquerdo.
Em suma, um excelente jogo, que merecíamos ter vencido por maior margem, e em que a equipa no seu todo esteve impecável. Uma nota final para Catanha e José Pedro. Catanha que demonstrou a vontade de um miúdo de 18 anos quer quando entrou, quer durante o jogo, sendo sempre o primeiro a protestar as bizarras decisões da equipa de arbitragem. E José Pedro, que com esta entrega, sem ser brilhante é útil. Só tem de compreender que jogar bem é jogar simples e não complicar. Quando ligou o "complicador", só fez asneiras que poderiam ter manchado uma boa exibição.
Adversário complicado
Já lá vão uns anos, e o Rio Ave acabava a 1ª volta da temporada em último lugar, distanciadíssimo, com uma equipa absolutamente estranha. Lembro-me de ver jogos do Rio Ave e não perceber que sentido tinha aquela equipa. Até que surgiu no comando da equipa um senhor chamado Carlos Brito, com a 4ª classe e que na altura era o treinador mais barato da 1ª Divisão, ganhando 150 contos.
Carlos Brito pegou no plantel e fez uma equipa deliciosa, polvilhada com o perfume africano de Quinzinho e Sob Evariste Dibo (que na 1ª volta do campeonato jogava a trinco!!!) e que fez uma 2ª volta fantástica, fugindo à despromoção. Nunca vi Carlos Brito, que tem conseguido boas performances, colocar-se em "bicos dos pés". Também, verdade seja dita, é um treinador com muito pouca atenção da imprensa, talvez por isso mesmo, por não se tentar mostrar e saber que a melhor demonstração que pode dar é o trabalho que a sua equipa mostra.
Este ano, na 2ª jornada do campeonato, assistimos a um óptimo jogo no Estádio dos Arcos, em que o Belenenses recuperou de 3-0 para 3-3. Houve, indiscutivelmente, mérito do Belenenses. Mas também houve "culpa" de Carlos Brito (ele próprio admitiu), que nunca se limitou a gerir a vantagem ou, quando as coisas se começaram a complicar, defendê-la. Ele viu que da forma sôfrega como o Belenenses se lançou no ataque, as probabilides ditavam uma goleada histórica para os homens de Vila do Conde, pelo que não se coibiu de apostar na mesma "fórmula" até ao fim, só se podendo queixar da perdularidade dos seus avançados e de um grande guarda-redes que defende a baliza azul.
Hoje teremos um teste complicado pela frente, contra uma equipa que perdeu somente 2 jogos esta temporada. Ganhando, ficamos com 25 pontos e com uma posição confortável na tabela classificativa. Outro resultado que não a vitória, apesar de não ter repercussões nefastas em termos classificativos, levar-nos-à a perder a "injecção de moral" que os últimos jogos parecem ter dado.
Espero um Belenenses de suor e categoria. Rui Ferreira em "cima" de Ricardo Nascimento", os laterais e centrais atentos às diagonais dos avançados (o maior perigo do ataque vilacondense) e o ataque azul a explorar as diagonais (a fraqueza dos centrais do Rio Ave) e os laterais, ofensivamente interessantes, mas pouco consistentes na defesa.
quinta-feira, janeiro 27, 2005
As "amadoríssimas"
Matateu faleceu há 5 anos
Há precisamente 5 anos falecia no Canadá, onde vivia há quase 30 anos, um dos símbolos máximos do nosso Clube, Sebastião Lucas da Fonseca "Matateu".
Terá sido o melhor atacante português de todos os tempos, e na verdade apenas lhe faltou um título de Campeão Nacional. Podia tê-lo ganho em 1955 quando nas Salésias marcou a poucos minutos do fim o 3-1 contra o Sporting, golo que garantia a vitória e o título para o Belém. O guarda-redes dos leões tirou a bola de dentro da baliza e um árbitro que muitos dizem ter outras motivações não validou o golo que toda a gente viu. Foi o célebre episódio das "Lágrimas nas Salésias", o qual mudou de certa forma o rumo do nosso clube.
Para nós, belenenses, a Matateu não faltou nada, embora o título desse ano lhe (nos) tenha sido violentamente roubado. Foi duas vezes melhor marcador. Ainda hoje se contam pelo dedos de uma mão apenas os jogadores que marcaram tantos golos como Matateu no campeonato...
Foi um jogador extraordinário e um homem que viveu e morreu com o Belenenses no seu coração. Por isso o seu nome é eterno para nós. Matateu
quarta-feira, janeiro 26, 2005
Publicação do Manifesto Eleitoral enviado para o nosso blog
O Blog do Belenenses não é indiferente à importância do momento actual na vida do clube, nem de dissocia dele. Ainda assim manterá a sua postura de independência face a manifestos e outros documentos aqui publicados ou a publicar, bem como relativamente a todos as listas que se apresentem aos sócios.
Assim, o texto que se segue víncula apenas os seus signatários e não o blog nem a sua equipa.
MANIFESTO ELEITORAL
Este Manifesto pretende ser o nosso contributo para as próximas eleições do Belenenses. Ele apenas veincula os seus proponentes. No entanto, quem se reveja nestes princípios, pode, se o desejar, subscrever este manifesto, bastando para isso enviar um mail para um dos proponentes, com o nome e nº de sócio, e confirmar por escrito que o deseja fazer.
Somos um grupo de associados que vivem intensamente , e desde sempre, a vida do Belenenses.
Não nos move qualquer tipo de publicidade, nem qualquer um de nós ambiciona nenhum cargo dirigente na futura estrutura dos orgãos sociais do Clube de Futebol “Os Belenenses”, a eleger em Março próximo. O que nos faz intervir neste momento é, tão somente, o facto de considerarmos que as eleições que se aproximam são extraordinariamente importantes e mesmo decisivas para o futuro do Clube.
Não nos consideramos oposição a nada, a ninguém, nem situação. Não nos rotulamos de optimistas ou pessimistas, nem pretendemos viver do passado.
Desse passado, apenas queremos transpôr o que ele tem de potencial para que possamos recuperar a nossa identidade própria, no fundo aquilo que nos diferencia de todos os outros clubes e nos torna únicos. Queremos um futuro mais risonho e brilhante. Recuperar a mística e adesão popular, que costumava ser apanágio do Clube de Futebol “Os Belenenses”.
As propostas ou princípios que a seguir enunciamos devem ser consideradas num todo solidário. A tentativa da sua implementação isolada não terá, muito provavelmente, possibilidade de atingir os objectivos propostos.
Apresentaremos este manifesto junto das candidaturas que se vierem a formar, por forma a podermos debater pontos de vista comuns. Cada um de nós, individualmente, poderá apoiar uma candidatura específica, sem com isso comprometer os outros autores deste manifesto. Este apoio também poderá ser dado de uma forma conjunta.
Propostas para o Clube:
· Continuação da política de recuperação económica e estabilização financeira.
· Aumentar a duração dos mandatos da Direcção para os 3 anos que têm sido habituais ao longo das últimas décadas no nosso Clube. É necessário ter estabilidade na execução das políticas e projectos sufragados.
· Recuperação de ex-sócios do Clube, criando mecanismos que fomentem o seu regresso ao nosso convívio, através da sua reintegração, sem custos adicionais, nem pagamento de quotas atrasadas, a título excepcional, podendo estes conservar o nº de sócio, sempre que possível.
· Reactivação da modalidade de Hóquei em Patins, no seguimento do efectuado com outras modalidades, como o Basquetebol, e com a criação do Voleibol feminino, Futsal e, eventualmente, do Ciclismo. Esta é uma modalidade em que o investimento tem retorno quase imediato em notoriedade, propaganda do Clube, visibilidade aos patrocinadores, devido à grande audiência que a modalidade mantém junto do público em geral.
· Reactivação dos Troféus Pepe, por forma a homenagear em vida todos aqueles que mais se distinguem ao longo do ano no engrandecimento do Belenenses, sejam eles praticantes, responsáveis técnicos, dirigentes, funcionários ou associados do Clube. Premiariam assim todos aqueles que de uma forma ou de outra, prestem serviços de notória relevância para o desenvolvimento e projecção do Clube. Esses troféus seriam entregues no Jantar de Gala anual, em Outubro, no Casino Estoril.
· Elaboração de um questionário junto dos sócios por forma a conhecer melhor os gostos e motivações de cada um, acima de tudo, porque é que são associados do Belenenses, e adequar a oferta de produtos e serviços conforme a procura.
· Voltar a chamar as forças vivas do jornalismo, nomeadamente do jornalismo desportivo, do meio artístico, empresarial e outros, por forma ao nome do Belenenses ser de novo falado e noticiado, nacional e internacionalmente.
· Dinamização do Departamento de Marketing e do Departamento Comercial, por forma a aumentar a oferta existente de produtos de marca e imagem Belenenses. A recente agenda “Os Belenenses” é disso um excelente exemplo. Promover a venda de produtos, nomeadamente equipamentos de jogo ou de passeio das várias modalidades, em outras superfícies comerciais espalhadas pelo país, através de uma linha padronizada de preços, e sua disponibilização assim que os mesmos sejam utilizados pelos atletas. Recuperação da gestão da Loja Azul para o clube, sua ampliação e dinamização. Designação de um Gerente, profissional, para a Loja. Extensão do conceito “Loja Azul” para outros locais que não exclusivamente o Complexo Desportivo do Restelo.
Para o Futebol (SAD):
· Prioridade máxima às acções tendentes ao aumento das assistências no Estádio do Restelo. Todas as medidas possíveis devem ser tomadas nesse sentido, começando pela análise de viabilidade de propostas já existentes e entregues à direcção do Clube, que agora termina o mandato.
· Diminuir drasticamente o número de jogos com transmissão televisiva, em dias e a horas impróprios, no Estádio do Restelo, por forma a não afastar cada vez mais pessoas do Estádio, procurando assim fidelizar os adeptos ao hábito de ir ver os jogos no Restelo, e a apoiarem o Clube a um dia de semana e a uma hora habituais.
· Prossecussão de uma política de preços condizente com o real poder de compra dos portugueses e com a qualidade do espectáculo, por forma a atrair cada vez mais assistências, dentro dos regulamentos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
· Criação dos bilhetes de época nos jogos de futebol no Estádio do Restelo.
· Implementação de um sistema de controlo de acessos no Estádio do Restelo.
· Verdadeiro reforço da equipa de futebol, sem nunca pôr em causa a estabilidade económico-financeira. Acima de tudo driar uma mentalidade ambiciosa, por forma a que possamos voltar a lutar ano após ano por classificações elevadas, e mesmo títulos, nas modalidades em que competimos. Uma mentalidade ao nível da actual capacidade financeira do Clube, sua projecção e dimensão da massa associativa e simpatizante em Portugal e pelo Mundo fora.
· Pôr fim à política de constituição do plantel, no início da época, em jogadores emprestados, nomeadamente de Benfica, Porto e Sporting, com quem se têm estabelecido acordos, ilegais diga-se, que não permitem a utilização desses jogadores contra os clubes de origem.
Na nossa opinião, empréstimos apenas seriam aceitáveis em caso de reajustamento forçado do plantel, de jogadores oriundos de clubes não portugueses e com cláusulas pré-fixadas de opção de compra no final do empréstimo. Mesmo assim, reduzidos a um mínimo estrictamente necessário.
· Criação, e verdadeira dinamização, de um Gabinete de Prospecção, não só a nível dos escalões secundários nacionais, mas também a nível internacional nos mercados que tenham jogadores ao alcance da capacidade financeira do Belenenses. Esse Gabinete deverá ser coordenado pelo Director-Técnico e dirigido por um profissional do Clube a 100%.
O Gabinete de Prospecção deveria trabalhar igualmente com uma base de observadores escolhida entre sócios, adeptos e dirigentes de filiais, espalhados pelo país, sendo-lhes ministrado uma mini formação pelo clube e sendo disponibilizado durante a pré época um período de tempo para analisar e observar os jogadores referenciados por estes elementos em pleno Estádio do Restelo, sendo que esta observação dos jogadores não importaria em custos para o clube. Construção urgente do Lar do Jogador.
· Escolha de um fornecedor de equipamentos que se adeque à imagem, símbolos e cores do Clube. É inadmissível ter 3 logotipos do fornecedor em cada peça do vestuário, com cores completamente diversas das nossas, e apenas um símbolo do Clube.
· Remodelação da estrutura da Sociedade Anónima Desportiva (SAD). Deverá ser constituída por um Presidente, o Presidente do Clube de Futebol “Os Belenenses”, um Administrador, que deverá ser um Vice-Presidente do Clube, e um outro Administrador que deverá acumular com a função de Director-Geral para o Futebol do Clube, sendo este um profissional remunerado com poder executivo sobre as áreas técnicas. Ao Presidente e ao Administrador cabe um poder não-executivo. Deverão constituir o garante do seguimento, pela SAD, dos valores, ideais e da estratégia definida pela direcção do Clube. A estes poder-se-ão juntar os administradores que vierem a ser designados, em Assembleia Geral da Sociedade, pelos restantes accionistas.
· Utilização de “Velhas Glórias” do Clube como motivo de mobilização e transmissão da mística azul, fazendo parte das equipas técnicas do futebol jovem ou somente em acções de formação e ensinamento da história azul e do seu passado no clube.
· Concertação das eleições da SAD com as da direcção do Clube por forma a ser efectuado um trabalho com os timings acertados e conjugados, evitando quebras de políticas de objectivos por alteração das estruturas dirigentes destes órgãos que devem trabalhar em perfeita simbiose.
Os Proponentes:
Pedro Patrão – Sócio nº 1771
Luís Lacerda – Sócio nº 2750
Paulo Jesus – Sócio nº 4883
Nuno Gomes – Sócio nº 28078
Pedro Domingues – Sócio nº 29087
terça-feira, janeiro 25, 2005
O autocarro azul
Esperava entrevistar pelo menos 1 dos 3 jogadores no Aeroporto, e ir depois até ao Estádio onde entrevistaria os outros dois. No entanto, deram-me uma oportunidade única e inesquecível: partilhar o autocarro com os jogadores do Belenenses e fazer as entrevistas no caminho até ao Estádio! Facilmente compreendem a minha alegria. E quando entrei no autocarro e pedi autorização ao treinador para entrevistar os jogadores durante a viagem, fiquei com uma dúvida tremenda. Será que ele imagina o que digo sobre as suas indecisões e decisões? Será? Ele deixou, ainda bem.
No autocarro entrevistei primeiro o Paulo Sérgio, e depois o Catanha. Se o Paulo Sérgio é um "miúdo" que fez ontem 21 anos (parabéns!), Catanha é a antítese. Um verdadeiro senhor. Já no Restelo, entrevistei Rui Ferreira, que se revelou de uma simpatia extrema e que me surpreendeu pela forma apaixonada com que fala do Belenenses e quer saber mais e mais sobre o clube.
São 3 entrevistas claramente distintas: se Paulo Sérgio tem o optimismo próprio da idade, Catanha tem o saber estar e experiência que uma carreira recheada lhe proporcionaram. E Rui Ferreira, meus amigos, foi a verdadeira surpresa. Tomara muitos nas bancadas terem a vontade que as palavras que trocámos manifestaram. E olhem que ele foi crítico com a bancada.
Mas, como já sabem, a conversa com Catanha foi muito especial, particularmente quando percebi que a sua passagem de 6 meses pelo Belenenses em 96 não foi um episódio isolado na sua vida. Catanha lembra-se perfeitamente de tudo o que aconteceu nessa época, jogo a jogo, lance a lance.
Concluíndo, Paulo Sérgio é um Aprendiz, Catanha um Mestre e Rui Ferreira um verdadeiro Guerreiro. Convido-os a ler as entrevistas no próximo Jornal do Belenenses, que sai já neste fim-de-semana e podem encontrar na Loja Azul ou nas Relações Públicas.
Uma questão de civismo...
Trata-se felizmente de uma situação quase isolada e que acredito estar longe de se verificar em Portugal. Os nossos jogadores há muito que apreenderam os valores da saudável convivência entre homens de vários credos e tons de pele.
Já o mesmo não se pode dizer dos adeptos, que continuam a comportar-se muitas vezes de forma completamente vergonhosa. Os exemplos são muitos e estarão com certeza presentes nas nossas mentes.
No Belenenses esta questão não é tão evidente, mas seria faltar à verdade não dizer que ainda se vão verificando, aqui e ali, situações que a mim pessoalmente me envergonham. No basquetebol, por exemplo, é mais ou menos comum ouvir grunhidos oriundos da bancada como tentativa de provocar jogadores negros das equipas adversárias. Lamentável... Mais ainda quando são também os nossos muitos e bons jogadores com esse tom de pele a sentir-se eles próprios ofendidos e incomodados.
Hoje à noite temos jogo no Acácio Rosa. Uma importante partida da Liga, a opôr Belenenses e Barreirense. Pessoalmente gostaria de regressar do Restelo com duas satisfações: uma vitória da nossa equipa e a sensação de que os grunhidos diminuiram e que no Belenenses a tolerância e a saudável convivência entre pessoas diferentes são valores efectivos e não meramente programáticos... Trata-se afinal de uma questão de civismo.
segunda-feira, janeiro 24, 2005
Um ponto ganho... ou dois a menos?
domingo, janeiro 23, 2005
Futebol à antiga
Apesar do Marítimo não ser um adversário acessível, é uma equipa do nosso nível, partindo do princípio que o plantel percebeu que só com a entrega da 2ª parte em Setúbal podem chegar a algum lado. Mais uma exibição de "arrasto", e será derrota pela certa.
Ontem, ao ver o Benfica perder em casa por 0-2 com um Beira-Mar desesperado, tive o seguinte pensamento: o Benfica, tal como o Sporting e o Porto, não jogam nem mais nem menos que nós. Têm uma única grande diferença, que é o facto das camisolas lhes pesarem e os obrigarem a ter mais brio e suarem mais a camisola. De resto, a qualidade ou falta dela é exactamente a mesma. O que é que o Nuno Gomes tem a mais em relação ao Tanque Silva para que ganhe 10 ou 12 vezes mais que o Uruguaio? Só se for por ser mais bonito...
Vamos a correr Belém!
sábado, janeiro 22, 2005
Visita do Estádio dos Barreiros

O Estádio dos Barreiros é aquele que, de entre todos os estádios dos clubes da SuperLiga, mais se consegue aproximar ao Restelo do ponto de vista da beleza do seu enquadramento e vistas. Colocado numa das cabeceiras da cidade do Funchal, "os Barreiros" oferece a quem o visita um panorama magnífico...
Construído em 1927 pelo Nacional da Madeira (ver artigo de Henrique Amaral, no Blog Canto Azul ao Sul), o Estádio dos Barreiros é hoje exclusivamente usado pelo Club Sport Marítimo. Fundado, segundo o site oficial dos nossos adversários deste fim de semana, a 05/05/1957, trata-se de um campo com pouca capacidade (8918 lugares), mas que normalmente se apresenta bastante composto. O relvado é tão comprido como do Restelo (105 metros) mas mais estreito (65.8 contra os 70 metros do relvado belenense).
As deslocações das equipas do continente à Madeira nunca são fáceis. O Marítimo aliás é uma das equipas com melhor aproveitamento do factor casa. Na época 2003/4, por exemplo, apenas perderam uma partida em casa (feito apenas igualados pelo Sporting e batidos pelo Porto, com 0 derrotas caseiras).
Esta temporada, e finda a 1ª volta do campeonato, os maritimistas contam com 5 vitórias e 4 empates caseiros (14 golos marcados e 6 sofridos). Assim, e a par apenas do Rio Ave, o Marítimo ainda não conheceu o amargo sabor da derrota perante o seu público.
Já o Belenenses conquistou apenas na 17ª jornada a sua primeira vitória fora, no Bonfim, contra o Vitória de Setúbal. O balanço dos jogos fora é aliás muito fraco: 9 jogos, 1 vitória, 3 empates e 5 derrotas, com 9 golos marcados contra 17 sofridos...
Assim, não se adivinha fácil o jogo de amanhã. Mas é precisamente o elevado grau de dificuldade que deve contribuir para uma motivação extra por parte dos nossos jogador. É que vencer nos Barreiros é, de certa forma, um feito importante. Importa não deixar de ter em conta que em 21 embates no Funchal contamos com apenas 5 vitórias, 4 empates e 12 derrotas.
Força Rapazes!
Santarém, 82 - Belenenses, 77

Parciais: 23-19 (23-19); 47-35 (24-16); 65-58 (18-23); 82-77 (17-19)
(Tudo sobre esta partida em: http://www.belenensesbasket.com/live/live.htm)
Sobre Pedroto e a sua saída do Belenenses
«Loucura» portista para ter Pedroto
José Maria Pedroto foi uma das figuras ilustres do futebol português. Começou a jogar no Leixões, a tropa levou-o a Vila Real de Santo António. Ao abrigo da lei militar, representou o Lusitano, nessa altura com uma equipa interessante. De tal modo que ao bater, surpreendentemente o Sporting com o Campeonato em fase decisiva, acabou por entregar, em bandeja de prata, o título ao Benfica. Foi de Pedroto o primeiro golo, batendo Azevedo com um tiro de 30 metros, que considerou, pela vida fora, um dos seus golos mais arrebatantes. Por isso recebeu 100 escudos. Era, aliás, o que arrecadava sempre que o Lusitan o ganhava. Se empatasse, embolsava 60; se perdesse, 20. E mais nada... O golo a Azevedo retocou-lhe a aura. O Belenenses lançou-lhe o canto de sereia, como o Sporting lançaria a Caldeira. Os dirigentes do clube da «Cruz de Cristo» ofereceram-lhe 25 contos de luvas e mais 25 deram ao Lusitano. Consumou-se a transferência.

Já depois do acordo selado, um director do F. C. Porto colocou-lhe nas mãos um cheque de 80 contos. Bastaria apenas dar o dito por não dito ao Belenenses. Mas não quis voltar com a palavra atrás e para as Salésias partiu. Reinsistiram os portistas, no final de 1952. Como se sentia bem, disse aos emissários que correram a aliciá-lo que só se mudaria se lhe dessem a astronómica verba de 150 contos. Estava empregado na Hidro-Eléctrica do Zêzere, muito bem pago para empregado de escritório, o Belenenses também não pagava mal, por isso... Os dirigentes do F. C. Porto correram às Salésias, oferecendo 500 contos. Embasbacaram os outros. E assim se fez a transferência-record do futebol português. Para o Belenenses, 335 contos; para Pedroto, mais que os 150 que ele exigira.
em "A BOLA"
quinta-feira, janeiro 20, 2005
Afinal sempre é verdade...
Segundo Dias da Cunha, Sequeira Nunes não está presente na apresentação pública deste documento pelo mesmo motivo pelo qual faltou ao já célebre almoço do Ritz: encontra-se em casa, afectado pela gripe que tanta gente tem enviado para a cama...
Afinal sempre é verdade...
Pólo-Aquático: Nacional de Juvenis Masculinos (A)
Grupo B1 - Belenenses, Lousada Séc.XXI e Gespaços
Grupo B2 - CN da Amadora, VTSC e Serviços Sociais CM de Paredes
Todos jogam contra todos, nos respectivos grupos:
29.01, 14:30h - Belenenses vs. Lousada Séc.XXI
30.01, 12:45h - Belenenses vs. Serviços Sociais CM de Paredes
Depois da fase de grupo defrontam-se os 3ºs, 2º e 1ºs classificados de cada grupo (sendo este último jogo - a final - disputado às 18:00h do dia 30.01).
Aos nossos jogadores e técnico o Blog do Belenenses deseja as maiores felicidades. Fica também desde já prometido que os resultados do Campeonato serão divulgados pelo Blog.