terça-feira, janeiro 04, 2005

SÍNTESE DO PASSADO - Parte II - DE 1940 a 1960



O Belenenses dos anos 40, era um clube estabilizado no topo do desporto nacional. Não tinha a primazia de títulos, como no período até 1933 (entre 1926 e 1933, como vimos, alcandorou-se a essa posição), mas vinha logo a seguir a Sporting e Benfica, em relativa igualdade com o F.C.Porto. Era o quarteto dos clubes grandes, em que o Belenenses esteve claramente durante 50 ou 60 anos.

Em popularidade, embora o Benfica e o Sporting lhe levassem a palma, pela sua maior antiguidade, por maiores cumplicidades na imprensa, por causa dos célebres duelos ciclísticos entre Nicolau e Trindade, também se cotava como um dos 4 grandes, o que era aferível, entre outras evidências, pelas assistências aos jogos – impressiona ver as Salésias, com uma lotação oficial de 21.000 pessoas, cheia de público, e ainda rodeada de mais gente pela encosta sobranceira ao peão acima. A diferença desses tempos, e de outros posteriores já no Restelo, para o presente é demasiado triste... Pode ver-se também o “encorpamento” do clube nos anos 40, através do aumento da sua massa associativa até números bastante significativos: em 1943, há um pouco mais de 4.000 sócios; em 1944, perto de 5.000; em 1945, atingem-se os 6.800; em 1946, quase se alcançam os 9.000; em 1946, lança-se a campanha dos 12.000 sócios. Note-se que, naqueles tempos, os sócios eram adeptos de corpo inteiro, coisa bem diferente do que acontece com uma grande parte dos actuais. Por outro lado, de 26 filiais e delegações em 1939, passa-se para 43, uma década depois.

Vejamos, sucintamente, o que aconteceu no Futebol, ano a ano:

1940 - Finalista da Taça de Portugal. 3º Lugar no Campeonato Nacional. Melhor defesa no Campeonato Nacional. em Futebol. Ficámos a 4 pontos do 1º (Sporting) e a 1 ponto do 2º (F.C.Porto). 3º Lugar no Campeonato de Lisboa. Campeão de Lisboa de Juniores, em Futebol.

1941 - 3º Lugar no Campeonato Nacional. Melhor ataque, melhor defesa (2ª vez consecutiva) e melhor goal-average no Campeonato Nacional (59-22). Ficámos a 4 pontos do 1º (Sporting) e a 1 ponto do 2º (F.C.Porto). Foi pena que tivéssemos começado mal o Campeonato pois, na 2ª volta, fomos a equipa que obteve maior pontuação. Relativamente ao Benfica, recuperámos 5 pontos de atraso e concluímos com 1 ponto de avanço. Finalista da Taça de Portugal. 3º Lugar no Campeonato de Lisboa (com goleada 8-3 sobre Benfica mas derrota 7-1 com o Sporting).

1942 - Vencedor da Taça de Portugal (após 3ª presença consecutiva na Final; Triunfo por 2-0 sobre o Vitória de Guimarães). 3º Lugar no Campeonato Nacional. Goal average: 66-32. Fomos a 2ª equipa mais pontuada na 2ª volta. Destaque para as expressivas vitórias sobre o Benfica (4-0, nas Salésias), o Sporting (3-1 nas Salésias e 4-1 fora) e o F.C.Porto (7-3 em casa e 3-2 fora). 3º Lugar no Campeonato de Lisboa.

1943 - 3º Lugar no Campeonato Nacional (4º presença consecutiva no pódio). Melhor ataque, melhor defesa e melhor goal-average no Campeonato Nacional (78-20). Totalmente vitorioso nos jogos em casa do Campeonato Nacional. O Campeonato esteve em vias de ser ganho. A meio da competição, liderávamos, em igualdade de pontos com o Benfica, e com 3 pontos à maior sobre o Sporting. No final, o Belenenses ficou a 2 pontos do 1º (Benfica) e a 1 ponto do 2º (Sporting). Fomos, na verdade, a melhor equipa, tendo vantagens sobre todas as outras no cômputo dos 2 jogos. Então, porque perdemos o campeonato? Duas arbitragens vergonhosas foram decisivas: justamente as que ditaram as nossas derrotas em casa do Sporting e do Benfica. No primeiro caso, com um golo injustamente anulado ao Belenenses; no segundo caso, com 2 penalties para o Benfica que só existiram na imaginação do árbitro. Mesmo assim, à entrada da última jornada, a 2 pontos do Benfica e a 1 ponto do Sporting, com o Benfica a jogar fora e dispondo nós de vantagem sobre ambos os adversários em caso de empate, podíamos ainda ser campeões. E essa hipótese parecia ganhar consistência a 45 minutos do fim. Ao intervalo o Belenenses ganhava tranquilamente ao Leixões, o Sporting estava em dificuldades com o Unidos do Barreiro, e o Benfica estava a sofrer (e empatado) em Coimbra, contra a Académica. No final, porém, o Benfica ganhou por 4-3, e o Sporting acabou por se desembaraçar, vencendo por 5-1, de pouco ou nada valendo o triunfo do Belenenses sobre o Leixões por 5-0. Deve salientar-se a clareza com que, nas Salésias, derrotámos os nossos maiores rivais: 5-0 ao Sporting, 4-0 ao F.C.Porto, 5-2 ao Benfica. 3º Lugar e melhor Defesa no Campeonato de Lisboa de Futebol

1944 - Campeão de Lisboa (nas Salésias, vitórias 4-2 e 5-1 sobre Benfica e Sporting, respectivamente. Fora, vitória 3-1 sobre o Soprting). Melhor Ataque e melhor Defesa no Campeonato de Lisboa (48-12). Melhor conjunto de Pontos nas 4 Categorias do Campeonato de Lisboa. No Campeonato Nacional, ficámos num decepcionante 6º lugar mas, atenção, andámos na luta pelo título. No fim da 1ª volta, éramos os líderes do Campeonato: o Sporting estava a 1 ponto, o Benfica e o Atlético a 2, o F.C.Porto, a 6.

1945 - 3º Lugar no Campeonato Nacional. Goal average: 72-29. Maior número de golos marcados num só jogo do Campeonato Nacional – 15, record que se mantém (vitória 15-2 sobre Académica).. Outra grande goleada, das maiores de sempre: 14-1 ao Salgueiros. O Belenenses ficou a 3 pontos do Benfica e com o mesmo número de pontos do Sporting. Foi a equipa mais pontuada na 2ª volta (ganhado a embalagem que o faria Campeão Nacional e Campeão de Lisboa na época seguinte). Lutou até ao fim pelo título, do qual foi em grande medida afastado por uma vergonhosa e insólita situação ocorrida na antepenúltima jornada, que teve lugar em 25 de Março de 1945: Em jogo disputado no campo do Sporting, o Belenenses perdeu 2-1 mas marcou 3 golos. O árbitro validou os 3 golos azuis mas um juiz de linha, de nome Rosa (se calhar de caule verde, flor vermelha e muitos espinhos...), obrigou o árbitro a anular dois desses golos do Belenenses, ameaçando ir-se embora se as suas indicações não fossem acatadas. Incrível mas verdadeiro! E andamos nós, hoje em dia, carregados de emprestados do Benfica e do Sporting! Quando não há vergonha, não há brio nem há honra, as coisas estão muito mal! Por isso, hoje, o Belenenses está “de joelhos”, com poucos que o amem a sério (eu não posso conceber que alguém goste muito do Belenenses e aplauda esse tipo de empréstimos...). 3º lugar no Campeonato de Lisboa. Início de relação privilegiada com o Real Madrid, com quem empatámos 2-2 em Espanha (deixando cartel, que renderia juros) e a quem ganhámos por 1-0 nas Salésias. Esse tipo de contactos foi mais um golpe de asa do Belenenses – nos tempos em que se atrevia a tanto...

1946 - Campeão Nacional. Goal Average: 74-24. Melhor defesa no Campeonato Nacional. Invicto nos jogos em casa do Campeonato Nacional. Campeão de Lisboa (3 pontos de avanço sobre o Sporting, 5 sobre o Atlético e 6 sobre o Benfica). Melhor conjunto de Pontos nas 4 Categorias do Campeonato de Lisboa. Vice Campeão de Lisboa de Juniores. 6 jogadores do Belenenses presentes na vitória da selecção nacional de Futebol em jogo contra a França. Feliciano é considerado “o melhor defesa central da Europa” pela Imprensa francesa.

A conquista do Campeonato Nacional foi naturalmente um marco na vida do Belenenses, embora na altura não se lhe tenha dado tanta relevância como hoje imaginaríamos. Por um lado, na altura, não se pensava que era o 1º campeonato a ser ganho, pois se lhe somavam os 3 Campeonatos de Portugal que, para todos os efeitos, eram a forma de escolher o melhor de Portugal. Pensou-se, pois, somos Campeões de Portugal pela 1ª vez. Depois, nunca se imaginou que o Belenenses não mais repetisse o feito. De qualquer maneira, houve grandes festejos- A aproximação e chegada a Lisboa da caravana belenenses foi apoteótica. Milhares de belenenses tinham-se deslocado a Elvas, em carros, camionetas e por comboio.. A partir de Setúbal, havia aclamações em quase todas as localidades por onde se ia passando, cada vez mais intensas à medida que se aproximava a margem Sul do Tejo. Em Cacilhas, o largo principal, em frente do local onde se apanham os barcos, estava repleto de pessoas, que queriam festejar o título e vitoriar os jogadores. Do outro lado, avistava-se o Cais do Sodré inundado de gente, que se ia tornando mais nítida à medida que o barco se aproximava. As aclamações estenderam-se desde o Cais do Sodré, por toda a Avenida 24 de Julho, ladeada por milhares de pessoas, num cordão quase ininterrupto, até culminar entusiasticamente diante da sede em Belém, onde os jogadores, em especial o Capitão Amaro, e também o treinador Augusto Silva vieram à janela agradecer os aplausos e incentivos. A festa do Belenenses! A vitoria, imprescindível, no último jogo, foi arrancada a ferros. Ao intervalo, o Belenenses perdia por 1-0. Ouvi da boca do campeão sobrevivo Artur Quaresma, que alguns jogadores mais experientes (entre os quais ele próprio) reuniram a equipa, procuraram readquirir a calma e reagrupar as forças, dizendo: “Nós temos que ganhar isto!”. E ganharam!!! (Repare-se que, sem factores anómalos de arbitragens vergonhosas, o Belenenses teria sido campeão em 1943, 1945 e 1946; e talvez fosse hoje a maior força desportiva nacional).

1947 - Melhor Defesa no Campeonato Nacional. Goal average: 66-31. 3º Lugar no Campeonato de Lisboa (última edição). 5ª vez consecutiva melhor defesa do Campeonato de Lisboa. Campeão Nacional de Juniores. Campeão de Lisboa de Juniores. Convidado pelo Real Madrid para a inauguração do seu estádio. O Belenenses discutia a primazia do prestígio extra-fronteiras do futebol português.

1948 - 3ª Lugar no Campeonato Nacional. Melhor defesa no Campeonato Nacional (2ª vez consecutiva). Goal average: 76-30. Importa salientar que o Belenenses, neste Campeonato, foi durante a maior parte do tempo a equipa mais bem posicionada para conquistar a vitória final: Assim, ao terminar a 1ª volta, O Belenenses estava em 1º, com mais 2 pontos que Benfica, Sporting e Estoril, e mais 3 que F.C.Porto); mais tarde, á 18ª jornada (realizada em 28 de Março de 1948), iniciado já o último terço do Campeonato, o Belenenses comandava com 30 pontos, seguido do Benfica com 29, do Sporting com 28 e do F.C.Porto com 26. De salientar as vitórias em casa sobre o Sporting por 3-2, sobre o Benfica, por 4-1 e sobre o F.C.Porto, por 3-0, bem como o empate 4-4 em casa do Sporting, e a vitória 2-0 em casa do F.C.Porto. Ainda nesta época, o Belenenses foi finalista da Taça de Portugal em Futebol (perdeu com o Sporting, em parte pela desmoralização provocada, na véspera, pela notícia de que Amaro, vítima de doença, não podia estar presente e tinha que abandonar o Futebol. Esse golpe de infortúnio, em que a história do Belenenses é fértil, foi anunciado publicamente no dia do jogo pelos altifalantes do Estádio Nacional). Obteve o melhor conjunto de Pontos nas 4 Categorias do Campeonato de Lisboa. Foi Campeão de Lisboa de Juniores.

1949 - 3º Lugar no Campeonato Nacional. O começo foi oscilante mas, na 2ª volta, fomos a 2ª equipa mais pontuada.

Julgamos não ser necessário acrescentar nada para mostrar a potência futebolística que era o Belenenses.

Nas modalidades extra-futebol, conquistaram-se vários títulos e ocorreram vários factos relevantes, que a seguir resumimos:

1940 - Campeão de Lisboa de Andebol (de 11). Campeão Nacional e de Lisboa de Corta-Mato por Equipas. Manuel Nogueira, Campeão Nacional de Corta Mato e Campeão Nacional de 5.000 metros (pela 3ª vez) e 10.000 metros (pela 2ª vez) em Pista.

1941- Campeão de Lisboa de Andebol (de 11). Vice Campeão Nacional de Andebol (de 11). Campeão de Lisboa, em Râguebi. Campeão de Lisboa de Corta Mato, por Equipas. Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol Masculino. Lucília Silva, Campeã Nacional em 4 diferentes provas de Atletismo.

1942 - Vice Campeão de Lisboa em Basquetebol Masculino. Vice Campeão de Lisboa, em Râguebi.

1943 - Campeão de Lisboa, em Andebol. Vice Campeão de Portugal, em Râguebi. Campeão de Lisboa de Râguebi. Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas. António Pereira, Campeão Nacional de 110 metros barreiras pela 3ª vez (2ª consecutiva). Campeão de Lisboa de Basquetebol Feminino. Ana Linheiro vence Prova Paço d’Arcos-Cascais, em Natação. Maria Lopes Mendes vence Travessia do Tejo, em Natação.

1944 - Campeão de Portugal e de Lisboa em Equipas Femininas de Atletismo. Francelina Moita, recordista ibérica de Dardo. Vice Campeão de Lisboa, em Râguebi. Ana Linheiro bate 3 Records Nacionais em Natação. Maria Helena Mendes vence Travessia do Tejo, em Natação (2ª vez consecutiva)

1945 - Campeão Nacional de Basquetebol Masculino. Vencedor da Taça de Portugal em Basquetebol Masculino. Campeão de Lisboa em Basquetebol Masculino. Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol Masculino (em Basquetebol, ganhou-se tudo o que havia para ganhar!). Campeão de Lisboa em Râguebi. Campeão de Lisboa em Ténis de Mesa. Ana Linheiro é campeã e recordista nacional dos 100 metros livres, e 100 e 200 metros costas em Natação, e ainda recordista Júnior de 200 metros livres. Ana Linheiro vence Travessia da Póvoa, em Natação. Peggy Brixhe, Campeã Nacional de Ténis. 1º Jogo Internacional de Andebol em Portugal tem lugar nas Salésias.

1946 - Campeão de Lisboa em Basquetebol Masculino (2ª vez consecutiva). Vice Campeão Nacional de Atletismo, em Equipas Femininas. Campeão de Lisboa de Atletismo em Equipas Femininas. Peggy Brixhe, Campeã Nacional de Ténis.

1947 - Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas. Campeão de Lisboa, em Andebol (de 11). Vice Campeão de Lisboa em Basquetebol. Vice Campeão de Lisboa em Râguebi. Campeão de Lisboa de Juniores, em Hóquei em Campo. Peggy Brixhe, Campeã Nacional de Ténis.

1948 - Campeão Nacional de Atletismo em Equipas Femininas (ganhando todas as provas). Campeão Nacional em Andebol (de 11). Campeão de Lisboa em Andebol de 11 (4ª vez, 2ª consecutiva). Vice Campeão de Lisboa, em Râguebi. Acácio Rosa, 1º Seleccionador e Treinador da Selecção Nacional de Andebol, presente no Campeonato do Mundo. Ginástica tem 256 praticantes.

1949 - Campeão de Portugal de Atletismo, em Equipas Femininas. Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas. Joaquim Branco, detêm 3 recordes Nacional e 1 Ibérico de Atletismo. Campeão de Lisboa de Juniores, em Corta Mato. Vice Campeão de Lisboa, em Andebol. Vice Campeão de Lisboa em Râguebi. Peggy Brixhe, Campeã Nacional de Ténis. Construído Ginásio nas Salésias. Construída pista de Ciclismo nas Salésias, onde se conclui a Volta a Portugal desse ano.

Ao finalizar a década de 40, o Belenenses é não só um grande clube mas um clube de tradição. Artur José Pereira, Pepe e Augusto Silva são legendas do futebol português. A década de 40 marca a retirada, seja do número dos praticantes, seja do número dos vivos, de figuras maiores da vida do Belenenses, entre as quais registamos o seguinte:

1942 – Festa de homenagem a Artur José Pereira, principal fundador do clube
1943 – Morte de Artur José Pereira
1945 – Despedida de Ana Linheiro
1948 – Despedida de Artur Quaresma (com 1 Campeonato Nacional, 1 Taça de Portugal e 2 Campeonatos de Lisboa). Despedida do grande Mariano Amaro (idem). Despedida de Rafael (idem). Despedida de Rómulo Trindade (com 2 Campeonatos de Portugal, 1 Taça de Portugal e 2 Campeonatos de Lisboa em Basquetebol).

A década de 50 é caracterizada pela construção e inauguração do Estádio do Restelo e pela chegada de alguns jogadores que fizeram história: antes de todos, o grande e incomparável Matateu. A sua popularidade foi imensa em Portugal: durante cerca de uma década todos os miúdos queriam ser Matateu. Mas ultrapassou fronteiras – sinal disso, é que a sua morte, 40 anos depois dos seus tempos de glória, apesar de minorada pelos media portugueses escravizados a 3 clubes, foi notícia nos 4 cantos do mundo, incluindo na CNN! Depois, o seu Irmão Vicente, outra figura que se impôs internacionalmente, desde logo pela capacidade única de anular Pelé (começando jogo de estreia de Pélé nos seniores que, curiosamente, foi num jogo...Santos – Belenenses!). Foi referenciado por revistas de todo o mundo e, a meio da década de 60, dos futebolistas portugueses, só Coluna o igualava e Eusébio o ultrapassava em prestígio internacional! Também, José Pereira, que haveria igualmente de brilhar no Mundial de 1966, já perto do final da sua carreira. Ainda, Di Pace, o grande mago argentino. Igualmente treinadores de renome mundial nos serviram nos anos 50: Fernando Riera, Helénio Herrera, Otto Glória. Deve ainda destacar-se os múltiplos desafios internacionais com equipas de verdadeiro prestígio, a que o Belenenses audaciosamente se abalançou, com excelentes resultados.

Vejamos agora, também ano por ano, os factos principais referentes ao Futebol, na década de 50:

1950 – 4º lugar no Campeonato Nacional de Futebol. Augusto Silva é ainda é o mais internacional de todos os jogadores portugueses de Futebol. Vitória por 2-1 sobre o Borússia de Dortmund, em casa deste. Vitória por 4-1 sobre o Deportivo da Corunha. Vice Campeão de Lisboa de Juniores.

1951 - 9º lugar no Campeonato Nacional, durante longos anos a pior classificação de sempre (a seguir, Matateu vem mudar tudo). Semi-finalista da Taça de Portugal em Futebol. Vice Campeão de Lisboa de Juniores, em Futebol. Matateu ingressa no Belenenses. Marca 2 golos no 1º jogo oficial (vitória 4-3 sobre Sporting) e é levado em ombros no final (no dia em que o clube completa 32 anos). O Belenenses é o 2º clube com mais jogadores representados na Selecção Nacional de Futebol desde o início da sua actividade.

1952 – 4º lugar no Campeonato Nacional. No entanto, a três jornadas do fim, o equilíbrio dos 4 primeiros (Belenenses, Sporting, Benfica e F.C.Porto) era total: estavam empatados com 35 pontos! E o Belenenses, em caso de empate, seria sempre o vencedor, em todas as circunstâncias. As nossas hipóteses de sermos campeões, portanto, eram muito fortes. Infelizmente as últimas jornadas não nos correram de feição e o 4º lugar (na 1ª época de Matateu) constituiu uma grande desilusão. Ainda assim, terminou o Belenenses invicto nos jogos em Casa do Campeonato Nacional. Vice-Campeão de Lisboa de Juniores, em Futebol. Di Pace ingressa no Belenenses.

1953 - 3º lugar no Campeonato Nacional. Goal average: 60-29. Durante grande parte do Campeonato, o Belenenses ambicionou o título. No final da 1ª volta, está em 2º lugar, empatado com o Benfica. Matateu é o melhor marcador no Campeonato Nacional. Conquista da Taça “Lisboa”, em disputa com Benfica, F.C.Porto e Sporting. Campeão de Lisboa de Juniores. Vice Campeão Nacional de Juniores.

1954 – 4º lugar no Campeonato Nacional (com os mesmos pontos do Benfica, 3º classificado). No entanto, a classificação final não mostra a belíssima prova que o Belenenses fez até à queda nas últimas jornadas. Por exemplo, a meio do Campeonato, o Belenenses liderava, empatado com o Sporting, com 1 ponto de avanço sobre o F.C.Porto e 4 sobre o Benfica. Semifinalista da Taça de Portugal. Vice Campeão de Lisboa de Juniores. Vicente ingressa no Belenenses. Fernando Riera torna-se treinador. Festa de despedida de Feliciano.

1955 - 2º lugar no Campeonato Nacional (o tal título perdido para o Benfica a 4 minutos do fim, com muita infelicidade, e a colaboração do árbitro – cunhado de um dirigente benfiquista... - que não validou um golo, que daria a vitória no jogo e no Campeonato, apesar de a bola estar, no mínimo, 20 cm dentro da baliza, como reconheceu o próprio guarda redes sportinguista.). Matateu é o melhor marcador no Campeonato Nacional. Participação na Taça Latina com Milão e Real Madrid e Matateu a ser levado em ombros. Belenenses vence Vasco da Gama por 2-1. Vice Campeão de Lisboa de Juniores. Festa de Homenagem a Serafim das Neves.

1956 - 3º lugar no Campeonato Nacional. Goal average: 67-25. Semifinalista da Taça de Portugal. Campeão Nacional em Reservas (Torneio Octogonal da FPF). Vitória 2-0 sobre Stade de Reims, nesse ano finalista da Taça dos Campeões Europeus (o que repetiria 3 anos depois).

1957 - 3º lugar no Campeonato Nacional. Invicto nos jogos em Casa do Campeonato Nacional. O Belenenses é o 3º clube mais representado na Selecção Nacional de Futebol desde o início da sua actividade (desde Abril de 1957 até hoje, mantém o 4º lugar). Vitórias por 2-1 sobre o Newcastle e por 3-1 sobre o Saint’Etienne. Helénio Herrera contratado para treinador.

1958 – 4º lugar no Campeonato Nacional. Vitórias sobre a selecção do México (3-0) e sobre o Barcelona e o Valência (2-1), em Futebol. Vice Campeão Nacional de Juniores.

1959 – 3º lugar no Campeonato Nacional, invicto nos jogos em Casa. Goal average: 65-27. A classificação final foi a seguinte: F.C.Porto e Benfica – 41; Belenenses – 38; Sporting - 31. Depois de um começo irregular, o Belenenses foi-se aproximando do Benfica, que liderou durante muito tempo. O F.C.Porto, curiosamente, também não começou bem. O Sporting esteve sempre fora da luta pelo título. No fim da 1ª volta, o Belenenses estava em 2º lugar, a 3 pontos do Benfica. Chegou a reduzir a diferença só para 1 ponto mas ela voltou a aumentar. Em 1 de Fevereiro de 1959, o Belenenses, empatado com o F.C.Porto e a 3 pontos do Benfica, recebeu a visita do Benfica. Grande enchente no Restelo, apesar da grande tempestade que se fez sentir. Esgotou-se a lotação (que era então de 44.000 lugares). Uma multidão impressionante resistiu estoicamente a um jogo que talvez devesse ter sido adiado. O estado quase impraticável do terreno prejudicou a equipa mais leve e tecnicista – a do Belenense (claro!...). No último minuto, depois de o Belenenses muito porfiar para chegar à vantagem, Matateu, na marcação de um pontapé de canto, fez a bola entrar na baliza do Benfica. Inusitadamente, o árbitro anulou o golo, alegando que apitara anteriormente, por a bola ter saído pela linha de fundo! Ninguém (imprensa incluída) ouviu o tal apito. A reacção de desespero dos jogadores encarnados mostra que tão pouco eles o tinham ouvido. A trajectória da bola tornava impossível que tivesse saído pela linha de fundo. Mas o árbitro não validou o golo. E impediu a vitória do Belenenses, que o deixaria, moralizadíssimo e em grande forma, a 1 ponto apenas do líder Benfica, e com 1 ponto de vantagem sobre o F.C.Porto (que acabou por ser campeão). Face ao enérgico e exemplar protesto do Belenenses (que na altura não se encolhia...), o jogo veio a ser repetido a 1 jornada do fim. Mas então, a 3 pontos do líder, o Belenenses já não podia ser campeão (registou-se um empate 1-1). No entanto...como teria sido se tivesse ganho, como merecera, algumas jornadas antes, e se não tivesse sofrido outra péssima arbitragem em Torres Vedras? Vencedor da Taça de Honra da AFL (vitórias por 1-0 sobre Sporting e Benfica).

1960 - Vencedor da Taça de Portugal (vitória 2-1 sobre Sporting na Final). 3º lugar no Campeonato Nacional de Futebol, quebrando a invencibilidade do campeão Benfica, no último jogo, na Luz. Goal average: 58-25.Vencedor da Taça de Honra da AFL (vitória 5-0 sobre Benfica e 2-0 sobre Atlético).

Note-se que por 9 vezes, quase metade dos 20 Campeonatos entre 1940 e 1960, o Belenenses esteve em boas condições para ser campeão, apesar de só o ter concretizado por 1 vez. Sem interferências da arbitragem, o Belenenses teria chegado a 1955 com 4 Campeonatos Nacionais, contra 2 do Benfica (sempre benificiado em 3 situações em que o Belenenses foi impedido de conquistar o título), 2 do F.C.Porto e 9 do Sporting. Como teria sido diferente o futuro! Apesar disso, nesses 20 anos, o Belenenses ficou 14 vezes (65%) no pódio, e 18 vezes (90%) nos 4 primeiros. A década de 50 segue, pois, o padrão de estabilidade como grande potência futebolística nacional. Dá gosto (e, ao mesmo tempo, entristece por comparação) olhar as grandes assistências nas Salésias e no Restelo, mesmo em jogos contra adversário de mediano cartel – por exemplo, cerca de 35.000 pessoas em jogo com o Vitória de Guimarães, com algumas bancadas compactamente lotadas. Deve, contudo, reconhecer-se, que em termos gerais, a equipa como um todo tinha menos força, e só mantinha o nível devido à qualidade extra de Matateu. O esforço para construir o Restelo fazia-se naturalmente sentir... Entre 1940 e 1955, mesmo com os factores extra verdade desportiva a que nos referimos, o Belenenses foi o 3º clube nacional em termos futebolísticos. À infelicidade do campeonato de 1955, sucedeu-se, logo em 55/56, a vitória do F.C.Porto no campeonato, que viria de novo a obter em 58/59. A partir de então, o Belenenses fixa-se no 4º lugar mas sempre dentro do lote restrito dos 4 grandes. Manteria esse estatuto indiscutível durante muitos anos, apesar de, a partir de 1961, inclusive, só em algumas poucas épocas esparsas (62/63, 72/73, 73/74, 75/76...) ter estado à altura dessa condição, em termos futebolísticos (porque, no campo desportivo global, as coisas foram bem mais positivas). Veremos isso melhor no próximo artigo. O ano de 1960, com a conquista da Taça de Portugal e, pela 2ª vez consecutiva, da Taça de Honra (com uma vitória 5-0 sobre o Benfica), é claramente um ano de viragem. A seguir, viriam os grandes problemas e as duras penas, como resultado do endividamento contraído com a construção do Restelo.

Vejamos agora, igualmente ano por ano, os feitos principais nas modalidades extra futebol:

1950 - Campeão Nacional de Atletismo, em Equipas Femininas. Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas, Campeão de Lisboa, em Râguebi. Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol. Vice Campeão de Lisboa, em Andebol.

1951 - Equipa Feminina de Atletismo, Campeã de Portugal e de Lisboa. Campeão Nacional de Juniores de Atletismo, em Equipas Masculinas. Campeão de Lisboa de Corta Mato. Campeão de Portugal de Corta Mato em Equipas Seniores e Juniores (Masculinos) e Femininas. Joaquim Branco detém 8 Records Nacionais em Atletismo. Vice Campeão de Lisboa em Râguebi. Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol (2ª vez consecutiva).

1952 - Campeão de Lisboa de Râguebi. Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol (3º título consecutivo). Campeão Infantil de Lisboa, em Basquetebol. Campeão de Portugal de Atletismo, em Equipas Femininas (6º título e 5º consecutivo). Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas. Homenagem à atleta Georgete Duarte. Rui Ramos faz 15,54 no triplo salto, 2ª melhor marca europeia e 3ª mundial da época, 3ª europeia de sempre e record nacional pelo longo período de 14 anos. Rui Ramos participa nos Jogos Olímpicos, disputando o Triplo Salto. Peggy Brixhe, Campeã Nacional de Ténis.

1953 - Campeão de Lisboa por Equipas, em Atletismo Feminino. 6 Records Nacionais Masculinos e 1 Feminino batidos por atletas do Belenenses durante o ano. Vice Campeão Nacional de Juniores, em Andebol (de 7). Vice Campeão de Lisboa de Andebol (de 7) em Seniores e Juniores. Vice Campeão de Lisboa em Voleibol Feminino.

1954 - Campeão de Lisboa de Atletismo em Equipas Femininas. Campeão de Lisboa em Basquetebol Masculino. Campeão de Lisboa de Infantis, em Basquetebol. Vice Campeão de Lisboa em Voleibol Feminino. Belenenses é sócio fundador da Federação Portuguesa de Badmington. Fernando Stock e Manuel Palma são campeões nacionais e ibéricos de Motorismo. Rui Ramos chega à final de Triplo Salto dos Campeonatos Europeus e é considerado o melhor atleta português pelo jornal “World Sports”.

1955 - Campeão de Portugal e de Lisboa em Equipas Femininas de Atletismo. Georgete Duarte, Campeã Nacional de Salto em Comprimento pela 8ª vez consecutiva. Campeão Nacional, em Basquetebol Feminino. Campeão de Lisboa em Basquetebol Feminino. Vice Campeão de Lisboa, em Basquetebol Masculino. Campeão de Lisboa em Râguebi.

1956 - Campeão de Portugal em Râguebi. Campeão de Lisboa em Râguebi. Campeão de Lisboa em Basquetebol Feminino (2º título consecutivo). Campeão Nacional de Atletismo em Equipas Femininas (8º título e 6º consecutivo). Campeão de Lisboa de Atletismo em Equipas Femininas (12º título e 8º consecutivo). Francelina Moita obtém 8ª título nacional de Atletismo, em 3 provas diferentes. Rui Ramos, Campeão Nacional de Triplo Salto pela 3ª vez consecutiva. Campeão de Lisboa de Badminton.

1957 - Campeão de Portugal e de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas. Campeão de Lisboa em Basquetebol Feminino. Campeão de Lisboa, em Râguebi. Vencedor da Taça de Portugal em Ténis de Mesa. Início da actividade do Hóquei em Patins.

1958 - Início da Actividade do Ténis. 1º jogo de Hóquei em Patins. Início da actividade do Ténis. Campeão de Lisboa de Râguebi (3ª vez consecutiva). Primeiros jogos de Râguebi fora de Portugal. Campeão de Lisboa de Atletismo em Equipas Femininas (13º título). Campeão Nacional de Atletismo em Equipas Femininas. Vice Campeão de Lisboa em Basquetebol. Campeão Infantil de Lisboa, em Basquetebol. Vice Campeão Nacional de Infantis, em Basquetebol. Vice Campeão de Lisboa, em Andebol (de 7). Cidália Nogueira ganha 6 títulos juniores, em Natação. Despedida de Georgete Duarte: 46 títulos nacionais, recordista e campeã em 10 diferentes provas de Atletismo. Silvério Pereira, presente no Campeonato Mundial de Xadrez.

1959 - Vencedor da Taça de Portugal em Basquetebol Masculino (vitória sobre o Benfica por 44-42 na Final). Vice Campeão Nacional de Basquetebol. Vice Campeão de Lisboa, em Basquetebol. Vice Campeão Nacional de Basquetebol, em Equipas Femininas. Campeão Nacional de Râguebi. Vencedor da Taça de Portugal de Râguebi (vitória por 8-3 sobre o Benfica na Final). Campeão Nacional de Ténis de Mesa. Campeão de Lisboa de Ténis de Mesa. Vice Campeão de Lisboa de Atletismo, em Equipas Femininas.

1960 - Vencedor da Taça de Portugal, em Râguebi. Campeão de Lisboa, em Râguebi. Vice Campeão de Lisboa, em Basquetebol. Vencedor da Taça de Portugal de Basquetebol, em Juniores Masculinos. Campeão Nacional de Basquetebol, em Seniores Femininos. Vice Campeão Nacional de Andebol (de 7). Vice Campeão de Lisboa de Andebol (de 11). Campeão de Lisboa de Aspirantes, em Voleibol. Cidália Nogueira vence Travessia do Tejo e Travessia da Póvoa, em Natação. José de Freitas vence Travessia do Sado, em Natação. Carlos Alberto Vieira vence Travessia da Póvoa em Natação. José de Freitas bate record de Terreiro do Paço – Cascais, em Natação. Adelaide Patrício Campeã Nacional de Dardo, Peso e 80 metros barreiras, em Atletismo. Belenenses organizou primeira corrida de S.Silvestre a realizar-se em Portugal.

Constata-se, por estes dados, um Belenenses interveniente na decisão de quase todos os grandes títulos, tanto na década de 40, como na de 50. Vale a pena aqui repetir que, durante muito tempo, os Campeonatos de Lisboa eram rijamente disputados, e a sua conquista cobiçada pelos grandes clubes. E o Belenenses “estava lá”, como um entre iguais. Justifica um destaque os 8 campeonatos nacionais e os 14 campeonatos de Lisboa conquistados pela Equipa Feminina de Atletismo, às vezes ganhando todas as provas (!!!), graças especialmente à campioníssima Georgete Duarte, cuja desenvoltura e dignidade ainda hoje impressionam. Ainda no Atletismo, o Belenenses teve dois enormes campeões em Rui Ramos e Joaquim Branco. Em Natação, surge o nome de José Freitas, de que falaremos no próximo artigo.

Terminamos a referência a estas décadas de glória e grandeza, com referência ao abandono das Salésias (curiosamente anunciado em 1946, quando o Belenenses é campeão. Coincidência?) e à construção do Restelo numa pedreira num local desolado de Lisboa. O Belenenses não foi tratado em igualdade de circunstâncias com os outros grandes clubes lisboetas e disso sofreu duras consequências. O Belenenses acabaria, decerto, por se abalançar a construir um estádio à altura dos estádios dos outros grandes clubes, como fez com o Restelo, na altura provavelmente o melhor de todos (seguramente o mais bonito) mas merecia ter sido compensado por tudo quanto investira nas Salésias e a que não se podem comparar os muito menores investimentos de F.C.Porto, Benfica e Sporting. O Restelo é um belo parque desportivo mas o Belenenses pagou por ele um preço desmedido, como veremos no próximo artigo. Não obstante, a sua inauguração foi um grande e festivo acontecimento, com um magnífico e grandioso programa – que já explicitámos em outro artigo -, preparado com larga antecedência (5 meses antes, já o jornal do clube publicava cupões para a compra de bilhetes!), e onde a alma belenense expressou todo o seu amor pelo clube. Durante uma semana, os jornais desportivos encheram-se de capas com o Belenenses e o seu estádio!


Comentário do autor:
"Tenho deixado de fazer comentários, por não conseguir suportar a ligeireza com que se tratam os temas, o contentamento despropositado, o acatamento plácido, quando não militante, da vergonha dos empréstimos, as piadas sardónicas e mázinhas e, até, certos silêncios maldosos. Não obstante, pretendo acabar este trabalho. Julgo, sem falsas modéstias, que reuno elementos dispersos e quase desconhecidos, que são preciosos para os (porventura poucos...) que amam profundamente o Belenenses, se comovem com os feitos que construíram a grandeza do nosso clube, e querem entender como chegámos até aqui. Prosseguirei, pois, não obstante os silêncios gritantes de alguns..."

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Basket: Barreirense x Belenenses


Na próxima quarta feira, dia 05 de Janeiro, pelas 21h00m, no Pavilhão Municipal Luís de Carvalho , o Belenenses viaja até ao Barreiro para defrontar a equipa local num jogo em atraso da 8ª jornada da Liga TMN.

O Barreirense vem de uma derrota, frente à equipa do Santarém, onde o resultado final foi de 74-71. O Barreirense ocupa actualmente a 11ª posição da tabela classificativa, com 10 jogos, 2 vitórias, e 8 derrotas.

O Belenenses vem de uma vitória sensacional frente ao Benfica por 93-78, a equipa azul já soma 6 vitórias seguidas frente ao Benfica. Num jogo onde o colectivo voltou a marcar a diferença, o Belenenses mostrou ser a equipa mais eficaz.

Os Guerreiros ocupam neste momento o 3º lugar da tabela classificativa, com 10 jogos, 7 vitórias, e 3 derrotas.

Ambas as equipas vão jogar para ganhar, pelo que se espera uma belíssima partida de basquetebol.

A quem puder, adeptos do Belenenses, adeptos do Barreirense e adeptos da modalidade, venham a assistir a mais um bom espectáculo de basquetebol e apoiem as equipas a fazerem um bom jogo, acima de tudo.

Vamos mostrar que o basquetebol conquista cada vez mais adeptos!

Se por alguma razão não puder acompanhar os “Guerreiros” nesta jornada a contar para a Liga TMN, a equipa do site vai estar presente e fornecer-lhe todos os pormenores desta partida, em directo e em exclusivo, com actualizações em cada 2 minutos, no Live no site: www.belenensesbasket.com

Acompanhe a sua equipa em todos os jogos, em qualquer sítio, à distância de um click, através da Internet!!!

domingo, janeiro 02, 2005

2004 Vs 2005

2004 foi, inquestionavelmente, um ano terrível para os adeptos azuis, em especial no que ao futebol diz respeito. Na 1ª metade do ano, lembro-me de 2 alegrias: uma vitória em Guimarães (a última) e a manutenção, a 20 minutos do fim da temporada, conseguida não por nós, mas através de uma vitória do Moreirense. Da 2ª metade do ano, apesar de vários sinais de maior organização, destaque-se o aparecimento de vários jovens com valor e, a única verdadeira alegria, a vitória por 4-1 sobre o Benfica.

De resto, em termos futebolísticos, foi um ano para esquecer. No início do ano, ainda o Blog do Belenenses não havia sido reactivado, foi publicado no Blog CF Belenenses um artigo da minha autoria, intitulado "2004 - Renovação, Agonia ou Morte Súbita?...". Reli-o hoje, pouco menos de 1 ano volvido, e sinto-me feliz por ver que conseguimos evitar a morte súbita, agonizámos e parece estar a ser encentada uma revolução de alguns meses a esta parte.

É assustador como, com alguns meses de antecedência, acertei nesta previsão: "Agonizaremos se o Marco Aurélio continuar a defender o impossivel, aquilo que poucos mais no mundo inteiro conseguem defender; se o Antchouet inventar um golito como só ele sabe, e mesmo assim tem andado tão esquecido; se o Verona arrancar um daqueles remates de fora da área e fizer um golão; se o Neca recuperar e fizer umas assistências que deixem qualquer avançado, por mais tosco que seja, com a baliza aberta. Dessa forma agonizaremos, e quem sabe talvez cheguemos ao fim da época ainda na SuperLiga." Mas ainda bem que acertei e que só agonizámos e a descida não foi mais que um cenário muito próximo.

Estivemos a 20 minutos da morte súbita, daquele que poderia ter sido o princípio do fim do Belenenses: "Pior mesmo é a morte súbita, a queda abrupta para a 2ª Liga, que os nossos dirigentes esquecem que é mais cara que a Superliga. As contratações falhadas, os tiros no pé, as renovações por fazer, o laissez faire que nos caracteriza... os outros não dormem, só nos embalam. Embalam-nos nos braços de Morfeu, olham-nos de lado com um sorriso sarcástico..." Não se concretizou, felizmente, mas porque alguma força divina o impediu. Todos nós, adeptos azuis, sabemos que se alguém merecia descer de divisão era o Belenenses. Quanto mais não fosse, por aquela atitude vergonhosa da última partida.

Impunha-se, portanto, a "Revolução". E se a meio do ano estava desesperado, chego ao início deste 2005 esperançado neste clube. Porque dizia há um ano atrás: "Precisamos de renovar a nossa SAD, impõe-se a utilização de um modelo profissional. (...) Há que ter uma administração forte, que não se subjugue a treinadores mercenários e empresários da banha da cobra. Há que saber investir, como e onde. Há que conhecer o mercado e saber jogar nele. Há que saber negociar. Há que diversificar contactos, estabelecer parcerias, trabalhar com o máximo de intermediários possivel na medida em que somos um clube pouco atraente. Mas precisamos de pessoas que se mexam tendo conhecimento daquilo em que se estão a mexer."

Olhando hoje o Belenenses, vemos claramente que temos uma SAD que sabe o quer e como quer, independentemente de concordarmos ou não com as suas ideias. Vemos, essencialmente, que as pessoas que comandam o futebol azul conhecem o meio em que se mexem. Ainda bem e oxalá não me desmintam ao longo deste 2005. Porque quero ver um Belenenses a lutar pela europa nesta época e um Belenenses ambicioso na próxima.

O Belenenses é Grande. Que tenhamos um 2005 em Grande!

sexta-feira, dezembro 31, 2004

Bom ano!

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Equipamento 85º aniversário


No encontro disputado no Estádio do Dragão com o FC Porto, a equipa do Belenenses apresentou um equipamento alternativo de modelo exclusivo, no âmbito das comemorações do 85º aniversário do clube, para essa partida da Superliga.
Esse equipamento foi depois leiloado através de uma excelente iniciativa do site oficial.

Eu participei no leilão e consegui ficar com a camisola nº25 do jogador Rafael. Como só ontem é que tomei posse do equipamento apresento algumas fotos:






Estas fotos vão ser incluidas no site osbelenenses.zip.to/equipamentos logo que for possivel. Também estão por incluir, há já algum tempo, diversas fotos de vários equipamentos que foram disponiblizadas pelo Luís Silva. Infelizmente tem havido falta de tempo...

quarta-feira, dezembro 29, 2004

Guerreiro no meio-campo

Eis que ao chegar a casa, esperando discutir no Blog o interesse ou não na contratação do jogador, que soube hoje havia rescindido com o Guimarães, tenho mais uma boa notícia, a que o Belenenses me tem habituado nesta quadra festiva.
Parece que a SAD, o treinador ou o Presidente, alguém ouviu os meus lamentos (e de outros bloguistas) sobre a necessidade de reforçar o meio-campo defensivo, e parece-me claro que Rui Ferreira é uma boa aposta.

Este ex-jogador vimaranense, tenho de ser sincero, é um jogador que nunca gostei de ver jogar enquanto adversário. Muito duro, por vezes em excesso, é daqueles que tiram a paciência a um Santo que seja adepto do adversário. Ora como eu nem sequer santo sou, o homem já ouviu uns bons impropérios mais ou menos contidos nas bancadas, ou alto e bom som frente ao ecrã (pelo menos se estiver sozinho)!

Agora que equipará de azul, lá lhe irei perdoando os excessos (mas não abuses, o Belenenses é um clube de gente séria, dá umas traulitadas, mas com juizinho) e espero ver-lhe a eficácia que tenho registado nos últimos anos.

Chegamos a 2005 com um plantel sem dúvida mais equilibrado, Pelé (o patrão da defesa) volta a jogar a central (ou muito me engano, ou a médio prazo as propostas tentadoras começarão a surgir no Restelo por este excelente central), Andersson terá companhia a meio campo e temos extremos, uma vez que entrou Paulo Sérgio e a entrada de Catanha pode libertar Lourenço para as alas.

Por último, duas curiosidades:
- há uns bons anos que o Rui Ferreira não marca um golo. Isso é tradição para ser quebrada
- em 94 Rui Ferreira jogava no Lourosa. Não foi nessa época que fomos eliminados da Taça pelo Lourosa?

terça-feira, dezembro 28, 2004

Parabéns ao Portal Oficial


O Blog do Belenenses tem o maior prazer em felicitar o Site Oficial do Belenenses pela distinção de que foi alvo por parte do jornal "O Jogo", que o considerou o melhor site dos clubes nacionais.

De facto, aquilo que tem vindo a ser uma evidência para todos os "internautas azuis", é agora valorizado pela comunicação social. Bem sei que o Site Oficial é fruto da colaboração desinteressada de muitos Belenenses e que, portanto, o objectivo é promover o clube e não receber distinções. Mas estas distinções são importantes para que estas pessoas que dão uma boa parte do seu tempo livre (e também do que não é livre) tenham alento para continuar este excelente trabalho.

Fica aqui um abraço muito especial ao Miguel Barreiros, pois é a face mais visível de toda a equipa que tanto trabalha para o sucesso do Site Oficial. É importante todo este dinamismo do Belenenses na Internet, com o melhor Site Oficial e o clube com mais Blogs com reconhecido mérito.

E mais importante ainda, entre todos estes veículos de comunicação on-line não há qualquer rivalidade, antes uma sã e amigável convivência que visa unicamente o engrandecimento do clube. Curiosamente, cada veículo tem vindo a trilhar o seu caminho, conseguindo o seu espaço, não sendo meros espaços repetidos de discussão estéril e perfeitamente inútil, como a maioria destes espaços dos clubes portugueses.

segunda-feira, dezembro 27, 2004

Quero lá saber da idade!

O Belenenses contratou o Catanha, provavelmente o segundo melhor jogador que passou pelo Belenenses nas últimas décadas (porque Marco Aurélio, o Imperador, é e será sempre nosso). Catanha fez-me sonhar durante largos anos, nos poucos meses com a nossa camisola e enquanto acompanhei a sua carreira em Espanha. Quando, ao chegar a casa, me deparei com esta notícia, tenho de admitir que me emocionei.

Afinal, é o regresso de um grande jogador à casa onde nasceu, pois veio do CSA, de Alagoas, e o Belenenses mostrou-o à Europa do futebol. Jamais esquecerei um dos momentos mais mágicos que vivi no Restelo, com o Catanha na bandeirola de canto a dar uma, perdoem-me a expressão, "cueca" de calcanhar no Mozer e da linha de fundo a colocar a bola na barra de um Preud'Homme completamente batido.

Mas também não esqueço esse azar do destino, aquela bola sobre a linha de golo em Guimarães, a 6 ou 7 jornadas do fim, com o Belenenses a lutar pelos primeiros lugares, que Catanha empurrou com o pé esquerdo contra a canela da perna direita, e tomou o sentido oposto da baliza. Foi o início de uma derrocada até ao fim da temporada. E se alguém não merecia aquele azar era este grande jogador.

Catanha volta ao Belenenses. Tem 32 anos, quase 33. QUERO LÁ SABER! Os génios são imortais! Mesmo que não marques nenhum golo Catanha, que sejas uma decepção e daqui a uns meses te ache um jogador acabado, obrigado por esta noite que, de certeza, não conseguirei dormir descansado. Porque poucos jogadores me fazem sonhar, e tu foste um deles.

Catanha de volta!

Notícia de última hora:

Segundo o site oficial do clube, o jogador Catanha - que já antes representou o Belenenses - vai assinar por época e meia com o clube.

Fonte: site oficial

domingo, dezembro 26, 2004

O BELENENSES na net

O Belenenses não é o quarto grande na Internet! É O GRANDE da Internet!
O número de sites e blogs dedicado ao nosso clube sobe de dia para dia. E não só é aumentada a quantidade de informação mas também aumenta de forma espectacular a qualidade da mesma.


Comparando com os outros clubes nacionais, podemos constatar que em termos de quantidade de blogs rivalizamos directamente com os “3 dos costume”. Mas no que a comunidade azul se destaca é na qualidade. Neste aspecto, somos indubitavelmente os melhores. Não só pela diversidade dos temas abordados nos diversos blogs mas também na qualidade da escrita.

Não podemos deixar de destacar o “nosso” Blog do Belenenses projecto iniciado pelo grande Luciano “Seba” Rodrigues, aka Onaikul, e depois continuado pelo não menos grande Rui Vasco e por mim. Participa activamente neste blog o nosso amigo Eduardo Torres, que já nos habituou com a qualidade da sua escrita.

Destacamos agora a mais recente adição à família azul na net o Cruel Pastel Azul. Este blog, embora esteja online desde o início de Novembro, só tivemos conhecimento dele muito recentemente. O seu autor - CPA - permanece anónimo…

Um dos blogs mais populares é sem dúvida o blog CF Belenenses do nosso amigo Pedro Lourenço. Este blog tem como principal mais-valia a actualização constante das notícias relacionadas como o nosso Belém mas também não deixa de parte uma componente de opinião.

O Canto Azul ao Sul de Luís Oliveira com a colaboração de outros autores como Henrique Amaral, Abel Vieira e Pedro Guedes é um dos projectos mais interessantes. A qualidade dos textos aqui publicados é excelente e abrangem uma grande diversidade de temas.

O Azul do Restelo de Nuno MA é um dos blogs mais antigos do Belém, já existindo desde Dezembro de 2003. Embora não seja actualizado de forma muito regular, por manifesta falta de tempo do autor, continua a desempenhar um papel muito importante na blogosfera porque representa mais uma opinião.

Praticamente tão antigo como o blog anterior é o nosso próximo destaque Belém! Belém! Belém!. Existe desde Janeiro deste ano e conta pelo menos com uma critica semanal à jornada. Mais uma vez a ideia de que todas as opiniões são importantes é reforçada!

Não podemos deixar de referir o Armada Azul que é dedicado ao mundo ultra do Belém. Destacamos a iniciativa “Nós Vamos” (ao Estádio) promovida pelo pessoal deste blog, que mereceu a nossa colaboração. Mais iniciativas destas são necessárias e já sabem que podem contar connosco.

Estes são os blogs que consideramos mais importantes, mas ainda existem outros projectos na internet dedicados ao Belenenses como por exemplo o O Pastel de Belem, O Blog do Telmo, etc.

Relativamente aos sites do nosso clube vamos referir o site do Henrique Amaral em que se destacam os seguintes temas: 50 anos do Restelo, "História Belenense", "Estórias Azuis", "No banco azul" e "Golos, Gooleadas, e Goliadas". Muito bom!

Por outro lado, é com grande ansiedade que esperamos pelo já há muito anunciado site do Jorge Braz em que vai trazer um Arquivo do Belenenses com todos os resultados dos jogos oficiais do nosso clube, entre outras coisas.

Também não posso deixar de fazer referência aos projectos que contam com a minha colaboração.
Além do portal oficial www.osbelenenses.com e do Blog do Belenenses, participo também no belenenesesbasket.com – site dedicado ao basket profissional (embora a minha opinião seja suspeita, penso que é um dos melhores sites nacionais do género! Mas falarei mais sobre o site num futuro post).
Tambem fui o criador de osbelenenses.zip.to – uma espécie de portal não oficial, que aloja entre outros temas o “Os Homens que Mordem o Belém“ e “Equipamentos do Belém

Ainda existem muitos outros sites na net. Uns mais elaborados do que outros, alguns podem ser apenas simples homenagens ao Clube, ou a jogadores, mas todos eles revelam uma coisa: a enorme dedicação e o sentimento que todos nós temos pelo clube.

Não posso deixar de fazer uma referência à Mailing List do Belenenses alojada em http://groups.yahoo.com/group/belenenses/, que é um dos pontos de encontros virtuais dos azuis mais antigos da net!

Em jeito de conclusão o Belenenses na Internet respira um ambiente muito saudável. Aqui sim, estamos a crescer. Esperemos que as muitas horas que nós todos dedicamos ao Belém sejam correspondidas com o crescimento do clube, nomeadamente na sua modalidade principal: o futebol.

Se não foi aqui referido um site ou blog dedicado ao nosso Belém, façam referência nos comentários para acrescentarmos aos nossos links.

quinta-feira, dezembro 23, 2004

Feliz Natal

Venho por este meio desejar um Feliz Natal a todos os amigos azuis que vão sofrendo com as derrotas e vibrando com as vitórias através do ecrã do computador, a meu lado. Os votos são também extensíveis a todos os Bloguistas e Blogueiros que nos gostam de visitar. Desejo um Natal cheio de Paz e Amor para todos e que 2005 se revele um ano bem mais positivo para o Belenenses.

quarta-feira, dezembro 22, 2004

Mercado a abrir, trinco do lado de fora da porta

É hoje publicado na imprensa que o Belenenses está próximo de assegurar o concurso de Paulo Sérgio durante a próxima época e meia e está interessado em Maciel, do Porto. Se quanto ao primeiro já muito foi discutido pelos adeptos azuis (que no entanto o possível empréstimo por ano e meio pode vir lançar novos argumentos para a discussão), o segundo já havia sido ventilado e parece-me, à primeira vista, muito mais interessante. No entanto, e a imprensa faz a ressalva, o jogador aufere no Porto qualquer coisa como 70.000 Euros por mês!
Sem qualquer dúvida que Maciel seria um jogador interessante para o Belenenses, nomeadamente para jogar na ponta direita. Já deu provas do seu valor e, jogando muito ou pouco, é campeão europeu, tem 27 ou 28 anos e está no pico da carreira. Agora, como é que é possível que um jogador que sai do Leiria para o Porto passe a ganhar 70.000 Euros por mês??? Como é que é possível os clubes terem a situação financeira estável com estas “enormidades”? Maciel fez meia dúzia de jogos pelo Porto, provavelmente até ao fim do contrato poucos mais fará, no entanto terá sempre a haver 70.000 Euros por mês…

Mas isto não acontece só nos grandes. Repare-se na situação, já muito debatida, do nosso jogador Mauro, esta época emprestado ao Estrela da Amadora. Por ter marcado 3 golos ao Sporting há uns anos, e ser filho de um antigo jogador azul que havia deixado saudades, pagámos 60.000 contos por um jogador em final de contrato (posso não comentar?), com 29 anos, com uma carreira que incluía já passagens por 9 clubes (porque seria?) e que na sua melhor época havia marcado 12 ou 13 golos, na 3ª divisão. Esse jogador assinou pelo Belenenses um contrato milionário (para a nossa realidade, claro está) e ainda hoje é um “peso morto” na nossa folha salarial e será até ao final do contrato, pois como é óbvio ninguém lhe oferecerá as condições que nós oferecemos. Sabendo que o Presidente do Estrela da Amadora disse no início da época que não pagavam mais de 800 contos por mês, é fácil perceber quanto o Belenenses despende com um suplente do Estrela da Amadora…

Mas voltando ao assunto inicial, se Paulo Sérgio parece ser uma entrada praticamente consumada, então para quê o interesse em Maciel??? Entre os dois, preferia obviamente o Brasileiro, mas não pagando, sequer, um quarto do ordenado. Ora então, e se estivermos interessados nos dois? Será então o Maciel o “caixote” para a área? Começo a ficar preocupado. Afinal, ainda há dias houve declarações que deixaram claro que não se ia buscar jogadores à 2ª Liga porque eram caros. Se o Maciel é barato, nem quero imaginar quanto custa um jogador do Maia ou do Portimonense…

E o trinco senhores, e o trinco?

terça-feira, dezembro 21, 2004

O pouco justo descanso

Estão de férias, meus caros, estão de férias! Pagos a peso de ouro, capazes de prestações profissionais que em qualquer outra profissão daria despedimento com justa causa, os futebolistas da Superliga estão de férias! Mas o que me preocupa realmente são os do Belenenses, porque nem me importava que os outros fossem de férias e os nossos ficassem a trabalhar. Lá vão eles para as suas cidades, os seus países, para 15 dias de férias pagas e bem pagas, comer filhós, rabanadas e troncos de chocolate…

Depois, no regresso, os incontáveis casos que ocorrem época após época, de jogadores que regressam aos trabalhos com excesso de peso, de outros que demoram ou nem regressam (e temos um no plantel que costumava comer muitos ovos moles, e ficava esquecido pelo Brasil) e de uma falta de concentração gritante.

A somar ao mês e meio de férias de Verão, surgem agora mais 15 dias… ou seja, em cada ano de trabalho, 2 meses de férias. Nos restantes 9 meses, fazem 40 jogos de hora e meia (60 horas), e se considerarmos que fazem 300 treinos (por excesso) de uma hora, mais 300 horas. Ou seja, trabalham 360 horas/ano, uma hora por dia! Um trabalhador normal, que trabalhe 8 horas por dia, trabalha 40 por semana, 160 por mês, 360 horas em 2 meses e uma semana. Ou seja, o tempo que eles têm de férias é todo o tempo que o comum mortal tem para trabalhar o mesmo que eles trabalham num ano inteiro!!! E estamos a ser simpáticos nas contas.

A minha questão é: será que o dinheiro para pagar principescamente a estes jogadores nasce do chão? De que vivem os clubes durante as “férias” para lhes pagarem??? Faz algum sentido, num Inverno ameno como o Português e numa altura de bolsas cheias (ou menos vazias, sejamos realistas) não se aproveitar para chamar adeptos aos Estádios? Serei eu que sou louco, ou será o futebol português uma verdadeira palhaçada?

Já agora, e para acabar, porque raio é que os jogadores estrangeiros têm mais dias de férias de Natal que os Portugueses? Enquanto a brasileirada já se “pôs a mexer”, outros há que por cá continuam. Ora aí está uma boa proposta para apresentar aos jogadores: meus amigos, quem quiser vai de férias, quem quiser fica e tem treinos normalmente. Obviamente, quem ficar chega aos jogos de Janeiro em forma, quem for nem por isso. Era uma escolha pessoal, cada profissional que decidisse. Parece-me uma boa proposta… havia de ser bonito, vermos quantos verdadeiros profissionais tínhamos.

Estão já todos nas praias brasileiras, e nós por cá a trabalhar, para não sair muito tarde e ainda arranjar tempo para ir comprar prendas para os “atafulhados” Centros Comerciais. Maldito joelho que me traíste, podia estar eu hoje também de férias!

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Boas saídas e melhores entradas

Mangiaratti e Sandro deixaram o Belenenses, mas quer um, quer o outro, acabam por deixar boa impressão, apesar de Mangiarrati não ter feito sequer uma mão cheia de jogos e Sandro nem se ter estreado a nível oficial. Ambos foram profissionais de corpo inteiro e respeitaram, e respeitam, o emblema azul que serviram durante alguns meses.

Sandro, de contratação sonante da pré-temporada, rapidamente passou a não convocado, fruto da ascensão de um jovem de apenas 19 anos chamado Rolando, que apesar de erros próprios da idade é um dos jogadores mais promissores da Superliga. Ficaram assim por provar as qualidades que levaram Sandro a jogar tantos anos ao mais alto nível no Brasil, chegando mesmo a capitão do histórico Botafogo.

Mangiaratti carregou durante meses a esperança dos adeptos azuis de que fosse capaz de potenciar as qualidades que evidenciou aquando da sua chegada. De facto, à primeira vista, parecia não ser um central do outro mundo, mas que podia perfeitamente ser jogador para agarrar o lugar. As sucessivas lesões obrigaram, no entanto, ao apagamento do Suíço, e a verdade é que os adeptos azuis nunca chegaram a poder comprovar o seu real valor.

No primeiro jogo da pré-época, diante do Olhanense, em Santiago do Cacém, pude ver em acção uma dupla de centrais composta por estes jogadores recentemente dispensados. E foi para mim evidente, a partir desse dia, que Rolando tinha todas as condições para ser titularíssimo do Belenenses. De facto, após na primeira parte terem jogado de forma imperial Rolando e Pele, ao intervalo entraram Mangiaratti e Sandro, e a 2ª parte foi uma tremideira permanente, com o Olhanense a marcar 2 golos. No entanto, havia que dar, obviamente, o desconto de ser uma dupla composta por dois estrangeiros, um deles acabado de chegar e outro a regressar após paragem prolongada. Não mais pude ver os 2 jogadores em acção, mas se de Mangiaratti, a nível individual, vi nesse jogo a entrega do costume, a Sandro foi detectada uma boa capacidade para sair a jogar e um passe longo preciso. Mas ficámos por aí…

Importa agora analisar o plantel e as alterações que estas saídas implicam. Para já, contamos com Rolando, Wilson, Gonçalo Brandão e Pele, sendo que este último me parece que “tem” de jogar no meio-campo defensivo, não por falta de qualidade a central (onde é imponente e para mim um dos melhores centrais da Superliga), mas por falta de soluções no plantel para o meio-campo defensivo. Assim sendo, ficamos com 3 centrais disponíveis, pelo que me parece importante a contratação de, pelo menos, mais um defesa-central. Ou então, um trinco de qualidade que possa fazer com que Pele recue novamente para central. De facto, apesar de ter sido por vezes bastante criticada esta dupla de centrais, nunca me pareceu que o problema dos golos sofridos estivesse na sua prestação. Para mim, facto evidente desde o início da época, as poucas falhas que manifestaram deviam-se maioritariamente à falta de apoio a meio-campo (os adversários aparecem N vezes por jogo com 2 médios completamente soltos à frente dos nossos dois centrais, bastando para tal fazerem um 2 para 1 com o Andersson, e passando por ele é “fartar vilanagem” por ali fora) e ao problema que fomos tendo com o lado esquerdo da defesa.

Fala-se também, na imprensa, que há interesse num avançado. Não me cansei de repetir na pré-época que era disparate dispensar o Ceará, apesar das suas limitações. Isto porque era o único verdadeiro ponta-de-lança de que dispúnhamos, e dispensá-lo é quase o mesmo que dispensar o único guarda-redes do plantel porque ele é fraco… ouvi falar num internacional comunitário que é seguido pelo Belenenses. Será Anastasiou, o avançado grego que em Janeiro dizia a SAD que tinha tudo acertado (uns dias depois, como o empresário não telefonava, não sabiam como estava a situação) e apareceu a jogar (e marcar) 2 semanas depois no Ajax? Após ter marcado meia dúzia de golos na 2ª metade da época passada, parece que este ano está com vida difícil, pelo que gostava de o ver no Restelo…

Mas acho que se está a trabalhar no Restelo. As renovações que foram encetadas desde o início da temporada, a recente renovação com Carvalhal (independentemente de achar isto ou aquilo do treinador, acho importantíssimo saber aquilo com que contamos, para não chegar um “para-quedista” no início da época, dispensar meio plantel, porque tem um projecto para colocar o Belenenses na rota do êxito e o trabalho já feito não lhe dá garantias) e os elogios, vindos dos mais diversos quadrantes, às qualidades de Rui Casaca, deixam-me esperançado para o futuro. Espero não me enganar.

sábado, dezembro 18, 2004

Natação: equipa feminina no pódio.

A equipa feminina de natação do Clube classificou-se hoje no 3º lugar do Campeonato Nacional de Clubes, a disputar-se este fim-de-semana em Cantanhede.

Nesta prova destacaram-se, para além do colectivo, as nadadoras: Patrícia Conceição, que bateu novamente o seu recorde dos 50 metros livres; Ana Rita Santos, que nesta fase do campeonato terminou os 200m estilos no 2º lugar; e Sara Freitas, segunda nos 200m livres.

A estafeta de 4x100m livres foi primeira classificada, não se sagrando todavia campeã nacional uma vez que a prova se inseria na fase de clubes (ou seja, contribuiu para a classificação final com os pontos correspondentes ao 1º lugar, mas não alcançou ainda o título). Nos 4x100m estilos, as nossas nadadores alcançaram o 3º lugar.

Nos masculinos, a jovem equipa do clube manteve-se na 2ª divisão, esperando-se o salto nas próximas épocas para a divisão principal.

Os Campeonatos - na sua vertente individual - prosseguem amanhã.

Às nossas equipas de natação - feminina e masculina - o Blog do Belenenses envia os parabéns e um forte abraço!

Sobre a psicologia e o desporto, novamente!

Muitos de vós conhecem a minha cruzada pessoal relativa ao aumento das condições competitivas das equipas do nosso clube por via do desenvolvimento de um trabalho de fundo ao nível do treino psicológico. Muitos dirão que me limito a defender a minha dama, numa perspectiva corporativista, mas de facto assim não é. Sou psicólogo, mas não do desporto. Todavia, por curiosidade e até experiência pessoal, uma vez que fui atleta de alta competição durante cerca de 8 anos no Sport Algés e Dafundo, creio conhecer a importância da psicologia na preparação dos atletas individualmente considerados e das equipas como um todo...


1.
Porque é tempo de ir concretizando ideias, e não apenas deixar no ar meia-dúzia de intenções (boas, com certeza, mas pouco eficientes), aqui deixo algumas propostas que poderão merecer da parte de quem decide pelo menos um momento de atenção.

É sabido que ao longo dos últimos anos o desporto conheceu um impulso fortíssimo ao nível do treino científico. Este processo de desenvolvimento de novas concepções de treino, e em particular do treino adaptado às necessidades e/ou objectivos dos atletas/equipas, teve início na antiga URSS e conheceu grande desenvolvimento nos países de Leste. A isso se deve grande parte do sucesso das equipas destes países, durante quase todo o século XX.

Hoje, os métodos científicos do treino estão disseminados por todo o mundo e, de forma mais ou menos evidente, demonstram-se imprescindíveis na preparação de atletas e equipas para a competição.

Em Portugal, o treino científico dá os primeiros passos. Quando nadava no Algés, em meados da década de 90, iniciou-se um projecto interessante (liderado pelo actual presidente da FPN), mas que morreu por si, talvez por falta de dinheiro ou mesmo por falta de paciência de todas as partes envolvidas.

Foram criadas estruturas, mas a casa foi construída a partir do telhado. Assim, em vez de se incentivar o treino científico nos clubes, através de formação específica para os técnicos ou da criação de protocolos com as Universidades e pólos de investigação, optou-se pela criação de um pomposo Centro de Alto Rendimento, o qual se encontra segundo parece mais ou menos parado.
O segredo encontra-se no treino diário, e esse faz-se nos clubes.

Ora, é esse o trabalho que eu gostaria de ver iniciado, de forma estruturada, no Belenenses. E quando digo estruturado refiro-me à criação gradual e baseada em trabalho de terreno de uma estrutura de apoio aos técnicos e atletas do clube. Alvo verdadeiramente inovador, numa estrutura tão grande como a do Belenenses... Mas do meu ponto de vista tão importante quanto inevitável.

Mais tarde ou mais cedo TODOS os clubes vão apostar em estruturas do género. E nessa altura quem irá à frente são os clubes que se anteciparam, aqueles que olharam para a frente quando todos olhavam apenas para o umbigo.


2.
O nosso clube tem condições únicas para se desenvolver como uma grande casa do desporto, capaz de criar grandes desportistas, mulheres e homens. Desde logo porque a sua concepção do desporto é de natureza diametralmente oposta à concepção que outros clubes têm.

O Belenenses tem criado as estruturas que lhe permitirão no futuro dar o salto por todos ambicionado. A modernização do seu complexo desportivo, longe de constituir um fim, foi (e é) um passo essencial nesse sentido. Por outro lado, existe uma aposta séria ao nível da constituição de equipas técnicas capazes, com natural impacto ao nível dos resultados desportivos das equipas de competição.

E se neste momento a prioridade é, de certa forma, dar mais consistência e estabilizar as estruturas criadas, não será possível ignorar por muito mais tempo a necessidade de partir para voos mais altos. Nomeadamente no quadro competitivo.

Os nossos atletas e equipas competem hoje ao mais alto nível, nacional e internacional, muitas vezes contra adversários que contam com condições de treino muitíssimo melhores. E quando correm ou nadam lado a lado, são essas condições que fazem a diferença de décimos de segundo que dão e retiram títulos...


3.
Assim, e tendo em conta a crescente importância do treino mental na preparação dos atletas, o que gostaria de ver equacionado era a criação de um "Gabinete de Apoio ao Treino" no Belenenses, constituído por uma equipa multidisciplinar que trabalhasse diariamente com as equipas do clube, no sentido de contribuir para fazer a diferença...

É possível, na minha opinião, criar uma estrutura assim sem grandes custos para o clube. Até porque há um campo a explorar que se encontra neste âmbito praticamente virgem: o dos protocolos de cooperação entre clubes e instituições de ensino superior.

Porque não avançar com uma experiência piloto ao nível das equipas de competição de duas ou três modalidades, nos escalões etários mais baixos, alargando (ou não) o âmbito de actuação do GAT de acordo com a avaliação do trabalho e dos resultados obtidos?

É tempo de avançar por mares nunca antes navegados, como os argonautas lusos, saídos da praia de Belém...

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Declarações do ex-Belenense Sandro

Não posso deixar de publicar uma noticia da Agência Placar, que foi anunciada na Mailing List do Belenenses.

Depois de acertar a contratação do atacante Vinícius, a diretoria do Sport anunciou que o zagueiro Sandro também está confirmado para a temporada 2005. Ele chega à Ilha na próxima segunda-feira.

Sandro estava jogando no Belenenses, de Portugal, depois de atuar por vários anos no Botafogo. Ele começou a sua carreira no próprio Sport. "Será um prazer voltar a jogar no clube onde eu iniciei minha carreira, ainda mais no ano de centenário. Vou mostrar a mesma garra e determinação de sempre", disse e acrescentou "Não fui feliz em Portugal por manifesta falta de adaptação. O nível de vida lá é caro e a minha família sentiu muito a falta do Brasil. No entanto não posso esquecer a forma competente e profissional como os dirigentes e o treinador do Belenenses me trataram. A solução encontrada foi a melhor para mim e para o clube. No Belenenses vivi algo invulgar na minha carreira. Sempre pagaram em dia. Nunca os esquecerei e desejo-lhes todo o sucesso do mundo".


Agenda do fim-de-semana


17/12/2004 - 6ªFeira

19:15 - Basquetebol
Pavilhão Acácio Rosa
Liga TMN: 11ª jornada
Belenenses x Benfica



18/12/2004 - Sábado

15:00 - Rugby
Estádio Nacional
I Divisão: 10ª jornada
Belenenses x Agronomia

17:00 - Andebol
Pav. Maximinos
Campeonato Profissional - 2ª jornada
Manabola x Belenenses

21:30 - Futsal
Pavilhão Acácio Rosa
II Divisão: 12ª jornada
Belenenses x Atlético


19/12/2004 - Domingo

18:15 - Futebol
Madeira: Estádio Engº Rui Alves
Superliga - 15ª jornada
Nacional - Belenenses


quarta-feira, dezembro 15, 2004

Vamos apagar a luz... Novamente!!!


A 11ª jornada da Liga TMN acontece já na próxima 6ª feira, 17 de Dezembro, pelas 19h15 no Pavilhão Acácio Rosa, onde o Belenenses recebe o Benfica, no segundo jogo contra esta equipa esta época.

O Benfica vem de uma vitória nos Açores, frente à equipa do Lusitânia, ganhando por 1 ponto, onde o resultado final foi de 77-78. O Benfica ocupa actualmente a 2ª posição da tabela classificativa, com 10 jogos, 7 vitórias, e 3 derrotas.



Por seu lado, a moral da equipa azul está em "alta" após uma vitória justa e merecida sobre o Ginásio por 91-84, num jogo altamente emotivo, sofrido e competitivo. Ambas as equipas lutaram pelo resultado e proporcionaram um belo espectáculo a quem se deslocou ao pavilhão Acácio Rosa, no passado Domingo. Os Guerreiros ocupam neste momento o 5º lugar da tabela classificativa, com 9 jogos, 7 vitórias, e 3 derrotas, destacando o facto do Belenenses ter uma jornada atrasada, que se vai realizar apenas a dia 5 de Janeiro de 2005, contra o Barreirense, em casa deste.

De atenções viradas exclusivamente para as competições nacionais, o Belenenses mostrou na jornada passada que o único caminho a seguir é “para cima”, e encontrou no colectivo a sua melhor arma para fazer frente a uma equipa que se mostrou incansável e que nunca deu o jogo por vencido. Todos os jogadores azuis deram o melhor de si, demonstrando o “Guerreiro” que há dentro de cada um, e dando, mais uma vez, uma prova de confiança aos seus adeptos e apoiantes, que desta feita, também não desiludiram e compareceram ao pavilhão para apoiar e motivar a equipa que tanto orgulho têm dado ao Clube.

Após uma jornada vitoriosa no futebol, onde a equipa azul derrotou o Benfica nuns expressivos 4-1, também no passado Domingo, espera-se a “dobradinha” no basket! Assim, esperamos casa cheia para apoiar os Guerreiros, num jogo que promete ser disputado e emotivo, visto que nenhuma das equipas quer perder a oportunidade para arrecadar mais uns pontos. A equipa do Benfica não vai querer perder também no basquetebol, e vai com certeza apelar também ao apoio dos seus sócios, para se deslocarem ao pavilhão do Restelo, para os apoiarem na luta pelo resultado.

Após o dia de trabalho, do último dia desta semana, desloque-se na direcção do Pavilhão Acácio Rosa, e venha aproveitar um final de tarde bem passado, assistindo ao que se espera ser um bom jogo de basquetebol acima de tudo. Vamos encher o nosso pavilhão com vozes “azuis” de apoio e de confiança, e mostrar que somos grandes!!! Venha apoiar os nossos "Guerreiros" no último jogo deste ano de 2004, e descubra a surpresa que eles guardaram para si!!!

Não esqueça: 19h15, no Restelo, contra o Benfica!!! Sente a tua equipa, já na próxima 6ª Feira, 17 de Dezembro, pelas 19h15, no Restelo, não faltes!

Se por alguma razão (uma muito boa razão!!!!) não puder acompanhar os “Guerreiros” nesta jornada a contar para a Liga TMN, a equipa do site vai estar presente e fornecer-lhe todos os pormenores desta partida, em directo e em exclusivo, com actualizações em cada 2 minutos, no Live no site: www.belenensesbasket.com

Acompanhe a sua equipa em todos os jogos, em qualquer sítio, à distância de um click, através da Internet!!!

Visite-nos e deixe o seu contacto! Teremos todo o gosto em enviar-lhe sempre as últimas novidades sobre a nossa equipa de basquetebol!

SINTETIZANDO O PASSADO - Parte I – De 1919 a 1940


Para finalizar a nossa viagem pelo passado, e antes de caracterizarmos o presente e perspectivarmos o futuro (afinal o objectivo e ponto de chegada e objectivo deste trabalho), com o que nos parecem ser os direccionamentos que o clube deveria seguir, propomo-nos fazer um breve resumo de 85 anos de história (não nos cingindo, pois, aos cerca de 35 anos que temos de memórias pessoais). Lembraremos as diferentes fases da vida do Belenenses, os seus triunfos e desaires, os seus sucessivos e distintos estados de alma e de saúde, os seus problemas e desafios. Pensamos que é um resumo que nunca foi feito, e em que se coligem dados que geralmente não se têm em conta, por se acharem dispersos

Mesmo numa síntese, a extensão do tema leva-nos a uma divisão em 4 partes. Começamos hoje, grosso modo, pelas primeiros 20 anos.

* * *


Surgido em 1919, o Belenenses, embora tenha tido o incentivo de uma ou outra individualidade prestigiada, começou por ser sentenciado, e alvo de profecias de morte rápida, nomeadamente por pessoas afectas ao Benfica, e considerado como um clube de gente de classes humildes, de quase arruaceiros – os “rapazes da praia”. Na verdade, o Belenenses apareceu como um clube lutador, rebelde, inconformado e ambicioso.

Cheio de vitalidade, com o sangue na guelra, o Belenenses, movido pela alma heróica e animosa dos seus fundadores, por um amor intensíssimo ao ideal clubista (hoje quase inimaginável), e por um dinamismo pujante e insaciável, partiu para o combate com bravura e valentia inquebrantáveis. Nunca se temia um confronto, nunca se aceitava conformadamente uma derrota, exigia-se de adversários e instâncias dirigentes o mesmo desportivismo galhardo e genuíno, franco e leal, que caracterizava as gentes de Belém. “Quando Belém acaba um jogo, há sempre lágrimas. É o clube popular por excelência. O seu entusiasmo sincero e comovedor, cheio de ingenuidade talvez, é assim enorme como um gigante de alma primitiva”.

Ávidos de todas as conquistas, sonhadores de todos os horizontes, os belenenses não descansam nem adiavam propósitos: chegaram para disputar palmo a palmo todas as competições futebolísticas vigentes (logo na primeira época, foram finalistas do Campeonato de Lisboa), procuraram rapidamente os contactos internacionais (primeiro jogo internacional com o Sevilha, em 1921), alargaram-se quase de imediato à prática de várias modalidades, nomeadamente as mais populares, além do Futebol (Atletismo e Ciclismo em 1921; Natação, em 1925; Pólo Aquático, em 1926; Ténis de Mesa, em 1927, Basquetebol, Râguebi e Hóquei em Campo, em 1928; Andebol, em 1932), expandiram-se sob a forma de filiais e delegações (as 2 primeiras em 1927; 6 anos depois, tinham crescido para 27!), albergaram desde logo figuras míticas do futebol português (o fundador Artur José Pereira, durante décadas considerado o melhor jogador nacional de todos os tempos; Pepe, o jovem talento, cuja morte, em 1931, deu lugar à primeira grande lenda do desporto português, e à maior manifestação de pesar no campo futebolístico aquando do seu funeral, acompanhado por milhares de pessoas; Augusto Silva, que se tornou capitão da Selecção Nacional em 1929 e o jogador mais com mais internacionalizações de sempre, cinco anos depois).

Este período culmina em 1933 e pode ser dividido em duas grandes metades:

1) Até 1926, incluindo a conquista de Taças importantes (Taça Mutilados da Guerra, Taça O Século, Taça Camões, Sporting / Belenenses / F.C.Porto...), taças realmente muito importantes na época - a ponto de serem tão ou mais ambicionadas que as vitórias em campeonatos - e a perseguição da conquista de um Campeonato, que ia fugindo por pouco, até à vitória no Campeonato de Lisboa (na altura, quase tão relevante como o Campeonato de Portugal) desse ano.

2) A partir de 1926, inclusive, conquistas cada vez mais relevantes e repetidas.

Praticamente todos os anos havia um feito relevante no futebol, como se pode ver em seguida:

1920 – Vice Campeão de Lisboa.
1921 – 1º jogo internacional, com vitória 2-0 sobre o Sevilha. Conquista da Taça Sporting / Belenenses / F.C.Porto
1922 – Primeiro jogador do Belenenses na Selecção Nacional. Conquista da Taça O Século
1923 – Posse definitiva da imponente Taça dos Mutilados da Guerra
1924 – Conquista da Taça Camões
1925 – Vice Campeão de Lisboa
1926 – Campeão de Lisboa. Vice Campeão de Portugal
1927 – Campeão de Portugal. Vice Campeão de Lisboa
1928 – O Belenenses, com 4 atletas, é o clube mais representado na Selecção Nacional presente nos Jogos Olímpicos, no seu primeiro grande momento
1929 – Campeão de Portugal. Campeão de Lisboa. Pepe marca 10 golos num jogo do Campeonato de Lisboa, o que constitui record de todos os campeonatos. Pepe obtém 36 golos no Campeonato de Lisboa, marca máxima de todos os Campeonatos. O Belenenses passa a ser o clube com mais jogadores representados na selecção nacional de futebol, o que manterá até 1935. Augusto Silva torna-se capitão da Selecção Nacional.
1930 – Campeão de Lisboa, com record de golos marcados num só campeonato
1931 – Vice Campeão de Lisboa
1932 – Campeão de Lisboa. Vice Campeão de Portugal
1933 – Campeão de Portugal. Vice Campeão de Lisboa. Pela 6ª vez consecutiva, melhor ataque do Campeonato de Lisboa.

Em 1933, com 3 vitórias no Campeonato de Portugal (e ainda finalista em 2 outras edições e 4 vitórias no Campeonato de Lisboa), com o maior número de jogadores presentes na Selecção Nacional, o Belenenses é o 1º clube nacional em termos de poderio e sucessos futebolísticos (no mesmo período, o Benfica ganhara 2 Campeonatos de Portugal e 2 Campeonatos de Lisboa; o Sporting, 1 Campeonato de Portugal e 5 Campeonatos de Lisboa; o F.C.Porto, 3 Campeonatos de Portugal). Não havia dúvidas: afirmara-se claramente como um grande clube, uma força temida e respeitada. O entusiasmo e mística dos seus jogadores e da sua gente era proverbial. A celebração dos seus 14 anos de vida, foi um reflexo vibrante dessa natureza e dessa pujança. (Hoje em dia, e desde há umas duas décadas, com pequenas excepções, tem-se instalado exactamente o espírito oposto!... E essa, quanto a nós, é a grande doença do Clube).

* * *


Começa então, até ao início da década de 40, um período de obtenção e alargamento de estruturas, de ganhar corpo e solidez, de alargar o campo dos seus sucessos. É um ciclo de grandes realizações patrimoniais:

1931 - Inauguração do corpo central de bancadas no Estádio das Salésias. Abertura de delegação na baixa lisboeta.
1934 - Bancadas do Estádio das Salésias são aumentadas. Construção de Pista de Atletismo nas Salésias, a melhor do país.
1936 - Bancadas do Estádio das Salésias são aumentadas. Construção de Pista de Atletismo nas Salésias, a melhor do país
1937 - Salésias tornam-se 1º campo relvado de Portugal
1938 - Estádio das Salésias, o melhor de Portugal, é pela primeira vez palco de jogo da selecção nacional de futebol, que ali disputará todos os encontros realizados em Portugal até 1942
1939 - Estádio das Salésias aumenta capacidade para 21.000 pessoas
1940 - Inicia-se publicação de boletim mensal. Beneficiação da pista de Atletismo nas Salésias
1941 - Iluminação do Campo de Basquetebol nas Salésias (custeada integralmente por Acácio Rosa)

É, também, um ciclo de conquistas em outras modalidades além do Futebol:

1934 - Militão Antunes vence 1º Lisboa-Porto em Ciclismo
1936 - Campeão de Lisboa em Basquetebol Feminino. Campeão de Lisboa de Corta Mato, por Equipas. João da Silva Marques, Recordista Ibérico, em Natação. Joaquim Manique ganha o Campeonato Nacional de Fundo, em Ciclismo.
1937 - Campeão de Lisboa em Basquetebol Feminino. Campeão de Lisboa em Ténis de Mesa. João da Silva Marques, recordista nacional de 100, 200 e 400 metros bruços. Maria Júlia Silva, Campeã Nacional em Atletismo e Natação
1938 - Campeão de Lisboa em Basquetebol Feminino. Campeão de Lisboa de Ténis de Mesa. Campeão Nacional de Corta-Mato por Equipas. Manuel Nogueira, Campeão Nacional e de Lisboa de Corta Mato. Estafeta Cascais-Lisboa em Atletismo. Joaquim Manique, Campeão Nacional de Fundo, em Ciclismo
1939 - Campeão de Portugal em Basquetebol Masculino. Campeão de Portugal em Basquetebol Feminino. Campeão de Lisboa em Basquetebol Feminino (3ª vez consecutiva). Campeão Nacional de Corta-Mato por Equipas. Manuel Nogueira, Campeão Nacional de Corta Mato. Lucília Silva, Campeã Nacional em Basquetebol e Atletismo
1940 – Campeão de Lisboa de Andebol (de 11). Campeão Nacional e de Lisboa de Corta-Mato por Equipas. Manuel Nogueira, Campeão Nacional de Corta Mato e Campeão Nacional de 5.000 metros (pela 3ª vez) e 10.000 metros (pela 2ª vez) em Pista
1941 - Campeão de Lisboa de Andebol (de 11). Campeão de Lisboa, em Râguebi. Campeão de Lisboa de Juniores, em Basquetebol Masculino

Deve-se notar que, na altura, em muitas modalidades, ainda não havia Campeonatos Nacionais, pelo que o Campeonatos de Lisboa tinha quase a importância de um título nacional, pois fora do distrito de Lisboa a única grande força era o F.C.Porto.

É, ainda, um ciclo de progressivo e pioneira abertura ao desporto feminino (Natação, Atletismo, Basquetebol, Ciclismo, Hóquei em Campo...).

É um ciclo, enfim, de aumento significativo de sócios:

1926 – 1 660
1934 – 2 900
1936 – mais de 4 000
1945 – 6 800

No Futebol, como consequência dos investimentos referidos, o Belenenses teve menos sucesso do que nos anos anteriores mas, tanto no Campeonato de Lisboa, como no Campeonato da I Liga ou Campeonato Nacional, só uma vez baixou do 4º lugar, conquistou algumas 2ªs posições e foi habitualmente 3º classificado, continuando a marcar boa presença no Campeonato de Portugal até à sua última edição em 1938, e na sua sucessora, a Taça de Portugal:

1934 – 3º no Campeonato de Lisboa (melhor defesa)
1935 – 4º no Campeonato da I Liga mas chegando à última jornada em condições de ser Campeão e tendo tido o melhor ataque e a maior diferença de golos. 3º no Campeonato de Lisboa
1936 – 4º no Campeonato da Liga. Finalista do Campeonato de Portugal. 3º no Campeonato de Lisboa
1937 – Vice Campeão Nacional, lutando pelo título até à última jornada. Semifinalista do Campeonato de Portugal. 4º no Campeonato de Lisboa
1938 – 3º no Campeonato de Lisboa
1939 – 4º no Campeonato Nacional. 2º no Campeonato de Lisboa
1940 – 3º no Campeonato Nacional, com a melhor defesa. Finalista da Taça de Portugal. 3º no Campeonato de Lisboa

Com tudo isto, o Belenenses adquirira uma força sólida e estruturada, encarando com optimismo o futuro.