quarta-feira, novembro 03, 2004

Só sei que não vou por aí!

Tem-se começado a falar nos Blogs, com alguma insistência, das eleições que aí vêm. E do medo que "tome" conta dos destinos do Belenenses de uma lista megalómana, com promessas que se tornam areia a escapar entre os dedos.

Não seria inédito, e infelizmente teremos no futuro muitas listas deste tipo a apresentarem-se a sufrágio. Listas capazes de trazerem 2 ou 3 coxos de Italia e que prometam o título em 2 anos.

Todos nós somos importantes para prevenir os malefícios que uma nova situação destas pode causar no nosso clube. Devemos estar atentos e denunciar a situação. Sei bem que a grande maioria dos votantes nas eleições serão as bases do clube, menos preocupadas com o médio/longo prazo e ansiosas por vitórias. Resta-nos lutar contra isso, contra o aproveitamento dessa situação para tomar o poder.

Fala-se também de que os Blogs poderão vir a ser usados como "armas" de campanha eleitoral. Pelo Blog do Belenenses falo, e podem ter a certeza que estaremos atentos e felicitaremos e chamaremos a atenção quando necessário. E, como é óbvio, vamos viver intensa e interessadamente esse período.

Mas nunca, jamais, o Blog tomará uma posição a favor de uma lista. No entanto, e acho que mais que uma obrigação, é um dever que tenho para convosco, eu deixarei bem clara a minha opinião. Se o não fizésse, não seria sincero e mil e uma insinuações poderiam caír sobre a minha pessoa. Como não tenho interesses pessoais em jogo, devo transmitir a minha opinião. O Blog, como é óbvio, deve informar em primeiro lugar, mas acima de tudo formar.

Em suma, e considerando o risco de aparecimento das tais listas "perigosas" e, para já, o desconhecimento de outras listas, só me resta dizer uma coisa: "Não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí!"

terça-feira, novembro 02, 2004

E NÓS, NÂO FALHÁMOS?

(Artigo da autoria de Eduardo Torres)

Perdemos o jogo com o Boavista. Fiquei triste com isso. Mas a minha tristeza, que seria sempre maior se perdêssemos com o Sporting ou o Benfica, começou muito antes de terminar o jogo, começou mesmo antes de ele se iniciar.

Já se disse que falhou o treinador, que falhou este ou aquele jogador, que falhou a atitude da equipa, que falhou a sorte… e nós, os adeptos, não falhámos???!!!

Falhámos clamorosamente. É bom reconhecê-lo. Vou dizer uma frase politicamente incorrecta: é preciso reeducar os sócios, os adeptos em geral! Porque é muito fácil acusar os outros – os treinadores, os jogadores – de falhar mas…os jogadores passam, os treinadores passam e nós continuamos a falhar:

1. Com ofertas, promoções e mais não sei o quê, estiveram pouco mais de 5.000 pessoas. Não tenho dúvidas, já fiz contas e mais contas, sei a lotação exacta de cada sector, e não estavam mais de 5.500 pessoas. Em frente da televisão, no sofá, é mais cómodo…

2. Um grande número de pessoas entra tarde, sai 10 minutos antes do intervalo, entra 10 minutos depois do recomeço… que (não) ambiente encontra a equipa ao subir ao relvado?

3. A maior parte das pessoas, na bancada dos cativos, adopta uma pose doutoral, de grandes inteligências que, do alto da sua imperturbável postura, estão à espera que as sirvam. Não aplaudem, não gritam, não incentivam. Alguns não abrem a boca – talvez seja desculpável, por ser um certo tipo de inibição. Mas outros, especialistas em assobiar, apupar, insultar, porque não aplaudem e incentivam?

4. Não há no Restelo a cultura de “criar ambiente”. A (não) reacção à ideia que tentei lançar no sábado, embora tardiamente, é reveladora. Há a ideia de que o apoio à equipa não interessa nada – “Eles [os jogadores] é que têm que ganhar”, como já ouvi muitas vezes. Então, pergunto, porque é que todas as equipas fazem melhores resultados em casa do que fora? O Restelo é hoje um dos 2 ou 3 estádios mais frios, em termos de ambiente, da 1ª Divisão. As pessoas não sentem a emoção de sermos muitos, de empurrar a equipa para a vitória, de encher o estádio de cor e de sons de incentivo. Noutros estádios, em momentos em que pressionámos o Boavista, o público galvanizaria a equipa. Não foi o que sucedeu. Nem no Domingo, nem tantas vezes…

Pior ainda: há quem pense que o está em causa é (não) apoiar os jogadores! Não é: o que está em causa é o clube. Frases como: enquanto estiver là fulano tal, não ponho lá os pés, revolvem-me as entranhas! Nós não somos adeptos de Sequeira Nunes, Carvalhal ou Marco Paulo mas, sim, do Belenenses. Ou não é?

5. O Belenenses nasceu, fez-se grande e superou-se pela imensa paixão que nos caracterizava. Haverei de escrever sobre isso, recorrendo aos testemunhos escritos de quem assistiu. Hoje somos o inverso. É a famigerada lógica “empresarial”, tipo empresa de jogos – repare-se bem: exactamente os slogans de…Ferreira Matos e José António Matias! - sem alma, sem orgulho, sem identidade!

6. Por isso, há afinal uma sintonia entre muitos adeptos e alguns dirigentes, que permite ao Dr. Vieira de Freitas fazer esta espantosa declaração: se os preços baixassem para metade, teríamos o dobro do público, pelo que a receita seria a mesma. Logo não vale a pena mudar!!! Bem sei que ele tinha o pelouro financeiro mas como é possível tamanha insensibilidade à possibilidade de termos o dobro do público? !Seria o mesmo, só que na perspectiva oposta, que dizer-se: entre duas possíveis contratações, um dos jogadores custa o dobro do outro; mas como valem o mesmo, tanto faz ser um como outro… compramos o mais caro!

7. A reacção de não comparência, entretanto, tirou-nos alguma legitimidade para protestar contra os preços dos bilhetes. Essa é que é essa…

8. Considero isto mil vezes mais importante do que dizer se o jogador A deve ou não ser titular, se o treinador devia ter posto X no lugar de Y. Embora, repito, seja mais fácil ir por aí… e criticar os “outros”. Mas, muito pior que perder-se um jogo, é perder-se a alma do clube. A não ser que já sejamos apenas uma empresa…

segunda-feira, novembro 01, 2004

Basket: Taça FIBA Europa

Mensagem da equipa do site www.belenensesbasket.com:

"Você é o 6º jogador no 1º Jogo da Taça FIBA Europa, na próxima 4ª feira, 3 de Novembro, pelas 21h, no Pavilhão Acácio Rosa!

O Belenenses classificou-se para a Taça Europeia FIBA onde vai disputar o Grupo B da Conferência Central. Tem como primeiro adversário neste novo embarque o A Plus ZS Brno, da República Checa, nesta quarta-feira, 3 de Novembro, pelas 21h00.

As equipas adverárias deste grupo são, para além do "A Plus ZS Brno ", o "Basket Club Boncourt" da Suiça e o "Albacomp" da Hungria. Seguir-se-ão os outros jogos, uns em casa e outros fora, até dia 8 de Dezembro, os quais anunciaremos na altura devida.

Contamos com o seu apoio nesta nova aventura, vamos encher o Pavilhão Acácio Rosa e apoiar os nossos Guerreiros neste novo percurso, que há tanto tempo não acontecia no nosso Clube!

Você é o 6º jogador e a nossa vitória depende também do seu apoio!

Não falte!!! Os Guerreiros agradecem sempre a seu presença e demonstram o quanto é importante o seu apoio! Fique até ao fim e verá!

Caso não possa acompanhar os “Guerreiros” nesta jornada europeia, siga em directo e em exclusivo, com actualizações em cada 2 minutos, ao Live no site: www.belenensesbasket.com

Acompanhe a sua equipa em todos os jogos, em qualquer sítio, à distância de um click, através da internet!!!"

domingo, outubro 31, 2004

Considerações sobre um jogo terrível

- Fizemos um bom jogo, pelo menos até à expulsão do José Pedro. No entanto, não é admissível falhar tantos golos, ocasiões soberanas em que os avançados aparecem isolados e têm uma dificuldade tremenda em concretizar. Antchouet perdeu pelo menos umas 3 oportunidades isolado, em que optou sempre pela solução mais complicada. Até no golo, demorou uma eternidade a decidir-se, que podia ter sido fatal. Há muito a melhorar nesse aspecto

- Temos tido muito azar esta época e hoje, uma vez mais, o azar apareceu. Há 2 lances que poderiam dar auto-golo que não entraram, sendo que o primeiro é incrível, o defesa dentro da pequena área fuzila a baliza e com uma sorte desmedida acerta em cheio no guarda-redes.

- A expulsão de José Pedro é ridícula. Ridícula, mas justa. Um jogador amarelado não pode ter uma entrada daquelas, por trás, com o adversário em contra-ataque. Enfim. Aliás, o José Pedro parece-me pouco motivado, é um jogador diferente daquele que vi na pré-época.

- Relativamente à arbitragem, nada a apontar, mas tudo a apontar. Quando as arbitragens não são tendenciosas e premeditadas, são pura e simplesmente más. Hoje foi má, em prejuízo das duas equipas.

- Marco Aurélio é um gigante, mas há um pormenor importante a rever. Não pode "mostrar" tanto a vontade de queimar tempo, pois passa a imagem à equipa que há que defender o resultado a todo o custo e moraliza o adversário, que facilmente se apercebe que o nosso único objectivo é defender a baliza e "cai" em cima de nós.

- Cristiano é mau de mais para ser verdade. Se o ano passado nos queixávamos do Carlos Fernandes, que dizer do Cristiano? Não acerta no tempo de entrada à bola, está sempre colado aos centrais em vez de cobrir a lateral, tem perdas de bola infantis e uma dificuldade tremenda em fazer um alívio. A tudo isto, junta uma velocidade arrepiante (por ser lento, entenda-se) e hoje mostrou novos predicados a isolar o adversário. Não há mesmo uma solução melhor??? Brasília, Eliseu...

- Uma nota final para o público: umas 8 mil pessoas, uma casa composta, e há que atender ao fim de semana prolongado e mau tempo. Por aí, tudo compreensível. Agora, o que se passou no minuto de silêncio em memória do JJ foi vergonhoso e o mote foi dado por adeptos azuis. Depois disso, também uma menção para a claque do Boavista, que entrou claramente para provocar. A alusão à camisola queimada é feia e se são proibidas tantas faixas, porque é que aquela se manteve até ao fim? Enfim, a prova que o ano passado foram colocados no local certo, no meio das obras. Pena que este ano tenham voltado. Estes não fazem falta.

- Agora, meus amigos, resta-nos ir ganhar ao Beira-Mar que não ganha à 4 jogos e levou 5 do Estoril, uma das piores equipas que já passou pela 1ª Divisão. Atenção à nossa lateral-esquerda, McPhee em cima do Cristiano vai ser o caos. Temos de tomar a iniciativa do jogo e aproveitar a defesa Aveirense, um sector fracote. E Srnicek já não é o dos velhos tempos em que encantou no Newcastle.

sábado, outubro 30, 2004

Concentração no Núcleo Ajuda/Belém

Para o importante jogo de amanhã ante o Boavista, em que são esperadas mais de 20.000 pessoas nas bancadas do Restelo, prepara-se uma concentração da comunidade azul on-line no Núcleo Ajuda/Belém.

A concentração está marcada para as 17:00, sendo que a saída em direcção ao Estádio se processará pelas 17:10. É uma boa forma de reunir os membros da comunidade on-line azul e formar um grupo, espera-se que numeroso, que percorrerá os 200 metros que separam o Núcleo do Estádio imprimindo um cunho revivalista de um Belenenses que juntava as pessoas e as fazia acreditar numa mesma ideia: a Nossa vitória.

Assim sendo, o Blog do Belenenses tem o prazer de convidar todos os leitores, bem como familiares e amigos, a juntarem-se a esta "romaria". Informamos ainda que temos muitos convites disponíveis para os primeiros a chegar ao Núcleo (aliás, os convites estão já disponíveis, basta para tal que se dirijam ao Núcleo Ajuda/Belém e os solicitem no Bar.

Para além da presença indispensavel, desafiamos todos a apresentarem-se com elementos alusivos ao Belenenses e, como é óbvio, com uma indumentária onde predomine o azul.

Contamos com todos amanhã, pelas 17:00, no Núcleo Ajuda/Belém. Por um Belenenses diferente, mas que não vira as costas às suas raízes populares.

A Liga das multas

Foi veiculado aqui nos Blogs e na imprensa que o Marco Aurélio, um exemplo de correcção dentro de campo e um Senhor fora dele, está sob alçada de um processo disciplinar da Liga devido ao lance com o Liedson. Fico triste, muito triste.

A punição a que está sujeito não é minimamente relevante, mas o que me revolta as entranhas é a estranha situação de, pela primeira vez que me lembre, alguém se sujeitar a uma multa por, pretensamente, simular uma falta. No estádio fiquei com a clara sensação que o Liedson lhe toca e depois o Marco força a queda, mas isso é irrelevante. O Liedson então, com os seus penaltys simulados, deve andar com sérios problemas financeiros, ou não?

E os árbitros que erram não são autuados pela autoridade, ou seja, a magnífica Liga? O canto do primeiro golo do Sporting era pontapé de baliza... o 2º golo é precedido de falta sobre um jogador azul... atenção que em ambos os casos foram situações em que o árbitro errou, mas não são situações de clara intenção como outras bem mais recentes. Mas a questão é: onde está a multa e o processo disciplinar???

Por fim, outra questão que me tem assolado: com tantas multas, que somam um bolo bem interessante, onde é que esse dinheiro vai parar? São milhares e milhares de contos, jornada após jornada. Em que são aplicados esses fundos? Serão, à primeira vista, considerados uma receita extraordinária... ou será que são uma receita operacional, e que o equilíbrio das contas da Liga implica períodos de fiscalização mais apertada, surgindo este tipo de situações ridículas? Aliás, por situações ridículas, entenda-se que se o Delegado da Liga ouvir insultos gritados das bancadas, os clubes são multados! Enfim...

Portanto, e uma vez que as multas são uma realidade incontornável (mais uma vez não devíamos ficar calados!), proponho que multemos amanhã o Boavista, com uns 3 ou 4 golos. Aí sim, até vale a pena o Belém pagar as multas pelos "olés" vindos das bancadas (se calhar gritar "olé" também é passível de autuação!!!). Vamos a eles Belém, contra tudo e todos.

Basket: Ovarense x Belenenses



Acompanhem hoje em directo o encontro entre o OVARENSE e o BELENENSES em belenensesbasket.com

sexta-feira, outubro 29, 2004

BELENENSES – BOAVISTA: Alguns votos

(Artigo da autoria de Eduardo Torres)

Para mim, o jogo com o Boavista não é de maneira nenhuma o jogo mais excitante da época. Só vem depois, por esta ordem, do Benfica, do Sporting, e do F.C.Porto. Mas, evidentemente, encaro-o com uma especial expectativa. E faço alguns votos:

* Desejo que o Belenenses ganhe. Atenção: que o Belenenses ganhe e, não, excepto por inerência, que o Boavista perca. Rivalidade não significa ódio, desporto não é uma guerra.

* Gostava, por isso, que não desperdicemos, em insultos que nada nos dignificam, a força, o entusiasmo e o talento que devemos usar a apoiar a nossa equipa. Pela nossa equipa e não contra a outra. Custará mais gritar “BELÉM! BELÉM! BELÉM” do que “Boavista, vão pró….?”. Por mim, o único sítio onde desejo que os boavisteiros vão, é ao fundo da baliza buscar as bolas dos golos com que ganhemos o jogo. Porque quero que ganhemos e não porque quero que eles percam…Adoro as nossas claques mas gostava que esta fosse a sua atitude…

* Ficaria satisfeito se alguém tivesse a bondade de explicar ao speaker de serviço que o nosso grito natural e espontâneo não é “Beeléeeeeem…” mas, sim, “BELÉM! BELÉM! BELÉM!”. É o estádio do Restelo, não a Luz ou o Dragão…

* Gostaria de ver as bancadas cheias e cheias antes do jogo começar. Gostava de reviver um momento lindo de dezenas de milhares de pessoas a aplaudir vibrantemente a nossa equipa quando esta entrar em campo. Mas isso temos que já lá estar. Há pequenas coisas que fazem a diferença. Só aparentemente são pequenas coisas. Não será muito mais motivador para os jogadores entrarem com uma bancada cheia em vez de meia, porque a outra metade só chega mesmo em cima da hora ou até depois? Não será boa ideia entrarmos, todos, uns minutos antes? É que, volto a dizer, o BELENENSES SOMOS TODOS NÓS!

* Faço votos por que nos engalanemos de azul, que é a expressão evidente da nossa alma clubística. Cachecóis? Sim! Mas também roupa azul, e bandeiras, muitas, muitas bandeiras! Como tenho saudades, como quero voltar a ver um mar de bandeiras azuis…Vamos a isso???

* Espero ver os jogadores, num cacho, a festejar golos, mas junto ao público, ao POVO AZUL, que compareça em grande número! E que fique com vontade de voltar! Que a equipa e o público sejam um só! Que ninguém, ao menos por vergonha, fique de braços cruzados, sem aplaudir a equipa! Vamos empurrá-la para a vitória! Porque…

O BELENENSES SOMOS TODOS NÓS!

quarta-feira, outubro 27, 2004

A DÉCADA DE 70 (cont.) - PARTE VI – Caminhando para o Abismo…

A lista de jogadores que saíram dos quadros de futebol do Clube, dispensados ou vendidos aos nossos rivais, entre 1974 e 1981, é verdadeiramente impressionante:

Murça, Luís Carlos, Calado, Quinito, Freitas, Pietra, Quaresma, Godinho, Gonzalez, Melo, Delgado, Sambinha, Esmoriz, Nogueira, Pincho, Lincoln, João Cardoso… é um nunca acabar!

O espantoso, todavia, é que quanto mais se ia vendendo, mais aumentava a dívida: em 1974, ela rondava os 15.000 contos; sete anos depois, atingira os 95.000!!! Entretanto, desbaratara-se não uma equipa mas duas ou três; contratavam-se jogadores a “torto e a direito”, anunciados como vedetas e que duravam uma época quando muito (na época de 81/82, que nos conduziu ao “impensável”, a 1ª descida de divisão, começámos com 35, sim, trinta e cinco!!!! - jogadores); as classificações caiam nitidamente; o Belenenses ia perdendo a sua aura.

E em todo este tempo, que me lembre, a única obra verdadeiramente importante foi a construção do Pavilhão (a que mais tarde se pôs o nome de Acácio Rosa, e bem, por tudo o que ele deu ao clube e, em especial, nas modalidades “amadoras”), o qual mais uma vez surgiu e resistiu (“abana mas não cai”, como disse na altura Sequeira Nunes) às ameaças da Câmara, como já referi em outro contexto.

Falou-se em poupar, deu-se por uns tostões jogadores aos nossos verdadeiros rivais (que agradeceram, claro), fizeram-se promessas de grandes contratações (que não “deram em nada”)… e ficámos sem jogadores, sem dinheiro e, sobretudo, sem identidade. Um clube à deriva…

Algumas vozes alertavam para o que se estava a passar – entre elas, como sempre, Acácio Rosa. Mas logo eram acusados de velhos-saudosistas-derrotistas-agarrados-ao-passado. E a massa associativa, na sua maioria, não queria saber. Só importava o pontapé na bola, a última contratação, o nome do treinador a vir ou a despachar, o imediatismo. A memória era curta, e uma ou outra vitória, a contratação de um ou dois jogadores, a melhoria pontual da classificação ou da prestação da equipa, mesmo deixando-a muito aquém do que era normal até em anos recentes, deixava a maioria dos adeptos a pensar que estava tudo bem. Ganhámos hoje? Está tudo uma maravilha, a equipa é fantástica, o treinador, genial, os dirigentes, os melhores que já houve. Perdemos hoje? Está tudo mal, vamos despachar os jogadores todos e contratar uma dúzia deles (mesmo que entrem pelo clube adentro sem sequer entenderem o peso da camisola que estão a vestir), e sobretudo, carreguemos o treinador de insultos, porque só uma besta como ele é que punha o António a jogar no lugar do Manel!

A identidade do clube, que alma é que se transmite aos jogadores, que plano e que objectivo é que existe para o clube? Isso não interessa. Faz dor de cabeça. Ou é um lirismo. Como é que se está a gastar, onde e porque é que se está a (des)investir? Não interessa: “estou optimista”. O estádio desertifica-se de Belenenses, os jornais dão-nos menos espaços? “Quero que se lixe!”. Interessa é os que cá vêm, ontem vieram mais 200 que no Domingo passado (embora menos 2.000 que o ano passado…mas isso, não interessa), assim até se vê o jogo melhor, e os jornais…deixei de os comprar! Atenção, estou a falar do que se passava, nas “vozes dos sócios”, há vinte e tal anos atrás… É que pode parecer que me estou a referir ao presente. Na verdade, a diferença não é muito. E é aí justamente que eu quero chegar

Os jogos começam a ser ganhos ou perdidos antes dos acontecimentos lá em baixo, no relvado. Começa-se a perder ou a ganhar nas nossas cabeças! Nossas, de quem? Antes de tudo dos adeptos, sobretudo dos sócios, porque são estes que elegem ou não elegem, apoiam ou não apoiam estas ou aquelas boas ou más direcções; que definem a (não) ambição ou (não lucidez dos que dirigem, pela sua (não) exigência, pela sua (não) compreensão do que (não) é o Clube e do que nele (não) está em causa. Continua depois nos dirigentes. E é destes que se transmite aos treinadores e jogadores. Os adeptos permanecem mais que os dirigentes; estes mais que os treinadores e jogadores. Os exemplos (bons ou maus) vêm antes de tudo, e à proporção, dos que mais permanecem.

Em última instância, somos nós, TODOS OS BELENENSES, os responsáveis pelo que de mau ou bom acontece no clube. Não podemos escolher mal e, depois, “crucificar” aqueles mesmos que (se calhar imprudente ou conformadamente) elegemos. Não podemos ficar cegos a tudo o que não é o imediatismo de um ou dois jogos, contratações ou dispensas e, depois, quando as coisas correm mal, disparar em todas as direcções - vendo-se tantas vezes os tais que, ainda há pouco tempo, estavam eufóricos, a insultar tudo e todos. Quando não se esteve atento, nada se percebeu… e depois, nem se sabe em quem descarregar as culpas – levam todos por tabela!

Por favor, não digam que isto não tem a ver com o presente e o futuro. Uma das minhas grandes revoltas é com a mentalidade que resume tudo a um simplismo. Vejamos esta época: está tudo bem ou está tudo mal à 7ª jornada? O clube define-se pelo presente treinador e por vinte e tantos profissionais? Ou não será que o clube começa muito antes e prolonga-se muito para além desse epifenómeno? E temos ou não o dever de incentivar as nossas equipas – sempre, porque é o clube que está em causa, e não este treinador, aquele jogador, aqueloutro dirigente -, como temos o dever (mais que o direito) de estar atentos, de aplaudir o que está bem e criticar o que está mal, de propor soluções, de fazer sugestões, de termos uma sadia ambição, de preservarmos (antes de tudo em nós mesmos) a identidade do clube, de vê-lo com um todo?

Que mentalidade há no clube? Em que direcção caminhamos? Que projectos existem? Que imagem é que o clube projecta de si? Que respeito é que impomos (ao público em geral, aos “media”, aos jogadores)? Que opções estratégicas devem ser feitas? Em que é que vamos apostar? Como trazer público, gente, POVO, ALMA ao nosso estádio? Estas, sim, são questões realmente importantes, e não se o malandro do treinador devia ter posto X no lugar de Y, ou se os jogadores A ou B (que, se calhar, para o ano, já vestirão outra camisola), fizeram um grande jogo ontem ou se deram um “frango” e perderam um golo de baliza aberta.

Porque, em última instância, quando as coisas correm mal, o culpado… somos todos nós! Como a todos nós cabe mérito (em proporções diversas, claro), naquilo que corre bem. Porque…

O BELENENSES SOMOS TODOS NÓS!

terça-feira, outubro 26, 2004

Jogadores que me marcaram - Mauro Airez

É muito difícil eleger um jogador azul para aqui salientar, de entre tantos e tantos bons jogadores e bons homens, que pelo clube passaram. Os obstáculos a esta tarefa são inúmeros... Se determinada característica os coloca num patamar superior, logo outra nos faz recordar que existiu outro jogador, mais dotado ou mais útil para a equipa. Se por um lado é fácil recordar golos e jogadas inesquecíveis, por outro são frequentes casos, saídas “a mal” e outras peripécias que envolvem este ou aquele craque em situações pouco dignificantes para a sua dignidade profissional e pessoal.

Tenho apenas 26 anos e por isso o meu universo de craques possíveis é bem mais reduzido que o de outros amigos belenenses... Se tivesse de escolher um ou dois jogadores azuis, incluindo aqueles que fazem actualmente parte do nosso plantel, não hesitaria em distinguir Marco Aurélio e Tuck. Mas a regra aqui parece ser escolher um jogador do passado, longíncuo ou recente. E por isso escolhi Mauro Airez.



Não existindo propriamente uma tradição de jogadores argentinos no Belenenses, é verdade que são muito boas as recordações que os jogadores provenientes daquele país nos deixaram. Scopelli e Miguel Di Pace – o qual tive o prazer de conhecer, no Verão passado – por exemplo. Mais recentemente, em meados dos anos 90, surgiu no Restelo um herdeiro do talento sul-americano do País das Pampas.

Mauro Airez chegou a Portugal já com um curriculo invejável. Internacional argentino – esteve presente na selecção olímpica em Seul (1988) e em jogos internacionais nos anos seguintes –, Mauro alinhou no Independiente e no Bari (Itália), e por isso era portador de grandes esperanças. Na minha opinião não defraudou, enquanto jogou no Belenenses.

Na verdade, pode-se mesmo dizer que a sua carreira conheceu um novo impulso durante a sua passagem pelo Restelo. Titular quase indiscutível, temível na frente de ataque pela sua mobilidade e capacidade de remate quase imediata, Mauro Airez valeu ao Belenenses importantes golos. Recordo com alguma nostalgia jogadores que com ele alinharam, e que formaram a dada altura uma bela equipa. Emerson foi talvez o que mais saudade deixou.

De Mauro Airez recordo jogadas fantásticas. A mais fantástica de todos aconteceu um dia contra o Boavista, num jogo disputado no Restelo certo domingo à tarde. Miúdo de 14 ou 15 anos fui ver o jogo sozinho para um topo norte muito bem composto. O ambiente era fantástico nessa tarde, que recordo como se fosse hoje.

A dada altura Mauro pega na bola antes da linha de meio campo e avança alguns passos. Um jogador normal levantaria os olhos do chão apenas para procurar uma linha de passe, mas o argentino tinha um faro de baliza próprio dos avançados da terra do fogo... Olhou para a baliza e apercebendo-se de que o guardião axadrezado se encontrava razoavelmente avançado no terreno – creio que era Alfredo – o avançado belenenses, já em queda, arriscou um balão colocadissímo. Estava feito o 1-0, para a alegria de muitos sócios e adeptos presentes no Estádio. Nunca mais me esqueci daquele golo. Talvez porque ter acontecido no primeiro jogo a que assiti sozinho.

Alguns anos mais tarde, Mauro Airez saiu do Belenenses para tentar a sua sorte no Benfica. Recordo que nessa mesma altura o outro Mauro (Soares) foi para o Sporting, num processo complicado que me deixou ainda mais avesso ao clube de Alvalade.

A aventura benfiquista de Airez teve os seus altos e os seus baixos. Mais baixos que altos, para dizer a verdade. Assim, da sua passagem pela Luz (que aconteceu durante os anos em que mais custou aos benfiquistas iniciar o longo jejum de títulos que apenas terminou no ano passado, com a conquista da Taça de Portugal) fica apenas a memória dos tristes acontecimentos no momento da saída.

Já "trintão", o argentino ainda tentaria a sua sorte na segunda divisão... Triste sina a de um avançado que me encantou por diversas vezes.

Jogadores que me marcaram - Lula

Um dos jogadores que me impressionou mais pela sua classe no Belenenses foi o Brasileiro Lula, por nós contratado à União de Leiria em 1994/95. Após ter feito uma boa época em Leiria, na altura um clube ainda sem a projecção que conseguiu granjear nos últimos anos, veio para o Belenenses fazer dupla com Paulo Madeira.

Lula havia já sido campeão mundial de clubes pelo São Paulo no início da década de 90, altura em que andou envolvido num litígio entre Famalicão e Sporting pela sua contratação. Para além disso, foi jogador pré-convocado para o Mundial de 1990 e era um jogador com uma imagem muito boa no Brasil.

Assim sendo, a sua contratação foi importante para um Belenenses que na altura se dizia no caminho do sucesso e em busca, custasse o que custasse, desse mesmo sucesso. Claro que a curto prazo viemos a constatar qual o custo dessa busca pelo sucesso (porque sucesso, nem vê-lo): um clube quase a fechar portas e o surgimento de homens com coragem que tomaram o leme e o colocaram de novo no caminho da estabilidade, condição essencial para o sucesso.

Lula era um jogador fantástico, com elevado sentido posicional e uma capacidade de desarme junto à relva perfeitamente fantástica. A seu lado, Paulo Madeira era o patinho feio da defesa, capaz de fazer alguns disparates. Na época seguinte, com a saída de Lula para o Porto, Paulo Madeira fez uma grande época, foi ao Euro96 e mostrou que afinal não era ele que era mau. Lula é que era fantástico!

Nessa temporada em que acabámos num honroso 6º ou 7º lugar (não posso precisar), perdemos uma oportunidade fantástica de ficar num 2º ou 3º lugar no campeonato, pois com o plantel que tínhamos éramos “obrigados” a lutar pelas 4 primeiras posições. No entanto, um jogo em Guimarães a umas 6 ou 7 jornadas do final, foi o início de uma curva a pique. Nesse jogo, que merecíamos ganhar (Catanha em cima da linha de golo chutou com o pé direito contra a perna esquerda!), fomos infelizes e perdemos o 5º lugar para o Guimarães.

Lula sai no final dessa época do Belenenses, após prestações espectaculares, nomeadamente com os grandes, que lhe valeram o reconhecimento público e o levaram ao Estádio das Antas, juntamente com outros colegas do Belenenses: Bino, Tulipa, Fernando Mendes e Neves. No Porto, no entanto, sofre várias lesões que lhe retiram espaço na equipa, ainda por cima numa altura em que o Porto tinha uma dupla de centrais muito rotinada e de elevada qualidade, composta por Jorge Costa e Aloísio. Ainda assim, fez alguns jogos pelo Porto nas duas épocas seguintes e era um jogador respeitado pelo público das Antas.

Na época passada Lula, já com uns 35 anos, voltou a Portugal para jogar na 2ª Liga. Não sei com que resultados práticos. Mas sei que tenho saudades de o ver jogar pelo meu Belém. Mesmo que tenhamos neste momento a melhor dupla de centrais desde o início dos anos 90. O Lula é um jogador que jamais esquecerei.

segunda-feira, outubro 25, 2004

Opiniões

Em todo o lado, há sempre gente com opiniões diferentes. Também nos clubes, também na Blogosfera. O mais importante é que todos se respeitem e aprendam algo com as opiniões diferentes dos outros.

Somos várias pessoas a escrever no Blog, umas com mais assiduidade, outras com menos, mas todos nós com amor ao Belenenses. É isso que nos move e nos faz perder muitas horas do nosso tempo livre.

Criticamos quando achamos que devemos criticar, felicitamos quando assim é oportuno e é isso que queremos sempre, felicitar. Infelizmente, nem sempre é possível, e quando assim é não hesitamos e damos claramente a nossa opinião. Como é óbvio, recebemos de braços abertos as críticas à nossa opinião.

O que não podemos admitir é que "encapuçados", escondidos sob pseudónimos, venham insultar quem, pouco ou muito, algo faz por amor ao clube.

Vem esta questão a propósito, em especial, dos ataques constantes de que é alvo o Eduardo Torres, pessoa que muito prezo e que tanto nos tem ensinado sobre o nosso clube através dos seus artigos. Demagogos chamam-lhe demagogo. Ele apresenta factos que suportam a sua opinião. E nunca o viram ser ofensivo com alguém que educadamente tenha exposto diferente ponto de vista. Eu tenho em muitas situações pontos de vista claramente diferentes do Eduardo, mas acho isso extremamente salutar, pois permite discutir assuntos e permite que mais facilmente se chegue a uma resposta mais completa.

Todos os artigos têm duas componentes: uma factual e outra subjectiva. Todos! Aprendemos na escola que em Aljubarrota era 1 português para cada 10 castelhanos. Aprende-se em Espanha que em Aljubarrota os portugueses eram mais do dobro e apanharam os castelhanos de surpresa. Quem tem razão?

Ao lermos um artigo puramente factual, dificilmente faremos uma análise perfeita da situação. Ao lermos um artigo puramente subjectivo, pura e simplesmente ficamos com uma ideia deturpada da situação. Ao lermos um artigo que junte as duas, conseguimos agilizar o nosso próprio raciocínio e encontrar pontes para formar a nossa opinião, mesmo que contrária à da outra pessoa. E aí é nosso dever, ao ter uma opinião contrária, também nós factual e subjectivamente colocá-la à consideração dos outros.

O Blog está aberto a todos, com as mais variadas opiniões. Basta enviarem um e-mail e o artigo será publicado, sem qualquer tipo de censura. Espero sinceramente que, como tem acontecido até agora, quem o faça escreva um artigo com paixão e razão. Porque uma sem a outra só levam à mentira.

Não posso compreender que as pessoas sejam acusadas pelo seu amor ao clube. Quem o faz, certamente não tem amor ao clube, mas sim ao seu próprio ego. O Belenenses precisa de todos os belenenses que tenham ideias e opiniões para partilhar, porque só assim ajudaremos a construír um clube cada vez melhor.

domingo, outubro 24, 2004

De Alvalade, viemos com a desilusão

Foi um jogo esquisito aquele a que assistimos ontem em Alvalade. Já li vários comentários ao jogo, e a minha leitura difere um pouco daquela que os adeptos estão a ter.

O Sporting é uma equipa a subir os níveis de confiança e de jogo, e esperava-se um ambiente intimadatório pela presença de muitos adeptos. Assim, em vez de partirmos para cima deles desde início, deixando espaço nas costas para o contra-ataque que é a sua melhor arma, entrámos em campo com uma estratégia simples:
segurar o 0-0 durante a 1ª parte
ganhar na 2ª parte, tirando partido da reacção do público

Durante a 1ª parte tivesmos um Belenenses ultra-defensivo, a fazer correr o Sporting, mas essencialmente a fazê-lo desesperar. Assim, a única oportunidade de golo do Sporting foi um lance em que Marco Aurélio falhou e em que, penso que Beto, não conseguiu empurrar a bola para a baliza. De resto, o Sporting mostrava ser um deserto de ideias e não mostrava argumentos para marcar golos.

Quando chegou o intervalo, ao ouvir a assobiadela dos adeptos do Sporting, disse ao Pedro Cruz, que estava ao meu lado: "Vamos ganhar, o Estádio já está muito nervoso. Agora vamos entrar para ganhar e o Estádio vai-nos ajudar." Era claro durante o intervalo o nervosismo dos Sportinguistas nas bancadas.

Começou o 2º tempo e o Belenenses surge sem alterações, para passados uns minutos saírem Neca e Zé Pedro e entrarem Brasília e Petrolina. Nesse momento o Belenenses domina o jogo durante uns 15 a 20 minutos, o jogo abre e o golo podia acontecer para qualquer um dos lados. É nesta altura que Antchouet falha a melhor ocasião do jogo, mas parece-me que há que ser dado mérito a Ricardo, pois a defesa pareceu-me boa. Dá-se então o que me parece, aí sim, ter sido um erro de Carvalhal, fácil de criticar agora: uma vez que o Sporting começou a "atinar" com as marcações a meio-campo e começou a tomar as rédeas do jogo, Carvalhal refrescou o meio-campo com a entrada de Tuck para o lugar de Rodolfo Lima. Ora esta troca traduziu-se em que deixasse de se pressionar os defesas e as subidas dos laterais ficaram descobertas. Apesar de Tuck ter jogado bem, foi uma substituição que desequilibrou a equipa. Na minha opinião, deveríamos ter trocado o Marco Paulo, completamente esgotado e francamente infeliz (acertou algum passe?). Mas agora é fácil falar.

Em suma, não partilho da opinião de que fomos pouco ambiciosos. Percebo porque o dizem, mas acho que há que dar valor ao facto de irmos para o jogo com um estratégia para o ganhar. E quem viu o jogo sabe que na 2ª parte tudo poderia acontecer. É preciso não esquecer que este Sporting, apesar de fraquinho, não é o Sporting de há um mês atrás. Mas compreendo que achem a estratégia muito defensiva, também o acho. Mas sei porque vi e ouvi na manhã de ontem no estágio da equipa, que havia uma vontade muito grande de ganhar. Seguindo a estratégia à risca.

Para a semana vem o Boavista, esse sim um jogo mil vezes mais importante, e em que eu acredito que vamos ganhar.

sábado, outubro 23, 2004

Derby Lisboeta

Tem lugar hoje, pelas 21:30, no Estádio Alvalade XXI, um dos derbys Lisboetas, entre o Belenenses e o Sporting. À partida, é um jogo que terá tudo para ser uma óptima partida de futebol, assim não seja estragado pelos intervenientes:
- de um lado, uma equipa com ambições altas que começou mal, andou pela linha de água e cuja vitória na última jornada é um tónico e um sinal de recuperação, porém um empate ou uma derrota amanhã seriam uma sombra a pairar sobre a equipa leonina, que tem um guarda-redes francamente mau e uma defesa permissiva nas laterais. O meio-campo tem bons executantes, mas está super-povoado no centro e não há ninguém nas alas. O ataque que vive de um só homem (honra lhe seja feita, um óptimo avançado), Liedson, e de Douala quando lhe apetece aparecer.
- do outro lado, o Belenenses está a fazer um bom campeonato (em que tem tido até alguns azares que custaram pontos), tem o melhor ataque da prova e encontra-se motivado, apesar do fantasma do jogo das Antas pairar novamente nesta visita a um dos beneficiados do costume (e a precisar de ajuda). O Belenenses tem aquele que é claramente, a par de Moreira, o melhor guarda-redes em Portugal (e agora em Portugal e DE Portugal) e uma dupla de centrais muito forte. A grande pecha defensiva é o lado esquerdo, extremamente permissivo. O meio-campo é interessante em termos tácticos e de troca de bola, mas falta alguém que dê mais consistência, um verdadeiro trinco. No ataque, estão disponíveis Antchouet, Rodolfo Lima e Eliseu, todos eles jogadores de capacidade superior.

Para o fim, deixo o apelo a todos os adeptos azuis: vamos a Alvalade apoiar a nossa equipa, que tão boa conta de si tem dado. Desta vez até os bilhetes são relativamente baratos.

sexta-feira, outubro 22, 2004

MAIS PALHAÇADAS, NÃO!

(Artigo da autoria de Eduardo Torres)

Depois da palhaçada no Estádio do Dragão, já aqui comentada por vários de nós, que exprimiram a sua revolta pelo que se passou, e a sua revolta pela não revolta de responsáveis do nosso clube – que esperávamos fosse tão firme como educada, na melhor tradição belenense -, assistimos a uma semana inteira de números de circo e jardim zoológico!

Um clube que queria bilhetes mas não os pediu, mas mesmo assim protestou, adeptos que queriam bilhetes, mas o outro clube não lhos vendia, um clube proclamado campeão à 5ª jornada e a pensar receber a coroa na 6ª (jornada), o relato pormenorizado do épico jogo-treino desse clube com o Pinhalnovense, um Presidente de clube a chamar o outro de “sujeito”, e o referido sujeito a chamá-lo de “fantoche com cara de anjinho”, ambos sem ousarem dizer o nome (nem que fosse Sr. Vieira ou Sr. Costa), como se tal fosse a pronúncia de uma fórmula diabólica, e os jornaleiros doidinhos or destas guerras a ampliarem estas e outras declarações incendiárias – foram essas as coisas que fizeram 70 ou 80% das notícias desportivas.

E veio o fim-de-semana. Relatores deliravam com a vitória de um clube de camisola verde e branca, nem reparando que, por acaso, estava a jogar com um outro clube, que por acaso até é português. Deliravam, gritavam e cantavam loas (“loas”, não “leoas) à “salvação da pátria” (deles).

E veio o jogo das feras no Domingo ao fim do dia. O tal jogo que repórteres e jornaleiros haviam esperado ávida e penosamente, tendo até – cúmulo dos fretes! – de assistir a jogos dos “outros” (“não se pode acabar com os outros clubes(”, terá sussurrado o subconsciente de alguns). E foi lindo: jovens a atirar bolas de golfe não se sabe bem para atingir a quem, 3.000 adeptos metidos no espaço destinado a menos de 2.000, uma bola que entrou mas não foi golo, um presidente que quis falar mas cortaram-lhe o som, a mulher do mesmo com um cartaz na bancada a dizer “Orelhas, eu estou aqui” (com um desenho aparentemente alusivo ao presidente do clube rival), a mulher do mesmo a ser classificada como não mulher mas apenas namorada do que queria falar mas a quem foi cortado o pio pela malta do dito “Orelhas” - o tal que tem família e nunca arruinou empresas, mas não cumprimentou o Vale e Azevedo e festejava os golos do Porto contra o Benfica mas que agora é presidente do Benfica e está contra o Porto e já ameaçou com uma revolta quando ele decidir (onde é que já ouvimos isto?), porque o sistema que um dia antes não existia, embora já tivesse existido, voltou a existir e terá dado a vitória ao adversário… é isto o futebol português?! Numa só palavra: palhaçada! Uma só pergunta: “e não se pode cortar-lhes o pio… a todos, ao menos, reduzir-lhes o tempo de antena a 1/10?” (aqui, sem ironia, acrescento: ainda bem que o Belenenses tem um Presidente educado, a milhas de distância destas arruaças!).

E no próximo fim-de-semana o Sporting tem de ganhar! Já sabemos que eles, os próprios e não só, acham que têm que ganhar. E, mais uma vez, é contra nós. E… já vimos esta cena muitas vezes. E… o sistema tem vários donos! E… nós não somos nenhum deles! E…, não quero fazer de vate, mas, como dizia o Octávio “Vocês sabem do que é que eu estou a falar!”…

Por favor, mais palhaçadas, não! Ao Belenenses, no jogo contra o Sporting, deixem.nos ganhar, se o merecermos. Ou que sejamos derrotados (porque no desporto há ganhar e perder) mas sem anormalidades.

Mais palhaçadas, não, obrigado!

quinta-feira, outubro 21, 2004

Se bem me lembro…

Já lá vão uns anos, penso que 6. O Belenenses recebia o Benfica no Restelo e chega aos 2-0 a meio da segunda parte. Era a euforia entre as hostes azuis pela vantagem sobre o rival Benfica, na altura a viver momentos complicados (um hábito na última década).

Mas eis que de repente a equipa de arbitragem decide tomar parte activa no encontro, tomando para si o protagonismo:
- Edgar arranca em posição claramente irregular e o árbitro auxiliar (cujo nome não tenho a certeza, pelo que não vou arriscar enganar-me) não sanciona, surgindo assim o 2-1
- surge depois o momento mais caricato do jogo, e provavelmente dos mais caricatos de sempre no estádio do Restelo, quando há um remate do mesmo Edgar que o guarda-redes Valente encaixa em queda, sem qualquer problema. Ora aqui é que, em bom português, “a porca torce o rabo”… o árbitro auxiliar levanta a bandeirola, toda a gente pensava para assinalar um qualquer fora-de-jogo, e chama o árbitro Vítor Pereira. Momento de apreensão no Estádio e o árbitro apita para o centro do terreno!!!

Quase todas as semanas há lances duvidosos em que uma bola bate na barra, vai à relva e ressalta para fora da baliza, ou em que o guarda-redes entra dentro da baliza para defender, ou até mesmo aquele lance típico do defesa que corta sobre a linha, mas tem os pés atrás dela. Neste caso não! Houve um remate, Valente encaixa a bola e cai na relva, claramente dentro das 4 linhas. Mas o árbitro auxiliar assinala golo…

Havia na altura, no Domingo Desportivo, um óptimo auxiliar chamado “imagens virtuais”, que semanalmente clarificava situações de fora-de-jogo. Nesse Domingo foi utilizado para se saber se a bola tinha ou não entrado. Imaginam o resultado?

Para os menos lembrados, passo a enumerar o que as imagens virtuais permitiram concluir:
- a câmara acompanha sempre a bola e mostra claramente que a bola nem sequer chega a ficar sobre a linha de golo!
- e se a evidência anterior já era grave, o que dizer da que se segue: a imagem virtual foi colocada ao nível da cabeça do fiscal de linha, que aparecia numa das imagens, e a verdade é que o fiscal de linha NÃO consegue ver a bola, na medida em que esta se encontra coberta pelo corpo do guarda-redes que, repito, estava claramente fora da baliza!!!

O que é isto? Um escândalo! O fiscal de linha assinalou um golo em que nem sequer vê a bola! Relacionando com acontecimentos recentes em que os beneficiados do costume, por serem prejudicados uma vez, falam no fim do mundo e do universo, devo dizer que me parece bem mais honesto não assinalar um golo em que há dúvidas que a bola tenha entrado do que em assinalar um golo em que a bola não entrou e, cúmulo dos cúmulos, nem sequer se vê o lance!

Com base nestas imagens virtuais estalou a polémica, em grande parte pelo facto de ser mostrado claramente que o fiscal de linha NÃO via a bola. O árbitro, a alguns meses do Mundial 98, veio logo no dia seguinte dizer que na sua opinião a bola não tinha entrado, mas o fiscal de linha garantiu-lhe que a viu lá dentro, portanto, assinalou o golo. Quando questionado novamente pelo entrevistador, o árbitro disse claramente que viu que a bola não entrou, mas seguiu a instrução do fiscal de linha… o árbitro escapou incólume e o fiscal de linha foi suspenso umas 2 ou 3 semanas! O árbitro que assinalou um lance em que tinha a certeza que não era golo escapou. Aliás, a imprensa fez uma mega-campanha de forma a abafar o caso, pois a proximidade do Mundial 98 e o facto de Vítor Pereira ser o único português a marcar presença tornavam importante que este não fosse suspenso. Uma espécie de desígnio nacional, enviar um incompetente para a maior competição internacional.

Por último, alguém se lembra do que aconteceu às imagens virtuais? Acabaram nesse mesmo dia… eram perigosas! Afinal, até já podiam mostrar o que a equipa de arbitragem não via e fingia que via… eu não me hei-de esquecer.

quarta-feira, outubro 20, 2004

A DÉCADA DE 70 - PARTE V – AZUL CINZENTO - A Época de 76/77



No final da época de 75/76, a nossa equipa de futebol, que tivera uma época brilhante, sofreu uma nova sangria, a que acresceram alguns percalços como (salvo erro) a prolongada lesão de Vasques. Mas esse facto tem sido objecto de mais uma das muitas mistificações que nos pretendem colar a determinado(s) clubes(s) para alinharmos nas suas guerra(s) contra outros.

Defendo um Belenenses equidistante dos 3 clubes cada vez mais privilegiados do futebol e desporto português, e que, pelo contrário, ajude a congregar a justa reacção dos restantes clubes. Sempre estive contra a situação de recorrer a empréstimos, que sempre nos subalterniza e torna dependentes, venham eles do Benfica, do Porto ou do Sporting (coisa diferente, é se vierem de clubes estrangeiros) e que sempre, mas sempre, deu maus resultados (são factos! E podem ser sempre verificados, até...). Sempre fui contra alianças com o Benfica contra o Porto, com o Porto contra o Benfica e o Sporting, com o Sporting contra não sei o quê. A esta luz, gostava de repor a verdade face às afirmações do género "foi o Porto que de repente nos levou os jogadores todos e nos deu cabo da equipa, portanto vamos aliar-nos aos outros clubes de Lisboa contra eles". Assim, mais uma vez com factos, relembremos como foi sendo desmembrado o notável grupo de jogadores que se haviam reunido:

Fim da época 73/74:

Eliseu e Luís Carlos voltam para o Brasil
Mourinho termina carreira
Murça sai para o F.C.Porto

Fim da época 74/75:

Quinito sai para o Santander

Fim da época 75/76:

Pietra sai para o Benfica
Freitas sai para o Porto

Mais tarde, já numa fase muito cinzenta, teríamos as saídas de Gonzalez para o Porto (no fim da época 76/77), de Delgado para o Benfica (salvo erro no fim de 78/79. Ou seria 79/80? Tenho que confirmar) e, depois, de Melo, Nogueira e Esmoriz para o Sporting, entre 79 e 81. Portanto, as saídas foram bastante distribuídas e acho lamentável que se distorçam os factos para nos envolver em guerras de que, qualquer que seja o(s) aliados(s) ou o(s) inimigo(s), saímos sempre a perder...

Com a equipa mais uma vez enfraquecida, a época de 76/77 foi um primeiro grande passo em direcção ao abismo, com a “prestimosa” ajuda de árbitros que nos prejudicaram escandalosamente durante essa época. A 2 jornadas do fim, ainda estávamos em risco de despromoção. Ficámos livres, ao vencer penosamente o Atlético por 2-1. O Atlético desceu da 1ª Divisão para não mais voltar e alguns (maus) belenenses tiveram a ideia de ir à Tapadinha, na última jornada, acenar-lhes com lenços brancos (o que eles retribuíram quando da nossa 1ª descida. Mas a primeira e má iniciativa foi nossa, sejamos justos, porque nenhum clube tem o monopólio das boas ou más pessoas), enquanto a nossa equipa, esfrangalhada e apática, era massacrada nas Antas por 8-0, com Gomes a marcar golos em série na última meia hora até ganhar a bota de prata, numa tarde de angústia e vergonha.

E boas recordações?

Para o campeonato, basicamente duas: uma vitória por 2-0 sobre o F.C.Porto (o que na altura não era um feito por aí além, pois não havia a décalage que se foi gerando posteriormente), com o treinador Carlos Silva (um belenenses de alma, como jogador, treinador e sócio) a chorar de comoção agarrado aos jogadores no último jogo da 1ª volta e, poucas jornadas depois (na melhor fase da equipa), um empate 1-1 na Luz, consentido a escassos minutos do fim (no jogo da 1ª volta, à 5ª ou 6ª jornada, no Restelo, cheiíssimo, com perto de 50.000 pessoas), o Benfica, que tinha começado pessimamente o campeonato – que acabou por ganhar -, aos 10 minutos já ganhava por 3-0! Recompôs-se o Belenenses, na 1ª parte ainda reduzimos para 1-3, na 2º parte fizemos 2-3, podíamos bem ter chegado ao empate, mas aqueles 10minutos loucos deram cabo de nós...).

No entanto, a memória mais agradável, apesar do azar que nos perseguiu, foi a eliminatória da Taça UEFA com o Barcelona (já é sina!).

A primeira mão foi no Restelo, em 15 de Setembro de 1976. Estava uma excelente assistência. “A Bola” falou em 35.000 pessoas. Assim na edição de 16 de Setembro de 1976, podemos ler na pág. 5, o seguinte:

“ NÚMEROS DO RESTELO”
1500 CONTOS
35 MIL PESSOAS

Apesar da falta de Cruijff, a grande "estrela dos catalães", o certo é que o nome do Barcelona levou muita gente ao Estádio do Restelo para ver em acção o "seu" Belenenses contra um dos "papões" do futebol europeu.

(...)

Segundo fomos informados no final da partida, o Belenenses deve ter arrecado cerca de 1500 contos provenientes de 35 mil pessoas”

Note-se a expressão “SEU BELENENSES”..... O nome da Barcelona atraiu muita gente mas, atenção, gente do Belenenses. CERCA DE 35.000 PESSOAS, com bilhetes caros e numa fase de generalizado aperto de cinto.

O Barcelona, de facto, estava recheado de estrelas, onde sobressaía o extraordinário Cruijf mas, também, o genial médio Neeskens e o treinador Rinus Michaels, figuras de proa da laranja mecânica (a grande selecção holandesa vice campeã mundial em 74 e 78) e do grande Ajax do início dos anos 70 (curiosamente, Rinus Michaels haveria de voltar a defrontar o Belenenses, 12 anos mais tarde, quando eliminámos o Bayer Leverkusen, por ele então treinado. Em ambas as vezes, elogiou muito o Belenenses. Um verdadeiro senhor!) e ainda, por exemplo, o argentino Herédia, e internacionais espanhóis de grande cartel (históricos do seu país), com destaque para Asensi.

Recordo-me com entranhado carinho dessa noite. O Barcelona parecia tão grande e a nossa equipa tão enfraquecida (pela referida sangria). E pior as coisas ficaram quando, cerca dos 15 minutos, o Barça fez 1-0....No entanto, a pouco e pouco, passou a nervoseira, o Belenenses empertigou-se, encheu o peito e, aos 29 minutos, Quaresma, a passe de Alfredo empatou! Uma grande explosão de alegria!

A 2ª parte trouxe um cenário bem diferente. Agora, o Belenenses sentia que podia ganhar o jogo e ir disputar a 2ª mão em vantagem. A equipa e o público acreditaram, empolgaram-se e, aos 55 minutos, chegámos aos 2-1, com golo de Luís Horta em livre directo: 2-1! Foi o delírio! O estádio fervilhava de entusiasmo! Continuámos ao ataque, a procurar aumentar a vantagem, para o que dispusemos de várias oportunidades, até que, numa jogada individual de Herédia, a pouco mais de 5 m do fim, o Barcelona empatou. Não merecia...mas empatou!

Passadas 2 semanas, fomos disputar a 2ª mão à Catalunha. Aparentemente, estaríamos condenados. E a ideia parecia ganhar consistência porque, logo a abrir, o Barcelona fez 1-0. No entanto, ainda antes do intervalo, igualámos o marcador. Na 2ª parte, o Barça faz 2-1 e o Belenenses empata o jogo e a eliminatória (empate total: 2-2 em ambos os jogos). Só que, a 3 ou 4 minutos do fim, o “golpe do costume”, com o 3-2 para o Barcelona. Dizia o grande Quaresma, um jogador 100% Belenenses: “Quando vi o árbitro a apontar para o centro do terreno, como que a sentenciar a nossa eliminação, apeteceu-me esmurrá-lo!”.

O resto da época futebolística, como disse, foi triste e, para mim (ou quanto a mim), parece marcar uma viragem para os tempos “modernos”, de um Belenenses encolhido e acinzentado.

Mas não quero acabar com tristeza. Lembremos que, nessa época, nos sagrámos novamente Campeões Nacionais de Andebol. E o Pavilhão continuava a ser construído...

segunda-feira, outubro 18, 2004

Grande Belém!

Ontem o Belenenses deu mais uma prova cabal da grande diferença que opõe a equipa deste ano à do ano passado: é uma equipa. É uma equipa capaz de jogar, de lutar contra as adversidades e de nunca desistir. É uma equipa, também, capaz de encantar.

Num jogo complicado, em que o Penafiel veio defender o 0-0 e explorar o contra-ataque, com um meio-campo super-povoado, o Belenenses teve dificuldade em explanar o seu futebol, apesar de ser claramente a melhor equipa. O Penafiel ia incomodando pelo nosso lado esquerdo (por onde haveria de ser?), mas o Belenenses já havia criado algumas oportunidades e o jogo parecia complicado, mas com solução à vista.

Surge o golo do Penafiel (temos de admitir que fomos beneficiados pelo árbitro, o Marco Aurélio deveria ter sido expulso. Pena que não haja justiça no futebol, sempre. Assim sendo, ontem o MA teria sido expulso. Temos de ser coerentes.) e um período de algumas dificuldades, até pela intensificação do jogo defensivo dos durienses. No final da primeira parte, surge um penalty a nosso favor que Lourenço, que tão bem os tem cobrado, hesitou e permitiu a defesa de Nuno Santos com um remate fraco. No entanto, o guarda-redes penafidelense defende a bola já à entrada da pequena área, pelo que o árbitro correctamente ordenou a reexecução do castigo. Na 2ª tentativa, o mesmo Lourenço chutou na relva e de raspão na bola, que saíu muito devagar e ao lado da baliza.

Surgia o intervalo com um sentimento de frustração nas bancadas, e temia-se pela 2ª parte. Seria que a equipa era capaz de aguentar aquele revés?

1ª jogada, passe em profundidade de Rodolfo Lima, mas impreciso, com o central do Penafiel a dar uma fífia de todo o tamanho e Antchouet oportuníssimo a aproveitar. Era o 1-1 e o Belenenses com uma alma nova. Alguns minutos volvidos, mais um golo de cabeça de Rolando, cada vez mais um grande valor ao invés de uma promessa. Seguiu-se a expulsão de Mariano e Antchouet (que provocou a expulsão) ainda marcou um e forçou Nuno Silva a fazer um auto-golo. E outros golos ficaram por marcar.

Nota de destaque para as exibições de Antchouet (pode ser trapalhão, mas já leva 4 golos e só ontem foram 2 golos, "sacou" um penalty e provocou uma expulsão), Rolando (forma com Pélé uma dupla fantástica e marca golos), Andersson (está sempre lá, não tem técnica mas não falha um passe nem perde uma bola, imprescindível) e Tuck (entrou a meio da segunda parte e deu uma lição de futebol. Já não é o Tuck que foi e que merecia uma carreira brilhante, porque sejamos sinceros, o talento de Tuck apareceu aos 28 anos na 2ª divisão, enquanto andou nos galos havia quem lhe chamasse "caçeteiro". A sua visão de jogo e simplicidade de processos é demolidora.

Concluíndo, mais uma vez o Belenenses mostra ter capacidade para inverter resultados e lutar contra as adversidades, e cada vez mais se torna claro que somos uma equipa. Assim vale a pena ir ao futebol, apesar de, volto a frisar, o Penafiel ter todo o direito a queixa-se da arbitragem.

PALAVRAS QUE FORAM DITAS - 26 - O Restelo nunca encheu? Claro que encheu! Acabemos com essa patranha!


Há anos que vemos repetido que o Estádio do Restelo nunca esgotou, que nunca na sua vida encheu, pior ainda que, mais coisa menos coisa, teve sempre pouco público!

Temos para nós que tal afirmação não demonstra só ignorância. Em alguns casos, assim será; mas, noutros, existe a intenção, por parte de adeptos de outros clubes, de menorizar o Belenenses. Noutros contextos, pior ainda, a afirmação é conveniente para alguns responsáveis do próprio Belenenses, que aí encontram justificação para o imobilismo que conduziu ao actual estado de coisas e o permite manter, não obstante os alertas que há muitos anos alguns vêm fazendo, e que mais recentemente se repetem (e ainda bem) nos blogs.

Há tempos atrás, num outro artigo, disse que já a meio dos anos 80 a diminuição das assistências no Restelo me preocupava (embora fossem muito superiores às actuais) mas que, ao falar nisso, esbarrava num muro de desinteresse. Apesar de tudo, não era o único a ter preocupações semelhantes, pois, no Jornal do Belenenses de 5/11/1987, na sua página 2, reproduzia-se uma carta do consócio Fernando Paiva, que escrevia o seguinte:

“É sabido e não contestado que o Estádio do Restelo é, em média, o quarto campo do País (depois das Antas, Luz e Alvalade) em número de assistentes por jogo [naquele tempo, de facto, ainda era assim. Actualmente…]. Não é, porém, essa a imagem com que ficamos ao vermos na televisão os resumos filmados dos jogos que aí se disputam. De facto, as filmagens televisivas teimam em mostrar-nos um estádio quase sempre vazio, sendo por isso deturpadoras em relação ao carinho que todos os Belenenses dispensam ao seu clube.

Face a esta situação, proponho aos nossos directores que envidem esforços no sentido de que as filmagens se passem a efectuar do lado oposto à bancada dos sócios, para que desta forma se acabe com a ideia de que o Estádio do Restelo é um deserto situado em Lisboa”.

Passaram-se 17 anos… e nada se fez. Prevaleceu a lógica de gestão medíocre de que só interessa a receita imediata. E como nada se fez, as coisas foram piorando ano após ano, até à actual situação catastrófica. PÚBLICO ATRAI MAIS PÚBLICO, PAIXÃO DESPERTA MAIS PAIXÃO, VITÓRIAS CRIAM UMA DINÂMICA DE VITÓRIA. AO CONTRÁRIO, DERROTAS ATRAEM MAIS INSUCESSOS, DESERTIFICAÇÃO TRAZ MAIS DESERTIFICAÇÃO, FRIEZA AFASTA CADA VEZ MAIS O PÚBLICO. E ENQUANTO NÂO SE DEVOLVER AO BELENENSES A ALMA E A PAIXÃO QUE O FIZERAM GRANDE, O PÚBLICO NÂO REGRESSARÁ EM FORÇA AO RESTELO. Podem dar-se voltas e mais voltas, apresentar sugestões diversas – úteis, sem dúvida, eu próprio as transmiti, e devem ser postas em prática –, que essa é a razão principal.


Voltemos, porém, à questão: o Restelo nunca encheu? O Restelo nunca esgotou? A resposta, em ambos os casos, é SIM!


* * *

… Na verdade, o Estádio do Restelo encheu logo no dia da sua inauguração. Aqui, poderão alguns perguntar, e de boa fé: mas não há fotografias desse dia em que se vêem clareiras?

A resposta é a seguinte: há, sim senhor, fotos em que, numa das centrais, a do lado onde actualmente ficam os sócios (no início, era ao contrário), se vêem lugares vagos. Mas isso não invalida a verdade de que o estádio encheu, porquanto:

1. Todas as outras bancadas estão cheias;
2. A bancada em causa (o anel superior da central) levava então, cerca de 5.000 pessoas, e só uma pequena proporção não está cheia;
3. As festividades da inauguração demoraram muitas horas, e, em alguns dos momentos em que as fotografias foram tiradas, ainda havia público a chegar (aliás, numa delas, vêem-se filas de gente cá fora);
4. Houve um desfile de 3.500 (três mil e quinhentos!) atletas representativos de 200 (duzentos!) clubes) em homenagem ao Belenenses, entre os quais 650 dos Belenenses (documentado na página 5 do nº 1535 de “A Bola”, de 24/9/56). E esses atletas foram, depois, ocupar esses lugares vagos, para assistir ao resto das festividades, nomeadamente o jogo de futebol em que batemos o Sporting por 2-1 (Não nos enganámos: foram mesmo 200 clubes e 3.500 atletas a homenagear o Belenenses. Com uma postura que obrigava a que nos respeitassem, nem por isso deixávamos de ter tantas e tão boas relações! A pensar… não será uma lição cujo valor nos pode iluminar o presente e o futuro?)

Aproveitamos para esclarecer que a lotação do Estádio era bastante superior à de hoje, quer por não dispor da comodidade (e beleza adicional, diga-se!) das cadeiras, quer por a bancada do lado do Tejo estar aberta (e tantas vezes a vimos cheiíssima!), quer por o anel superior do Topo Norte constituir então o Peão, i.e., zona de lugares em pé – e só esse anel superior do Topo Norte podia albergar 16.000 pessoas (contra as menos de 6.000 actuais, sentadas, e com cadeiras).

Para que não nos venham, pela 4ª ou 5ª vez, acusar de inventar, recorremos novamente a “palavras que foram ditas” (neste caso, escritas), mais propriamente na edição de “A Bola” de 22/9/56, em que o Capitão Francisco Soares da Cunha (o maior vulto da construção do Estádio e que, no ano seguinte, assumiria a Presidência), entrevistado por Vítor Santos (um grande jornalista!), declara: “Além da lotação do Estádio propriamente dito que tem, como se sabe, lotação para 44.000 espectadores (25.000 dos quais sentados e 10.700 cobertos)….”. E noutro artigo, no mesmo número e na mesma página, lê-se: “A bancada é coberta de um lado e do outro, ficando descoberto apenas o Topo Norte, onde o primeiro anel é ainda de bancada, ficando por cima o peão – tal como no Pavilhão dos Desportos, mas em maior, claro, pois tem lugares de pé para 16.000 pessoas”. (Curiosamente, na pág. 6 do mesmo jornal, alude-se a várias perspectivas possíveis para o futuro, entre as quais “a construção do anel [superior] do topo sul que, à custa da visibilidade do belo panorama do Tejo, permitiria um aumento de lotação de 18.000 lugares” – o que faria chegar aos 62.000!).

No dia seguinte à inauguração, em artigo que reproduziremos oportunamente, a edição de “A Bola” fala expressamente em 40 mil espectadores, e no encher, progressivo e impressionante, do Restelo, apesar do tempo chuvoso.

Vale a pena, já agora, acrescentar que 2 dias depois, em 25 de Setembro, se realizou no Restelo o 1º jogo nocturno, contra o Stade Reims, para estreia da iluminação. Estiveram presentes, no mínimo, 25.000 pessoas (documentado em “A Bola”, nº 1536, de 27/9/56, na pág. 5).

E vale a pena recordar que não só o tempo esteve chuvoso, como os bilhetes eram bastante caros. E assim é que, na edição de 29 de Setembro seguinte do mesmo jornal, o inesquecível Alves dos Santos, em antevisão da jornada (num artigo com o significativo título “Dos ‘4 GRANDES’ apenas o Belenenses parece em sossego”), escrevia sobre o jogo que o Belenenses disputaria no domingo com o Vitória de Setúbal: “A partida tem, desde logo, vários atractivos, primeiro porque constitui oportunidade de poder ver a ‘preços acessíveis (a quem ainda não viu) o maravilhoso Estádio do Restelo…”.

Em 2 fotografias que temos desse jogo do Restelo com o V.Setúbal (uma está publicada no site oficial), vê-se:

* O primeiro golo em jogos oficiais no Restelo, marcado por Matateu aos 12 minutos. O anel inferior da então bancada dos sócios, está cheio; o anel superior, mais de meio. Temos, assim, perto de 8.000 pessoas.

* Matateu a falhar a marcação de penalty, com o Topo Norte em fundo. O anel superior do Topo Norte (o tal que levava 16.000 pessoas) está cheio em toda a extensão visível. E no anel inferior, também se vê público… Podemos pensar em algo como 17.000 pessoas, o que somado às 8.000 que se vislumbram na outra foto, dá cerca de 25.000 espectadores.

Mesmo que nas restantes bancadas (as que hoje ocupam os sócios, mais o Topo Sul) só estivessem mais 5.000, teríamos 30.000 espectadores! Ou seja, em 3 jogos numa semana, com dois deles a preços muito caros e sob chuva, um às 10 da noite, num tempo de transportes bem mais difíceis do que actualmente, as assistências oscilaram entre 25.000 e mais de 40.000!

* * *

Bom, o Restelo estava cheio na inauguração, terá estado (quase) cheio em outras ocasiões mas… terá mesmo esgotado (i.e., ter-se-ão vendido todos os bilhetes) alguma vez?

Esgotou, sim senhor! E sabemos a data exacta da primeira vez em que tal ocorreu: foi no dia 1 de Fevereiro de 1959.

Mais uma vez, recorremos à prova documental. Assim no jornal semanal “Os Belenenses”. nº 266, de 6/2/59, podemos ler, em artigo publicado na pág. 6:

“O Belenenses – Benfica foi o grande caso desportivo da última semana.

O entusiasmo do público afecto aos DOIS GRANDESCLUBES, à medida que o domingo se aproximava, atingiu o auge. A procura de bilhetes pôs em delírio os amantes da bola.

O pequeno rectângulo de papel, tomou foros de lendário tesouro. Verdadeira luta de emoção de nervos e até de factos.

Tentava-se o apelo ao amigo, faziam-se valer conhecimentos antigos e modernos, tudo para que o tal papelinho deixasse de ser sonho para se tornar em feliz realidade. E, quando conseguido, era guardado, religiosamente, no fundo da carteira.

Todos queriam mais um bilhete; todos desejavam presenciar a luta dos dois grandes contendores.

E surgiu o inevitável. OS BILHETES ACABARAM.

Na secretaria do nosso clube a azáfama foi constante.

Manuel Vacondeus estava extenuado (…). Pensamos ser interessante ouvir as declarações deste antigo e competente funcionário de ‘Os Belenenses’ (…).

- Naturalmente que o senhor tem tido um trabalhão com este jogo, não é verdade?

- Como pode calcular! Creia, no entanto, que não é o trabalho excessivo que me tem preocupado, pois eu estou aqui para servir o clube e não para descansar. Aquilo que, na verdade, me preocupou e me fez bastantes dores de cabeça, foi A IMPOSSIBILIDADE DE PODER SERVIR TODOS OS SÓCIOS.

- MAS OS BILHETES NÃO CHEGAM PARA OS SÓCIOS?

- NÃO. OS BILHTES QUE NOS CABEM NÃO SÃO SUFICIENTES PARA SERVIR TODOS OS SÓCIOS. Além disso, há aqueles que desejam um número superior àquele que tínhamos estipulado, que era de dois a cada sócio (…)

- A afluência para o encontro de domingo foi na verdade fora do normal?

- Sim, e a justificar essa verdade está o facto de, pela primeira vez, O NOSSO ESTÁDIO SE ESGOTAR”.

Por mais que se queira enterrar o passado, ESTÁ ESCRITO. E FOI GUARDADO. E HÁ QUEM INSISTA EM PRESERVAR OS FACTOS – para que não se perca a memória, a identidade e a ALMA QUE FEZ ESTE CLUBE GRANDE, TÃO GRANDE QUE AINDA RESISTE! Agradecemos, pois, muito particularmente neste caso, ao amigo Álvaro Antunes, que nos facultou este documento.


A 1º vez que o Estádio do Restelo esgotou: um célebre jogo com o Benfica em Fevereiro de 1959


Haveremos, aliás, de voltar a citar largamente este mesmo nº do Jornal do Belenenses, visto que aquele jogo ficou célebre por outras razões.

Tantas vezes, nos anos 70 e nos anos 80 (por ex:, na época 86/87, nos jogos contra Benfica, Sporting e Porto), vimos o nosso estádio a abarrotar de público! Temos pena de já não ser assim, e de haver muitos belenenses que nunca assistiram a tal.



Belenenses, 2 – Sporting, 0, em 28 de Setembro de 1986, perante cerca de 45.000 espectadores (fotos e números da “Gazeta dos Desportos”)

Mas, muito provavelmente, a maior assistência num jogo jamais verificada no nosso Estádio ocorreu em 12 de Outubro de 1975, dia em que o Belenenses bateu o Benfica por 4-2 e assumiu a liderança do Campeonato. Terão estado cerca de 60.000 pessoas (SESSENTA MIL PESSOAS) NO RESTELO!

Também este facto está documentado. No nº 4494 do jornal “A Bola”, que saiu em 13/10/75, na pág. 4, lemos o seguinte sobre a assistência ao jogo Belenenses-Benfica disputado na véspera, e que vencemos por 4-2:

“CASA CHEIA, COM GENTE POSTADA EM TODOS OS SÍTIOS POSSÍVEIS, com muita borla e alguma inconsciência.

Alberto Mesquita, secretário-permanente do Belenenses chegou a manifestar-nos os seus temores pelo EXAGERADO NÚMERO DE PESSOAS PENDURADAS NO QUADRO ONDE SE ANOTAM OS RESULTADOS DO TOTOBOLA, chamando-nos, também, a atenção para um assistente que se encontrava no topo duma das torres de iluminação.

Mais tarde, viríamos a saber que a receita deverá rondar os 1.400 contos, para mais e não menos, pois os cálculos aproximados conduzem àquela conclusão.

Todavia a receita não está de acordo com o número de pessoas que assistiram ao encontro pois, a determinada altura, entrou muita gente sem pagar qualquer bilhete. Apesar disso, julga-se que TERIAM ESTADO NO ESTÁDIO DO RESTELO CERCA DE 60 MIL PESSOAS”.

Bom, e já agora que sempre se demonstrou a veracidade de factos por nós apresentados, quando eles – anónima e (ir?)responsavelmente - foram contestados e até ridicularizados (o que ao mesmo tempo, significou a tentativa de ridicularizar a grandeza do Belém, que se procurava menorizar, talvez para que o contraste com as últimas décadas não seja tão grande…), e que recuperámos ou temos em mão documentos com os quais em qualquer altura podemos fazer prova do que afirmamos, espero que mereça alguma credibilidade a nossa memória (neste caso, simples memória) de que em outro meio de C.S. se chegou mesmo a falar em qualquer coisa como 70.000 (SETENTA MIL) pessoas.

Refira-se a propósito que, no ano seguinte, também com o Benfica, houve outra grande enchente. Conservo uma fotografia em que se vê uma parte do Estádio, impressionantemente cheia. Talvez algum dia a reproduzamos, apesar de mostrar Vítor Baptista a festejar um golo do Benfica. Também então se falou em números de 50.000 pessoas… ou mais! De qualquer modo, a assistência foi menor que na época anterior.

* * *

Poder-se-áainda perguntar: mas nesses casos, não eram adeptos de outros clubes que enchiam o Estádio?

O facto é que, até àquele jogo de 75, em desafios no Restelo, o público azul estava sempre em maioria, mesmo contra o Benfica ou o Sporting.

E decerto que eram quase só adeptos do Belenenses, os que encheram o Estádio do Restelo no dia da inauguração, os 25.000 presentes num jogo nocturno contra o Stade de Reims, os 30.000 que, logo a seguir, assistiram ao 1º jogo oficial, com o Setúbal, os que emprestaram aquela espectacular moldura humana num jogo contra o Salgueiros em 1958 (pode ver-se no site oficial, num dos artigos dedicados a Matateu), os que quase lotaram o estádio em 1970, nos jogos contra Guimarães e Tirsense, os que festejaram o 2º lugar da época de 72/73, no último jogo, contra o Barreirense, para já não falar dos que invadiram as Salésias no célebre jogo final de 1955… apesar de até na Luz haver muitos (sim, muitos! Também está documentado…) adeptos azuis, à espera de um deslize do Benfica.

Ficam no ar algumas perguntas: O que aconteceu ao público do Belenenses? Porque o Restelo, nos últimos anos, se encontra quase deserto? O que arrastava as pessoas para o nosso estádio e, tendo desaparecido, agora as deixa em casa? Não gostávamos, todos, de ver o nosso Estádio com aquelas molduras humanas? O que se pode fazer para que retornem e SE VOLTEM A CRIAR AQUELES GRANDES AMBIENTES?

domingo, outubro 17, 2004

De regresso ás vitórias


O Belenenses venceu hoje o Penafiel por 4 a 1.
Os golos do Belém foram marcados por Antchouet e Rolando.
De destacar Antchouet que fez o primeiro hattrick da Superliga 2004/05.