Artigo da autoria do nosso treinador Carlos Carvalhal, publicado no seu Site Oficial, e recomendado pelo "bloguista" Carlos Costa e Silva:
No dia seguinte ao jogo disputado com o Rio Ave, e depois da habitual noite muito mal dormida após jogo, dou comigo a concluir um conjunto de ideias.
Defrontamos uma verdadeira "equipa" e empatamos o jogo porque fomos também uma Equipa na verdadeira acepção da palavra.
O Rio Ave, honra ao seu treinador Carlos Brito, é uma equipa muito bem organizada. Possui um jovem treinador, muito metódico, com uma forte personalidade e que tem uma ideia de jogo (modelo de jogo) muito bem definida. A sua ideia assenta em princípios de jogo muito bem esclarecidos e assimilados pelos seus jogadores, com a vantagem de estar a trabalhar há muito tempo com estes.
É claro para mim, ao estudar previamente esta equipa do Rio Ave, as dificuldades que iríamos encontrar no jogo. Não tem nomes sonantes, mas o Rio Ave, sob as ordens de Carlos Brito, tem feito contratações (dentro dos limites orçamentais) muito acertadas, de forma a colmatar a perda de jogadores (poucos) que saem do clube.
Por falar em jogadores que se valorizam e saem para clubes melhores, é um caso clássico de jogadores que se valorizam, porque a equipa no seu todo funciona. "Um bom solista, evidencia-se muito mais numa boa orquestra do que numa má".
Este um bom exemplo a seguir pelos clubes. Um bom treinador, metódico, com tempo para trabalhar... tem resultados.
O nosso Belenenses deu uma prova de grande maturidade e ambição. Fomos uma Equipa, os que jogaram de início, os que entraram, os que sofreram no banco e de certeza aqueles que por este ou aquele motivo não foram convocados.
Estou muito orgulhoso pelos meus jogadores, pela nossa Equipa. Que grande carácter, que personalidade individual e colectiva... Acreditar até ao final, lutar até à exaustão, até ao limite das capacidades... cumpre o Homem através do desporto uma das maiores virtudes da sua essência, o conhecimento dos seus limites, a superação...
Independentemente do resultado final, a satisfação seria enorme, com aquele final é uma realização momentânea... é que vem aí outro jogo no domingo.
quinta-feira, setembro 16, 2004
quarta-feira, setembro 15, 2004
A DÉCADA DE 80 (Continuação) - PARTE V - CONCLUSÕES - SECCÃO IV – Outros Problemas e Algumas Soluções

Depois de termos visto, nos três artigos anteriores, os grandes problemas fundamentais emergentes durante os anos 80 (esfriamento da paixão clubística, perda de identidade, falta de ambição e orgulho), vamos concluir estas reflexões com alguns outros problemas e, também, com a referência aos aspectos bons que a mesma década teve.
Entre os problemas, eu gostava de destacar a estagnação ao nível das instalações. Fez-se pouco. As piscinas continuaram paradas. O estádio recebeu as primeiras cadeiras (nos sócios com lugar cativo) a meio da década, a melhoria da iluminação imposta pelo regresso às competições europeias, algumas obras nos balneários… e pouco mais. Sobretudo, muito pouco para uma década inteira. O espaço do Restelo tinha muitas vezes um aspecto desleixado, quase desolado, estranhando eu porque, ao menos, não se limpavam certas zonas. Neste contexto, é justo destacar o que se fez nos últimos anos. Sequeira Nunes e Cabral Ferreira estão de parabéns! O complexo desportivo actualmente existente no Restelo, com a ampliação, renovação e atenção que lhe foi dada, é um património magnífico – para o Belenenses, para a cidade, para o país. O clube tem hoje 7.000 pessoas a praticar desporto…é obra! Um motivo de grande orgulho!
Também não houve, na 2ª metade da década de 80, uma correcta aposta na formação. Tome-se o exemplo do futebol: tirando Rui Gregório (que pode ter passado ao lado de uma grande carreira…), praticamente mais ninguém chegou a jogar com um mínimo de regularidade na equipa principal. Vale a pena aqui lembrar que, no ano terrível de 1982, Acácio Rosa trouxe Carlos Queirós para coordenar as camadas jovens do clube, em termos financeiros muito vantajosos para o Belenenses. Foi, posteriormente, dispensado! Não estou a endeusar Carlos Queirós – nunca o fiz, nem sequer é figura que me seja especialmente simpatia – mas tal dispensa foi uma decisão muitíssimo infeliz!
Outro aspecto, que já referi em anteriores artigos, foi a despreocupação com a diminuição das assistências, que já se começava a notar. E, aqui, faço um parêntesis para me congratular por – finalmente!!! – o assunto estar na ordem do dia e a merecer a atenção que a importância e a urgência do problema justificam. Ainda há três meses, quando neste blog comentei que aumentar as assistências era talvez a maior prioridade para a nova época, recebi uma resposta irónica! Ainda bem que pessoas como o Nuno Gomes e o Pedro Patrão insistiram e “obrigaram” a que o tema fosse mesmo objecto de atenção séria. Claro que, na década de 80, as assistências no Restelo deviam ser, em média, 3 ou 4 vezes superiores às actuais (veja-se fotos dos “Momentos” e outras publicadas nesta série de artigos). Mas eu já notava o problema que se ia gerando.
Lembro-me de, em conversas nos treinos, perguntar porque não se distribuíam convites aos jovens das escolas, sobretudo as das zonas envolventes de Belém; porque nos jogos europeus, ocasião privilegiada para projectar o clube, se punham preços tão caros e proibitivos; porque não se reduziam proporcionalmente os preços dos bilhetes para as bancadas inferiores do estádio, para este não parecer vazio (e permitir a presença de pessoas com menos posses); porque não se apoiavam mais as claques (na altura, só uma) e não se colocava gente azul em lugares que precisavam de ser animados, etc, etc, etc. Deparava-me com uma total indiferença… Hoje, o resultado dessa indiferença está à vista. Foi preciso esperar quase 20 anos para se tomarem medidas. Medidas que hoje serão bem mais penosas: era muito mais fácil atrair público quando o Belenenses tinha jogadores como um Mladenov, ganhava a Taça de Portugal, andava nas competições europeias, estava no pódio do campeonato… (devo contudo referir que as assistências, no Restelo, quando aumentam é menos por causa de boas classificações e sim, principalmente, por se “puxar” pela alma, pela garra, pela raça do clube. Gostava de enfatizar este ponto!)
Finalmente, quero referir um certo novo riquismo que então se instalou no Restelo. Tomaram lugar alguns dirigentes de plástico, tão preocupados com a sua imagem como despreocupados com a do clube. Noutro artigo, mencionei a ausência de reacção de certos dirigentes quando o clube era atacado ou menosprezado; mas eram esses mesmos dirigentes que não se esqueciam de reagir se a sua imagem pessoal era beliscada… De resto, vem a propósito referir os dias inteiros em que o Restelo parecia uma “quinta sem dono”. Parecia não haver por ali um único dirigente. Penso que, por vezes, faltou dedicação. Sei do que falo quando me refiro a dedicação graciosa. No entanto, se graciosamente não se consegue assegurar todo o constante acompanhamento contínuo de que o clube precisa, então, que se ceda ao pragmatismo, profissionalizando o que necessita de ser profissionalizado. E, então, tem que haver muito rigor e exigência de serviço!
Bom, mas os anos 80 também trouxeram coisas boas!
Em primeiro lugar, a capacidade de o clube ressurgir da crise que o fizera cair na 2ª Divisão. Poderia ter sido um afundamento definitivo! O Belém reagiu como só os grandes sabem reagir.
Depois, houve, durante anos, até à conquista da Taça de Portugal, a construção coerente de uma equipa: a criação de uma espinha dorsal, mantendo-se o que era de manter, e melhorando-a todos os anos com 2, 3, 4 jogadores! Há que dar esse mérito a Mário Rosa Freire e, entre outros, a José Silva, Carlos Silva e Barcínio Pinto. É justamente o que, em meu entender, devemos fazer nos próximos anos. Temos esta época uma base de jogadores de muito razoável qualidade. As contratações de Amaral, Juninho, Zé Pedro, por exemplo, foram excelentes. Há que assegurar a manutenção dos jogadores que interessam (salvo se surgir alguma muito boa proposta de clube estrangeiro), ir acrescentando 3 ou 4 jogadores de verdadeira qualidade cada temporada (desde logo, claro, para as posições mais carenciados), acabar de vez com jogadores emprestados por nossos rivais, lançar progressivamente jovens vindos da nossa formação ou de um trabalho de prospecção, estabilizar um modelo de jogo (falei disso num artigo chamado “Perfis” e fico contente de ver o Carvalhal, em entrevista ao jornal do Belenenses, dizer isso mesmo). Assim, iremos “lá”; e espero que, contrariamente ao que aconteceu há 15/18 anos atrás, haja a ambição de chegar sempre mais longe!
Ainda nos anos 80, conseguiu-se uma boa fonte de receitas, com a sala do bingo. Pena foi que, durante anos, o clube se tenha encostado a isso, também nesse aspecto não procurando novas formas, meios adicionais, soluções complementares.
Também é de elogiar o ressurgimento do jornal do Belenenses, salvo erro em 1987. Anos depois, como se sabe, veio um interregno e só mais recentemente o retorno. Esperemos que, desta vez, para não mais parar e, sim, para se ampliar e melhorar sempre mais!
Termino aqui a longa alusão à década de 80. Os próximos artigos serão sobre a década de 70. Depois, virá um balanço final sobre o passado a que assisti e, em seguida, o direccionamento para o futuro!
Palavras que foram ditas 21 - O Regresso de D. Sebastião Lucas da Fonseca Matateu

Em Abril de 1987, Matateu voltou, enfim, a Portugal (vindo do Canadá) e à casa Belenenses, fazendo jus ao seu nome – Sebastião. Encheu-nos de alegria, especialmente aqueles que o reencontravam, o puderam tratar familiarmente por Lucas, os velhos belenenses que assistiram aos seus temos de glória, quando era o terror dos guarda-redes adversários (incluindo um que, provocantemente, em vésperas de um encontro, dissera que não conhecia quem era o Matateu, e ainda não era volvido um minuto de jogo, já tinha dentro da sua baliza um golo à Matateu…).
Em termos mais públicos, Matateu esteve presente no Restelo em dois jogos, um contra o Farense, o outro para o Benfica (este com uma assistência fantástica!) e acabou por aceitar, com relutância, ir a um programa televisivo, pondo como condição que também estivesse presente Ângelo, antigo defesa do Benfica, e seu marcador (ás vezes com bastante dureza) em tantas pugnas…
E, a partir daqui, passamos a citar Neves de Sousa:
“Então, nesse momento de novo duelo, Matateu atirou, com o seu português sempre muito complicado:
- Ora conta aí, seu Ângelo, todas as porradas que você mi deste, pá!
Ângelo embatucou, [Ribeiro] Cristóvão sorriu, Matateu rasgou a boca. O mesmo sorriso, destapando dentes tão brancos como (afinal) a alma ainda pura do futebolista que marcou uma bela etapa de todo o futuro verde-rubro. A saudade que persiste ainda num Belenenses que, ao tombar do alto areópago [1º descida de divisão], provocou lá longe muita tristeza:
- Foi, mas não conte para ninguém. Chorei muito’”.
segunda-feira, setembro 13, 2004
Guerreiros!

Esta noite assistimos a um óptimo jogo de futebol, não muito bem jogado, mas com vontade de fazer golos de parte a parte. Pela parte do Belenenses, excelente final de partida, cheio de querer e vontade, de uma equipa que não se deixou abater pelas adversidades.
Estava o jogo morno, iniciado há uns minutos, quando um remate de Gama da esquerda tabela em Rolando (que o comentador da SporTV insistia em chamar Ronaldo, enfim...) e Marco Aurélio defende a custo. Na recarga, 1-0 para o Rio Ave, por Saulo. A equipa não se deixou abater, pegou no jogo e "caiu em cima" dos Vilacondenses. Antchouet tem uma perdida inadmissível num ponta-de-lança (pareceu demonstrar medo de ir isolado, procurando um companheiro que resolvesse) e o Rio Ave, num lance de cabeça, originado numa das mil falhas de Cristiano, podia ter dilatado. Mas até à meia hora de jogo, o Belenenses já merecia o empate. De repente, aos 30 minutos, o 2º do Rio Ave num pontapé de fora da área de Zé Gomes que tabela em Zé Pedro, desviando a bola de Marco Aurélio. Seguiu-se um período menos conseguido, com o Belenenses a acusar o golo, porém sempre a tantar mudar a sorte do jogo.
No reatamento, Carvalhal tira Marco Paulo e Rodolfo Lima, muito apagados, e faz entrar Lourenço e Brasília, que se tornou no homem do jogo, pelos 2 golos apontados. O Belenenses entra melhor mas, num contra-ataque, novo golo para o Rio Ave, com culpas para a nossa defesa. Parecia o fim, a equipa perdeu-se por uns 5 ou 10 minutos, mas voltou à carga, cada vez mais intensa, até que a 15 minutos do final Brasília na esquerda ganha espaço, remata, a bola tabela em Franco e ilude Mora. O Belenenses galvaniza-se, parte para cima do Rio Ave e Carvalhal troca Petrolina (apagado) por Neca, que viria a deixar o seu cunho no jogo. A 5 minutos do final, Neca leva a bola para o ataque, entrega atrás para Zé Pedro que marca um golo de bandeira. Por essa altura, há que dar mérito ao Rio Ave que sempre procurou o 4º golo, mesmo quando o Belenenses reduziu para 3-2. Marco Aurélio susteve uns remates perigosos dos atacantes do Rio Ave e, na última jogada do desafio, um jogador azul sofre uma falta a uns 30 metros da baliza. Brasília remata, não muito forte, a bola passa por entre um amontoado de jogadores sem tocar em ninguém e Mora, parecendo esperar o desvio da bola, atira-se tarde demais e fica com culpas no lance.
Destaque pela positiva no Belenenses para Brasília, Neca e Andersson e pela negativa para Marco Paulo, Amaral e, fundamentalmente, Cristiano. Uma menção honrosa para Pélé, que passou o jogo todo a fazer de central e lateral-esquerdo, pois Cristiano andava desaparecido em campo.
Em suma, uma exibição positiva da nossa equipa, apesar das vicissitudes do encontro. Souberam sempre levantar a cabeça e lutar. Está de regresso o quarto de hora à Belenenses!
Momentos...
Hoje, dia em que se joga a 2ª Jornada da Superliga 2004/05, o Blog do Belenenses recupera uma rúbrica iniciada no início do Verão, onde se pretende mostrar momentos marcantes do nosso clube. Por questões de racionalizar o espaço disponível, apresentamos uma foto directamente no Blog, estando as outras disponíveis através do link em página própria. Vejam as fotos e "galvanizem-se" para logo à noite. Os nossos agradecimentos a Eduardo Torres e João Gouveia pela disponibilização das imagens.

Imagens da vitória do Belenenses sobre o Benfica na Final da Taça de 1989
A Festa de despedida do nosso Feliciano. Na foto, dois outros grandes nomes do futebol português: o benfiquista Rogério (que teve a sua despedida na mesma foto), e Travassos, do Sporting. Note.se o ar digno e nobre de Feliciano. E veja-se nesta imagem uma realidade: O Belenenses em pé de igualdade com os seus dois rivais de Lisboa
A equipa que, no Restelo, iniciou a 2ª mão da eliminatória da Taça UEFA, contra o Bayer Leverkusen. Com duas vitórias por 1-0, o Belenenses afastou os alemães, vencedores da edição anterior. 17.000 pessoas no Restelo
O Restelo quase cheio (mais de 35.000 pessoas) num jogo contra o Benfica. Fazendo uma grande exibição, o Belenenses foi infeliz, e perdeu na transformação de um penalty escusado – que, como se vê na imagem, Jorge Martins quase defendia
Meia final da Taça de Portugal 88/89. O Belenenses bate o Sporting por 3-1, perante mais de 30.000 espectadores
O jogo contra o Mónaco no Restelo, na Taça das Taças, em Setembro de 1989. Presentes cerca de 15.000 pessoas, apesar de transmissão televisiva
Desafio Belenenses Benfica em Janeiro de 1990. Empate a zero. Juanico, em livre directo, vai rematar à trave. Veja-se a bancada do lado Tejo: cheia!
Jogo Belenenses – Benfica na época 89/90. Os capitães Juanico e Veloso cumprimentam-se. Assistência: 35.000 pessoas
Vitória 1-0 contra o F.C.Porto, até então invicto, na época 89/90, perante 25.000 espectadores. Na foto, Chiquinho é derrubado na grande área sem que nada fosse assinalado – uma constante contra certos clubes
O Estádio do Restelo, na década de 70, antes de um jogo grande. Ainda há gente nas ruas para entrar mas o Estádio já está quase totalmente cheio. Repare-se, nomeadamente, na enchente na bancada dos sócios
domingo, setembro 12, 2004
Andebol: derrota pesada na apresentação - Belenenses, 21 - Setúbal, 26
A equipa principal de Andebol realizou esta tarde, no pavilhão Acácio Rosa, o jogo de apresentação aos sócios. Assim, e poucas horas depois de ter disputado a final do Torneio do Boa Hora contra o Sporting (derrota por 21-24), o Belenenses recebeu a equipa do Vitória de Setúbal, num jogo amigável que abriu o calendário desportivo das comemorações do 85º aniversário do Clube de Futebol "Os Belenenses".
Nas bancadas encontravam-se algumas centenas de sócios e simpatizantes, bem como adeptos adversários. Todavia, e num jogo de "portas abertas" esperava-se mais público e mais apoio à nossa equipa...
Os minutos iniciais disputaram-se com grande equilíbrio. O Setúbal adiantava-se no marcador, para logo o Belenenses empatar. Todavia, só aos 08m:43s que a nossa equipa alcançou a primeira vantagem (5-4).
A meio do primeiro tempo o Belenenses alcançou a sua maior vantagem durante o jogo (3 golos). Durante este período, e muito por culpa da excelente exibição do nosso guarda-redes, o Belém teve a oportunidade de dilatar o marcador... Todavia, os níveis de concentração da equipa baixaram, e o Setúbal foi-se reaproximando no marcador.
Aos 28 minutos, os sadinos passaram para a frente do marcador (12-13), mantendo a vantagem de um golo até ao final do primeiro tempo.
Antes do início da segunda parte, alguns elementos da equipa entregaram camisolas oficiais à claque mais antiga do clube - a Fúria Azul - como forma de agradecimento pelo apoio ao longo de toda a temporada 2003/4. A iniciativa foi saudada com forte aplauso por parte dos sócios e adeptos presentes.
O segundo tempo iniciou com um penalty falhado por parte dos de Setúbal e com o golo do empate a 13. O Belenenses parecia querer dar a volta ao resultado... Todavia, e depois das duas equipas chegarem aos 10 minutos de jogo com uma empate (16-16), o Belenenses esteve mais de 8 minutos sem marcar. Durante este período a equipa do Setúbal construiu uma vantagem de 3 golos (17-20) que iria continuar a ampliar...
A falta de agressividade defensiva, o desacerto ofensivo (com grande hesitação no remate de meia distância e uma insistência irritante no jogo interior, com o pivot, quase nunca produtivo) e elevados níveis de desconcentração foram permitindo ao Setúbal gerir a vantagem e estragar a festa azul. Aos 25m:26s o Belenenses perdia por 19-25.
Conquistada uma vantagem suficientemente larga, o treinador sadino retirou de jogo os melhores elementos da equipa (o número 22, por exemplo) e colocou em campo jogadores "do banco", permitindo ao Belenenses reduzir ligeiramente a desvantagem para os 21-26 finais.
No final foi entregue à equipa setubalense a Taça Aniversário. A sua vitória foi indiscutível, e é bem possível que com a primeira equipa em campo durante todo o jogo a vantagem tivesse sido maior.
O Belenenses revelou carências ao nível do jogo ofensivo. Falta confiança no remate de meia distância e imaginação na hora de construir jogo. A equipa insiste no jogo dirigido ao pivot, mesmo quando esta solução é claramente desajustada à estratégia defensiva adversária.
Perder "a feijões" não é grave, mas a nossa equipa perdeu uma excelente oportunidade para fidelizar sócios e adeptos.
Nas bancadas encontravam-se algumas centenas de sócios e simpatizantes, bem como adeptos adversários. Todavia, e num jogo de "portas abertas" esperava-se mais público e mais apoio à nossa equipa...
Os minutos iniciais disputaram-se com grande equilíbrio. O Setúbal adiantava-se no marcador, para logo o Belenenses empatar. Todavia, só aos 08m:43s que a nossa equipa alcançou a primeira vantagem (5-4).
A meio do primeiro tempo o Belenenses alcançou a sua maior vantagem durante o jogo (3 golos). Durante este período, e muito por culpa da excelente exibição do nosso guarda-redes, o Belém teve a oportunidade de dilatar o marcador... Todavia, os níveis de concentração da equipa baixaram, e o Setúbal foi-se reaproximando no marcador.
Aos 28 minutos, os sadinos passaram para a frente do marcador (12-13), mantendo a vantagem de um golo até ao final do primeiro tempo.
Antes do início da segunda parte, alguns elementos da equipa entregaram camisolas oficiais à claque mais antiga do clube - a Fúria Azul - como forma de agradecimento pelo apoio ao longo de toda a temporada 2003/4. A iniciativa foi saudada com forte aplauso por parte dos sócios e adeptos presentes.
O segundo tempo iniciou com um penalty falhado por parte dos de Setúbal e com o golo do empate a 13. O Belenenses parecia querer dar a volta ao resultado... Todavia, e depois das duas equipas chegarem aos 10 minutos de jogo com uma empate (16-16), o Belenenses esteve mais de 8 minutos sem marcar. Durante este período a equipa do Setúbal construiu uma vantagem de 3 golos (17-20) que iria continuar a ampliar...
A falta de agressividade defensiva, o desacerto ofensivo (com grande hesitação no remate de meia distância e uma insistência irritante no jogo interior, com o pivot, quase nunca produtivo) e elevados níveis de desconcentração foram permitindo ao Setúbal gerir a vantagem e estragar a festa azul. Aos 25m:26s o Belenenses perdia por 19-25.
Conquistada uma vantagem suficientemente larga, o treinador sadino retirou de jogo os melhores elementos da equipa (o número 22, por exemplo) e colocou em campo jogadores "do banco", permitindo ao Belenenses reduzir ligeiramente a desvantagem para os 21-26 finais.
No final foi entregue à equipa setubalense a Taça Aniversário. A sua vitória foi indiscutível, e é bem possível que com a primeira equipa em campo durante todo o jogo a vantagem tivesse sido maior.
O Belenenses revelou carências ao nível do jogo ofensivo. Falta confiança no remate de meia distância e imaginação na hora de construir jogo. A equipa insiste no jogo dirigido ao pivot, mesmo quando esta solução é claramente desajustada à estratégia defensiva adversária.
Perder "a feijões" não é grave, mas a nossa equipa perdeu uma excelente oportunidade para fidelizar sócios e adeptos.
sábado, setembro 11, 2004
Imaginemos...
... que eu tenho um carro clássico, em excelente estado de conservação. Imaginemos agora que o Automóvel Clube de Portugal me pede o carro, porque está a preparar uma equipa para entrar na Mille Miglia, uma competição destinada a automóveis clássicos.
Como é óbvio, para mim é uma honra que o carro que tanto trabalho me deu a encontrar numa garagem esconsa, algures no Fundão, seja escolhido entre todos os existentes em Portugal para participar nessa prova em representação do ACP. Afinal, é o culminar de um trabalho de restauro que me ocupou umas largas centenas de horas (terão sido milhares?) e me esvaziou a carteira de umas dezenas de milhares de euros. Mas, caramba, o meu carro vai representar o meu país.
No dia combinado, almoço com o piloto que irá conduzir o meu carro. É uma conversa afável, em que ele elogia o meu carro e o que tenho trabalhado nele. Agradeço a simpatia, mas recordo-lhe os problemas que a caixa de velocidades tem dado, pedindo-lhe para não ser demasiado exigente com a mesma e para, por favor, evitar a todo o custo fazer passagens de caixa demasiado rápidas. Saudamo-nos calorosamente à saída, ele satisfeito por poder conduzir uma fantástica peça de museu, eu orgulhoso deste carro que é quase a obra de uma vida.
Vou acompanhando a prova pela Internet e pela Comunicação Social, e preocupa-me o facto de logo no primeiro dia ter havido uma "chatice" com a mecânica. Telefono para Itália e um dos responsáveis pela representação portuguesa diz-me que houve um problemazinho com a caixa, mas está já resolvido, para não me preocupar. Assim faço, contente pelo bom tempo alcançado pela equipa portuguesa.
No dia seguinte... a equipa portuguesa perde mais de 2 horas e meia por causa de novo problema com a caixa. Ligo ao responsável inquirindo sobre os problemas, mas novamente me dizem que é um problema menor, já resolvido. Começo a preocupar-me, afinal tenho uma prova de clássicos na Serra da Estrela 3 dias depois da chegada do carro. Será que vem em condições?
Finalmente o meu carro chega. A prova correu mais ou menos, mas o mais importante foi representar o país. Por outro lado, um milionário russo até está interessado no meu carro. Pobre coitado, não sabe o valor das coisas. Abro a porta com saudades, ligo a ignição, ouço aquele ronronar que me põe louco. Embraiagem a fundo, 1ª... a 1ª está complicada... o piloto faz um sorriso amarelo, e o responsável ainda me diz: "Maçarico!" Bom, vou tentar em 2ª... nada, nem sequer entra. Saio do carro fulo, tenho a prova daqui a 3 dias e nem consigo levar o carro para casa.
Pedem-me desculpa, e avisam-me que daí a 4 meses há uma prova de clássicos em França, que o meu carro foi muito apreciado e que gostariam de contar com ele. Explicam-me detalhadamente o problema com que o carro ficou. E enviam-me o carro para casa... no reboque! Passo os 2 dias seguintes a abrir o motor, para chegar à caixa que não percebo porque não funciona. Tal como eles me haviam dito, só com uma caixa nova. Mas uma caixa nova tem de vir de Inglaterra, pelo menos uma semana! E aquela prova em que eu queria tanto entrar, que a minha mulher até quer ir comigo! Afinal, o carro é de quem? Quem é que o restaurou? Quem é que investe nele?
Isto lembra-vos alguma coisa?
Como é óbvio, para mim é uma honra que o carro que tanto trabalho me deu a encontrar numa garagem esconsa, algures no Fundão, seja escolhido entre todos os existentes em Portugal para participar nessa prova em representação do ACP. Afinal, é o culminar de um trabalho de restauro que me ocupou umas largas centenas de horas (terão sido milhares?) e me esvaziou a carteira de umas dezenas de milhares de euros. Mas, caramba, o meu carro vai representar o meu país.
No dia combinado, almoço com o piloto que irá conduzir o meu carro. É uma conversa afável, em que ele elogia o meu carro e o que tenho trabalhado nele. Agradeço a simpatia, mas recordo-lhe os problemas que a caixa de velocidades tem dado, pedindo-lhe para não ser demasiado exigente com a mesma e para, por favor, evitar a todo o custo fazer passagens de caixa demasiado rápidas. Saudamo-nos calorosamente à saída, ele satisfeito por poder conduzir uma fantástica peça de museu, eu orgulhoso deste carro que é quase a obra de uma vida.
Vou acompanhando a prova pela Internet e pela Comunicação Social, e preocupa-me o facto de logo no primeiro dia ter havido uma "chatice" com a mecânica. Telefono para Itália e um dos responsáveis pela representação portuguesa diz-me que houve um problemazinho com a caixa, mas está já resolvido, para não me preocupar. Assim faço, contente pelo bom tempo alcançado pela equipa portuguesa.
No dia seguinte... a equipa portuguesa perde mais de 2 horas e meia por causa de novo problema com a caixa. Ligo ao responsável inquirindo sobre os problemas, mas novamente me dizem que é um problema menor, já resolvido. Começo a preocupar-me, afinal tenho uma prova de clássicos na Serra da Estrela 3 dias depois da chegada do carro. Será que vem em condições?
Finalmente o meu carro chega. A prova correu mais ou menos, mas o mais importante foi representar o país. Por outro lado, um milionário russo até está interessado no meu carro. Pobre coitado, não sabe o valor das coisas. Abro a porta com saudades, ligo a ignição, ouço aquele ronronar que me põe louco. Embraiagem a fundo, 1ª... a 1ª está complicada... o piloto faz um sorriso amarelo, e o responsável ainda me diz: "Maçarico!" Bom, vou tentar em 2ª... nada, nem sequer entra. Saio do carro fulo, tenho a prova daqui a 3 dias e nem consigo levar o carro para casa.
Pedem-me desculpa, e avisam-me que daí a 4 meses há uma prova de clássicos em França, que o meu carro foi muito apreciado e que gostariam de contar com ele. Explicam-me detalhadamente o problema com que o carro ficou. E enviam-me o carro para casa... no reboque! Passo os 2 dias seguintes a abrir o motor, para chegar à caixa que não percebo porque não funciona. Tal como eles me haviam dito, só com uma caixa nova. Mas uma caixa nova tem de vir de Inglaterra, pelo menos uma semana! E aquela prova em que eu queria tanto entrar, que a minha mulher até quer ir comigo! Afinal, o carro é de quem? Quem é que o restaurou? Quem é que investe nele?
Isto lembra-vos alguma coisa?
sexta-feira, setembro 10, 2004
Marco Aurélio, o Imperador!
O guarda-redes Marco Aurélio, há 6 épocas no Belenenses, é actualmente um símbolo do nosso clube, para além de ser considerado por muito o melhor guarda-redes a actuar em Portugal. Fomos conhecê-lo melhor e descobrimos um homem sereno, bem-disposto e em que se nota, a cada frase, um enorme carinho por este clube que também já é o seu.
Como surgiu a hipótese de vir para Portugal? Era um campeonato aliciante?
A oportunidade surgiu quando estava no Santa Cruz, do Recife, os dirigentes do Rio Ave foram assistir à final do campeonato Pernambucano e depois do jogo convidaram-me a vir para cá. Tinha 26 anos, achei muito interessante o convite, resolvemos as questões com o Santa Cruz (tinha contrato até ao fim da época) e vim com muita expectativa. Fiquei muito contente.
Os primeiros tempos em Portugal, foram positivos?
Sim, foram positivos. Na primeira época no Rio Ave, não fizemos uma época muito boa, fiquei só meia época e transferi-me para o Farense, onde fiquei época e meia. Desportivamente aí as coisas correram melhor, financeiramente é que não, pois o Farense tinha algumas dificuldades. Depois, surgiu o convite do Belenenses, já lá vão 6 épocas, e até cá as coisas têm corrido bem, tirando a época anterior. Mas penso que dentro daquilo que tinha traçado para a minha carreira as expectativas estão satisfeitas.
Está há tantos anos no Belenenses, quais os aspectos positivos e negativos que tem encontrado?
Bom, há mais aspectos positivos que negativos. É um clube completamente diferente de todos os outros, a empatia que há com sócios e direcção, é um clube que tem marcado a minha vida não só profissional, mas também social, e estou realmente muito satisfeito em estar aqui. Já estou cá há 6 épocas, pretendo continuar por cá enquanto me quiserem, e pretendo dar o melhor ao clube para retribuir o que têm feito por mim, porque sem dúvida que o Belenenses é o responsável por todo o ênfase que consegui na minha carreira desportiva. Por isso, quero ajudar o Belenenses cada vez mais e elevar cada vez mais alto o nome do clube.
Já teve propostas para sair? Não acha o Belenenses um clube limitado para a sua categoria?
Propostas houve muitas coisas, mas nada oficial, muita especulação, nunca nada foi concretizado. Eu estou muito satisfeito no Belenenses. Acho que a carreira de um profissional é curta, temos de aproveitar as oportunidades, especialmente a nível financeiro que possam dar um futuro melhor à nossa família, mas para sair do Belenenses tinha de ser uma coisa que valesse muito a pena, não trocava o Belenenses por uma pequena diferença em termos financeiros. Estou bem em Lisboa, a minha família também, e isso é importante. E o clube tem-me mantido satisfeito. Para sair tinha mesmo de ser uma proposta muito aliciante, o que nunca aconteceu. Penso que o Belenenses é um clube grande, estou a cumprir os objectivos que tinha traçado para a minha carreira, e não me sinto minimamente diminuído por nunca ter jogado num dos “chamados” 3 grandes. Estou satisfeito e motivado, isso é importante e enquanto me sentir assim quero continuar a carreira aqui no Belenenses.
Depois de uma época para esquecer, o clube está a entrar no rumo certo?
Penso que sim. Fizemos duas épocas boas, ficámos em 5º e 6º, mas no futebol há ciclos que terminam e começam, e o ano passado não correu realmente bem. Tivemos muitas dificuldades para ficar na Superliga, e todos temos de assumir responsabilidades: jogadores, direcção, todos tiveram erros. É importante que os erros não se repitam. Esta época começámos bem, o grupo é forte, o treinador tem colocado uma mentalidade vencedora, que procura sempre o ataque, a vitória, o golo. Temos assimilado bem isso, os jogadores têm características para jogar da forma como o treinador gosta. Fizemos uma boa pré-época, e o primeiro jogo também foi bom, acho que a equipa vai subir de produção ao longo do campeonato e há a preocupação de jogar bem, pois assim é mais fácil chegar à vitória.
E os objectivos para esta época, quer no campeonato, quer na taça?
Bom, esta é uma época de transição, o objectivo é ficar nos 10 primeiros, mas se pudermos chegar lá acima, não enjeitaremos. Mas o essencial é uma época tranquila para na próxima época procurarmos um objectivo maior. A Taça é uma competição especial, se conseguirmos ganhar a Taça era óptimo. Desde que cheguei a Portugal que tenho essa ambição, jogar no Jamor, é um dia especial, de festa. É um jogo diferente. O ano passado fomos às meias finais, quem sabe não é esta época.
Qual o objectivo a nível pessoal?
Tentar manter um bom nível exibicional, estar sempre bem, porque se estiver bem na minha posição estou a ajudar o colectivo. Procuro sempre dar o meu melhor para que todos juntos consigamos fazer uma época tranquila.
Ao longo da sua carreira quem foram os colegas que o marcaram mais?
Já joguei com muitos jogadores de qualidade e óptimas pessoas… No início da minha carreira tive a oportunidade de, no Botafogo, jogar com o Sócrates. Ainda apanhei o final da carreira dele. Eu estava a começar e ele era consagrado, só treinar ao lado dele, marcou-me. E era um jogador excepcional. No Santa Cruz também houve outro jogador que me marcou, e que jogou cá em Portugal, que era o Zé do Carmo, que foi uma pessoa que ficava comigo nos estágios e me marcou muito. Aqui em Portugal, quando cheguei ao Rio Ave o Sérgio China foi importante a ajudar-me a adaptar, devo muito a ele. Aqui no Belenenses também houve vários, o Filgueira também é um jogador que admiro muito, não só como jogador mas como pessoa, uma pessoa fantástica. Mas havia muito mais, estou a deixar vários de fora.
Até quando pensa continuar a jogar?
É difícil de responder. Enquanto o atleta tiver condições físicas e motivação para jogar… há que ser auto-crítico, saber quando não conseguimos acompanhar o ritmo. Mas penso que a idade não é o factor primordial, há jogadores mais novos mas sem motivação. Eu ainda tenho, estou com 34 anos e não penso parar de jogar. Eu gosto deste meio e é bom a gente trabalhar numa coisa que nos dá prazer. Enquanto estiver física e psicologicamente bem, e com motivação, continuo a jogar. Mas por enquanto não penso nisso.
Após acabar a carreira, pretende ficar ligado ao futebol?
Ainda não pensei muito sobre isso, é prematuro. Um dia terá de acontecer, mas logo se vê. Mas gostava de ficar ligado ao futebol, tenho experiência dentro do futebol e gostava de passar isso a outros. Tenho o futebol no sangue, quando terminar a carreira logo se vê. Gostava de ficar aqui, a minha esposa é enfermeira no S. Francisco Xavier, a minha filha está adaptada à escola. Tudo depende das oportunidades que surgirem na altura.
Está ciente do respeito que os sócios do Belenenses têm por si. De onde pensa que vem esse respeito?
Bom, eu penso que é importante que o jogador responda às expectativas dos sócios. Por outro lado, fora do campo procura dar atenção a todos, tento ser humilde, acho que as pessoas reconhecem isso. Também estou cá há alguns anos, e sinceramente gosto muito dessa interacção com os sócios, sinto-me mesmo honrado quando sou reconhecido na rua e as pessoas vêm ter comigo e incentivam-me. É gratificante, porque procuro fazer o melhor, mas é sempre bom ser reconhecido. Sinto-me muito orgulhoso das pessoas relacionarem o Marco Aurélio e o Belenenses, é muito positivo.
A religião é uma nota constante da sua vida. Sempre foi assim, ou houve um momento em que precisou de buscar algo mais?
Bom, desde muito jovem, logo desde o início da carreira comecei a frequentar os Atletas de Cristo. Desde essa altura a minha vida pauta-se pela Bíblia. Sou Evangélico, acredito em Jesus Cristo, a minha vida está baseada nisso, na Bíblia, nos seus ensinamentos de vida, e tem-me ajudado muito quer ao nível desportivo, quer familiar, e tudo o que eu faço tem de ser de acordo com a palavra de Deus. Penso que é um dos factores para ter sucesso na minha carreira. Deus está sempre comigo, nos momentos bons, maus, e isso é importante para me dar força quando as coisas não correm tão bem, porque sei que Ele está ao meu lado e vai-me ajudar a sair daquela situação, e gosto também de comemorar com Ele os momentos bons. Tem-me ajudado muito.
É supersticioso?
Não, acredito em Jesus Cristo. Creio Nele, antes dos jogos faço uma oração, para que Deus dê uma ajuda à equipa, nos livre de lesões, mas lá dentro temos de correr, porque se não fizermos a nossa parte…
Quem é na sua opinião o melhor guarda-redes em Portugal? E no Brasil? E no mundo?
Em Portugal sou eu! (Risos) Há bons guarda-redes em Portugal, mas posso ser eu! No Brasil gosto do Dida, gosto de o ver jogar, é muito frio. É muito alto, com uma grande envergadura, aliás, joguei contra ele no início da carreira. A nível mundial gosto muito do Buffon, do seu posicionamento, da sua tranquilidade. Tive pena de não ver o Buffon a treinar no Restelo, mas estava de férias no Brasil.
Diz-se que o Pedro Alves tem muita qualidade. Quais pensa serem as suas principais qualidades?
O Pedro é um excelente guarda-redes, precisa é de jogar. É uma posição difícil, só um é que joga. Precisa de jogar para ganhar experiência e tranquilidade, isso só vem com os jogos. Vejo nele muitas qualidades, é jovem, trabalha muito bem, procura sempre aprender e eu também aprendo com ele. Estamos sempre a aprender. Ele tem todas as qualidades, posiciona-se bem, sai-se bem, é tranquilo. O resto vem com o tempo e com jogos. Assim que tiver oportunidade e entrar na equipa o tempo vai fazer dele um grande guarda-redes.
Vai ser um digno sucessor do Marco Aurélio…Penso que sim, tem tudo… Não digo sucessor, ele tem todas as condições para jogar. Ele tem procurado, eu também tenho dado tudo, e penso que é uma competição sadia onde cada um procura o seu espaço.
Que conselhos darias a um jovem que pretende ser guarda-redes?
É uma posição que exige muito treino, onde não se pode desistir nunca, é preciso preserverança, porque as coisas muitas vezes não acontecem como desejaríamos e é preciso muita força dar a volta à situação. Na minha carreira, para chegar até aqui, já passei muitas coisas difíceis, muitas adversidades, se tivesse desistido pelo caminho não estaria aqui. É preciso trabalhar muito, muita disciplina, e não desistir nunca, ir até ao fim. O guarda-redes não põe falhar. Você pode estar bem 90 minutos, tem uma falha, e o peso fica sobre o guarda-redes. Tem de saber superar isso, mas é uma posição bonita, diferente, vestimo-nos de forma diferente dos outros todos (risos) e eu gosto muito. Sempre quis ser guarda-redes, também influenciado pelo meu pai, que era guarda-redes amador. Ia ver os jogos dele, junto da baliza, e ele dava-me luvas e equipamentos. E… também não tinha muito jeito para jogar à frente (risos)
Uma mensagem final aos adeptos do Belenenses, e em particular aos fãs do Marco Aurélio.
Bom, mais que uma mensagem, é um pedido. Apoiem-nos, acreditem na equipa, estamos a trabalhar para devolver o Belenenses aos lugares cimeiros que merece. Queremos fazer uma boa época, tranquila, com bom futebol, e queremos trazer gente ao Estádio. Nós gostamos de entrar e ver os adeptos nas bancadas a puxar por nós. Espero que os adeptos venham ao Restelo e nos apoiem, porque ajudando-nos estão a ajudar o clube.
Como surgiu a hipótese de vir para Portugal? Era um campeonato aliciante?
A oportunidade surgiu quando estava no Santa Cruz, do Recife, os dirigentes do Rio Ave foram assistir à final do campeonato Pernambucano e depois do jogo convidaram-me a vir para cá. Tinha 26 anos, achei muito interessante o convite, resolvemos as questões com o Santa Cruz (tinha contrato até ao fim da época) e vim com muita expectativa. Fiquei muito contente.
Os primeiros tempos em Portugal, foram positivos?
Sim, foram positivos. Na primeira época no Rio Ave, não fizemos uma época muito boa, fiquei só meia época e transferi-me para o Farense, onde fiquei época e meia. Desportivamente aí as coisas correram melhor, financeiramente é que não, pois o Farense tinha algumas dificuldades. Depois, surgiu o convite do Belenenses, já lá vão 6 épocas, e até cá as coisas têm corrido bem, tirando a época anterior. Mas penso que dentro daquilo que tinha traçado para a minha carreira as expectativas estão satisfeitas.
Está há tantos anos no Belenenses, quais os aspectos positivos e negativos que tem encontrado?
Bom, há mais aspectos positivos que negativos. É um clube completamente diferente de todos os outros, a empatia que há com sócios e direcção, é um clube que tem marcado a minha vida não só profissional, mas também social, e estou realmente muito satisfeito em estar aqui. Já estou cá há 6 épocas, pretendo continuar por cá enquanto me quiserem, e pretendo dar o melhor ao clube para retribuir o que têm feito por mim, porque sem dúvida que o Belenenses é o responsável por todo o ênfase que consegui na minha carreira desportiva. Por isso, quero ajudar o Belenenses cada vez mais e elevar cada vez mais alto o nome do clube.
Já teve propostas para sair? Não acha o Belenenses um clube limitado para a sua categoria?
Propostas houve muitas coisas, mas nada oficial, muita especulação, nunca nada foi concretizado. Eu estou muito satisfeito no Belenenses. Acho que a carreira de um profissional é curta, temos de aproveitar as oportunidades, especialmente a nível financeiro que possam dar um futuro melhor à nossa família, mas para sair do Belenenses tinha de ser uma coisa que valesse muito a pena, não trocava o Belenenses por uma pequena diferença em termos financeiros. Estou bem em Lisboa, a minha família também, e isso é importante. E o clube tem-me mantido satisfeito. Para sair tinha mesmo de ser uma proposta muito aliciante, o que nunca aconteceu. Penso que o Belenenses é um clube grande, estou a cumprir os objectivos que tinha traçado para a minha carreira, e não me sinto minimamente diminuído por nunca ter jogado num dos “chamados” 3 grandes. Estou satisfeito e motivado, isso é importante e enquanto me sentir assim quero continuar a carreira aqui no Belenenses.
Depois de uma época para esquecer, o clube está a entrar no rumo certo?
Penso que sim. Fizemos duas épocas boas, ficámos em 5º e 6º, mas no futebol há ciclos que terminam e começam, e o ano passado não correu realmente bem. Tivemos muitas dificuldades para ficar na Superliga, e todos temos de assumir responsabilidades: jogadores, direcção, todos tiveram erros. É importante que os erros não se repitam. Esta época começámos bem, o grupo é forte, o treinador tem colocado uma mentalidade vencedora, que procura sempre o ataque, a vitória, o golo. Temos assimilado bem isso, os jogadores têm características para jogar da forma como o treinador gosta. Fizemos uma boa pré-época, e o primeiro jogo também foi bom, acho que a equipa vai subir de produção ao longo do campeonato e há a preocupação de jogar bem, pois assim é mais fácil chegar à vitória.
E os objectivos para esta época, quer no campeonato, quer na taça?
Bom, esta é uma época de transição, o objectivo é ficar nos 10 primeiros, mas se pudermos chegar lá acima, não enjeitaremos. Mas o essencial é uma época tranquila para na próxima época procurarmos um objectivo maior. A Taça é uma competição especial, se conseguirmos ganhar a Taça era óptimo. Desde que cheguei a Portugal que tenho essa ambição, jogar no Jamor, é um dia especial, de festa. É um jogo diferente. O ano passado fomos às meias finais, quem sabe não é esta época.
Qual o objectivo a nível pessoal?
Tentar manter um bom nível exibicional, estar sempre bem, porque se estiver bem na minha posição estou a ajudar o colectivo. Procuro sempre dar o meu melhor para que todos juntos consigamos fazer uma época tranquila.
Ao longo da sua carreira quem foram os colegas que o marcaram mais?
Já joguei com muitos jogadores de qualidade e óptimas pessoas… No início da minha carreira tive a oportunidade de, no Botafogo, jogar com o Sócrates. Ainda apanhei o final da carreira dele. Eu estava a começar e ele era consagrado, só treinar ao lado dele, marcou-me. E era um jogador excepcional. No Santa Cruz também houve outro jogador que me marcou, e que jogou cá em Portugal, que era o Zé do Carmo, que foi uma pessoa que ficava comigo nos estágios e me marcou muito. Aqui em Portugal, quando cheguei ao Rio Ave o Sérgio China foi importante a ajudar-me a adaptar, devo muito a ele. Aqui no Belenenses também houve vários, o Filgueira também é um jogador que admiro muito, não só como jogador mas como pessoa, uma pessoa fantástica. Mas havia muito mais, estou a deixar vários de fora.
Até quando pensa continuar a jogar?
É difícil de responder. Enquanto o atleta tiver condições físicas e motivação para jogar… há que ser auto-crítico, saber quando não conseguimos acompanhar o ritmo. Mas penso que a idade não é o factor primordial, há jogadores mais novos mas sem motivação. Eu ainda tenho, estou com 34 anos e não penso parar de jogar. Eu gosto deste meio e é bom a gente trabalhar numa coisa que nos dá prazer. Enquanto estiver física e psicologicamente bem, e com motivação, continuo a jogar. Mas por enquanto não penso nisso.
Após acabar a carreira, pretende ficar ligado ao futebol?
Ainda não pensei muito sobre isso, é prematuro. Um dia terá de acontecer, mas logo se vê. Mas gostava de ficar ligado ao futebol, tenho experiência dentro do futebol e gostava de passar isso a outros. Tenho o futebol no sangue, quando terminar a carreira logo se vê. Gostava de ficar aqui, a minha esposa é enfermeira no S. Francisco Xavier, a minha filha está adaptada à escola. Tudo depende das oportunidades que surgirem na altura.
Está ciente do respeito que os sócios do Belenenses têm por si. De onde pensa que vem esse respeito?
Bom, eu penso que é importante que o jogador responda às expectativas dos sócios. Por outro lado, fora do campo procura dar atenção a todos, tento ser humilde, acho que as pessoas reconhecem isso. Também estou cá há alguns anos, e sinceramente gosto muito dessa interacção com os sócios, sinto-me mesmo honrado quando sou reconhecido na rua e as pessoas vêm ter comigo e incentivam-me. É gratificante, porque procuro fazer o melhor, mas é sempre bom ser reconhecido. Sinto-me muito orgulhoso das pessoas relacionarem o Marco Aurélio e o Belenenses, é muito positivo.
A religião é uma nota constante da sua vida. Sempre foi assim, ou houve um momento em que precisou de buscar algo mais?
Bom, desde muito jovem, logo desde o início da carreira comecei a frequentar os Atletas de Cristo. Desde essa altura a minha vida pauta-se pela Bíblia. Sou Evangélico, acredito em Jesus Cristo, a minha vida está baseada nisso, na Bíblia, nos seus ensinamentos de vida, e tem-me ajudado muito quer ao nível desportivo, quer familiar, e tudo o que eu faço tem de ser de acordo com a palavra de Deus. Penso que é um dos factores para ter sucesso na minha carreira. Deus está sempre comigo, nos momentos bons, maus, e isso é importante para me dar força quando as coisas não correm tão bem, porque sei que Ele está ao meu lado e vai-me ajudar a sair daquela situação, e gosto também de comemorar com Ele os momentos bons. Tem-me ajudado muito.
É supersticioso?
Não, acredito em Jesus Cristo. Creio Nele, antes dos jogos faço uma oração, para que Deus dê uma ajuda à equipa, nos livre de lesões, mas lá dentro temos de correr, porque se não fizermos a nossa parte…
Quem é na sua opinião o melhor guarda-redes em Portugal? E no Brasil? E no mundo?
Em Portugal sou eu! (Risos) Há bons guarda-redes em Portugal, mas posso ser eu! No Brasil gosto do Dida, gosto de o ver jogar, é muito frio. É muito alto, com uma grande envergadura, aliás, joguei contra ele no início da carreira. A nível mundial gosto muito do Buffon, do seu posicionamento, da sua tranquilidade. Tive pena de não ver o Buffon a treinar no Restelo, mas estava de férias no Brasil.
Diz-se que o Pedro Alves tem muita qualidade. Quais pensa serem as suas principais qualidades?
O Pedro é um excelente guarda-redes, precisa é de jogar. É uma posição difícil, só um é que joga. Precisa de jogar para ganhar experiência e tranquilidade, isso só vem com os jogos. Vejo nele muitas qualidades, é jovem, trabalha muito bem, procura sempre aprender e eu também aprendo com ele. Estamos sempre a aprender. Ele tem todas as qualidades, posiciona-se bem, sai-se bem, é tranquilo. O resto vem com o tempo e com jogos. Assim que tiver oportunidade e entrar na equipa o tempo vai fazer dele um grande guarda-redes.
Vai ser um digno sucessor do Marco Aurélio…Penso que sim, tem tudo… Não digo sucessor, ele tem todas as condições para jogar. Ele tem procurado, eu também tenho dado tudo, e penso que é uma competição sadia onde cada um procura o seu espaço.
Que conselhos darias a um jovem que pretende ser guarda-redes?
É uma posição que exige muito treino, onde não se pode desistir nunca, é preciso preserverança, porque as coisas muitas vezes não acontecem como desejaríamos e é preciso muita força dar a volta à situação. Na minha carreira, para chegar até aqui, já passei muitas coisas difíceis, muitas adversidades, se tivesse desistido pelo caminho não estaria aqui. É preciso trabalhar muito, muita disciplina, e não desistir nunca, ir até ao fim. O guarda-redes não põe falhar. Você pode estar bem 90 minutos, tem uma falha, e o peso fica sobre o guarda-redes. Tem de saber superar isso, mas é uma posição bonita, diferente, vestimo-nos de forma diferente dos outros todos (risos) e eu gosto muito. Sempre quis ser guarda-redes, também influenciado pelo meu pai, que era guarda-redes amador. Ia ver os jogos dele, junto da baliza, e ele dava-me luvas e equipamentos. E… também não tinha muito jeito para jogar à frente (risos)
Uma mensagem final aos adeptos do Belenenses, e em particular aos fãs do Marco Aurélio.
Bom, mais que uma mensagem, é um pedido. Apoiem-nos, acreditem na equipa, estamos a trabalhar para devolver o Belenenses aos lugares cimeiros que merece. Queremos fazer uma boa época, tranquila, com bom futebol, e queremos trazer gente ao Estádio. Nós gostamos de entrar e ver os adeptos nas bancadas a puxar por nós. Espero que os adeptos venham ao Restelo e nos apoiem, porque ajudando-nos estão a ajudar o clube.
Belenenses no Mundo
Esta rúbrica, iniciada no início da semana, tem vindo a receber felicitações de muitos adeptos, e garantia de colaboração futura. Hoje, apresentamos uma foto publicada no jornal Record com um adepto Belenenses bem conhecido de todos nós em Koprivnica, aquando do Slaven Belupo - Belenenses. Cá fica, para a posteridade:

Luís Lacerda
Koprivnica - Croácia

quinta-feira, setembro 09, 2004
Mentiroso!
Manuel José exigiu, para continuar no Restelo, ter plenos poderes sobre a constituição da equipa. Dispensou 16 jogadores, entre os quais jovens de valor como Rui Duarte, Fajardo e Bruno Fernandes, e outros jogadores com provas dadas, como Odaír. Entraram anedotas como Valdiran, Byang-Min ou Sané... enfim. Graças a Deus, ainda conseguiu ir buscar o Pélé, um óptimo jogador.
A época começou da melhor forma, sem qualquer dúvida. Mas entretanto, surgem uma série de lesões, o curto plantel de 17 jogadores mais 4 juniores ressente-se, e perdemos em casa 1-4 com o Porto, num jogo atípico, que poderia ter conduzido a uma goleada histórica. Atípico porque após "entrar" a ganhar, com um golo do estreante Gonçalo Brandão, deixámos o Porto virar o resultado no início da 2ª parte e, a partir daí, a equipa ficou "triste", os adeptos ficaram "tristes"... Na semana seguinte, fomos à Madeira, ao Nacional, levámos outros 4, desta vez a 0. Começava por esta altura a falar-se que dirigentes do Al-Ahly estavam em Lisboa para levar o Manuel José. Na semana seguinte, 0-0 em casa, com o Moreirense. Quando Manuel José diz que estava a correr bem, MENTE. Manuel José, para além do dinheiro, fugiu por medo, porque viu o barco a afundar.
Convém lembrar que, na semana do jogo com o Porto, Manuel José afirmava, pela enésima vez, que sempre sonhara treinar o Belenenses, que era um projecto a 3 anos para devolver o Belenenses à dimensão que merece, etc e tal. Manuel José MENTIU, assim que apanhou uma oportunidade foi-se embora.
Na minha opinião, mais do que ir atrás do dinheiro, Manuel José fugiu da 2ª Divisão a que o seu projecto nos conduzia. Ele próprio, na sua ignorância, o admite, ao afirmar que no início da época recebera propostas da selecção Egípcia, do Al-Ahly e do Zamalek e rejeitou, pois o projecto no Belenenses era aliciante. Deixou de ser quando viu que fez asneira não foi?
Manuel José não tem carácter, e não é ninguém para criticar José Mourinho. Esse, pode ser tudo e mais alguma coisa, mas é um bom treinador. Manuel José nem isso, é um fracasso. Eu não me esqueço do que ele fez ao Marítimo.
E ele que não ouse, nunca mais, tentar desestabilizar o Belenenses. Eu vou estar atento.
A época começou da melhor forma, sem qualquer dúvida. Mas entretanto, surgem uma série de lesões, o curto plantel de 17 jogadores mais 4 juniores ressente-se, e perdemos em casa 1-4 com o Porto, num jogo atípico, que poderia ter conduzido a uma goleada histórica. Atípico porque após "entrar" a ganhar, com um golo do estreante Gonçalo Brandão, deixámos o Porto virar o resultado no início da 2ª parte e, a partir daí, a equipa ficou "triste", os adeptos ficaram "tristes"... Na semana seguinte, fomos à Madeira, ao Nacional, levámos outros 4, desta vez a 0. Começava por esta altura a falar-se que dirigentes do Al-Ahly estavam em Lisboa para levar o Manuel José. Na semana seguinte, 0-0 em casa, com o Moreirense. Quando Manuel José diz que estava a correr bem, MENTE. Manuel José, para além do dinheiro, fugiu por medo, porque viu o barco a afundar.
Convém lembrar que, na semana do jogo com o Porto, Manuel José afirmava, pela enésima vez, que sempre sonhara treinar o Belenenses, que era um projecto a 3 anos para devolver o Belenenses à dimensão que merece, etc e tal. Manuel José MENTIU, assim que apanhou uma oportunidade foi-se embora.
Na minha opinião, mais do que ir atrás do dinheiro, Manuel José fugiu da 2ª Divisão a que o seu projecto nos conduzia. Ele próprio, na sua ignorância, o admite, ao afirmar que no início da época recebera propostas da selecção Egípcia, do Al-Ahly e do Zamalek e rejeitou, pois o projecto no Belenenses era aliciante. Deixou de ser quando viu que fez asneira não foi?
Manuel José não tem carácter, e não é ninguém para criticar José Mourinho. Esse, pode ser tudo e mais alguma coisa, mas é um bom treinador. Manuel José nem isso, é um fracasso. Eu não me esqueço do que ele fez ao Marítimo.
E ele que não ouse, nunca mais, tentar desestabilizar o Belenenses. Eu vou estar atento.
quarta-feira, setembro 08, 2004
A DÉCADA DE 80 (CONTINUAÇÃO) - PARTE V - CONCLUSÕES - SECÇÃO III – A Falta de Orgulho e de Ambição

Simultaneamente com a diminuição da paixão clubística no Belenenses, e com a progressiva instalação de um cinzentismo e, até, de produtos “híbridios”, só parcialmente azuis (de que falámos no artigo anterior), e como natural consequência disso, tem-se assistido (e particularmente na década de 80, que é aquela que nos estamos a referir) a um conformismo, a uma falta de orgulho e de ambição – em muitos aspectos, a uma letargia – particularmente dolorosa, face à grandeza do Belenenses.
Também aqui, vamos referir apenas alguns episódios reveladores dessa situação, alguns já mencionados em artigos anteriores, outros a que ainda não nos tínhamos referido. E, mais uma vez, fá-lo-emos sob a forma de meros tópicos, para não nos alargarmos demasiado. Eis, pois, algumas situações:
* Depois da vitória na Taça de Portugal de 1989, a primeira dessa década que não fora conquistada por Benfica, Porto ou Sporting, depois desse regresso do Belenenses às grandes vitórias, não houve (como vimos), nenhuma celebração organizada, nenhum extrapolar desse sucesso para relançar em força o clube e torná-lo novamente capaz de atrair multidões. Poder-se-ia e dever-se-ia ter feito muitíssimo mais nesse campo. O ambiente era propício. Mais a mais, eram os 70 anos do clube, e podia-se ter unido as duas celebrações. Podia-se ter ousado voltar à intromissão entre os nossos velhos 3 rivais, ainda que de forma prudente – prudente mas decidida. A grande crise em que o Sporting estava então mergulhado, ajudaria a esse objectivo. Mas... ficámo-nos. Não houve celebrações. Deixou-se começar a decair a qualidade do plantel. O jogo de apresentação foi com... o Estrela da Amadora. Como já dissemos, durante esse defeso, o Restelo parecia estar em plena dormência. Claramente, a ambição tinha-se esgotado. O nosso pior receio confirmara-se: a vitória na Taça fora um ponto de chegada, não um ponto de partida, um ponto que significasse um recomeçar em força.
Devemos aqui ressalvar que talvez em parte isto se possa justificar pelo cansaço de Mário Rosa Freire e sua equipa. Rosa Freire presidia ao clube desde 1982, e é justo destacar que lhe pegou numa altura difícil e que, em alguns aspectos, conseguiu bons resultados. De qualquer maneira, acho que, nesta inércia, houve falta de alma e de ambição. Um dirigente em particular pode já estar cansado; mas, e os restantes responsáveis? E a própria massa associativa, nomeadamente os que estão (estavam) em posição de tomar iniciativas e arrastar os outros? Que grande oportunidade que perdemos
* Aliás, já na época anterior (87/88) se não aproveitara a embalagem do 3º lugar. Não se deu a Marinho Peres os meios, que ele pedia, para ir mais longe (o que o levou a ir-se embora). Não se explorou o feito desse regresso ao pódio. A única referência, muito tímida, foi a de um protesto de Barcínio Pinto, ao tempo Chefe do Departamento de Futebol, face ao desinteresse a que a imprensa nos votava.
* Já noutro artigo falámos do significativo episódio da discussão de um aumento de quotas em AG, durante o defeso que antecedeu a época de 88/89. Por isso, vamos citar o que escrevemos: “Não cabe agora discutir se ele [o aumento] era justificado ou não. O que me lembro é que, a certa altura, um membro da direcção, salvo erro Ramos Lopes (que anos mais tarde viria a ser Presidente), pretendeu justificar o aumento proposto, dizendo: ‘Para fazermos pelo menos tão bem como na época passada…’. Grande parte dos sócios riram, apuparam, disserem que ele era maluco, que estava a sonhar…
É contra esta menoridade, contra este conformismo, contra esta assunção de uma pequenez ao arrepio do espírito conquistador dos que fizeram o clube grande, contra esta falta de ousadia por objectivos mais altos, que eu escrevo tão repetidamente. Começou em alguns dirigentes, passou para muitos adeptos, foi conveniente para “poderes” externos ao clube (i.e., outros clubes e jornalistas ao seu serviço. Hoje, tristemente, já nem essa importância nos dão…). Por isso, quando alguém ousa pedir algo mais do que a menoridade ou até a subserviência perante outros clubes, é tido por aventureiro, por louco, por demagogo ou qualquer coisa assim. É uma maneira de estar enraizada no subconsciente.
Mas então, perguntar-se-á: acha bem os aventureirismos? Claro que não, claro que não acho bem. Mas os aventureirismos das últimas décadas começaram justamente pela eleição de direcções que triunfaram na base da campanha contra a demagogia, o excesso de ambição, as promessas… e com base na apologia dos coitadinhos-poupadinhos. E acabaram justamente nisso tudo que se anunciara combater – despesismo, aventureirismo, demagogia – mas de maneira pateta, ridícula, rebaixante do clube, atirado sem honra nem glória para a lama”.
* E vem a propósito, até por causa da 1ª Jornada deste Campeonato que se vai iniciar (o artigo é escrito antes, embora publicado depois), lembrar um episódio aquando de um jogo com o Marítimo, justamente na década de 80 (época 87/88). O jogo foi na Madeira, a um Domingo e eu estava no Estádio do Restelo, com mais alguns sócios, a acompanhar o que diziam na rádio. Logo aos 2 minutos, sofremos um golo. E assim ficou o resultado. Alguns de nós estavam tristes, desanimados alguém exclamou, para exprimir o seu desencanto: “Eh pá, tivemos 88 minutos e não conseguimos fazer um golo!”. E logo alguém replicou, alterado, com medo que se estivesse a criticar não sei o quê: “ E Então? Querias ganhar todos os jogos? Então eras campeão!” (sic). Só posso dizer: e se fossemos? Sim, parece que é um crime querermos (voltar) a ser campeões!
* Depois de eliminarmos o Bayer Leverkusen, em 88/89, havia quem fizesse votos de uma rápida despedida da presença europeia para nos concentrarmos no Campeonato, porque (dizia-se) isto de estar em várias frentes desestabilizava (!!!) o clube, etc.
* As repetidas afirmações (que aliás se mantêm décadas fora) do género “Não contratamos mais ninguém. Só se fizer falta ....” Ora, aqui cabe sempre perguntar: se fizer falta, para quê? Para não descermos de divisão? Para ficarmos a meio da tabela? Para chegarmos à Taça UEFA? Para ficarmos nos 4 primeiros? Para ganharmos o Campeonato? Pessoalmente, penso que: ou não temos recursos para mais contratações e então... “quem não tem dinheiro não tem vícios”; ou temos, e então devemos usar esses meios, dentro de critérios de rigor e equilíbrio, para chegarmos o mais longe possível (porque não há nenhum limite, senão quando se atinge o 1º lugar)!
* A omissão das Direcções em reagir ao facto de a imprensa nos ligar pouco (embora muitíssimo mais que actualmente) e continuar a atacar-nos capciosamente sempre que podia. Exemplo disso, foi o jornal Record do dia a seguir à nossa vitória na Taça: duas linhas minúsculas na capa, sem nenhuma imagem; todo o destaque para uma entrevista com um jogador do Benfica; na página 2, um editorial do Rui Cartaxana (olha quem!...) a dar-nos para trás; insinuações de que ganhámos por causa da arbitragem e da sorte (!!!), o que me pôs em estado de revolta quase colérica, etc. A estas discriminações e injustiças, os responsáveis não reagiam, nem nunca vi uma estratégia (nem preocupação com tal) para fazer reverberar as nossas vitórias, puxar pelo clube, torná-lo atractivo para os jovens, mostrá-lo como alternativa – novamente! – aos três clubes que sabemos, dá-lo como exemplo de luta contra a adversidade, reunir élan e entusiasmo à sua volta, fazer aumentar as assistências, manter viva a projecção e a ambição do clube.
* Ver pessoas dentro do clube a falar com toda desenvoltura nos três grandes, esquecendo (se é que sabem...) que houve quatro grandes durante décadas e que nós fomos um deles. Pelos vistos, há que não tenha ambição de o voltarmos a ser...
Poderíamos multiplicar os exemplos e situações. Acho, porém, que estes que aqui deixámos já são suficientes. Por isso, termino aqui o artigo de hoje, dizendo:
VAMOS TENTAR, COM TODA A FORÇA, VOLTAR A POSICIONAR-NOS BEM. E SE ISSO ACONTECER (TEM QUE ACONTECER!), NÃO PAREMOS. CONTINUEMOS A LUTAR PARA FAZER SEMPRE MELHOR, PARA CHEGARMOS SEMPRE MAIS LONGE!
(Nota: este artigo foi escrito à pressa, antes de ir para férias. Assim, pedimos desculpa por quaisquer gralhas ou frases pouco claras que nele se encontrem. Pedimos ainda desculpa pela omissão de publicação da rúbrica na semana passada, sendo que a partir desta semana a sua periodicidade semanal manter-se-á)
terça-feira, setembro 07, 2004
It's all about the money!
A minha estadia no Egipto fez-me clarificar, de vez, uma nítida sensação que tinha, mas que podia não passar de má vontade ou revolta para com Manuel José. Prende-se, portanto, com os porquês que levaram esse treinador a abandonar um projecto arriscado que levou para a frente, tendo exigido tudo sem dar nada em troca.
Conhecendo o Cairo, facilmente qualquer pessoa percebe que nem que fosse o Real Madrid, para ganhar menos ninguém ia para lá. O Cairo é uma metrópole com 18 milhões de habitantes, gigantesca, encravada num gigantesco oásis chamado Nilo, que se estende de Sul para Norte do país, sulcando uma pequena linha de vida. Para além do vale do Nilo, sobra o vazio e a morte. No vale do Nilo, sobra a pobreza e o atraso.
O Cairo é uma cidade onde os taxistas não conhecem os principais hoteis, pura e simplesmente porque quem lá se aloja não apanha táxis! O Cairo é uma cidade onde o parque automóvel é constituído, maioritariamente, por Fiat's 125, 127 e 128, por Peugeot's 404 e 504 ou por Tata's dos anos 70, coexistindo todo este monte de ferrugem com Jaguares, Porches e BMW's! O Cairo é uma cidade onde os prédios, todos com um mínimo de 10 andares, estão inacabados, em tijolo, sem janelas, onde encontramos torres de 30 andares com o 18º andar completamente aberto, sem sequer estar fechado com tijolo! O Cairo é uma cidade onde o stand da Ferrari fica na zona nobre da cidade, que continua a ser uma zona péssima! O Cairo é uma cidade onde o Sol só aparece lá para as 9 da manhã, pois a neblina da poluições esconde o fortíssimo Sol do deserto! O Cairo é uma cidade onde pura e simplesmente não há regras de trânsito, onde vale tudo, onde jamais um ocidental conseguirá guiar um carro mais de 100 metros! O Cairo é tudo isto e muito pior, apesar de ter coisas fantásticas.
Um português só vai morar para o Cairo em busca de uma coisa: DINHEIRO! Faça-lhe bom proveito Sr. Manuel José!
Conhecendo o Cairo, facilmente qualquer pessoa percebe que nem que fosse o Real Madrid, para ganhar menos ninguém ia para lá. O Cairo é uma metrópole com 18 milhões de habitantes, gigantesca, encravada num gigantesco oásis chamado Nilo, que se estende de Sul para Norte do país, sulcando uma pequena linha de vida. Para além do vale do Nilo, sobra o vazio e a morte. No vale do Nilo, sobra a pobreza e o atraso.
O Cairo é uma cidade onde os taxistas não conhecem os principais hoteis, pura e simplesmente porque quem lá se aloja não apanha táxis! O Cairo é uma cidade onde o parque automóvel é constituído, maioritariamente, por Fiat's 125, 127 e 128, por Peugeot's 404 e 504 ou por Tata's dos anos 70, coexistindo todo este monte de ferrugem com Jaguares, Porches e BMW's! O Cairo é uma cidade onde os prédios, todos com um mínimo de 10 andares, estão inacabados, em tijolo, sem janelas, onde encontramos torres de 30 andares com o 18º andar completamente aberto, sem sequer estar fechado com tijolo! O Cairo é uma cidade onde o stand da Ferrari fica na zona nobre da cidade, que continua a ser uma zona péssima! O Cairo é uma cidade onde o Sol só aparece lá para as 9 da manhã, pois a neblina da poluições esconde o fortíssimo Sol do deserto! O Cairo é uma cidade onde pura e simplesmente não há regras de trânsito, onde vale tudo, onde jamais um ocidental conseguirá guiar um carro mais de 100 metros! O Cairo é tudo isto e muito pior, apesar de ter coisas fantásticas.
Um português só vai morar para o Cairo em busca de uma coisa: DINHEIRO! Faça-lhe bom proveito Sr. Manuel José!
segunda-feira, setembro 06, 2004
Belenenses no Mundo
Tem inicio hoje uma nova rubrica no Blog, aberta à participação de todos os interessados, e que consiste na "exposição" de registos fotográficos enquadrando a disseminação do nome do Belenenses pelo mundo fora. Pretende-se obter um interessante registo de fotos que envolvam um elemento identificativo do nosso clube junto de um local mais ou menos emblemático, um pouco por todo o mundo, e também no nosso país. Estando a equipa azul no Egipto, nada melhor que dar o "pontapé de saída" pelo Egipto.
Manuel Benavente e Luciano Rodrigues
Deir El-Bahri - Luxor - Egipto
Luciano Rodrigues
Gizé - Egipto
Manuel Benavente e Luciano Rodrigues
Deir El-Bahri - Luxor - Egipto
Luciano Rodrigues
Gizé - Egipto
Palavras que foram ditas - 20
Homenagem a Mariano Amaro
Em Maio de 1987, morreu Amaro, uma das maiores figuras da história do Belenenses e do futebol português.
Transcrevemos o texto que, então, foi publicado nas páginas da “Bola” por Aurélio Márcio, assumido benfiquista mas que (contrariamente à maior dos jornalistas de hoje) conheciam a história do desporto português.
“Era um nome histórico do futebol do Belenenses, fica bem ao lado de Artur José Pereira, dos olímpicos, como então se dizia, Augusto Silva e César de Matos, do nome lendário de José Manuel Soares (Pepe), o jovem perdido antes dos vinte anos e, claro, de Matateu, estes os nomes, não sei se nos falta algum, dos homens que ajudaram a escrever a história do futebol do Belenenses.
Mariano Rodrigues Amaro morreu ontem, aos 72 anos, fulminado por um ataque cardíaco e ficado ligado aos maiores triunfos do futebol do seu clube de sempre (…)
Era um jogador excepcional, dos maiores de sempre do nosso futebol, um centrocampista que seria hoje pago a peso de oiro, sempre do lado direito, onde mostrava uma versatilidade de jogo a fazer inveja, ainda hoje, aos nossos melhores centrocampistas.
Com ele, outra grande figura do nosso futebol, também das maiores, o madeirense Pinga, interior-esquerdo do F.C.Porto, com o qual travou duelos, nos encontros Belenenses – F.C.Porto que são da história do futebol, por conterem um elevado conteúdo técnico e uma corecção exemplar entre dois jogadores fora de série.
Dezanove vezes internacional, entre 1937 e 1947, praticamente entrou na selecção nacional em 1937 e dela nunca mais saiu até dar o lugar, atraiçoado por uma doença que o marcou, não a um sucessor, mas a vários jogadores que passaram pelo lugar que ele desempenhou com tanto brilho e que tantos anos levou depois a encontrar quem o substituísse.
Campeão Nacional, com o Belenenses, em 1945/46, vencedor da Taça de Portugal, em 41/42, Mariano Amaro, para além da sua classe de grande jogador exibia, dentro e fora do terreno, uma correcção e uma educação exemplares, nunca criando quasquer problemas a quem quer que fosse.
O primeiro número de ‘A Bola’ fica assinalado por uma entrevista notável, de José Alves dos Santos, em que Amaro, recuperado da doença que o acometeu num Sábado, na véspera de uma final da Taça, Belenenses – Sporting, declara que ia recomeçar, aos 30 anos, com o mesmo entusiasmo dos seus primeiros tempos.
Um grande jogador que nos deixa, uma figura histórica do futebol português e do Belenenses.
Morreu como queria, o velho amigo, de repente, sem dar trabalho a ninguém, certamente a olhar para o sorriso de uma mulher”.
A este artigo há que acrescentar que Amaro, no Belenenses, além de um Campeonato Nacional e de uma Taça de Portugal, conquistou ainda dois Campeonatos de Lisboa (1943/44 e 1945/46). Esteve ainda em duas outras finais da Taça que o Belenenses não conseguiu vencer, e só pela doença referida no artigo é que não esteve numa 4ª.
Noutro âmbito, na lista jogadores referidos por Aurélio Márcio como tendo sido “os jogadores que ajudaram a escrever a história do futebol do Belenenses”, faltam muitas figuras importantes. Entre muitas outras, basta lembrar as Torres de Belém (os grandes Feliciano, Vasco e Capela), Serafim, Artur Quaresma, Di Pace, Scopelli, Vicente, José Pereira…
Finalmente, lembremos que Pepe morreu aos 23 anos (e não antes dos 20), tendo constituído, juntamente com Augusto Silva e César de Matos, o trio de jogadores belenenses presentes na brilhante presença da Selecção Nacional, nos Jogos Olímpicos de 1928, em Amesterdão, fazendo do Belenenses o clube mais representado.
Em Maio de 1987, morreu Amaro, uma das maiores figuras da história do Belenenses e do futebol português.
Transcrevemos o texto que, então, foi publicado nas páginas da “Bola” por Aurélio Márcio, assumido benfiquista mas que (contrariamente à maior dos jornalistas de hoje) conheciam a história do desporto português.
“Era um nome histórico do futebol do Belenenses, fica bem ao lado de Artur José Pereira, dos olímpicos, como então se dizia, Augusto Silva e César de Matos, do nome lendário de José Manuel Soares (Pepe), o jovem perdido antes dos vinte anos e, claro, de Matateu, estes os nomes, não sei se nos falta algum, dos homens que ajudaram a escrever a história do futebol do Belenenses.
Mariano Rodrigues Amaro morreu ontem, aos 72 anos, fulminado por um ataque cardíaco e ficado ligado aos maiores triunfos do futebol do seu clube de sempre (…)
Era um jogador excepcional, dos maiores de sempre do nosso futebol, um centrocampista que seria hoje pago a peso de oiro, sempre do lado direito, onde mostrava uma versatilidade de jogo a fazer inveja, ainda hoje, aos nossos melhores centrocampistas.
Com ele, outra grande figura do nosso futebol, também das maiores, o madeirense Pinga, interior-esquerdo do F.C.Porto, com o qual travou duelos, nos encontros Belenenses – F.C.Porto que são da história do futebol, por conterem um elevado conteúdo técnico e uma corecção exemplar entre dois jogadores fora de série.
Dezanove vezes internacional, entre 1937 e 1947, praticamente entrou na selecção nacional em 1937 e dela nunca mais saiu até dar o lugar, atraiçoado por uma doença que o marcou, não a um sucessor, mas a vários jogadores que passaram pelo lugar que ele desempenhou com tanto brilho e que tantos anos levou depois a encontrar quem o substituísse.
Campeão Nacional, com o Belenenses, em 1945/46, vencedor da Taça de Portugal, em 41/42, Mariano Amaro, para além da sua classe de grande jogador exibia, dentro e fora do terreno, uma correcção e uma educação exemplares, nunca criando quasquer problemas a quem quer que fosse.
O primeiro número de ‘A Bola’ fica assinalado por uma entrevista notável, de José Alves dos Santos, em que Amaro, recuperado da doença que o acometeu num Sábado, na véspera de uma final da Taça, Belenenses – Sporting, declara que ia recomeçar, aos 30 anos, com o mesmo entusiasmo dos seus primeiros tempos.
Um grande jogador que nos deixa, uma figura histórica do futebol português e do Belenenses.
Morreu como queria, o velho amigo, de repente, sem dar trabalho a ninguém, certamente a olhar para o sorriso de uma mulher”.
A este artigo há que acrescentar que Amaro, no Belenenses, além de um Campeonato Nacional e de uma Taça de Portugal, conquistou ainda dois Campeonatos de Lisboa (1943/44 e 1945/46). Esteve ainda em duas outras finais da Taça que o Belenenses não conseguiu vencer, e só pela doença referida no artigo é que não esteve numa 4ª.
Noutro âmbito, na lista jogadores referidos por Aurélio Márcio como tendo sido “os jogadores que ajudaram a escrever a história do futebol do Belenenses”, faltam muitas figuras importantes. Entre muitas outras, basta lembrar as Torres de Belém (os grandes Feliciano, Vasco e Capela), Serafim, Artur Quaresma, Di Pace, Scopelli, Vicente, José Pereira…
Finalmente, lembremos que Pepe morreu aos 23 anos (e não antes dos 20), tendo constituído, juntamente com Augusto Silva e César de Matos, o trio de jogadores belenenses presentes na brilhante presença da Selecção Nacional, nos Jogos Olímpicos de 1928, em Amesterdão, fazendo do Belenenses o clube mais representado.
domingo, setembro 05, 2004
Quebrado o ciclo de vitórias
Após uma viagem atribulada, para realizar um jogo de "compensação" para o nosso clube em virtude da "fuga" de Manuel José para os Petrodólares, o Belenenses regressa do Egipto com uma derrota, ainda por cima gorda, no bornel.
Independentemente do que se tenha passado dentro das 4 linhas, há três factores importantes a considerar: a qualidade do Al-Ahly (em Portugal seria equipa crónica nos 5 primeiros lugares), o calor e pouca e humidade e o estado da relva (muito diferente da "europeia").
Enfim, fizemos o que nos competia, foi pena acabar o ciclo de vitórias, mas pode ser positivo, na medida em que tira ilusões e pressão. E agora, é nunca mais lembrar o Sr. Manuel José.
sábado, setembro 04, 2004
Belenenses no Egipto
O Belenenses disputa hoje ás 18.30 (hora de Lisboa) um encontro amigável com o clube egípcio Al-Ahly.
Estejam atentos ao Blog do Belenenses para novidades.
sexta-feira, setembro 03, 2004
Sobre o papel do psicólogo... Outra vez!
Há alguns dias escrevi num blog que criei – http://aquatico.blogspot.com/ - as seguintes considerações acerca da psicologia associada ao treino desportivo:
“Décadas de desenvolvimento científico da teoria e prática do treino desportivo colocaram a psicologia em lugar de destaque na preparação de atletas de competição em praticamente todas as modalidades. Nos últimos anos, as universidades portuguesas criaram programas curriculares de Psicologia do Desporto, e pós-graduações que envolvem obrigatoriamente aspectos ligados ao treino mental e ao apoio psicológico a desportistas em todas as fases da sua carreira.
De uma forma geral, o tempo dos ex-desportistas interessados pela modalidade mas sem outra formação técnico-científica de base, terminou. O exemplo mais flagrante desta realidade chega-nos do futebol de alta competição, durante décadas dominado por ex-futebolistas tornados treinadores... As exigências do quadro competitivo actual criaram novas necessidades e oportunidades para a inclusão de especialistas em outras áreas nas equipas técnicas: as equipas técnicas tornaram-se multidisciplinares.
Médicos, fisioterapeutas, preparadores físicos, nutricionistas e psicólogos foram sendo lentamente integrados num mundo que até há pouco anos lhes estava vedado, introduzindo lentas mudanças, bem como conceitos e práticas fora do comum. O treino psicológico, por exemplo, deixou de se basear no estrito bom (ou mau...) senso do treinador, para obedecer a regras devidamente estudadas e validadas. O resultado está hoje à vista de todos, expresso no sucesso dos países que mais cedo compreenderam que melhores resultados dependiam de alterações no planeamento e concretização de novas formas de treino.”
No mesmo blog, e em texto posterior, cheguei mesmo a citar as importantes palavras do Professor José Couto, em entrevista ao portal oficial do clube: “A equipa técnica é composta por 4 pessoas, nós trabalhamos sempre em grupo, e não há trabalhos individuais. O treino é feito com o fisioterapeuta, com o treinador adjunto e a psicóloga noutra área. Trabalhámos sempre em conjunto e portanto não destaco ninguém em especial. Destaco todos os meus colaboradores pelas excelentes prestações e pelo bom trabalho de equipa, procurando a inovação não apenas numa pessoa pois não me parece correcto, mas antes na forma de trabalhar de quatro pessoas que actuaram sempre, repito, em conjunto.”
Quando escrevi estas palavras não conhecia ainda a constituição das equipas técnicas principais do futebol e do basquetebol do Belenenses, nem o facto de quer numa quer na outra se ter verificado o desaparecimento dos psicólogos. Mais: pensei sinceramente que, uma vez começada a nova temporada iria escrever um post orgulhoso, em que salientaria uma vez mais a aposto do Belenenses na criação de condições de treino ideais para os seus atletas, ao nível daquelas que são conhecidas noutros países em que se verificam maiores sucessos ao nível desportivo. Enganei-me. E tenho pena.
Tenho pena porque acredito sinceramente que o treino mental é tão importante como o treino físico. O nosso técnico, Carlos Carvalhal, reconheceu-o de forma indirecta, quando referiu na sua recente entrevista ao Jornal O JOGO: “Não haverá quebras físicas, pois o plantel está a ser preparado para aguentar toda a época. O que poderá suceder são quebras anímicas, decorrentes de resultados menos agradáveis.”
Quem estará lá nesse altura, para levar a cabo um trabalho qualificado e estruturado de recuperação mental dos jogadores, individualmente considerados (uma vez que nem todos são influenciados da mesma forma), e do plantel, do ponto de vista colectivo?
Considero que a não inclusão de quadros qualificados, na área do treino mental, nas nossas mais importantes equipas de competição é um enorme passo atrás. E só espero que isso não seja evidente no comportamento em campo das equipas.
Pela minha parte vou continuar a defender um Belenenses cada vez mais virado para a inovação no treino desportivo. Cada vez mais bem estruturado e mais atractivo para os melhores atletas, em todas as modalidades que o clube entenda abraçar. Vou continuar a defender que o treino mental e a recuperação psicológica não é tarefa para o treinador principal, para os seus adjuntos ou para os médicos, para os dirigentes, seccionistas e técnicos de audiovisuais...
E pode ser que consiga convencer alguém.
“Décadas de desenvolvimento científico da teoria e prática do treino desportivo colocaram a psicologia em lugar de destaque na preparação de atletas de competição em praticamente todas as modalidades. Nos últimos anos, as universidades portuguesas criaram programas curriculares de Psicologia do Desporto, e pós-graduações que envolvem obrigatoriamente aspectos ligados ao treino mental e ao apoio psicológico a desportistas em todas as fases da sua carreira.
De uma forma geral, o tempo dos ex-desportistas interessados pela modalidade mas sem outra formação técnico-científica de base, terminou. O exemplo mais flagrante desta realidade chega-nos do futebol de alta competição, durante décadas dominado por ex-futebolistas tornados treinadores... As exigências do quadro competitivo actual criaram novas necessidades e oportunidades para a inclusão de especialistas em outras áreas nas equipas técnicas: as equipas técnicas tornaram-se multidisciplinares.
Médicos, fisioterapeutas, preparadores físicos, nutricionistas e psicólogos foram sendo lentamente integrados num mundo que até há pouco anos lhes estava vedado, introduzindo lentas mudanças, bem como conceitos e práticas fora do comum. O treino psicológico, por exemplo, deixou de se basear no estrito bom (ou mau...) senso do treinador, para obedecer a regras devidamente estudadas e validadas. O resultado está hoje à vista de todos, expresso no sucesso dos países que mais cedo compreenderam que melhores resultados dependiam de alterações no planeamento e concretização de novas formas de treino.”
No mesmo blog, e em texto posterior, cheguei mesmo a citar as importantes palavras do Professor José Couto, em entrevista ao portal oficial do clube: “A equipa técnica é composta por 4 pessoas, nós trabalhamos sempre em grupo, e não há trabalhos individuais. O treino é feito com o fisioterapeuta, com o treinador adjunto e a psicóloga noutra área. Trabalhámos sempre em conjunto e portanto não destaco ninguém em especial. Destaco todos os meus colaboradores pelas excelentes prestações e pelo bom trabalho de equipa, procurando a inovação não apenas numa pessoa pois não me parece correcto, mas antes na forma de trabalhar de quatro pessoas que actuaram sempre, repito, em conjunto.”
Quando escrevi estas palavras não conhecia ainda a constituição das equipas técnicas principais do futebol e do basquetebol do Belenenses, nem o facto de quer numa quer na outra se ter verificado o desaparecimento dos psicólogos. Mais: pensei sinceramente que, uma vez começada a nova temporada iria escrever um post orgulhoso, em que salientaria uma vez mais a aposto do Belenenses na criação de condições de treino ideais para os seus atletas, ao nível daquelas que são conhecidas noutros países em que se verificam maiores sucessos ao nível desportivo. Enganei-me. E tenho pena.
Tenho pena porque acredito sinceramente que o treino mental é tão importante como o treino físico. O nosso técnico, Carlos Carvalhal, reconheceu-o de forma indirecta, quando referiu na sua recente entrevista ao Jornal O JOGO: “Não haverá quebras físicas, pois o plantel está a ser preparado para aguentar toda a época. O que poderá suceder são quebras anímicas, decorrentes de resultados menos agradáveis.”
Quem estará lá nesse altura, para levar a cabo um trabalho qualificado e estruturado de recuperação mental dos jogadores, individualmente considerados (uma vez que nem todos são influenciados da mesma forma), e do plantel, do ponto de vista colectivo?
Considero que a não inclusão de quadros qualificados, na área do treino mental, nas nossas mais importantes equipas de competição é um enorme passo atrás. E só espero que isso não seja evidente no comportamento em campo das equipas.
Pela minha parte vou continuar a defender um Belenenses cada vez mais virado para a inovação no treino desportivo. Cada vez mais bem estruturado e mais atractivo para os melhores atletas, em todas as modalidades que o clube entenda abraçar. Vou continuar a defender que o treino mental e a recuperação psicológica não é tarefa para o treinador principal, para os seus adjuntos ou para os médicos, para os dirigentes, seccionistas e técnicos de audiovisuais...
E pode ser que consiga convencer alguém.
PALAVRAS QUE FORAM DITAS 19: Perfeito Rodrigues e Mariano Amaro

Amaro, o grande capitão do Belenenses na década de 40, presente em boa parte das mais importantes conquistas do nosso clube, um dos maiores jogadores portugueses de todos os tempos, pilar da selecção nacional, legenda imorredoura, terá nesta série de apontamentos várias referências de destaque. Julgo que, de todos os grandes jogadores do Belenenses, era aquele do qual o meu pai falava com maior respeito - sentimento que julgo ter sido partilhado por outro belenenses que viveram “naqueles” tempos.
Hoje, na sequência do artigo anterior, fica um poema de Perfeito Rodrigues, escrito em 6 de Julho de 1984, e dedicado justamente, “Ao meu grande amigo e antigo companheiro de equipa Mariano Rodrigues Amaro”:
“Amaro! Tu amaste, eu sei,
Este Clube que é nosso.
Já não podes, nem eu posso:
Fez-se tarde…É a lei!
Tantos anos a lutar!
A defender nossas cores,
Sempre presos aos amores
Que em Belém foste encontrar!
Era jovem e tinha a Cruz
A “bela” que nos prendeu.
A ti te mostrou a luz
E mais tarde o apogeu!
Depois, tudo se esboroou.
Tudo fugiu num repente.
De ti apenas ficou…
Um sorriso para toda a gente.
Bem mereces a distinção
Deste Clube a que pertences.
E um abraço de gratidão
De todos os Belenenses!”
quinta-feira, setembro 02, 2004
PALAVRAS QUE FORAM DITAS 18: Perfeito Rodrigues

Jogador de futebol nos anos 30, mais tarde dirigente e sócio de mérito do Belenenses, Perfeito Rodrigues amou apaixonadamente o Belenenses.
Isso transparece, nomeadamente, em alguns dos poemas publicados, a meio da década de 80, no livro “Uma Outra Face”.
Deixamos aqui alguns excertos:
“(…)
Ai, Belém! Só eu sei quanto te amei.
E se outros te amaram, eu então direi:
Não creio que o meu amor fosse menor.
E se outras cores sempre recusei,
E dentro do rectângulo me esfarrapei,
É porque na verdade te tinha amor.
O teu valor, a tua aura imensa,
Foi a causa, o fulcro da indiferença
Movida, ao tempo, por uns tantos senhores…
Esquecidos andavam, aqui e além,
Que nascera num banco, em Belém,
Um Clube que primou ser dos maiores!
Hoje, apenas choro a tua descida,
Mas dentro de ti! Tu ainda tens vida!
E os que te rodeiam, ânimo forte.
E se todos lutarmos pela vitória,
Mais linda será, pois, tua história:
Jamais andarás aos baldões da sorte…”
quarta-feira, setembro 01, 2004
Sobre o nosso Jornal
Época nova, vida nova!
O Jornal do Belenenses voltou às mãos dos seus sócios e adeptos, informando e valorizando a actividade do clube, tantas vezes do desconhecimento de alguns de nós. Com especial peso ao futebol, mas não esquecendo as outras modalidades que tanto prestigio dão ao CF “Os Belenenses”, o nosso jornal veio para ficar.
Artigos bem escritos, fotografias bem tiradas, assuntos bem escolhidos e gente nova, com ideias. Os ingredientes estão todos reunidos, e agora é necessário prosseguir o esforço já realizados, e materializado nas edições até agora publicadas.
A prova de fogo começa em Setembro, com as muitas modalidades do clube a arrancar para a nova temporada. São tantas... o futebol, o andebol, a natação, o basquetebol, o pólo-aquático, o volei feminino, o triatlo, o rugby... Não será fácil, é certo. O jornal é o resultado da canalização dos tempos livres de cada um ao clube, e esse são neste mundo cada vez menos...
Todavia, tenho a certeza que, com o apoio das secções e com a adesão dos sócios e adeptos a este projecto, o novo Jornal do Belenenses vai vingar, e mostrar uma vez mais (desta vez no campo da “imprensa escrita”) aquilo que nele afirma o capitão Tuck acerca do Clube: que somos diferentes dos outros.
À equipa do Jornal do Belenenses um grande abraço e um muito obrigado!
O Jornal do Belenenses voltou às mãos dos seus sócios e adeptos, informando e valorizando a actividade do clube, tantas vezes do desconhecimento de alguns de nós. Com especial peso ao futebol, mas não esquecendo as outras modalidades que tanto prestigio dão ao CF “Os Belenenses”, o nosso jornal veio para ficar.
Artigos bem escritos, fotografias bem tiradas, assuntos bem escolhidos e gente nova, com ideias. Os ingredientes estão todos reunidos, e agora é necessário prosseguir o esforço já realizados, e materializado nas edições até agora publicadas.
A prova de fogo começa em Setembro, com as muitas modalidades do clube a arrancar para a nova temporada. São tantas... o futebol, o andebol, a natação, o basquetebol, o pólo-aquático, o volei feminino, o triatlo, o rugby... Não será fácil, é certo. O jornal é o resultado da canalização dos tempos livres de cada um ao clube, e esse são neste mundo cada vez menos...
Todavia, tenho a certeza que, com o apoio das secções e com a adesão dos sócios e adeptos a este projecto, o novo Jornal do Belenenses vai vingar, e mostrar uma vez mais (desta vez no campo da “imprensa escrita”) aquilo que nele afirma o capitão Tuck acerca do Clube: que somos diferentes dos outros.
À equipa do Jornal do Belenenses um grande abraço e um muito obrigado!
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