terça-feira, dezembro 14, 2004
O mercado invisível
Se os clubes com poder financeiro, que o têm maioritariamente porque vendem para o estrangeiro, voltam a fazer o dinheiro circular lá para fora, só marginalmente o futebol português conseguirá ganhar realmente algo com essa venda, por muito boa que ela seja. Repare-se no ridículo: Porto contrata Paulo Ferreira por 200.000 contos, vende-o passados 2 anos por 4.000.000 de contos (20 vezes mais!) e apressa-se a gastar esse dinheiro, na sua maioria, em jogadores estrangeiros. Mas o Paulo Ferreira, lateral campeão europeu de clubes e vice-campeão europeu de selecções, custou ao Porto 4 vezes menos que um “jeitoso” lateral Argentino, Hugo Ibarra, que nunca provou ser sequer um jogador de bom nível…
Antchouet, o nosso “querido trapalhão”, vale quanto aos olhos de um Benfica ou Sporting? 200.000 contos? E se ele jogasse num Neuxatel Xamax, Tirol Innsbruck, AZ Alkmaar ou La Louviére??? Aí seria uma pérola africana, “the next big thing”, um Eusébio em potência, e valeria 3 ou 4 vezes mais??? Como é possível um médio mediano como Rodrigo Tello (como ele há a pontapé na 2ª B) custar 1,6 milhões de contos, mas não darem os 100.000 contos da cláusula de rescisão de Neca há 2 anos atrás, na altura em que o jogador azul até estava na Selecção A? Estará também ligado ao facto de, passados 4 anos sobre a contratação do Chileno, vir a público que o clube de origem só recebeu 300.000 contos? Onde param os restantes 1,3 milhões???
Quantos e quantos jogadores fora do círculo dos 3 clubes com mais poder financeiro não têm capacidade para representar as suas cores? Então, a minha questão é: será que é uma questão estratégica, de forma a enfraquecer os que já à partida são mais fracos, não negociar com eles de forma justa? Será que Bossio é melhor que Marco Aurélio (que heresia!!!)? Será que Kmet é melhor que Wender? Será…?
Esta situação ridícula, em que todo o investimento é dirigido ao exterior por parte dos poucos que têm condições para dinamizar o mercado, leva a que o “mercado” pura e simplesmente não exista. Quantas transferências existem que não envolvam os 3 clubes com mais poder financeiro? Falo de transferências de jogadores que demonstraram valor onde estavam e por quem um clube pagou algum dinheiro “concreto”, não falo das típicas transferências portuguesas: o Hélder Rosário não vingou aqui vai para o Boavista, o Tiago não vingou no Benfica vai para o Leiria, o Cândido Costa não vingou no Porto vai para o Braga, etc, etc, etc… Isso não são transferências de um mercado normal, mas pura e simplesmente uma troca de “refugo” entre uns clubes e outros, isto sem por em causa o valor dos envolvidos, que muitas vezes se vem a manifestar no clube seguinte. Faz lembrar os leilões de automóveis usados, maioritariamente utilizados por negociantes do ramo para “rodarem” carros com pouca saída.
Para mim, esta situação resulta claramente de uma tentativa de estrangular os pequenos levada a cabo pelos grandes. Mas não é só aqui que quero chegar. É que nem para o estrangeiro se consegue vender um jogador por uma verba decente, pois toda a Europa sabe que jogadores portugueses, excepto dos 3 clubes maiores, são a maior “pechincha” que existe! Por dois motivos óbvios: se os maiores clubes do país não pagam nada por eles, então é de desconfiar ; se aparece um qualquer Albacete, Al-Alhy ou Wolves com meia dúzia de tostões, eles são essenciais para pagar os 4 meses de ordenados em atraso mais as reparações na bancada que está quase a cair, e o que sobra ainda dá para mais 3 ou 4 brasileiros!!!
Imaginemos que Antchouet jogava no AZ Alkmaar, da Holanda, um campeonato ao nível do nosso em termos de expressão europeia. Imaginemos que levava 10 golos nesta altura do campeonato, depois de ser o melhor marcador da equipa nos últimos 2 anos, tinha 24 anos e um futebol que, mais ou menos trapalhão, é eficaz. Imaginemos agora que o mesmo Nantes que anda “de olho” em Antchouet, do Belenenses, andava de olho no Antchouet do AZ Alkmaar… parece-vos que o valor de um e outro são iguais? Não falo do valor técnico, que é exactamente igual. Falo daquilo que o Nantes estará disposto a pagar. Tirem as vossas conclusões.
Mas já que falo do Nantes, é engraçado analisarmos o campeonato Francês. De facto, é comum dizer-se que é um campeonato menor da Europa (como o nosso), mas apesar disso as suas equipas fazer sempre boa figura nas competições europeias e com um dado adicional: hoje é o Lyon, amanhã o Bordéus, ontem o PSG, ante-ontem o Saint Ettiene e depois de amanhã o Mónaco. E pelo meio, o Lille faz uma surpresa, o Grenoble levanta a Taça e o Rennes é campeão. Ah, e se for preciso ainda há tempo para o Ajaccio erguer a Taça Intertoto. Comparem com o nosso campeonato. Questionem o porquê…
É um facto que os melhores jogadores franceses não jogam em França. Aliás, quase a totalidade da selecção francesa que encantou o mundo há uns anos jogava no estrangeiro. No entanto, as equipas francesas mantiveram sempre uma prestação constante e são sempre um adversário complicado e com bons jogadores, muitos franceses e alguns estrangeiros de bom nível. É até curioso que as maiores figuras do campeonato sejam estrangeiros, e por vezes jogam em equipas do meio da tabela. Mas isso resulta de em França haver um mercado interno que é claramente abastecido pelas vendas dos melhores jogadores para o estrangeiro, receita essa que em grande parte é investida no mercado interno. E, dessa forma, encontramos clubes com disponibilidade financeira (hoje uns, amanhã outros) para investirem em jogadores de qualidade, e não nos famosos “contentores de brasileiros”, na esperança que apareça mais um Deco no meio de cada 1.000 ou 2.000 que demandam a terras lusas. E cria-se um ciclo vicioso que só pode dar frutos.
Mas volto a repetir: parece-me mais do que o eterno provincianismo português (o que vem de fora é que é bom), uma estratégia de quem “manda” no futebol português. Mas isto está a mudar, e quando um dos 3 andar a lutar para não descer e perceber que o que Mourinho disse pode ser verdade (com 3 jogadores do Leiria pode-se ser campeão), se calhar já vão tarde de mais… espero bem que sim.
segunda-feira, dezembro 13, 2004
Agenda osbelenenses 2005
Por apenas 3,00 €, pode ter sempre consigo:
Agenda pessoal para 2005
Palmarés, Modalidades e Efemérides
Futebol, Râguebi, Andebol e Futsal
Calendários, Resultados e Estatísticas
À venda na Loja Azul, Papelaria (no complexo de piscinas) ou por encomenda por correio electrónico utilizando o seguinte endereço: newsletter@osbelenenses.com, indicando o nome e morada para envio à cobrança (custos de envio a cargo do comprador)
Sabia que...
- em 4 de Maio de 2003, o Belenenses sagrava-se Campeão Nacional de Râguebi pela 5ª vez?
- em 27 de Outubro de 1929, o nosso saudoso Pepe marcava 10 golos num só jogo oficial, a contar para o Campeonato de Lisboa?
- em 26 de Maio de 1946, o Belenenses conquistava o Campeonato Nacional da 1ª Divisão em Futebol?
- o Belenenses ganhou 8 Campeonatos Nacional de Andebol em Juniores?
- o Belenenses foi várias vezes Campeão de Portugal de Atletismo, em Equipas Femininas?
- na Semana 8 de 2005 (14 a 20 de Fevereiro), se joga a Jornada 22 da Superliga, com o F.C. Porto, e que em 66 jogos efectuados no Restelo, o Belenenses venceu 26, empatou 17 e perdeu 23?
- que se joga nessa mesma semana a Jornada 18 da Liga TMN em Basquetebol, deslocando-se o Belenenses à Madeira para jogar com o CAB?
- que o Belenenses recebe o Vitória de Setúbal no Pavilhão Acácio Rosa, a contar para a jornada 17 do Campeonato Nacional da 2ª Divisão, Série B de Futsal?
Por apenas 3,00 €

Publica-se este ano, pela primeira vez, a agenda osbelenenses.
Nela se pode encontrar tudo o que de essencial consta, habitualmente, das agendas pessoais que, na transição de ano, a maior parte de nós se acostumou a adquirir.
Mas há muito mais do que numa vulgar agenda:
• Apresentação institucional do Clube, com informações úteis, descrição do complexo desportivo, nº de sócios, de praticantes e de troféus conquistados, bem como um resumo do seu riquíssimo palmarés em algumas das principais modalidades.
• Calendários e Plantéis do futebol jovem ao profissional, bem como os do Andebol, do Basquetebol, do Futsal e do Râguebi. Tudo quanto é essencial para acompanhar e registar as épocas dessas diferentes modalidades.
• Agenda semanal resumindo as actividades desportivas em cada semana, incluindo a estatística do encontro da Superliga marcado para a semana respectiva.
• Mais de 300 efemérides, dispostas ao longo dos dias, recordando factos notáveis da vida do Belenenses e suas figuras carismáticas.
Quem adquirir esta edição (aliás, por um valor muito acessível) estará também a contribuir para o desenvolvimento e propaganda do clube e das suas actividades. Sendo esta edição uma iniciativa de um grupo de Belenenses, a mesma não tem fins lucrativos individuais, revertendo o lucro da venda para o clube, na forma de donativo.
Se compramos agendas pessoais e cadernos desportivos todos os anos, por que não adquirir algo que tem um superior conteúdo, ajudando um pouco o nosso clube? Por isso atrevemo-nos a sugerir:
A agenda está à venda na Loja Azul e na Papelaria (complexo de piscinas). Em alternativa, pode proceder à encomenda por correio electrónico, enviando o seu pedido para newsletter@osbelenenses.com, indicando o seu nome, a quantidade desejada e a morada para envio à cobrança (custos de envio a cargo do comprador).
Notas soltas... Benfica

Algumas notas sobre o jogo de ontem:
- Grande vitória, mas como o nosso treinador disse são só 3 pontos. Foi apenas um jogo.
- Temos o segundo melhor ataque da Superliga com 25 golos mas apenas o 6º melhor goal average (+4).
- Já nos jogos em casa, temos o melhor ataque e o melhor goal average com 18 golos marcados e 7 sofridos.
- Relativamente ao campeonato do ano passado temos os mesmos 18 pontos à 14ª jornada.
- Antes desta jornada Antchouet tinha marcado cerca de 43% (9 em 21) dos golos do Belenenses. Agora tem 40% (10/25). Ou seja, estamos a ficar menos dependentes do goleador gabonês.
- Gostei muito das exibições de Anderson e dos golos do José Pedro.
- O equipamento utilizado, que ouvi dizer que se chama "Equipamento Pepe", é lindo! Parece que vai ficar disponivel em Janeiro. Podem reservar 1 para mim!
domingo, dezembro 12, 2004
4-1... vitória normal da melhor equipa.

Esta noite, o Belenenses deu uma lição de futebol ao Benfica, que tem um orçamento 8 ou 9 vezes superior. Foi uma vitória normal e tranquila de uma equipa claramente superior e que teve na equipa de arbitragem o adversário mais complicado. No entanto, a espaços com futebol absolutamente delicioso, controlámos completamente o jogo e poderíamos ter marcado ainda mais 2 ou 3 golos, no que valeu ao Benfica a classe de Moreira.
Com Simão "desaparecido", fruto de uma marcação brilhante de Amaral (à meia hora Trapattoni colocou-o à direita, mas mesmo aí Cabral chegou "para as encomendas"), só mesmo Moreira valeu ao Benfica neste jogo. De resto, foi uma equipa completamente manietada e sem qualquer ponta de categoria aquela que hoje visitou o belíssimo Estádio do Restelo. Só Carlitos, entrado na 2ª parte, conseguiu jogar futebol, e dos seus pés nasceu o único golo dos encarnados.
Mas a lição mais importante a tirar deste jogo penso que foi entendida por Carvalhal: Andersson tem de jogar com um trinco a sério atrás, e aí temos equipa para sonhar! Pelé fez um jogo belíssimo e deu oportunidade a que Andersson brilhásse, sendo o motor de uma equipa, esta noite, demolidora. Está visto Mister, temos de jogar com um trinco a sério. Ainda bem que anda a ler os Blogs!
Parece-me injusto destacar pela positiva ou negativa algum jogador azul neste jogo, mas gostava de fazer 2 ou 3 comentários: José Pedro fez finalmente um bom jogo, de luta, entrega e lucidez ; Andersson jogou finalmente onde sabe e fez uma exibição deliciosa ; Wilson, tantas vezes por mim criticado, fez um jogão e assim tem lugar de caras no onze ; e por fim, obrigado por aquele toque de classe Antchouet!
Relativamente ao público, estava um estádio bem composto, com umas 15.000 a 20.000 pessoas. O público azul esteve inexcedível nesta partida, também porque a equipa acabou por "puxar" por ele. Esperemos que o público continue a cantar do início ao fim dos jogos, contra todos os adversários e também contra as adversidades. Só me entristece ouvir no fim do jogo os eternos insatisfeitos que acham que jogámos mal porque podíamos ter ganho por mais, porque tivemos sorte, por isto e por aquilo. É por este desvalorizar das nossas conquistas que andamos numa travessia de deserto há 50 anos. É pela falta de orgulho no que conseguimos. Venha o Nacional e vamos lá jogar assim, e a vitória espera por nós.
Para finalizar, a arbitragem. Podem dizer que não nos podemos queixar, que o penalty foi assinalado, e tudo o mais. Mas que foi tendenciosa é inegável. Paulo Paraty fazia de tudo para conseguir livres em frente à nossa baliza, para poupar amarelos ao Benfica e "dá-los" ao Belenenses. O lance entre Petit e Cabral na 2ª parte em que o nosso jogador é amarelado e Petit não vê o 2º amarelo é uma das anedotas desportivas do ano. Aliás, a Petit foi perdoada a expulsão pelo menos duas vezes. Bem como a Fyssas, cujo cartão amarelo deveria ser o 2º, logo minutos após uma entrada vergonhosa sobre Amaral que entrava completamente sozinho na área. E também Manuel dos Santos, nos últimos minutos, deveria ter sido expulso por falta sobre Antchouet. Mas, na minha opinião, bem pior que isso foi o apitar constante a favor do Benfica e a inclinar o campo para a nossa baliza. Mas quando se é incontestavelmente superior a uma equipa banalíssima...
PARABÉNS A TODOS, jogadores, equipa técnica e adeptos. A continuar assim, podemos de facto sonhar!
Vitória!!! Belenenses, 4 - Benfica, 1

O Belenenses bateu esta noite o Benfica or 4-1, no nosso magnífico Estádio do Restelo. Os golos foram apontados por Zé Pedro (2), Antchouet (1) e Lourenço (1 g.p.).
sábado, dezembro 11, 2004
Oportunidade única!
O Belenenses tem todas as condições para se superiorizar ao Benfica nesta partida, bastando para tal jogar concentrado, com garra e ambição do primeiro ao último minuto. O nosso ataque terá pela frente uma dupla de centrais em que Argel avança de exibição desastrosa em exibição desastrosa e terá a seu lado um miúdo de 19 anos que se vai estrear... o que podemos querer mais? Para além disso, um dos principais jogadores do Benfica nesta temporada, Manuel Fernandes, está castigado...
Temos de encarar este jogo com uma nova postura que teima sempre em fugir das equipas azuis: garra e ambição. Vemos Estoril, Rio Ave ou Académica jogarem contra os "3 do costume" como se fosse o jogo das suas vidas. Não custa assim tanto, são 11 para 11, 22 braços e 22 pernas de cada lado. Já sabemos que normalmente eles têm mais 3 jogadores na equipa (é preciso referir quem?), mas como os jogadores medíocres que têm, talvez dê para compensar e continuarem a ser 11 para 11. Só temos de QUERER ganhar. E jogar futebol.
Espero sinceramente que não se repita a táctica de Alvalade, de tentar segurar o empate até ao intervalo e só depois tentar no contra-ataque qualquer coisa. Este Benfica é fraco e tem de ser posto sobre pressão, nomeadamente tirando-lhes o controlo do jogo (o que é especialmente difícil, ainda para mais com Manuel Fernandes de fora).
Gostava muito de ver as bancadas repletas de azul. Serão distribuídos 5.000 balões azuis, mas espero que sejam pelo menos o dobro de adeptos azuis. A ver vamos...
A confiança reina entre o plantel
Numa rápida troca de palavras com Marco Aurélio, Eliseu, Pelé e Tuck, foi fácil perceber que há para amanhã um espírito de vitória no seio da equipa, que se espera "transpire" para as bancadas, onde o público TEM de apoiar a equipa. Aliás, entrevistei hoje Pelé para o Jornal do Belenenses, e há uma frase que ele disse e que me parece ser importante, pelo que aqui vai a inconfidência em primeira mão: "acho que muitas vezes o público até começa por ajudar no início do jogo, mas à mais pequena infelicidade passa para uma postura de contestação que acaba por não ser a melhor ajuda." Já agora, não se esqueçam de ler o Jornal deste mês onde poderão ler a entrevista completa.
Não nos podemos esquecer nunca do nosso papel de adeptos. E por muito que não gostemos do jogador X, do treinador Y ou da táctica Z, é o nosso clube que está em campo e ele precisa do nosso apoio. Portanto, vamos perder a vergonha e vamos todos cantar, aplaudir, pressionar o adversário, gritar, rir e chorar. Estamos num jogo de futebol, não estamos na ópera.
sexta-feira, dezembro 10, 2004
SOLIDARIEDADE: DÊ UM POUCO DO QUE TEM... A QUEM NADA TEM

Tal como nos anos anteriores, e depois dos sucessos obtidos reconhecidos pelas entidades públicas, a Fúria Azul organiza mais uma vez uma campanha de solidariedade tendo em vista a ajuda de aqueles que mais precisam.
Este ano a campanha destina-se a apoiar a Instituição de Solidariedade de Carnaxide, que realizam um bom trabalho com crianças e jovens, mas como associação sem fins lucrativos que são, precisam de apoio.
Como estamos em época festiva, a Fúria Azul vai ajudar da maneira que pode e pede a todos os sócios que se associem a esta iniciativa.
A recolha de brinquedos e/ou livros terá lugar no Estádio do Restelo dia 12 de Dezembro no jogo Belenenses - Benfica.
Todo material entregue será dado á instituição social que por sua vez será oferecido ás crianças e jovens e que de igual forma permitirá o aumento da sua biblioteca e a dinamização do seu ATL.
De uma forma tão facil e simples podemos ajudar algumas crianças.
Junta-te à Fúria Azul nesta campanha solidária, contribui para um Natal melhor e ajuda-os a ajudar quem precisa !
O Blog do Belenenses agradece ao Blog Armada Azul por nos ter notificado!
quinta-feira, dezembro 09, 2004
Palavras que foram ditas... 31 - (DES)PUDORES

No jornal “A Bola”, de 21 de Novembro de 2004, escreveu o nosso consócio Homero Serpa palavras que merecem amplamente ser citadas:
"Claro que já ouvi histórias semelhantes no passado e, até, assisti a factos intrigantes, que concederam e tiraram títulos nacionais. O meu clube, o Belenenses, do qual não falo aqui com a insistência que vejo noutras crónicas em relação a outros emblemas, protegidos e abençoados pelas audiências, que são tão vastas que me dão a ideia do país ser, agora, habitado aí por uns vinte milhões de cidadãos, o Belenenses, dizia eu, perdeu, pelo menos, um campeonato devido a misteriosos erros de arbitragem.
Ainda, outro dia, o Carlos Gomes, antigo e bom guarda-redes do Sporting, confirmou um desses lapsos no célebre jogo dos quatro minutos, nas Salésias. Carlos Gomes contou um episódio autêntico, eu poderia ir lá atrás, montado na máquina do tempo, e descobrir situações semelhantes. Mas se nem a cruz de Cristo salvou o Belenenses de injustiças, por que razão havia eu de trazer a estes modernos tempos atitudes premeditadas ou apenas casuais impeditivas dos êxitos do Belenenses com óbvios reflexos na caminhada dos clubes? O iconoclasmo ficou assim a manchar pessoas, o problema é saber-se se de facto as melindrou ao ponto de sentirem remorsos, creio que não, uma vez que foram procedimentos ardentemente perfunctórios."
Nestes dois magníficos parágrafos, o grande Homero Serpa põe a nu dois pontos do maior interesse para nós:
1º O contraste entre o pudor – o escrúpulo – com que belenenses como ele falam do clube quando escrevem para jornais que se supõem independentes (mas onde se podem encontrar gabinetes cheios de adereços do Benfica...adiante...), e o despudor e o inescrúpulo com que adeptos de alguns outros clubes se pronunciam. O mais grave é que Homero, quando fala, assume claramente que é do Belenenses, como, justiça seja feita, faziam no passado Ribeiro dos Reis, Aurélio Março e Carlos Pinhão relativamente ao Benfica, ou Vítor Santos e Carlos Miranda, relativamente ao Sporting. Hoje, o que assistimos, nos jornais desportivos e não só, é à mais venenosa de todas as práticas: sob a máscara, debaixo do fingimento da independência, jornalistas medíocres e ignorantes, fazem a propaganda descarada dos seus cubes...mas são imparciais! Subtil mas certeiramente, Homero Serpa denuncia esse facto.
2º Como relatamos pormenorizadamente em outro artigo, esteve o Belenenses várias vezes em condições de ser campeão, para além daquela época em que conquistámos o título. E, em alguns casos, situações anómalas impediram-nos de alcançar esse objectivo. Se tivesse sido com outros clubes, seriam escândalos nacionais, até hoje. Mas assim... O facto é que essas anomalias sucederam e, sem elas, o presente poderia, talvez, ter sido bem diferente...
Campeonatos que quase se ganharam
Espero que todos os Belenenses saibam (será que todos sabem?) que ganhámos 1 Campeonatos Nacional (em 45/46) mas serão muito menos os que saberão as outras ocasiões em que também estivemos à beira de obter o título. Parece-nos importante deixar isso claramente expresso, fazendo um resumo dessas situações:
ÉPOCA DE 34/35 – Foi o primeiro Campeonato da chamada I Liga. Há que mo conte no número dos Campeonatos Nacionais (o que parece lógico, apesar da diferente designação), há quem não conte.
Esteve quase a ser um excelente começo para o Belenenses. No final do Campeonato, os 4 primeiros ficaram assim escalonados:
1. F.C.Porto – 22
2. Sporting – 20
3. Benfica – 19
4. Belenenses – 19
No entanto, a três jornada do fim, o Belenenses liderava, com 18 pontos, seguido do Sporting com 17, e do F.C.Porto e do Benfica com 16. Uma derrota contra o Benfica tornou as coisas mais difíceis mas, à entrada da última jornada, o Belenenses ainda podias ser campeão, encontrando-se a 1 ponto do Porto e do Sporting. No entanto, a vitória do F.C.Porto e a nossa derrota nessa última jornada deitaram tudo a perder e acabámos no 4º lugar, contra toda a expectativa gerada.
ÉPOCA DE 1936/37 – no 3º Campeonato (da Liga), a duas jornadas do fim, o Benfica comandava com 22 pontos, seguido do Belenenses com 19. Na penúltima jornada, o Belenenses venceu o Benfica por 1-0, nas recém arrelvadas Salésias (1º Estádio de Portugal com essa qualidade), através de um golo de Varela Marques. Ficou assim tudo em aberto para a última jornada, com o Belenenses só a um ponto dos encarnados, esperando que estes não ganhassem o seu encontro com o F.C.Porto, nas Amoreiras – o que não seria nenhum milagre, a acontecer...
Mas não sucedeu o que, ao contrário, veio a ocorrer 18 anos depois. O Benfica goleou o F.C.Porto, e a classificação final ficou assim ordenada:
1. Benfica – 24
2. Belenenses – 23
ÉPOCA DE 1942/43 – Depois de um período de grande expansão patrimonial (1934, expansão das bancadas e construção de pista de Atletismo, a melhor do país, nas Salésias; cobertura da bancada central, em 1936; arrelvamento do campo, em 1937; expansão das bancadas em mais 5.000 lugares de peão, aumentado a lotação para 25.000, em 1939; início de publicação de excelente boletim mensal e beneficiação de Pista de Atletismo, em 1940; iluminação do campo de Basquetebol, em 1941), o Belenenses iniciou em grande a década de 40. Em 39-40, 40-41 e 41-42, foi 3º, nos dois primeiros casos com a melhor defesa do campeonato. Em 42/43, a classificação final ficou assim ordenada:
1. Benfica – 30
2. Sporting – 29
3. Belenenses –28
4. União de Lisboa – 20
5. Olhanense – 18
6. Académica – 16
7. F.C.Porto– 14
8. V.Guimarães – 14
9. União do Barreiro – 10
10. Leixões - 2
Mas, a dizer a verdade, o Belenenses teria sido um justo vencedor. Fez uma carreira extraordinária. Teve o melhor ataque, a melhor defesa, e o melhor goal-average: 78-20. Em casa, contou por vitórias os jogos disputados. Goleou o Sporting por 5-0, o F.C.Porto por 4-0 e o Benfica por 5-2. E venceu ainda o Unidos de Lisboa por 2-0; o Olhanense, por 8-0; a Académica, por 2-0; ao V.Guimarães, por 12-0; o Unidos do Barreiro, por 5-2 e o Leixões por 2-0. Deve-se destacar o nosso goleador Rafael (Campeão em 1946), que assinou 20 golos em 18 jogos.
Somando os golos nos jogos do Belenenses disputados em casa e fora de casa, o Belenenses superou todos os outros clubes participantes:
Belenenses – Benfica – 7-6
Belenenses – Sporting – 6-2
Belenenses – União de Lisboa – 7-0
Belenenses – Olhanense – 12-0
Belenenses – Académica – 6-2
Belenenses – F.C.Porto – 5-3
Belenenses – V.Guimarães – 13-3
Belenenses – Unidos do Barreiro – 13-2
Belenenses – Leixões – 9-2
Então, porque perdemos o campeonato?
Duas arbitragens vergonhosas foram decisivas: justamente as que ditaram as nossas derrotas em casa do Sporting e do Benfica. No primeiro caso, com um golo injustamente anulado ao Belenenses; no segundo caso, com 2 penalties para o Benfica que só existiram na imaginação do árbitro. Bem diz o Homero Serpa...
Ainda assim, à entrada da última jornada, a 2 pontos do Benfica e a 1 ponto do Sporting, com o Benfica a jogar fora e dispondo nós de vantagem sobre ambos os adversários em caso de empate, podíamos ainda ser campeões.
E essa hipótese parecia ganhar consistência a 45 minutos do fim. Ao intervalo o Belenenses ganhava tranquilamente ao Leixões, o Sporting estava em dificuldades com o Unidos do Barreiro, e o Benfica estava a sofrer (e empatado) em Coimbra, contra a Académica. No final, porém, o Benfica ganhou por 4-3, e o Sporting acabou por se desembaraçar, vencendo por 5-1, de pouco ou nada valendo o triunfo do Belenenses sobre o Leixões por 5-0.
ÉPOCA DE 51/52 – Nesta época, que se iniciou com uma vitória por 4-3 sobre o campeão Sporting, com 2 golos de Matateu na sua estreia oficial, a classificação final ficou assim ordenada:
1. Sporting – 41
2. Benfica - 40
3. F.C.Porto - 36
4. Belenenses – 36
5. Boavista - 25
6. Covilhã - 25
A três jornadas do fim, o equilíbrio dos 4 primeiros era total: estavam empatados com 35 pontos! E o Belenenses, em caso de empate, seria sempre o vencedor, em todas as circunstâncias. Mas as últimas jornadas não nos correram de feição.
Refira-se, contudo, que o Belenenses concluiu o campeonato invicto em casa, cedendo apenas 2 empates, e que, no cômputo dos 2 jogos, tinha vantagem contra todas as equipas, com excepção do F.C.Porto e do Atlético, com os quais registou igualdades por 2-1 em todos os jogos.
ÉPOCA DE 54/55 – Foi o famoso campeonato que o Belenenses perdeu a 4 minutos do fim. A classificação final ficou assim:
1. Benfica – 39
2. Belenenses – 39
3. Sporting – 37
4. F.C.Porto – 30
Reproduzo aqui, com ligeiras alterações, o que em tempos escrevi:
“As ruas de Belém – de Belém e da Ajuda, particularmente as contíguas ao Estádio das Salésias – haviam-se coberto, tinham-se engalanado de bandeiras, de colchas, de flores, e de símbolos e cores azuis para o que deveria ser a festa do 2º título de Campeão Nacional do Belenenses.
Mas, fatidicamente, aquele fim de tarde de um Domingo no fim de Abril de 1955 haveria de terminar não na festa sonhada e merecida mas num mar de lágrimas... o dia em que Belém se encheu de lágrimas!
Por ironia do destino, foi a segunda vez que Belém assim chorou de tristeza, revolta e impotência, e a primeira fora 24 anos antes, com a morte daquele com cujo nome, justamente, se baptizou o Estádio das Salésias, onde se viveu o drama daquele 24 de Abril de 1955: José Manuel Soares “Pepe”.
Infelizmente, muitos dos que presenciaram aquele acontecimento já não estão entre nós e, portanto, (já) não há assim tantos que tenham assistido ao vivo e que, portanto, conservem na memória, tanto a dos sentidos como a da alma, o que nós só podemos imaginar, com o que nos contaram, com o que lemos.
Mas... tentemos, sim, imaginar, tentemos situar-nos nessa tarde. Faltam 4 minutos – só 4 minutos! – para terminar o último jogo desse Campeonato Nacional; o Belenenses está a ganhar 2-1 ao Sporting, essa vitória assegura-lhe o título, os verdes estão praticamente conformados, os jogadores da camisola azul com a Cruz de Cristo trocam a bola entre si, guardam-na (sobretudo o mestre Di Pace, exímio nisso, com a sua fina técnica), esperando o apito final do árbitro. O Belenenses parecia irresistível: depois de um mau começo de campeonato, uma arrancada extraordinária, uma grande sucessão de vitórias, a chegada ao 1º lugar, a sua manutenção, a vitória no último jogo, frente a um rival forte, mais um título, a reafirmação da grandeza, da força, da alma belenense... E imaginemos, porque é assim que nos contam: as ruas cheias de flores, bandeiras e colchas nas janelas e nas sacadas, em sinal de apoio, o clamor “Belém! Belém! Belém!” (sempre o nosso grito de guerra, seja em raiva ou em triunfo), os chapéus que se atiram ao ar em sinal de júbilo, os abraços que se trocam, os foguetes que estalam à volta do estádio... E de repente, sem que nada o fizesse esperar, numa jogada inverosímil, o Sporting empata, e oferece o título ao Benfica... e os corações azuis estilhaçados, pelo menos dilacerados, com a força do destino que nos atingiu tão duramente, como nunca fizera, nem voltou a fazer, a nenhum outro clube português!
O Belenenses não começara bem o campeonato e, à 7ª jornada, já estava a 5 pontos do Benfica. Após uma reaproximação, perdeu à 12º jornada com o Braga, em casa, ficando a 4 pontos do líder Benfica, e a 3 do Sporting e do Braga (e, já agora, com 1 ponto de vantagem sobre o F.C.Porto). Então, começa a cavalgada belenense, com vitórias seguidas, ambas fora, sobre o Sporting (2-1) e sobre o Porto (1-0), na última jornada da 1ª volta e na primeira da 2ª volta. Até ao final, foram 14 jogos seguidos sem perder, com apenas 3 empates, incluindo o do último jogo, e também o que disputou no recém-inaugurado Estádio da Luz (0-0), à 20ª jornada. O Belenenses alcançou a liderança à 23ª jornada, vencendo o Sporting da Covilhã por 4-0 enquanto o Benfica perdia por 3-0 com o F.C.Porto. Nas 24ª e 25ª jornadas, com vitórias sobre o Lusitano de Évora (2-0, em casa) e sobre o Braga (3-2, fora), o Belém manteve a liderança.
Assim, à entrada da 26ª e última jornada, o Belenenses estava em 1º lugar com 38 pontos, o Benfica vinha a seguir com 37, o Sporting ocupa o 3º lugar com 36. Só o Belém depende de si próprio para ser campeão. Sê-lo-ia ganhando ao Sporting, ou até empatando, caso o Benfica, na Luz, não ganhasse ao Atlético. O Benfica depende do resultado do Belenenses. Poderia ser campeão se, nessa última jornada o Belenenses perdesse e eles empatassem ou se, como aconteceu, ganhassem e o Belenenses empatasse. O Sporting ainda tinha hipóteses mas muito remotas. Para conquistar o título, teria que combinar dois factores: ganhar ao Belenenses e esperar que o Benfica perdesse.
E como foi essa última jornada? O Benfica ganhou ao Atlético por 3-0 mas convencido de que tal vitória de nada lhe valia (na altura, quase não havia transístores portáteis para ouvir os relatos). Porque, entretanto, o que se passava no Estádio José Manuel Soares Pepe (Salésias)?
O jogo começou da melhor maneira para nós. Logo aos 2 minutos, Perez marcou para o Belenenses, após centro de Dimas. Tudo bem encaminhado… até aos 17 minutos: Penalty contra o Belenenses, por falta desnecessária (os nervos?...), e o empate para o Sporting. Aos 31 minutos, o primeiro caso do jogo: Di Pace bateu o guardião sportinguista mas o árbitro anula o golo, e parece que bem, por mão do mestre argentino.
Aos 42 minutos, regressa a alegria: Matateu, de cabeça, após centro de Dimas, volta a pôr o Belenenses a ganhar por 2-1. E assim se chegou ao intervalo.
Na 2ª parte, mais dois ou três lances polémicos: mais um golos anulado ao Belenenses, uma bola que terá estado dentro da baliza sportinguista e que o árbitro não considerou golo e ainda um eventual penalty (não assinalado) sobre Matateu. O desafio corria célere para o final, e quase só se jogava no meio campo do Sporting, que não criava qualquer jogada de perigo, enquanto o Belenenses perdera já algumas oportunidades de fazer o 3º golo. Então, aos 86 minutos, houve um ataque do Sporting, através de um lançamento longo, um defesa do Belenenses (Figueiredo, segundo ouvi contar) terá escorregado, há um primeiro remate de um jogador do Sporting a tabelar num defesa azul e a sobrar para Martins, que empatou, apesar da tentativa desesperada de Martins.
Terminado o jogo, os jogadores belenenses ficaram muito tempo em campo, incrédulos, muitos banhados em lágrimas, alguns prostrados no chão, em desânimo e angústia.
E em lágrimas permaneciam ainda muitos já nas cabinas, num silêncio tremendo, enquanto o nosso treinador Fernando Riera, segundo se contou no jornal “A Bola” do dia seguinte, “bastante nervoso, media a cabina a passos largos, pontapeando de quando em vez uma hipotética bola…”. Segundo confessou 40 anos mais tarde em entrevista ao mesmo jornal, arrependia-se de não ter feito recuar mais alguns jogadores, para segurar o resultado. E à mesma distância, dizia: “De todo o coração, digo que o Belenenses foi o meu primeiro e grande amor futebolístico”.
No lado do Sporting havia alguém que, tendo cumprido o seu dever profissional, tinha igualmente o coração despedaçado, porque era o azul de Belém que ele amava: D. Alejandro Scopelli, o grande jogador belenenses dos anos 30 e 40, e mais tarde, em 72/73, o treinador que nos conduziu a um outro 2º lugar.
Após o jogo recusou-se a prestar declarações; à noite telefonou a Riera, manifestando o seu pesar. No dia seguinte, foi procurar o seu amigo belenenses Calixto Gomes e, com ar triste e abatido, pediu desculpa pelo sucedido! Três dias depois, presta então declarações públicas, ao jornal “A Bola”. E fê-lo nestes termos, que mostram bem por que equipa, no fundo do coração, ele realmente torcia: “A minha opinião é a de que o Belenenses adoptou o melhor sistema para a sua equipa. A prová-lo está o facto de a sua baliza não ter, verdadeiramente, passado por momentos de grande perigo. O golo de Martins saiu duma jogada confusa. Com a vantagem de 2-1, os jogadores do Belenenses cobriram bem a bola e lançaram bons contra-ataques que poderiam ter dado, sem favor, outro golo. Creio, sinceramente, que o plano do jogo era o melhor e se o resultado tivesse terminado 2-1, como podia ter acabado, todos agora elogiariam o sistema”.
E, a terminar, foi ainda mais claro: “Falei como profissional. Agora, no aspecto sentimental, confesso que o resultado não foi o melhor e lamento muito que o Belenenses, que tinha feito o bastante para ser campeão, não tenha conseguido o seu objectivo”. Alejandro Scopelli, um belenenses eterno!
É impossível não pensar como teria sido o futuro do Belenenses se não tivesse havido aquele acidente. Foi numa altura crucial e, por isso mesmo, muito má: pouco depois consumar-se-ia o abandono das Salésias, em que tanto se investira em termos de dinheiro, de esforço e de coração, abandono arbitrariamente imposto por um alegado plano de urbanização que nunca se efectivou; construiu-se, a partir de uma pedreira, o Estádio do Restelo (que valorizou todo o espaço circundante, o qual passou a ser zona de luxo, valorizando/inflaccionando em flecha os terrenos, com que a Câmara fez ricos negócios de venda), e tudo o que se investiu no novo estádio deixou o clube com uma dívida enorme que se tornou galopante, com terríveis consequências; estava a chegar a época do verdadeiro profissionalismo, ainda que não tão “feroz” como o de hoje; em breve viriam as competições europeias, com toda a projecção que trouxeram aos clubes que nelas podiam brilhar, situação que o Belenenses não teve condições de aproveitar. Se tivesse ganho esse título, haveria um Belenenses mais forte para enfrentar todos esses desafios, para continuar a ombrear lado a lado nas compitas com os seus rivais tradicionais, especialmente os de Lisboa, isto é, o Benfica e o Sporting. Repare-se que se tivesse ganho aquele título, o Belenenses passaria a ter 2 vitórias num total de 17 campeonatos, ficando o Benfica com 4, o Sporting com 9 e o F.C.Porto também com 2 (se não considerarmos as 4 edições experimentais da I Liga, com 3 títulos do Benfica e 1 do Porto): um manifesto equilíbrio, embora com o Sporting, então, destacado. E quem pode dizer o que seria o futuro do Benfica que, desde 44-45, só tinha sido campeão em 49-50, indo os restantes campeonatos para o Sporting e o Belenenses?
Tudo indica, pois, que hoje teríamos um Belenenses com mais força, com mais sócios e simpatizantes (porque, queiramos ou não, mesmo num clube como o Belenenses, são as vitórias que trazem mais adeptos....), com mais títulos no seu palmarés. Em contrapartida, não teríamos nos nossos anais esse episódio tão único, simultaneamente tão triste e tão belo, que afinal também faz parte da caracterização do Belenenses; nem teríamos talvez este tão entranhado sentimento de amor feito de resistência, porque muito da nossa história é um combate pela sobrevivência, contra as adversidades de todo o género. Como escreveu um dia, num belo editorial, Alexandre Pais, ao tempo director do Jornal do Belenenses: “O evitar do cataclismo tem sido o milagre permanente deste clube nobre e atormentado, tantas vezes infeliz”…
Entretanto... 50 anos depois (mais vale tarde que nunca...), ficou claro que não foi apenas o infortúnio mas erro(s) da arbitragem que tirou aquele título ao Belenenses.
No jornal “A Bola” de 23 de Outubro de 2004, o guarda redes sportinguista naquele jogo, o grande Carlos Gomes veio afirmar de modo inequívoco que num dos lances polémicos (que faria 3-1 para o Belenenses), a bola esteve mesmo dentro da sua baliza, claramente, pelo menos 20 centímetros além da linha. Só que o árbitro não viu(?). E assim se foi um título...
ÉPOCA DE 58/59 – Neste ano, em que mais uma vez o Belenenses ficou invicto em casa, a classificação final foi a seguinte:
1. F.C.Porto – 41
2. Benfica – 41
3. Belenenses – 38
4. Sporting – 31
5. V.Guimarães – 29
6. V.Setúbal – 27
Depois de um começo irregular, o Belenenses foi-se aproximando do Benfica, que liderou durante muito tempo. O F.C.Porto, curiosamente, também não começou bem. O Sporting esteve sempre fora da luta pelo título. O V.Guimarães, pelo contrário, teve um excelente começo e andou algumas jornadas em 2º lugar. Temos fotografias do jogo em que o Belenenses venceu os vimanarenses por 2-0 no Restelo. A moldura humana é impressionante: a central está cheia, cheíssima, o mesmo acontecendo com o anel superior do Topo Norte (na altura com 14.500 lugares em pé). A bancada do lado do Tejo estava habitualmente cheia, por também ter preços bem populares. Ou seja, uns 35.000 espectadores, quase todos do Belenenses!
Em 1 de Fevereiro de 1959, o Belenenses, empatado com o F.C.Porto e a 3 pontos do Benfica, recebeu a visita do Benfica. Grande enchente no Restelo, apesar da grande tempestade que se fez sentir. Esgotou-se a lotação (que era então de 44.000 lugares). Uma multidão impressionante resistiu estoicamente a um jogo que talvez devesse ter sido adiado. O estado quase impraticável do terreno prejudicou a equipa mais leve e tecnicista – a do Belenense (claro!...). No último minuto, depois de o Belenenses muito porfiar para chegar à vantagem, Matateu, na marcação de um pontapé de canto, fez a bola entrar na baliza do Benfica. Inusitadamente, o árbitro anulou o golo, alegando que apitara anteriormente, por a bola ter saído pela linha de fundo! Ninguém (imprensa incluída) ouviu o tal apito. A reacção de desespero dos jogadores encarnados mostra que tão pouco eles o tinham ouvido. A trajectória da bola tornava impossível que tivesse saído pela linha de fundo. Mas o árbitro não validou o golo. E impediu a vitória do belenenses, que o deixaria, moralizadíssimo e em grande forma, a 1 ponto apenas do líder Benfica, e com 1 ponto de vantagem sobre o F.C.Porto (que acabou por ser campeão).
Face ao enérgico e exemplar protesto do Belenenses (que na altura não se encolhia...), o jogo veio a ser repetido a 1 jornada do fim. Mas então, a 3 pontos do líder, o Belenenses já não podia ser campeão (registou-se um empate 1-1). No entanto...como teria sido se tivesse ganho, como merecera, algumas jornadas antes?
Em resumo: o Belenenses ganhou um campeonato mas quase ganhou outros seis. Falar em 3 grandes, como se sempre tivesse havido 3 grandes, é uma deturpação abusiva da história. Porque permitimos que tal aconteça?!
quarta-feira, dezembro 08, 2004
Basket: Taça Europa FIBA

A deslocação dos Guerreiros à Hungria não foi feliz. Após estarmos a vencer os primeiros dois períodos, o Albacomp deu a volta ao resultado e a partida terminou com o resultado de 86-77.
Com este resultado pode terminar o sonho europeu do Belenenses. Mas ainda existe a possibilidade de sermos repescados. Vamos esperar pelos resultados dos jogos dos outros grupos...
Classificação:
1. Albacomp 6/1
2. Boncourt 3/3
3. Belem 2/4
4. Brno 2/4
Para mais informações sobre o jogo e a equipa consulte: www.belenensesbasket.com.
ANDEBOL: Belenenses 30 - Setubal 20

O Belenenses realizou uma excelente exibição e conseguiu quase o impossivel. Ao bater o Vitória de Setúbal por um diferença de 10 golos conseguiu o apuramento para a Final Four da Taça da Liga a realizar em Espinho.
Classificação do grupo 3:
1. Belenenses - 2 jogos, 1 derrota - +4 golos
2. Vitória Setubal - 2 jogos, 1 vitória - -2 golos
3. Ginásio Sul - 2 jogos, 1 vitória - -2 golos
O sorteio da Final Four realizar-se-á amanhã, quinta-feira, pelas 15.00h, no Salão Nobre da Câmara Municipal da cidade sede da Taça LPA.
ANDEBOL: jogo decisivo

O Belenenses tem com hoje uma tarefa bastante dificil, se quiser garantir um lugar na Final Four da Taça da Liga.
Além de necessitar da vitória no jogo de hoje frente ao Vitória de Setúbal precisa também de ganhar com uma diferença muito confortável de golos.
A Taça da Liga disputa-se com três grupos de três equipas, com os primeiros classificados a grantirem o apuramento para a "final-four", que será organizada pelo Sporting de Espinho.
No grupo 3 da competição o Vitória venceu o Ginásio Sul por 8 golos de diferença enquanto que o Belenenses perdeu por 6 golos.
Classificação:
1. Vitória Setubal - 1 jogo, 1 vitória - +8 golos
2. Ginásio Sul - 2 jogos, 1 vitória - -2 golos
3. Belenenses - 1 jogo, 1 derrota - -6 golos
terça-feira, dezembro 07, 2004
Basket: Nós acreditamos

Já na próxima 4ª Feira, dia 08 de Dezembro, pelas 18h30 horas locais (17h30 hora nacional), joga-se a 6ª e última jornada referente à primeira fase de qualificação da Taça Europa FIBA. Os Guerreiros deslocam-se até à Húngria, mais propriamente a Székesfehérvar, para defrontar a equipa do Albacomp.
Líderes do grupo do grupo B da Conferência Central e os únicos já apurados para a próxima fase desta competição, o Albacomp irá receber o Belenenses num ambiente emotivo e concerteza ruidoso, onde se verificou noutras partidas, uma média de 1500 espectadores por jogo. As restantes 3 equipas, incluindo o Belenenses poderão sair apuradas para a próxima fase, visto que se encontram todas com 2 vitórias e 3 derrotas. Em caso de vitória da equipa da Cruz de Cristo, ainda se terá de ver o cest average, ou seja, a diferença de pontos marcados e pontos sofridos, que neste momento é favorável ao Belenenses. Um facto importante a levar em consideração, é que por altura da partida em questão, já será conhecido o resultado que opõe as outras 2 equipas do grupo, e desta forma, a equipa do Belenenses tem vantagem por passar a saber exactamente o que é preciso para o seu apuramento.
O Belenenses vem de 2 importantes e motivadoras vitórias, tanto para a Taça Europa FIBA, como para o campeonato nacional da Liga TMN. O último encontro para as competições europeias, o Belenenses recebeu os suíços do BC Boncourt e venceu de forma categórica por 100-64. Já para a Liga TMN, os azuis deslocaram-se à Madeira, para defrontar o CAB e acabaram por derrotar os locais por um resultado expressivo de 78-97.
O Albacomp, na última jornada europeia, derrotou o A Plus ZS Brno em casa por 86-80, num jogo equilibrado e onde ambas as equipas mostraram vontade de ganhar.
A tabela classificativa neste momento apresenta a seguinte hierarquia:
1. Albacomp 4/1
2. Belenenses 2/3
3. A Plus ZS Brno 2/3
4. BC Boncourt 2/3
A comitiva da equipa do Belenenses parte para a Húngria esta terça-feira, dia 07 de Dezembro, jogará na quarta, 8, e finalmente, regressará a casa na quinta, 9, de preferência com uma vitória na mala e um apuramento na bagagem.
Sendo este jogo num país distante e sendo impossível para a maior a grande maioria de nós “Belenenses” acompanhar a equipa, não perca em directo e em exclusivo, a evolução do resultado do jogo, com actualização em cada 1 dos períodos do jogo, em Live no site: www.belenensesbasket.com
Acompanhe a sua equipa em todos os jogos, em qualquer sítio, à distância de um click, através da internet!!!
segunda-feira, dezembro 06, 2004
Dias muito complicados...
Partimos para esta época com renovadas, e pareciam fundadas, esperanças de uma época de transição, porém livre de sobressaltos. 13 jornadas volvidas, estamos exactamente como na época passada, com os mesmos pontos e as mesmas interrogações no horizonte. Apenas temos alguns factores que nos dão o pouco ânimo que na época passada por esta altura já nos escapava: um guarda-redes que se mantém sólido, um patrão da defesa que nos faltava, um patrão do meio-campo (mas sem ajuda, ganhar um patrão da defesa roubou o pronto-socorro do meio-campo) e um avançado que já ultrapassou o estatuto de trapalhão que se enganava, e que agora é um goleador que se atrapalha. Tirando isso, o mesmo deserto de ideias, a mesma falta de fio de jogo e de vontade de correr e suar a camisola.
Sentimo-nos, obviamente, orgulhosos da quantidade de “produtos” das escolas que são escolhas regulares do treinador e mostram o seu valor. Sentimos que Amaral, quando joga na sua posição, é um grande reforço. Sentimos que Petrolina, numa equipa que saiba o que quer, pode ser um diamante. Sentimos que Cabral é útil. Sentimos que Rodolfo Lima e Lourenço não se revelam a mais-valia que é condição imprescindível para se recorrer a empréstimos, que acabam sempre por beneficiar mais quem empresta do que quem pede o empréstimo. Sentimos que José Pedro, em quem depositámos tantas esperanças (e com razão se nos basearmos no seu potencial), continua a dar razão a Jaime Pacheco, que se encantou com ele nos primeiros tempos mas depressa percebeu que “não era por ali”.
Sentimos claramente que não temos extremos. Que temos uma táctica ridícula e que vai vivendo do génio de Petrolina e da vontade férrea de Antchouet, bem como da estoicidade de Marco Aurélio e das omnipresentes dobras de Pele. Começámos a época com 2 extremos no plantel, ambos do lado esquerdo. Um foi titular um jogo, quando entrava era decisivo e, com ou sem motivo, foi despedido. O outro, um jovem com elevado potencial a extremo esquerdo, tem de ir jogando alguns minutos de vez em quando a defesa esquerdo, onde não é bom nem mau, simplesmente é…
Veja-se o ridículo do nosso meio-campo típico: Andersson, Neca, José Pedro e Juninho Petrolina… um médio-centro e 3 (três) criativos!!! Quem joga nas pontas??? José Pedro à esquerda e um dos outros 2 à direita… coisa que nenhum deles sabe fazer! Queremos jogar pelo meio, mas como se jogamos muitas vezes com o Antchouet sozinho na frente e, na melhor das hipóteses, com 2 avançados “porta-chaves”? Aqui sinto-me à vontade: nunca concordei com a dispensa do Ceará. Tosco, mau, etc, era um ponta-de-lança forte e volto a insistir que o Detinho também não valia um “caracol” e era o abono de família do Antchouet no Leixões, abrindo espaços e ganhando bolas para o Gabonês rasgar.
A questão é: como é que com este meio-campo “obtuso” não há espaço para Eliseu??? Já que nenhum dos criativos defende, e um deles atrapalha mais do que ajuda… até ando com saudades do Marco Paulo. Pode ser lento e jogar sempre para trás e emperrar o jogo, mas pelo menos joga. E sabe-se colocar, sabe ocupar espaços, não o vemos parado.
Algo tem de mudar, e agradecia sinceramente que Carvalhal optasse por fazer as alterações necessárias e não inventar, fazendo-nos começar os jogos a perder para depois emendar e fazer o óbvio. Amaral a médio-interior?????
Vamos mas é a jogar à bola e a suar a camisola. Sinto-me tão triste, jamais pensei que no início de Dezembro iria estar a dizer esta frase tantas vezes repetida a época passada. Mas é um facto… sofrer é a nossa sina. São mesmo mais tristezas que alegrias, por mais que queiramos o contrário.
domingo, dezembro 05, 2004
Quem é irresponsável?
Achei relativamente bem a contratação de Carvalhal (dos treinadores portugueses disponíveis, era uma das melhores opções) mas nunca me entusiasmei com ela, por não ver razões para tal. Por várias vezes alertei contra o endeusamento que dele se fez em certa altura, lembrando que dessa idolatria até à diabolização quando as coisas corressem mal, e fosse preciso encontrar um bode expiatório, iria um pequeno passo. Nunca alinhei em frases do género “o Professor Carvalhal é que sabe”, “estou optimista, porque confio no Carvalhal”, a certa altura muito populares. Deixei escrito, pode ser verificado. Digo isto, porque acho que devemos ser coerentes. E assumir os nossos erros e responsabilidades. Como tenho repetido, “o Belenenses somos todos nós” e todos somos responsáveis nos triunfos ou nos insucessos.
Sempre me espantou a frase muitas vezes repetida: “este ano está a trabalhar-se de uma maneira diferente, no Restelo”. Fomos violentamente acusados e insultados, por pessoas alegadamente responsáveis e atentas, quando mostrámos a nossa incredulidade perante essa frase, e quando sustentámos que o clube é muito mais do que isso, permanecendo (quase) tudo por fazer. Por mais que tentasse, não via assim tantas diferenças; e, nas que via, umas eram para melhor, outras para pior. Melhorou-se um pouco em falar menos e actuar mais no que respeita a contratações; ficou-se na mesma, na sistemática falta de garra, de “raiva” (no bom sentido), de ambição e de paixão; piorámos ainda na mediocridade dos objectivos anunciados e no recurso a um carregamento de empréstimos vindos do Benfica e do Sporting.
O recurso a empréstimos no nosso clube, negação chocante da sua própria identidade se os jogadores em causa vierem do Benfica, do Sporting ou até do F.C.Porto, sempre esteve ligado, no passado, a descalabros organizativos e classificativos, consequência lógica do facilitismo, do imediatismo, da menorização e da reveladora falta de orgulho, motivação, ambição e auto-estima. Diga-se o que se disser, os factos são incontestáveis – por isso que os defensores desse tipo de empréstimos sempre lhes respondem com o inevitável silêncio. Contra factos, os argumentos são difíceis.
Defendeu-se os empréstimos com argumentos como o “o Benfica, o Sporting e o Porto também recorrem a eles”, esquecendo que nunca pedem jogadores emprestados aos seus rivais (excepto em reciprocidade), e sim a clubes estrangeiros, pois ainda não perderam o que no Belenenses, entre muitos dirigentes e adeptos, se perdeu já: o orgulho, a identidade, a verdadeira paixão. Por isso, naturalmente, os adeptos desses clubes gozam connosco e dão-nos pancadinhas paternais nas costas quando referem os jogadores que nos emprestam, por serem “amigos”. Pelos vistos, há quem goste. Eu não, nunca, jamais!
Defendeu-se os empréstimos com argumentos como “quem sabe se com esses jogadores [Cristiano, Rodolfo Lima, Lourenço] não vão aumentar muito as assistências” – e aí está a grande qualidade que trouxeram (um buraco no lado esquerdo da defesa; dois avançados que juntos, ao cabo de 13 jornadas, marcaram um – um! – golo sem ser de penalty) e as grandes assistências no Restelo a mostrar o valor desse argumento...
Defendeu-se, enfim, o recurso a empréstimos do Benfica e do Sporting com o argumento de que “o Mónaco pediu o Morientes emprestado e foi semifinalista da Liga dos Campeões”, como (já não digo se o Rodolfo Lima fosse o Morientes...) se o Real Madrid e o Mónaco fossem velhos rivais do mesmo campeonato – como são (foram?) o Belenenses, o Sporting e o Benfica -, e como se fosse o Mónaco, à escala, um exemplo a seguir... O Mónaco é um clube elitista, frio, sem raízes populares. Nesses clubes, sem casta e sem paixão, é normal que se aceite, como bom negócio, os empréstimos, até porque não há rivais específicos. Mas... é essa frieza que queremos? O nosso modelo, é sermos o Mónaco de Portugal ou o Boavista II? Dispenso, obrigado.
E foi-se alegremente para os empréstimos. Em número quase igual ao das contratações a valer: Juninho, Amaral e Zé Pedro. Infelizmente, o Sandro nunca teve uma oportunidade; e o Cabral terá sido um recurso face à lesão de Sousa.
O ambiente morno-frio que se instalou no Restelo, a continuada falta de ambição que persiste no clube, sublinhada pela velho, revelho e retrógrado recurso aos empréstimos de Sporting e Benfica, o porreirismo vigente e o horror a “ondas” e a paixões que vêm caracterizando largos sectores do nosso clube (como me custa reconhecê-lo!) têm um efeito paralizante, entorpecedor, anestesiante em técnicos e jogadores. Treinadores tidos por bem sucedidos e ambiciosos chegam ao Restelo, fazem o discurso da praxe que estão num grande clube blá-blá-blá, e logo aderem tranquilamente ao cinzentismo e à mornice, ao espírito do qualquer coisa serve, e ficam a ganhar currículo (o nome do Belenenses ainda tem força – a quanto tem resistido!), sem ambição ou com ambições medíocres, assumindo na prática (em flagrante contradição com o discurso inicial) que não descer de divisão já é bom. E o incrível é que o podem fazer... O vazio e a frieza das bancadas e a falta de orgulho e ambição de alguns dirigentes tudo permitem!
Podem, sim, treinadores gerir a sua carreira independentemente dos resultados, e nisso todos temos culpa. Se forem treinadores sobremaneira preocupados e envaidecidos com o seu “curriculum”, com a sua imagem, e com os aplausos de uma comunicação social que, na maioria, conhece tanto do Belenenses como eu conheço de gramática chinesa, podem até continuar a colher os louros de (supostamente) estarem “a jogar um futebol bonito, atacante, que não abdica dos princípios” e estarem “a fazer uma carreira que está exceder as expectativas mais optimistas de adeptos e dirigentes!!!”.
E é isto que se passa com Carvalhal e a maioria do plantel. É isto que o ambiente que se vive no nosso clube, nas ausências e omissões, nas mentalidades pequeninas e anti-ambiciosas (exacto, não só não ambiciosas de como anti-ambiciosas) de dirigentes, no conformismo e afastamento dos adeptos, permite que se faça com todo o à vontade.
Volto ao início: sejamos coerentes e responsáveis! A carreira decepcionante (pelo menos para quem alimentou ilusões) da equipa de futebol, tem males que são globais, que são de adeptos e dirigentes e só depois se propagam a técnicos e jogadores. Se a nossa mentalidade não mudar, bem podemos trocar de treinadores e jogadores, que só por milagre chegaremos aos lugares de topo...
Acho que seria bom pensarmos nisso, antes do próximo linchamento moral do treinador que antes se endeusou. E, se não me levam a mal, sobretudo os que (ir)responsavelmente acusaram de irresponsáveis e outros epítetos piores os que só querem o bem do clube, já viram muita coisa, são livres e independentes, e não ficam encantados com dois dedos de conversa de treta. Nunca pretendi gostar ou saber mais do clube do que quem quer que seja mas tento ser coerente e justificar o que defendo com argumentos, sem ir atrás de idolatrias ou diabolizações. E já agora, torcendo sempre (em pensamento e aplausos e incentivos) pelo sucesso do clube, independentemente de quem seja dirigente, treinador ou jogador, seja ele qual for... Uma coisa é certa: se me tivesse equivocado tão flagrantemente, teria a hombridade de o reconhecer e de dizer que estava enganado!
Acho que o optimismo pode ser um estado mental muito saudável mas, por um momento, sejamos realistas: estamos mal, estamos longe de lugares cimeiros, irremediavelmente longe, e começamos até a abandonar lugares tranquilos. Escassos pontos nos separam da “linha de água”. A menos de metade do campeonato, com o calendário que temos pela frente nos próximos 6 jogos (4 deles fora, e uma recepção ao Benfica), realisticamente, é difícil aspirar a mais do que não passarmos por fortes dores de barriga...
E agora? Dia a dia o clube perde vitalidade, apesar dos heróis que lutam contra a maré; época após época (e esta, é mais uma) se adia e compromete o encontro com o futuro; dia a dia são menos os que ainda têm viva a noção do grande clube que fomos, não para repetir o discurso anestesiante dos pergaminhos mas para aí recolher garra e inspiração para novas conquistas a realizar. Entretanto, no futebol profissional, o treinador repete um discurso narcisístico (com bastante auto-elogios explícitos ou implícitos), que seria razoável se estivéssemos a fazer um belíssimo campeonato, mas que, assim, se assemelha a um autismo; não vemos garra e capacidade de luta na equipa; já se anuncia novo contentor de emprestados do Benfica e do Sporting (apesar dos péssimos resultados dos que já vieram), logo aclamados por alguns que (desculpem-me a franqueza) nada parecem aprender com a experiência; fala-se, além do mais, da necessidade de reforçar a equipa.
Sou contra. Sou não apenas contra (mais) empréstimos, como contra a vinda de novos jogadores em Janeiro. Essa vinda só se justificaria se constituísse um trunfo adicional para lutarmos pelos lugares cimeiros ou se a situação classificativa e a (falta) de qualidade do plantel fizessem temer a descida de divisão.
Chegar aos lugares de topo, é já uma quimera. Infelizmente, não estamos muito longe dos lugares de aflição mas penso que temos plantel para não passarmos por esse sofrimento.
De modo que julgo que, em termos de contratações, se deve guardar cartuchos para a próxima época, que espero planeada (então sim!) de maneira diferente, com outro ambiente, aspirando aos lugares de topo. E, até lá, com este plantel, que se acorde o treinador para duas realidades:
* Estamos mais perto do Inferno do que do Céu.
* Cuide da sua imagem só depois de cuidar dos interesses do clube, a que serve como profissional, e a quem a qualidade do trabalho prestado está longe de satisfazer.
Espero, entretanto, que se assegure rapidamente o reforço (reforço a sério!) da equipa para a própria época. A meu ver, far-se-á necessário um comandante para a defesa (se Sandro continuar a não ter oportunidades), um defesa esquerdo de raiz, um trinco, um médio ala direito, um médio ala esquerdo e dois avançados (um jogador possante de área e um outro, que até pode vir de escalão secundário).
Seja como for, o problema fundamental não está nos jogadores. Em última instância, nem está no treinador. Pergunto-me mesmo se está em certos dirigentes actuais, ou se estes não são mais do que o eco da doença que vem minando o clube.
sábado, dezembro 04, 2004
Mais do mesmo, Mister?

No entanto, Carvalhal tem vindo, semana após semana, desastre após desastre, a falar de um futebol bonito e de ataque que ninguém vê, para além dele mesmo e da Comunicação Social, que tanto gosta da sua figura. Eu fui um acérrimo defensor da contratação de Carvalhal e continuo a achar que é um óptimo treinador. Mas tem de ser "controlado" por quem está acima dele na hierarquia, pois quer-me parecer que ele está a transformar o Belenenses no seu laboratório privado, onde vai fazendo experiências a seu bel-prazer e tudo está bem, independentemente do que aconteça. Para o poder fazer, faz-se valer da conivência da Comunicação Social que tem uma inacreditável incapacidade de criticar os seus erros, vá-se lá saber porquê.
Há quantos jogos ando eu a ouvir os comentadores da SporTv a dizerem: "Hoje o Belenenses está com muita dificuldade para impor o seu jogo, mas temos de dar mérito ao adversário"? Semana após semana... meus senhores, não foi neste ou naquele jogo, é SEMPRE! É uma incapacidade gritante, uma falta de ambição e vontade cada vez maiores! Parece-me que talvez fizesse bem a alguns jogadores deixarem de receber o ordenado certinho e a tempo e horas.
Há um onze base da nossa equipa? Uma táctica? Tirando o Marco Aurélio, o Antchouet (que tem vindo a salvar-nos a pele) o Pelé e o José Pedro (infelizmente), não há uma espinha dorsal: do lado direito Amaral parece claríssimo, mas hoje invnentou-se com Cabral e em Aveiro com Rolando, numa bonita asneirada corrigida na 2ª parte ; na esquerda, passaram Cristiano (Deus nos livre), Cabral (tem estado certo), Gonçalo Brandão (faz o lugar) e Eliseu (puro desperdício não lhe dar uma oportunidade na extrema esquerda ou mesmo na frente de ataque, ceifando o seu jogo que de defesa-esquerdo só mesmo para "desenrascar") ; no meio, para além das apostas óbvias Pelé e Rolando, entrou Wilson em Aveiro, onde passou 60 minutos tremidíssimos ; no meio-campo defensivo temos um excelente médio-centro perdido entre os adversários, incapaz de sozinho defender a preceito e de lançar o ataque ; depois, mais à frente, já jogaram Marco Paulo (começo a ter saudades dele, mesmo lento e a não acertar um passe, pelo menos atrapalha e tem "coração" para defender), Tuck (uns minutinhos para ajudar a defender, e tem-se saído bem, gostava de o ver mais tempo em campo), Ruben Amorim (um "puto" com jeito mas que cada vez mais anda perdido na equipa, não defendendo nem atacando), José Pedro (começa a tornar-se candidato ao "cancro da equipa do ano", pela sua lentidão, passes falhados, bolas perdidas e falta de vontade, e contra mim falo, pois sempre pensei que houvesse ali grande jogador. Razão tinha Pacheco...), Brasília (era demasiado bom, teve de ser despedido), Neca (hoje, por exemplo, dos menos maus, e que me parece com vontade, apesar das más exibições), Amaral (asneira, nas duas vezes que jogou a meio-campo perdemos e nem se viu) e Juninho Petrolina (claramente o único jogador capaz de desequilibrar a construír jogo, mas que sozinho pouco pode fazer) ; no ataque, Antchouet insiste em marcar golos e em criar oportunidades que depois falha (mas que mais ninguém criaria), portanto tem de ser titular, enquanto Rodolfo Lima tem altos (mais médios que altos) e baixos e Lourenço tem sido visita assídua do posto médico. Jogou ainda o miúdo Jorge Tavares, que mostrou querer e marcou um golo e ofereceu outro em Coimbra em apenas 20 minutos.
Não sou treinador nem tenho nenhum curso de educação física (agora parece que é quase obrigatório ter o curso para os pôr a jogar à bola e, também, para podermos se o Prof. qualquer coisa). Mas vejo futebol há uns anitos, já joguei, e para mim uma equipa tem de ter um trinco (e o Andersson não é trinco nem aqui nem na China) e, para jogar só com um avançado, precisa de extremos e que o avançado seja um "encostador". Aliás, preferêncialmente, para mim deve-se jogar com 2 avançados, um móvel e um fixo (tenho a clara convicção que o Antchouet e Ceará davam uma dupla magnífica, basta lembrar a dupla Detinho/Antchouet) e aí sim, é possível não jogar com extremos abertos. Mas quem sou eu para me por a divagar com estas considerações? Há quem ache que podemos jogar com 5 médios-centro e um avançado móvel...
Vem aí o Benfica e depois vamos ao Nacional... está bonito. Ou há uma mudança de mentalidade no Belenenses, ou então esta será mais uma época negra. Porque parece-me claro que se está a tornar em mais uma das habituais épocas adiadas...
É tudo o que posso dizer sobre o jogo de hoje, porque é impossível escrever sobre uma equipa que não esteve em campo e que assim nunca estará. Mister, temos de mudar qualquer coisinha, não lhe parece?
Basket: CAB Madeira x Belenenses

Após uma jornada europeia vitoriosa, frente aos suíços do BC Boncourt (100-64) na passada terça-feira, dia 30 de Novembro, os Guerreiros voltam ao campeonato nacional Liga TMN, já no próximo sábado, dia 4 de Dezembro, pelas 17h00. Desta feita, os azuis viajam até a Ilha da Madeira para defrontar o CAB, num jogo a contar para a 8ª jornada da Liga TMN.
Lembramos que o Belenenses já recebeu o CAB na 2ª jornada da época corrente e venceu por 95-75.
O CAB encontra-se actualmente na 11ª posição da classificação geral, com 7 jogos, 1 vitória e 6 derrotas. Por seu lado, o Belenenses está na 6ª posição com 7 jogos, 4 vitórias e 3 derrotas, e encontra-se altamente motivado após uma vitória expressiva sobre a equipa suíça já mencionada.
Assim, e acompanhando o grupo da frente da classificação, pensando jogo a jogo, o Belenenses vai entrar neste jogo com os seus Guerreiros a lutarem por trazer mais uma vitória na bagagem, e desta forma subirem na classificação. O Prof. José Couto está confiante na capacidade de luta e de entrega dos seus jogadores, e sabe que lutaram até ao fim por um resultado favorável à equipa azul, que lhes permita também motivarem-se para a próxima e decisiva jornada das competições europeias, a acontecer já na próxima quarta-feira, 8 de Dezembro, na Hungria.
Caso não possa acompanhar os “Guerreiros” em mais esta jornada a contar para a liga TMN, acompanhe connosco e siga em directo e em exclusivo à evolução do marcador, que será actualizado em cada 1 dos períodos do jogo (em vez de 2 em 2 minutos como habitual, dada a impossibilidade da equipa do site acompanhar os Guerreiros à Madeira), no Live no site:
Acompanhe a sua equipa em todos os jogos, em qualquer sítio, à distância de um click, através da internet!!!
sexta-feira, dezembro 03, 2004
A caminho das 100.000...
Penso que temos conseguido atingir os nossos objectivos, de uma forma que apesar de não me parecer muito gradual, tem sido meritória. Quando digo não muito gradual refiro-me, obviamente, a que o facto de ser uma página criada e gerida por amadores leva a que não haja uma clara planificação de conteúdos e ainda vamos vivendo um pouco ao sabor das disponibilidades de cada um nós e do contributo imprescindível das pessoas que em nós confiam para transmitir o que lhes vai na alma, e aí não posso deixar de agradecer especialmente ao Eduardo Torres por tudo quanto tem partilhado connosco. E também aí temos sido criticados, ouvindo coisas como sermos o Blog do passado, dos velhos do Restelo. Enfim, não nos importamos, pois temos a clara convicção que só suportados pelo nosso passado vitorioso poderemos almejar a um futuro tão bom ou melhor.
Ao fim destes meses, só posso estar satisfeito com o nosso trabalho, pois se as 50.000 visitas são prova inequívoca do seu sucesso, outras provas temos tido: a fantástica reportagem no jornal O Jogo que mesclou os Blogs do Belenenses e CFBelenenses e o Núcleo Ajuda/Belém num trabalho muito bem conseguido ; a notícia, em primeira mão, das graves situações que envolveram o nosso ex-jogador Valdiran ; a referência elogiosa de que fomos alvo por parte da Rádio Renascença ; o facto de termos sido considerados um dos 3 melhores Blogs desportivos nacionais por um jornal diário ; a divulgação da incrível situação da utilização do jogador Luís Fabiano pelo Porto, e consequente divulgação na Comunicação Social da manigância que estava encoberta para que o jogador fosse utilizado ; e em especial, todos os e-mails elogiosos, das mais variadas proveniências, de gente de todas as idades, que amam o Belenenses à distância e se aproximam através do nosso trabalho.
O meu sincero obrigado a todos os que têm contribuído para um Blog do Belenenses cada vez melhor: ao Rui Vasco, ao Luís Vieira, ao Pedro Lourenço (que não descansou enquanto não reactivei o Blog), à Rita (minha namorada e que tem sempre compreendido o tempo que não tenho para ela para dedicar ao Blog) e a todos os Bloguistas que me vão dando alento nas horas em que é mais difícil partilhar o que sentimos.
E aqui vamos nós, a caminho das 100.000 visitas. Até lá, aqui ficam algumas estatísticas:
Média diária de visitas – 177 (os primeiros meses “estragam” a média…)
Dia com mais visitas – 21 de Setembro, Terça-Feira, com 565 visitas
Média Semanal – 1178 visitas
Semana com mais visitas – 2120 visitas
Média mensal – 4929 visitas
Mês com mais visitas – Setembro. 7219 visitas
Hora com mais visitas – 12:00 às 13:00, 6,74%
Dia com mais visitas – Terças-Feiras, 16,76%
Ranking de visitas por países:
- Portugal – 85,73%
- EUA – 2,56%
- Reino Unido – 1,54%
- Roménia – 1,44%
- Brasil – 1,12%
- Espanha – 0,75%
- Canadá – 0,27%
- Suíça – 0,22%
- Estão ainda representados outros 73 países!
Entradas por motores de busca – 4832
Palavras mais utilizadas nas pesquisas – Belenenses (3070), Blog (1074), futebol (73), Portugal (61)
Links existentes na www – 701
Visitas via links – 27,42%
Ponto de viragem
Agora que o Belenenses é um clube financeiramente estável (uma recuperação fantástica que temos de agradecer às direcções lideradas por Ramos Lopes e Sequeira Nunes) e que o projecto imobiliário se tornará uma realidade a partir de Janeiro do próximo ano, o Belenenses tem todas as condições para dar o passo certo, alargar horizontes e tornar-se ambicioso, sempre com a noção da realidade.
Somos ainda um clube capaz de arrastar multidões, apesar de normalmente não o revelarmos, mas a verdade é que há um profundo desencanto que reina entre a falange azul, em especial entre aqueles que viveram o Belenenses até à década de 80. Aqueles, como eu, para quem o Belenenses é historicamente um grande clube que no final dos anos 80 teve um ressurgimento, para depressa se enterrar numa teia tenebrosa de auto-comiseração, têm, se calhar ingenuamente, a crença que ainda é possível dar a volta e acreditam que o Belenenses ainda pode aspirar a altos voos.
Temos 25.000 sócios. Podem dizer que não sei quantos mil são “piscineiros”, atletas e familiares de atletas. Mas é precisamente aí que está o futuro e um meio fundamental de lutar contra a desigualdade com que todos os clubes portugueses são tratados relativamente a outros 3. Contas rápidas, se o Benfica tem 90.000 sócios, digamos que temos um quarto dos sócios que o Benfica tem… como é óbvio, essa proporção não corresponde à realidade de adeptos, mas isso para mim é um sinal fantástico. É sinal que os adeptos azuis se interessam realmente pelo seu clube e são fieis. Quantos e quantos Benfiquistas ou Sportinguistas deixam de ser sócios por uma derrota ou um empate? Se assim fosse no Belenenses, meu Deus!!!
Somos, e não me canso de o repetir, o único verdadeiro clube da cidade de Lisboa. O único clube que tem um complexo desportivo digno desse nome e que está vocacionado para servir a população desta cidade, recentemente abandonada pelo Sporting e em breve pelo Benfica. O Sporting é agora o clube de Alcochete, o Benfica é o clube de todo o lado e de lado nenhum e vive na esperança de um dia conseguir ir para o Seixal… Não têm instalações desportivas, à excepção de uns Estádios de futebol muito bonitos (sinceramente) que são utilizados umas 25 vezes por ano… ou seja, pouco mais de 2 vezes por mês…
Também por aí temos uma clara oportunidade de crescimento, pois as crianças que aprendem a ser cidadãos através da prática desportiva nas nossas instalações ganham, pelo menos um carinho especial por este clube. Bem tratados, e “vivendo” um Belenenses ganhador, certamente muitos deles vestirão as nossas cores e são os adeptos do amanhã. Para isso, é necessário que lhes seja incutida a paixão azul, que sejam convidados, eles e suas famílias, para assistir aos jogos do tal Belenenses ambicioso. Não podemos viver à espera que eles venham até nós, temos de ser nós a ir ao seu encontro. O recente dinamizar das relações com Núcleo e Filiais é, a meu ver, importantíssimo.
Há todo um eixo, que vai de Campo de Ourique a Cascais, órfão de um grande clube representativo. Esse eixo atravessa os concelhos de Oeiras e Sintra e tem de ser “ganho” pelo Belém. Temos de ser ambiciosos para nos tornarmos atractivos, porque temos uma série de outras condições que mais ninguém tem. Uma pequena prova: alguém duvida que a saída do Sporting de Lisboa e as decisões aberrantes de Vale e Azevedo relativas às camadas jovens do Benfica foram providenciais para os excelentes resultados que temos vindo a obter ao nível das camadas jovens?
Como foi referido na AG desta semana, o Belenenses tem de se virar para as pessoas do amanhã. Foi com sincero orgulho que ouvi pessoas muito importantes nos últimos anos da vida azul a admitirem-no na AG, e que assumiram que o seu tempo talvez tenha já passado. E disseram-no claramente: o Belenenses está estruturalmente preparado para o futuro! Mas também deixaram bem claro que se calhar eles, que acredito tanto tenham sofrido para dar ao clube estas condições, já não têm capacidades para dar o tal passo.
Eu acredito que o Belenenses será capaz de arriscar e regressar aos dias de glória. Mas isso não invalida que tenha medo, muito medo, de não o conseguirmos, porque acho que o Belenenses, e toda uma série de adeptos que sonham há 58 anos ver o Belenenses novamente campeão, o merecem. Não me canso de o repetir, vi o meu pai na tarde da vitória da Taça em 89 e não mais hei-de esquecer a “criança” em que se tornou. E foi uma Taça…
O meu amigo Luís Lacerda lançou uma frase há uns meses que, se depender de mim, perdurará ligada a este clube enquanto tal desígnio não for atingido:
“Eu ainda hei-de ver o Belenenses campeão, nem que para isso tenha de não morrer!”
Vamos a isso meus amigos, está também nas nossas mãos ajudar o Belenenses a dar o passo certo. Porque o Belenenses chegou a um ponto de ruptura: ou adiamos, mais do que época atrás de época, o futuro, ou então somos ambiciosos e audazes e o futuro será azul.
quarta-feira, dezembro 01, 2004
O nosso orgulho!

O Blog do Belenenses dá os mais sinceros parabéns à equipa dos "Guerreiros", capaz de tão concludente e briosa vitória.
Esta equipa é o nosso orgulho!