segunda-feira, outubro 18, 2004

Grande Belém!

Ontem o Belenenses deu mais uma prova cabal da grande diferença que opõe a equipa deste ano à do ano passado: é uma equipa. É uma equipa capaz de jogar, de lutar contra as adversidades e de nunca desistir. É uma equipa, também, capaz de encantar.

Num jogo complicado, em que o Penafiel veio defender o 0-0 e explorar o contra-ataque, com um meio-campo super-povoado, o Belenenses teve dificuldade em explanar o seu futebol, apesar de ser claramente a melhor equipa. O Penafiel ia incomodando pelo nosso lado esquerdo (por onde haveria de ser?), mas o Belenenses já havia criado algumas oportunidades e o jogo parecia complicado, mas com solução à vista.

Surge o golo do Penafiel (temos de admitir que fomos beneficiados pelo árbitro, o Marco Aurélio deveria ter sido expulso. Pena que não haja justiça no futebol, sempre. Assim sendo, ontem o MA teria sido expulso. Temos de ser coerentes.) e um período de algumas dificuldades, até pela intensificação do jogo defensivo dos durienses. No final da primeira parte, surge um penalty a nosso favor que Lourenço, que tão bem os tem cobrado, hesitou e permitiu a defesa de Nuno Santos com um remate fraco. No entanto, o guarda-redes penafidelense defende a bola já à entrada da pequena área, pelo que o árbitro correctamente ordenou a reexecução do castigo. Na 2ª tentativa, o mesmo Lourenço chutou na relva e de raspão na bola, que saíu muito devagar e ao lado da baliza.

Surgia o intervalo com um sentimento de frustração nas bancadas, e temia-se pela 2ª parte. Seria que a equipa era capaz de aguentar aquele revés?

1ª jogada, passe em profundidade de Rodolfo Lima, mas impreciso, com o central do Penafiel a dar uma fífia de todo o tamanho e Antchouet oportuníssimo a aproveitar. Era o 1-1 e o Belenenses com uma alma nova. Alguns minutos volvidos, mais um golo de cabeça de Rolando, cada vez mais um grande valor ao invés de uma promessa. Seguiu-se a expulsão de Mariano e Antchouet (que provocou a expulsão) ainda marcou um e forçou Nuno Silva a fazer um auto-golo. E outros golos ficaram por marcar.

Nota de destaque para as exibições de Antchouet (pode ser trapalhão, mas já leva 4 golos e só ontem foram 2 golos, "sacou" um penalty e provocou uma expulsão), Rolando (forma com Pélé uma dupla fantástica e marca golos), Andersson (está sempre lá, não tem técnica mas não falha um passe nem perde uma bola, imprescindível) e Tuck (entrou a meio da segunda parte e deu uma lição de futebol. Já não é o Tuck que foi e que merecia uma carreira brilhante, porque sejamos sinceros, o talento de Tuck apareceu aos 28 anos na 2ª divisão, enquanto andou nos galos havia quem lhe chamasse "caçeteiro". A sua visão de jogo e simplicidade de processos é demolidora.

Concluíndo, mais uma vez o Belenenses mostra ter capacidade para inverter resultados e lutar contra as adversidades, e cada vez mais se torna claro que somos uma equipa. Assim vale a pena ir ao futebol, apesar de, volto a frisar, o Penafiel ter todo o direito a queixa-se da arbitragem.

PALAVRAS QUE FORAM DITAS - 26 - O Restelo nunca encheu? Claro que encheu! Acabemos com essa patranha!


Há anos que vemos repetido que o Estádio do Restelo nunca esgotou, que nunca na sua vida encheu, pior ainda que, mais coisa menos coisa, teve sempre pouco público!

Temos para nós que tal afirmação não demonstra só ignorância. Em alguns casos, assim será; mas, noutros, existe a intenção, por parte de adeptos de outros clubes, de menorizar o Belenenses. Noutros contextos, pior ainda, a afirmação é conveniente para alguns responsáveis do próprio Belenenses, que aí encontram justificação para o imobilismo que conduziu ao actual estado de coisas e o permite manter, não obstante os alertas que há muitos anos alguns vêm fazendo, e que mais recentemente se repetem (e ainda bem) nos blogs.

Há tempos atrás, num outro artigo, disse que já a meio dos anos 80 a diminuição das assistências no Restelo me preocupava (embora fossem muito superiores às actuais) mas que, ao falar nisso, esbarrava num muro de desinteresse. Apesar de tudo, não era o único a ter preocupações semelhantes, pois, no Jornal do Belenenses de 5/11/1987, na sua página 2, reproduzia-se uma carta do consócio Fernando Paiva, que escrevia o seguinte:

“É sabido e não contestado que o Estádio do Restelo é, em média, o quarto campo do País (depois das Antas, Luz e Alvalade) em número de assistentes por jogo [naquele tempo, de facto, ainda era assim. Actualmente…]. Não é, porém, essa a imagem com que ficamos ao vermos na televisão os resumos filmados dos jogos que aí se disputam. De facto, as filmagens televisivas teimam em mostrar-nos um estádio quase sempre vazio, sendo por isso deturpadoras em relação ao carinho que todos os Belenenses dispensam ao seu clube.

Face a esta situação, proponho aos nossos directores que envidem esforços no sentido de que as filmagens se passem a efectuar do lado oposto à bancada dos sócios, para que desta forma se acabe com a ideia de que o Estádio do Restelo é um deserto situado em Lisboa”.

Passaram-se 17 anos… e nada se fez. Prevaleceu a lógica de gestão medíocre de que só interessa a receita imediata. E como nada se fez, as coisas foram piorando ano após ano, até à actual situação catastrófica. PÚBLICO ATRAI MAIS PÚBLICO, PAIXÃO DESPERTA MAIS PAIXÃO, VITÓRIAS CRIAM UMA DINÂMICA DE VITÓRIA. AO CONTRÁRIO, DERROTAS ATRAEM MAIS INSUCESSOS, DESERTIFICAÇÃO TRAZ MAIS DESERTIFICAÇÃO, FRIEZA AFASTA CADA VEZ MAIS O PÚBLICO. E ENQUANTO NÂO SE DEVOLVER AO BELENENSES A ALMA E A PAIXÃO QUE O FIZERAM GRANDE, O PÚBLICO NÂO REGRESSARÁ EM FORÇA AO RESTELO. Podem dar-se voltas e mais voltas, apresentar sugestões diversas – úteis, sem dúvida, eu próprio as transmiti, e devem ser postas em prática –, que essa é a razão principal.


Voltemos, porém, à questão: o Restelo nunca encheu? O Restelo nunca esgotou? A resposta, em ambos os casos, é SIM!


* * *

… Na verdade, o Estádio do Restelo encheu logo no dia da sua inauguração. Aqui, poderão alguns perguntar, e de boa fé: mas não há fotografias desse dia em que se vêem clareiras?

A resposta é a seguinte: há, sim senhor, fotos em que, numa das centrais, a do lado onde actualmente ficam os sócios (no início, era ao contrário), se vêem lugares vagos. Mas isso não invalida a verdade de que o estádio encheu, porquanto:

1. Todas as outras bancadas estão cheias;
2. A bancada em causa (o anel superior da central) levava então, cerca de 5.000 pessoas, e só uma pequena proporção não está cheia;
3. As festividades da inauguração demoraram muitas horas, e, em alguns dos momentos em que as fotografias foram tiradas, ainda havia público a chegar (aliás, numa delas, vêem-se filas de gente cá fora);
4. Houve um desfile de 3.500 (três mil e quinhentos!) atletas representativos de 200 (duzentos!) clubes) em homenagem ao Belenenses, entre os quais 650 dos Belenenses (documentado na página 5 do nº 1535 de “A Bola”, de 24/9/56). E esses atletas foram, depois, ocupar esses lugares vagos, para assistir ao resto das festividades, nomeadamente o jogo de futebol em que batemos o Sporting por 2-1 (Não nos enganámos: foram mesmo 200 clubes e 3.500 atletas a homenagear o Belenenses. Com uma postura que obrigava a que nos respeitassem, nem por isso deixávamos de ter tantas e tão boas relações! A pensar… não será uma lição cujo valor nos pode iluminar o presente e o futuro?)

Aproveitamos para esclarecer que a lotação do Estádio era bastante superior à de hoje, quer por não dispor da comodidade (e beleza adicional, diga-se!) das cadeiras, quer por a bancada do lado do Tejo estar aberta (e tantas vezes a vimos cheiíssima!), quer por o anel superior do Topo Norte constituir então o Peão, i.e., zona de lugares em pé – e só esse anel superior do Topo Norte podia albergar 16.000 pessoas (contra as menos de 6.000 actuais, sentadas, e com cadeiras).

Para que não nos venham, pela 4ª ou 5ª vez, acusar de inventar, recorremos novamente a “palavras que foram ditas” (neste caso, escritas), mais propriamente na edição de “A Bola” de 22/9/56, em que o Capitão Francisco Soares da Cunha (o maior vulto da construção do Estádio e que, no ano seguinte, assumiria a Presidência), entrevistado por Vítor Santos (um grande jornalista!), declara: “Além da lotação do Estádio propriamente dito que tem, como se sabe, lotação para 44.000 espectadores (25.000 dos quais sentados e 10.700 cobertos)….”. E noutro artigo, no mesmo número e na mesma página, lê-se: “A bancada é coberta de um lado e do outro, ficando descoberto apenas o Topo Norte, onde o primeiro anel é ainda de bancada, ficando por cima o peão – tal como no Pavilhão dos Desportos, mas em maior, claro, pois tem lugares de pé para 16.000 pessoas”. (Curiosamente, na pág. 6 do mesmo jornal, alude-se a várias perspectivas possíveis para o futuro, entre as quais “a construção do anel [superior] do topo sul que, à custa da visibilidade do belo panorama do Tejo, permitiria um aumento de lotação de 18.000 lugares” – o que faria chegar aos 62.000!).

No dia seguinte à inauguração, em artigo que reproduziremos oportunamente, a edição de “A Bola” fala expressamente em 40 mil espectadores, e no encher, progressivo e impressionante, do Restelo, apesar do tempo chuvoso.

Vale a pena, já agora, acrescentar que 2 dias depois, em 25 de Setembro, se realizou no Restelo o 1º jogo nocturno, contra o Stade Reims, para estreia da iluminação. Estiveram presentes, no mínimo, 25.000 pessoas (documentado em “A Bola”, nº 1536, de 27/9/56, na pág. 5).

E vale a pena recordar que não só o tempo esteve chuvoso, como os bilhetes eram bastante caros. E assim é que, na edição de 29 de Setembro seguinte do mesmo jornal, o inesquecível Alves dos Santos, em antevisão da jornada (num artigo com o significativo título “Dos ‘4 GRANDES’ apenas o Belenenses parece em sossego”), escrevia sobre o jogo que o Belenenses disputaria no domingo com o Vitória de Setúbal: “A partida tem, desde logo, vários atractivos, primeiro porque constitui oportunidade de poder ver a ‘preços acessíveis (a quem ainda não viu) o maravilhoso Estádio do Restelo…”.

Em 2 fotografias que temos desse jogo do Restelo com o V.Setúbal (uma está publicada no site oficial), vê-se:

* O primeiro golo em jogos oficiais no Restelo, marcado por Matateu aos 12 minutos. O anel inferior da então bancada dos sócios, está cheio; o anel superior, mais de meio. Temos, assim, perto de 8.000 pessoas.

* Matateu a falhar a marcação de penalty, com o Topo Norte em fundo. O anel superior do Topo Norte (o tal que levava 16.000 pessoas) está cheio em toda a extensão visível. E no anel inferior, também se vê público… Podemos pensar em algo como 17.000 pessoas, o que somado às 8.000 que se vislumbram na outra foto, dá cerca de 25.000 espectadores.

Mesmo que nas restantes bancadas (as que hoje ocupam os sócios, mais o Topo Sul) só estivessem mais 5.000, teríamos 30.000 espectadores! Ou seja, em 3 jogos numa semana, com dois deles a preços muito caros e sob chuva, um às 10 da noite, num tempo de transportes bem mais difíceis do que actualmente, as assistências oscilaram entre 25.000 e mais de 40.000!

* * *

Bom, o Restelo estava cheio na inauguração, terá estado (quase) cheio em outras ocasiões mas… terá mesmo esgotado (i.e., ter-se-ão vendido todos os bilhetes) alguma vez?

Esgotou, sim senhor! E sabemos a data exacta da primeira vez em que tal ocorreu: foi no dia 1 de Fevereiro de 1959.

Mais uma vez, recorremos à prova documental. Assim no jornal semanal “Os Belenenses”. nº 266, de 6/2/59, podemos ler, em artigo publicado na pág. 6:

“O Belenenses – Benfica foi o grande caso desportivo da última semana.

O entusiasmo do público afecto aos DOIS GRANDESCLUBES, à medida que o domingo se aproximava, atingiu o auge. A procura de bilhetes pôs em delírio os amantes da bola.

O pequeno rectângulo de papel, tomou foros de lendário tesouro. Verdadeira luta de emoção de nervos e até de factos.

Tentava-se o apelo ao amigo, faziam-se valer conhecimentos antigos e modernos, tudo para que o tal papelinho deixasse de ser sonho para se tornar em feliz realidade. E, quando conseguido, era guardado, religiosamente, no fundo da carteira.

Todos queriam mais um bilhete; todos desejavam presenciar a luta dos dois grandes contendores.

E surgiu o inevitável. OS BILHETES ACABARAM.

Na secretaria do nosso clube a azáfama foi constante.

Manuel Vacondeus estava extenuado (…). Pensamos ser interessante ouvir as declarações deste antigo e competente funcionário de ‘Os Belenenses’ (…).

- Naturalmente que o senhor tem tido um trabalhão com este jogo, não é verdade?

- Como pode calcular! Creia, no entanto, que não é o trabalho excessivo que me tem preocupado, pois eu estou aqui para servir o clube e não para descansar. Aquilo que, na verdade, me preocupou e me fez bastantes dores de cabeça, foi A IMPOSSIBILIDADE DE PODER SERVIR TODOS OS SÓCIOS.

- MAS OS BILHETES NÃO CHEGAM PARA OS SÓCIOS?

- NÃO. OS BILHTES QUE NOS CABEM NÃO SÃO SUFICIENTES PARA SERVIR TODOS OS SÓCIOS. Além disso, há aqueles que desejam um número superior àquele que tínhamos estipulado, que era de dois a cada sócio (…)

- A afluência para o encontro de domingo foi na verdade fora do normal?

- Sim, e a justificar essa verdade está o facto de, pela primeira vez, O NOSSO ESTÁDIO SE ESGOTAR”.

Por mais que se queira enterrar o passado, ESTÁ ESCRITO. E FOI GUARDADO. E HÁ QUEM INSISTA EM PRESERVAR OS FACTOS – para que não se perca a memória, a identidade e a ALMA QUE FEZ ESTE CLUBE GRANDE, TÃO GRANDE QUE AINDA RESISTE! Agradecemos, pois, muito particularmente neste caso, ao amigo Álvaro Antunes, que nos facultou este documento.


A 1º vez que o Estádio do Restelo esgotou: um célebre jogo com o Benfica em Fevereiro de 1959


Haveremos, aliás, de voltar a citar largamente este mesmo nº do Jornal do Belenenses, visto que aquele jogo ficou célebre por outras razões.

Tantas vezes, nos anos 70 e nos anos 80 (por ex:, na época 86/87, nos jogos contra Benfica, Sporting e Porto), vimos o nosso estádio a abarrotar de público! Temos pena de já não ser assim, e de haver muitos belenenses que nunca assistiram a tal.



Belenenses, 2 – Sporting, 0, em 28 de Setembro de 1986, perante cerca de 45.000 espectadores (fotos e números da “Gazeta dos Desportos”)

Mas, muito provavelmente, a maior assistência num jogo jamais verificada no nosso Estádio ocorreu em 12 de Outubro de 1975, dia em que o Belenenses bateu o Benfica por 4-2 e assumiu a liderança do Campeonato. Terão estado cerca de 60.000 pessoas (SESSENTA MIL PESSOAS) NO RESTELO!

Também este facto está documentado. No nº 4494 do jornal “A Bola”, que saiu em 13/10/75, na pág. 4, lemos o seguinte sobre a assistência ao jogo Belenenses-Benfica disputado na véspera, e que vencemos por 4-2:

“CASA CHEIA, COM GENTE POSTADA EM TODOS OS SÍTIOS POSSÍVEIS, com muita borla e alguma inconsciência.

Alberto Mesquita, secretário-permanente do Belenenses chegou a manifestar-nos os seus temores pelo EXAGERADO NÚMERO DE PESSOAS PENDURADAS NO QUADRO ONDE SE ANOTAM OS RESULTADOS DO TOTOBOLA, chamando-nos, também, a atenção para um assistente que se encontrava no topo duma das torres de iluminação.

Mais tarde, viríamos a saber que a receita deverá rondar os 1.400 contos, para mais e não menos, pois os cálculos aproximados conduzem àquela conclusão.

Todavia a receita não está de acordo com o número de pessoas que assistiram ao encontro pois, a determinada altura, entrou muita gente sem pagar qualquer bilhete. Apesar disso, julga-se que TERIAM ESTADO NO ESTÁDIO DO RESTELO CERCA DE 60 MIL PESSOAS”.

Bom, e já agora que sempre se demonstrou a veracidade de factos por nós apresentados, quando eles – anónima e (ir?)responsavelmente - foram contestados e até ridicularizados (o que ao mesmo tempo, significou a tentativa de ridicularizar a grandeza do Belém, que se procurava menorizar, talvez para que o contraste com as últimas décadas não seja tão grande…), e que recuperámos ou temos em mão documentos com os quais em qualquer altura podemos fazer prova do que afirmamos, espero que mereça alguma credibilidade a nossa memória (neste caso, simples memória) de que em outro meio de C.S. se chegou mesmo a falar em qualquer coisa como 70.000 (SETENTA MIL) pessoas.

Refira-se a propósito que, no ano seguinte, também com o Benfica, houve outra grande enchente. Conservo uma fotografia em que se vê uma parte do Estádio, impressionantemente cheia. Talvez algum dia a reproduzamos, apesar de mostrar Vítor Baptista a festejar um golo do Benfica. Também então se falou em números de 50.000 pessoas… ou mais! De qualquer modo, a assistência foi menor que na época anterior.

* * *

Poder-se-áainda perguntar: mas nesses casos, não eram adeptos de outros clubes que enchiam o Estádio?

O facto é que, até àquele jogo de 75, em desafios no Restelo, o público azul estava sempre em maioria, mesmo contra o Benfica ou o Sporting.

E decerto que eram quase só adeptos do Belenenses, os que encheram o Estádio do Restelo no dia da inauguração, os 25.000 presentes num jogo nocturno contra o Stade de Reims, os 30.000 que, logo a seguir, assistiram ao 1º jogo oficial, com o Setúbal, os que emprestaram aquela espectacular moldura humana num jogo contra o Salgueiros em 1958 (pode ver-se no site oficial, num dos artigos dedicados a Matateu), os que quase lotaram o estádio em 1970, nos jogos contra Guimarães e Tirsense, os que festejaram o 2º lugar da época de 72/73, no último jogo, contra o Barreirense, para já não falar dos que invadiram as Salésias no célebre jogo final de 1955… apesar de até na Luz haver muitos (sim, muitos! Também está documentado…) adeptos azuis, à espera de um deslize do Benfica.

Ficam no ar algumas perguntas: O que aconteceu ao público do Belenenses? Porque o Restelo, nos últimos anos, se encontra quase deserto? O que arrastava as pessoas para o nosso estádio e, tendo desaparecido, agora as deixa em casa? Não gostávamos, todos, de ver o nosso Estádio com aquelas molduras humanas? O que se pode fazer para que retornem e SE VOLTEM A CRIAR AQUELES GRANDES AMBIENTES?

domingo, outubro 17, 2004

De regresso ás vitórias


O Belenenses venceu hoje o Penafiel por 4 a 1.
Os golos do Belém foram marcados por Antchouet e Rolando.
De destacar Antchouet que fez o primeiro hattrick da Superliga 2004/05.

www.belenensesbasket.com

Mensagem da equipa do site belenensesbasket.com

«Caros Amigos:

É com prazer que os convidamos para assistir, hoje, 18 h, Pavilhão Acácio Rosa, Belenenses X Oliveirense

Se não tiver oportunidade de se deslocar ao nosso recinto desportivo, acompanhe a nossa equipa em www.belenensesbasket.com, em LIVE, a partir das 18h. Actualizações a cada 2 minutos!!! Seja o primeiro a saber o resultado!!!»

www.belenensesbasket.com

Mensagem da equipa do novo site www.belenensesbasket.com:

«Caros Amigos:

É com prazer que os convidamos para a apresentação do site exclusivamente dedicado ao Basquetebol Profissional do Belenenses, a acontecer no dia 17 de Outubro, pelas 18h, em www.belenensesbasket.com


Neste site pretendemos disponibilizar todo o tipo de informação sobre a nossa equipa de basquetebol, nomeadamente através da apresentação de notícias, crónicas e estatísticas de jogo, de entrevistas e fotoreportagens, e até mesmo de passatempos e promoções.

Sendo um site de basquetebol, apresentamos também toda a evolução que a modalidade sofreu desde a sua invenção até aos dias de hoje, e damos a oportunidade às pessoas que não têm qualquer tipo de conhecimento desta modalidade, de se familiarizarem com as regras e os fundamentos que regem o basquetebol.

Com actualização permanente, garantimos que os nossos visitantes estão sempre informados dos últimos acontecimentos, inclusivamente esperamos ter a oportunidade de disponibilizar a vertente mais dinâmica deste site, o LIVE, que apresentará o resultado de todos os jogos onde a nossa equipa participará, actualizados a cada 2 minutos!

Sendo este um site de todos nós, Belenenses, lançamos desde já o desafio, de nos visitarem e nos ajudarem sempre a evoluir. Esperamos as vossas opiniões e sugestões, e esperamos ainda que gostem e nos apoiem a fazer sempre melhor!!!

A equipa do site

Ângela Rebelo
António Portela
Catarina Moutinho
Luís Vieira»

quinta-feira, outubro 14, 2004

Porquê?

Às vezes dou por mim a pensar: de onde vem toda esta paixão pelo Belenenses?

A resposta imediata que me ocorre é a influência familiar... mas pensando bem, não é só por aí. O meu pai gosta de tanta coisa que eu não posso sequer ver à frente! Não é por aí, também é, mas não só. Então se calhar é por ter vivido os primeiros 10 anos da minha vida na Ajuda, e desde então entre Algés e Linda-a-Velha, zonas de forte implantação azul. Mas não, dos meus amigos da Ajuda havia um do Belenenses, os outros eram do Benfica ou Sporting. De Algés e Linda-a-Velha, também só meia-dúzia eram pastéis, alguns mais por obrigação que por gosto...

Da escola, será isso? Talvez, sempre andei em escolas perto do Belenenses... mas também aí conhecia meia dúzia de amigos azuis. Claro! Foi no Belenenses que pratiquei desporto!!! Não, é mentira. Pratiquei no Belenenses ginástica, que era uma coisa que abominava mas que os meus pais me obrigavam a fazer. O futebol, a minha paixão, foi jogado no grande Atlético, pois o Belenenses rejeitou todo o meu talento...

Há-de haver um motivo. Será por ter estado presente, embora sem ter vivido, a final da Taça de 89, ou o jogo com o Mónaco, ou ainda a vitória no campeonato nacional de Andebol nos anos 90? Também não.

Começo agora a descortinar de onde nasceu o meu amor pelo Belém... diria que na época 1997/98, a da última descida. Aquela em que até ao fim, sabendo aquilo a que estavamos condenados, não falhei um jogo. Porque se é verdade que descemos de divisão, também é justo realçar que os jogadores em campo deram sempre tudo, mas infelizmente os dias conturbados que o nosso clube vivia não davam para mais. Tinhamos um avançado chamado Dias que "ganhou" um jogo ao Porto, tinhamos um médio Sueco chamado Leif Olsson que parecia um caixote e tinha um pontapé de meia-noite, na estreia enviou uma bola à barra que se ouviu o som do outro lado do estádio. Tinhamos um avançado Dinamarquês com 1,50m, o Johansson, rápido como uma flecha, tosco como os trovões. Ou então um extremo que poderia ter tido uma carreira brilhante, mas nunca conseguiu dar o tal "clique", o João Paulo Brito. E que dizer de Jójó e Néné, esses laterais imponentes? Não, nem vou falar de Vitor Valente, o homem que defendia as bolas para a frente (e era dos poucos que se "safava"). Ou Fonseca, um central algo lento e duro de rins... Mas tinhamos jogadores que me faziam crer no futuro, e acho que foi aí que o meu amor pelo clube brotou. Botelho, que era fantástico a saír-se aos cruzamentos e anda desaparecido ; Malá, um ponta-de-lança promissor que virou médio e está no Beira-Mar ; Neca, um médio que parecia muito consistente e é hoje uma referência do clube ; Paulo Dias, um trinco de raça e a quem augurava um futuro brilhante, e que se perdeu pelos anos fora. Provavelmente esqueço-me de algum. Mas não me esqueço do suor que todos deixaram em campo em tão ingrata época.

E foi assim que no ano seguinte, na 2ª Liga, passei a viver colado ao rádio ou no Estádio ao Domingo, ansiando pelas vitórias (o que na 2ª Liga significa ganhar em casa e empatar fora). E deliciava-me com um jogador fabuloso, chamado João Gonçalves, o fantástico Tuck. E com o Marcão, o Marco Aurélio ou o Filgueira. Quando no dia da subida saí da bancada e entrei no relvado, soube que a emoção que senti naquele dia de regresso à 1ª Liga era uma brincadeira, comparada com a que o meu pai sentiu ao vencer a Taça em 89. E é esse sonho que persigo desde esse dia, ver o meu Belenenses conseguir grandes conquistas.

Acabo como uma frase que já se tornou célebre: Eu ainda hei-de ver o Belenenses campeão, nem que para isso tenha de não morrer!

O PAPEL DOS BLOGS

(Artigo da autoria de Eduardo Torres)

Como há alguns dias disse, e bem, o Nuno Gomes, não podemos resistir, como qualquer outro treinador de bancada, a dar as nossas opiniões sobre a táctica e os jogadores a utilizar, quando um jogo se aproxima; a exigir, a aplaudir ou a verberar uma ou outra modificação, durante o decurso do jogo; enfim, no seu rescaldo, a elogiar ou a censurar esta ou aquela opção e prestação global, tanto do treinador como dos jogadores.

É natural e compreensível que o façamos e que digamos nos blogs o que, então, nos vai na alma. No entanto, concordo igualmente com o Nuno que não é esse o modo como podemos ser úteis ao clube – porque todos os sócios e adeptos lhe podem ser úteis. Tanto mais assim é, quanto é certo que um treinador (a não ser que se encontre numa situação anormal), seguramente sabe mais dessas questões tecnico-tácticas, mesmo que aqui e acolá se engane, pois ninguém é infalível.

Certamente que os blogs são um espaço onde encontramos pessoas que têm um interesse e um amor afins, com quem partilhamos preocupações e anseios, e com quem, em alguns casos, podemos até desenvolver amizades mais ou menos sólidas.

No entanto, considero que a mais nobre e útil das funções de um blog é a de propiciar o surgimento de críticas ou sugestões construtivas, e de aumentar o élan à volta do clube, dando-lhe força e apoio.

Haverá críticas que, ponderando todos os elementos em equação, não tenham razão de ser. Haverá sugestões que, por este ou aquele motivo (ou, talvez, apenas, num determinado momento) não sejam exequíveis. Não obstante, atrevo-me a dizer que os dirigentes, caso dêem uma vista de olhos nos blogs, podem encontrar ideias que devem acolher sadiamente, por serem susceptíveis de melhorar o clube. Criticar, obviamente de uma forma equilibrada, pode ser uma forma de colaborar; mais evidentemente o é, quando se sugerem medidas ou formas de actuar.

Se essas críticas e sugestões não ofendem ninguém, cabe aos dirigentes acolhê-las ou não, exclusivamente de acordo com o seu mérito e justiça intrínsecos, pois o que está em causa é o clube e não as pessoas. Mesmo quando achem mal tudo quanto se diga, tal mostra o “sentir” e o “pensar” de faixas representativas da massa associativa. E, por vezes, justificar-se-á então um esclarecimento geral, através, por exemplo, de um comunicado oficial, dos rumos que se estão a seguir e dos objectivos que se pretendem atingir. A importância disso é manter informada e interessada a massa associativa e não, obviamente, a pessoa A ou B que, pontualmente, fez os reparos ou as propostas.

É meu entendimento que muitas sugestões úteis já apareceram nos blogs; e penso até que algumas terão já sido postas em prática – a não ser que se tratem de notáveis coincidências. Outras, entretanto, existem, que estão ainda em pleno desenvolvimento e que talvez nos pudessem mobilizar em conjunto.

Relembro algumas delas:

- Fez-se, em tempos, um pequeno ensaio de protesto junto de órgãos da Comunicação Social pela discriminação de que todos os clubes, menos 3 privilegiados, são reiteradamente vítimas. É preciso retomar a luta, agora com outros meios e com maior amplitude, alargando a iniciativa a adeptos de outros clubes. Para tal, é necessário estabelecer contactos com blogs e espaços de adeptos desses outros clubes, e também com claques civilizadas, e concertar uma estratégia (embora esta última parte, infelizmente, precise de ser feita de modo não público).
- Para além das propostas que têm sido apresentadas, por vários de nós, publicamente nos blogues e/ou por outros meios, para aumentar a presença de público nos jogos que têm lugar no Restelo, pode haver todo um trabalho de mobilização de público, particularmente em jogos mais significativos. Lembremos o extraordinário trabalho aqui feito, aquando do último jogo da época anterior… Tenho a ideia que alguém (não recordo quem foi) sugeriu que se podia preparar um pequeno texto mobilizador para cada jogo, fotocopiar de modo a que um A4 possa depois ser dividido (guilhotinado) em 4 ou em 8, e distribuir nas caixas de correio das zonas onde o Belenenses tem grande implantação. Pela minha parte, desde já me ofereço para comparticipar nas despesas e se 20 outros o fizerem de 15 em 15 dias, com pequenas contribuições, suponho que se obterá um interessante número desses anúncios.
- Ajudar a restaurar a alma, a mística belenenses, e a recriar um entusiasmo contagiante, devolvendo o público azul ao Restelo, fazendo sentir que é vergonhoso sentar-se mudo e quedo, sem ao menos umas palmas de incentivo ao clube, revivendo a raça, a garra e o querer inquebrantável que outrora empurravam as nossas equipas para a vitória.
- Exercer uma função pedagógica, dando a conhecer o que foi e o que é o Belenenses, a quem dele tem uma ideia muito parcial ou até deturpada.
- Criar reservas de conhecimentos (e conhecedores) que possam servir o clube, tanto globalmente, como em sectores específicos.
- Gerar uma exigência responsável mas inconformada, sensata mas ambiciosa, que constitua um estímulo positivo para os nossos dirigentes.

São apenas algumas sugestões. Muitas outra, decerto, poderão haver!

quarta-feira, outubro 13, 2004

A DÉCADA DE 70 - PARTE IV – Vivendo dos Juros...



Contrariamente ao que outros clubes vieram a fazer (especialmente o F.C.Porto e o Boavista), o Belenenses de certa forma encolheu-se a seguir a 1974. E, desde então, encolhido tem continuado a viver, repetindo-se sucessivamente o discurso “vamos conter despesas para que então venham os sucessos no futuro” – futuro que persiste sempre em não vir. Mesmos os aventureirismos loucos em anos mais recentes (como em 1990 com Ferreira Matos /Joaquim Cabrita e em 94/95/96 com Matias, A QUE CURIOSAMENTE SURGEM ASSOCIADAS, ATÉ NAS ELEIÇÕES EM QUE, ENFIM, J.A. MATIAS FOI AFASTADO, PESSOAS SUPOSTAMENTE MUITO “RESPONSÁVEIS” E ATENTAS -, caracterizam-se por uma ambição medíocre, bacoca e pateta (e, já agora, patética), marcada pela subserviência (empréstimos, etc.) a F.C. Porto ou Benfica ou Sporting (essa mesma que, depois, nos inibe de tomar as posições devidas nos momentos adequados). Estranhamente, continua a chamar-se a isso “gestão moderna”, “trabalhar de uma maneira diferente” “evitar a demagogia”, quando não epítetos ainda mais altissonantes… - e o clube cada vez com menos projecção!... (Não será altura de nos perguntarmos seriamente: porquê?).


No entanto, há 30 anos, a alma Belenenses, embora já um pouco debilitada (face aos primeiros 40 ou 50 heróicos anos de existência), ainda estava viva. Não se tinham perdido as referências. Não se tinha perdido o sentido do peso histórico do clube. E, tal como, em circunstâncias diferentes, tem sido feito por alguns dos integrantes das direcções de Sequeira Nunes, no seu melhor (e não tenho dúvidas nenhumas que Sequeira Nunes deixará um saldo bem positivo no clube), continuou a ousadia de tentar encontrar maneiras de “dar a volta ao texto” e lobrigar onde podíamos mais facilmente obter êxitos.

É assim que, nos anos de 74 a 76, o clube ganha logo o 1º Campeonato Nacional de Iniciados (quantas vezes assistimos a isto? Arrancamos em força e/mas, depois….). É assim que, prosseguindo as correctas apostas de anos anteriores (e, aliás, colhendo juros da formação), conquistámos mais um Campeonato Nacional de Rugby em 74/75. É assim que vencemos mais um Campeonato de Andebol, em 75/76. É assim que ganhámos o campeonato de Lisboa e a Taça de Portugal no Andebol Feminino, respectivamente, em 1975 e 1976, neste ano se tornando o Belenenses a primeira equipa feminina a disputar competições europeias. É assim, facto que nunca será demais destacar, que se construiu o Pavilhão (que, bem mais tarde, veio a receber, com toda a justiça, o nome de Acácio Rosa), inaugurado em 5 de Outubro de 1977, e objecto de complicadas batalhas com a Câmara Municipal de Lisboa (outra vez, e durante anos!) É assim, ainda, como já referimos e voltaremos a ver, que o clube se inscreve na Taça Intertoto de Futebol em 1975 e 1976, conquistando sucessivamente um 1º e um 2º lugar.

* * *

Centremo-nos agora no Futebol. No final de 1974, houve uma sangria na equipa, como consequência natural de um processo de desinvestimento. Murça saiu para o F.C.Porto. Luís Carlos e Eliseu regressaram ao Brasil. Mourinho terminou a sua carreira. Calado saiu, não sei já em que circunstâncias. O mesmo aconteceu com o treinador Scopelli (substituído por Peres Bandeira). Em contrapartida, os reforços são tímidos (basicamente, lembro-me do Guarda Redes Melo, do lateral Sambinha, do médio Isidro e do avançado Alfredo). E, naturalmente, a equipa tem um começo de época (74/75) bastante titubeante.

Punham-se na altura, três problemas fundamentais. O possante mas desengonçado Alfredo substituiria Luís Carlos à altura na linha avançada? Quem e como ocuparia o lugar na baliza, durante tantos anos guardada por Mourinho? Que abanão teria na estrutura defensiva a saída de dois jogadores de qualidade como Calado e, sobretudo, Alfredo Murça (não confundir com o seu irmãos, mais jovem, Joaquim Murça)?

Inicialmente, o problema defensivo foi claramente o de contornos mais graves. Alguns exemplos das primeiras jornadas são bastante significativos: em jogos no Restelo, vencemos o Olhanense por…6-4 e empatámos… 3-3 com o Vitória de Setúbal (em desafio que podíamos ter ganho folgadamente, não fora os golos infantilmente sofridos). Na Luz, sofremos 4 golos (sem resposta); novamente no Restelo (em cima do famoso “28 de Setembro”), registámos um empate a 2-2 com o F.C.Porto, segundo o relato, devido às falhas infantis do nosso Guarda-Redes, que aliás era demolido pela verve de Neves de Sousa… Mas claro que, no fundo, era toda a equipa que perdera qualidade e, sobretudo, estabilidade.

As coisas lá se foram equilibrando (o guardião Melo não só ganhou a corrida à titularidade face a Ruas como até acabou por se vir a destacar no futebol português) mas, de facto, a equipa era capaz do pior e do melhor. Não podemos dar exemplo mais gritante do que este: numa das primeiras jornadas da 1ª volta, o Belenenses foi jogar às Antas, diante de um F.C.Porto a lutar pelo título, e venceu espectacularmente por 4-0! Na jornada seguinte, recebeu no Restelo a Académica, que salvo erro estava em último (se não era em último era em penúltimo) e perdeu por 3-1. Pensamos que isto diz tudo…

Seja como for, a tendência dos resultados e das exibições foi ascendente e terminou-se a época numa posição que, não sendo boa ou entusiasmante (falamos do Belenenses de há 30 anos…), acabava por ser razoável face às circunstâncias. Ficámos em 6º lugar mas, atenção, um 6º lugar que ficou claramente distanciado das equipas que vinham imediatamente atrás (6 pontos de vantagem sobre V.Setúbal, Cuf e Leixões) e a 3 pontos dos 4º e 5º, Boavista e V.Guimarães. O Belenenses registou 14 vitória, 7 empates e 9 derrotas.

Já agora registe-se que o Benfica foi 1º com 49 pontos, o F.C.Porto, 2º, com 44 e o Sporting, 3º, com 43. E, aqui, vem a propósito lembrar o último jogo desse campeonato, no qual o Belenenses venceu o Sporting por 2-0, com os adeptos leoninos, situados no Topo Norte, a arremessarem objectos e insultos contra Damas, que ia deixar o Sporting para ingressar no Racing de Santander. E foi também para o Santander que, no defeso entre 74/75 e 75/76, se transferiu Quinito. Julgo que foi por esse motivo que, em meados de Agosto de 1975, ali disputámos e ganhámos um torneio, em compita com a equipa local e os prestigiados húngaros do Honved.

* * *

Antes disso, porém, participou o Belenenses, pela 1ª vez, na Taça Intertoto, e inscrevendo logo o seu nome nos vencedores, ganhando a Série em que o sorteio o colocou, juntamente com o Spartak de Praga, da então Checoslováquia (2-2 Fora e 2-1 no Restelo), com o Copenhague, da Dinamarca (1-0 fora e 1-1 em casa) e com o Amsterdam, da Holanda (vitórias por 1-0 tanto no Restelo como no país das tulipas). Desse modo, como já algures sustentámos, e tendo a alegria de o ver reconhecido em imprensa desportiva, também o Belenenses conta no historial com uma vitória numa Taça Europeia – facto que não pudemos desprezar, como se fosse coisa de somenos importância, e certamente mais importante do que qualquer detalhe referente a um jogador que chega ao clube e que, quem sabe, partirá um ou dois anos depois.

Aproveitamos para corrigir dois lapsos: 1) os resultados que aqui indicámos relativamente a essa participação na Taça Intertoto apresentam ligeiras discrepâncias face aos que, há semanas atrás, indicámos em texto que saiu no site oficial. Os que agora deixámos consignados são os correctos, pois procedemos à sua confirmação. Pelo lapso então cometido, ainda que ligeiro e não essencial, pedimos desculpa aos leitores e ao Miguel Barreiros e restantes colaboradores, cujo magnífico trabalho cumpre uma vez mais enaltecermos. 2) A assistência ao jogo Belenenses-Wolverhampton da Taça UEFA de 73/74, segundo a edição de “A Bola” seguinte ao jogo (pág. 6 do nº 4180, de 27-9-73) foi de 15.000 espectadores

* * *

O campeonato de 75/76 iniciou-se com uma equipa moralizada, que recuperara uma coerência e um fio de jogo (mérito de Peres Bandeira), que compensara muito bem a saída de Quinito com a entrada de Vasques e que recebeu um Artur Jorge ainda em condições de marcar bastantes golos, de voltar à Selecção A e de ir ganhar uns bons cobres nos Estados Unidos da América, por deferência do nosso clube (para com o qual teve mais tarde comportamentos que prefiro não comentar e muito menos qualificar, pois receio ser injusto ou…excessivo).

Praticamente estivemos sempre nos três primeiros lugares, e grande parte do tempo no 2º lugar. E, aliás, à 6ª jornada, no dia 12 de Outubro de 1975, chegámos mesmo ao 1º lugar, com o Belenenses a viver um dia inesquecível. Recebemos o Benfica no Estádio do Restelo, emoldurado com uma multidão verdadeiramente impressionante. Já há tempos disse que rádios e jornais falaram na presença de 60.000 ESPECTADORES! EXACTO, SESSENTA MIL! Posso-o confirmar documentalmente, através de excerto da “Bola” (nº 4494, de 13 de Outubro de 1975, página 5), que será reproduzido oportunamente. Não sei exactamente se teriam estado 60.000 pessoas, 55.000, 50.000 ou até 70.000 como num meio de comunicação social chegou a ser aventado; mas certo, seguríssimo, é que se tratou de UMA MULTIDÃO COMPACTA, DE UMA ASSISTÊNCIA GIGANTESCA. E, tendo em conta que as bancadas transbordaram a ponto de algumas ténues vedações cederem aqui e acolá, que o Topo Norte estava cheio até aos pilares onde, desde há cerca de um ano, assenta a cobertura, com a zona de acessos, o marcador do totobola e até os terrenos acima cheios de gente (inclusive as torres de iluminação!), tendo em conta que a lotação do Estádio era então superior a 40.000 pessoas (a capacidade oficial do Restelo era de 44.000 pessoas – cfr. “A Bola”, Ano XII, nº 1534, 22 de Setembro de 1956, página 4, coluna 3, linha 32….), não custa acreditar que, no mínimo, tenham estado presentes umas 50.000 pessoas. IMPRESSIONANTE!

Foi uma tarde de glória, com o Belenenses a triunfar por 4-2, depois de um jogo espectacular. Vale a pena recordar a marcha do marcador:

* Aos 15 minutos, Belenenses, 1 – Benfica – 0. Livre do lado esquerdo do nosso ataque, marcado por Gonzalez, e Pietra a marcar de cabeça.
* Aos 32 minutos, 1-1, por Jordão.
* Aos 45 minutos, 2-1 para o Belenenses: Gonzalez marca canto do lado direito, Artur Jorge amortece de cabeça, e Vasques surge a marcar com um espectacular pontapé de bicicleta.
* Aos 49 minutos, 2-2, por Néné.
* Aos 59 minutos, Belenenses, 3 – Benfica – 2, com golo de Vasques, na sequência de canto apontado por Gonzalez e de um primeiro remate de Artur Jorge. A bola sobrou para Vasques que, no bico da grande-área, no lado direito, embora usando o seu pior pé (o esquerdo), arrancou tiro portentoso, que entrou no canto esquerdo da baliza de Bento,
* Aos 90 minutos, 4-2 para o Belenenses. Grande jogada de Pietra, a driblar vários jogadores e a entregar a Artur Jorge que rodopiou, evitou um defesa encarnado, e atirou colocado ao canto esquerdo.

E o jogo – um grande jogo, um espectacular jogo! – terminou em euforia azul, com invasão de campo, Vasques e Artur Jorge carregados em ombros. Que tarde maravilhosa! E que diferente era o Belenenses de então (e até então, sempre!), que, no seu estádio fosse contra quem fosse, e ganhasse ou não, era quem detinha a iniciativa do ataque, quem ia à procura da vitória. Repito, fosse contra quem fosse, e sempre!

COMO TENHO SAUDADES, COMO DESEJO VOLTAR A CELEBRAR UM TRIUNFO DESSES, QUE NOS COLOQUE LÁ NO TOPO, COM O ESTÁDIO, NESSES MINUTOS FINAIS, A SER TODO “NOSSO”, DEPOIS DE UMA VITÓRIA A JOGAR AO ATAQUE, DEPOIS DE PORMOS EM RESPEITO OS OUTROS GRANDES, COM A EQUIPA E TODOS OS BELÉNS A SEREM UM SÓ, CHEIOS DE ORGULHO, DE ÉLAN E DE ALMA!

Falámos há pouco na “Bola”. Vale a pena referir que, num dos títulos da crónica desse jogo (na qual era repetida a referência a SESSENTA MIL ESPECTADORES), se perguntava:

“Olha lá, BELENENSES
E se lutasses pelo Título”

E, entre muitas outras afirmações enfáticas sobre a valia do Belenenses, escrevia Santos Neves: “(…) Belenenses que acaba de ‘apanhar’ o Benfica e com ele (e com o Braga e o Boavista) passa a repartir o 1º lugar. E agora, Belenenses? Olha lá, Belenenses… e se lutasses pelo título? …Exagero?... Vamos lá a ver que exagero? Porquê exagero?”. E seguia-se uma descrição pormenorizada da força e do mérito da equipa do Belenenses.

* * *

Não chegámos ao título, como se sabe (já se passaram 58 anos desde 1946…); mas, apesar da oscilação de forma que houve durante a 1ª metade da 2ª volta, assegurámos um 3º lugar no final. Repare-se que, no Restelo, vencemos o Benfica por 4-2, e o Sporting e o F.C. Porto por 1-0. De resto, em casa, não registámos nenhuma derrota e somente cedemos 3 empates. Em 15 jogos, marcámos 27 golos e apenas sofremos 6. Nos jogos fora, a carreira não foi tão boa mas, por exemplo, empatámos 1-1 no Estádio da Luz. Fomos, aliás, a única equipa que não perdeu com o campeão Benfica – e mais do que isso, a ter um saldo positivo, com uma vitória e um empate, e 5-3 em golos.

Com o Boavista, pela primeira vez na sua história, a chegar ao pódio (com Pedroto no seu comando), a classificação final ficou assim ordenada

1. Benfica – 50
2. Boavista – 48
3. Belenenses – 40 (16 vitórias, 8 empates e 6 derrotas)
4. F.C.Porto – 39
5. Sporting – 38
6. V.Guimarães – 36
7. Braga – 28
8. Estoril – 28
9. V.Setúbal – 26

Sem desprimor para Peres Bandeira (cujo trabalho já elogiámos), não resistimos a perguntar até onde poderia ter ido o Belenenses se, no seu comando técnico, ainda se encontrasse o grande Scopelli ou estivesse José Maria Pedroto (que, relembre-se, foi jogador do Belenenses mas que tivemos que vender ao F.C.Porto para angariar receitas para a construção do Restelo). Seja como for, conservo uma grata memória desta época de 75/76, que foi quase um canto do cisne do velho grande Belenenses, embora na altura (com 14/15 anos), eu não o pudesse imaginar. Mais tarde, passei a sorver todos os (a partir dessa altura relativamente escassos) momentos de glória, como se fosse o último, porque nunca sei se é mesmo o último. No entanto, AINDA ESPERO ANSIOSAMENTE QUE O BELENENSES SEJA CAPAZ DE VOLTAR A DAR O SALTO!

Já agora, para finalizar esta época, recorde-se que voltámos a participar na Taça Intertoto (então chamada Taça Internacional), desta vez ficando em 2º lugar na Série em que o sorteio nos colocou.

terça-feira, outubro 12, 2004

Ponto morto...

Este interregno do campeonato, com a Selecção pelo meio, está a deixar o país futebolístico em ponto morto... ou então não, porque a verdade é que a Selecção "gripou".

O Belenenses foi roubado indecentemente só há uma semana atrás. Mas a nossa postura branda, de palmadinhas nas costas, como gostam de afirmar "diferente" traduz-se em que esse jogo seja já parte da história, enquanto a única coisa que vai agitando o futebol em Portugal é a guerrinha Porto-Benfica sobre meia-dúzia de bilhetes que não foram cedidos e a incompetência de serviços administrativos que os não reclamaram.

Por outro lado, após duas derrotas consecutivas, e com uma série de 3 jogos importantes pela frente, esta paragem poderá até ser benéfica, na medida em que permitirá ao plantel e à equipa técnica recuperarem psicologicamente de 2 derrotas perfeitamente atípicas e que sem o trabalho psicológico adequado poderiam ser fatais para a performance da equipa. No entanto, poderá também ser um tempo demasiado longo, capaz de gerar uma grande ansiedade na equipa que lhe poderá tirar o discernimento e mecanismos no próximo jogo, na tentativa de mostrar ao seu público que o que se passou foi, como já referi, perfeitamente atípico. No entanto, confio na equipa técnica, e creio que em termos psicológicos este ano estamos bem entregues.

Por fim, uma nota para o sorteio da Taça, onde nos calhou em sorte ficarmos isentos. Menos uma eliminatória na busca do objectivo final, levantar a Taça. Eu acredito!

segunda-feira, outubro 11, 2004

Novo projecto on-line

Foi com agrado que o Blog do Belenenses recebeu a notícia do surgimento de um novo espaço on-line dedicado ao nosso clube, em particular a alguns jogadores do plantel de futebol. Independentemente dos critérios de selecção dos jogadores visados, que assentam sobretudo numa base estética, é sempre salutar a criação de novos espaços.

Assim sendo, temos o prazer de convidar todos os bloguistas a visitar o site "Pérolas do Belenenses", que para já centra as suas atenções sobre os jogadores Eliseu, Rolando, Ruben Amorim e Gonçalo Brandão.

domingo, outubro 10, 2004

PALAVRAS QUE FORAM DITAS - 25 - O Belenenses e a Imprensa


Desde há anos que muitos de nós sentimos, lamentamos e reprovamos o menosprezo a que a imprensa, subserviente de determinados clubes, sucessivamente nos vai votando.

Pela nossa parte, aquilo que nos dói e que entendemos ser merecedor de reacção, não é que se critique este ou aquele jogador, técnico ou dirigente, desde, é claro, que tal se contenha dentro de limites de urbanidade. Revoltamo-nos, sim, e achamos que é necessário que se tome uma posição digna, quando se procura atirar o clube para uma posição e uma imagem medíocre, quando o pouco espaço que nos concedem é ocupado a falar de outros clubes – os “tais” – quando transparece a noção de que se quer impedir o Belenenses de disputar as posições cimeiras.

Apesar de terem existido muitos jornalistas respeitáveis e respeitadores do Belenenses – mesmo quando adeptos de outros clubes -, cujo nome está inscrito a letras de ouro na história da comunicação social portuguesa, muitas vezes fomos vítimas da imprensa. Se hoje tal acontece pela enorme ignorância que jornalistas mais jovens têm do peso do Belenenses no desporto português, em tempos passados foi muitas vezes clara a intenção de que o Belenenses não incomodasse, não crescesse, não fizesse sombra a outros clubes e sobre eles triunfasse. E foi assim desde o início…

Damos novamente a palavra a Acácio Rosa, entremeando aqui e acolá alguns comentários ou notas clarificadoras, entre parêntesis curvos:

“Uma revista ilustrada da época ‘Football’, num artigo que intitulou de ‘Baixos Processos’, move uma campanha ilimitada de ataques aos rapazes da praia [como eram conhecidos os fundadores e pioneiros do Belenenses]. Estávamos em Novembro de 1920. O clube reage e envia à imprensa o comunicado que se transcreve:

‘Sob a epígrafe de ‘Baixos Processos’, publica a revista de V. Exª. um artigo em que se fazem afirmações ofensivas à dignidade dos jogadores que compõem o 1º grupo do Clube que dirigimos, afirmações que não podemos deixar em julgado, para que se não possa inferir do nosso silêncio uma concordância tácita [não será que actualmente, em pleno século XXI, o nosso silêncio não significa, muitas vezes, uma aceitação implícita do estatuto de menoridade que os media nos colam?).

Este artigo encara, duma maneira geral, um incidente de todos bem conhecido, num dos campos de futebol, sobre o tríplice aspecto:‘Técnico, doutrinário e moral’

Se bem que sob o ponto de vista técnico as suas opiniões sejam contestáveis, não o fazemos por esse aspecto pertencer em geral ao público e em especial aos críticos.

Esta época do nosso primeiro jogo oficial, ilustres cientistas e pioneiros da Educação Física, com o seu nome ligado aos progressos do Futebol Nacional, diziam com entusiasmo que há muitos anos se não via, em Lisboa, dar por um grupo português, uma manifestação tão completa de ‘association’, como a feita pelo nosso agrupamento nesse dia.

Nenhum Clube apresenta na época de 1920/1921, um exemplo tão levantado de trabalho insano e metódico, como os Belenenses.

Inscrevemos nos vários campeonatos 26 novos jogadores com conhecimentos adquiridos em treinos sucessivos, jogadores desconhecidos dos campos de futebol, feitos com o seu e nosso esforço, demonstrando assim, bem, o carinho e amor que temos pelo desenvolvimento do futebol.

Um Clube que assim se apresenta, não merece ser anavalhado nas colunas de uma revista, que até hoje dera só exemplos de sã e leal crítica, por qualquer energúmeno, pondo ao serviço da sua tara de psicópata de degenerado.

Porque prodígio da lógica concluiu o articulista, sr. Redactor, que os nossos jogadores eram criminosos natos?

Lendo com atenção o rosário longo de insultos que constitui tão infeliz artigo, parece-nos que Sua Exª baseia a sua observação na falta de educação.

Sendo assim, perguntaremos se Sua Exª reputa de criminosos natos aqueles cuja educação é rudimentar?

Imagine então, Sr. Redactor, quantos criminosos natos a Casa Pia não terá convertido em cidadãos prestáveis?

Felizmente que à frente desse útil e simpático estabelecimento de beneficência se não encontra Sua Exª, que com a sua maneira de ser, aquela que nos revela, teria convertido ‘os criminosos natos’ em ‘criminosos de facto’.
Felizmente, que à frente de tão prestante e benemérita instituição se encontram homens bons, cuja amizade nos prezamos de cultivar, que com a sua sábia direcção e paternal conselho, têm convertido as crianças que entram, em cidadãos ilustres, profissionais briosos e artistas notáveis”.

Noutro passo, continua Acácio Rosa:

“A imprensa ainda ardia de desejos de dizer mal do Belenenses”. E sob o título “APÓS 2 ANOS DE VIDA A LUTA MANTINHA-SE”, lembra uma insidiosa afirmação contida na edição do Jornal “Os Sports”, de 21 de Março de 1921:

‘Diz-se que o C. F. «Os Belenenses» e o S. L. Benfica se vão fundir, depois de terminada a presente época de futebol’.

[Na verdade, 83 anos passados, parece que tal intenção ainda persiste. Nas últimas 2 décadas, às vezes, parece que até dentro do próprio Belenenses…conscientemente ou não, é o que, aqui e acolá, nos parece…Mas o Belenenses haverá de seguir o seu caminho livre e independente, sem prestar vassalagem a ninguém!].

E relata Acácio Rosa:

“Estas outras perseguições movidas injustamente por certos sectores da Imprensa, levaram à natural reacção a direcção do Belenenses.

Repudiando insinuações mal intencionadas a propósito da brilhante vitória da Taça Mutilados de Guerra [imponente troféu, que, na altura, representou extraordinária conquista do nosso clube] e rebatendo boatos e mentiras sobre a vida do Clube, o engº. Reis Gonçalves, como presidente do Belenenses, enviou ao sr. Campos Júnior, redactor principal do Jornal ‘Os Sports’, esta esclarecida carta:

‘Exmº. Senhor Campos Júnior e prezado amigo

Belém, 23 de Maio de 1921

No suplemento de segunda-feira passada do jornal ‘Os Sports’, vem inserida a notícia: ‘Que as imposições que «os Belenenses» fizeram sobre a taça Mutilados da Guerra não eram por mal… É uma questão de princípios.

Não lhes oculto, Exm.º Sr., a impressão desagradável que tal notícia produziu no C. F. Os Belenenses.

É manifesta, transparente, a ironia daquelas duas linhas e muito para estranhar, pois que tendo o jornal ‘Os Sports’ solicitado o nosso concurso para o torneio da taça ‘Mutilados da Guerra’ que organizou, manifesta dum modo tão singular a sua gratidão para com Os Belenenses que, com um desinteresse absoluto, concorrera a esse torneio.

‘Os Sports’ tem há um tempo a esta parte, mostrado uma persistência em nos ser desagradável, cujo interesse eu não consigo explicar-me.

Todavia as provas de consideração e deferência, muito para agradecer, que V. Exª. sempre me dispensou, levam-me a exigir da sua lealdade, a publicação na íntegra desta minha carta, como explicação para o público, de uma atitude antipática que o seu jornal nos atribui, mas que, por ser menos verdadeira, nos apressamos a repelir.

Os Belenenses» não fizeram imposição de nenhuma espécie a respeito da Taça Mutilados da Guerra. Simplesmente protestaram pelo facto de lhes ter sido marcado um jogo que lhes não pertencia jogar, conforme a resolução prévia tomada pela comissão organizadora do torneio. Ora esse critério foi alterado pela mesma comissão sem consulta de um dos clubes interessados - Os Belenenses.

Este clube protestou no uso legítimo de um direito. A comissão insistiu na sua determinação em presença, então, de um delegado de Os Belenenses, que se submeteu a essa decisão.

Não me parece, salvo melhor opinião, que esta atitude mereça os reparos que lhe fez o seu jornal; nem atinjo qual o fim que o seu jornal tem em vista, imputando-nos uma atitude de que nós não assumimos.

O propósito que o seu jornal tem de tornar-nos a vida amarga tem-se mostrado ainda com outra notícia a respeito de uma pretensa fusão Benfica-Belenenses e que nas suas colunas tem sido martelado com uma insistência bastante incómoda.

Para tranquilidade do noticiarista, a que o facto parece desagradar, posso assegurar-lhe que não entrou nas direcções dos dois clubes qualquer negociação a tal respeito, como aliás já o disse ‘O Primeiro de Janeiro» em princípios de Maio deste ano’.

Para terminar posso afirmar-lhe que Os Belenenses tem o mesmo empenho em conservar a sua modéstia, trabalhando pelo desporto quanto podem, dispensando louvores que não merecem e repelindo boatos de propaganda dissolvente.

Creia-me V. Exª. seu amigo e obrigado

Reis Gonçalves
Presidente de Os Belenenses’.

[Tirando a linguagem diferente da que hoje em dia usamos, não podemos deixar de notar a similitude dos ataques, desejos e insinuações que se abatem sobre o Belenenses.

quinta-feira, outubro 07, 2004

Calados... como sempre!

Li hoje no jornal O Jogo que "apesar do sentimento de injustiça reinante no Restelo, não deverá ser tomada qualquer posição em termos públicos sobre o assunto, até pelo lapso temporal decorrido desde o jogo".

Sinceramente, sinto-me defraudado com esta reacção da direcção do clube, ou da SAD, ou de quem de direito. A verdade é que só o Site Oficial e os Blogs manifestam claramente uma opinião sobre o sucedido, um verdadeiro escândalo. BASTA de subserviência! Ou estamos à espera, como ouvi em qualquer lado, que o Porto nos empreste um coxo qualquer em Janeiro??? Todos sabem que sou a favor dos empréstimos em situações específicas. Mas será que os empréstimos servem para nos calar??? Seremos o novo clube satélite dos grandes? Aqueles clubes do Norte, que até meados da década de 90 andavam por aí, Leças e companhias, sempre treinados por Rodolfos Reis e companhia?

Não podemos pactuar com estes roubos! Da direcção do nosso Belenenses espera-se que faça um bom trabalho: no futebol, nas modalidades, nas instalações, em tudo. E tudo implica A DEFESA DO NOSSO BOM NOME, não podemos deixar que "nos comam as papas na cabeça"!

Para a semana recebemos o Penafiel da Olivedesportos, na semana seguinte vamos a Alvalade, com o Sporting a precisar de ajuda para saír do buraco onde se enfiou. Diz-se que estamos à espera do que acontecer em Alvalade para depois podermos protestar pelos 2 jogos. Mas caramba, se soubermos protestar hoje, em Alvalade não seremos prejudicados. Infelizmente as arbitragens funcionam assimem Portugal, é certinho que se se protesta numa semana, na semana seguinte não há problemas nenhuns.

Estou muito triste. Primeiro pela vergonha a que assiti no Domingo. Depois pelo "medo" de reclamar os nossos direitos!

PALAVRAS QUE FORAM DITAS - 24 - AUGUSTO SILVA E ARTUR JOSÉ PEREIRA


Servindo-nos novamente da história do Belenenses contada por Acácio Rosa (contrariamente a outros, gostamos de citar as fontes, como é de boa ética, sempre que não são as nossas memórias pessoais e/ou opiniões a base do que escrevemos), lembramos hoje a justa homenagem de que o nosso grande capitão Augusto Silva (grande capitão do Belenenses e da selecção nacional, de que foi herói nos jogos olímpicos de Amsterdão e, durante 16 anos, o mais internacional dos jogadores portugueses) foi alvo em 1934.

Passamos a citar Acácio Rosa:

“Despedida de Augusto Silva
TAÇA “Augusto Silva”
HOMENAGEM DO DESPORTO NACIONAL A AUGUSTO SILVA
Belenenses, 4 – F. C. Porto, 2

No intervalo do primeiro para o segundo encontro das Salésias, antes dos «teams» do F. C. P. e do C. F. B. alinharem, desceram ao campo várias individualidades em evidência no meio para prestar homenagem a Augusto Silva.

À manifestação juntaram-se os jogadores do F. C. Porto e do Belenenses, vendo-se entre outros jogadores antigos Eduardo Azevedo e Armando Martins, do Vitória de Setúbal.

Um avião que nessa altura voava baixo sobre o terreno deixou cair um ramo de flores, que Valdemar apanhou e foi entregar ao homenageado.

O Sr. Raul Viera, presidente da Confederação Portuguesa de Desportos, falou em primeiro lugar, enaltecendo as qualidades de atleta de Augusto Silva.

Findas as suas palavras, entregou ao jogador belenenses uma placa magnífica, de prata, com um excelente estojo, com os seguintes dizeres:

‘A Augusto Silva, do C. F. «Os Belenenses», internacional em football de 1925 a 1934 – Oferta da Confederação Portuguesa de Desportos em homenagem aos valiosos serviços prestados ao Desporto Nacional. – 30 de Setembro de 1934.

[Augusto Silva foi o "Leão de Amsterdan" e um dos olímpicos de 1928, de maior renome internacional.

21 vezes internacional, 8 vezes capitão da Selecção Nacional:

Discípulo dilecto do mestre Artur José Pereira e um dos jogadores do famoso ‘Quarto de Hora’.

Augusto Silva só aceita ser o treinador, em 1938, desde que o Clube fixe a Artur José Pereira uma subvenção mensal.

A Assembleia Geral de 18 de Agosto de 1938, aprova por unanimidade os desejos de Augusto Silva. Artur José Pereira fora um HOMEM que devotara à formação e sobrevivência do Belenenses toda a sua garra de lutador”

E agora, algumas notas da nossa parte:

1. O epíteto de “Leão de Amsterdão” não tem nada a ver com o Sporting, clube em que nunca jogou mas, sim, com a raça indomável que Augusto Silva punha em campo.

2. Foi, de facto, o ‘discípulo dilecto’ e verdadeiro sucessor de Artur José Pereira (de que várias vezes, ao longo de meses, temos vindo a falar).

3. Repare-se na beleza do seu gesto, revelador de um homem de verdadeira elevação moral, quando condicionou a sua aceitação do cargo de treinador do Belenenses à fixação de um apoio monetário ao nosso grande fundador, Artur José Pereira, já então a sofrer as dores físicas e morais da doença que o vitimou.

4. Aliás, cumpre aqui lembrar que quando, por essa mesma doença, Artur José Pereira foi substituído nas funções de treinador até ao final de uma época, por Cândido Oliveira, este teve a nobreza e o desprendimento de fazer questão que os vencimentos continuassem a ir para Artur José. Cândido Oliveira (que passou anos no Tarrafal) e Artur José Pereira foram grandes amigos.

5. O Campeonato Nacional de Futebol que o Belenenses ganhou em 1946, foi o primeiro conquistado por uma equipa comandada por um treinador português – e assim continuou a ser por muitos anos. Esse treinador chamava-se…Augusto Silva.

quarta-feira, outubro 06, 2004

Belenenses no Mundo



Ana Santos

Tomar - Jogo de pré-época com o União de Tomar


A DÉCADA DE 70 - PARTE III – A ÉPOCA DE 73/74. O 25 DE ABRIL E O BELENENSES



Continuamos a nossa viagem pelas memórias dos anos 70, alargando-nos hoje em factos que, pelo menos que seja do nosso conhecimento, jamais foram objecto de uma análise aprofundada ou, sequer, de uma listagem mais ou menos exaustiva. Esperamos e acreditamos, deste modo, deixar consignados alguns pontos fundamentais para se compreender o Belenenses.

Permitam-nos salientar que todos os factos aqui narrados podem ser comprovados. Recusando-nos a fazer afirmações gratuitas, sem apoio em dados objectivos, recusamos e devolvemos, com boa razão de ser, as anónimas acusações de demagogia.


A época de 73/74 iniciou-se debaixo de forte optimismo, devido não só à excelente prestação da equipa de Futebol no campeonato anterior e à margem de progressão que vários jogadores do plantel apresentavam, como face ao panorama nas outras modalidades: no Râguebi havia-se conquistado o título de Campeão Nacional (algo que esqueci de referir no artigo anterior); no Andebol lutara-se palmo a palmo pela conquista do título; no Basquetebol e no Hóquei em Patins, aí estávamos na 1ª Divisão. Por outras palavras, o clube tinha 5 modalidades ao mais alto nível, em alguns casos aptas a lutar pelo 1º lugar, tinha ainda outras modalidades com excelentes representantes (por exemplo, no Atletismo, em especial no Sector Feminino) e, apesar de tudo isto, havia equilibrado as suas finanças.

Pela parte que me toca, e designadamente quanto ao Futebol, sonhava eu com a subida de um lugar na Classificação Geral – o que significaria... o 1º lugar – e com uma grande prestação na Taça UEFA.

Apesar de, durante o defeso, se ter falado de contratações sonantes, nomeadamente de dois internacionais brasileiros – um deles, era Ivair; do outro, já não recordo o nome – o plantel futebolístico sofreu pouquíssimas alterações. Basicamente, saiu Laurindo e entrou o médio Eliseu e o ponta de lança Toninho, ambos brasileiros. A equipa base manteve-se, com uma única alteração: Quinito avançou para o lugar de Laurindo e Eliseu fixou-se no meio campo. Como uma grande parte dos jogadores eram ainda jovens, esta aposta na continuidade prometia dar bons frutos.

No final da época anterior, terminado o campeonato, haviam-se feito digressões economicamente proveitosas e, desportivamente, 100% vitoriosas em França e no Canadá, com destaque para a vitória por 2-0 sobre o Olympique de Lyon (várias vezes campeão francês e que ainda recentemente brilhou na Liga dos Campeões). Por sua vez, na pré época, viajou-se até aos Estados Unidos, Canadá e Espanha, neste último país se tendo conquistado o troféu de La Línea, na sequência de vitória 2-1 sobre o Málaga e empate 1-1 com o Bétis. A poucos dias do início do campeonato, ganhámos ainda, no Restelo, por 4-1, a uma equipa chilena. A “coisa” prometia...

E o Campeonato Nacional começou da melhor maneira com um triunfo sobre o F.C.Porto no Estádio do Restelo, perante uma excelente assistência (calculo que cerca de 25.000 pessoas). O único golo foi marcado a cerca de um quarto de hora do fim, salvo erro por Quaresma (ou teria sido Quinito? Aqui, as minhas memórias estão um pouco esbatidas...).

Seguiu-se um empate 1-1 em Guimarães, resultado que, não sendo brilhante (sobretudo para o que o Belenenses significava na altura...), estava longe de ser desastroso. E aqui, estranhamente, a imprensa começou a dizer que estávamos em crise, que íamos ficar muito aquém do ano anterior... Por que razão? Não se encontrando nenhuma razão...razoável, parece que estávamos a incomodar... E a incomodar a sério!

Na jornada seguinte, em jogo rijamente disputado, e perante enorme assistência, perdemos por 2-1 com o Benfica, no Restelo (justamente no dia em que o clube completava 55 anos). A nossa exibição foi boa, o empate ter-se-ia justificado mas a imprensa gritou ainda mais forte: “crise”! Admito que a equipa se tenha ressentido psicologicamente desse despropositado rótulo, tanto mais detestável quanto é certo que estávamos em véspera da eliminatória para a Taça UEFA.

No sorteio saíra-nos o Wolwerhampton. Mais uma vez não fomos afortunados. O Wolwerhampton era uma equipa bastante difícil, que dois anos antes fora finalista da mesma Taça UEFA, perdendo num 2º jogo com o Totenham, após empate no 1º desafio.

A 1º mão foi em nossa casa, no dia 26 de Setembro de 1973, às 22 horas (eu sou suficientemente... atento e provido de memória para me lembrar destas coisas!). Tenho a ideia que os bilhetes eram muito caros e, talvez por isso, a assistência foi decepcionante. Li algures no site oficial do clube que teriam estado cerca de 9.000 pessoas; pergunto-me se isso inclui os sócios e os convites e crianças não pagantes. Suponho que no 1º caso a resposta é positiva e, no 2º caso, negativa. A ser assim, talvez possamos estimar o público presente em cerca de 12.000 pessoas, ou seja, perto de 1/3 do estádio.

Começámos o jogo algo nervosos (talvez pela pressão do regresso às competições europeias, talvez como reacção à campanha jornalística da pretensa “crise”) e só cerca dos 15 minutos saiu uma boa - aliás, excelente! - jogada de entendimento Godinho-Gonzalez (a tal asa esquerda que, no jogo da 2ª mão, o treinador da equipa inglesa veio a considerar a melhor da Europa...), com perigosíssimo remate do paraguaio. A equipa e o Estádio pareciam despertar mas... 2 ou 3 minutos depois veio o balde de água fria, com o golo do Wolwes. E, até ao final da primeira parte, não mais o Belenenses se encontrou. Mais uma ou dias jogadas de perigo, e foi tudo!

Após o intervalo, então, sim, o Belenenses fez 10/15 minutos de grande nível. Perdemos várias oportunidades, uma delas verdadeiramente incrível e que ainda mantenho na retina. Luís Carlos está sozinho a meio da área, o Guarda Redes inglês está caído, a baliza (a do Topo Norte) escancarada, e o remate vai rasteiro... contra o guardião inglês. Quase não dava para acreditar...mais a mais de um excelente avançado como era Luís Carlos!

“Quem não marca arrisca-se a sofrer” e assim foi, uma vez mais, naquela noite: em contra-ataque veio o 2º golo inglês, que matou o jogo e a eliminatória. A derrota por 0-2, em casa, de facto nada de bom prometia para o jogo da mão, que teria lugar uma semana depois. Mais a mais quando, pelo meio, ainda fomos perder a Alvalade.

No entanto.... entrámos de modo espectacular no jogo da 2ª mão, apesar das dificuldades adicionais motivadas pelo característico apoio frenético do público inglês, e realizámos 25 minutos de grande nível. Aos 7 minutos, Murça colocou o Belenenses a vencer, reduzindo a desvantagem para somente um golo. Renascia a esperança! Por volta da meia hora, os ingleses empataram mas as nossa chances mantinham-se de pé: estávamos a jogar bem e, já com a regra dos golos fora a funcionar, uma vitória por 3-1 dar-nos-ia a qualificação. As ilusões terminaram a cerca de um quarto de hora do fim, com o 2º golo inglês, fixando o 2-1 final.

No campeonato, embora com alguma irregularidade, o Belenenses ia melhorando e fixou-se no 5º lugar, ainda que a alguma distância do Líder Sporting, que veio a ser campeão.

E vem a propósito recordar o jogo da 19ª jornada, no nosso estádio: com as bancadas cheias, num jogo tremendamente disputado (como se escreveu na “bola”: “de poder a poder”, i.e., disputado segundo a segundo, centímetro a centímetro, com ambas as equipas “de peito feito”), o Belenenses ganhou por 1-0 com um golo de Luís Carlos, em remate à meia volta, cerca dos 20 minutos. Que saudades daqueles momentos finais: O público azul de pé, milhares e milhares gritando “Belém! Belém! Belém!”, com um dedo levantado a fazer sinal aos jogadores que se tinha entrado no último minuto!...

À medida que o Campeonato ia avançando, a forma do Belenenses ia crescendo – e sinal disso mesmo foram as 6 vitórias consecutivas com que terminou o campeonato. Curiosamente, apesar de baixar 3 posições – do 2º para o 5º lugar –, o Belenenses conquistou exactamente o mesmo número de pontos que no campeonato anterior: 40.

Repare-se que os 5 primeiros classificados desta época de 73/74 ficaram muito próximos entre si, havendo, pelo contrário, uma grande distância entre o Belenenses e o 6º classificado. Face ao que dissemos, pena foi, portanto, que o campeonato não durasse mais umas jornadas, pois teríamos subido uma ou duas posições. Como, curiosamente, embora por ordem diferente, foram os mesmos clubes os primeiros seis do campeonato anterior, poremos entre parêntesis a soma de pontos obtidos nesses dois campeonatos. Vejamos:

Sporting – 49 pontos (86)
Benfica – 47 pontos (105)
V.Setúbal – 45 pontos (83)
F.C.Porto – 43 pontos (80)
Belenenses – 40 pontos (80)
V.Guimarães – 31 pontos (64)

Quase no fim desta época, deu-se o acontecimento capital para a sociedade portuguesa que foi o 25 de Abril. E gostaríamos de fazer alguma reflexão a propósito, em termos das suas consequências desportivas, em especial para o Belenenses.

É importante notar que, nessa época de 1973/74, o Belenenses fez a “dobradinha” em Andebol, vencendo o Campeonato e a Taça de Portugal (na final, ganhámos 17-14 ao Benfica). Recordemos que, no ano anterior, tínhamos ficado em 2º lugar no Campeonato de Futebol, havíamos sido campeões de Rugby e ficáramos em 2º lugar em Andebol; que estávamos também na 1ª Divisão em Basquetebol e Hóquei em Patins, que estávamos bastante fortes em Atletismo. Em todas estas modalidades, o Vitória de Setúbal (sob a liderança de um grande dirigente: Fernando Pedrosa) estava muito distante de nós (Andebol) ou era inexistente. Apesar das excelentes prestações, tanto nas competições nacionais, como nas europeias, a sua equipa de futebol caminhava para a veterania (73/74 culminou, justamente, a sua época de ouro), ao contrário da juventude da do Belenenses. No conjunto, apesar das vantagens que o F.C.Porto detinha – e detém - como clube mais forte da 2ª cidade do país, um observador imparcial talvez apostasse mais no Belenenses do que no F.C.Porto para o futuro. E no entanto, olhando para estes 30 anos, até onde descaiu o Belenenses, e a que alturas subiu o F.C.Porto!

Como os dois anos seguintes ao 25 de Abril foram caracterizados pela polarização política das atenções, ainda sem grandes alterações em termos de resultados desportivos – com, talvez, a imediata excepção do assomar do Boavista –, vejamos a soma de pontos obtidas nos 4 campeonatos entre 72/73 e 75/76 pelos principais clubes (note-se que, por exemplo, não incluímos aqui o Marítimo, que só em 77/78 chega à 1ª Divisão, nem o Braga, que só aí regressa em 75/76):

Benfica – 204
Sporting – 167
F.C.Porto – 163
Belenenses – 155
Boavista – 142
V.Setúbal –138
V.Guimarães – 138

Acrescentemos a isto as excelentes participações do Belenenses na Taça Intertoto em 1975 (vencedor) e 1976 (2º lugar na sua Série); a presença na meia final da Taça de Portugal em 74/5, perdendo por 2-1 na Luz, depois de termos afastado o F.C.Porto por 2-0; a conquista do Campeonato Nacional de Iniciados em 75/76; a vitória no Campeonato de Andebol, também de 75/76; o campeonato de Lisboa e a Taça de Portugal ganhos no Andebol Feminino, respectivamente, em 1975 e 1976; o campeonato Nacional de Rugby em 74/75.... e, agora, pensemos:

O Belenenses foi sucessivamente baixando as suas prestações. O Sporting, decaiu também. Desde então, em quase 30 anos, o clube leonino ganhou 4 campeonatos, 1/3 dos que conquistara nas três décadas anteriores. O Benfica manteve uma posição forte, até à sua crise de resultados desde metade da década de 90. O Boavista emergiu de um clube quase irrelevante para a disputa dos primeiros lugares, a conquista de Taças e até de um Campeonato Nacional. O F.C.Porto tornou-se o clube mais poderoso. Enfim, para completar o quadro, diremos que em 73/74, entre os 16 participantes na 1ª Divisão futebolística, só havia 5 clubes a Norte de Coimbra, enquanto 8 se concentravam nos distritos de Lisboa e Setúbal (e havia 2 no Algarve), enquanto que, 30 anos depois, tínhamos apenas 6 clubes a Sul de Coimbra, nenhum ao Sul de Lisboa (agora, com o Regresso do V.Setúbal, a “linha” baixou 40 kms...) e 8 concentrados nos distritos de Porto e Braga.

Não vamos comentar esta diferente distribuição por regiões mas repare-se:

- O Vitória de Setúbal terminou a sua “década de ouro” e voltou à relativa penumbra, aqui e acolá sacudida por um fugaz assomar. Acompanhou, à escala, a crise que se abateu sobre os clubes que, durante um tempo, floresceram no distrito de Setúbal: o Barreirense, a CUF, também o Seixal, o Montijo e até o Luso do Barreiro;
- O Sporting, clube elitista por excelência, foi bastante abalado pelas transformações que se seguiram ao 25 de Abril;
- O Benfica, clube estandarte do país no anterior regime (sem querer tirar mérito, nomeadamente, às suas conquistas europeias), fez da sua incontestável expressão popular, de uma verdadeira tradição democrática e de ter sido seio de nichos oposicionistas, bem como, já agora, nos períodos mais revolucionários, da sua cor vermelha, motivos para não ser abalado por essas transformações;
- O F.C.Porto, teve uma hábil política de ser (sempre) oposição para se firmar. Nos anos em que as concepções políticas mais à esquerda se mostraram mais fortes e predominantes, ostentou a bandeira mais conservadora do Norte; quando a tendência política se inverteu, mudou curiosamente de rumo (relembre-se o afastamento de Américo de Sá). Enfim, encontrou em Pinto da Costa um dirigente tenaz, ambicioso, que defende o seu clube a todo o preço e que parece nunca se saciar de vitórias;
- O Boavista, independentemente de outras considerações, seguiu à sua escala o trilho do F.C.Porto, ousou apostar nos momentos conturbados do país (Pedroto a treinador em 74/75 e 75/76), aproveitou a lógica da transferência de poder futebolístico do Sul para o Norte, e nesses centros de poder colocou estrategicamente as suas peças.

E o que se passou no Belenenses?

No Belenenses, algumas pessoas que financiavam o clube entraram em pânico e desapareceram. Mais, e pior: o Belenenses não soube defender-se e argumentar, quando alguns o conotaram especialmente com o regime deposto. Permitiu-se – e permitiu-se durante muito anos! – que se jogasse com a colagem ao Almirante Américo Tomás, a pontos de nos atirarem à cara que sem ele “não éramos nada”. Ora, a realidade, é esta:

- Américo Tomás era sócio ( e veio a ser presidente honorário) do clube muito antes de ser Presidente da República e antes, bastante antes até, de ser Ministro da Marinha. Mais: era sócio desde o tempo da 1ª República.
- Antes da Ditadura e do chamado Estado Novo, um Presidentes da República também foi simpatizante e sócio do Belenenses: Manuel Teixeira Gomes. Com a mesma naturalidade com que, por exemplo, Jorge Sampaio é do Sporting.
- Ninguém pode afirmar que Américo Tomás contribuiu para favorecer o Belenenses. De resto, li da pena de jornalistas claramente oposicionistas do regime ante 25 de Abril que ele mantinha a sua imparcialidade nesse âmbito e que, quando assistia a jogos do Belenenses, era cortês e educado.
- Aliás, toda a gente sabe que, embora a Constituição de 1933, literalmente, determinasse o contrário, o Presidente da República era mera figura decorativa ou protocolar (e Américo Tomás mais que todos), pois o verdadeiro pilar e força determinante e mandante do regime era Salazar – do qual não se conhece nenhuma simpatia pelo Belenenses...
- O Belenenses não foi mais (nem sequer tão beneficiado) pelo Estado Novo, do que outros clubes, mormente o Benfica e o Sporting. A “expulsão das Salésias” e a perda do Restelo mostram-no à evidência. Em rigor, fomos, sim, prejudicados e não benificiados.
- Certamente, havia figuras do regime que eram adeptos ou sócios do Belenenses. Era normal. Sendo então o Belenenses o clube de uma percentagem relevante de portugueses, logicamente que também uma percentagem relevante de figuras do Estado Novo eram adeptos do Belenenses. À proporção natural...Nem mais nem menos!
- Mas, como em outros clubes, e certamente que também na lógica proporção, havia no Belenenses oposicionistas e contestatários do regime anterior. Lembremos, desde logo, que Artur José Pereira e Cândido de Oliveira eram amigos íntimos, e que o último foi bastante perseguido pelo regime deposto em 1974.
- E lembremos, muito particularmente, que foram 3 jogadores (todos) do Belenenses que, num jogo internacional com a Espanha, se recusaram a fazer a saudação fascista, eufemisticamente chamada de “olímpica”, com os consequentes problemas advenientes: Mariano Amaro, Artur Quaresma e José Simões. Amaro, foi mesmo ao ponto de cerra o punho, em vez de estender a mão. De resto, em outras situações, responsáveis do Belenenses foram seguidos, vigiados ou atormentados pela polícia política.


Tentámos, na medida do possível, eximir-nos à emissão de opiniões políticas (embora não possamos deixar de dizer que somos contra todo o tipo de tiranias, sejam elas quais forem, e que a liberdade de pensamento e de expressão é um bem precioso). O que, sim, gostaríamos de deixar claro, é que o Belenenses tinha argumentos para evitar a colagem que foi feita. Assim tivesse havido coragem... e conhecimento da história (coisa útil, diga-se o que se disser. Se não sabemos quais as causas que as provocaram, como poderemos compreender as situações presentes?). Mas não houve....

E como não houve, o clube resistiu, durante 2 ou 3 anos, vivendo à conta dos juros... do que, no caso do futebol, ia restando duma equipa em decomposição. Veja-se a diferença: em situações quase iguais em 74/76 (também eles viviam um jejum de títulos), o F.C.Porto ousou, e nós...encolhemo-nos. Em ambos os casos, deu o que deu...

E vem aqui a propósito referir algo que não consigo perceber, por mais voltas que dê à cabeça: durante décadas, o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol era, rotativamente, do Benfica, do Sporting e do Belenenses (teve razão o F.C.Porto quando reagiu contra isso... eles tiveram razão em algumas queixas, é preciso reconhecer, à luz da história); temos autoproclamados adeptos (pelo menos são sócios...) do Belenenses na Presidência da Federação de Andebol, da Confederação Portuguesa de Desportos, em vários organismos desportivos; tivemos belenenses a seleccionadores nacionais; temos belenenses a dirigir “a Bola” e o “Record”; temos como adepto um dos melhores jogadores actuais de hóqueis em Patins (Filipe Galréu) e tivemos como belenenses assumido o melhor Jogador de todos os tempos (António Livramento), sem que nunca singrássemos nessa modalidade; temos tido alguns dos melhores técnicos nas diferentes modalidades; temos e tivemos algumas das mais notáveis figuras do meio artístico e cultural português... e há décadas que marcamos passo! Porquê essa timidez, esse escrúpulo levado ao excesso (contrastando com o “descaramento” de adeptos de outros clubes)? porquê essa falta de ambição? Porque se instalou esta maneira de ser simpática-porreirinha, alheia a confusões de disputa dos lugares de topo, que quase sempre prevaleceu nas últimas décadas?

Repito: uns ousaram, nós não. E os resultados são factos objectivos...

Mas continuaremos no próximo artigo...

terça-feira, outubro 05, 2004

"Absurdo nas Antas"

A frase não é nossa. Quem a escreve hoje, no diário "A Bola", é Cruz dos Santos, na sua coluna "Vivó Árbitro". E porque não é apenas esta frase que tem interesse, passamos a citar a parte do texto que se refere à palhaçada do último domingo:

"(...) Finalmente, a arbitragem anormal, por erros clamorosos em matéria disciplinar, de Elmano Santos, no FC Porto-Belenenses. Custa entender como foi possível Pepe nem sequer ter sido advertido quando atingiu, de pé em riste, Marco Aurélio, já claramente bom a bola nas mãos (nota do blog: há quem chame a isto "agressão"). Inaceitável permissividade. Mas não menos grave ficou sendo o sucedido com Juninho Petrolina, advertido por derrube que de forma alguma o justificava e, pouco depois, ainda cedo, expulso por nova advertência ainda mais absurda, já que ele foi atingido no solo por bolada intencional de Ricardo Costa (com o jogo parado), nada mais teve do que um pequeno gesto de repúdio e, ainda por cima, nem advertência houve para o jogador portista. Queixa-se o Belenenses e, em boa verdade, foi absurdo o que se passou nas Antas".

Foi no Dragão, e não nas Antas. Mas como situações como estas já vêm de trás, Cruz dos Santos juntou 1 mais 1 e disse aquilo que todos pensam há muito tempo...

Já Sousa Tavares, um fanático cronista portista que todas as semanas mais não faz do que demonstrar a sua cegueira incondicional, "enganou-se" e admitiu duas coisas simples:

- que o critério de Elmano Santos foi precipitado...
- ... e que com 11 contra 11 o resultado poderia ter sido diferente!

Aliás, dificilmente Sousa Tavares poderia fugir ao evidente: o Belenenses foi prejudicado de forma escandalosa, admitida por todos (com excepção de Fernandez...). Só não disse que esta não foi a primeira vez, mas isso já seria pedir muito.

Perante este cenário de indignação generalizada, com impacte muito para além das fronteiras clubísticas, Sequeira Nunes vem hoje dizer que será ele a escolher o timing para falar: "No tempo certo tomaremos as devidas medidas, e é natural que se faça alguma coisa. Não tenho medo de falar, mas serei eu a escolher o timing para o fazer" - A Bola.

Pela minha parte confesso-me desiludido, embora não surpreendido. Não é a primeira vez que o Belenenses cala perante situações deste tipo. Sequeira Nunes, que fala demasiadas vezes na primeira pessoa, é o rosto desta inoperância.

Sempre defendi o nosso presidente e creio mesmo que será ele um dos grandes responsáveis pela boa planificação feita esta temporada, pelas correctas contratações e pela caminhada que o clube tem feito, no sentido de ter cada vez mais e melhores condições para um dia destes regressar à ribalta desportiva, no futebol.

Todavia fico sem perceber várias coisas, e em particular:
1. Qual o timing certo para reagir a esta vergonha?
2. Deixaremos Petrolina ser castigado por algo que não fez?
3. O que são "devidas medidas"? Será apenas "natural que se faça qualquer coisa"? Não é imperioso?

Como alguém dizia, daqui por 3 ou 4 semanas ninguém se lembra da palhaçada de domingo, e nessa altura será pouco eficaz denunciar o "absurdo das Antas".

Não defendo que passemos a adoptar uma postura tipo Loureiros, atirando tiros para o ar a toda a hora. Mas calar, calar, calar e calar começa a aborrecer. Apenas desejo que quem dirige o clube saiba interpretar correctamente aquela que é a indignação dos sócios e adeptos.

segunda-feira, outubro 04, 2004

A palavra a Carlos Carvalhal

Já todos tinhamos constatado que o nosso treinador é diferente. Diferente na forma como aborda o futebol, a sua envolvência e na sua postura. Ontem deu uma lição a um espanhol fraco de espírito.

Deixamos aqui as palavras do nosso excelente treinador, publicadas no seu Site Oficial (mais uma prova de abertura de espírito, abertura para partilhar o que pensa ao invés de se esconder):

"Sem muitas palavras...

Parabéns aos "nossos" jogadores, pelo empenho, pela disciplina táctica, pelo carácter e pelo... sentido altamente profissional. Nunca se desequilibraram nem no rigor táctico, nem em termos emocionais.

Não é fácil digerir um jogo destes e para falar do mesmo teria que falar de coisas que não gosto. Fico pelos parabéns aos nossos jogadores.

Não falo de arbitragens, porque percebo o quanto difícil é apitar. Mas também, porque normalmente "cheira" a desculpa fácil para se justificar um insucesso.
Ganhar um jogo, chegar ao final e sentir que os nossos adversários não respeitam o nosso trabalho, justificando (por vezes) com um erro do árbitro a sua derrota, não me parece justo.

Poderia chegar ao final do jogo com o Estoril e falar da grande penalidade sobre o Amaral ou o inacreditável fora de jogo ao Antchouet (vindo do nosso meio-campo), que se isolava. Recuso-me a ir por aí... Muitos dos meus colegas percebem isso e sabem que um erro do árbitro, se for devidamente aproveitado, focaliza as atenções. As crónicas e as opiniões são "desviadas" para esse atractor. É uma estratégia que resulta no nosso futebol. Não os aplaudo, mas também não os critico, pois fazem o que acham melhor para o seu clube.

Uma vitória conseguida tem sempre o suor de profissionais que merecem o meu respeito. Daí, no final do jogo dar os parabéns, principalmente aos nossos jogadores e também ao nosso adversário.
Mas existe erro e... erros!

No entanto, a arbitragem tem evoluído imenso, acompanhando a progressão da qualidade do futebol português. Temos excelentes árbitros, aos quais eu auguro um futuro promissor. Além disso, deixa-me tranquilo o facto de as suas actuações estarem a ser analisadas de forma coerente pelos Media, constituindo um claro exemplo de evolução também neste campo.
Deste modo, tenho motivos suficientes para acreditar num futuro melhor para o futebol.

Concluindo, estou convicto que o nosso percurso tem sido normal, para uma equipa que teve dois jogos em casa e três fora e contabiliza sete pontos. Bom, em minha opinião, tem sido o desempenho. Conquistamos os adeptos do futebol. São inúmeras as mensagens de diversos quadrantes do nosso futebol, a elogiar o bom futebol do Belenenses.
E esse é o maior elogio que me podem fazer..."

domingo, outubro 03, 2004

El Mano del Papa


20 minutos a vulgarizar o Campeão Europeu.
70 minutos de ridicularização do espectáculo, do desporto e dos intervenientes num jogo que tinha tudo para ser interessante.

Entrou bem no jogo a nossa equipa, que ao contrário do que disse Fernandez não se limitou nunca a defender. Criámos aliás as melhores oportunidades do jogo (ou seja, dos primeiros 20 minutos), muito pela capacidade de entendimento da nossa linha ofensiva, muito bem apoiada por Amaral, uma das revelações deste início de campeonato!

Lourenço, por exemplo, teve nos pés o primeiro para o Belenenses, mas deixou-se antecipar por Pedro Emanuel. Será que Emanuel teria tido a capacidade de se antecipar a Lourenço se tivesse sido expulso quando carregou pelas costas um adversário, falta claramente punida com cartão vermelho como mandam as regras internacionais?

O Porto tremia e o Belenenses - talvez a equipa mais esclarecida destes jogos iniciais - ia aproveitando para explorar os espaços nas costas da defesa adversária.

Até que aos 22 minutos... Juninho Petrolina, que havia já sido penalizado com um cartão amarelo no mínimo forçado, é duplamente agredido: primeiro por Ricardo Costa - que chuta a bola contra o jogador azul, quando este se encontrava no chão - e depois pelo chamado "ministro", um verdadeiro mestre no jogo sujo, nas provocações para a bancada e na desestabilização das equipas contrárias.

Elmano Santos, fazendo juz ao nome, funcionou como "El Mano del Papa", e resolveu acabar com o jogo. Perante o desespero de Carvalhal, homem do futebol espectáculo, o senhor do apito expulsou o médio criativo belenense, poupou a expulsão a Costinha e nem sequer penalizou Ricardo Costa. Inacreditável.

A partir desse momento o Dragão percebeu como funcionava "El Mano" que tinha em campo. Os assobios controlavam a actuação do árbitro. Os amarelos choveram para a nossa equipa, e o Porto ia tentando fazer uma jogada de jeito, perante o Belenenses atordoado, mas não vencido.

O golo do Maniche é naturalmente consequência do desiquilibrio que a expulsão de Petrolina causou no meio campo azul. Apenas Fernandez se recusa a ver o óbvio. Fica-lhe mal. É a imitação de Mourinho no seu pior (em alguns casos Mourinho chegou a reconhecer erros em seu beneficio, como na Super-Taça face ao Leiria). Pode ser que um dia seja cuspido, como prémio.

"El Mano", esse continuava o Show:

- Pepe entra a matar sobre o Imperador... nem amarelo leva;
- Andersson é penalizado por ter feito o mesmo que Ricardo Costa - chutar a bola contra um adversário - e o árbitro demonstra a dualidade de critérios que marca a sua actuação;
- Ricardo Costa defende à cotovelada perante Lourenço, e é-lhe poupado o 2º amarelo;
- Derlei simula uma grande penalidade, mas El Mano deixa seguir...

Carvalhal mexe na equipa - na minha opinião bem - e isso sente-se.
O meio campo, que agora corria a dobrar, começa todavia a dar sinais de cansaço e o Porto aproveita para criar algumas situações de perigo. Marco Aurélio brilha e demonstra uma vez mais que é o melhor guarda-redes a actuar em Portugal.

Nada havia a fazer, senão dignificar a camisola azul. Foi o que fizeram os 10 magníficos que terminaram o jogo.

Sinal positivo para Marco Aurélio - um verdadeiro IMPERADOR -, Amaral, para os centrais, Andersson e Zé Pedro. Sinais negativos não há, uma vez que o jogo terminou aos 22 minutos, sem que o Porto tenha criado um único lance de efectivo perigo.

Resta-nos referir aqui duas notas finais:

- Carvalhal é um treinador inteligente. Sabe comportar-se, no banco e fora dele. Excelente a sua entrevista à TVI após o jogo. Uma lição para o pacóvio Fernandez.

- É absolutamente necessário reagir a esta PALHAÇADA. A SAD deve fazer ouvir a sua voz, e utilizar todos os instrumentos ao seu alcance para defender os interesses do Belenenses, que passam entre outros aspectos pelo afastamento deste árbitro sem nível e sem vergonha.

sábado, outubro 02, 2004

Más recordações

Ao pensar que o Belenenses vai jogar ao Estádio do Dragão amanhã, até tremo. E não pensem que é por o Estádio ter esse nome mitológico ou o Porto ser o Campeão da Europa. Isso são "peanuts", se pensarmos no verdadeiro flagelo que foi a arbitragem deste jogo na temporada passada.

Assim sendo, vou passar a enumerar algumas situações que aconteceram, e cada um tira as suas conclusões:
- Neca é lesionado com gravidade por Deco, numa entrada perigosa. Se não me engano, foi marcada falta ao Neca e Deco não viu nenhum cartão!!!
- No final da 1ª parte, num jogo jogado em bom ritmo e com uma única paragem para a saída por lesão de um jogador do Porto (Neca saiu pelo próprio pé), o arbitro dá 5 (cinco!!!) minutos de descontos. Talvez convenha lembrar que o Porto jogou muito mal os primeiros 40 minutos e nos últimos 5 estava em crescendo, com o perigo a rondar a nossa baliza. Portanto mais 5 minutos para os meninos irem descansados para o intervalo não faziam mossa.
- Já no tempo de descontos, McCarthy salta com as mãos nos ombros de Filgueira e cabeçeia a bola para a baliza, com o árbitro a validar um golo claramente irregular
- No início da 2ª parte, Sérgio Conceição rompe pelo lado direito do ataque portista e sente Wilson atrás de si. Desacelera e sem sofrer qualquer toque do defesa azul "atira-se para a piscina". Pela sinalética do árbitro, aquele considerou que o jogador foi puxado. No entanto, quando se é puxado não se cai para a frente como se se fosse empurrado. Para além disso, a jogada foi nas "barbas" do fiscal de linha, que nada assinalou.

No final do jogo, vários órgãos de comunicação social afirmaram que o árbitro esteve bem e não teve influência no resultado, uma vez que o Porto desperdiçou muitas oportunidades de golo! Mas convém dizer que enquanto o árbitro não entrou em acção, estava 0-0... Aliás, e no seguimento de reclamação por mim lavrada junto dessa mesma comunicação social, o Sr. Alexandre Pais fez um artigo que foi publicado pelo Record e no qual foi bastante agressivo para com o jornalista que escreveu a crónica a esse jogo.

Logo veremos como correrá. Da minha parte, acho que devemos lá ir jogar descomplexados, tentar trocar a bola e enervá-los ainda mais do que aquilo que eles já entram em campo. E depois, passes rápidos em diagonal para as entradas do Lourenço e do Antchouet nas costas dos centrais, sendo que o Pepe deve ser pressionado pelos 2 quando tem a bola controlada, porque "inventa" muito.

Ortodoxias

"O Belenenses, clube que, durante decadas fez da ortodoxia um modo de estar no desporto (...)" - Assim começa a noticia publicada hoje na ultima pagina do diario desportivo "A BOLA", acerca da nova iniciativa do clube: o leilao das camisolas dos jogadores, apos os jogos da SuperLiga.

Nao irei por agora dar uma opiniao acerca da iniciativa, ate porque gostaria de a conhecer melhor. Direi apenas que TUDO o que servir para divulgar e valorizar o Belenenses so pode ser considerado positivo!

Este pequeno texto prende-se fundamentalmente com a aplicaçao do termo "ortodoxia" ao Belenenses. Existem regra geral duas formas de entender o termo: uma literal - aquela que vem no dicionario - e outra "social", ou seja, o significado que adquire na sua aplicaçao quotidiana, na comunicaçao entre pares. O jornal "A BOLA" utiliza neste caso o termo nesta sua segunda faceta.

Assim, quando acusa do Belenenses de "ortodoxia", o diario so pode querer associar o nosso clube a uma postura conservadora extrema, contraria a inovaçao e ao sentido "natural" da evolucao dos tempos. E para justificar esta adjectivaçao vai buscar as discussoes dos idos anos 70, quando se debatia a utilizao dos calçoes azuis...

Na verdade, e mesmo para alguem que tem apenas 26 anos, ouvir falar de ortodoxia relativamente ao Belenenses so pode dar riso. Na verdade, o Belenenses sempre foi um clube que assumiu verdadeiro protagonismo na evoluçao do desporto nacional...

Os exemplos sao muitos e diversos. E para que nao nos acusem de nao os referir, aqui ficam apenas alguns:

- o Belenenses nasceu contra a corrente da ortodoxia reinante no desporto lisboeta;
- foi capaz de conquistar o seu espaço com uma atitude verdadeiramente nova perante o desporto;
- assumiu desde cedo uma postura de divulgaçao dos desportos (e nao apenas do futebol), tendo desde cedo apresentado equipas de competicao de alto nivel em diversas modalidades;
- ao longo de 85 anos de historia este ecletismo cresceu, tendencia esta verdadeiramente inovadora em Portugal, e num contexto em que as "vacas sagradas" deste pais vao cortando no desporto, para alimentar a sede dos titulos que nunca chegam, no sacro-santo futebol;
- o Belenenses possui uma comunidade na internet impar, com uma dinamica completamente nova no ambito do desporto nacional... facto este conhecido e reconhecido por muitos, incluindo por órgaos de comunicaçao concorrentes com "A BOLA";

A lista de exemplos podia crescer, crescer, crescer...
Mas preferimos publica-la assim curtinha, para que cresça com os comentarios dos muitos belenenses que dedicam parte do seu tempo livre a discutir o seu clube, sem conformidade de opiniao (o significa literal de ortodoxia), mas com grande amor e paixao.

Quanto ao jornal "A BOLA" e seus jornalistas, deveriam pensar melhor antes de escrever. A concorrencia é grande, e vai faltando paciencia para ler tanta patetice. E já agora, e uma vez que revelam tanta preocupaçao com a "ortodoxia" azul, procedam a uma pequena reflexao acerca da conformidade de opiniao no jornalismo desportivo nacional, esse sim, verdadeiramente podre em materia de qualidade e de dominaçao por parte dos chamados "grandes", dos quais sao verdadeiros orgaos oficiais...