quinta-feira, novembro 18, 2004

Portas que se abrem ao nosso capitão?

Foi aqui levantado hoje pelo Marcus Bjorling o rumor que dá Andersson como perto do regresso à Suécia no final da temporada. Nesse sentido, e também para ficarmos todos com uma ideia mais aproximada de como Andersson é acompanhado pela imprensa Sueca e qual a visão local, Marcus Bjorling preparou uma compilação de declarações de Andersson à imprensa nos últimos tempos.

Jornal "Sydsvenskan"

Andersson pensa no futuro na Suécia:

- Não gostaria de especular, mas tenho a noção que as coisas mudam rapidamente no futebol. Não fecho portas ao que possa acontecer.

- Às vezes tenho saudades de casa.

Andersson está novamente feliz a jogar futebol. A transferência para o Belenenses foi importante.

- No Benfica podes fazer um bom jogo, ganhar 4-1, e mesmo assim ficas no banco no jogo seguinte.

- No Belenenses sou capitão e estamos a jogar um futebol muito interessante. Para além disso, jogo como médio defensivo, a mesma posição que ocupo na selecção sueca.

Site fotbolldirekt.com

O contrato de Andersson termina no final da época e um regresso à Suécia seria tentador. O Malmo FF tem um público entusiasmante, o que agrada a Andersson.

- O Malmo tem 20.000 espectadores quando joga em casa. É fantástico. Não sei o que acontecerá depois do Verão, a ver vamos. Ainda falta muito tempo.

Andersson na goleada à Escócia

O jogador do Belenenses Anders Andersson jogou ontem os 90 minutos na vitória da Suécia por 1-4 na Escócia. Segundo Marcus Bjorling, responsável pelo programa Liga Europa do Kanal5 (parceiro do Blog do Belenenses) a sua actuação não foi particularmente feliz, e a imprensa local revela hoje ecos disso mesmo.
Equipa Sueca:
Guarda-Redes:
Magnus Hedman
Defesas:
Mikael Nilsson
Olof Mellberg
Teddy Lucic
Mikael Dorsin
Médios:
Anders Andersson
Niclas Alexandersson
Kim Källström
Christian Wilhelmsson
Ataque:
Marcus Allbäck
Fredrik Berglund
Jogaram ainda:
Andreas Isaksson
Mikael Antonsson
Petter Hansson
Alexander Östlund
Johan Elmander
Andreas Johansson
Tobias Linderoth
Sharbel Touma
Treinador:
Lars Lagerbäck

O jogador do Belenenses jogou toda a partida da noite de ontem no meio-campo defensivo da equipa Sueca. No entanto, pecou no entendimento com a estrela em ascenção do meio-campo Sueco, Kim Kallstrom.

Segundo o jornal Aftonbladet, Andersson errou muitos passes e laterlizou demasiado o jogo, não aproveitando o jogo vertical de Kallstrom em prol do colectivo. Ainda segundo o mesmo jornal, Andersson provou que não é melhor que Tobias Linderoth ou Daniel Andersson. Este jornal critica ainda o facto do jogador do Belenenses ter feito muitas faltas desnecessárias e a sua "ausência" em termos ofensivos, avaliando-o com 2 numa escala de 0 a 5.

Por outro lado, corre o rumor na Suécia de que Andersson estará, na próxima época, a caminho do campeão Sueco, Malmö FF.

Uma noite triste

Na sua 3ª partida na Taça FIBA, os "Guerreiros" cometeram demasiados erros e acabaram derrotados por 77-87 pelos Húngaros do Albacomp. Após um início promissor, a equipa começou a enervar-se e na 2ª parte perdeu-se. Uma vez mais o público nas bancadas esteve aquém do esperado.

Com uma assistência a rondar as 400 a 500 pessoas, o Belenenses viveu hoje uma noite particularmente triste. Não foi por falta de empenho que o resultado se tornou amargo, mas hoje foi um dia em que tudo saía mal. Não tendo dados estatísticos para me basear, não hesito em afirmar que nem 1/3 dos lançamentos livres concretizámos. As perdas de bola foram muitas, grande parte delas infantis e não por mérito do adversário.

Durante o primeiro período estivemos na liderança por 7/8 pontos e mostrámos o basket a que estamos habituados. No entanto, durante o 2º período começou o descalabro, tendo a poucos minutos do fim do 2º período os Húngaros passado pela primeira vez para a frente do placard. O intervalo chegava e, com ele, o empate a 44-44. Os semblantes na bancada estavam carregados e percebia-se que os jogadores estavam nervosos.

No 3º período agravámos ainda mais o défice que vinhamos manifestando no 2º, tentando resolver tudo rapidamente e sem pensar, resultando daí o avolumar do resultado a favor do Albacomp.

No 4º período, e numa altura em que os adeptos pensavam que a derrota era inevitável, deu-se uma ligeira recuperação dos "Guerreiros", que colocaram a diferença em apenas 5 pontos. Nesta altura, um erro da equipa de arbitragem, anulando um lançamento duplo nosso por falta atacante acabou por espevitar quer os jogadores, quer o público. No entanto, foi sol de pouca dura e rapidamente o fosso ficou ainda mais cavado, cerca dos 10 pontos de diferença com que se atingiu o final da partida.

Foi um jogomenos conseguido dos nossos "Guerreiros", mas no entanto continuam a manter toda a nossa confiança. No fim-de-semana haverá, por certo, o regresso às vitórias.

quarta-feira, novembro 17, 2004

À conquista da Europa


O Belenenses recebe hoje, 17 de Novembro, pelas 21h00, os húngaros do Albacomp, num jogo a contar para 3ª Jornada da Taça Europa FIBA.

Os Guerreiros estão no grupo B da Conferência Central e partilham o primeiro lugar com os outros 3 clubes, o A Plus ZS Brno da República Checa , o Basket Club Boncourt da Suíça e o Albacomp da Húngria. Todas as equipas têm uma vitória e uma derrota pelo que é fundamental pontuar nesta 3ª jornada para que a equipa do Belenenses se adiante na tabela classificativa, e assim ficar mais perto da fase seguinte.

Após uma vitória folgada contra o Santarém, jogo a contar para a 6ª jornada da Liga de Clubes, os Guerreiros estão confiantes e certos que vão conseguir mais uma vitória na Europa.

E como a máxima dos nossos Guerreiros sempre foi e sempre será ganhar jogo a jogo, os Guerreiros esperam pelo nosso apoio para ultrapassarmos mais esta etapa. O seu apoio é importante, não falte na Quarta-Feira, vamos encher o nosso pavilhão Acácio Rosa e ajudar a conquistar a Europa! Vamos mostrar que estamos ao mais alto nível e tal como os nossos adversários seremos capazes de encher o nosso pavilhão, e de fazer um barulho ensurdecedor a apoiar a nossa equipa.

Se por alguma razão não puder acompanhar os “Guerreiros” nesta jornada a contar para a Taça Europa FIBA, siga em directo e em exclusivo, com actualizações em cada 2 minutos, ao Live no site Belenensesbasket.

Acompanhe a sua equipa em todos os jogos, em qualquer sítio, à distância de um click, através da internet!!! Mas se puder, não hesite, vamos encher o Pavilhão Acácio Rosa!!!

terça-feira, novembro 16, 2004

PALAVRAS QUE FORAM DITAS - 29 - ...E a Paixão, para onde foi? (Parte II)



Continuamos, nesta II Parte, a relembrar e a comentar peças escritas sobre a paixão, o entusiasmo e o fervor clubístico que acompanhavam Belenenses, em contraste com a frieza e a passividade dos últimos anos. Fazêmo-lo com o sentido de mostrar que é possível e necessário inverter a situação.

Servimo-nos, mais uma vez, do jornal “A Bola”, do qual extraímos várias passagens dedicadas à inauguração do Estádio do Restelo, e a tudo quanto a rodeou. Deve salientar-se que, a força e popularidade que o nosso clube detinha então, fizeram com que durante uma semana as primeiras páginas fossem quase exclusivamente (num caso, mesmo totalmente) dedicadas ao Belenenses.

Na edição de 24 de Setembro de 1956 (nº1535), assim escrevia Vítor Santos, nas páginas 1 e 4:

“E ficou tudo azul! (...)

Ele ali estava, o azul portentoso na bandeirinha amorosamente colocada na varanda florida e nas trapeira velhinha, alcandorada no beiral escuro, carregado de tempo. Ele ali estava, o azul teimoso, no quadrinho ingénuo, de figuras recortadas à tesoura e coladas pela família (...). Ele ali estava, o azul ‘terrível’, na bandeira a esvoaçar, na colcha brilhante (tirada da arca e de alecrim perfumada), no galhardete, no mastro, no gradeamento, no letreiro, na saudação, em tudo o que Belém trouxe para a rua no dia festa da grande do Belenenses, menina dos olhos daquela gente briosa, honrada e digna (...)

Tudo azul! (...)

O Belenenses, na data festiva da inauguração do seu maravilhoso Estádio do Restelo, esgotou o azul. Ficou todo ali, em centenas de trajos e lenços e colchas e gravatas de cor azul, azul vivo, azul vivo e mais ‘terrível’ que nunca, a meter-se pelos olhos da gente. Foi uma inundação lenta, progressiva, paciente mas esmagadora. A cor rainha, dominadora, ditatorial, entrava pelos olhos, inundava as almas, enciumava os estranhos, apaixonava os da família.

E que grande família aquela que pôs, logo de manhã, todo Belém em festa, indiferente à chuva, gozando-a mesmo, como bofetada de quem quer saber se gostam mesmo dele, a sério, a valer, verdade, verdadinha...

Depois o dia escorreu, num ápice, que um dia de festa leva metade do tempo a passar. E quando chegou a hora da festa, da verdadeira festa, a cor obsidiante conquistara tudo (...)

Todo o azul alfacinha estava ali, em mil camisolas berrantes, sangradas com a Cruz de Cristo, como se cada uma delas tivesse precisado de mostrar, no sangue vermelho e capitoso dos peitos que as cingiam, a sinceridade da sua fé e da sua mística.

(...)

Foi lindo! Já sentiramos a alegria e a emoção daquela gente quando percorremos becos e travessas empedradas de colchas e bandeiras ao vento, grinaldas rendilhadas, flores mais vivas da água da chuva teimosa e desmancha-prazeres.

Mas quando, às 15.30, um morteiro estoirou nos ares, anunciando a chegada do Presidente da República, e o dique da emoção se despedaçou, fazendo soltar dos peitos gritos reprimidos, alegrias incontíveis, ternuras conservada a tanto custo, no mais íntimo de cada um, é que se viu bem o que representava “aquilo” para a gente do Belenenses.

Não era o Estádio em si, aquela maravilhosa jóia arquitectónica debruçada sobre o Tejo; não era a grandeza daquele ‘monumento’ de cimento e de pedra, lindo nas suas linhas harmoniosas e suaves, de bela concepção helénica; não era o enriquecimento material do património do clube que, nascido há 37 anos no areal da ‘praia’, ali estava agora, estuante de vida e de querer. Era, sim, a mística da colectividade que se sentia pairar por sobre as cabeças, ciciando a epopeia de uma família – todo um passado de alegrias e tristezas, felicidades e infortúnios, risos e choros.

E não houve olhos de gente ‘azul’ onde não aflorasse uma lágrima salgada de emoção e ternura. Vimo-las borbulhar, como fio de água na nascente, na face carcomida de certo velho, cabeça branca da neve do tempo, pele morena tisnada de mil sóis; vimo-las, gotas de cristal, na carita de uma criança loura e branca; vimo-las a escorrer pela cara de homens fortes, curtidos nas andanças da vida, mas ali feitos miúdos, sensíveis, ternos, mesmo tímidos e meigos, como meninos de escola

(...) Atroaram os ares o rufar dos tambores e a estridência das cornetas. Batiam-se palmas, gritavam-se vivas, explodiam saudações e incitamentos (...)”.

E terminando, falando da sua saída do Estádio, descendo por Belém e seguindo até à Praça Afonso de Albuquerque (onde nasceu o Belenenses), concluiu Vítor Santos:

“De uma varanda engalanada, dois bocados de trapo branco e letras azuis diziam-nos adeus. Lemos as palavras ali pintadas por mãos pobres, sinceras e dignas. Diziam isto:

- Glória aos obreiros do Estádio! Belém! Belém! Belém!

Parecia que nos tinham gritado aos ouvidos aquelas palavras. E, a caminho da Baixa, o motor do carro, as árvores, as casas de Lisboa, o céu, o Tejo, tudo nos gritava:

Belém! Belém! Belém!”


Não podemos deixar de pensar que ainda há dias se tentou fazer uma concentração para alegrar as Ruas de Belém perto do Estádio antes do jogo com o Boavista e, por causa da chuva (é certo, também da tardia divulgação da ideia), compareceram 5 pessoas... Para onde foi a Paixão?

Não podemos deixar de pensar no silêncio e na impassibilidade (nem umas leves palmas...) de grande parte da bancadas dos sócios ‘”cativos”, no mesmo jogo... Para onde foi a Paixão?

Na página 4 do mesmo jornal, num espaço dedicado a entrevistas, podemos ler: “Jornada de vibração e de euforia. De exaltação clubística (...) Jornada que fez transbordar de alegria os corações de todos os belenenses e que os fez vibrar de emoção.

Por isso, vimos lágrimas em muitos olhos. Ouvimos as vozes que se embargavam nas gargantas, mas quedando-se ali aprisionadas numa emoção incontida.

Como aconteceu, por exemplo, com Francisco Mega, um dos nomes mais ligados à vida do Belenenses.(...) ouvimos-lhe a voz. Trémula. A custo, conseguiu dizer:

- Estou radiante...É um dos momentos mais felizes da minha vida...

Levantámos então os olhos para ele e vimo-lo chorar. (...) Um abraço daquele homem que uma alegria grande vencia, selou a entrevista.

Francisco Mega dissera mais do que poderiam tê-lo feito mil palavras”.

Porque há quem pense que “os homens não choram” ou que, se o fazem, é porque a emoção lhes tira o discernimento, a competência e a determinação, cabe lembrar que Francisco Mega foi vária vezes Presidente do Belenenses (1935-38; 1939-41; 1950-54); que nem por então ser outro o Presidente, deixava de sentir o clube e a obra como seus; que era um desses homens que fizeram grande o Belenenses, em tempos em que todos os anos se acrescentava algo ao clube, em progressão constante, desses homens que nunca se dobraram perante os rivais, que, no seu orgulho, jamais aceitariam (quanto menos promover, sem necessidade...) situações que nos rebaixam perante esses clubes (não vou repetir...), dirigentes com uma capacidade de realização extraordinária...

Voltemos ao jornal “A Bola”. Na página 5 da mesma edição, de um artigo com o título “Das Salésias ao Restelo”, reproduzimos os seguintes excertos:

“As cerimónias de inauguração do Estádio do Restelo principiaram logo de manhã, como estava anunciado. E nem a chuva que caiu até cerca do meio dia ofuscou o brilho duma jornada que ficará assinalada na história do Belenenses como uma jornada inesquecível para a grande ‘família azul’; nem serviu para afastar a enorme falange de adeptos do clube que, desde as primeiras horas, começou a encher as ruas dos bairros de Belém, Junqueira e imediações, para não perder um só dos actos que serviram para festejar o grande acontecimento.

O ciclo das solenidades principiou com o último acto oficial nas Salésias: a homenagem que se prestou a José Manuel Soares (...)

Procedeu, depois, ao arrear da bandeira, o presidente da Direcção [Major Pascoal Rodrigues] do Belenenses (...) e fez dela entrega ao atleta olímpico Rui Ramos, entre calorosos aplausos da enorme assistência que nas Salésias presenciou o acto.

Organizou-se em seguida um extenso cortejo, seguindo à frente aquele atleta a transportar a bandeira numa salva de prata, acompanhado pelos membros da secção de cicloturismo do Belenenses e representantes das secções de andebol, atletismo, voleibol, hóquei, futebol, ténis de mesa, badminton, campismo, natação, ginástica e basquetebol.

O cortejo seguiu pela Rua das Casas do Trabalho, Rua da Junqueira, Rua Direita de Belém, Travessa das Linheiras, Rua Vieira Portuense (onde fez uma pequena paragem em frente da primeira sede do clube) e continuou pela Travessa da Praça, Largo de Belém, Rua dos Jerónimos e Avenida do Restelo, até parar junto do novo estádio.

Na última parte do percurso, a multidão engrossou, vitoriando os componentes do cortejo.

A cerimónia que se seguiu, o hastear da bandeira pelo Dr. Santos Pinto [na altura Presidente da AG], no mastro de honra, deu lugar a grandes manifestações de entusiasmo, ouvindo-se, com insistência, o buzinar dos automóveis que pejavam as artérias que circundam o estádio”.

Era gente que não chegava em cima da hora, ou até já depois, nos grandes dias... porque não queria perder nada do sentimento arreigado que escorria de cada acto belenenses...

As páginas 5 e 7 dão conta da grande parada que houve na pista ao redor do Estádio, onde “200 clubes com cerca de 3.500 atletas prestaram a sua homenagem ao Belenenses”. Números reveladores... O Belenenses de então, digno e altaneiro, que nunca calava a sua voz quando era injustiçado ou o tentavam subalternizar, nem por isso (ou talvez por isso mesmo...) deixava de merecer um extraordinário respeito. Saliente-se que houve desfiles mais ou menos semelhantes na inauguração das Antas, da Luz e de Alvalade, mas nenhum atingiu os números do Belenenses (já agora, o Belenenses foi o clube com mais atletas representados em Alvalade, com excepção, como é óbvio, do clube da casa)! Entre esses 3.500 atletas, 650 eram do Belenenses!

Depois da descrição pormenorizada do desfile, podemos ler a dado passo:

E para terminar, sob verdadeira tempestade de aplausos, começaram a desfilar os atletas do Belenenses. (...)

Foi um dos grandes momentos da festa, que serviu para que o Belenenses pudesse mostrar a falange de atletas de que dispõe para cumprir a sua alta missão de clube desportivo.

Lentamente, todas as secções desfilaram perante o público e a todas foi dispensado o mesmo carinho e o mesmo entusiasmo”

Não é bem melhor “uma tempestade de aplausos” que uma tempestade de impropérios ou uma “tempestade” de indiferença e pose sobranceira e distante?

Algumas notas a título de comentário final:

1. noutro artigo, exporemos o programa completo de festividades relacionadas com a inauguração do Restelo. Um programa extraordinário a todos os títulos, mesmo visto à distância de quase 50 anos.

2- Há uma frase feita quando se fala do Belenenses, que é “os velhos do Restelo”. Como estou na meia idade, e comparando tempos de outrora com os de hoje, estou em posição de perguntar: não será que alguns de nós, mais jovens, nascemos ou já somos ainda mais velhos?! O nosso conformismo mortiço, faz crer que sim, algumas vezes...

3. Queremos ou não que um entusiasmo semelhante ao exposto nos artigos volte a rodear o nosso Belenenses? Queremos ou não – mesmo que tenhamos que apanhar um pouco de chuva? O que estamos dispostos a fazer, na prática?

4 - Não é verdade que a alma de um clube são os seus adeptos, e a vitalidade destes é que determina o que o clube pode ser?

5 - Por que é que não se fomenta este clima de entusiasmo? Porque é que não o fomentamos nós, porque é que a direcção o não fomenta, porque é que não lhe aderimos?

6 - Duma coisa, não pode restar dúvidas. O Belenenses foi e ainda é um CLUBE ENORME mas está adormecido: ACORDA, BELÉM, QUE SE FAZ TARDE!

segunda-feira, novembro 15, 2004

PALAVRAS QUE FORAM DITAS - 28 - ...E a Paixão, para onde foi?




Se há coisa que nos pode entristecer no Restelo, mesmo no meio da alegria de uma vitória, é o progressivo esbatimento da paixão.

Não nos referimos, é claro, àquela indesejável paixão descontrolada e quase animal, destituída de equilíbrio e inteligência, que tantas vezes descamba, naturalmente, para a injustiça, o protesto impensado, o triunfalismo folclórico ou desrespeitoso. Falo, sim, da dedicação e do sacrifício, do entusiasmo galvanizador e contagiante, da vibração comovente com as venturas e desventuras do nosso Belenenses.


Fico, por isso mesmo, estupefacto, quando oiço falar do clube numa simples lógica de custos e ganhos, como se de uma empresa qualquer se tratasse – num clube, é necessário rigor financeiro mas não é isso que lhe justifica a existência. Fico, sinceramente, irritado com os braços cruzados e as gargantas caladas quando as equipas entram em campo e precisam do nosso apoio. Fico desiludido quando vejo as pessoas deliciarem-se com o fait-divers, e permanecerem insensíveis às histórias belas e dramáticas – de resistência e dedicação - do nosso clube, e ao pulsar da sua vida.

Não foi sempre assim. Já houve tempos, como aliás já referimos em outros artigos, em que o Belenenses se destacava, sim, pela paixão e entusiasmo das suas gentes... (cfr., v.g., “Palavras que Foram Ditas – 2”).

Há testemunhos inúmeros da vibração, do incentivo clamoroso que rodeava as nossas equipas. Em outros momentos, relatei aquilo a que eu próprio assisti; recorremos agora, e futuramente, a testemunhos alheios, e a tempos e acontecimentos a que não assistimos.

Tal é o caso destas páginas escritas por Vítor Santos (um grande jornalista, adepto do Sporting mas que sempre respeitou e manifestou autêntica simpatia pelo Belenenses), nas páginas do nº 1313 de “A Bola”, na sua edição de 25 de Abril de 1955. Exactamente: no dia a seguir ao célebre jogo com o Sporting, no último jogo do Campeonato, que perdemos a 4 minutos do fim, com bastante azar e lapsos (?) da arbitragem – conforme Carlos Gomes, Guarda-Redes leonino de então e figura mítica do futebol português veio a reconhecer... 49 anos depois. Mas disso voltaremos a falar noutra ocasião...

Assim, descrevendo aquele fatídico dia (para o Belenenses), escreveu Vitor Santos que, ao chegar às Salésias, às 14h30m, uma hora e meia antes do jogo começar...

“...o campo, sobretudo do lado do peão, estava já quase cheio. Pairava no ar um sussurro infernal, misto de alegria e expectativa. No rosto dos adeptos do Belenenses lia-se a confiança na vitória...

De todos os lados continuavam a afluir vagas sucessivas de gente, que vinha engrossar esse mar imenso de cabeças e bandeiras que emoldurava em grande gala o Estádio das Salésias.

(...)

15.57 – O Estádio tremeu e viveu numa prolongada onda de aplausos durante alguns segundos – talvez minutos – quando os rapazes da camisola azul subiram as escadas de acesso ao terreno.

No ar estrelejaram foguetes e rebentaram potentes morteiros, a anunciar a todo o bairro que ia começar a grande festa de Belém.

16.02 – Uma avançada, duas avançadas e, calmamente, Perez faz anichar a bola no fim das redes de Carlos Gomes.

Verdadeiro momento de loucura colectiva, assinalado ruidosamente com foguetes, morteiros, chocalhos e toda a espécie de instrumentos de fazer barulho!
Em todo o campo, os sócios e simpatizantes do clube, lágrimas nos olhos, abraçavam-se. No próprio camarote da Direcção, o contentamento era bem visível.

No campo, Perez, o autor do golo desaparecia no meio dos seus companheiros, tal era o desejo de todos em querer abraçar o ‘herói’ do momento. Alegria nas Salésias..”.

Gostava de fazer notar que o ‘velho’ Estádio das Salésias tinha então uma lotação de 26.000 pessoas. Não era um campozinho... Havia alguns adeptos do Sporting e alguns do Benfica (à espera do deslize do ‘Belém’, tal como muito adeptos azuis, talvez sem bilhete para as Salésias, se deslocaram à Luz, com o fito inverso...) mas, evidentemente, a grande, grande maioria era do Belenenses.

Perdemos o Campeonato, é certo; mas arrepio-me e comovo-me ao ler as descrições, sobretudo as que sublinhei. Quem me dera viver um momento desses, mesmo com um fim indesejado... Vibrar, sentir um clube vivo, momentos arrebatadores...

Compare-se aquela vibração com o desolador vazio e silêncio das bancadas do Restelo... e não se estranhará a pergunta:

“E a paixão, para onde foi?”.

Cabe a todos nós fazer com que esta pergunta deixe de ter sentido! É com esse objectivo que escrevo!

sábado, novembro 13, 2004

Festival de golos falhados


Numa boa tarde de Sábado para ir ao futebol, foram muito poucos os presentes no estádio do Restelo, talvez 3 a 4 mil. É uma pena, mas há que repensar toda a envolvência da partida de forma a captar mais pessoas. Quanto ao jogo, vitória clara por 3-0 da melhor equipa, que se revelou, ou "re-revelou", muito perdulária. Com gente com "faro" de golo, poderíamos neste, como noutros jogos, partir para uma goleada histórica. E Juninho Petrolina assume-se, claramente, como um jogador de grande classe e o motor desta equipa, que entrou em campo com 2 ex-juniores...

Devo antes de mais começar por dizer que entrei no estádio no momento em que o jogador do Moreirense foi expulso, pelo que do período anterior só posso afirmar o que me foi explicado pelo Eduardo Torres. Assim, até ao golo, notava-se claramente que a equipa estava sobre brasas, muito nervosa. A jogada que precede o golo de Neca foi a primeira jogada bem conseguida da nossa equipa e acabou por dar origem ao 1º golo. Até aí, o jogo estava muito morno e mal jogado.

Minutos depois, Neca isola-se e sofre falta, sendo o jogador do Moreirense expulso. A partir daí, o Moreirense desapareceu do campo e o Belenenses controlou calmamente o jogo até ao intervalo, período em que ainda atirou 2 bolas à barra. Destaque também na 1ª parte para um erro de Amaral que proporcionou uma boa oportunidade para os Minhotos, que Marco Aurélio resolveu com uma enorme defesa.

Na 2ª parte Rodolfo Lima, que entrara no final da 1ª parte, mostrou-se muito interventivo e "empurrou" a equipa para a frente, cabendo-lhe marcar o 2º golo. Surge então um período de 5/10 minutos em que o Belenenses se apercebeu que poderia partir para um resultado mais dilatado e arrisou mais, tendo o Moreirense começado a incomodar no contra-ataque, mas sempre sem grande perigo. O festival de golos falhados começou então, com Antchouet de volta à "trapalhada", mostrando claramente que psicologicamente tem grandes lacunas. Se muitas vezes não está confiante porque não marca golos, agora parece estar nervoso por "ter" de marcar. E sucederam-se os maus domínios de bola, os toques a mais, enfim...

A 5 minutos do fim, numa excelente jogada de contra-ataque, Amaral aparece completamente sozinho frente a João, finta-o com grande classe e empurra a bola para a baliza, estabelecendo assim o resultado final.

Com o final do jogo, chegam uma vez mais duas sensações distintas: por um lado, poderíamos ter partido para uma goleada histórica ; por outro, poderíamos ter sofrido mais 1 ou 2 golos. Mas parece-me claro que as pessoas têm de compreender que se gostam de ter este caudal ofensivo (temos de melhorar MUITO a finalização), não podemos ter grande estabilidade defensiva, isto sem se apontar nada à defesa. Mas é um facto que o único jogador com características defensivas no nosso meio-campo é o Andersson, que na verdade nem é trinco, mas sim médio-centro. Talvez seja possível encontrar um equilíbrio maior, mas não me parece justo que à saída e durante o jogo houvesse tanta gente a dizer tão mal da equipa. Uma das acusações mais ouvidas era que a equipa não corria, como se via correr o Estoril e a Académica... Na minha opinião, ainda bem, porque é sinal que somos uma equipa que sabe para onde vai e como quer jogar.

Uma nota final para destacar Juninho Petrolina, Rolando e Amaral, claramente os nossos melhores jogadores esta tarde. Nos antípodas, José Pedro (tão em baixo de forma, tão descrente...) e Antchouet (voltou à "trapalhice"). Gostei também de ver Carvalhal a colocar Cristiano, que me parece um bom profissional e que merece ir jogando, até para não perder ritmo.

sexta-feira, novembro 12, 2004

PALAVRAS QUE FORAM DITAS – 27 - No sofá, com medo da chuvinha...



Na Taça UEFA de 88/89, o Belenenses, depois de haver espectacularmente eliminado o vencedor da edição anterior, os alemães do Bayer Leverkusen, acabou por baquear ante um adversário bastante mais acessível, o Velez Mostar, da Jugoslávia.

Após dois jogos sem que nenhuma das equipas chegasse ao golo, a eliminatória decidiu-se por pontapés de Grande Penalidade – e perdemos...

Dois dias depois, no bar que então existia ao cimo de umas escadas que se iniciavam logo a seguir ao baixo relevo de Pepe, estavam alguns sócios nas mesas, outros (como eu) ao balcão, e, também ao balcão para serem atendidos, um grupo de 4 ou 5 jogadores da equipa de futebol.

Os jogadores conversavam entre si e, a certa altura, algumas expressões mais jocosas fizeram um deles soltar duas ou três sonoras gargalhadas. Como estava mesmo ao lado deles, pude ouvir que um dos colegas lhe chamou a atenção, sugerindo que não se risse tão efusivamente pois “eles [os sócios] ainda estavam sentidos com a derrota e podiam não gostar”.

A resposta foi autenticamente fulminante: “Eles importam-se bem com isso!... Ficaram em casa, com medo da chuvinha...”.
Palavras tão corrosivas quanto justas! Num jogo importante, em que o Belenenses podia dar um grande salto europeu e consolidar o prestígio europeu que granjeara, a televisão e uma chuva miudinha fez muita gente ficar em casa. A assistência foi decepcionante (embora fosse excelente para os padrões dos últimos anos) e, apesar do esforço de uma boa parte dos que disseram “presente!”, os jogadores (res)sentiram-se... Que jogador, que se preze, não gosta de sentir o calor do público, o envolvimento de uma boa assistência, os aplausos e os clamores de incentivo?

Os maus exemplos, sejamos justos, vêm muitas vezes dos sócios e adeptos. É fácil “arrasar” jogadores, treinadores e até dirigentes. Não custa dizer, nos momentos maus, que este ou aquele jogador não respeitou a camisola. E, por vezes, haverá razão para o dizer (atenção: não assim no caso dos jogadores referidos, profissionais briosos). Mas... e nós, respeitamos o nosso emblema quando, por simples comodismo, não comparecemos? Quando, por indiferença, negamos a nossa presença e o nosso apoio – não tanto aos jogadores em concreto mas, mais que tudo, ao Clube? Quando, por isso mesmo, perdemos a legitimidade para criticar?

Lembrei-me disto a propósito do jogo com o Boavista. Lembrei-me disto a propósito do jogo europeu de Basquetebol, onde (só) não pude ser um dos 400 escassos (tão escassos!!!) espectadores presentes, por impossibilidade absoluta. Como me lembrei em outras ocasiões, em que, independentemente dos resultados, a frieza do Estádio me deixou com um sabor a frustração e tristeza!

É PRECISO DEVOLVER A PAIXÃO E TRAZER A ALEGRIA AO BELENENSES!

quinta-feira, novembro 11, 2004

Basket: Taça Europa FIBA

O Belenenses defrontou ontem na Suiça a equipa BC Boncourt numa partida relativa à segunda jornada da Taça Europa FIBA.
O resultado final foi 87-81 desfavorável ao Belem.

Mais detalhes sobre o jogo em :
osbelenenses.com
belenensesbasket.com

O Belenenses e o Boncourt ocupam actualmente o primeiro lugar do grupo mas falta ainda ser disputado o jogo entre o Albacomp e o Brno. Se o Albacomp ganhar hoje ficam todas as equipas empatadas.

Brasília: o que se fez

O episódio ocorrido com Brasília já fez correr tinta na imprensa e nos blogs. Por manifesta indisponibilidade, e também porque achei importante clarificar ideias, abstive-me de comentários a quente.

Agora, passados dois dias, e conhecendo melhor os pormenores que levaram a tal situação, devo dizer claramente que não me oponho à decisão da SAD. O mesmo não significa que concorde com ela, por achar que outras vias haveria para resolver a situação de forma mais conveniente para o nosso clube.

Compreendo que a situação que se passou entre Brasília e Carvalhal foi indigna, ao que tudo indica de parte a parte. No entanto, todos sabemos como é o mundo do futebol e o vernáculo correntemente utilizado, pelo que o episódio poderia ter outra solução.

Na minha opinião, a rescisão pura e simples do contrato é prejudicial para o Belenenses, na medida em que investiu num jogador, deu-lhe visibilidade, e agora pura e simplesmente deixa o jogador livre sem ganhar nada em troca, para além da aparente estabilidade na equipa.

Brasília já jogou na Alemanha e na Polónia (tendo feito carreira em pelo menos 2 clubes deste país), pelo que não me parece que fosse complicado em Janeiro colocá-lo num destes países, por empréstimo, mantendo assim a ligação com o jogador, e podendo retirar dividendos futuros. Por outro lado, devo dizer que encararia com optimismo o empréstimo a outro clube da Superliga, dada a situação. Facilmente, pelo valor que tem, se imporia e, quem sabe, não poderíamos daí retirar um negócio proveitoso?

Mas, reafirmo, compreendo a tomada de posição da SAD e acho que foi uma via de resolução do problema perfeitamente coerente e racional. Até se pode agora criticar, pensando no episódio entre Rochembach e Peseiro e sua resolução. Mas temos de considerar vários factores, entre os quais a preponderância do brasileiro no Sporting, a posição frágil do treinador leonino e o valor de mercado do jogador, obviamente superior ao de Brasília. Aí sim, uma situação destas seria suicídio. Mas também afirmo claramente que não admitia que com uma situação daquelas, tornada pública, o jogador voltasse aos trabalhos. Rapidamente se arranjaria um clube europeu onde fosse emprestado. Mas aí temos o problema dele, na realidade, estar emprestado ao Sporting... grande confusão.

Concluíndo, gostaria de enaltecer a atitude das 3 partes neste conflito: o jogador, o treinador e os dirigentes. O jogador porque teve declarações respeitosas para com todos os envolvidos e assumiu a sua quota parte de culpas ; o treinador porque se absteve de comentar ; e os dirigentes porque tomaram uma decisão célere e que defendeu os interesses do clube.

quarta-feira, novembro 10, 2004

A DÉCADA DE 70 - PARTE VII – O FIM DO IMPÉRIO



Pode parecer estranho o título com que finalizo a década de 70 – “O Fim do Império” – mas é isso mesmo o que imediatamente me surgiu para exprimir o que sinto ao olhar para os últimos anos da década de 70 (e, já agora, o início da década seguinte, culminando no desastre de 81/82).

Foi, de facto, o esboroar da noção orgulhosa e altaneira do clube grande, um dos grandes, que mesmo na derrota sempre afirmava essa condição. Foi um tempo de anarquia, de um clube tantas vezes (aparentemente) ao abandono, desleixado, mal cuidado, a vulgarizar-se. Foi a perda de projecção (embora incomparavelmente superior à de hoje), perda visível, sensível, dolorosa e quase diária, algo de semelhante às súbitas “quedas” dos aviões nos poços de ar. Foi a viragem do ambiente e do “espírito” nos jogos que fazíamos em casa, face ao Benfica e ao Sporting, no que respeita ao público, em que fomos começando a estar em desvantagem, e face a esses dois clubes e ao F.C.Porto, no que respeita à atitude da nossa equipa, até então ofensiva, fazendo questão de ter a iniciativa atacante, a partir daí, cautelosa, retraída, mais defensiva.


A equipa de 1977/78


Ainda assim, a época de futebol de 77/78 trouxe-nos alguns bons momentos, durante cerca de 2/3 do Campeonato – bons momentos em termos de resultados, que não de exibições. Foi a mais ou menos célebre equipa do “patinho feio”, comandada por António Medeiros (que já evocámos, com gravuras, há alguns meses atrás). O estilo de jogo da equipa pode ser facilmente compreensível se dissermos que em 30 jornadas marcámos 25 golos e sofremos 21…. (a defesa foi a 2ª melhor, ex-aqueo com o campeão F.C.Porto; já relativamente ao ataque, só houve três piores).

No entanto, de certo modo, resultava; e no final da 1ª volta a equipa engrenou, começou a conquistar pontos e a galgar lugares com 5 vitórias consecutivas, postando-se em 3º lugar. Foi nessa posição que, à 18ª jornada, recebemos o Benfica, então líder, com 4 ou 5 pontos de vantagem sobre nós. Se ganhássemos – dizia-se – ficaríamos a 2 ou 3 pontos e a candidatura ao título passaria objectivamente a ter razão de ser.

Houve uma boa assistência, embora com algumas clareiras nas centrais: terão estado umas 35.000 pessoas. Além de adeptos do Belenenses e do Benfica, havia alguns do Sporting e até do Porto, naquele dia desejosos de ver o Benfica perder, pois o seu domínio já “chateava”. O Benfica terminaria nesse ano a impressionante sucessão de séries de 3 títulos, intervalados por um do Sporting. O FC.Porto pôs fim a um jejum de 19 anos e, a partir de então, foi o que se sabe… Eles deram o salto para a frente… nós demos um salto…para trás…e cavou-se um fosso progressivamente maior.

Jogámos cautelosamente, como era costume nessa época. O empate justificou-se perfeitamente mas fica na memória um cruzamento, salvo erro de Isidro, mesmo a terminar o jogo, que dois avançados azuis não conseguiram encostar (pois só isso faltava) para dentro da baliza…

Ainda assim, as coisas continuaram bem mais algumas jornadas, até perdermos em casa com o Braga. A partir daí, decaímos, até às 2 ou 3 últimas jornadas, e terminámos em 5º lugar, sem acesso às competições europeias. O Porto e o Benfica fizeram 51 pontos; o Sporting, 42; o Braga, 38; o Belenenses, 36; o V.Guimarães e o Boavista, que se lhe seguiram, 31 e 28, respectivamente.

No ano seguinte começámos bem o Campeonato, agora com uma toada mais atacante, destacando-se, nas primeiras jornadas, uma goleada por 7-1 sobre o…Braga, apesar de terem sido eles a inaugurar o marcador, e uma vitória por 1-0 sobre o Benfica (golo de Vasques na 1ª parte), jogo a que assisti na Superior, rodeado de 80 ou 90% de público benfiquista – uma parte do qual teve um comportamento o mais ordinário e bestializante que se possa imaginar…

Mas os adeptos pareciam minguar; a equipa começou a oscilar e a descer na tabela, António Medeiros acabou por sair, e terminámos instavelmente em 8º lugar.

Na época seguinte, foi Juca o treinador. Não tenho nenhumas saudades. Obteve-se um 5º lugar (que então sabia a decepção), novamente sem acesso às competições europeias, e muito mau futebol (é raro, nesse lugar, haver um goal-average de…33-38). Lembro apenas com satisfação uma vitória por 2-1 sobre o Sporting, num Restelo quase cheio (uma das 2 únicas derrotas sofridas pelos campeões dessa época).

E entrámos na década de 80. Começou logo com um grande susto – um 11º lugar, a vida complicada até ao fim, a permanência assegurada na penúltima jornada, depois de um sobressalto e consequente reacção da equipa. O peso que as camisolas do Belenenses tinham, ainda, conseguiu funcionar. E veio a triste época de 81/82, com a impensável 1ª descida de divisão. Voltámos, reerguemo-nos, os anos de 80 ainda trouxeram algumas alegrias mas… já era outro Belenenses.

Já não era o fidalgo, mesmo que arruinado. Era um clube que a imprensa, cada vez mais, tratava como os outros. Tinha sido o desfazer do império. Mais uma vez, só que em condições agora muito adversas, sem o prestígio de outrora, o Belenenses tinha que lutar pela sobrevivência, garantir algum ar para poder respirar, conservar algum espaço vital...

Terminamos assim a nossa digressão pelo passado a que assistimos (outro, anterior a nós, é, porém, aludido em outro tipo de artigos). Pode dizer-se que acaba de forma tristonha... é verdade. Mas se os factos que contei agora culminaram em tristeza, só um pateta alegre os contaria com felicidade. Falei com alegria ao referir-me a factos felizes, usei o tom contrário quando os factos foram tristes. Seja como for, eu assisti a um Belenenses grande comparativamente com o actual mas nasci, curiosamente, no ano em que os grandes infortúnios, com o resgate do Estádio, começaram. Nunca vi o grande, grande Belenenses. Tenho, entretanto, a noção do que este clube representou; e tenho pena que a memória seja tão curta, e sejam os seus próprios adeptos a vulgarizarem o conceito que dele fazem.

Este trabalho, contudo, não acaba aqui. Faremos uma síntese conclusiva destas 4 décadas que percorremos; tentaremos caracterizar o tempo presente, como efeito dessas causas pretéritas; avançaremos então com a nossa visão e as nossas propostas para o futuro do clube.

terça-feira, novembro 09, 2004

Brasília: o caso do dia

A situação de Brasília e o caso em torno da rescisão do vínculo que o ligava ao C.F. "Os Belenenses" é o tema que marca a actualidade azul. Os dados são poucos, e por agora apenas posso lamentar a saída de um jogador que me parece ter qualidade suficiente para representar o clube.

Não deixa todavia de ser irónico que esta situação aconteça na mesma altura em que outro caso de indisciplina (e digo outro porque todas as informações apontam para que as motivações da saída de Brasília se ligarem a indisciplina), por ventura bem mais complicado - o de Fábio Rochemback - agita a actualidade desportiva.

Não sei se existe paralelo ou não. Sei que o silêncio ensurdecedor (embora inacreditavelmente normal) da SAD não me deixa outra alternativa que não seja a da especulação.

Até quando?

segunda-feira, novembro 08, 2004

Hej och välkomna alla svenska användare!


Pois é meus amigos, o Blog do Belenenses tem o prazer de anunciar que se tornou parceiro do Kanal 5, da Suécia, tendo em vista divulgar a carreira do jogador Anders Andersson ao serviço do Belenenses.

De facto, fomos contactados e convidados pelo programa "Liga Europa" a comunicar semanalmente a prestação do jogador ao serviço do nosso clube, informação essa que será transmitida no programa, que vai para o ar todas as segundas-feiras pelas 23:00 locais. Este programa, com uma audiência média de 200 mil espectadores, acompanha a carreira dos vários jogadores suecos espalhados pela Europa, e passará agora a acompanhar mais de perto a carreira do nosso capitão.

Assim sendo, hoje será a estreia do novo espaço dedicado à prestação de Anders Andersson, que se tem mostrado um profissional exemplar ao serviço do nosso clube. Desta forma, estamos certos disso, estamos também a contribuír para a divulgação do nome do nosso clube por essa europa fora.

Este programa, apresentado por Marcus Bjorling, tem a participação de Tommy Åström, um reputado comentador desportivo local, e Pelle Blohm, um ex-jogador sueco.

Assim sendo, resta-nos desejar aos nossos amigos suecos:

Hej och välkomna alla svenska användare!

domingo, novembro 07, 2004

9 PONTOS SOBRE A EQUIPA DE FUTEBOL

(Artigo da autoria de Eduardo Torres)

1. Nunca alimentei grandes expectativas para a presente época futebolística. Penso que se fizeram algumas boas contratações (Amaral e Juninho, sem dúvida; Zé Pedro, talvez; Sandro, ainda tenho esperança) mas há claramente pontos fracos na equipa.

2. A equipa está a fazer, em termos pontuais, o tipo de campeonato que eu esperava, em média, e aliás, o que havia sido apresentado como meta. Outra coisa, foram os castelos no ar que se construíram, sem razões objectivas, a meu ver. Pensava, sinceramente, que nesta altura tivéssemos mais pontos; mas também esperava que depois houvesse uma descida de rendimento. Ora, se o “gás” da equipa não durou mais do que 3 jornadas, por outro lado constata-se que ela está psicologicamente bem. Não antevejo nenhum descalabro.

3. Entre o endeusamento (inicial) de Carvalhal e as críticas que agora chovem, julgo que, ponderadamente, há um ponto de equilíbrio: é um bom treinador mas não é genial. Parece ter recuperado psicologicamente a equipa, depois do que se passou na época anterior, e mesclado bem os que vieram com os que já estavam mas a equipa apresenta ainda grandes oscilações. Não parece ver excepcionalmente bem o jogo no banco mas tudo indica que tem belíssimos métodos de treino. Esperemos o desenvolvimento do seu trabalho.

4. Realisticamente, uma equipa não se constrói num dia. Os automatismos demoram a consolidar-se. As equipas de sucesso vão-se melhorando época após época, primeiro colmatando os pontos mais fracos, depois adquirindo elementos que permitam outras opções, enfim, obtendo jogadores que, só por si, possam desequilibrar. Espero que se trilhe esse caminho no futuro. Nisto, a estabilidade e uma visão de médio prazo são importantes.

5. Mas, dir-se-á: e o que está a fazer o Vitória de Setúbal? Penso que é uma excepção e, de qualquer maneira, sem lhes tirar mérito – que o têm – “as contas fazem-se no fim”. Não obstante, por muito que me custe dizê-lo, julgo que há no V. Setúbal (e não só...)um ânimo conquistador e uma garra que há muito anda arredia da nossa casa...

6. Queixamo-nos da falta de ambição da equipa, em especial nos jogos fora. Julgo que é verdade mas penso também que a culpa não é exclusiva nem principalmente do treinador e dos jogadores. Acho errada a ideia de que tudo depende destes. Na verdade, sobretudo em termos de atitude, é deles que menos depende. Se muitos sócios e adeptos, e também alguns dirigentes, são os primeiros a dar o exemplo (dentro de “casa”) de conformismo, ambições medíocres, falta de sentido conquistador, desrespeito pela grandeza e identidade do clube, quando somos enxovalhados e não reagimos, quando nos pomos em posições que nos menorizam (e, a meu ver, nos humilham) e ainda aplaudimos, se se pensa o clube como se fosse uma empresa de máquinas de lavar roupa ou coisa assim, se temos as bancadas do nosso estádio desoladoramente vazias – o que pensamos que se transmite para os jogadores? Atenção, não se me interprete erradamente: isto não é uma postura derrotista. É um apelo a que nos comportemos de forma diferente.

7. Temos um dos melhores ataques e uma das piores defesas. É natural: O nosso meio campo é ofensivo, os laterais são melhores a atacar que a defender, a defesa é totalmente nova...). Prefiro que empatemos 3-3 do que 0-0. Mas o ideal é tentar manter o desempenho atacante, e compensar as funções defensivas, com os equilíbrios necessários.

8. Não gostaria que viesse um carregamento de jogadores em Janeiro. Um estará bem, dois aceita-se, mais do que isso...não. Na minha opinião, a equipa apresenta 4/5 lacunas principais: um comandante para a defesa (Wilson, parece que passou o seu tempo; Sandro, será talvez hipótese); um defesa esquerdo (Cristiano tem estado muito mal, Cabral, Eliseu, Brasília, Gonçalo Brandão são hipóteses mas... resultarão?); um trinco (ou, então, avançar Pelé, mas há que colmatar o centro da defesa); um jogador que entre bem pelo lado direito (Amaral tem sido o nosso verdadeiro extremo/médio aula direito mas, com um meio campo pouco agressivo, ficam compensações por fazer) e um jogador de área (tremo de pensar se Antchouet tem algum impedimento ou baixa de forma; e, de qualquer forma, precisemos de outro avançado que marque golos).

9. Estou contente? Não: Estou apenas a concluir que as coisas vão dentro do que era normal esperar. Gostava que as coisas fossem diferentes para melhor? Claro que gostava. Mas, para isso, teria que haver outra atitude, outra mentalidade, outra garra, outra coerência... e isso já é outra questão, embora seja a grande questão...

sábado, novembro 06, 2004

Beira-Mar x Belenenses 3-3



Análise ao jogo (por Luciano Rodrigues):

O jogo de ontem deixou-me particularmente irritado pois acho que fomos nós que cavámos a nossa própria sepultura. A equipa que entrou em campo foi uma perfeita aberração, não faz sentido desfazer uma dupla de centrais que tem funcionado bem para colocar um deles à direita e colocar no meio um homem que já deu muito ao clube, mas cuja hora já chegou, e não foi hoje ou ontem, já foi há muito tempo.

Ou seja, com a entrada de Cabral resolveu-se o drama do lado esquerdo, mas "rebentou-se" voluntariamente com o centro e lado direito da defesa! E só na 2ª parte Carvalhal percebeu isso. Para além do mais, a subida para o meio-campo de Amaral foi perfeitamente inócua, o homem não se via a atacar e mal se via a defender.

Por outro lado, devo dizer que gostei de ver o Brasília (algumas ele deve fazer para nunca ser titular, jogando sempre bem) e o Eliseu. O Neca está desesperante, nem uma bola consegue dominar. Uma falta de confiança gritante. Ontem até Marco Aurélio esteve infeliz em 2 lances, mas no 1º graças a Andersson e no 2º graças à sua intervenção, o perigo passou.

Relativamente ao jogo, foi pena não termos ampliado a vantagem no primeiro quarto de hora. Depois o Beira-Mar cresceu. A 2ª parte foram 45 minutos loucos com ambas as equipas à procura de golos.

O resultado final de 3-3 aceita-se para um jogo nem sempre bem jogado, mas com vontade de parte a parte.

Gostava de referir Antchouet, o nosso Xuxu, sempre tão criticado e que ontem marcou 3 golos em 3 oportunidades, sendo que o segundo foi um excelente golo, com boa recepção (e não era fácil) e bom remate. Destaque também para Juninho que brilhou e foi verdadeiramente desequilibrador, para além de pela primeira vez o ter visto a ajudar muito o meio-defensivo. Por fim, não posso deixar de destacar Andersson, um verdadeiro pêndulo no meio-campo.

Relativamente à arbitragem, foi muito má, sem prejuízo para nenhum dos lados em especial, mas tão-só para o espectáculo. Como foi possível haver 3 ou 4 entradas assassinas na 1ª parte sem um cartão amarelo??? E na 2ª parte já havia cartões por tudo e por nada??? O lance que Pélé corta sobre a linha começa também numa falta grosseira cometida sobre o Rolando que é puxado no tronco pelas 2 mãos de McPhee. E ainda em relação a Pélé há um lance logo no início do jogo perfeitamente bizarro, em que Pélé ganha em velocidade a McPhee claramente dentro da área, ninguém percebe o que o árbitro apita, e este aponta um livre fora da área, considerando falta sobre McPhee. Ah, e o amarelo ao Juninho é também surreal, uma vez que o jogador Aveirense está a mais de meio metro de Juninho quando se atira para o chão...

Resumindo, foi na minha opinião um ponto ganho. Mas se fossemos mais ambiciosos o Beira-Mar tremia. Aqueles últimos 10 minutos podiam ter servido para caírmos em cima deles, que estão a precisar desesperadamente de pontos. Mas o que vi foi o contrário: um livre nos últimos segundos de descontos em que em vez de bombear a bola para a área decidimos gastar uns segundos a trocar a bola, sendo que o Beira-Mar recuperou a bola imediatamente! Esta atitude tem de mudar, tal como as claríssimas perdas de tempo do Marco Aurélio. Só beneficiamos o adversário!

Notas importantes (por Luís Vieira)
O Belenenses jogou ontem em Aveiro frente ao Beira-Mar e consentiu um empate a 3 bolas.

- Em 5 jogos realizados fora do Restelo temos 2 empates e 3 derrotas.
- Empates frente ao Rio Ave e ao Beira-Mar.
- Derrotas contra o Estoril, Porto e Sporting.

- Temos 16 golos marcados e 16 sofridos. Ou seja, actualmente temos o melhor ataque e temos a terceira pior defesa (com mais um jogo).
- Nos jogos fora temos 6 marcados e 12 sofridos.
- Antchouet tem 8 golos marcados, o que representa 50% dos golos do Belém. É tambem actualmente o melhor marcador da Superliga.

- Temos 27 cartões amarelos (media de 3 por jogo) que deram origem a 2 vermelhos. (a pior equipa é o Porto com 28 amarelos)

- Estamos em nono lugar e podemos perder nesta jornada três posições.
- No fim desta jornada podemos ficar apenas a 1 ponto dos lugares de despromoção.

Enfim...

Basket: Queluz x Belenenses

Mensagem de belenensesbasket.com:


Depois da estreia do basquetebol do Belenenses na Europa, derrotando os checos do Plus Brno na 1ª jornada da Conferência Central (grupo B) da FIBA Cup, o Clube da Cruz de Cristo visita o Queluz, já no próximo dia 6 de Novembro pelas 16h30, em jogo a contar para a 5ª Jornada da Liga de Clubes.

Ambas as equipas partilham neste momento o primeiro lugar da tabela classificativa, com 3 vitórias e 1 derrota para cada uma delas. Estão a passar um bom momento de forma, e acredita-se que nenhuma delas vá facilitar a vida ao adversário. Com grandes jogadores em destaque, espera-se uma partida emotiva e disputada até ao último segundo, mas acima de tudo espera-se bom espectáculo de basquetebol.

Na época passada, no confronto directo, registaram-se 3 vitórias para a equipa anfitriã e 1 para equipa azul, com os seguintes resultados:
- Belenenses 67 – 76 Queluz
- Queluz 79 – 69 Belenenses
- Queluz 79 – 67 Belenenses
- Belenenses 96 – 95 Queluz

A todos os amantes e simpatizantes da modalidade fazemos o apelo a comparecerem neste encontro que se avizinha já no próximo sábado. Pensamos que darão o seu tempo por bem empregue!

Belenenses: Vamos apoiar os nossos “Guerreiros” nesta nova jornada e vamos mostrar que apoiamos os nossos jogadores em casa e fora! Vamos torcer por eles e agradecer-lhes as alegrias que nos têm dado por envergarem a nossa camisola com tanto brio e orgulho. Eles agradecem o nosso apoio!!

Caso não possa acompanhar os “Guerreiros” nesta jornada a contar para a Liga TMN, siga em directo e em exclusivo, com actualizações em cada 2 minutos, ao Live no site:
www.belenensesbasket.com

Acompanhe a sua equipa em todos os jogos, em qualquer sítio, à distância de um click, através da internet!!!

sexta-feira, novembro 05, 2004

Jacinto Ramos

(Artigo da autoria de Manuel Benavente)

Todos já nos habituáramos à presença do Jacinto Ramos, fosse no Estádio, no Pavilhão, em Assembleias mais ou menos concorridas, em que do cimo dos seus muitos anos, levava sempre com uma bonomia evidente, os fora de jogo, os empurrões e as rasteiras da vida.
Desculpem se neste clarim belenense não vos vou falar tanto e decerto do seu grande coração azul. Mas aceitem-me lembrá-lo no seu ofício teatreiro, em que os mais novos acreditem, era verdadeiramente fabuloso.
Foi actor, dirigiu actores, fundou e dirigiu grupos de teatro, foi autor de cinema, de argumentos para filmes, fez muito teatro em televisão e na rádio, era enfim aquilo a que se pode chamar um bicho de palco.
Protagonista em dezenas de peças, interveniente em dezenas de filmes, veio da amadora Sociedade Guilherme Cossul, tal como Varela Silva, Raul Solnado e outros grandes nomes do nosso teatro. E foi sem dúvida no teatro e no seu ofício de actor que criou com uma plasticidade soberba, os mais diversos e complicados personagens da vida.
Actor do chamado teatro sério – como se todo o teatro não fosse sério -, permitam-me que recorde o Jacinto Ramos não na prestigiosa sala do Teatro Nacional, da pequena e digna do Villaret ou da espampanante do Monumental, mas muito longe daqui, da nossa Lisboa, talvez mesmo no fim dos anos sessenta, na bela pérola do Índico que foi –e que decerto continua a ser - Lourenço Marques. È uma noite típica da África tropical na estação baixa, portanto nem particularmente húmida, nem excessivamente quente. A sala onde Jacinto Ramos vai actuar na Baixa laurentina e de que já não recordo o nome, ficava mais ou menos na diagonal ao Cinema Scala. É uma sala normalmente de cinema, já em declínio, não especialmente vocacionada naquela época para receber grandes peças, nem para espantosos actores. O ambiente não estará especialmente caloroso, excepto pela pitada de Portugal que a companhia de teatro nos traz. Ainda hoje vejo nos corredores de acesso o Luís Pinhão, também actor mas ali com funções apenas logísticas. Porém quando as luzes se apagam e surge Jacinto Ramos no palco construindo durante cerca de hora e meia o louco de Nicolau Gogol, tudo se transforma.
Deixa de haver sala excelente ou medíocre, poltronas confortáveis ou nem por isso, novos ricos e mulheres esplendorosas exibindo-se na estação baixa à falta de melhor.
Porque no palco vai estar um homem só, actor único da peça, agarrando e arrastando os espectadores à tragédia de Gogol. O personagem começa por ser um homem e acaba um verdadeiro farrapo.
O Jacinto Ramos teve uma interpretação portentosa, como tantas outras ao longo da sua vida.
E se aqui convoquei além de Jacinto Ramos, Lourenço Marques, anos sessenta, uma sala fraquinha, uma peça fenomenal e uma interpretação portentosa, trata-se apenas de me ver jovem de vinte e três anos, não muito amante de teatro e mais leitor de Gogol, confesso sem curar de saber se Jacinto Ramos era belenense como eu, porque nem isso era o mais importante. Mas a partir daí, isso sei bem, respeitei a arte de representar de outra forma, o que me proporcionou uma vivência de belas emoções, as quais tanto enriquecem a alma de cada um!
E se estas recordações servirem para outros mais jovens, irem ao teatro, gostarem de teatro, acreditarem no teatro, fiquem a saber que o Jacinto Ramos lá onde está e todos um dia haveremos de estar, dará por bem empregue o louco de Gogol que convocou naquela noite laurentina, pelo menos mais um português para o teatro.
Estou a vê-lo, numa noite da época passada, nas escadarias do Restelo, com os seus olhos risonhos e pequeninos e o ar gozão, dizendo-me sonhador: Não sabe o meu amigo o que me sucedeu na China …
Pois não meu caro Jacinto mas calculo…
Até sempre bom amigo e aquele belenense abraço!

quarta-feira, novembro 03, 2004

Só sei que não vou por aí!

Tem-se começado a falar nos Blogs, com alguma insistência, das eleições que aí vêm. E do medo que "tome" conta dos destinos do Belenenses de uma lista megalómana, com promessas que se tornam areia a escapar entre os dedos.

Não seria inédito, e infelizmente teremos no futuro muitas listas deste tipo a apresentarem-se a sufrágio. Listas capazes de trazerem 2 ou 3 coxos de Italia e que prometam o título em 2 anos.

Todos nós somos importantes para prevenir os malefícios que uma nova situação destas pode causar no nosso clube. Devemos estar atentos e denunciar a situação. Sei bem que a grande maioria dos votantes nas eleições serão as bases do clube, menos preocupadas com o médio/longo prazo e ansiosas por vitórias. Resta-nos lutar contra isso, contra o aproveitamento dessa situação para tomar o poder.

Fala-se também de que os Blogs poderão vir a ser usados como "armas" de campanha eleitoral. Pelo Blog do Belenenses falo, e podem ter a certeza que estaremos atentos e felicitaremos e chamaremos a atenção quando necessário. E, como é óbvio, vamos viver intensa e interessadamente esse período.

Mas nunca, jamais, o Blog tomará uma posição a favor de uma lista. No entanto, e acho que mais que uma obrigação, é um dever que tenho para convosco, eu deixarei bem clara a minha opinião. Se o não fizésse, não seria sincero e mil e uma insinuações poderiam caír sobre a minha pessoa. Como não tenho interesses pessoais em jogo, devo transmitir a minha opinião. O Blog, como é óbvio, deve informar em primeiro lugar, mas acima de tudo formar.

Em suma, e considerando o risco de aparecimento das tais listas "perigosas" e, para já, o desconhecimento de outras listas, só me resta dizer uma coisa: "Não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí!"

terça-feira, novembro 02, 2004

E NÓS, NÂO FALHÁMOS?

(Artigo da autoria de Eduardo Torres)

Perdemos o jogo com o Boavista. Fiquei triste com isso. Mas a minha tristeza, que seria sempre maior se perdêssemos com o Sporting ou o Benfica, começou muito antes de terminar o jogo, começou mesmo antes de ele se iniciar.

Já se disse que falhou o treinador, que falhou este ou aquele jogador, que falhou a atitude da equipa, que falhou a sorte… e nós, os adeptos, não falhámos???!!!

Falhámos clamorosamente. É bom reconhecê-lo. Vou dizer uma frase politicamente incorrecta: é preciso reeducar os sócios, os adeptos em geral! Porque é muito fácil acusar os outros – os treinadores, os jogadores – de falhar mas…os jogadores passam, os treinadores passam e nós continuamos a falhar:

1. Com ofertas, promoções e mais não sei o quê, estiveram pouco mais de 5.000 pessoas. Não tenho dúvidas, já fiz contas e mais contas, sei a lotação exacta de cada sector, e não estavam mais de 5.500 pessoas. Em frente da televisão, no sofá, é mais cómodo…

2. Um grande número de pessoas entra tarde, sai 10 minutos antes do intervalo, entra 10 minutos depois do recomeço… que (não) ambiente encontra a equipa ao subir ao relvado?

3. A maior parte das pessoas, na bancada dos cativos, adopta uma pose doutoral, de grandes inteligências que, do alto da sua imperturbável postura, estão à espera que as sirvam. Não aplaudem, não gritam, não incentivam. Alguns não abrem a boca – talvez seja desculpável, por ser um certo tipo de inibição. Mas outros, especialistas em assobiar, apupar, insultar, porque não aplaudem e incentivam?

4. Não há no Restelo a cultura de “criar ambiente”. A (não) reacção à ideia que tentei lançar no sábado, embora tardiamente, é reveladora. Há a ideia de que o apoio à equipa não interessa nada – “Eles [os jogadores] é que têm que ganhar”, como já ouvi muitas vezes. Então, pergunto, porque é que todas as equipas fazem melhores resultados em casa do que fora? O Restelo é hoje um dos 2 ou 3 estádios mais frios, em termos de ambiente, da 1ª Divisão. As pessoas não sentem a emoção de sermos muitos, de empurrar a equipa para a vitória, de encher o estádio de cor e de sons de incentivo. Noutros estádios, em momentos em que pressionámos o Boavista, o público galvanizaria a equipa. Não foi o que sucedeu. Nem no Domingo, nem tantas vezes…

Pior ainda: há quem pense que o está em causa é (não) apoiar os jogadores! Não é: o que está em causa é o clube. Frases como: enquanto estiver là fulano tal, não ponho lá os pés, revolvem-me as entranhas! Nós não somos adeptos de Sequeira Nunes, Carvalhal ou Marco Paulo mas, sim, do Belenenses. Ou não é?

5. O Belenenses nasceu, fez-se grande e superou-se pela imensa paixão que nos caracterizava. Haverei de escrever sobre isso, recorrendo aos testemunhos escritos de quem assistiu. Hoje somos o inverso. É a famigerada lógica “empresarial”, tipo empresa de jogos – repare-se bem: exactamente os slogans de…Ferreira Matos e José António Matias! - sem alma, sem orgulho, sem identidade!

6. Por isso, há afinal uma sintonia entre muitos adeptos e alguns dirigentes, que permite ao Dr. Vieira de Freitas fazer esta espantosa declaração: se os preços baixassem para metade, teríamos o dobro do público, pelo que a receita seria a mesma. Logo não vale a pena mudar!!! Bem sei que ele tinha o pelouro financeiro mas como é possível tamanha insensibilidade à possibilidade de termos o dobro do público? !Seria o mesmo, só que na perspectiva oposta, que dizer-se: entre duas possíveis contratações, um dos jogadores custa o dobro do outro; mas como valem o mesmo, tanto faz ser um como outro… compramos o mais caro!

7. A reacção de não comparência, entretanto, tirou-nos alguma legitimidade para protestar contra os preços dos bilhetes. Essa é que é essa…

8. Considero isto mil vezes mais importante do que dizer se o jogador A deve ou não ser titular, se o treinador devia ter posto X no lugar de Y. Embora, repito, seja mais fácil ir por aí… e criticar os “outros”. Mas, muito pior que perder-se um jogo, é perder-se a alma do clube. A não ser que já sejamos apenas uma empresa…

segunda-feira, novembro 01, 2004

Basket: Taça FIBA Europa

Mensagem da equipa do site www.belenensesbasket.com:

"Você é o 6º jogador no 1º Jogo da Taça FIBA Europa, na próxima 4ª feira, 3 de Novembro, pelas 21h, no Pavilhão Acácio Rosa!

O Belenenses classificou-se para a Taça Europeia FIBA onde vai disputar o Grupo B da Conferência Central. Tem como primeiro adversário neste novo embarque o A Plus ZS Brno, da República Checa, nesta quarta-feira, 3 de Novembro, pelas 21h00.

As equipas adverárias deste grupo são, para além do "A Plus ZS Brno ", o "Basket Club Boncourt" da Suiça e o "Albacomp" da Hungria. Seguir-se-ão os outros jogos, uns em casa e outros fora, até dia 8 de Dezembro, os quais anunciaremos na altura devida.

Contamos com o seu apoio nesta nova aventura, vamos encher o Pavilhão Acácio Rosa e apoiar os nossos Guerreiros neste novo percurso, que há tanto tempo não acontecia no nosso Clube!

Você é o 6º jogador e a nossa vitória depende também do seu apoio!

Não falte!!! Os Guerreiros agradecem sempre a seu presença e demonstram o quanto é importante o seu apoio! Fique até ao fim e verá!

Caso não possa acompanhar os “Guerreiros” nesta jornada europeia, siga em directo e em exclusivo, com actualizações em cada 2 minutos, ao Live no site: www.belenensesbasket.com

Acompanhe a sua equipa em todos os jogos, em qualquer sítio, à distância de um click, através da internet!!!"