Li hoje no jornal O Jogo que "apesar do sentimento de injustiça reinante no Restelo, não deverá ser tomada qualquer posição em termos públicos sobre o assunto, até pelo lapso temporal decorrido desde o jogo".
Sinceramente, sinto-me defraudado com esta reacção da direcção do clube, ou da SAD, ou de quem de direito. A verdade é que só o Site Oficial e os Blogs manifestam claramente uma opinião sobre o sucedido, um verdadeiro escândalo. BASTA de subserviência! Ou estamos à espera, como ouvi em qualquer lado, que o Porto nos empreste um coxo qualquer em Janeiro??? Todos sabem que sou a favor dos empréstimos em situações específicas. Mas será que os empréstimos servem para nos calar??? Seremos o novo clube satélite dos grandes? Aqueles clubes do Norte, que até meados da década de 90 andavam por aí, Leças e companhias, sempre treinados por Rodolfos Reis e companhia?
Não podemos pactuar com estes roubos! Da direcção do nosso Belenenses espera-se que faça um bom trabalho: no futebol, nas modalidades, nas instalações, em tudo. E tudo implica A DEFESA DO NOSSO BOM NOME, não podemos deixar que "nos comam as papas na cabeça"!
Para a semana recebemos o Penafiel da Olivedesportos, na semana seguinte vamos a Alvalade, com o Sporting a precisar de ajuda para saír do buraco onde se enfiou. Diz-se que estamos à espera do que acontecer em Alvalade para depois podermos protestar pelos 2 jogos. Mas caramba, se soubermos protestar hoje, em Alvalade não seremos prejudicados. Infelizmente as arbitragens funcionam assimem Portugal, é certinho que se se protesta numa semana, na semana seguinte não há problemas nenhuns.
Estou muito triste. Primeiro pela vergonha a que assiti no Domingo. Depois pelo "medo" de reclamar os nossos direitos!
quinta-feira, outubro 07, 2004
PALAVRAS QUE FORAM DITAS - 24 - AUGUSTO SILVA E ARTUR JOSÉ PEREIRA

Servindo-nos novamente da história do Belenenses contada por Acácio Rosa (contrariamente a outros, gostamos de citar as fontes, como é de boa ética, sempre que não são as nossas memórias pessoais e/ou opiniões a base do que escrevemos), lembramos hoje a justa homenagem de que o nosso grande capitão Augusto Silva (grande capitão do Belenenses e da selecção nacional, de que foi herói nos jogos olímpicos de Amsterdão e, durante 16 anos, o mais internacional dos jogadores portugueses) foi alvo em 1934.
Passamos a citar Acácio Rosa:
“Despedida de Augusto Silva
TAÇA “Augusto Silva”
HOMENAGEM DO DESPORTO NACIONAL A AUGUSTO SILVA
Belenenses, 4 – F. C. Porto, 2
No intervalo do primeiro para o segundo encontro das Salésias, antes dos «teams» do F. C. P. e do C. F. B. alinharem, desceram ao campo várias individualidades em evidência no meio para prestar homenagem a Augusto Silva.
À manifestação juntaram-se os jogadores do F. C. Porto e do Belenenses, vendo-se entre outros jogadores antigos Eduardo Azevedo e Armando Martins, do Vitória de Setúbal.
Um avião que nessa altura voava baixo sobre o terreno deixou cair um ramo de flores, que Valdemar apanhou e foi entregar ao homenageado.
O Sr. Raul Viera, presidente da Confederação Portuguesa de Desportos, falou em primeiro lugar, enaltecendo as qualidades de atleta de Augusto Silva.
Findas as suas palavras, entregou ao jogador belenenses uma placa magnífica, de prata, com um excelente estojo, com os seguintes dizeres:
‘A Augusto Silva, do C. F. «Os Belenenses», internacional em football de 1925 a 1934 – Oferta da Confederação Portuguesa de Desportos em homenagem aos valiosos serviços prestados ao Desporto Nacional. – 30 de Setembro de 1934.
[Augusto Silva foi o "Leão de Amsterdan" e um dos olímpicos de 1928, de maior renome internacional.
21 vezes internacional, 8 vezes capitão da Selecção Nacional:
Discípulo dilecto do mestre Artur José Pereira e um dos jogadores do famoso ‘Quarto de Hora’.
Augusto Silva só aceita ser o treinador, em 1938, desde que o Clube fixe a Artur José Pereira uma subvenção mensal.
A Assembleia Geral de 18 de Agosto de 1938, aprova por unanimidade os desejos de Augusto Silva. Artur José Pereira fora um HOMEM que devotara à formação e sobrevivência do Belenenses toda a sua garra de lutador”
E agora, algumas notas da nossa parte:
1. O epíteto de “Leão de Amsterdão” não tem nada a ver com o Sporting, clube em que nunca jogou mas, sim, com a raça indomável que Augusto Silva punha em campo.
2. Foi, de facto, o ‘discípulo dilecto’ e verdadeiro sucessor de Artur José Pereira (de que várias vezes, ao longo de meses, temos vindo a falar).
3. Repare-se na beleza do seu gesto, revelador de um homem de verdadeira elevação moral, quando condicionou a sua aceitação do cargo de treinador do Belenenses à fixação de um apoio monetário ao nosso grande fundador, Artur José Pereira, já então a sofrer as dores físicas e morais da doença que o vitimou.
4. Aliás, cumpre aqui lembrar que quando, por essa mesma doença, Artur José Pereira foi substituído nas funções de treinador até ao final de uma época, por Cândido Oliveira, este teve a nobreza e o desprendimento de fazer questão que os vencimentos continuassem a ir para Artur José. Cândido Oliveira (que passou anos no Tarrafal) e Artur José Pereira foram grandes amigos.
5. O Campeonato Nacional de Futebol que o Belenenses ganhou em 1946, foi o primeiro conquistado por uma equipa comandada por um treinador português – e assim continuou a ser por muitos anos. Esse treinador chamava-se…Augusto Silva.
quarta-feira, outubro 06, 2004
A DÉCADA DE 70 - PARTE III – A ÉPOCA DE 73/74. O 25 DE ABRIL E O BELENENSES

Continuamos a nossa viagem pelas memórias dos anos 70, alargando-nos hoje em factos que, pelo menos que seja do nosso conhecimento, jamais foram objecto de uma análise aprofundada ou, sequer, de uma listagem mais ou menos exaustiva. Esperamos e acreditamos, deste modo, deixar consignados alguns pontos fundamentais para se compreender o Belenenses.
Permitam-nos salientar que todos os factos aqui narrados podem ser comprovados. Recusando-nos a fazer afirmações gratuitas, sem apoio em dados objectivos, recusamos e devolvemos, com boa razão de ser, as anónimas acusações de demagogia.
A época de 73/74 iniciou-se debaixo de forte optimismo, devido não só à excelente prestação da equipa de Futebol no campeonato anterior e à margem de progressão que vários jogadores do plantel apresentavam, como face ao panorama nas outras modalidades: no Râguebi havia-se conquistado o título de Campeão Nacional (algo que esqueci de referir no artigo anterior); no Andebol lutara-se palmo a palmo pela conquista do título; no Basquetebol e no Hóquei em Patins, aí estávamos na 1ª Divisão. Por outras palavras, o clube tinha 5 modalidades ao mais alto nível, em alguns casos aptas a lutar pelo 1º lugar, tinha ainda outras modalidades com excelentes representantes (por exemplo, no Atletismo, em especial no Sector Feminino) e, apesar de tudo isto, havia equilibrado as suas finanças.
Pela parte que me toca, e designadamente quanto ao Futebol, sonhava eu com a subida de um lugar na Classificação Geral – o que significaria... o 1º lugar – e com uma grande prestação na Taça UEFA.
Apesar de, durante o defeso, se ter falado de contratações sonantes, nomeadamente de dois internacionais brasileiros – um deles, era Ivair; do outro, já não recordo o nome – o plantel futebolístico sofreu pouquíssimas alterações. Basicamente, saiu Laurindo e entrou o médio Eliseu e o ponta de lança Toninho, ambos brasileiros. A equipa base manteve-se, com uma única alteração: Quinito avançou para o lugar de Laurindo e Eliseu fixou-se no meio campo. Como uma grande parte dos jogadores eram ainda jovens, esta aposta na continuidade prometia dar bons frutos.
No final da época anterior, terminado o campeonato, haviam-se feito digressões economicamente proveitosas e, desportivamente, 100% vitoriosas em França e no Canadá, com destaque para a vitória por 2-0 sobre o Olympique de Lyon (várias vezes campeão francês e que ainda recentemente brilhou na Liga dos Campeões). Por sua vez, na pré época, viajou-se até aos Estados Unidos, Canadá e Espanha, neste último país se tendo conquistado o troféu de La Línea, na sequência de vitória 2-1 sobre o Málaga e empate 1-1 com o Bétis. A poucos dias do início do campeonato, ganhámos ainda, no Restelo, por 4-1, a uma equipa chilena. A “coisa” prometia...
E o Campeonato Nacional começou da melhor maneira com um triunfo sobre o F.C.Porto no Estádio do Restelo, perante uma excelente assistência (calculo que cerca de 25.000 pessoas). O único golo foi marcado a cerca de um quarto de hora do fim, salvo erro por Quaresma (ou teria sido Quinito? Aqui, as minhas memórias estão um pouco esbatidas...).
Seguiu-se um empate 1-1 em Guimarães, resultado que, não sendo brilhante (sobretudo para o que o Belenenses significava na altura...), estava longe de ser desastroso. E aqui, estranhamente, a imprensa começou a dizer que estávamos em crise, que íamos ficar muito aquém do ano anterior... Por que razão? Não se encontrando nenhuma razão...razoável, parece que estávamos a incomodar... E a incomodar a sério!
Na jornada seguinte, em jogo rijamente disputado, e perante enorme assistência, perdemos por 2-1 com o Benfica, no Restelo (justamente no dia em que o clube completava 55 anos). A nossa exibição foi boa, o empate ter-se-ia justificado mas a imprensa gritou ainda mais forte: “crise”! Admito que a equipa se tenha ressentido psicologicamente desse despropositado rótulo, tanto mais detestável quanto é certo que estávamos em véspera da eliminatória para a Taça UEFA.
No sorteio saíra-nos o Wolwerhampton. Mais uma vez não fomos afortunados. O Wolwerhampton era uma equipa bastante difícil, que dois anos antes fora finalista da mesma Taça UEFA, perdendo num 2º jogo com o Totenham, após empate no 1º desafio.
A 1º mão foi em nossa casa, no dia 26 de Setembro de 1973, às 22 horas (eu sou suficientemente... atento e provido de memória para me lembrar destas coisas!). Tenho a ideia que os bilhetes eram muito caros e, talvez por isso, a assistência foi decepcionante. Li algures no site oficial do clube que teriam estado cerca de 9.000 pessoas; pergunto-me se isso inclui os sócios e os convites e crianças não pagantes. Suponho que no 1º caso a resposta é positiva e, no 2º caso, negativa. A ser assim, talvez possamos estimar o público presente em cerca de 12.000 pessoas, ou seja, perto de 1/3 do estádio.
Começámos o jogo algo nervosos (talvez pela pressão do regresso às competições europeias, talvez como reacção à campanha jornalística da pretensa “crise”) e só cerca dos 15 minutos saiu uma boa - aliás, excelente! - jogada de entendimento Godinho-Gonzalez (a tal asa esquerda que, no jogo da 2ª mão, o treinador da equipa inglesa veio a considerar a melhor da Europa...), com perigosíssimo remate do paraguaio. A equipa e o Estádio pareciam despertar mas... 2 ou 3 minutos depois veio o balde de água fria, com o golo do Wolwes. E, até ao final da primeira parte, não mais o Belenenses se encontrou. Mais uma ou dias jogadas de perigo, e foi tudo!
Após o intervalo, então, sim, o Belenenses fez 10/15 minutos de grande nível. Perdemos várias oportunidades, uma delas verdadeiramente incrível e que ainda mantenho na retina. Luís Carlos está sozinho a meio da área, o Guarda Redes inglês está caído, a baliza (a do Topo Norte) escancarada, e o remate vai rasteiro... contra o guardião inglês. Quase não dava para acreditar...mais a mais de um excelente avançado como era Luís Carlos!
“Quem não marca arrisca-se a sofrer” e assim foi, uma vez mais, naquela noite: em contra-ataque veio o 2º golo inglês, que matou o jogo e a eliminatória. A derrota por 0-2, em casa, de facto nada de bom prometia para o jogo da mão, que teria lugar uma semana depois. Mais a mais quando, pelo meio, ainda fomos perder a Alvalade.
No entanto.... entrámos de modo espectacular no jogo da 2ª mão, apesar das dificuldades adicionais motivadas pelo característico apoio frenético do público inglês, e realizámos 25 minutos de grande nível. Aos 7 minutos, Murça colocou o Belenenses a vencer, reduzindo a desvantagem para somente um golo. Renascia a esperança! Por volta da meia hora, os ingleses empataram mas as nossa chances mantinham-se de pé: estávamos a jogar bem e, já com a regra dos golos fora a funcionar, uma vitória por 3-1 dar-nos-ia a qualificação. As ilusões terminaram a cerca de um quarto de hora do fim, com o 2º golo inglês, fixando o 2-1 final.
No campeonato, embora com alguma irregularidade, o Belenenses ia melhorando e fixou-se no 5º lugar, ainda que a alguma distância do Líder Sporting, que veio a ser campeão.
E vem a propósito recordar o jogo da 19ª jornada, no nosso estádio: com as bancadas cheias, num jogo tremendamente disputado (como se escreveu na “bola”: “de poder a poder”, i.e., disputado segundo a segundo, centímetro a centímetro, com ambas as equipas “de peito feito”), o Belenenses ganhou por 1-0 com um golo de Luís Carlos, em remate à meia volta, cerca dos 20 minutos. Que saudades daqueles momentos finais: O público azul de pé, milhares e milhares gritando “Belém! Belém! Belém!”, com um dedo levantado a fazer sinal aos jogadores que se tinha entrado no último minuto!...
À medida que o Campeonato ia avançando, a forma do Belenenses ia crescendo – e sinal disso mesmo foram as 6 vitórias consecutivas com que terminou o campeonato. Curiosamente, apesar de baixar 3 posições – do 2º para o 5º lugar –, o Belenenses conquistou exactamente o mesmo número de pontos que no campeonato anterior: 40.
Repare-se que os 5 primeiros classificados desta época de 73/74 ficaram muito próximos entre si, havendo, pelo contrário, uma grande distância entre o Belenenses e o 6º classificado. Face ao que dissemos, pena foi, portanto, que o campeonato não durasse mais umas jornadas, pois teríamos subido uma ou duas posições. Como, curiosamente, embora por ordem diferente, foram os mesmos clubes os primeiros seis do campeonato anterior, poremos entre parêntesis a soma de pontos obtidos nesses dois campeonatos. Vejamos:
Sporting – 49 pontos (86)
Benfica – 47 pontos (105)
V.Setúbal – 45 pontos (83)
F.C.Porto – 43 pontos (80)
Belenenses – 40 pontos (80)
V.Guimarães – 31 pontos (64)
Quase no fim desta época, deu-se o acontecimento capital para a sociedade portuguesa que foi o 25 de Abril. E gostaríamos de fazer alguma reflexão a propósito, em termos das suas consequências desportivas, em especial para o Belenenses.
É importante notar que, nessa época de 1973/74, o Belenenses fez a “dobradinha” em Andebol, vencendo o Campeonato e a Taça de Portugal (na final, ganhámos 17-14 ao Benfica). Recordemos que, no ano anterior, tínhamos ficado em 2º lugar no Campeonato de Futebol, havíamos sido campeões de Rugby e ficáramos em 2º lugar em Andebol; que estávamos também na 1ª Divisão em Basquetebol e Hóquei em Patins, que estávamos bastante fortes em Atletismo. Em todas estas modalidades, o Vitória de Setúbal (sob a liderança de um grande dirigente: Fernando Pedrosa) estava muito distante de nós (Andebol) ou era inexistente. Apesar das excelentes prestações, tanto nas competições nacionais, como nas europeias, a sua equipa de futebol caminhava para a veterania (73/74 culminou, justamente, a sua época de ouro), ao contrário da juventude da do Belenenses. No conjunto, apesar das vantagens que o F.C.Porto detinha – e detém - como clube mais forte da 2ª cidade do país, um observador imparcial talvez apostasse mais no Belenenses do que no F.C.Porto para o futuro. E no entanto, olhando para estes 30 anos, até onde descaiu o Belenenses, e a que alturas subiu o F.C.Porto!
Como os dois anos seguintes ao 25 de Abril foram caracterizados pela polarização política das atenções, ainda sem grandes alterações em termos de resultados desportivos – com, talvez, a imediata excepção do assomar do Boavista –, vejamos a soma de pontos obtidas nos 4 campeonatos entre 72/73 e 75/76 pelos principais clubes (note-se que, por exemplo, não incluímos aqui o Marítimo, que só em 77/78 chega à 1ª Divisão, nem o Braga, que só aí regressa em 75/76):
Benfica – 204
Sporting – 167
F.C.Porto – 163
Belenenses – 155
Boavista – 142
V.Setúbal –138
V.Guimarães – 138
Acrescentemos a isto as excelentes participações do Belenenses na Taça Intertoto em 1975 (vencedor) e 1976 (2º lugar na sua Série); a presença na meia final da Taça de Portugal em 74/5, perdendo por 2-1 na Luz, depois de termos afastado o F.C.Porto por 2-0; a conquista do Campeonato Nacional de Iniciados em 75/76; a vitória no Campeonato de Andebol, também de 75/76; o campeonato de Lisboa e a Taça de Portugal ganhos no Andebol Feminino, respectivamente, em 1975 e 1976; o campeonato Nacional de Rugby em 74/75.... e, agora, pensemos:
O Belenenses foi sucessivamente baixando as suas prestações. O Sporting, decaiu também. Desde então, em quase 30 anos, o clube leonino ganhou 4 campeonatos, 1/3 dos que conquistara nas três décadas anteriores. O Benfica manteve uma posição forte, até à sua crise de resultados desde metade da década de 90. O Boavista emergiu de um clube quase irrelevante para a disputa dos primeiros lugares, a conquista de Taças e até de um Campeonato Nacional. O F.C.Porto tornou-se o clube mais poderoso. Enfim, para completar o quadro, diremos que em 73/74, entre os 16 participantes na 1ª Divisão futebolística, só havia 5 clubes a Norte de Coimbra, enquanto 8 se concentravam nos distritos de Lisboa e Setúbal (e havia 2 no Algarve), enquanto que, 30 anos depois, tínhamos apenas 6 clubes a Sul de Coimbra, nenhum ao Sul de Lisboa (agora, com o Regresso do V.Setúbal, a “linha” baixou 40 kms...) e 8 concentrados nos distritos de Porto e Braga.
Não vamos comentar esta diferente distribuição por regiões mas repare-se:
- O Vitória de Setúbal terminou a sua “década de ouro” e voltou à relativa penumbra, aqui e acolá sacudida por um fugaz assomar. Acompanhou, à escala, a crise que se abateu sobre os clubes que, durante um tempo, floresceram no distrito de Setúbal: o Barreirense, a CUF, também o Seixal, o Montijo e até o Luso do Barreiro;
- O Sporting, clube elitista por excelência, foi bastante abalado pelas transformações que se seguiram ao 25 de Abril;
- O Benfica, clube estandarte do país no anterior regime (sem querer tirar mérito, nomeadamente, às suas conquistas europeias), fez da sua incontestável expressão popular, de uma verdadeira tradição democrática e de ter sido seio de nichos oposicionistas, bem como, já agora, nos períodos mais revolucionários, da sua cor vermelha, motivos para não ser abalado por essas transformações;
- O F.C.Porto, teve uma hábil política de ser (sempre) oposição para se firmar. Nos anos em que as concepções políticas mais à esquerda se mostraram mais fortes e predominantes, ostentou a bandeira mais conservadora do Norte; quando a tendência política se inverteu, mudou curiosamente de rumo (relembre-se o afastamento de Américo de Sá). Enfim, encontrou em Pinto da Costa um dirigente tenaz, ambicioso, que defende o seu clube a todo o preço e que parece nunca se saciar de vitórias;
- O Boavista, independentemente de outras considerações, seguiu à sua escala o trilho do F.C.Porto, ousou apostar nos momentos conturbados do país (Pedroto a treinador em 74/75 e 75/76), aproveitou a lógica da transferência de poder futebolístico do Sul para o Norte, e nesses centros de poder colocou estrategicamente as suas peças.
E o que se passou no Belenenses?
No Belenenses, algumas pessoas que financiavam o clube entraram em pânico e desapareceram. Mais, e pior: o Belenenses não soube defender-se e argumentar, quando alguns o conotaram especialmente com o regime deposto. Permitiu-se – e permitiu-se durante muito anos! – que se jogasse com a colagem ao Almirante Américo Tomás, a pontos de nos atirarem à cara que sem ele “não éramos nada”. Ora, a realidade, é esta:
- Américo Tomás era sócio ( e veio a ser presidente honorário) do clube muito antes de ser Presidente da República e antes, bastante antes até, de ser Ministro da Marinha. Mais: era sócio desde o tempo da 1ª República.
- Antes da Ditadura e do chamado Estado Novo, um Presidentes da República também foi simpatizante e sócio do Belenenses: Manuel Teixeira Gomes. Com a mesma naturalidade com que, por exemplo, Jorge Sampaio é do Sporting.
- Ninguém pode afirmar que Américo Tomás contribuiu para favorecer o Belenenses. De resto, li da pena de jornalistas claramente oposicionistas do regime ante 25 de Abril que ele mantinha a sua imparcialidade nesse âmbito e que, quando assistia a jogos do Belenenses, era cortês e educado.
- Aliás, toda a gente sabe que, embora a Constituição de 1933, literalmente, determinasse o contrário, o Presidente da República era mera figura decorativa ou protocolar (e Américo Tomás mais que todos), pois o verdadeiro pilar e força determinante e mandante do regime era Salazar – do qual não se conhece nenhuma simpatia pelo Belenenses...
- O Belenenses não foi mais (nem sequer tão beneficiado) pelo Estado Novo, do que outros clubes, mormente o Benfica e o Sporting. A “expulsão das Salésias” e a perda do Restelo mostram-no à evidência. Em rigor, fomos, sim, prejudicados e não benificiados.
- Certamente, havia figuras do regime que eram adeptos ou sócios do Belenenses. Era normal. Sendo então o Belenenses o clube de uma percentagem relevante de portugueses, logicamente que também uma percentagem relevante de figuras do Estado Novo eram adeptos do Belenenses. À proporção natural...Nem mais nem menos!
- Mas, como em outros clubes, e certamente que também na lógica proporção, havia no Belenenses oposicionistas e contestatários do regime anterior. Lembremos, desde logo, que Artur José Pereira e Cândido de Oliveira eram amigos íntimos, e que o último foi bastante perseguido pelo regime deposto em 1974.
- E lembremos, muito particularmente, que foram 3 jogadores (todos) do Belenenses que, num jogo internacional com a Espanha, se recusaram a fazer a saudação fascista, eufemisticamente chamada de “olímpica”, com os consequentes problemas advenientes: Mariano Amaro, Artur Quaresma e José Simões. Amaro, foi mesmo ao ponto de cerra o punho, em vez de estender a mão. De resto, em outras situações, responsáveis do Belenenses foram seguidos, vigiados ou atormentados pela polícia política.
Tentámos, na medida do possível, eximir-nos à emissão de opiniões políticas (embora não possamos deixar de dizer que somos contra todo o tipo de tiranias, sejam elas quais forem, e que a liberdade de pensamento e de expressão é um bem precioso). O que, sim, gostaríamos de deixar claro, é que o Belenenses tinha argumentos para evitar a colagem que foi feita. Assim tivesse havido coragem... e conhecimento da história (coisa útil, diga-se o que se disser. Se não sabemos quais as causas que as provocaram, como poderemos compreender as situações presentes?). Mas não houve....
E como não houve, o clube resistiu, durante 2 ou 3 anos, vivendo à conta dos juros... do que, no caso do futebol, ia restando duma equipa em decomposição. Veja-se a diferença: em situações quase iguais em 74/76 (também eles viviam um jejum de títulos), o F.C.Porto ousou, e nós...encolhemo-nos. Em ambos os casos, deu o que deu...
E vem aqui a propósito referir algo que não consigo perceber, por mais voltas que dê à cabeça: durante décadas, o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol era, rotativamente, do Benfica, do Sporting e do Belenenses (teve razão o F.C.Porto quando reagiu contra isso... eles tiveram razão em algumas queixas, é preciso reconhecer, à luz da história); temos autoproclamados adeptos (pelo menos são sócios...) do Belenenses na Presidência da Federação de Andebol, da Confederação Portuguesa de Desportos, em vários organismos desportivos; tivemos belenenses a seleccionadores nacionais; temos belenenses a dirigir “a Bola” e o “Record”; temos como adepto um dos melhores jogadores actuais de hóqueis em Patins (Filipe Galréu) e tivemos como belenenses assumido o melhor Jogador de todos os tempos (António Livramento), sem que nunca singrássemos nessa modalidade; temos tido alguns dos melhores técnicos nas diferentes modalidades; temos e tivemos algumas das mais notáveis figuras do meio artístico e cultural português... e há décadas que marcamos passo! Porquê essa timidez, esse escrúpulo levado ao excesso (contrastando com o “descaramento” de adeptos de outros clubes)? porquê essa falta de ambição? Porque se instalou esta maneira de ser simpática-porreirinha, alheia a confusões de disputa dos lugares de topo, que quase sempre prevaleceu nas últimas décadas?
Repito: uns ousaram, nós não. E os resultados são factos objectivos...
Mas continuaremos no próximo artigo...
terça-feira, outubro 05, 2004
"Absurdo nas Antas"
A frase não é nossa. Quem a escreve hoje, no diário "A Bola", é Cruz dos Santos, na sua coluna "Vivó Árbitro". E porque não é apenas esta frase que tem interesse, passamos a citar a parte do texto que se refere à palhaçada do último domingo:
"(...) Finalmente, a arbitragem anormal, por erros clamorosos em matéria disciplinar, de Elmano Santos, no FC Porto-Belenenses. Custa entender como foi possível Pepe nem sequer ter sido advertido quando atingiu, de pé em riste, Marco Aurélio, já claramente bom a bola nas mãos (nota do blog: há quem chame a isto "agressão"). Inaceitável permissividade. Mas não menos grave ficou sendo o sucedido com Juninho Petrolina, advertido por derrube que de forma alguma o justificava e, pouco depois, ainda cedo, expulso por nova advertência ainda mais absurda, já que ele foi atingido no solo por bolada intencional de Ricardo Costa (com o jogo parado), nada mais teve do que um pequeno gesto de repúdio e, ainda por cima, nem advertência houve para o jogador portista. Queixa-se o Belenenses e, em boa verdade, foi absurdo o que se passou nas Antas".
Foi no Dragão, e não nas Antas. Mas como situações como estas já vêm de trás, Cruz dos Santos juntou 1 mais 1 e disse aquilo que todos pensam há muito tempo...
Já Sousa Tavares, um fanático cronista portista que todas as semanas mais não faz do que demonstrar a sua cegueira incondicional, "enganou-se" e admitiu duas coisas simples:
- que o critério de Elmano Santos foi precipitado...
- ... e que com 11 contra 11 o resultado poderia ter sido diferente!
Aliás, dificilmente Sousa Tavares poderia fugir ao evidente: o Belenenses foi prejudicado de forma escandalosa, admitida por todos (com excepção de Fernandez...). Só não disse que esta não foi a primeira vez, mas isso já seria pedir muito.
Perante este cenário de indignação generalizada, com impacte muito para além das fronteiras clubísticas, Sequeira Nunes vem hoje dizer que será ele a escolher o timing para falar: "No tempo certo tomaremos as devidas medidas, e é natural que se faça alguma coisa. Não tenho medo de falar, mas serei eu a escolher o timing para o fazer" - A Bola.
Pela minha parte confesso-me desiludido, embora não surpreendido. Não é a primeira vez que o Belenenses cala perante situações deste tipo. Sequeira Nunes, que fala demasiadas vezes na primeira pessoa, é o rosto desta inoperância.
Sempre defendi o nosso presidente e creio mesmo que será ele um dos grandes responsáveis pela boa planificação feita esta temporada, pelas correctas contratações e pela caminhada que o clube tem feito, no sentido de ter cada vez mais e melhores condições para um dia destes regressar à ribalta desportiva, no futebol.
Todavia fico sem perceber várias coisas, e em particular:
1. Qual o timing certo para reagir a esta vergonha?
2. Deixaremos Petrolina ser castigado por algo que não fez?
3. O que são "devidas medidas"? Será apenas "natural que se faça qualquer coisa"? Não é imperioso?
Como alguém dizia, daqui por 3 ou 4 semanas ninguém se lembra da palhaçada de domingo, e nessa altura será pouco eficaz denunciar o "absurdo das Antas".
Não defendo que passemos a adoptar uma postura tipo Loureiros, atirando tiros para o ar a toda a hora. Mas calar, calar, calar e calar começa a aborrecer. Apenas desejo que quem dirige o clube saiba interpretar correctamente aquela que é a indignação dos sócios e adeptos.
"(...) Finalmente, a arbitragem anormal, por erros clamorosos em matéria disciplinar, de Elmano Santos, no FC Porto-Belenenses. Custa entender como foi possível Pepe nem sequer ter sido advertido quando atingiu, de pé em riste, Marco Aurélio, já claramente bom a bola nas mãos (nota do blog: há quem chame a isto "agressão"). Inaceitável permissividade. Mas não menos grave ficou sendo o sucedido com Juninho Petrolina, advertido por derrube que de forma alguma o justificava e, pouco depois, ainda cedo, expulso por nova advertência ainda mais absurda, já que ele foi atingido no solo por bolada intencional de Ricardo Costa (com o jogo parado), nada mais teve do que um pequeno gesto de repúdio e, ainda por cima, nem advertência houve para o jogador portista. Queixa-se o Belenenses e, em boa verdade, foi absurdo o que se passou nas Antas".
Foi no Dragão, e não nas Antas. Mas como situações como estas já vêm de trás, Cruz dos Santos juntou 1 mais 1 e disse aquilo que todos pensam há muito tempo...
Já Sousa Tavares, um fanático cronista portista que todas as semanas mais não faz do que demonstrar a sua cegueira incondicional, "enganou-se" e admitiu duas coisas simples:
- que o critério de Elmano Santos foi precipitado...
- ... e que com 11 contra 11 o resultado poderia ter sido diferente!
Aliás, dificilmente Sousa Tavares poderia fugir ao evidente: o Belenenses foi prejudicado de forma escandalosa, admitida por todos (com excepção de Fernandez...). Só não disse que esta não foi a primeira vez, mas isso já seria pedir muito.
Perante este cenário de indignação generalizada, com impacte muito para além das fronteiras clubísticas, Sequeira Nunes vem hoje dizer que será ele a escolher o timing para falar: "No tempo certo tomaremos as devidas medidas, e é natural que se faça alguma coisa. Não tenho medo de falar, mas serei eu a escolher o timing para o fazer" - A Bola.
Pela minha parte confesso-me desiludido, embora não surpreendido. Não é a primeira vez que o Belenenses cala perante situações deste tipo. Sequeira Nunes, que fala demasiadas vezes na primeira pessoa, é o rosto desta inoperância.
Sempre defendi o nosso presidente e creio mesmo que será ele um dos grandes responsáveis pela boa planificação feita esta temporada, pelas correctas contratações e pela caminhada que o clube tem feito, no sentido de ter cada vez mais e melhores condições para um dia destes regressar à ribalta desportiva, no futebol.
Todavia fico sem perceber várias coisas, e em particular:
1. Qual o timing certo para reagir a esta vergonha?
2. Deixaremos Petrolina ser castigado por algo que não fez?
3. O que são "devidas medidas"? Será apenas "natural que se faça qualquer coisa"? Não é imperioso?
Como alguém dizia, daqui por 3 ou 4 semanas ninguém se lembra da palhaçada de domingo, e nessa altura será pouco eficaz denunciar o "absurdo das Antas".
Não defendo que passemos a adoptar uma postura tipo Loureiros, atirando tiros para o ar a toda a hora. Mas calar, calar, calar e calar começa a aborrecer. Apenas desejo que quem dirige o clube saiba interpretar correctamente aquela que é a indignação dos sócios e adeptos.
segunda-feira, outubro 04, 2004
A palavra a Carlos Carvalhal
Já todos tinhamos constatado que o nosso treinador é diferente. Diferente na forma como aborda o futebol, a sua envolvência e na sua postura. Ontem deu uma lição a um espanhol fraco de espírito.
Deixamos aqui as palavras do nosso excelente treinador, publicadas no seu Site Oficial (mais uma prova de abertura de espírito, abertura para partilhar o que pensa ao invés de se esconder):
"Sem muitas palavras...
Parabéns aos "nossos" jogadores, pelo empenho, pela disciplina táctica, pelo carácter e pelo... sentido altamente profissional. Nunca se desequilibraram nem no rigor táctico, nem em termos emocionais.
Não é fácil digerir um jogo destes e para falar do mesmo teria que falar de coisas que não gosto. Fico pelos parabéns aos nossos jogadores.
Não falo de arbitragens, porque percebo o quanto difícil é apitar. Mas também, porque normalmente "cheira" a desculpa fácil para se justificar um insucesso.
Ganhar um jogo, chegar ao final e sentir que os nossos adversários não respeitam o nosso trabalho, justificando (por vezes) com um erro do árbitro a sua derrota, não me parece justo.
Poderia chegar ao final do jogo com o Estoril e falar da grande penalidade sobre o Amaral ou o inacreditável fora de jogo ao Antchouet (vindo do nosso meio-campo), que se isolava. Recuso-me a ir por aí... Muitos dos meus colegas percebem isso e sabem que um erro do árbitro, se for devidamente aproveitado, focaliza as atenções. As crónicas e as opiniões são "desviadas" para esse atractor. É uma estratégia que resulta no nosso futebol. Não os aplaudo, mas também não os critico, pois fazem o que acham melhor para o seu clube.
Uma vitória conseguida tem sempre o suor de profissionais que merecem o meu respeito. Daí, no final do jogo dar os parabéns, principalmente aos nossos jogadores e também ao nosso adversário.
Mas existe erro e... erros!
No entanto, a arbitragem tem evoluído imenso, acompanhando a progressão da qualidade do futebol português. Temos excelentes árbitros, aos quais eu auguro um futuro promissor. Além disso, deixa-me tranquilo o facto de as suas actuações estarem a ser analisadas de forma coerente pelos Media, constituindo um claro exemplo de evolução também neste campo.
Deste modo, tenho motivos suficientes para acreditar num futuro melhor para o futebol.
Concluindo, estou convicto que o nosso percurso tem sido normal, para uma equipa que teve dois jogos em casa e três fora e contabiliza sete pontos. Bom, em minha opinião, tem sido o desempenho. Conquistamos os adeptos do futebol. São inúmeras as mensagens de diversos quadrantes do nosso futebol, a elogiar o bom futebol do Belenenses.
E esse é o maior elogio que me podem fazer..."
Deixamos aqui as palavras do nosso excelente treinador, publicadas no seu Site Oficial (mais uma prova de abertura de espírito, abertura para partilhar o que pensa ao invés de se esconder):
"Sem muitas palavras...
Parabéns aos "nossos" jogadores, pelo empenho, pela disciplina táctica, pelo carácter e pelo... sentido altamente profissional. Nunca se desequilibraram nem no rigor táctico, nem em termos emocionais.
Não é fácil digerir um jogo destes e para falar do mesmo teria que falar de coisas que não gosto. Fico pelos parabéns aos nossos jogadores.
Não falo de arbitragens, porque percebo o quanto difícil é apitar. Mas também, porque normalmente "cheira" a desculpa fácil para se justificar um insucesso.
Ganhar um jogo, chegar ao final e sentir que os nossos adversários não respeitam o nosso trabalho, justificando (por vezes) com um erro do árbitro a sua derrota, não me parece justo.
Poderia chegar ao final do jogo com o Estoril e falar da grande penalidade sobre o Amaral ou o inacreditável fora de jogo ao Antchouet (vindo do nosso meio-campo), que se isolava. Recuso-me a ir por aí... Muitos dos meus colegas percebem isso e sabem que um erro do árbitro, se for devidamente aproveitado, focaliza as atenções. As crónicas e as opiniões são "desviadas" para esse atractor. É uma estratégia que resulta no nosso futebol. Não os aplaudo, mas também não os critico, pois fazem o que acham melhor para o seu clube.
Uma vitória conseguida tem sempre o suor de profissionais que merecem o meu respeito. Daí, no final do jogo dar os parabéns, principalmente aos nossos jogadores e também ao nosso adversário.
Mas existe erro e... erros!
No entanto, a arbitragem tem evoluído imenso, acompanhando a progressão da qualidade do futebol português. Temos excelentes árbitros, aos quais eu auguro um futuro promissor. Além disso, deixa-me tranquilo o facto de as suas actuações estarem a ser analisadas de forma coerente pelos Media, constituindo um claro exemplo de evolução também neste campo.
Deste modo, tenho motivos suficientes para acreditar num futuro melhor para o futebol.
Concluindo, estou convicto que o nosso percurso tem sido normal, para uma equipa que teve dois jogos em casa e três fora e contabiliza sete pontos. Bom, em minha opinião, tem sido o desempenho. Conquistamos os adeptos do futebol. São inúmeras as mensagens de diversos quadrantes do nosso futebol, a elogiar o bom futebol do Belenenses.
E esse é o maior elogio que me podem fazer..."
domingo, outubro 03, 2004
El Mano del Papa

20 minutos a vulgarizar o Campeão Europeu.
70 minutos de ridicularização do espectáculo, do desporto e dos intervenientes num jogo que tinha tudo para ser interessante.
Entrou bem no jogo a nossa equipa, que ao contrário do que disse Fernandez não se limitou nunca a defender. Criámos aliás as melhores oportunidades do jogo (ou seja, dos primeiros 20 minutos), muito pela capacidade de entendimento da nossa linha ofensiva, muito bem apoiada por Amaral, uma das revelações deste início de campeonato!
Lourenço, por exemplo, teve nos pés o primeiro para o Belenenses, mas deixou-se antecipar por Pedro Emanuel. Será que Emanuel teria tido a capacidade de se antecipar a Lourenço se tivesse sido expulso quando carregou pelas costas um adversário, falta claramente punida com cartão vermelho como mandam as regras internacionais?
O Porto tremia e o Belenenses - talvez a equipa mais esclarecida destes jogos iniciais - ia aproveitando para explorar os espaços nas costas da defesa adversária.
Até que aos 22 minutos... Juninho Petrolina, que havia já sido penalizado com um cartão amarelo no mínimo forçado, é duplamente agredido: primeiro por Ricardo Costa - que chuta a bola contra o jogador azul, quando este se encontrava no chão - e depois pelo chamado "ministro", um verdadeiro mestre no jogo sujo, nas provocações para a bancada e na desestabilização das equipas contrárias.
Elmano Santos, fazendo juz ao nome, funcionou como "El Mano del Papa", e resolveu acabar com o jogo. Perante o desespero de Carvalhal, homem do futebol espectáculo, o senhor do apito expulsou o médio criativo belenense, poupou a expulsão a Costinha e nem sequer penalizou Ricardo Costa. Inacreditável.
A partir desse momento o Dragão percebeu como funcionava "El Mano" que tinha em campo. Os assobios controlavam a actuação do árbitro. Os amarelos choveram para a nossa equipa, e o Porto ia tentando fazer uma jogada de jeito, perante o Belenenses atordoado, mas não vencido.
O golo do Maniche é naturalmente consequência do desiquilibrio que a expulsão de Petrolina causou no meio campo azul. Apenas Fernandez se recusa a ver o óbvio. Fica-lhe mal. É a imitação de Mourinho no seu pior (em alguns casos Mourinho chegou a reconhecer erros em seu beneficio, como na Super-Taça face ao Leiria). Pode ser que um dia seja cuspido, como prémio.
"El Mano", esse continuava o Show:
- Pepe entra a matar sobre o Imperador... nem amarelo leva;
- Andersson é penalizado por ter feito o mesmo que Ricardo Costa - chutar a bola contra um adversário - e o árbitro demonstra a dualidade de critérios que marca a sua actuação;
- Ricardo Costa defende à cotovelada perante Lourenço, e é-lhe poupado o 2º amarelo;
- Derlei simula uma grande penalidade, mas El Mano deixa seguir...
Carvalhal mexe na equipa - na minha opinião bem - e isso sente-se.
O meio campo, que agora corria a dobrar, começa todavia a dar sinais de cansaço e o Porto aproveita para criar algumas situações de perigo. Marco Aurélio brilha e demonstra uma vez mais que é o melhor guarda-redes a actuar em Portugal.
Nada havia a fazer, senão dignificar a camisola azul. Foi o que fizeram os 10 magníficos que terminaram o jogo.
Sinal positivo para Marco Aurélio - um verdadeiro IMPERADOR -, Amaral, para os centrais, Andersson e Zé Pedro. Sinais negativos não há, uma vez que o jogo terminou aos 22 minutos, sem que o Porto tenha criado um único lance de efectivo perigo.
Resta-nos referir aqui duas notas finais:
- Carvalhal é um treinador inteligente. Sabe comportar-se, no banco e fora dele. Excelente a sua entrevista à TVI após o jogo. Uma lição para o pacóvio Fernandez.
- É absolutamente necessário reagir a esta PALHAÇADA. A SAD deve fazer ouvir a sua voz, e utilizar todos os instrumentos ao seu alcance para defender os interesses do Belenenses, que passam entre outros aspectos pelo afastamento deste árbitro sem nível e sem vergonha.
sábado, outubro 02, 2004
Más recordações
Ao pensar que o Belenenses vai jogar ao Estádio do Dragão amanhã, até tremo. E não pensem que é por o Estádio ter esse nome mitológico ou o Porto ser o Campeão da Europa. Isso são "peanuts", se pensarmos no verdadeiro flagelo que foi a arbitragem deste jogo na temporada passada.
Assim sendo, vou passar a enumerar algumas situações que aconteceram, e cada um tira as suas conclusões:
- Neca é lesionado com gravidade por Deco, numa entrada perigosa. Se não me engano, foi marcada falta ao Neca e Deco não viu nenhum cartão!!!
- No final da 1ª parte, num jogo jogado em bom ritmo e com uma única paragem para a saída por lesão de um jogador do Porto (Neca saiu pelo próprio pé), o arbitro dá 5 (cinco!!!) minutos de descontos. Talvez convenha lembrar que o Porto jogou muito mal os primeiros 40 minutos e nos últimos 5 estava em crescendo, com o perigo a rondar a nossa baliza. Portanto mais 5 minutos para os meninos irem descansados para o intervalo não faziam mossa.
- Já no tempo de descontos, McCarthy salta com as mãos nos ombros de Filgueira e cabeçeia a bola para a baliza, com o árbitro a validar um golo claramente irregular
- No início da 2ª parte, Sérgio Conceição rompe pelo lado direito do ataque portista e sente Wilson atrás de si. Desacelera e sem sofrer qualquer toque do defesa azul "atira-se para a piscina". Pela sinalética do árbitro, aquele considerou que o jogador foi puxado. No entanto, quando se é puxado não se cai para a frente como se se fosse empurrado. Para além disso, a jogada foi nas "barbas" do fiscal de linha, que nada assinalou.
No final do jogo, vários órgãos de comunicação social afirmaram que o árbitro esteve bem e não teve influência no resultado, uma vez que o Porto desperdiçou muitas oportunidades de golo! Mas convém dizer que enquanto o árbitro não entrou em acção, estava 0-0... Aliás, e no seguimento de reclamação por mim lavrada junto dessa mesma comunicação social, o Sr. Alexandre Pais fez um artigo que foi publicado pelo Record e no qual foi bastante agressivo para com o jornalista que escreveu a crónica a esse jogo.
Logo veremos como correrá. Da minha parte, acho que devemos lá ir jogar descomplexados, tentar trocar a bola e enervá-los ainda mais do que aquilo que eles já entram em campo. E depois, passes rápidos em diagonal para as entradas do Lourenço e do Antchouet nas costas dos centrais, sendo que o Pepe deve ser pressionado pelos 2 quando tem a bola controlada, porque "inventa" muito.
Assim sendo, vou passar a enumerar algumas situações que aconteceram, e cada um tira as suas conclusões:
- Neca é lesionado com gravidade por Deco, numa entrada perigosa. Se não me engano, foi marcada falta ao Neca e Deco não viu nenhum cartão!!!
- No final da 1ª parte, num jogo jogado em bom ritmo e com uma única paragem para a saída por lesão de um jogador do Porto (Neca saiu pelo próprio pé), o arbitro dá 5 (cinco!!!) minutos de descontos. Talvez convenha lembrar que o Porto jogou muito mal os primeiros 40 minutos e nos últimos 5 estava em crescendo, com o perigo a rondar a nossa baliza. Portanto mais 5 minutos para os meninos irem descansados para o intervalo não faziam mossa.
- Já no tempo de descontos, McCarthy salta com as mãos nos ombros de Filgueira e cabeçeia a bola para a baliza, com o árbitro a validar um golo claramente irregular
- No início da 2ª parte, Sérgio Conceição rompe pelo lado direito do ataque portista e sente Wilson atrás de si. Desacelera e sem sofrer qualquer toque do defesa azul "atira-se para a piscina". Pela sinalética do árbitro, aquele considerou que o jogador foi puxado. No entanto, quando se é puxado não se cai para a frente como se se fosse empurrado. Para além disso, a jogada foi nas "barbas" do fiscal de linha, que nada assinalou.
No final do jogo, vários órgãos de comunicação social afirmaram que o árbitro esteve bem e não teve influência no resultado, uma vez que o Porto desperdiçou muitas oportunidades de golo! Mas convém dizer que enquanto o árbitro não entrou em acção, estava 0-0... Aliás, e no seguimento de reclamação por mim lavrada junto dessa mesma comunicação social, o Sr. Alexandre Pais fez um artigo que foi publicado pelo Record e no qual foi bastante agressivo para com o jornalista que escreveu a crónica a esse jogo.
Logo veremos como correrá. Da minha parte, acho que devemos lá ir jogar descomplexados, tentar trocar a bola e enervá-los ainda mais do que aquilo que eles já entram em campo. E depois, passes rápidos em diagonal para as entradas do Lourenço e do Antchouet nas costas dos centrais, sendo que o Pepe deve ser pressionado pelos 2 quando tem a bola controlada, porque "inventa" muito.
Ortodoxias
"O Belenenses, clube que, durante decadas fez da ortodoxia um modo de estar no desporto (...)" - Assim começa a noticia publicada hoje na ultima pagina do diario desportivo "A BOLA", acerca da nova iniciativa do clube: o leilao das camisolas dos jogadores, apos os jogos da SuperLiga.
Nao irei por agora dar uma opiniao acerca da iniciativa, ate porque gostaria de a conhecer melhor. Direi apenas que TUDO o que servir para divulgar e valorizar o Belenenses so pode ser considerado positivo!
Este pequeno texto prende-se fundamentalmente com a aplicaçao do termo "ortodoxia" ao Belenenses. Existem regra geral duas formas de entender o termo: uma literal - aquela que vem no dicionario - e outra "social", ou seja, o significado que adquire na sua aplicaçao quotidiana, na comunicaçao entre pares. O jornal "A BOLA" utiliza neste caso o termo nesta sua segunda faceta.
Assim, quando acusa do Belenenses de "ortodoxia", o diario so pode querer associar o nosso clube a uma postura conservadora extrema, contraria a inovaçao e ao sentido "natural" da evolucao dos tempos. E para justificar esta adjectivaçao vai buscar as discussoes dos idos anos 70, quando se debatia a utilizao dos calçoes azuis...
Na verdade, e mesmo para alguem que tem apenas 26 anos, ouvir falar de ortodoxia relativamente ao Belenenses so pode dar riso. Na verdade, o Belenenses sempre foi um clube que assumiu verdadeiro protagonismo na evoluçao do desporto nacional...
Os exemplos sao muitos e diversos. E para que nao nos acusem de nao os referir, aqui ficam apenas alguns:
- o Belenenses nasceu contra a corrente da ortodoxia reinante no desporto lisboeta;
- foi capaz de conquistar o seu espaço com uma atitude verdadeiramente nova perante o desporto;
- assumiu desde cedo uma postura de divulgaçao dos desportos (e nao apenas do futebol), tendo desde cedo apresentado equipas de competicao de alto nivel em diversas modalidades;
- ao longo de 85 anos de historia este ecletismo cresceu, tendencia esta verdadeiramente inovadora em Portugal, e num contexto em que as "vacas sagradas" deste pais vao cortando no desporto, para alimentar a sede dos titulos que nunca chegam, no sacro-santo futebol;
- o Belenenses possui uma comunidade na internet impar, com uma dinamica completamente nova no ambito do desporto nacional... facto este conhecido e reconhecido por muitos, incluindo por órgaos de comunicaçao concorrentes com "A BOLA";
A lista de exemplos podia crescer, crescer, crescer...
Mas preferimos publica-la assim curtinha, para que cresça com os comentarios dos muitos belenenses que dedicam parte do seu tempo livre a discutir o seu clube, sem conformidade de opiniao (o significa literal de ortodoxia), mas com grande amor e paixao.
Quanto ao jornal "A BOLA" e seus jornalistas, deveriam pensar melhor antes de escrever. A concorrencia é grande, e vai faltando paciencia para ler tanta patetice. E já agora, e uma vez que revelam tanta preocupaçao com a "ortodoxia" azul, procedam a uma pequena reflexao acerca da conformidade de opiniao no jornalismo desportivo nacional, esse sim, verdadeiramente podre em materia de qualidade e de dominaçao por parte dos chamados "grandes", dos quais sao verdadeiros orgaos oficiais...
Nao irei por agora dar uma opiniao acerca da iniciativa, ate porque gostaria de a conhecer melhor. Direi apenas que TUDO o que servir para divulgar e valorizar o Belenenses so pode ser considerado positivo!
Este pequeno texto prende-se fundamentalmente com a aplicaçao do termo "ortodoxia" ao Belenenses. Existem regra geral duas formas de entender o termo: uma literal - aquela que vem no dicionario - e outra "social", ou seja, o significado que adquire na sua aplicaçao quotidiana, na comunicaçao entre pares. O jornal "A BOLA" utiliza neste caso o termo nesta sua segunda faceta.
Assim, quando acusa do Belenenses de "ortodoxia", o diario so pode querer associar o nosso clube a uma postura conservadora extrema, contraria a inovaçao e ao sentido "natural" da evolucao dos tempos. E para justificar esta adjectivaçao vai buscar as discussoes dos idos anos 70, quando se debatia a utilizao dos calçoes azuis...
Na verdade, e mesmo para alguem que tem apenas 26 anos, ouvir falar de ortodoxia relativamente ao Belenenses so pode dar riso. Na verdade, o Belenenses sempre foi um clube que assumiu verdadeiro protagonismo na evoluçao do desporto nacional...
Os exemplos sao muitos e diversos. E para que nao nos acusem de nao os referir, aqui ficam apenas alguns:
- o Belenenses nasceu contra a corrente da ortodoxia reinante no desporto lisboeta;
- foi capaz de conquistar o seu espaço com uma atitude verdadeiramente nova perante o desporto;
- assumiu desde cedo uma postura de divulgaçao dos desportos (e nao apenas do futebol), tendo desde cedo apresentado equipas de competicao de alto nivel em diversas modalidades;
- ao longo de 85 anos de historia este ecletismo cresceu, tendencia esta verdadeiramente inovadora em Portugal, e num contexto em que as "vacas sagradas" deste pais vao cortando no desporto, para alimentar a sede dos titulos que nunca chegam, no sacro-santo futebol;
- o Belenenses possui uma comunidade na internet impar, com uma dinamica completamente nova no ambito do desporto nacional... facto este conhecido e reconhecido por muitos, incluindo por órgaos de comunicaçao concorrentes com "A BOLA";
A lista de exemplos podia crescer, crescer, crescer...
Mas preferimos publica-la assim curtinha, para que cresça com os comentarios dos muitos belenenses que dedicam parte do seu tempo livre a discutir o seu clube, sem conformidade de opiniao (o significa literal de ortodoxia), mas com grande amor e paixao.
Quanto ao jornal "A BOLA" e seus jornalistas, deveriam pensar melhor antes de escrever. A concorrencia é grande, e vai faltando paciencia para ler tanta patetice. E já agora, e uma vez que revelam tanta preocupaçao com a "ortodoxia" azul, procedam a uma pequena reflexao acerca da conformidade de opiniao no jornalismo desportivo nacional, esse sim, verdadeiramente podre em materia de qualidade e de dominaçao por parte dos chamados "grandes", dos quais sao verdadeiros orgaos oficiais...
quinta-feira, setembro 30, 2004
EVOLUÇÃO DO BLOG: Setembro
Estando a terminar o mês de Setembro relembramos as últimas melhorias que o Blog do Belenenses sofreu nos ultimos 30 dias.
- criação de uma nova rubrica "BELENENSES NO MUNDO"
- criação do quadro "CLASSIFICAÇÃO"
- criação do quadro "RESULTADOS/CALENDÁRIO"
- criação do quadro "MARCADORES"
- criação do quadro "DISCIPLINA"
- actualização da informação relativa ao "PLANTEL"
- actualização das fotos dos jogadores
- criação de banner especifico para "Blog do Belenenses no Egipto"
Os quadros resultados de "PRÉ-ÉPOCA" e "MERCADO" continuam disponiveis através de links.
Como será o mês de Outubro?
- criação de uma nova rubrica "BELENENSES NO MUNDO"
- criação do quadro "CLASSIFICAÇÃO"
- criação do quadro "RESULTADOS/CALENDÁRIO"
- criação do quadro "MARCADORES"
- criação do quadro "DISCIPLINA"
- actualização da informação relativa ao "PLANTEL"
- actualização das fotos dos jogadores
- criação de banner especifico para "Blog do Belenenses no Egipto"
Os quadros resultados de "PRÉ-ÉPOCA" e "MERCADO" continuam disponiveis através de links.
Como será o mês de Outubro?
quarta-feira, setembro 29, 2004
A DÉCADA DE 70: PARTE II – A ÉPOCA DE 72/73

A parcial resolução do problema do Estádio, as receitas resultantes das boas assistências verificadas na época anterior (pelos motivos explicados no artigo da semana passada) e um bom trabalho nas camadas jovens de que se começavam a colher frutos, fez da época 71/72 um patamar de transição para anos bem sucedidos. De facto, repetimos a classificação da época anterior – um decepcionante 7º lugar – mas com mais pontos, maior proximidade dos primeiros, mais golos marcados, menos golos sofridos, menos “sustos” (nenhum, aliás...) e um plantel de indiscutível melhor qualidade. Para além do mais, teve o Belenenses ao seu serviço um treinador consagrado, Zézé Moreira, que, nomeadamente, treinou a selecção do Brasil vários anos - e por tudo isto, havia alicerces para o clube recuperar posições perdidas.
E assim foi, na época seguinte, 1972/73. Presidia ao clube o Major Baptista da Silva. Foi-se buscar para treinador Alejandro Scopelli, de quem já falámos num artigo a propósito do campeonato perdido a 4 minutos do fim em 54/55. Scopelli, um grande homem e um grande belenenses veio para o clube com Tárrio e Telechea mesmo final da década de 30, e este trio de argentinos deu um grande contributo para o progresso do futebol português. E, tantos anos depois, D. Alejandro Scopelli voltava ao Belenenses, agora como treinador, para o relançar para as posições cimeiras, que invariavelmente ocupava nos seus tempos de jogador.
Era um adepto do bom futebol. Lembro-me de um jogador do Belenenses (salvo erro, Quinito) relatar o seguinte: certo dia, num treino, um jogador desarmou um colega mas, logo em seguida, efectuou um passe inábil, que fez a bola sair do rectângulo. Scopelli interrompeu logo o treino e disse: “Senhor, o campo tem 110 metros de comprimento, 75 metros de largura. São mais de 8.000 metros quadrados! E o senhor, com tanto espaço, atira a bola para fora?!” (nota: de facto, na altura, e desde a fundação do estádio até meio da década de 90, o terreno de jogo do Restelo de jogo tinha aquelas dimensões, sendo o maior do país. Não me recordo se foi com Abel Braga ou João Alves que se encurtou mas o facto é que até esse destaque perdemos! Se por um lado se pode argumentar que, em nossa casa, onde em princípio atacamos mais, um terreno menor facilita o assédio à baliza adversária, o facto é que, por outro lado, os jogadores ficaram mais longe do público e do seu apoio). Mas Scopelli também sabia ser realista (como bom defesa que tinha sido...) e isso ficou expresso no grande número de empates que o Belenenses registou nessa época. Com as naturais excepções, num sentido ou noutro, a nossa carreira, basicamente, se traduziu-se em ganhar em casa e empatar fora.
Por outro lado, foram-se buscar uma série de bons jogadores, de que destacamos o médio (ou defesa? Já vamos falar nisso...) Calado, então internacional B, o excelente avançado centro brasileiro Luís Carlos e o magnífico paraguaio Paco Gonzalez. Este último veio para o clube via Real Madrid (que o levara para Espanha mas desistiu de o incluir no plantel), fruto das boas relações que então tínhamos, bem como do nosso prestígio e dos olhos abertos e atentos dos responsáveis. Como e por que é que se perdeu essa relação privilegiada com o Real Madrid? E, já agora, não seria melhor apostar em acordos dese género com clubes espanhóis e brasileiros, em vez de estarmos a receber emprestados do Sporting e do Benfica (para mais quando Rodolfo Lima se calhar podia ter vindo directamente para o Belenenses, e quando permitimos que se pemnse que o Benfica nos está a fazer um favor, quando somos nós que lhe estamos – mal! – a facilitar o pagamento de uma dívida)? NÃO ME CONSIGO CONFORMAR!
Adiante. Caso curioso, é que Calado era suposto jogar a médio mas Alejandro Scopelli, com o seu olho clínico, resolveu aproveitar a sua altura e poder de impulsão para o pôr a jogar a defesa central, adiantando, sim, para médio o até então defesa Quaresma (tio avô do Quaresma dos nossos dias). Alfredo Quaresma veio mais tarde a confessar que receou que ia ser queimado a jogar fora da posição habitual mas tal não aconteceu. Pelo contrário: fez grandes exibições, auxiliava a defesa e, ao mesmo tempo, “fartou-se” de marcar golos. Deste modo, chegou a internacional A, realizando vários jogos pela selecção nacional em 1973 e 1974.
Assim, a nossa equipa base durante a época foi a seguinte: Mourinho; Murça, Calado, Freitas e Pietra; Quinito, Quaresma e Godinho; Laurindo, Luís Carlos e Gonzalez. João Cardoso também jogou muito assiduamente. Note-se que, destes 12 jogadores, julgo que só 3 não foram internacionais A: Calado, Quinito e Luís Carlos – de qualquer modo, três excelentes jogadores. Também Carlos Serafim, internacional Esperanças e jogador com enorme futuro à sua frente (toda a gente dizia isso!), estava destinado a jogar com frequência. No entanto, em jogo particular com a CUF, a meio da semana, sofreu grave lesão que fez terminar a sua carreira. Novamente o azar a bater-nos à porta, depois de Vicente, Amaro, Pepe e vários outros!
O campeonato iniciou-se com uma vitória fora, no Barreiro, contra a CUF – então um adversário difícil para qualquer equipa (salvo erro, chegou a eliminar o Milão). Lembro-me do título da “Bola” no dia seguinte: “Será, Belenenses…?” (com o sentido: será que o Belenenses volta mesmo a ter uma grande equipa?).
No jogo seguinte, ganhámos ao Vitória Setúbal (então a viver a sua década de ouro) no Restelo, por 3-2, e o comentário da “Bola” (ainda me recordo)..., foi então: “Olá! Belenenses é mesmo verdade!”. Assisti a esse jogo no nosso estádio; lembro-me que fizemos uma bela exibição, sempre em vantagem no marcador (1-0, 2-0, 2-1, 3-1, 3-2) e com uma boa assistência, claramente mais de meia casa, isto é, cerca de 25 mil pessoas (uma fotografia desse jogo, e da assistência, pode ser encontrada no site oficial. Veja-se em Recortes, depois escolha-se Album de Recordações, depois jogos no Restelo. Então, no conjunto de fotos, é a 3ª. Já agora, veja-se a anterior. Para quem diz que o Restelo nunca encheu, talvez seja esclarecedor...).
Na jornada seguinte, confirmámos a nossa qualidade com um empate em casa do F.C.Porto (1-1), vencendo à 4ª jornada o União de Tomar por 2-0 (em jogo transmitido na Televisão, uma raridade naqueles tempos). E instalámo-nos no 2º lugar, a seguir ao Benfica, posicionamentos que se mantiveram até ao final.
Foi um belíssima época, em que me sentia autenticamente nas nuvens, com o “meu” Belenenses em 2ºlugar (e eu a sonhar que no ano seguinte era para sermos…Campeões). Houve apenas uma jornada de tristeza, a derrota por 5-0 na Luz, que me fez passar a noite seguinte em claro.
Nessa época, para o campeonato, assisti igualmente a um jogo com o Atlético (salvo erro, logo a seguir ao malfadado jogo da Luz), que vencemos por 3-2. Estariam no estádio, certamente, umas 20.000 pessoas... no mínimo (e tenho a impressão que não entrou assim muita gente depois de o jogo começar, por causa das bichas nas bilheteiras...)!
Presenciei também um jogo com o Boavista num sábado à noite. Estava, apenas, uma assistência mediana. Foi já na 2ª volta, numa fase menos boa, em que o Sporting, o Porto e o Setúbal se chegaram a aproximar do nosso 2º lugar. Empatámos 1-1, depois de termos estado a perder mas com um pormenor pitoresco: Tínhamos então um jogador chamado Ernesto, popularmente alcunhado de “cenoura” (por causa do seu cabelo ruivo). Habitual suplente (apesar de anos antes ter chegado a constituir uma grande promessa), nesse jogo, certamente por lesão de alguém, foi titular. Como as coisas não estavam a correr bem (estávamos a perder 1-0), a insatisfação corporizava-se no grito “tira o cenoura!”. E, de facto, Scopelli tinha a sua substituição preparada. Só que, entretanto, Ernesto, num remate de raiva, marcou um golaço, a alguns 30 metros da baliza. E saiu, sim, mas debaixo de uma forte ovação!
Vi, enfim, o último jogo, conta o Barreirense, que ganhámos 4-2, com uma primeira parte de luxo que terminou por 3-0. Sei que foram distribuídos postais autografados pelos jogadores, e também algumas bolas, e que estava uma excelente assistência, na festa do 2º lugar.
E como toda esta série de artigos começou com a questão das assistências, gostava de referir que, durante muitos anos, o Diário Popular publicava as receitas dos jogos de cada jornada, e a classificação das melhores receitas da época. Primeiro vinha o Benfica-Sporting, depois o Sporting-Benfica, e o Belenenses ficava invariavelmente com os 3º e 4º lugares, com as receitas relativas aos jogos com o Benfica e o Sporting (normalmente por esta ordem). O F.C.Porto vinha mais para trás, porque tinha uma grande número de sócios e poucos lugares (e bilhetes vendáveis) para não sócios. Os outros clubes estavam a larga distância. Acabe-se, pois, com o mito de que o Restelo esteve sempre às moscas - não é verdade! De que nunca encheu - não é verdade! De que nunca esgotou - não é verdade! De que mesmo as grandes assistências eram por causa de adeptos de outros clubes, porque só os do Belenenses não eram suficientes para tal - não é verdade!
E, já agora, uma das grandes enchentes no Restelo, a que assisti com os próprios olhos, foi o jogo, nessa mesma época, para a Taça de Portugal, com o Benfica. Que grande assistência e que grande proporção de belenenses! Perdemos por 4-2…mas fica a recordação de fazermos 1-0 logo no 1º minuto…No outro dia, na escola, ao encontrar o meu colega de carteira e de clube, tivemos em simultâneo a mesma exclamação: “E o primeiro golo? Foi o delírio!…”.
Como disse, esta foi uma época que acompanhei com grande alegria e empolgamento (não só no futeb ol, mas também no andebol, modalidade em que ficámos em 2º lugar, por pouco nos fugindo para o Sporting o título que, entretanto, conquistámos na época seguinte). E espero que compreendam a ternura com que olho para o que se reproduz nas gravuras aqui insertas: as folhas de um caderno em que eu – então um miúdo de 11/12 anos -, registava cuidadosamente (com a estranha letra da época...) os resultados no intervalo e no fim de cada jornada, os autores dos golos da nossa equipa, a classificação geral e, ainda, os melhores marcadores. Para mim, constitui uma autêntica relíquia, com quase 32 anos!
A terminar, cabe uma referência ao jogo que, em 14 de Dezembro de 1972, disputámos em Madrid. De facto, 25 anos depois de nos ter honrado com o convite para inaugurar o seu estádio, o Real voltou a convidar o Belenenses, agora para a festa de despedida de Gento (um dos maiores jogadores espanhóis de todos os tempos, e 5 vezes campeão europeu pelo Real Madrid). Um sinal do respeito que o Belenenses continuava a merecer. Perdermos por 2-1 mas, uma vez mais, com grande dignidade!















terça-feira, setembro 28, 2004
75 anos de sócio
(Artigo de Eduardo Torres)
O nosso sócio mais antigo é Humberto Azevedo. Se a informação constante dos livros de Acácio Rosa está correcta, a sua filiação ocorreu em 1929. E, se assim é, completou 75 anos de sócio.
Setenta e cinco anos de sócio! O número diz tudo, vale mais que muitos milhares de palavras…
Entre alguns povos, chama-se reverentemente “O Velho” não apenas a alguém que é ancião mas, sobretudo, que merece respeito e reverência pela sabedoria, e que tem uma autoridade assente numa hierarquia natural.É nesse sentido que dizemos: parabéns ao mais “velho” de todos nós!
Nota do Blog do Belenenses:
Humberto Azevedo é, para quem não sabe, o filho do jogador internacional Eduardo Azevedo, que fez parte da primeira equipa do clune, na década de 20. Sócio muitíssimo dedicado ao clube, Humberto Azevedo ainda hoje se encontra ligado à actividade quotidiana do Belenenses, nomeadamente nas Relações Públicas.
O nosso sócio mais antigo é Humberto Azevedo. Se a informação constante dos livros de Acácio Rosa está correcta, a sua filiação ocorreu em 1929. E, se assim é, completou 75 anos de sócio.
Setenta e cinco anos de sócio! O número diz tudo, vale mais que muitos milhares de palavras…
Entre alguns povos, chama-se reverentemente “O Velho” não apenas a alguém que é ancião mas, sobretudo, que merece respeito e reverência pela sabedoria, e que tem uma autoridade assente numa hierarquia natural.É nesse sentido que dizemos: parabéns ao mais “velho” de todos nós!
Nota do Blog do Belenenses:
Humberto Azevedo é, para quem não sabe, o filho do jogador internacional Eduardo Azevedo, que fez parte da primeira equipa do clune, na década de 20. Sócio muitíssimo dedicado ao clube, Humberto Azevedo ainda hoje se encontra ligado à actividade quotidiana do Belenenses, nomeadamente nas Relações Públicas.
Força Rapazes!

Ontem não estive na Amoreira. Outros compromissos, também ligados ao Belenenses, impediram-me de estar presente naquela bancada tão bem composta por sócios e adeptos azuís, que se fartaram de puxar pela equipa... Vi apenas os primeiros 25 minutos da primeira parte, no Núcleo da Ajuda/Belém, junto a outros tantos sofredores, todos eles cheios de vontade de sair a correr para o Estádio, mas sem possibilidade real de o fazer, por uma razão ou por outra.
Nos primeiros minutos vi um Belenenses um pouco mais fraco do que o habitual, pese embora depois do 1/4 de hora inicial o jogo tenha ganho equílibrio, com pelo menos dois bons remates para golo da nossa equipa (primeiro por Amaral e depois por Zé Pedro, dois bons rematadores da meia distância, nos quais deposito muita esperança).
Depois... depois fui à minha vida, e apenas às 23:30h consegui saber o resultado. Acabavamos de ceder a primeira derrota, a poucos segundos do fim, e depois de um jogo bem disputado e ainda mais equilibrado, durante o qual tudo deram os nossos jogadores. Fiquei triste, é um facto... mas tal como havia escrito aqui no blog durante a manhã, em futebol existem três resultados possíveis e todos temos de estar preparados para eles.
Não foi o facto de nos ter escapado o 1º lugar que me deixou frustrado. Foi não ter alcançado os 10 pontos e uma vantagem suficientemente confortável para ir ao Dragão "nas calmas...".
Carvalhal tem muito trabalho pela frente, mais psicológico do que técnico ou táctico. Segundo o jornal "A Bola" de hoje, o Belenenses até é a equipa portuguesa que melhor interpreta o sistema do losango a meio campo, e eu estou perfeitamente de acordo. É por isso que reafirmo: tão importante como preparar jogadas e combinações que surpreendam os campeões nacionais, a nossa equipa deve ser alvo de um trabalho de intensa preparação mental para um jogo que muitos proveitos no pode trazer.
O Porto joga amanhã um jogo importantíssimo para as suas aspirações na Liga dos Campões, e fisicamente isso paga-se. Estou certo que Carvalhal saberá tirar partido da situação. É que tal como na Amoreira, no Dragão existem TRÊS resultados possíveis e não apenas um ou dois. É possível trazer a vitória e seguir em frente a toda a velocidade.
Ainda a propósito do jogo de ontem, e porque a maioria de vós estavam no Estádio a apoiar o Belém, deixem-me contar-vos um episódio que se passou durante a transmissão da SporTV, durante os minutos iniciais: pouco depois da apresentação das equipas, o pivot de serviço afirma que se irão bater equipas com níveis diferentes de qualidade e pertencentes a dois campeonatos distintos. O comentador que o acompanhava, um tal de João Rosado, afirma que sim, acrescentando que depois do empate no Porto o estoril seria uma equipa com outras responsabilidades... Era perfeitamente lógico que o pivot se referia à teórica superioridade do Belenenses, e por isso calou-se durante alguns segundos, sem saber muito bem o que dizer.
Enfim, mais uma para acrescentar às muitas "bocas" e "faltas de atenção" que a SporTV dispensa ao Belenenses.
segunda-feira, setembro 27, 2004
Sobre a partida de hoje...
O que para muitos seria impensável no início da temporada está mesmo a acontecer: ao 4º jogo oficial da época o Belenenses pode igualar o Benfica no primeiro lugar da tabela classificativa, à frente do Campeão Europeu FC Porto e bem longe do Sporting, que se encontra no fundo da tabela.
Para o efeito, a nossa equipa terá de suar bastante no jogo desta noite frente ao Estoril, na Amoreira. É que o Estoril tem uma equipa bastante forte, e mesmo sendo na minha opinião bem inferior à do Belenenses pode muito bem superar-se (como aconteceu no Estádio do Dragão) e pôr em causa as nossas aspirações.
Importa aqui relembrar o último confronto oficial entre as duas equipas, ocorrido nos 1/4 de final da Taça de Portugal, no ano passado. No Restelo disputou-se uma eliminatório extremamente desiquilibrada, mas a favor dos estorilistas, que mandaram no jogo e que acabaram por ser infelizes.
As equipas mudaram, e este ano existe muito mais qualidade na nossa equipa. Todos reconhecemos que existem mais soluções de ataque, mais solidez defensiva e um meio campo de fazer inveja a alguns auto-proclamados candidatos ao título. Isto para além de Carvalhal, claro!
Pelo seu lado, o Estoril perdeu por exemplo Carlitos (uma jogador que sobressaia na equipa da linha, mas que se está a perder no plantel do Benfica) e viveu um início de época perturbado pela substituição do treinador...
Logo há noite tudo se decidirá dentro das 4 linhas, e com 11 contra 11. Existem três resultados possíveis, e devemos estar preparados para todos porque afinal isso é que é o futebol. Mas de que a nossa vontade é chegar ao 1º... disso ninguém duvide!
Para o efeito, a nossa equipa terá de suar bastante no jogo desta noite frente ao Estoril, na Amoreira. É que o Estoril tem uma equipa bastante forte, e mesmo sendo na minha opinião bem inferior à do Belenenses pode muito bem superar-se (como aconteceu no Estádio do Dragão) e pôr em causa as nossas aspirações.
Importa aqui relembrar o último confronto oficial entre as duas equipas, ocorrido nos 1/4 de final da Taça de Portugal, no ano passado. No Restelo disputou-se uma eliminatório extremamente desiquilibrada, mas a favor dos estorilistas, que mandaram no jogo e que acabaram por ser infelizes.
As equipas mudaram, e este ano existe muito mais qualidade na nossa equipa. Todos reconhecemos que existem mais soluções de ataque, mais solidez defensiva e um meio campo de fazer inveja a alguns auto-proclamados candidatos ao título. Isto para além de Carvalhal, claro!
Pelo seu lado, o Estoril perdeu por exemplo Carlitos (uma jogador que sobressaia na equipa da linha, mas que se está a perder no plantel do Benfica) e viveu um início de época perturbado pela substituição do treinador...
Logo há noite tudo se decidirá dentro das 4 linhas, e com 11 contra 11. Existem três resultados possíveis, e devemos estar preparados para todos porque afinal isso é que é o futebol. Mas de que a nossa vontade é chegar ao 1º... disso ninguém duvide!
domingo, setembro 26, 2004
O Belenenses na América do Norte
O Blog do Belenenses recebeu um surpreendente e comovente contributo de um azulão fixado na América do Norte, que nos acompanha via internet e que não perde uma oportunidade para ver o nosso clube sempre que a televisão lhe dá essa chance, o Sr.Alfredo Costa.
Leitor habitual dos blogs azuís, e conhecedor do empenho do Blog do Belenenses na divulgação da história do clube, Alfredo Costa enviou-nos uma imagem de um magnífico emblema de lapela que comprou há 60 anos... Segundo este nosso amigo, este emblema acompanhou-o num jogo ainda nas Salésias em que Matateu meteu dois golos ao Sporting.

Ao Alfredo Costa, jovem de 76 anos, visivelmente apaixonado pelo seu Belenenses, aqui fica um muito obrigado e um convite para participar mais neste e noutros blogs, que vão contribuindo para a valorização e divulgação deste enorme clube da Cruz de Cristo!
Leitor habitual dos blogs azuís, e conhecedor do empenho do Blog do Belenenses na divulgação da história do clube, Alfredo Costa enviou-nos uma imagem de um magnífico emblema de lapela que comprou há 60 anos... Segundo este nosso amigo, este emblema acompanhou-o num jogo ainda nas Salésias em que Matateu meteu dois golos ao Sporting.

Ao Alfredo Costa, jovem de 76 anos, visivelmente apaixonado pelo seu Belenenses, aqui fica um muito obrigado e um convite para participar mais neste e noutros blogs, que vão contribuindo para a valorização e divulgação deste enorme clube da Cruz de Cristo!
O 1º Mergulho 2004, no CF "Os Belenenses"
Artigo publicado no BLOG AQUÁTICO
O complexo olímpico de piscina do Restelo acolheu ontem de manhã o "1º Mergulho" da Temporada, evento inserido no 85º aniversário do Belenenses, clube histórico da natação e do pólo-aquático de Portugal.
A prova não competitiva marcou o inicio da época aquática do clube, pese embora as suas equipas de competição já tenham recomeçado os treinos no início de Setembro, depois de um mês de merecidas férias. Recorde-se que as equipas competitivas do Belenenses disputam todos os anos ao mais alto nível as provas do calendário nacional, na natação e pólo-aquático.

Complexo Olímpico do Restelo
O Blog Aquático assistiu ao "1º Mergulho" com emoção. Desde logo porque não escondemos que o Belenenses é o clube do nosso coração, e aquele pelo qual torcemos, dentro dos limites do que é saudável e aceitável.
E foi ao assistir às primeiras braçadas das crianças que se iniciam na natação pura ou no espectacular desporto colectivo aquático que é o "Water-Polo" que nos recordámos de páginas de ouro escritas pelo nadadores azuís, desde os idos anos 20.
A natação no Belenenses é praticamente um dos desporto fundadores do Clube. Assim, o baptismo de água teve lugar a 23 de Setembro de 1923, na doca de Belém, pelas 13 horas, numa prova inserida no calendário das festividades do então 4º aniversário do Belenenses! Este interesse dos azuis pelos desportos de água não será alheio ao facto de Belém ser a freguesia ribeirinha por excelência em Lisboa, toda ela voltada ao Tejo, então um rio limpo e convidativo.
Em 1926 disputava-se a primeira partida de pólo-aquático com a participação de uma equipa belenense. O jogo colocou frente a frente os azuis e a equipa dos "Vendedores de Jornais". Pelos de Belém jogaram Joaquim Vaz, Eduardo Serra, Licínio Vaz, Delfim da Cunha, João Dário, João da Silva Marques e Libertino Bastos.

E porque é justo lembrar aqui os grandes campeões belenenses, importa destacar os nomes de Delfim da Cunha, João da Silva Marques e Mário da Silva Marques, primeiro nadador olímpico português.
Delfim da Cunha foi um grande nadador de longas distâncias, em mar aberto. Em inúmeras provas de 8 e 12 quilómetros, Delfim da Cunha fazia valer a sua força e abnegação, vencendo as longas travessias de rios mais ou menos gelados, como o Tejo e o Douro...
João da Silva Marques era um nadador mais fino, de piscina. Foi campeão nacional e recordista de Portugal... Atleta de excepção, simultaneamente nadador e jogador da equipa de pólo, nadando muitas vezes provas em pontos diferentes do país no mesmo dia, João da Silva Marques é provavelmente uma das maiores lendas do clube.
Depois da década de 20, o Belenenses conheceu outros momentos de glória e nadadores excepcionais. Na sector feminino destacou-se por exemplo Ana Linheiro, atleta dedicadíssima ao clube, e que ainda hoje tem responsabilidades no Museu/Sala de Troféus do Belém.
Hoje o Belenenses é proprietário de uma piscina olímpica, bem como de outros espaços ideiais para a aprendizagem da natação e do pólo-aquático. Encontram-se reunidas as condições para que o clube estabilize a posição que lhe é devida, entre os primeiros lugares da modalidades aquáticas, quando não no primeiro dos primeiros! Criaram-se as infraestruturas - ou seja, as bases essenciais para a promoção das modalidades - e os resultados desportivos têm aparecido com frequência nos últimos anos.

85 anos depois da fundação do clube e 81 anos depois do 1º Mergulho azul, o Blog Aquático envia o grande abraço a todos os nadadores e jogadores da natação e do pólo-aquático belenense, a todos os técnicos e dirigentes. A todos, de 1923 até aos dias de hoje, pois as medalhas e recordes conquistadas neste novo século são o resultado da semente lançada à água pelos iniciadores dos desportos aquáticos no clube.
O complexo olímpico de piscina do Restelo acolheu ontem de manhã o "1º Mergulho" da Temporada, evento inserido no 85º aniversário do Belenenses, clube histórico da natação e do pólo-aquático de Portugal.
A prova não competitiva marcou o inicio da época aquática do clube, pese embora as suas equipas de competição já tenham recomeçado os treinos no início de Setembro, depois de um mês de merecidas férias. Recorde-se que as equipas competitivas do Belenenses disputam todos os anos ao mais alto nível as provas do calendário nacional, na natação e pólo-aquático.

Complexo Olímpico do Restelo
O Blog Aquático assistiu ao "1º Mergulho" com emoção. Desde logo porque não escondemos que o Belenenses é o clube do nosso coração, e aquele pelo qual torcemos, dentro dos limites do que é saudável e aceitável.
E foi ao assistir às primeiras braçadas das crianças que se iniciam na natação pura ou no espectacular desporto colectivo aquático que é o "Water-Polo" que nos recordámos de páginas de ouro escritas pelo nadadores azuís, desde os idos anos 20.
A natação no Belenenses é praticamente um dos desporto fundadores do Clube. Assim, o baptismo de água teve lugar a 23 de Setembro de 1923, na doca de Belém, pelas 13 horas, numa prova inserida no calendário das festividades do então 4º aniversário do Belenenses! Este interesse dos azuis pelos desportos de água não será alheio ao facto de Belém ser a freguesia ribeirinha por excelência em Lisboa, toda ela voltada ao Tejo, então um rio limpo e convidativo.
Em 1926 disputava-se a primeira partida de pólo-aquático com a participação de uma equipa belenense. O jogo colocou frente a frente os azuis e a equipa dos "Vendedores de Jornais". Pelos de Belém jogaram Joaquim Vaz, Eduardo Serra, Licínio Vaz, Delfim da Cunha, João Dário, João da Silva Marques e Libertino Bastos.

E porque é justo lembrar aqui os grandes campeões belenenses, importa destacar os nomes de Delfim da Cunha, João da Silva Marques e Mário da Silva Marques, primeiro nadador olímpico português.
Delfim da Cunha foi um grande nadador de longas distâncias, em mar aberto. Em inúmeras provas de 8 e 12 quilómetros, Delfim da Cunha fazia valer a sua força e abnegação, vencendo as longas travessias de rios mais ou menos gelados, como o Tejo e o Douro...
João da Silva Marques era um nadador mais fino, de piscina. Foi campeão nacional e recordista de Portugal... Atleta de excepção, simultaneamente nadador e jogador da equipa de pólo, nadando muitas vezes provas em pontos diferentes do país no mesmo dia, João da Silva Marques é provavelmente uma das maiores lendas do clube.
Depois da década de 20, o Belenenses conheceu outros momentos de glória e nadadores excepcionais. Na sector feminino destacou-se por exemplo Ana Linheiro, atleta dedicadíssima ao clube, e que ainda hoje tem responsabilidades no Museu/Sala de Troféus do Belém.
Hoje o Belenenses é proprietário de uma piscina olímpica, bem como de outros espaços ideiais para a aprendizagem da natação e do pólo-aquático. Encontram-se reunidas as condições para que o clube estabilize a posição que lhe é devida, entre os primeiros lugares da modalidades aquáticas, quando não no primeiro dos primeiros! Criaram-se as infraestruturas - ou seja, as bases essenciais para a promoção das modalidades - e os resultados desportivos têm aparecido com frequência nos últimos anos.

85 anos depois da fundação do clube e 81 anos depois do 1º Mergulho azul, o Blog Aquático envia o grande abraço a todos os nadadores e jogadores da natação e do pólo-aquático belenense, a todos os técnicos e dirigentes. A todos, de 1923 até aos dias de hoje, pois as medalhas e recordes conquistadas neste novo século são o resultado da semente lançada à água pelos iniciadores dos desportos aquáticos no clube.
sábado, setembro 25, 2004
Convívio de Bloguistas Belenenses
Depois de um ano a conviver diariamente à distância de um clique, os bloguistas azuis realizaram o seu primeiro convívio, precisamente no nosso querido complexo desportivo do Restelo. As imagens do Convívio encontram-se disponíveis em site criado para o efeito, com o endereço http://osbelenenses.no.sapo.pt.
Relativamente ao encontro importa assinalar dois aspectos essenciais: por um lado a importantíssima componente de convívio entre pessoas que, apesar de se conhecerem relativamente bem, não se conheciam em muitos casos pessoalmente; por outro lado, o facto deste convívio ter incentivado ainda mais todos aqueles que dedicam grande parte do seu tempo livre ao Belenenses, no sentido de continuarem este trabalho importante, de discussão dos problemas do clube, divulgação e valorização do Belém!
Um nota ainda para o Paulo Jesus, que há muito tempo vinha propondo este encontro, e que finalmente o viu concretizado: recebe do Blog do Belenenses um grande abraço azulão, de amizade e de ânimo para as duras batalhas que se aproximam...
Relativamente ao encontro importa assinalar dois aspectos essenciais: por um lado a importantíssima componente de convívio entre pessoas que, apesar de se conhecerem relativamente bem, não se conheciam em muitos casos pessoalmente; por outro lado, o facto deste convívio ter incentivado ainda mais todos aqueles que dedicam grande parte do seu tempo livre ao Belenenses, no sentido de continuarem este trabalho importante, de discussão dos problemas do clube, divulgação e valorização do Belém!
Um nota ainda para o Paulo Jesus, que há muito tempo vinha propondo este encontro, e que finalmente o viu concretizado: recebe do Blog do Belenenses um grande abraço azulão, de amizade e de ânimo para as duras batalhas que se aproximam...
sexta-feira, setembro 24, 2004
Sobre os convidados de ontem...
Belenenses e Benfica empataram ontem a duas bolas, no jogo que marcou o ponto alto do calendário desportivo das comemorações do 85º aniversário do Belenenses. Sobre o jogo já muito se escreveu, mas não faz mal nenhum voltar a repetir que a nossa equipa demonstrou uma vez mais carácter, alegria, fio de jogo e sobretudo uma atitude competitiva de excepção. Por duas vezes estivemos a perder e por duas vezes chegámos à igualdade... mais 15 minutos e a vitória seria bem provável. Os 15 minutos à Belenenses voltaram. Ainda bem!
Todavia, este texto destina-se a levantar algumas questões acerca do assunto que “aqui e ali” vai sendo discutido, algumas vezes com argumentos sólidos, outras vezes com apontamentos de humor que não escondem o mal estar que este jogo com o Benfica gerou entre uma parte dos sócios do nosso clube.
As relações entre Belenenses e Benfica viveram ao longo da história momentos de tensão. Alguns desses episódios já foram lembrados aqui, no Blog do Belenenses, e todos temos com maior ou menor conhecimento de causa, noção perfeita deles.
Esta tensão histórica sempre resultou do facto de nós sermos considerados pela generalidade dos benfiquistas como um género de pedra no sapato, verdadeiro entrave a uma dominação por parte do clube da Luz da cidade de Lisboa. Assim, se relativamente ao Sporting existe por parte dos da Luz uma atitude de doentia competição, no que diz respeito ao Belenenses a atitude é bem mais de irritação e má convivência.
Vem isto a propósito da polémica que constituiu o convite que foi endereçado pela direcção do Belém ao Benfica, para o jogo do 85º aniversário azul. É certo que este convite tem origens noutras guerras – também elas geradas pelo Benfica, como bem sabemos -, mas um convite para um aniversário é algo especial...
A pouca afluência de belenenses ao jogo de ontem prova que os nossos sócios e adeptos não têm memória curta. E é um sinal que deve ser entendido pela direcção do clube. Atenção: não discordo pessoalmente do reatamento de relações com os encarnados, até porque um dia isso teria de acontecer. Mas uma coisa é reatar relações... outra bem diversa é dar-lhes a honra que não merecem: a de comemorar os 85 anos do Clube de Futebol “Os Belenenses”.
Prova disso foi o comportamento dos adeptos do Benfica ao longo dos 90 minutos do jogo. De tudo se ouviu ontem no Restelo: cânticos de apoio ao Atlético, os “Parabéns” cantados em coro depois do 1º golo dos visitantes, em jeito de provocação, e mensagens do mais ofensivo possível dirigidas ao nosso clube (cujo conteúdo não coloco aqui por educação e desprezo). Tudo isto na nossa casa, caros consócios...
Senti-me como o dono da casa que vê um estranho pousar os pés em cima da sua mesa. E logo no dia do seu aniversário...
Pela minha parte foi o último jogo amigável a que assisti com o Benfica. Pelo menos enquanto a atitude dos benfiquistas perante o Belenenses continuar a ser tão hostil como patética. Jogos amigáveis disputam-se com clubes amigos... e o do ontem... amigo não é.
Todavia, este texto destina-se a levantar algumas questões acerca do assunto que “aqui e ali” vai sendo discutido, algumas vezes com argumentos sólidos, outras vezes com apontamentos de humor que não escondem o mal estar que este jogo com o Benfica gerou entre uma parte dos sócios do nosso clube.
As relações entre Belenenses e Benfica viveram ao longo da história momentos de tensão. Alguns desses episódios já foram lembrados aqui, no Blog do Belenenses, e todos temos com maior ou menor conhecimento de causa, noção perfeita deles.
Esta tensão histórica sempre resultou do facto de nós sermos considerados pela generalidade dos benfiquistas como um género de pedra no sapato, verdadeiro entrave a uma dominação por parte do clube da Luz da cidade de Lisboa. Assim, se relativamente ao Sporting existe por parte dos da Luz uma atitude de doentia competição, no que diz respeito ao Belenenses a atitude é bem mais de irritação e má convivência.
Vem isto a propósito da polémica que constituiu o convite que foi endereçado pela direcção do Belém ao Benfica, para o jogo do 85º aniversário azul. É certo que este convite tem origens noutras guerras – também elas geradas pelo Benfica, como bem sabemos -, mas um convite para um aniversário é algo especial...
A pouca afluência de belenenses ao jogo de ontem prova que os nossos sócios e adeptos não têm memória curta. E é um sinal que deve ser entendido pela direcção do clube. Atenção: não discordo pessoalmente do reatamento de relações com os encarnados, até porque um dia isso teria de acontecer. Mas uma coisa é reatar relações... outra bem diversa é dar-lhes a honra que não merecem: a de comemorar os 85 anos do Clube de Futebol “Os Belenenses”.
Prova disso foi o comportamento dos adeptos do Benfica ao longo dos 90 minutos do jogo. De tudo se ouviu ontem no Restelo: cânticos de apoio ao Atlético, os “Parabéns” cantados em coro depois do 1º golo dos visitantes, em jeito de provocação, e mensagens do mais ofensivo possível dirigidas ao nosso clube (cujo conteúdo não coloco aqui por educação e desprezo). Tudo isto na nossa casa, caros consócios...
Senti-me como o dono da casa que vê um estranho pousar os pés em cima da sua mesa. E logo no dia do seu aniversário...
Pela minha parte foi o último jogo amigável a que assisti com o Benfica. Pelo menos enquanto a atitude dos benfiquistas perante o Belenenses continuar a ser tão hostil como patética. Jogos amigáveis disputam-se com clubes amigos... e o do ontem... amigo não é.
PALAVRAS QUE FORAM DITAS 23: Um Quarto de Hora à Belenenses

No Suplemento ao nº 66 do jornal portuense «O Az», de Julho de 1932, encontra-se uma CARTA ABERTA ao Clube de Futebol «Os Belenenses», que aqui reproduzimos, pelo testemunho imparcial (perante o qual, respeitosamente nos inclinamos) que constitui de um grande feito do Belenenses:
“Nunca o ‘AZ’ foi uma publicação que se preocupasse com manifestações de bairrismo inferior, porque o nosso conceito filosófico de vida social nos ensina que os homens são todos iguais à face da lei comum da natureza, tenham eles nascido no Porto ou em Lisboa, em Paris ou na Alemanha.
Nesse momento em que vós, peitos a descoberto e um formoso ideal no cérebro, ides encontrar-vos com a aguerrida e simpática equipa do Futebol Clube do Porto, o nosso desejo que triunfeis, não nasce das circunstâncias de temos nascido em Lisboa, como vós, mas assim da estupenda admiração do vosso feito, nesse mesmo campo de Coimbra realizou em 3 de Julho provocou no nosso coração de desportistas.
Depois do que por vós foi feito, ninguém mas absolutamente ninguém com mais direito do que o Clube de Futebol ‘Os Belenenses’ pode ostentar nesta época, o título de Campeão de Portugal!
O que vós fizesteis em 3 de Julho, deste nunca esquecido para os desportistas de Lisboa ano de 1932, foi qualquer coisa de assombroso, surpreendentemente, quase inverosímil pela fé indomável que pusestes na luta, pela energia fantástica de que destes cabalíssimas provas, pela alma generosa e brava que foi posta nesse combate titânico e extraordinariamente belo que tivestes de sustentar contra o público na sua maioria hostil mas que, por fim, foi forçado a reconhecer o vosso formidável valor de rapazes e desportistas!
E esse foi sem dúvida, o vosso maior e mais indesmentível triunfo! Entraste nessa tarde em campo em condições de inferioridade notáveis: público, estado físico dos jogadores, forçados por duros «matches» que o adversário não teve, ambiente desfavorável e até mesmo a sorte do jogo que vos foi adversa logo de início.
Começando o ‘match’ a toda a velocidade, o Porto consegue, em rápidos minutos, o seu primeiro golo. Vem logo após outro e quando o primeiro tempo termina, vós, cansados e esgotados por mil e um factores, tendes em desvantagem dois golos. Para ganhardes, preciseis de conseguir três pontos.
É difícil, quase impossível…
O público do Porto delira, o entusiasmo chega ao paradoxismo. É impossível a vitória para os rapazes de Belém. O Porto tem o campeonato de Portugal nas mãos…
Que é de Belém? Que é feito do Belém?
Apagou-se, esmagado pela fortíssima vantagem do Porto? Parece que sim, porque aos dez minutos desta parte vem o terceiro ponto dos Campeões do Norte. 3-0!
Que formidável punição para o vosso brio de homens do desporto, em que confiavam os que estavam em Lisboa lendo assiduamente os placards dos jornais, ou ouvindo, emocionados, os relatos da T.S.F.!
Mas este ponto acorda-vos as energias e desperta-vos o sentimento do dever. Decorrem oito minutos. E oh! Augusto Silva, o vosso o nosso Augusto Silva, num golpe assombroso de energia marca o ponto de honra. Supõe-se que é o ponto de honra… Palmas aos lisboetas.
3-1. Mas é tão pouco… Nada vos livra da derrota. Pinga acaba agora mesmo de marcar o quarto golo do Futebol Clube do Porto… É o fim. Os «belenenses» estão perdidos, sucumbidos, e têm de deixar fugir o título máximo para o Porto.
O público de Lisboa descrê.
Faltam só 15 minutos para o jogo terminar. A vitória do Porto é inevitável. Os portuenses rejubilam, delirantes, embriagados pelo triunfo que é certo, certíssimo, fatal como o destino.
Mas, eis que se opera o milagre!
E vós, jogadores de Belém, jogadores de Lisboa, vontade, energia, alma brio, valentia, ralé, essa vossa sagrada e bendita ralé, tudo amassado no mesmo cadinho de fé e de valor, sois sacudidos por um empurrão violento de dignidade, de consciência da responsabilidade que sobre vós impede!
Um alto e nobre sentimento de luta leal e digna sacode-vos dos pés à cabeça!
Vamos a isso rapazes!
E foi belo, e foi bonito, e foi comovente até às lágrimas!
Todos vós como um só, porque uma vontade vos absorvia e embriagava, vos lançastes nesse glorioso prélio desportivo, não disposto a vender cara a derrota, mas antes, com o terrível handicap de três golos, dispostos a vencer, vencer, vencer!
Luta homérica, foi essa, em que todos nós emocionados, olhos brilhantes, escaldando de febre, doidos, apopléticos, assistimos a esse espectáculo até então inédito nos anais da história do desporto português.
E de 1-4, triste record que vos era legado por um team que não merecia tanto, veio o 2-4, 3-4 e 4-4, e só não veio a vitória almejada, porque uma infelicidade cruel e caprichosa a impediu.
Desde esse momento solene o grandiloquente, o Clube de Futebol «Os Belenenses», merecia, sem nenhuma espécie de favor, o título de Campeão de Portugal!
Isto que vós fizestes, foi escrever a mais linda e embriagadora página de que se pode orgulhar o desporto português.
Nunca ninguém o tinha feito!
Nunca ninguém, a não ser vós, o poderá repetir!
Essa maravilhosa página que escrevestes nos faustos do vosso Clube, e na História das nossas lutas desportivas, foi a razão desta carta que, supomos interpretar os votos de quarenta, de cinquenta mil desportistas de Lisboa!”
Refere-se este texto à final do Campeonato de Portugal de 1931/32. Em jogo com o F.C.Porto, depois de estar a perder por 4-1, o Belenenses recuperou espectacularmente no último quarto de hora, e empatou por 4-4. Na finalíssima, duas semanas depois, perdemos por 2-1. Mas, no ano seguinte, recuperámos o título, batendo o Sporting, na final, por 3-1 (o mesmo Sporting que, naquela época de 31/32, batêramos nos oitavos de final por 6-0 e 9-0)!
quinta-feira, setembro 23, 2004
PALAVRAS QUE FORAM DITAS - 22 - Artur José Pereira e a Fundação do Belenenses

Passam hoje, dia 23 de Setembro, 85 anos de vida do Belenenses! É uma data que nos enche de júbilo e comoção, que nos evoca incontáveis êxitos e desventuras, tormentas e conquistas: uma história de paixão e resistência!
“SOMOS TODOS DE BELÉM, PORQUE HAVEMOS DE JOGAR PELOS ‘OUTROS’?”, perguntava Artur José Pereira, o principal fundador do Belenenses, com a sua férrea vontade de autonomia, inconformado por não haver um clube verdadeiramente belenenses. Um havia acabado (a União Belenenses), o outro (o Sport Lisboa) acabara por se fundir com um outro, de Benfica.
Mas, Artur José Pereira, que já depois da sua morte era ainda considerado “o maior futebolista português de todos os tempos” (entre outros, por Cândido de Oliveira), persistiu e acabou por cumprir o seu sonho – UM SONHO QUE NÃO PODEMOS DEIXAR MORRER NEM SEQUER MENORIZAR-SE. Devemos-lhe isso. Estou certo de que, SE ELE ESTIVESSE ENTRE NÓS, HAVERIA DE LIDERAR A LUTA POR UM BELENENSES FORTE E ALTANEIRO, QUE A NENHUM OUTRO CLUBE OU PODER SE SUBALTERNIZASSE.
Acácio Rosa, na sua história do Belenenses, escreveu muito sobre Artur José Pereira. Citamos aqui dois excertos muito significativos:
“ (…) O drama deste genial futebolista, a quem o desporto-rei ficou tanto a dever, que teve o infortúnio de viver em épocas de profissionalismo pecaminoso, consumiu os mais vigorosos anos da sua vida em empregos que nada lhe diziam… Deveria ter nascido quarenta ou mesmo sessenta anos mais tarde? Talvez. Mas também nos ocorre perguntar: se tal tivesse acontecido, o futebol português seria tão cedo adulto sem a sua presença?
Já no ocaso da sua carreira, tinha uma mágoa que consistia no seguinte: Belém, o seu bairro amado, berço de tantos futebolistas de valor e que criara o Sport Lisboa… Belém da ‘Cruz de Cristo’ não tinha, agora, um clube desportivo à altura do valor da sua juventude. Quando da fusão do Sport Lisboa com o Grupo Sport de Benfica, isto em 1908, Artur vaticinara na ocasião que o velho Sport Lisboa iria desaparecer com a absorção do outro bairro, ficando o novo clube para sempre com o nome de «Benfica». E assim sucedeu. Quem nos anos vindouros recordaria que Belém teve maior peso e número de valores do que o Benfica? Este bairro deu, sim, um contributo importante… Qual? O campo desportivo da Quinta da Feteira.
Finda a época de 1918/19, Artur José Pereira teve um encontro com Jorge Vieira, então soldado do Batalhão de Telegrafistas e sondou-o sobre a sua saída do Sporting: «Ó Jorge, achas que o Chico Stromp se zanga comigo se eu sair do Sporting para ir fundar um clube aqui em Belém?» - Jorge Vieira abordou o antigo capitão «leonino», outro grande desportista e figura moral do nosso desporto, ao que Stromp, de coração ao pé da boca lhe respondeu: ‘ Olha Jorge, diz a esse gajo que vá à merda e que funde o tal clube de Belém’.
A ideia jamais deixou de se avolumar até que numa noite de fins de Agosto desse ano, num banco de jardim da Praça Afonso de Albuquerque, Artur José Pereira, seu irmão Francisco Pereira, Henrique Costa [o sócio nº 1 e outro grande dinamizador], Carlos Sobral, Joaquim Dias, Júlio Teixeira Gomes, Manuel Veloso e Romualdo Bogalho lançaram os alicerces para a formação de um novo clube. O dr. Virgílio Paula e o engº. Reis Gonçalves [este, o 1º Presidente do clube] foram as primeiras individualidades a serem consultadas a tal respeito e a darem o maior apoio à iniciativa.
E, assim, do quase já esquecido Sport Lisboa renasceu, em Belém, o Clube de Futebol «Os Belenenses».
(...)
Quando morreu em 6 de Setembro de 1943, com 53 anos, fora a tuberculose que o destruíra. Mas o sr. Manuel acrescentou: ‘O Artur morreu tuberculoso, mas não culpemos o futebol. Quem o matou foi o Amor, o Amor que ele, ao longo da vida, nunca deixou de procurar…’”.
Noutra parte do seu livro, escreve Acácio Rosa, reproduzindo uma ilustre opinião:
“Artur José Pereira morreu. Aquele que foi o maior de todos, no futebol português, deixou a vida ao alvorocer do dia 6 de Setembro de 1943, numa casinha humilde do campo, situada num vasto panorama de terras e flores, tendo a seu lado a sua dedicada esposa e uma sobrinha que era todo o seu enlevo. Porque Artur José Pereira atravessou a vida com uma grande ternura. Na competição do futebol dava-se inteiramente à luta, com paixão, e por vezes com excessivo vigor físico. Mas ninguém tinha como ele o culto da camaradagem e o sentido de protecção do mais fraco.
Multiplicava-se em campo para não serem notados os erros ou as fraquezas dos seus companheiros. Era um homem.
Quem o visse entrar um dia no terreno do jogo, desgrenhado, com o cabelo levemente descaído para a testa, balouçando o corpo no ritmo sempre igual, forte e vigoroso, e o visse depois, mais tarde, intervir nas jogadas, não só em habilidade, como em força e por vezes em violência, julgaria estar em presença de um homem em estado primitivo, duro e incapaz de amar ou de se enternecer.
Nada mais Falso. Artur José Pereira era de sensibilidade agudíssima. A infelicidade ou tristeza dos outros comoviam-no profundamente. O seu coração sangrava e sofria, no contacto com a vida. Um corpo forte com a alma de uma criança!’
Eu conheci o Artur há muito tempo, na convivência quasi diária do “Martinho’. O maior jogador jogador português despedia então os últimos golpes, preparando-se para arrumar definitivamente, sem dúvida com tristeza, as botas que melhor souberam repelir e acariciar a bola de cautechu.
Mas a sua figura enchia ainda o futebol. E de tal forma que os jogadores novos, principalmente os de teams escolares, tinham a preocupação de imitar o inimitável player, no seu modo de andar, na forma de chutar, na colocação do terreno e noutros pormenores que davam à sua figura um estilo inconfundível.
Não há dúvida. Artur José Pereira, que nunca estudou o jogo pelos livros ou pelo ensino do treinador, conhecia o jogo como ninguém. Ele foi o precursor do jogo moderno, adivinhando, por intuição e instinto, tudo quanto dizia respeito a táctica e sua execução.
Artur José Pereira foi jogador, treinador e árbitro. Começou na praia, nas terras do Embaixador, como todos os rapazes do seu tempo e do seu sítio, fazendo habilidades com a bola de trapo.
(…)
Como árbitro ainda e jogador conseguiu afirmar-se. Mas onde os seus conhecimentos de jogo se puseram em destaque foi exercendo o lugar de treinador. Desempenhou esse cargo, durante muitos anos, no Belenenses, não citando já o seu concurso à Selecção Nacional, na companhia do seu grande amigo Cândido de Oliveira, com a maior das proficiências e completa dignidade. O Belenenses, que ele fundou, era a grande paixão da sua vida. Pertencia àquele tipo de treinadores que transformam cada jogador num amigo. Os jogadores obedeciam-lhe cegamente porque ele sabia mandar, não deixando de o fazer, por vezes com dureza. Fez assim alguns jogadores, alguns deles de grande renome. O público conhecia essa sua tarefa. E dizia-se: ‘Naquele vê-se o dedo do Artur’;’Este foi o Artur que o fez’. E estes que o Artur tinha feito respeitavam-no.
(…) o seu último jogo oficial foi a 22 de Março de 1922.
Ainda novo, com cinquenta e dois anos, morreu Artur José Pereira. O seu enterro pode classificar-se como uma manifestação grandiosa de solidariedade desportiva, a um tempo de carinho e de homenagem, que transcende a cor clubista. Nem de outra forma podia ser. Enterrou-se a 8 de Setembro o maior jogador português de todos os tempos”.
ARTUR JOSÉ PEREIRA, UM NOME E UM EXEMPLO A NUNCA ESQUECER!
Mas continuemos. Nasceu pobre, o Belenenses, num jardim da Praça Afonso de Albuquerque. Os jogadores equipavam-se… em casa de Artur José Pereira. Num simples quarto, era a sede do nosso clube. Mas havia uma grande alma… Um imenso amor ao Belenenses… E rapidamente o clube se impôs!
Na edição do Jornal do Belenenses de 27 de Setembro de 1956, há um longo artigo de Ramiro Farinha, com o título “Página da História dum Grande Clube”. Vamos transcrever algumas passagens:
“Começara o campeonato de Lisboa (…) Na primeira jornada, em 28-XII-1919, o Belenenses derrotou o Internacional por 3-2 e um mês depois venceu o Benfica por 2-1. Esta vitória, como atrás dissemos, constituiu a primeira ‘coroa’ de glória do clube.
A propósito desta vitória sobre o Benfica, Francisco José Pereira, irmão do saudoso Artur José Pereira, descreveu-nos, há tempos, essa inesquecível jornada, ainda com certa emoção:
- Foi uma alegria doida! – disse-nos. E acrescentou:
- Quando chegámos a Belém, tivemos, por parte da população, uma carinhosa recepção. À noite formou-se um cortejo à frente do qual seguia a banda da Sociedade ‘Alves Rente’. Esse cortejo dirigiu-se a minha casa, onde meu irmão, pela fama e prestígio de que gozava, e também porque tinha sido o inspirador e principal obreiro do nosso clube, foi alvo de uma grande manifestação.
Disse-nos ainda Francisco José Pereira.
- Nessa noite, em minha casa, chorou-se de alegria. O nosso querido Belenenses, em cujo êxito quase ninguém acreditava, acabava de dar um exemplo do seu grande valor, valor que havia de perdurar até aos nossos dias e que perdurá sempre para honra da gente de Belém e do Desporto Nacional.
Merece a pena referir a circunstância do Belenenses ter vencido o Sporting por 1-0 no primeiro jogo em que defrontou a turma ‘leonina’. O facto deu-se nas meias finais do já referido campeonato de Lisboa, na tarde de 18 de Abril.
A final deste campeonato disputou-se em dois jogos entre Benfica e Belenenses, no velho campo de Palhavã.
O entusiasmo provocado por estes encontros foi indescritível. Basta dizer que a Associação de Lisboa conseguiu que dez camionetas fizessem carreiras consecutivas com partidas do Rossio”.
No mesmo jornal, há uma entrevista a Joaquim Dias, sócio nº 13 do clube. Dela, também retiramos alguns excertos:
“A verdadeira primeira sede foi ali – e Joaquim Dias apontou-nos o seu quarto de dormir -, era onde as reuniões se faziam e a minha saudosa mãe passava a ferro e tratava dos equipamentos dos nossos jogadores (…)
- Já deve ter, quem ao desporto dedicou toda a sua vida, alguns momentos dos maus e dos bons. Quer dar-nos um exemplo de cada um?
- Bom, sempre que ganhamos e, especialmente, quando conquistámos o Campeonato de Portugal e a Taça.
- E dos maus?
- A morte de Pepe, em que infelizmente fui eu, na qualidade de director nessa altura, incumbido de fechar a porta da sede, quase tendo sido esmagado pela avalanche do povo que pretendia ver o seu ídolo pela última vez.
- Agora que falámos do passado, que me diz da obra erigida no Restelo?
- Apenas uma palavra, a qual julgo chegar para demonstrar sobejamente a alegria que me vai na alma: admirável! Esta afirmação não receia desmentido para quem, como eu, leu, em letra de forma, a opinião dada por Cosme Damião, a nosso respeito, na altura da fundação: ‘O Belenenses, como qualquer outro clube que se forme, não durará mais de três meses’.
- Afinal, concluiu Joaquim Dias com satisfação, tudo saiu ao contrário’”.
Cosme Damião foi o grande artífice do Sport Lisboa e Benfica. Joaquim Vieira, um dos fundadores do Belenenses, expressa claramente a luta de sempre do Belém para não ser esmagado… resistir… ter o seu espaço… crescer livre, independente e orgulhoso… e obter as suas conquistas!
Com o devido respeito por quem já morreu, efectivamente Cosme Damião enganou-se. Passámos os três meses… e cá estamos há 85 anos! E prontos para os próximos 85!!!
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